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Artigos Educacionais

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AVANÇAR NA APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino *

Uma inscrição esculpida no mármore da arquitrave da biblioteca pública de Boston diz: “A comunidade exige educação do povo como salvaguarda da ordem e da liberdade”.

Não parece ter sido fácil, aos nossos governantes, atingir esse pensamento, tendo em vista o nosso sistema educacional decadente. Educação está na base de qualquer alteração social. Nosso atraso educacional salta aos olhos. Um trabalho de conscientização da necessária elevação do padrão de ensino, atingindo, em massa, a formação continuada do professor, viria como um colírio para suavizar a deficitária e falha estrutura educacional.

O professor ainda veste a camisa da escola tradicional, transmitindo o conhecimento mais na base de lousa e giz. De um modo geral, resiste ao computador, deixa de usar este recurso e de estimular o aluno a aprender. Assim procedendo, não se enquadra, devidamente, à época vivida pelo aluno. Nessa era digital da sociedade cibernética, o raciocínio do aluno tem uma velocidade muito maior que há 20 anos. O professor, utilizando-se de métodos arcaicos, não se modernizando, impede o aluno de avançar e de encontrar um sentido maior na escola.

A escola precisa ser mais assistida, para melhor assistir, mais ajudada, no nível técnico e no nível financeiro. É preciso fazer dela prioridade nacional, lugar que nunca deveria ter deixado de ocupar. Como fazer o aluno avançar nos conhecimentos da informática, na evolução do raciocínio, da observação, da análise, da crítica, se quem o conduz é um profissional pouco aprimorado no assunto?

Hoje, sabemos, por exemplo, que os games de ação ajudam o cérebro. Jogos podem melhorar as habilidades visuais e os tempos de reação dos praticantes. Segundo uma nova pesquisa feita nos Estados Unidos, pessoas que brincam regularmente com jogos de ação de computador processam mais rápido informações visuais e com mais precisão que aquelas que não jogam. As conclusões sugerem que os jogos, anteriormente criticados, podem ter efeitos positivos e ser úteis para o ensino e o desenvolvimento de habilidades, desde que usados com moderação. Parece que a ação rápida que se desenrola na tela do computador pode treinar o cérebro para responder com mais eficiência a estímulos particulares, concluem os especialistas de ciências do cérebro.

Praticar o game, porém, não se tornar um jogador compulsivo, porque pode desenvolver também um nível de atenção muito pouco seletivo, além de a criança ficar mais impaciente e agitada. No dia a dia, o que se nota é que os games estão dando respostas mais rápidas e novos modos de comportamento. Um professor analfabeto em informática não acompanhará a agilidade dos alunos pós-modernos. Em muitas escolas oficiais não existem computador, em outras, os computadores ficam trancafiados numa sala, porque os professores não sabem como utilizá-los.

Hoje, o professor não tem como ignorar essa ferramenta de trabalho, não tem como não introduzi-la na sala de aula. O computador beneficia não só o ensino-aprendizagem como a vida do aluno, da comunidade, em geral, que acaba se beneficiando também. Na Índia, por exemplo, o governo priorizou o envio de computadores para as escolas situadas em áreas pobres do país e treinou os professores. Os resultados dessa política atraíram a atenção de técnicos da ONU e da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, que registraram a velocidade das mudanças na qualidade de vida das pessoas depois que elas tiveram acesso ao computador. A informática vem se revelando como fator primordial para atenuar as desigualdades locais e regionais.

Percebe-se que a resistência da escola às novas tecnologias afeta a qualidade do ensino, desestimulando o aluno. É um retrocesso, inclusive, ao progresso da região onde ela se localiza. O computador abre caminho para um aprendizado que faz mais sentido para o aluno, porque permite executar projetos e pesquisas sobre situações reais da comunidade, quando força o aluno a procurar na matemática, na língua portuguesa e nas outras disciplinas os recursos na busca de soluções. A escola insere-se mais na comunidade, que ganha com essa inserção. A presença do computador é também indicador de qualidade de vida. Ele traz conseqüências benéficas e duradouras na vida dos beneficiados. Há pesquisas que mostram a velocidade das mudanças na qualidade de vida das pessoas depois que elas tiveram acesso ao computador. Escola e professor precisam mudar, aceitar seus novos papéis. A transmissão do conhecimento pelas vias tradicionais já está obsoleta. Construindo o conhecimento, professores e alunos passam, ambos, por uma experiência colaborativa de aprendizagem.

O desafio é fazer com que os professores mais tradicionais deixem de ter resistência ao computador e passem a usar este recurso para estimular o aluno a aprender e colocá-lo na modernidade.

CONSTRUTIVISMO NA ANÁLISE SOCIOLÓGICA

Izabel Sadalla Grispino *

Educar implica em colocar o indivíduo como sujeito de sua análise de mundo. Ele é um elemento fazedor do processo e não um paciente do aprendizado. Não é uma incidência do ato de ensinar.

Na alfabetização, por exemplo, o adulto deve ser alfabetizado a partir de seu universo de fala e não do universo do educador. A aprendizagem é um ato de criação, de construção. “O sujeito que conhece é aquele que se apropria do processo de conhecer e não aquele que recebe uma justaposição no seu corpo e na sua inteligência do objeto que está sendo ensinado pelo educador”. (Paulo Freire).

Dentro do construtivismo são respeitadas a identidade e as posições do educando. O construtivismo fala de inteligência como uma criação que depende da sua prática e do seu uso. Não é possível estudar o construtivismo sem nos estudar. Nesse entendimento, o professor tem que trabalhar como facilitador do ato de aprender. “Ser educador é possuir a sabedoria de fazer brotar a sabedoria do outro, é tomar posse do verdadeiro saber: o saber com sabor, com inteligência, com prazer, com humor”. (Fernando Pessoa)

A educação não se restringe ao lar, à escola, abrange toda a coletividade. Ela sozinha não é a salvação, mas sem ela não há salvação. Em termos de sociedade, o programa Fome Zero, impregnado de um humanismo louvável, tem suscitado questões a respeito da pobreza.

Aplicando o construtivismo numa análise sociológica, no conceito de que educar é um processo no qual o sujeito é seu agente, é preciso considerar a visão que as pessoas pobres têm da pobreza e de seus problemas, é preciso trocar as experiências vividas.

Tomei conhecimento de uma pesquisa feita por um grupo de professores da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Universidade Federal de Pernambuco, de 1991, para o Banco Mundial: “Consultations with the Poor”, feita com 632 pessoas em três lugares diferentes: favelas da região metropolitana de Recife, comunidades pobres do município de Itabuna (BA), vítimas do desemprego gerado pela crise nas lavouras do cacau, e comunidades pobres de Santo André, no ABC paulista, onde se acentuavam os efeitos do desemprego motivado pela retração do setor automobilístico.

O estudo da pesquisa chamou a atenção para a significativa variação da percepção de bem-estar, demonstrada pelos grupos e lugares pesquisados. De um modo geral, as pessoas pobres consideram a pobreza sinônimo de falta de poder e relacionam bem-estar com segurança, onde entram emprego e renda estáveis, alimentação, boa saúde, possibilidade de bons serviços, propriedade da terra ou da habitação. Também, de um modo geral, os pobres se vêem como mais vulneráveis e sujeitos a riscos, como deslizamentos de encostas, inundações, violências e crimes. A segurança proporcionada pelo emprego não está apenas na renda que ele traz. Emprego estável significa também relações com um empregador, a quem se recorre nas dificuldades.

Os autores do estudo enfatizam o ponto em que a visão social aponta a pobreza como causa da violência ou como meio que favorece a violência, enquanto os pobres se vêem como vítimas dessa violência.

O que se constatou, nesse estudo, é que as piores crises acontecem nas famílias chefiadas por mulheres (sem parceiro) e por velhos. Por isso, são os que mais precisam de proteção e que deve ser uma indicação de prioridade no programa Fome Zero. Pelas pessoas ouvidas, a insegurança tem crescido pelo aumento do desemprego, pela explosão da violência, “do crime nas comunidades” e pela concentração de renda: “O pobre está ficando mais pobre e o rico mais rico”.

Nesse quadro, emprego e acesso à educação são considerados fatores essenciais para escapar da pobreza. Um outro fator é acesso à infra-estrutura de saneamento, de saúde, de educação. Na falta de infra-estrutura entre os pobres, o governo é apontado como o maior responsável. De qualquer forma, as populações envolvidas na discussão não acreditam que sozinhas possam mudar a situação.

Nesse contexto, a Igreja católica é vista como a instituição mais importante pela assistência espiritual e de ajuda emergencial às famílias. A pior instituição é a polícia pela participação no quadro da violência da qual se sentem vítimas.

Talvez a lição maior, considerada pelo estudo, é a visão que os pobres têm dos ricos, sintetizada pela frase de uma mulher: “Rico é quem diz: vou fazer. E faz”. Isto é, rico é quem pode tomar decisões. Essa concepção é considerada um forte indicador para o processo político-administrativo como um todo, no sentido de fazer a sociedade participar, escolher, opinar, decidir.

Um outro fator, que chama a atenção nessa conjuntura, é o comportamento da mídia, que, em geral, aborda assuntos grandiosos, dramáticos, da crise de proporções assustadoras. A mídia poderá ajudar se mudar o foco, dirigir-se ao cidadão comum, saber o que pensa, o que lhe interessa, enfim abordar também o pobre, o cotidiano, não só falar do grande, do soberano; galgar passos construtivistas.

Essa pesquisa nos mostra que ajudar significa conhecer melhor o objeto de ajuda. Esse conhecer encarregar-se-á de ditar a direção a seguir. Juntar visão pessoal e visão alheia, valorizando a visão do outro.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março/2003)

A EDUCAÇÃO ESPECIAL NA INCLUSÃO DO DEFICIENTE

Izabel Sadalla Grispino *

Recentemente, publiquei um artigo que revelava o resultado de uma pesquisa internacional, encomendada pelas Olimpíadas Especiais, mostrando resistência à integração de deficientes mentais, um forte apego ao preconceito.

No Brasil, as análises têm sido mais estimuladoras. As conquistas, na área da educação especial, são lentas, mas continuadas. O Censo Escolar 2003, divulgado pelo Ministério da Educação, mostrou um aumento do número de crianças, com necessidades especiais, em classes regulares, nas redes oficiais de ensino. Mostrou um acréscimo de 30,6% da chamada educação inclusiva, em relação ao Censo 2002. De cada 100 estudantes com deficiências, 29 assistem às aulas em classes comuns. Em 1998, avaliou-se pela primeira vez essa inclusão e somente 15% dos alunos com necessidades especiais freqüentavam classes regulares.

O Brasil vem avançando em direção ao direito da escolaridade das crianças deficientes. Para um reforço no cumprimento das normas legais, é importante tomar conhecimento dos seguintes procedimentos:

– A  Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, no seu artigo 4.º, inciso III, definiu como dever do Estado a garantia de atendimento especializado gratuito aos educandos “com necessidades especiais, preferencialmente, na rede regular de ensino”. Assim, segundo a LDB, a inclusão deve ser preferencialmente na rede regular de ensino. Para tanto, o educador deve receber a capacitação necessária para esse atendimento, lembrando que a política de inclusão exige um professor treinado, capacitado.

– A Lei 7.853, de 1989, obrigou o Estado a apoiar os portadores de deficiência em sua integração social. Leis e decretos definiram normas gerais e critérios básicos para o atendimento às pessoas deficientes. Criou-se, no Ministério da Justiça, o Conselho Nacional de Direitos  da Pessoa Portadora de Deficiência.

– Através do Decreto 3.956, de 2001, foi ratificada a Convenção Interamericana para a eliminação de todas as formas de discriminação contra as pessoas portadoras de deficiências.

– A Câmara de Ensino Básico do Conselho Nacional de Educação (Parecer 2/01) definiu as Diretrizes Curriculares Nacionais para educação especial e o Parecer 17/01 estendeu essas diretrizes para toda a Educação Básica.

Era preciso que se cumprisse, na prática, o que essas leis determinavam. O Censo Escolar 2003 demonstrou que a aceitação do deficiente, em classes de escolaridade formal do ensino básico, avança favoravelmente. As instituições de ensino vêm, gradativamente, conscientizando-se e propagando a inclusão social, a promoção de acessibilidade das pessoas com mobilidade reduzida. O professores devem trabalhá-las tendo em vista suas potencialidades, na superação de suas dificuldades.

Hoje, já é consenso na educação de que a heterogeneidade, no ambiente escolar, só traz benefícios tanto para os deficientes como para os demais alunos, desde que ela seja acompanhada, assistida, por profissionais competentes e por condições necessárias ao seu bom desenvolvimento.

Uma outra pesquisa mostra que muitas empresas começam a criar programas de inclusão social, projetos que atendam às necessidades dos deficientes. Um estudo inédito da Fundação Banco do Brasil, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, divulgou, em outubro p. passado, resultados e apontou que o repasse de um salário mínimo a portadores de deficiência pelo governo, por meio do Benefício de Prestação Continuada (BPC), cresceu 350% entre 1996 e 2001. O estudo mostrou, ainda, que o número de deficientes no País varia de acordo com escolaridade, idade e renda. O relatório Diversidade – Retratos da Deficiência no Brasil – divulgado em 21/10/2003, considerou o grau de severidade das deficiências e revelou que 14,5% da população brasileira apresentam algum tipo de limitação. Que a metade da população com mais de 60 anos sofre de algum tipo de deficiência.

A média de renda das pessoas com limitações físicas é de R$ 529,00, enquanto a de quem não as tem fica em torno de R$ 628,00. Há, também, diferenças na escolaridade: 27,61% dos deficientes não são alfabetizados e há certa concentração de deficientes no Nordeste, justamente por ser a região mais pobre. A Paraíba lidera no número de deficientes: 18,76% da população.

O estudo feito pelas Fundações Banco do Brasil e Getúlio Vargas inova por apontar possibilidades de inclusão e de aplicação de políticas sociais, vindo de encontro aos anseios dos portadores de deficiência e de suas famílias. Abordando-se reiteradamente a problemática do deficiente, desvenda-se o véu da ignorância, retira o deficiente de seu isolamento, expande-se a humanidade, apontando para uma sociedade mais justa, menos preconceituosa.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2003)

VIOLÊNCIA E FALTA DE QUALIDADE NAS ESCOLAS PÚBLICAS

Izabel Sadalla Grispino *

A escola brasileira apresenta deficiências acumuladas, precisa se dar conta dos desafios que deve enfrentar para uma aprendizagem de qualidade. Desafios que coloquem como prioridade um ensino que ofereça oportunidades a todas as classes sociais, buscando igualar os desníveis tão assinalados.

Violência e falta de qualidade são os dois maiores problemas enfrentados pela escola pública, preocupando sobremaneira os pais. A escola hoje oferece vagas a todos que a procuram e normalmente perto de casa. É, sem dúvida, um avanço, mas peca por seus métodos de ensino, incapazes de atingir a qualidade. A violência, ao lado da falta de um bom ensino, foi apontada como a maior preocupação dos pais, numa pesquisa feita pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas em Educação (Inep), em janeiro do corrente ano.

A pesquisa foi realizada em cinco capitais – Belém, Recife, Brasília, Rio de Janeiro e Curitiba – e serviu de base para uma outra mais abrangente, iniciada em janeiro. A pesquisa, com 10 grupos de discussão, mostrou que pais temem pelos filhos nos casos de violência e se mostram decepcionados quanto à qualidade de ensino. Cem pais, participantes dos grupos de discussão, foram unânimes nas respostas. As afirmativas serviram para o Instituto organizar novo questionário com o mesmo objetivo e enviar a 10 mil pais em todo o País, incluindo cidades do interior.

Talvez essa segunda pesquisa nem seria necessária, é evidente a necessidade de se melhorar o ensino e as condições de segurança das escolas de todo território nacional. As escolas, principalmente nas grandes cidades, apresentam-se como um local inseguro e com falta de disciplina. Os pais ressaltam, ainda na pesquisa, que os filhos não estão aprendendo.

Vários pontos tiveram resultados positivos: o fato de a escola ser pública e gratuita, de haver vagas para todos, da matrícula ser simples e o acesso fácil. A merenda escolar e a distribuição de livros didáticos também foram elogiadas.

A pesquisa mostrou, em contrapartida, que a grande maioria dos pais não entende os novos métodos de ensino, a formação de ciclos e questiona a aprovação, que ela chama de automática. Questiona o processo de avaliação continuada, uma avaliação sem provas, feita por meio de trabalhos e da participação em sala de aula. Um outro aspecto da pesquisa foi mostrar que os pais freqüentam pouco a escola, talvez, esta seja uma das razões do desconhecimento dos métodos adotados.

Essa deficiência escolar reflete profundamente na vida social e no mercado de trabalho. As empresas começam a perceber a importância de fortalecer o ensino de seus funcionários. Percebem que não adianta dar um treinamento técnico avançado, quando há problemas na base da educação. Com a exportação, as empresas notaram que a qualificação da mão-de-obra era um diferencial competitivo importante para ganhar mercado em países como EUA e Canadá. Passaram a investir na educação de seus funcionários, sabendo que estariam investindo nelas próprias.

Dados do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife) mostram que 81% das empresas investem no ensino fundamental. Investem na educação dos 7 aos 14 anos influenciados pela Constituição de 1988, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e pelas políticas educacionais dos últimos governos, que priorizam a educação nessa faixa de idade. As empresas tomam para si o desafio de erradicar o analfabetismo, ampliar o acesso ao sistema educacional e tornar possível o acesso às novas tecnologias, como a informática. Empenham-se a oferecer ensino fundamental para a população adulta – de jovens e adultos – eliminando barreiras à inclusão social. O mercado de hoje exige esse conhecimento mínimo.

DIA 27 DE ABRIL, DIA DE PÁSCOA

A Páscoa é uma festa cristã, que comemora a ressurreição de Cristo. É o princípio de uma nova vida, a redenção da humanidade. Desejo que nesse dia o mundo se encontre num grande abraço de paz, de renovação, apoiado nos ensinamentos de Cristo.

A Campanha da Fraternidade, deste ano, aborda o tema “Solidariedade e Paz”, com seu lema: “Felizes os que promovem a paz”. Em homenagem a essa Campanha, os meus versos abaixo:

ESCALADA DA FELICIDADE

Para a felicidade só há uma estrada,
Aquela que a dor alheia abraça,
Que engrossa as fileiras da justiça,
Enfraquece os ânimos da cobiça,
A humildade do espírito, sua mansidão,
Se encarregam dos benefícios que virão.

A felicidade é um se doar,
Orar ao se levantar e ao se deitar,
Impregnar-se do sentido da oração,
Aprendendo com ela a dividir o pão,
Ela está no extremo de uma estrada penosa,
Tendo que atravessar uma humanidade perniciosa!

A felicidade fica além dos pântanos encharcados,
Além da trilha de povos irados,
Só após conhecer a desgraça,
É que se chega ao estado de graça,
Persistindo em sua busca, a claridade avança,
Descobre-se que ela é a paz, a esperança!

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2007)

TRABALHO VOLUNTÁRIO

Izabel Sadalla Grispino *

Uma face do assistencialismo social que vem surgindo e se aprimorando é o trabalho voluntário. Hoje, educa-se para ele, ressalta-se a sua importância humana, o seu alcance social.

Esse trabalho, em seu assistencialismo, ajuda a melhorar as condições de vida de quem precisa, colaborando com o desenvolvimento geral da sociedade. Já se forma conceito sobre o papel que o voluntariado exerce na formação do caráter do jovem, na sua formação humana. Ele traz benefício para os dois lados, de quem recebe e de quem pratica. Quem pratica, desenvolve uma personalidade altruísta, ganha um encaixe real à existência, deixando reflexos durante o resto de sua vida.

Hoje, o voluntariado se faz presente em todas as instituições. Nas organizações religiosas, grupos formados por diferentes religiões discutem a melhor forma de o voluntariado atuar nas diversas religiões, assim como trabalhar com pessoas de religiões diferentes das suas.

Há instituições que fazem uma espécie de capacitação de voluntários, tornando sua atuação mais eficiente, alcançando melhor os objetivos visados. Selecionam os candidatos de acordo com o perfil mais afinado às atividades – se bem que o trabalho voluntário não implica em nenhum tipo de remuneração, nem vínculo contratual. Treinam e orientam o voluntário para que sua atuação ocorra de acordo com as necessidades e filosofia da entidade. Do mesmo modo, os funcionários são preparados para trabalhar, em conjunto, com os voluntários.

A Pontifícia Universidade Católica (PUC) realizou em dois de julho do corrente ano o 1.º Congresso Brasileiro de Voluntariado, com a presença de Douglas Evangelista, coordenador do programa das Nações Unidas de Voluntariado para a América Latina, Caribe e países árabes.

Nesse 1.º congresso, surgiram como principais propostas a formação de uma rede mundial de entidades voluntárias e a criação de uma resolução que liga assistencialismo ao desenvolvimento social. Foi pedido aos delegados brasileiros que, na Organização das Nações Unidas, fizessem pressão para a aprovação dessa resolução.

A rede, pela Internet, colocada entre as diferentes comunidades, servirá para a troca de experiências, ajudando as entidades que trabalham com voluntários. “A rede servirá para criar vínculos e trocar experiências entre as organizações de diversos países”, disse Evangelista, acrescentando que o Canadá mede, em termos econômicos, a participação dos voluntários na sociedade, sendo o campeão mundial de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), instituição que afere a qualidade de vida das nações. “Lá, o voluntariado chega a 8% do Produto Interno Bruto (PIB), entre doações a entidades e tempo despendido pelos voluntários no atendimento”, arrematou.

Dia 5 de dezembro, Dia Mundial do Voluntariado, em assembléia-geral, a Comissão de Desenvolvimento Social da ONU vai tentar aprovar a resolução, para incentivar esse trabalho nos países-membros. Desse modo, as nações terão a obrigação de oferecer apoio ao trabalho voluntário.

Trabalho voluntário é ato de doação, de conscientização da parcela, pequena que seja, de contribuição de cada um, no ressurgimento de um mundo mais igualitário, menos doloroso e, por conseguinte, menos conturbado. A sociedade precisa educar-se para a ajuda mútua, aprender a dar evasão aos bons sentimentos, a acolher os necessitados, se quiser ter um amanhã sorrindo para a paz.

A situação social, todos nós sabemos, é caótica, violenta, com tendência a piorar, caso não caminhemos em direção à cura de seus males, ao alívio de suas dores. E nesse caminho, não há fórmula mágica ou fórmula inovadora, ela é a mesma máxima milenar pregada por Nosso Senhor Jesus Cristo ao querer redimir o mundo da maldade, a das mãos estendidas, do pão repartido.

Não há mais que retardar, tem-se que começar a espalhar largamente a semente do amor, para não se arcar com o pesado e doloroso ônus da omissão, do desinteresse e do culto ao individualismo. É preciso expandir a consciência da participação comunitária, orientando, educando para a formação ética e humanitária da sociedade. É preciso trabalhar a solidariedade, a comiseração, sentimentos não tão fáceis de se conseguir no mundo competitivo em que vivemos.

Diz o adágio popular: “Solidariedade não tem preço, mas ninguém dá um centavo por ela”. Vamos educar na direção oposta!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2001)

UNIVERSITÁRIOS ANALFABETOS FUNCIONAIS

Izabel Sadalla Grispino *

Trabalhar bem a linguagem é requisito primordial para um bom desempenho em língua portuguesa e em todas as disciplinas do currículo. As avaliações do Sistema Nacional da Educação Básica (Saeb), o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e tantas outras têm, sistematicamente, demonstrado o baixo rendimento escolar em português e em matemática.

Português é disciplina tronco, bifurca em todas as áreas do ensino. É indispensável para todas as demais disciplinas e o aluno do ensino médio, da escola pública, não raro, termina o curso com sérias dificuldades em concordância, em pontuação, coesão, falta de ligação entre as partes, tempos verbais. Dificuldade em colocar as idéias no papel, em usar um vocabulário apropriado ao texto, em entender o que lê. Esse aluno mostra incapacidade de concatenar idéias e de se expressar.

O nível de um grande número de alunos que chega à universidade particular é muito baixo, constatam as pesquisas. Diferentemente da universidade pública, a particular convive com vagas ociosas. A oferta é quase sempre maior que a procura e, assim, alunos bem mal preparados, que lêem e escrevem sofrivelmente, conseguem entrar.

Diante de tão baixo nível de ensino, algumas faculdades particulares oferecem aos alunos oficinas para melhorar a capacidade de ler e escrever. A má formação atinge, especialmente, os alunos da escola pública e é tão precária que constitui uma barreira à continuidade dos estudos. Os alunos não conseguem entender e interpretar os textos que precisam estudar, textos, aliás, que lêem muito mal.

As faculdades mantêm aulas obrigatórias de comunicação e expressão para melhorar as habilidades de leitura, interpretação e redação. Em algumas instituições, as aulas de reforço não se limitam ao português, embora as oficinas de texto sejam as mais procuradas. Todos colocam o eixo temático em português, com ênfase na leitura e entendimento de texto.

Essa mão estendida das faculdades é de ajuda mútua: para os alunos, que teriam grande dificuldade em continuar os estudos, e para as próprias instituições, que ficariam sem condições de elaborar com proveito o conhecimento e arriscadas a perder alunos, aumentando ainda mais suas vagas ociosas.

As faculdades oferecem um espaço gratuito, fora do horário de aulas, criado, unicamente, para possibilitar universitários a melhorar a capacidade de leitura e escrita e a não desanimar de estudar.

Não adianta universalizar o ensino se não se ensinar a criança a aprender. Essa iniciativa das universidades, de criar oficinas para as matérias do ensino básico, é louvável, mas uma ação paliativa, insuficiente à aquisição de um bom conhecimento, revelando uma política nacional falha no setor educacional. Política que não consegue articular diretrizes curriculares, resultados de avaliações, investimento e valorização de professores. Esses alunos são resultado de uma escola que não valoriza a leitura e constitui um problema que vem de longe. Educadores constatam que nos últimos 40 anos o desinteresse pela leitura tem crescido. Os jovens apegam-se à TV, ao computador e deixam a leitura de lado.

As dificuldades com a língua portuguesa, a falta de domínio revelada nos testes aplicados, nas diferentes avaliações oficiais,  são fruto da ausência de leitura. Quem lê desenvolve o raciocínio, amplia o vocabulário, o conhecimento, a visão de mundo, apropria-se de um modelo adequado para a escrita. A professora Neide L. de Rezende, da Universidade de São Paulo (USP), constatou que até os anos 60 a língua que se falava na escola era muito próxima da linguagem escrita. “Aprendia-se a gramática de uma língua que você conhecia e os jovens liam muito mais. Hoje, o aluno estuda a gramática de uma língua que ele praticamente desconhece”. Isso é reflexo da perda de qualidade do ensino, de suas condições adversas. O que ocorre é que muitos alunos terminam o ensino médio na condição de analfabetos funcionais e mesmo assim ingressam em uma universidade!

O atraso na educação é incompatível com a possibilidade de desenvolvimento econômico do País. Com esse atraso, o País terá dificuldades em sua força de trabalho, que será aumentada nos próximos anos. Faz-se necessário despertar a consciência nacional para o patrimônio político, econômico, social, que representa a língua portuguesa. Ela simboliza a identidade cultural do País. Fixa sua importância interna e externa.

No âmbito internacional, surge a idéia de o Brasil, com o apoio financeiro das Nações Unidas (ONU) e de empresas nacionais, ensinar português ao Timor Leste, a fim de resgatar a identidade dessa ilha asiática, conquistada pelos portugueses em 1701, ficando sob seu domínio até 1975. O Timor foi, na década de 70, invadido pela Indonésia, que o ocupou. Hoje, depois da independência, a maioria da população fala o dialeto tetum, apesar de o português ser, também, a língua oficial falada por apenas 20% da população. A ocupação da Indonésia durou até 1999 e fez surgir na ilha o indonésio e o dialeto chamado tetum

“A preservação da identidade do Timor passa pelo português e só Brasil e Portugal podem fazer isso”, disse o então representante do Itamaraty, Jadiel Ferreira de Oliveira. A intenção é levar estudantes da Universidade de São Paulo (USP) para ensinar português  no Timor Leste, estudantes dos últimos anos de cursos de Letras, Licenciatura ou Pedagogia.

Cito esse episódio para conscientizar os brasileiros da importância de se cuidar com esmero de sua língua, de preservá-la, dignificá-la. Sentir o quanto ela é representativa da identidade de uma nação, o quanto a define, a identifica, a caracteriza no âmbito nacional e internacional e o quanto ela é fator de promoção pessoal e profissional.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2004)

JABOTICABAL DE ONTEM, DE HOJE E DE SEMPRE

Izabel Sadalla Grispino *

Tenho o privilégio de saudar a “Cidade das Rosas”, a querida Jaboticabal em seu 172.° aniversário. Cumprimentá-la pela pujança dos ideais de seu povo ordeiro, pela força de alavanca que faz dela a cidade princesa da região.

O clamor das festividades reacendeu-me a memória emocional. Recordar é viver, reconhecer é dignificar, chorar saudade é reverenciar! Voltei, na 2.ª metade da década dos anos 40, para o tão decantado Colégio Estadual de Jaboticabal, hoje “Aurélio Arrobas Martins”, para rever, na mente fotografada, meus venerandos mestres, minha “galera”, a turma de classe, os queridos colegas, a Alairce de Oliveira Delgado, os folguedos do recreio, as aulas de ginástica, as aulas de música, com o amado maestro Biagio Cimino, que ensinava as notas musicais, o compasso, juntamente com o canto, insistindo nos hinos pátrios. Cantávamos corretamente o Hino Nacional, o Hino da Independência, o Hino à Bandeira!

O passado explica o presente. Tive a felicidade de participar de um período áureo da história de Jaboticabal. Fiz as primeiras letras na cidade de Guariba, onde nasci, vindo, em seguida, juntamente com meu inesquecível irmão José, aqui continuar os estudos. Jaboticabal era o sonho do futuro, o centro cultural para onde convergiam estudantes de toda a região, na busca da escalada educacional. O então Colégio Estadual era o polo irradiador, o eixo que sustentava seu cognome de “Atenas Paulista”. Compunham seu corpo docente mestres de alta competência, que ministravam um saber à altura dos centros mais elevados do País. Era uma plêiade de iluminados!

O estabelecimento de ensino era dirigido pelo respeitado prof. Celino Pimentel, um administrador que, hoje, nada ficaria devendo aos mais apurados princípios da moderna educação escolar. Calmo, ponderado, tinha a doçura e a compreensão do diálogo espontâneo, a firmeza e a austeridade de quem não podia esmorecer nos momentos de decisão. Lembro-me de sua filha Lígia, um primor de beleza, que a todos encantava!

Caminhando para a sala de aula, deparávamos com verdadeiros baluartes da educação. Mestres precursores dos mais avançados métodos didáticos, com postura de orientadores da aprendizagem. Passam-se gerações e não é fácil encontrar um Mário de Campos, um Antônio Ruete!

Mário de Campos, o professor de Português, era o mais amado entre os amados, um intransigente defensor do vernáculo. Um professor que lecionava com o saber na mente e com o amor no coração. Numa época da escola soberana, onde se punha distância entre o professor e o aluno, entre escola e comunidade, ele era o amigo, dava ensejo a que os alunos se aproximassem. Mário de Campos seria hoje um desafio aos mais elevados conceitos da pedagogia atual. Usava da metodologia ativa, declamava-nos versos, punha-se emocionado, diante de uma classe paralisada, embevecida. Ele era a palmeira frondosa, a brisa suave que nos fazia sonhar, acreditar!

O filho Ayres de Campos também já lecionava. Era o jovem promissor, o herdeiro cultural do pai, a força nova que resplandecia. Era o filho ilustrando a imagem do pai, a garantia do texto elevado, apurado.

Um outro ícone do magistério foi o professor de latim Antônio Ruete. Um mestre de uma abrangência de conhecimentos invejável! Era a imagem da simpatia, muito querido pelos alunos. Na passagem do conteúdo, via-se, às vezes, interpelado pela alta erudição. Aprendemos muito com ele, sempre relacionando nossa língua com a língua mãe.

O professor Antônio Ruete deixou imensa saudade. Recordo com carinho de sua filha Cármen, uma colega alegre, empreendedora.

O professor de inglês, José França, risonho, extrovertido, mesclava suas aulas com música e poesia, procedimento didático muito apreciado pelos alunos. Quantos versinhos em inglês tenho, ainda, guardado de suas aulas!

Antônio Arrobas Martins, um fluente advogado, era nosso professor de ciências. Um mestre admirado pelos alunos, porém sem muito vínculo afetivo. Enérgico, um tanto eqüidistante, se colocava na docência com objetividade, porte severo.

Quantos outros deveriam entrar nesse quadro, como o competente e dedicado secretário sr. Túlio Rampazo. Mas, voltarei a novas lembranças em outra oportunidade. Porém, um nome que se prende a todos e que em todos deixou um pouco de sua marcante personalidade, não poderia, de modo algum, deixar de ser citado: professor Juvenal Passos Nogueira. Professor Juvenal é uma emoção à parte. Era o esteio do alunado, seu orientador, seu porto seguro. Respeitado e muito querido, espelhava-nos honestidade, inteligência, estudo, alguém que passava exemplo na própria conduta, alguém que com sacrifício e determinação subia a rampa do sucesso. Era, na época, inspetor de alunos e professor da maioria deles, preparava alunos para enfrentar o rigoroso exame de admissão ao ginásio. Professor Juvenal não parou de estudar, alcançando vôos profissionais de monta. Chegou, por sua competência, a diretor efetivo da escola que cresceu muito com ele e que, ainda, o representa, a EE “Aurélio Arrobas Martins”, casa de ensino, que tenho a certeza, nunca o esquecerá. Professor Juvenal é referência, é sólido pilar, é certeza de que quem se esforça chega lá. Juvenal Passos Nogueira é gente que faz, é exemplo de vida!

Jaboticabal sempre me impulsiona a retornos. Tenho a honra de saudar a Universidade São Luiz, que cresce e se firma como um dos orgulhos da cidade, universidade da qual participei dos seus primeiros passos, início da década de 70, quando fui convidada pelo seu fundador, o emérito professor Afonso Carregari, a engrossar as fileiras de seu corpo docente, e, então, nessa conceituada instituição de ensino superior, passei a dar aulas de francês, no curso de Letras.

Uma cidade se projeta no presente, com olhos no futuro, guardando a experiência do passado.

Nas pessoas dos valorosos mestres, aqui lembrados, rendo minha homenagem a Jaboticabal, que ela, a exemplo do passado, continue a caminhar a passos largos em direção à modernidade, que mire as alturas, mantendo a estrutura de sustentação presa ao solo, Que Deus continue abençoando a “Cidade das Rosas, que as rosas permaneçam desabrochadas, florindo e perfumando a terra, sinalizando portas abertas ao progresso, maturidade administrativa e farta colheita. Que os ventos lhe sejam favoráveis e que, junto a seu céu estrelado, aos seus mananciais, entoem, para Jaboticabal, o divino salmo da natureza!

*Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em julho/2000)

MUDANÇAS À VISTA NA ÁREA DA EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Grandes passos da reforma de ensino, introduzidas no governo Fernando Henrique Cardoso, com respaldo do ex-ministro da Educação Paulo Renato e do MEC, passos por mim comentados em artigos neste jornal, são, agora, no governo atual de Luiz Inácio Lula da Silva, postos em questionamento. Tomemos conhecimento dos principais.

Fala-se em mudanças ou em modificações, mas, até a presente data, não tem nada definido. É bom, contudo, tomar conhecimento das propostas de alterações, para se ir firmando conceito a respeito. Uma das mudanças mencionadas refere-se ao Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (Fundef) – financiamento da educação fundamental de oito anos – para um Fundeb ampliado, que incluiria desde a pré-escola até o ensino médio, isto é, não apenas o ensino fundamental, mas toda a educação básica.

Transformar o Fundef em Fundeb é, sem dúvida, intenção louvável desde que se consiga verba suficiente para tal abrangência, porque sem recursos adicionais significa diluir os investimentos em educação básica e o atendimento ser bem mais precário. O Fundef, em vigor desde 1996, é formado por 15% do total arrecadado com o Fundo de Participação dos Estados, dos municípios e impostos. O total arrecadado em cada Estado é distribuído de acordo com os alunos matriculados na rede pública de ensino. Que critérios seriam colocados para o Fundeb?

Sobre um outro passo da reforma de ensino, o Exame Nacional de Cursos, o Provão, o ministro Cristovam Buarque descartou, por enquanto, a hipótese de mudança significativa. “Poderá ocorrer um aperfeiçoamento e novas formas de avaliação, mas não será extinto, e as mudanças só ocorrerão no ano de 2004”.

As avaliações se tornaram marca da política educacional brasileira nos últimos anos e, ao que tudo indica, terão continuidade. O sistema de avaliação do ensino superior foi criado na gestão de Paulo Renato e o aspecto mais conhecido é o Exame Nacional de Cursos. O Provão hoje é obrigatório e a idéia que vem surgindo é não torná-lo obrigatório para todos os alunos. Porém, conforme posicionamento de vários educadores, fazer o Exame Nacional de Cursos por amostragem fugiria do propósito para o qual ele foi criado, ou seja, ter um critério claro de autorização dos cursos do ensino superior e esse critério baseia-se no resultado de todos os alunos.

O ministro fala, também, em ampliar as avaliações, não avaliar a universidade apenas pelos alunos, mas essa amplitude já existe. Fazem parte do processo: a Avaliação das Condições de Ensino, a Avaliação Institucional e o questionário preenchido pelos formandos sobre professores, estrutura e didática da universidade em que o aluno estuda. “O processo, hoje, engloba diferentes dimensões: produção acadêmica, proposta didático-pedagógica, estrutura da instituição. O Provão é apenas uma parte disso”, contra-argumenta Maria Helena Guimarães de Castro, uma das responsáveis pela criação do sistema atual de avaliação. Ademais, é a Avaliação das Condições de Ensino que faz um raio X das instituições, com inspeção no local. Especialistas visitam as instituições e verificam a qualidade dos professores, dos currículos e das instalações.

Uma mudança do Provão que parece estar sendo bem recebida é deixar de classificar cursos pelos conceitos de A a E, como faz desde 1996, ano de sua criação. Considera-se que os conceitos impedem comparação entre áreas. A intenção do Ministério da Educação é divulgar as notas diretamente, numa escala de 0 a 100. O conceito A, B, C, D ou E de cada curso era estipulado a partir de um cálculo com a média geral da área avaliada. O sistema atual permite que os conceitos signifiquem desempenhos diferentes, dependendo da área. Atualmente, a partir da média geral do curso é feito um desvio-padrão que determina o ponto de corte para a atribuição dos conceitos de A a E. Com a mudança, as médias de cada curso passariam a ser divulgadas diretamente. Se bem que, conforme afirma Maria Helena, o objetivo do Provão foi sempre o de fazer comparações. “Ele indica quais são os melhores e quais são os piores”.

Na aplicação da prova deste ano, 8 de junho, a única novidade, segundo o presidente do Instituto Nacional de Pesquisas e Estudos Educacionais do MEC (Inep), Otaviano Helene, será a inclusão de mais perguntas no questionário socioeconômico que o formando preenche. Além das 58 questões sobre a estrutura da instituição, planos de ensino, exigência do curso e condições pessoais do aluno, será abordada a área social. Haverá 11 itens sobre, entre outros temas, o trabalho comunitário dos estudantes e a relação do curso com problemas sociais brasileiros.

Outra avaliação que pode aparecer de cara nova no governo Lula é o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Segundo pronunciamento do ministro Buarque, o Enem deverá ser feito através dos 3 anos do ensino médio e não apenas no final do curso. Deverá seguir a linha por ele implantada há 7 anos, em Brasília, o Programa de Avaliação Seriada (PAS), que é o instrumento de ingresso, hoje, na Universidade Nacional de Brasília (UNB), para metade dos alunos. O vestibular é feito no fim de cada ano do ensino médio.

O propósito do ministro é mudar o sistema de avaliação do Enem, adotando nos Estados o PAS. Por esse método de avaliação, os estudantes com os melhores desempenhos nos 3 anos do ensino médio têm vaga assegurada na Universidade de Brasília. A UNB faz as avaliações ao fim de cada um dos 3 anos do ensino médio e, segundo consta, este processo tem surtido bom efeito em Brasília. Contudo, há sérias restrições a respeito. Delas falaremos no próximo artigo.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2003)

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, ZONA LESTE DA CAPITAL

Izabel Sadalla Grispino *

A zona leste da capital terá a sua Universidade de São Paulo, USP. As obras do futuro campus da USP Leste estão bem adiantadas, com o primeiro vestibular previsto para 2005.

A USP Leste, segundo o que se depreende do noticiário divulgado, decidiu por novos cursos, em número de 12, sem se ater a pesquisas de opinião dos maiores interessados, os alunos. Entendeu a USP que era momento de inovar, formar profissionais para as demandas do mercado, criar novas demandas e não aumentar vagas nos cursos conhecidos, como Medicina, Engenharia ou Direito, embora estes tenham sido os cursos mais citados e solicitados pelos alunos.

Dos 12 cursos sugeridos pelo campus Zona Leste 10 foram aprovados: Lazer e Turismo; Tecnologia Têxtil; Gestão Ambiental; Licenciatura em Ciências da Natureza; Sistemas da Informação; Gestão em Políticas Públicas; Ciências da Atividade Física; Marketing; Gerontologia e Obstetrícia. Foi aprovado um 1.º ano de ciclo básico para os 1.020 alunos previstos.

Uma pesquisa realizada pela própria USP, concluída em junho de 2003, com os alunos que estão terminando o ensino médio, mostra um descompasso entre o que está sendo oferecido e o que foi solicitado por eles. A pesquisa ouviu mais de 5 mil alunos das escolas públicas e privadas e cursinhos. Foram ouvidas 5.697 pessoas, com 5.280 questionários, em 49 escolas de ensino médio e 15 cursinhos, distribuídos por todas estas regiões da cidade de São Paulo.

A pesquisa foi realizada entre fevereiro  e abril de 2003, sendo a Fuvest a responsável pela conferência e tabulação dos dados. 69% dos questionários foram aplicados a alunos da última série do ensino médio da rede pública e 31% aos alunos das escolas privadas e cursinhos. 48% eram alunos dos cursos diurnos e 52% do noturno. Também foi levantado o perfil socioeconômico desses estudantes. Quanto ao grau de instrução do pai, 36% das respostas revelaram um ensino fundamental incompleto; 19%, fundamental completo e apenas 14%, universitário. Os números são semelhantes quanto à escolaridade da mãe.

O questionário foi aplicado em duas etapas. Na primeira, o entrevistado recebia um pequeno texto, com explicações do currículo de 22 cursos superiores escolhidos pela USP. Na segunda etapa, transcorrida no dia seguinte, o entrevistado preenchia um questionário quanto à opção demonstrada pela instituição e respondia à questão: “Você gostaria de fazer algum curso que não consta desse questionário? Explique suas razões”.

As respostas revelaram grande distância entre as escolhas dos estudantes, sobre os cursos universitários, e os que serão oferecidos no novo campus da USP. Contudo, mostraram, também, que 53% dos jovens “não têm consciência da razão da escolha”; 33% falaram em interesse pessoal e apenas 5,1% mencionaram “oportunidades de trabalho”. Perguntas sobre as razões pelas quais desejavam cursar uma faculdade, 35,2% responderam “melhoria das condições financeiras” e 37,9% afirmaram “realização pessoal” e somente 5,3 ficaram com a opção “reconhecimento social”.

A USP tinha, portanto, dados reais, pesquisados, para formular e assentar novos cursos no campus da zona leste. Até que ponto é válido ignorar as demandas solicitadas e apoiar-se apenas na criação de novas demandas? Não seria justo fazer uma adequação entre os cursos mais pedidos, que referendam vocação, revelam potencialidades, com a introdução de novos cursos? Afinal, a zona leste é uma região carente, onde o aluno não tem condições de se locomover, ir em busca de suas aspirações, acabando por sucumbir, relegar seus ideais de realizações, tendo que freqüentar os cursos ofertados.

As respostas à pesquisa mostraram possibilidades de um equacionamento na oferta dos cursos. Aos 35,2% que disseram querer apenas “melhorar suas condições financeiras” fariam os cursos idealizados pela USP, mas os 37,9% que opinaram por “realização pessoal” deveriam poder atender aos seus estímulos internos, os que levam à verdadeira realização profissional.

A USP, após a leitura da pesquisa, deu uma explicação razoável, porém não convincente. Iria abrir cursos de humanidades na zona leste da cidade porque encontraria, assim, “maior simetria interna”, visto ser o campus de Ribeirão Preto mais orientado para as habilidades na área da saúde e o de São Carlos para as ciências exatas. “O campus da zona leste encontra sua vocação principalmente no campo das humanidades”, disse a comissão de professores indicada pela reitoria. Mas, a USP não atinou com a distância em quilômetros entre estes campi, obrigando o aluno carente a sufocar sua vocação, deixar o sonho pela pesada realidade.

A USP deixou de aproveitar a diversidade de interesses pessoais, acadêmicos e conciliá-los à diversidade de possibilidades de emprego da região. Mesmo que quisesse se prender ao item controle social, favorecendo o equilíbrio em regiões carentes de determinados profissionais, poderia equilibrar anseios individuais e mercado de trabalho, equacionar vocação institucional, vocação educacional da região e vocação discente.

Pensar só em mercado de trabalho, ricas aptidões se perdem e ganham-se medíocres profissionais. Quando se trata de USP, a primeira idéia que surge é a expansão de ensino com padrão de qualidade. Difícil encontrar esse padrão em aluno desmotivado pela escolha da carreira, desencontrado em suas aspirações. Hoje, a formação universitária prima por transformar o aluno superficial em aluno profundo. Como chegar à profundidade sem vocação, quando o que está impulsionando o aluno é simplesmente o atendimento a demandas externas?

A USP Zona Leste, ignorando o resultado da pesquisa, decidiu, por si só, a criação de cursos que objetiva simplesmente ativar o mercado da localidade.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2004)

CURRÍCULO EMPOBRECIDO POR FALTA DE PROFESSOR

Izabel Sadalla Grispino *

Um novo projeto do Ministério da Educação (MEC) quer tornar obrigatórias as disciplinas de filosofia e sociologia no ensino médio de todo País. O maior obstáculo para viabilizar a iniciativa é a falta de professores.

Essa falta de professores, que, tudo indica, vem se agravando, não é recente. Já em 2001, o então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, vetou um projeto de lei que pedia a volta dessas duas disciplinas, alegando falta de professores para cumprir a futura demanda.

Essa questão de falta de professores estende-se a outras disciplinas,  principalmente física, química e biologia, no ensino médio.

Embora a escola não represente mais o mesmo peso histórico do passado, ela é imprescindível aos nossos jovens estudantes. No início da escolarização é ela quem cria as condições para que se inicie a separação entre a criança e sua família, desenvolvendo sua autonomia. Na escola, a criança desenvolve a socialização e aprende a viver no sentido comunitário. Aprende na relação professor-aluno, aluno-aluno, limites, o respeito de um com o outro, a fazer amizades, em um ambiente diferente do lar.

Na escola, o estudante busca o conhecimento, ajusta-se ao mundo, expande seu universo. É na inserção do ambiente escolar que ele se forma, e se volta para o mercado de trabalho.

Como pensar escola sem professor? O professor é a alma, o fio condutor, o sustentáculo de todo processo da educação. O mundo moderno, com seus novos desafios, tem na educação sua prioridade, na qualidade de ensino seu alvo. A transformação por que passa o mundo, as mudanças radicais que se processam, só podem ser enfrentadas pelo conhecimento.

Investir no professor é investir no desenvolvimento do País. Manter a vanguarda do conhecimento requer professores motivados, valorizados, atuando com prestígio e consciência do papel que exercem na conjuntura de toda uma nação.

Consciência desse papel deve impregnar a área governamental. A contínua desvalorização do professor no Brasil desestimula a carreira do magistério. Segundo pesquisas, os cursos de formação de professores estão esvaziando-se. Uma pesquisa da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), de 2003, que entrevistou 4.656 professores de 10 Estados, revelou que cerca de 2,5 milhões de educadores estão perto da aposentadoria e na faixa de 40 anos ou mais estão 55,1% dos docentes.

Por ser bastante atual e reproduzir o agravo da situação, transcrevo parte de um artigo que escrevi no início de 2004, para, quem sabe, reforçar o entendimento de quanto vale investir na valorização do professor.

“Segundo levantamento feito em 2003, faltam cerca de 250 mil professores, com formação superior, no ensino fundamental de 5.ª a 8.ª séries e no ensino médio. O País precisa de 55 mil professores de química e igual proporção em física e nos últimos anos só se formaram 7.266 professores em física e 13.559 em química. Déficit considerável ocorre, também, nas disciplinas de matemática, biologia e geografia. Ciência é uma disciplina que vem, praticamente, zerando o conhecimento dos alunos da educação básica, constatam as avaliações. A falta de professores continua tanto nas ciências humanas com em línguas, onde se verifica fraca formação de professores de português, história ou inglês. A pesquisa mostra que os melhores diplomados, oriundos das melhores universidades, não lecionam na rede pública, com resultado pesaroso para os alunos que não se sentem estimulados a aprender.

Como conseqüência da desvalorização do professor, o que vemos é o País sendo campeão de últimos lugares, mantendo as piores colocações em testes internacionais. Num dos últimos artigos relatei a conclusão da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) sobre a educação do mundo, divulgada em novembro p. passado, que coloca o Brasil na triste posição de 72.º lugar, entre 127 países, com a observação de que falta conteúdo de qualidade ao ensino brasileiro.

Mais recentemente, divulgou-se a classificação do Brasil no ranking do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa). O estudo aplicado em 2003 mostra que o País ficou em último lugar na avaliação do conhecimento de matemática de estudantes de 15 anos, numa lista com 41 países. O Brasil ficou atrás de nações como Tunísia e Indonésia.

Parece um hábito os alunos brasileiros ficarem em péssima classificação nos encontros internacionais. Grave quadro, revelador da falta de empenho de governos das últimas décadas, ausência de políticas sociais, políticas educacionais sérias, incidindo na deterioração da qualidade de ensino das escolas públicas brasileiras.

Não se pode colher o que não foi semeado”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março/2006)

SUPREMACIA DA EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Já há algum tempo, escrevendo sobre educação e sociedade, eu comentava a costumeira expressão que diz ser a educação a primeira necessidade do homem, depois do pão. Disse eu na ocasião: educação e pão são necessidades concomitantes, educa-se à medida que se dá o pão. Sem educação, o pão perde qualidades, perde valores nutricionais.

Recentes pesquisas, divulgadas em fevereiro de 2003, feitas para o programa Fome Zero, do presidente Lula, aliás, muito bem recebido pela sociedade, mostraram que a desnutrição infantil é maior entre mães analfabetas. Segundo pronunciamento de José Graziano, ministro da Segurança Alimentar, o Fome Zero estabeleceu como objetivo, além de combater a desnutrição no País, alfabetizar as mães de famílias carentes. As pesquisas acentuaram a correlação entre desnutrição, fome e analfabetismo.

Combater o analfabetismo é uma das mais relevantes metas do programa Fome Zero. O Brasil tem, de acordo com o IBGE, 16,3 milhões de analfabetos, com idade igual ou superior a 15 anos. Erradicar o analfabetismo, para o desenvolvimento equilibrado das nações, vem sendo prioridade universal. Em janeiro de 2003, seu combate ganhou apoio da Organização das Nações  Unidas (ONU), que determinou, a partir deste ano, a década da alfabetização. O lançamento foi feito em fevereiro, em Nova York. A Unesco, braço da ONU para a educação, promove a idéia por meio de parcerias.

Se a educação é primordial ao pão, em contrapartida o pão é primordial para o desenvolvimento mental e físico. No meu artigo “Brasil e condições de pobreza”, eu relatava as seguintes situações:  O geógrafo Josué de Castro, natural de Pernambuco, há décadas, chamou a atenção para o surgimento de um novo biótipo humano, o homem gabiru. Um homem raquítico, pouco mais que um anão, com altura de, no máximo, um metro e meio. Esse homem gabiru, segundo seus estudos, é resultado de anos e anos de miséria e desnutrição.

Como alfabetizar, perguntava eu, o homem gabiru e seus descendentes? Uma vez perdidas as vitaminas na primeira infância, jamais serão repostas, afirma a ciência. O médico Deodécio Campos Júnior, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, reforça esta idéia: “Está cientificamente provado que, em crianças desnutridas, o número de células é menor. Elas já entram na vida inferiorizadas... Carências na infância afetam da função cognitiva à função motora”.

Esta comprovação, mais o resultado das pesquisas Fome Zero, nos certificam da necessidade de compatibilizar educação e pão. A educação sozinha não salva, mas sem educação não há salvação. A educação irradia-se por todos os campos do saber. É mola-mestra de todas as atividades humanas. Constata-se, por exemplo, que o grau de instrução das mães exerce papel fundamental na formação escolar do filho.

Todos nós, assim como a escola, temos um papel social a cumprir. Quando a ONU fala em parcerias, estende o olhar para a sociedade civil, pensando em uma educação ministrada com eqüidade social. Só a conscientização de todos rasgará o véu da exclusão, da marginalização das classes menos favorecidas.

Para que a grande massa alcance a educação, a escola precisa combater a seletividade, não barrar o direito à educação, em nome de uma falsa pedagogia. É preciso que ela crie condições, mecanismos pedagógicos para que todas as crianças saibam ler e escrever, tenham acesso ao patrimônio científico e cultural da humanidade e venham a participar do enriquecimento desse patrimônio. É preciso que crie projetos de ensino que correspondam às necessidades concretas do aluno carente, perfil do aluno da escola pública.

Temos que tornar o ensino acessível à grande maioria da população para torná-lo efetivamente democrático  e democratizar a sociedade brasileira.

José M. Pires Azanha, em “Democratização do ensino”, diz: “... Não se democratiza o ensino reservando-o para uns poucos sob pretextos pedagógicos. A democratização da educação é irrealizável intramuros, na cidadela pedagógica; ela é um processo exterior à escola, que torna a educação como uma variável social e não como simples variável pedagógica”.

Democratizar o ensino, não apenas no sentido de universalizá-lo, mas ministrá-lo com qualidade para todos, formando cidadãos do mundo globalizado. A qualidade provém de vários fatores: condições de trabalho docente, melhor remuneração, levando à melhor qualidade de vida, número de alunos por classe, infra-estrutura escolar, culminando na formação dos profissionais da educação. Também tem peso considerável, no âmbito interno da escola, entre outros fatores, o apoio ao que os professores fazem, sua valorização, ajuda para que trabalhem unidos e se envolvam com suas escolas. É importante criar uma comunidade de professores que discuta, de modo a criar um senso comum da missão a cumprir em suas escolas. Precisamos derrubar as paredes do individualismo das escolas, caso queiramos a ocorrência de mudanças.

O pensamento de grupo, a formação de colegiados e a colaboração entre professores são indispensáveis. A sala de aula é um microcosmo de problemas sociais e o entrosamento entre professores clareia e reforça atitudes na resolução dos problemas. O professor experimenta o desafio do profissionalismo interativo. O de atuar em conjunto, um aprendendo com o outro, melhorando sua qualificação como uma comunidade. Porém, não se deve desconsiderar o trabalho individual, a atitude pessoal quanto ao aperfeiçoamento. A reação pessoal é tão importante quanto a reação coletiva. Ensinar é uma profissão, ao mesmo tempo, intelectual, envolvendo conhecimento, e afetiva, envolvendo relações e atitudes.

Monteiro Lobato dizia: “Um país se faz com homens e livros”. É preciso, pois, mobilizar governo e sociedade, investir num sistema educacional que nos tire da condição de País da pobreza.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2003)

A ESCOLA EXPANDINDO SEU OLHAR EXTRAMURO

Izabel Sadalla Grispino *

Lição de casa, o terror da meninada! Difícil achar uma criança que goste de fazer os deveres de casa. Querem mais é brincar, ver TV, jogar com os amiguinhos, menos fazer as tarefas escolares.

Lições de casa bem feitas contribuem para um bom aprendizado. Por essa razão, a escola passa orientação aos pais, a fim de que criem condições a que as tarefas sejam cumpridas de modo proveitoso e, de alguma forma, mais prazeroso.

Alguns procedimentos costumam surtir bons efeitos:

Televisão:

O horário deve ser acertado entre pais e filhos. Estes só poderão assistir-lhe depois de todas as tarefas cumpridas, mas, um fundo musical, ao gosto da criança, ajuda a concentração. Há as que preferem fazer a lição assim que chegam em casa. Outras preferem um tempo para relaxar. O importante é não deixar os trabalhos para depois do jantar.

Sobrecarga de atividades:

Se a criança chega em casa exausta, sem vontade de fazer nada, talvez esteja sobrecarregada, com muitas atividades extracurriculares, como inglês, natação, judô etc. A criança precisa ter um tempo para ler, brincar com os amigos, passear com o cão, jogar, ou seja, ter brechas na sua agenda para descontrair. Um arranjo deve ser estudado com o professor.

Presença importante:

Ao fazer as lições de casa, geralmente a criança fica sozinha com suas dificuldades, com suas dúvidas. Os pais ajudam-na a lidar com essa insegurança, passando-lhe a noção de que com um esforço somos capazes de vencer. Não devem esperar até o último momento para ajudar, quando a criança já chorou, já esperneou. Devem solucionar as dúvidas, explicando-as quando solicitados. Devem estimular a criança a exteriorizar suas preocupações. Os pais não devem se iludir com crianças quietas demais. Às vezes, essas crianças que concordam com tudo podem estar apenas demonstrando sua insegurança em relação ao amor da família e devem ter problemas de auto-afirmação.

Cuidar da auto-estima:

Os pais devem elogiar o esforço mais do que o resultado. Habitue seu filho pensar que ele é capaz. A auto-estima elevada vai proteger a criança nas adversidades futuras. Às vezes, vale mais um bom esforço que uma boa nota.

Nunca fazer os trabalhos por ela:

Acompanhe o processo de aprendizagem da criança, mas só ela pode percorrê-lo. É ela quem está aprendendo. Mostre interesse por sua vida na escola, tenha conhecimento de suas notas, mas não seja o seu professor. Ajude-a, apenas, quando solicitado. Ensine-a a usar as ferramentas e não fazer as tarefas por ela.

Motivá-la:

Nessa fase, não adianta apelar para a idéia de um bom emprego, que arrumará no futuro daqui a 20 anos. Deve fazer a criança entender que o estudo é importante porque a inteligência tem que ser cultivada, tem que ser treinada. Que há coisas importantes que só desenvolvemos através do estudo, como a perseverança, a coragem, a confiança, o autoconhecimento.

Ensinar regras de estudo:

Estudar primeiro o que se tem mais dificuldades e o que gosta menos. Quando o texto tem muitas páginas, sublinhar e tomar notas ajudam a não desviar o pensamento. Ensine a criança a anotar os dias dos testes e a estudar com antecedência. Ensine-a a se conscientizar da necessidade de se organizar, porque o melhor método para se aprender é a persistência, a dedicação.

A  CRIANÇA  NO ADULTO REALIZADO


Uma criança que se sente amada
É uma criança confiante, feliz,
O mundo conquistará animada,
Ostentará uma personalidade sem verniz.

Eleve sua auto-estima,
Não a castigue, ressalte suas qualidades,
Amanhã ela saberá dar a volta por cima,
Saberá desenvolver suas virtualidades.

Deixe-a desabrochar lentamente,
Ensine-a a ver o lado bom das coisas,
Acompanhe seus passos sorridente,
Cultive o humor conjuntamente.

Ajude-a a descobrir seus dons,
A ter noção de seu próprio pendor,
Evitando desajuste de futuras profissões;
Mantenha com ela permanente relação de amor.

A criança respeitada em sua natureza,
Galgando o saber conforme sua competência,
Alcança, em harmonia, a soberba grandeza,
Guardada nas artes, na ciência.

INTERATIVIDADE ESCOLA-COMUNIDADE, ESCOLA-ALUNO

Izabel Sadalla Grispino *

A escola, em sua visão humana, não considera o aluno como uma carreira em desenvolvimento, mas um ser em formação. Prioriza a educação integral nos aspectos cognitivos, afetivos e psicomotores. Diferentemente do passado, de um mundo mais lento, de uma educação mais devagar, com seu conteúdo mais sedimentado e com mais tempo para o estudante se aprofundar nas matérias, vivemos hoje um mundo onde tudo é muito rápido. Hoje, muita coisa é descartável e muitas necessidades foram criadas.

A escola, no contexto atual, oferece oportunidades para que o aluno faça suas descobertas e coloca o professor como mediador na construção do conhecimento. Nesse processo, o professor vai descobrindo como o aluno aprende, vai criando condições para que ele desenvolva todo seu potencial.

O ensino não pode ser padronizado, porque cada aluno é uma pessoa única, com seu tempo, ritmo e tendências próprias. Ele não é um sistema fechado, mas abrangente, como é a formação das pessoas e a construção da sociedade do futuro.

Professor e aluno trabalham num sistema de parceria. A parceria cria, na sala de aula, um clima interativo, um conhecimento articulado, facilitadores da comunicação e da abordagem democrática, libertadora. O professor vai adequar o seu ensino ao tipo de aluno que recebe, vai falar, como emissor, a língua do aluno, o receptor. Conhecê-lo bem, conhecer seu universo cultural, deve ser o ponto de partida, a fim de centrar a aprendizagem em bases no real, no concreto, preferentemente nas séries iniciais, evitando, dessa maneira, uma possível inadaptação do aluno aos métodos da escola.

Escola é vida, é experiência de vida. Investigar o cotidiano do aluno, trazer sua vida à escola, relacioná-lo, estrategicamente, aos conteúdos do currículo, vão tornar a aula mais atraente, mais condizente com esse aluno.

Ajustar-se às condições de vida do aluno, à sua realidade, é para a escola ponto central, tanto para a sua organização, para a montagem de seu currículo, de seu calendário, como para a sua didática. Tomemos como exemplo as escolas do campo, não mais chamadas de rurais. Essas escolas incorporam o modo de vida das pessoas do campo e valorizam a idéia do pertencimento.

As escolas do campo têm programas específicos, diferentes das escolas da cidade, buscando preservar a cultura dos pequenos agricultores, num processo de revalorização do trabalho do campo. A escola inclui na carga horária o tempo em que o aluno trabalha com a família, sob sua orientação.

A escola não se fecha mais em si mesma. Ela se abre e reflete a vida da comunidade onde se insere. Em 2002, com o apoio do Ministério da Educação (MEC), foram aprovadas as primeiras diretrizes pedagógicas para a organização de escolas no campo. No mês de fevereiro do corrente ano (2006), o Conselho Nacional de Educação (CNE) reconheceu como dias letivos o período em que alunos ficam em casa, desenvolvendo projetos agrícolas com suas famílias, monitorados pelas escolas. É a chamada Pedagogia da Alternância, que leva em conta o fato de os jovens da zona rural não poderem cumprir o calendário escolar convencional, porque trabalham nas suas propriedades. As escolas incluem atividades extraclasses, como ensinar a subir em árvores e colher frutas.

É a escola ensinando o aluno a se desenvolver no ambiente em que vive, a aprender a gostar do lugar onde mora.

O ato pedagógico deve estar inserido nas condições de vida do aluno e nas suas condições psicossociais, dentro de sua faixa etária e ministrado de forma prazerosa, afetiva. O professor encaminha seu ensino de modo a desenvolver habilidades paralelamente à aquisição do conhecimento. Esses preceitos não são recentes, já aprendíamos com Anísio Teixeira, nas décadas de 50 e 60, com sua proposta de escola-parque.

Ajustar o conteúdo escolar à vida da comunidade, à vida do aluno, é fator de sucesso, visto que a apropriação do conhecimento historicamente constituído leva o aluno ao desinteresse, à apatia. Contudo, a competência do professor está em superar, gradativamente, essa realidade e dar ao aluno uma formação compatível com o mundo moderno, remetendo à escola seu caráter formal. É evidente que a preparação do professor tem reflexo na aprendizagem. Ele precisa mostrar qualidade, atualizar-se.

Deve existir entre professor e aluno a troca, onde se transmitem e se recebem informações. É preciso “aprender a aprender”, como enfatizou Paulo Freire, saber interpretar as múltiplas linguagens, as falas heterogêneas, na constatação de que o saber é uma viagem, não um porto. A troca é democrática, forma o aluno para o diálogo. Democracia é treino. A parceria, a troca, são canais, por vezes, difíceis, que demandam tempo,  mas que precisam acontecer.

Traçando o perfil do aluno, valorizando sua história, obedecendo a estrutura do pensamento, o professor terá um aluno interessado, participativo, com um desempenho compensador.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2006)

O ENSINO TÉCNICO E SUAS OPORTUNIDADES EDUCACIONAIS

Izabel Sadalla Grispino *

A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) n.º 9.394/96 separa o ensino técnico do ensino médio, até, então, funcionando de modo único, integrado. A Lei separa a parte acadêmica da parte profissional. O ensino técnico e o ensino médio passam a ser duas realidades distintas, pertencentes, contudo, a um mesmo sistema. Uma realidade é o ensino médio tradicional, que prepara para a universidade, e a outra, a educação profissionalizante, que prepara técnicos de nível pós-secundário, objetivando a formação de mão-de-obra especializada, requerida pelo mercado.

O aluno para receber o diploma de técnico terá de freqüentar as duas realidades: o ensino médio e a educação profissionalizante. Faz-se o curso normal do ensino médio e, se quiser ser técnico, complementa-o na área técnica. As matérias técnicas poderão ser lecionadas simultaneamente ao curso regular do ensino médio ou de forma complementar, depois de o aluno tê-lo terminado.

O técnico é um ensino paralelo, não interfere no ensino médio. O programa de habilitação técnica, segundo orientação, será dividido em módulos, cuja definição dependerá das necessidades do setor produtivo, e terá duração variável. Ao final de cada módulo, o aluno receberá um certificado, mas não será técnico. A formação de técnico estará condicionada à conclusão do conjunto de módulos referentes à habilitação escolhida. Só poderá candidatar-se quem estiver cursando o ensino médio ou já tiver concluído o curso. Esse programa modularizado poderá ser feito ininterruptamente ou ser interrompido e prosseguido depois – pode ir e vir. Serão módulos complementares que não precisarão ser feitos na própria escola do aluno, desde que a referida escola reconheça oficialmente a situação.

A nova Lei de Diretrizes e Bases prevê a flexibilização na organização de cursos e carreiras. Por isso, é possível substituir a atual estrutura curricular, baseada em disciplinas e em cargas horárias fixas, por outro modo de organização, como, por exemplo, o sistema de módulos.

As escolas técnicas públicas, particulares, Senai e Senac terão dois tipos de diplomas: o básico, que pede qualquer tipo de escolaridade anterior, e o técnico, para os que cursaram o ensino médio.

As dificuldades socioeconômicas da atualidade empurram uma faixa etária mais jovem para o trabalho e levantam o problema da profissionalização. Em 1971, quando foi promulgada a antiga Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Lei n.º 5.692/71, era possível discutir o conceito de “terminalidade” em relação ao exercício profissional. Por essa lei, o aluno, ao cursar o 2º grau, podia, de forma integrada, receber uma formação acadêmica – preparando-se para a universidade – e receber uma educação profissionalizante, obtendo o diploma de técnico. Constatou-se, posteriormente, que nessas condições, a preparação para o trabalho era um engano e uma lei posterior, de n.º 7.044/82, libertou o 2º grau da obrigatoriedade da profissionalização, mas não se definiu sobre o 2º grau como um todo.

Cerca de 100 mil dos 5 milhões de alunos do ensino médio, no Brasil, estão em escolas técnicas federais. Há uma centena delas em todo o País. Dois terços estão voltados para a formação de mão-de-obra especializada para a indústria e um terço para a agropecuária.

A parte acadêmica não ficará de fora da formação do técnico. O que se quer é um técnico com formação da área humana, considerando-se, para tanto, a parte acadêmica como importante na sua formação.

Na reformulação dos currículos dos cursos de graduação das universidades, o Conselho Nacional de Educação (CNE) recomenda uma formação geral sólida, para que o futuro profissional possa superar os desafios de renovadas condições de exercício profissional. Recomenda, ainda, nesse processo de mudança, a criação de currículos menos rígidos, afinados à características regionais, possibilitando formar  um  profissional  mais adequado ao mercado de trabalho regional. A partir do regional, o profissional acompanhando a evolução do conhecimento, alargando seu   campo de atividade, poderá atingir outras regiões, dentro e fora do País. Essa evolução do conhecimento far-se-á mediante uma aprendizagem contínua. O técnico, como qualquer outro profissional, tem que estudar permanentemente. O diploma não significa fim de jornada instrucional.

Vejamos o conceito que o jornal de RH da “Associação Paulista de Administração de Recursos Humanos” dá à aprendizagem contínua: “Muito se tem falado em aprendizagem contínua, mas nem todos sabem o que isso realmente significa e representa para a empresa e para a carreira de um profissional. Aprendizagem contínua é a necessidade que os profissionais têm de estar cada vez mais atualizados e informados, principalmente em um cenário no qual as empresas multinacionais procuram pessoas altamente preparadas e capacitadas”.

O jornal reforça a conceituação, através de pronunciamentos de competentes profissionais. O diretor de RH para a “América Latina da Novartis”, Mauro Ribeiro, diz: “Em um mundo de tantas mudanças é necessário manter-se atualizado constantemente. Atualmente é muito difícil alcançar o nível ideal de conhecimento e habilidade, por isso é extremamente necessário estar sempre buscando”.

A analista de RH da SKF do Brasil, Fabiana Ribeiro, completa: “O profissional, hoje, precisa saber de tudo. Temos que ter experiência de todo o universo da empresa. É preciso participar de todas as áreas e atividades. Precisamos estar à frente e por isso é preciso se informar, buscando sempre o que há de novo no mercado”.

O diretor comercial da “Integral Consultoria & Treinamento”, Fernando de Carvalho Cardoso, conclui: “O aprender contínuo é estar sempre bem informado, prestando atenção à mídia, sabendo o que está acontecendo a sua volta, principalmente, na sua área de atuação... Estudamos a vida inteira para entrarmos no mercado de trabalho, Mas, agora é preciso aprender de verdade para nos mantermos nesse mercado”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2000)

CONTEÚDO SIGNIFICATIVO ATRAI O ALUNO

Izabel Sadalla Grispino *

Escola é uma instituição especial de inserção do ser humano, hoje vivendo uma sociedade complexa, de profundas modificações culturais, que espera pela educação encontrar o respaldo necessário à sua formação. Espera aprender como sujeito de um processo de conhecimento vivido em consonância com o ambiente que o cerca.

A escola precisa criar condições para o aluno se desenvolver com naturalidade e prazer. Precisa detectar as causas do insucesso do seu estudo. Avaliar conjuntamente a instituição, o processo de ensino e o comportamento docente e discente. Uma pesquisa feita pela Secretaria Estadual da Educação mostra que os alunos culpam bagunça por dificuldade no aprendizado. Dizem que não aprendem por culpa deles mesmos ou dos colegas. A pesquisa, que contou com 4,2 milhões de estudantes da rede estadual, mostrou que 61,4% deles culparam a indisciplina da sala de aula, a falta de interesse dos jovens, ou o desconhecimento de matérias de anos anteriores pela dificuldade de aprendizagem. O professor e a estrutura escolar são citados como problemas por apenas 20%.

Muitos alunos reclamaram do fato de a “direção não punir os bagunceiros”. Disseram ser uma boa solução “separar os que fazem bagunça dos interessados”. Uma outra observação recaiu sobre professores faltosos, que são substituídos por outros de disciplinas diferentes. Pela pesquisa, 35% dos alunos de 5.ª a 8.ª séries e 47% dos do ensino médio disseram ficar sem professores  em determinadas disciplinas. A substituição é feita por professores chamados eventuais que são orientados a trabalhar com temas transversais, como ética, cidadania, direitos humanos, meio ambiente e outros.

A pesquisa feita pela Secretaria Estadual da Educação, que traçou o perfil dos estudantes da rede estadual, foi respondida junto com o Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) no ano de 2003. Ela mostra que 76% dos alunos da rede são de famílias das classes C e D e que 71% dos alunos já trabalharam ao chegar no fim do ensino médio. O Saresp não apontou diferenças de desempenho entre alunos trabalhadores e não trabalhadores

O perfil dos alunos da rede estadual de ensino revelado pela pesquisa mostrou especificamente que:

– 29,4% acham que indisciplina na sala de aula dificulta a aprendizagem;

– 27,6% culpam a falta de interesse dos alunos pelas dificuldades;

– 4,4% acham que o problema vem dos alunos que desconhecem a matéria de anos anteriores;

– 4,3% dos pais cursaram faculdades; e

– 38,6% dos alunos têm até 9 livros em casa.

O panorama da pesquisa revela dados que devem ser analisados e combatidos pela escola. Sabe-se que a falta de interesse dos alunos é resultado de um trabalho pedagógico que não atrai. Entra aí a formação do professor, capaz de desenvolver aulas mais dinâmicas e menos conteudistas. No meu livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola) eu enfoco claramente esse problema nas págs. 27 e 28. “A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB)... põe ênfase na aprendizagem, no resultado do ensino e não propriamente no ensino. Queremos, hoje, uma escola que forme, que descubra potencialidades, que exercite talentos, na direção da criatividade, da criticidade. Uma escola que se afaste do conhecimento pronto e acabado, do enciclopedismo, que recrie a cultura junto com o aluno. A imposição cultural massifica, marginaliza.

Queremos formar a escola do cotidiano, da resolução dos problemas enfrentados pelos alunos, uma escola que sirva para o dia-a-dia. Não é bem o diário, mas a ligação do conhecimento com sua aplicação diária. A mudança pretendida é afastar-se de conteúdos desvinculados da realidade. Trabalha-se o momento, a época, mas, articula-se este presente com o passado e com o futuro. Articula-se o fato de hoje com a visão mais ampla que representa.

Busca-se um assunto que tenha ligação com a vida do aluno. Se o conteúdo for de seu interesse, ele passa a ter vínculo com a aprendizagem. Não se dissocia a sala de aula da vida prática do aluno. O currículo deve representar a cultura compartilhada, incluindo a informal, onde a leitura de jornais e revistas é parte integrante, onde as experiências vividas pelo aluno devem ser consideradas.

A escola é o lugar da cultura viva, do dia-a-dia do aluno. Deve contemplar o contexto sociocultural, trabalhar a metodologia socioconstrutivista, interativa, interdisciplinar, contextualizada. Um currículo com dois olhares: um interno e outro no mundo lá fora. A linha pedagógica do socioconstrutivismo quer formar cidadãos que saibam pensar, ouvir o outro e respeitar o diferente. A escola afasta-se da linha tradicional, conteudista, onde o processo do aprendizado acontece de fora para dentro, ou seja, pela transmissão do conhecimento, e encaminha-se para a pedagogia construtivista, considerada moderna, alfabetização sem cartilhas, que ensina a pensar, criar hipóteses e relacionar para chegar ao conhecimento. Utiliza-se do currículo, dos métodos de trabalho, das atividades, dos materiais, para ensinar o aluno a pensar, não para encher sua cabeça com informações. Exige não só mudanças metodológicas, mas, principalmente, reflexão contínua sobre o contexto cultural que cerca seus alunos.

Queremos uma escola que seja plural, inclusiva das diferentes classes sociais, das diferentes performances individuais, que discuta, que dialogue, que não seja evangelizadora. Uma escola que desenvolva a inteligência crítica, estimule a criatividade e o compromisso social”.

Para que a escola seja plural, para que acolha e mantenha em seu recinto a classe pobre, necessário se faz entender a pobreza, entender o que a pobreza acarreta de dificuldade, de falta de entusiasmo ao estudo e motivar esse aluno. A escola, debruçando-se sobre os desafios da difícil ascensão social, saberá colocar-se, democraticamente, na busca do equilíbrio e da eqüidade social.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março/2005)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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