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Artigos Educacionais

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LIBERADA A EXIGÊNCIA DO CURSO NORMAL SUPERIOR

Izabel Sadalla Grispino *

 

No ano 2000, o Ministério da Educação fixou que os professores, de todos os níveis da educação básica, depois de 2007, deveriam ter o diploma de graduação, para trabalhar na rede pública de ensino. O curso normal, o antigo magistério, por si só, não credenciaria mais o aluno a lecionar. Teria que ser complementado por um curso de formação de professores, o normal superior.

Desde então, os cursos de formação superior começaram a aumentar. Atualmente, há 668 cursos cadastrados no MEC, isto é, com autorização para funcionar. No ano 2000, havia apenas 110 cursos no País. O censo realizado pelo Ministério em 2001 mostrava a existência de 306 cursos, sendo 239 em instituições públicas e 67 em particulares.

A Universidade Estadual Paulista (Unesp), preocupada com a formação adequada dos professores, através do programa Pedagogia Cidadã, está formando 4.500 profissionais de redes de ensino municipais no Estado. Segundo Wilson Galhego Garcia, responsável pelo programa, cerca de 15 mil professores paulistas participam, atualmente, de cursos superiores, organizados em convênios de universidades e secretarias de educação.

Essa exigência do curso superior foi, sem dúvida, a mola que propulsionou a busca de melhor formação docente. Sabemos que a qualificação profissional tem estreita relação com o aproveitamento do aluno. O Sistema de Avaliação do Ensino Básico (Saeb), realizado pelo Ministério da Educação, comprova a constatação acima. Alunos da rede pública ou particular, cujos professores cursaram ensino superior, têm nota 10% maior que a dos alunos cujos professores fizeram apenas o antigo magistério. É uma diferença significativa que mostra que a formação deficiente do professor repercute na formação deficiente do aluno. Comprovadamente, a formação docente define o desempenho do aluno.

Pelos resultados do Saeb, os alunos de professores que apenas cursaram o magistério tiveram notas médias de 154,3 da rede pública e 199,1, da rede particular. Os alunos com professores de melhor formação tiveram notas 168,2 da rede pública e 217,2, da particular. Os especialistas do Saeb consideram diferenças acima de 12 pontos importantes. A pontuação do Saeb varia de 125 a 425.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) informa que há no País 772.500 professores sem formação superior, atuando no ensino infantil ou nas 1.ªs séries do ensino fundamental (1.ª à 4.ª série), o que representa 72% do total de profissionais nesses níveis de ensino. O Conselho Nacional de Educação (CNE) menciona 86 mil professores que nem sequer cursaram o ensino médio e trabalham na educação infantil, em creches, educação de jovens e adultos e no ensino fundamental.

A exigência do curso normal superior para quem cursou ou cursará o normal até 2007 acaba de cair por terra por um parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE). Nesse parecer, o Conselho autoriza os professores do ensino infantil, que atende crianças de até 6 anos de idade, e das quatro 1.ªs séries do ensino fundamental, a lecionarem sem a formação superior. O Conselho Nacional de Educação apoia-se na interpretação dada à Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996.

A Lei no artigo 62 prevê que deve ser exigido dos professores de educação infantil e de 1.ª à 4.ª série apenas o curso normal. Porém, nas Disposições Transitórias estabelece que “até o fim da Década da Educação somente serão admitidos professores habilitados em nível superior”. A Década da Educação começou um ano depois da sanção da LDB.

Uma primeira interpretação, dada a esse instrumento legal, foi de que, a partir de 2007, apenas quem tivesse diploma de curso superior poderia continuar a exercer o magistério.

O atual Conselho Nacional de Educação interpreta a lei diferentemente e apoiando na expressão: “a ser admitido” do artigo 87 estipula que a formação mínima a ser exigida é a do curso normal para quem já exerce o magistério na educação infantil e nas 4 séries do ensino fundamental e para os que se formarem até 2007.

É evidente que para o nosso decadente ensino público a primeira interpretação, qual seja, a de exigir o normal superior até 2007, é bem mais apropriada. Difícil deixar a critério, sobre a freqüência ao curso superior, de um profissional mal remunerado, sem tempo e sem dinheiro para prosseguir os estudos.

Entendo essa última interpretação como recurso à ausência, já confirmada, de professores habilitados para o exercício do magistério. Seria um tapa buraco, principalmente, em regiões mais carentes desse profissional. Mas, é preciso que o professor se alerte porque, gradativamente, o normal superior avançando poderá acabar encampando os que só terminaram o curso normal, em nível de ensino médio. Certamente, os critérios não foram publicados, mas na classificação deverá levar vantagem aquele que apresentar diploma de curso superior.

Fazer um curso superior será sempre um diferencial.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2003)

POR QUE PROFESSORAS E NÃO “TIAS”?

Izabel Sadalla Grispino *

A escola caminha pelos olhares intrínsecos da pedagogia, pelos avanços científicos. A “tia” da escola infantil, forma de se dirigir à professora, teve seus dias contados, abolida pela linha socioconstrutivista.

Os pedagogos afirmam que o resgate do termo professora não é uma simples questão semântica. As escolas, que adotaram métodos das modernas práticas pedagógicas, ponderaram que a professora representa um novo modelo na vida da criança – ela não é, realmente, uma extensão familiar – e como tal deve ser preservada.

Paulo Freire, em seu livro “Professora sim, tia não”, escreve: “Ser professora implica assumir uma profissão, enquanto ser tia é viver uma relação de parentesco. Chamar a professora de tia é no fundo uma ideologia que trabalha contra o rigor da profissionalização da educadora, como se para ser boa professora fosse necessário ser pura afetividade”.

O professor é uma imagem importante para o aluno; ele não substitui afetos familiares. O componente afetivo deve existir, mas nunca como ideologia. A criança precisa de alguém que a oriente com firmeza, que lhe transmita os valores de vida, e o professor é o mentor desse processo de criação.

O costume de chamar a professora de “tia” vem da década de 60. As mulheres, ao buscar afirmação profissional, recorriam às escolas para cuidar de seus filhos e, de certa forma, segundo relato de mães, entregar os filhos à tia e não à professora lhes aliviava a culpa. Contudo, esse tratamento dissimula a relação de autoridade. A criança precisa diferenciar universos e perceber que cada espaço tem seus próprios valores, concluíram os pedagogos. Assim, as então chamadas escolas alternativas, hoje socioconstrutivistas, começaram a rever o tratamento nos anos 70.

A relação de aprendizado é uma nova aquisição na vida da criança. A professora é portadora de um conhecimento, abre as portas de um novo mundo, não estando, portanto, em situação de igualdade com as crianças. O psiquiatra infantil Haim Grunspun completa a análise: “Como “tia” a profissional acaba não considerando o seu próprio processo, do qual é proprietária. Existe uma ideologia de desprofissionalização do educador. A afirmação profissional emerge da conquista dos direitos do exercício pleno da função. O aluno aprende a respeitar a partir do próprio respeito. Pergunta: “Como as crianças podem entender 10 mil “tias” em greve?”

As crianças acabam percebendo por si que professora é a pessoa que educa, ensina brincadeiras, criar, inventar; tia é a irmão da mãe ou do pai. Hoje, se a dúvida persiste, ela está entre aqueles que escolhem a escola de acordo com suas convicções. Voltando a Paulo Freire, ele disse (1993): “Uma das características básicas do construtivismo é não estar demasiado certo da certeza. Se você absolutiza não tem oportunidade de crescer. Tenho 72 anos e estou aberto. Tenho este gesto da incerteza do certo”.

Porém, no caso da denominação professora ou “tia”, fica evidente que a primeira é um procedimento bem mais saudável e real.

No processo de ensino-aprendizagem, o importante é a escolha, por parte dos pais, de uma instituição idônea, capaz de oferecer aos seus alunos o que de melhor a época exige. Como escolher uma boa escola infantil?

A escolha deve partir primeiramente de sua situação legal, isto é, deve ser regularizada, com autorização do município para funcionar. A escola tem de estar dentro da lei. Ela deve aproveitar o potencial enorme que a criança tem em aprender, estimulá-la corretamente e oferecer-lhe espaços para que possa brincar. Há muitas especificidades na educação de crianças de 0 a 6 anos e professores não capacitados e ausência de um projeto pedagógico podem impedir esse processo. As crianças precisam brincar e se movimentar, os espaços não podem ser pequenos e pouco arejados. O imóvel precisa ser adequado para receber crianças: mesas com cantos arredondados não deve ter  escadas e tomadas de luz aparentes.

Só depois da Constituição de 1998 a educação passou a ser direito das crianças com menos de 7 anos. Até então, a criança brasileira não tinha direito a educação. A Constituição de 1998 reconheceu a Educação Infantil como direito da criança e dever do Estado. Assim, deixou de ser vinculada à assistência social. A exigência do registro no município por parte do estabelecimento de ensino infantil veio apenas em 1996, com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). Esta lei definiu o município como responsável pelo ensino infantil e exigiu formação mínima de nível médio para os professores. Porém, até 2007 este professor deve possuir licenciatura de nível superior. O Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado em 2001, dá prazo até 2006 para que os estabelecimentos de ensino infantil cumpram padrões de infra-estrutura para funcionamento.

Todos esses aspectos legais, estruturais, para o bom funcionamento de uma escola, são importantes, mas a tudo sobreleva, a atuação do professor. Um bom método de trabalho, consciência profissional, competência e afetividade são ingredientes indispensáveis à educação. O professor que trabalhar mais como um facilitador da aprendizagem será insubstituível e inesquecível como é, para qualquer um de nós, a figura da primeira professora.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março/2003)

ESCOLA E FORMAÇÃO DE VALORES, POR SUA EDUCAÇÃO INTEGRAL

Izabel  Sadalla Grispino *

Tem-se hoje que a evolução humana é basicamente cultural. O fator genético permite posturas biológicas iguais, mas só é possível alterar o futuro de uma criança investindo em sua educação. Segundo estudos do Genoma, tudo o que somos tem razão genética, porém, costumes, características de vida são incorporados a partir de uma herança cultural local.

Educação é um processo constante de renovação. Educador é a pessoa compromissada com o outro. Para se achegar ao outro e ajudá-lo, deve inserir-se num mundo que exige atualização constante, revisão sucessiva de métodos e técnicas. Ele tem a função da pesquisa, da reflexão contínua sobre sua prática pedagógica do dia-a-dia, colocando-a a serviço da exigência atual.

O ensino escolar não pode estar desvinculado do que acontece no mundo. O mundo ficou muito complexo e tem, com razão, intimidado o professor. Transformar a escola é uma grande revolução. O professor, em geral, tem deficiência de formação, tem dificuldade para adequar o programa à realidade vivida pelos alunos, e fica, assim, preso ao livro didático. Ele é um profissional gravemente injustiçado, desvalorizado. Aviltantes salários forçam-no a uma sobrecarga de trabalho, roubando-lhe tempo precioso à sua reciclagem. O próprio MEC revela que baixos salários, falta de infra-estrutura das escolas e baixa qualidade de vida constroem o quadro de fracasso escolar que se vê hoje.

Johan H. Pestalozzi (1740-1827), um clássico da Pedagogia e considerado o pai da educação integral, dizia: “O amor é o instrumento da educação”. É esse amor que inspira o professor, que o leva a sublimar sua função, caminhando em correspondência ao pensamento: “Mesmo correndo entre pedras, as águas cumprem sua missão. As árvores plantadas são testemunhas disso”.

Recentes pesquisas têm mostrado que a grande maioria das escolas vem-se negligenciando da parte formativa do aluno, com reflexos negativos no comportamento social. A escola tornou-se uma entidade repetitiva de informação, sem priorizar a educação integral, nos aspectos: cognitivo, afetivo, psicomotor. A educação integral engloba comportamento e conhecimento. A construção do conhecimento, o desenvolvimento das habilidades, devem processar-se paralelamente à formação do educando. Formação das capacidades cognitivas de caráter geral e formação de valores, de ordem ética, moral e religiosa.

A abordagem holística do homem é hoje prioritária em todos os setores. No diagnóstico da doença, examinam-se componentes genéticos, emocionais e ambientais. Saber ler, escrever, contar, raciocinar, é pouco, tem que haver a cultura mais profunda da alma, do sonho, da criatividade.

A escola precisa repensar sua atuação e, num processo de reeducação, tornar-se uma unidade formadora de caráter, de cidadania.

Cidadania não é ensinada como uma disciplina, ela se aprende na vivência, na convivência. É um exercício que se conquista na exigência da ética, da justiça. É o respeito que se tem pelo outro, por sua identidade, pelos bens alheios, pelo patrimônio coletivo, pelo sentido de igualdade de condições. Implica em comportamento responsável, em noção de limite, dentro do preceito de que o direito de cada um termina onde começa o do outro. Já dizia Rui Barbosa: “Educa-se muito mais pelo exemplo que pela doutrina”.

Estamos vivendo uma sociedade violenta, individualista, arbitrária. Formam-se grupos oportunistas, que não têm outra finalidade senão a de se promover e a de tirar proveito do outro. O outro só existe como elemento de conveniência. Uma sociedade onde os fins justificam meios ilícitos, desumanos, onde Deus é uma presença vaga, indefinida, distante. Uma sociedade sem luz, sem fé.

É, principalmente, neste quadro social que se pensou na volta do ensino religioso como obrigatório, não mais como facultativo, conforme reza a Constituição.Por tudo isso, começa haver uma preocupação de educadores de que valores sociais, como amizade, amor, solidariedade, cooperação, lealdade... devam fazer parte dos currículos escolares. Montam projetos que vêm de encontro à proposta do MEC, quando fala em currículos transversais. Permeiam a educação com temas transversais, como política, sociedade, sexualidade, droga, ética, cidadania e outros.

São temas tratados não como disciplina específica, mas como um espaço a ser discutido em sala de aula, por um componente ou por vários. Dependendo da abrangência do tema, projetam atividades interdisciplinares, como um leque de assuntos ofertados. Cada disciplina encontrará um conteúdo correspondente.

É a escola exercendo sua função social na orientação dos jovens, na formação de uma sociedade mais humana, mais ordeira, criando vínculos de inter-relações humanas.

Até recentemente, o grande objetivo da escola era preparar o aluno para o futuro. Hoje, o grande intento é prepará-lo para o presente, para a resolução de seus problemas imediatos, de suas necessidades atuais. Preocupa-se com sua inserção em uma sociedade produtiva, ética, solidária, capaz de ajudá-lo, de maneira saudável, a se realizar. A escola faz uma ponte, ligando a percepção do aluno entre o que aprendeu e a vida. Ele se apodera do saber e aplica-o à sua vida do dia-a-dia, vivencia na escola comportamentos salutares e os desenvolve na comunidade, na sua vida social. A  aprendizagem vai se processando a partir de sue próprio interesse e das condições ambientais que o cercam.

A escola trabalha o presente, ousa, alça vôos, para alcançar o futuro. Busca integrar-se no conceito apregoado pelo consultor americano Michael Hammer: “O segredo do sucesso não é prever o futuro. É preparar-se para um futuro que não pode ser previsto”.

Para tanto, diferentemente do passado, o aluno não consome, mas produz o conhecimento e, assim, como o professor, torna-se um pesquisador permanente, um observador zeloso das relações interpessoais.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2000)

FRATERNIDADE E EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Relendo o texto “Fraternidade e Educação”, lançado pela Igreja católica, na Campanha da Fraternidade, há três anos, voltei à riqueza da informação, sua atualidade e interação. Comento-o, parcialmente, aos prezados leitores, que podem tomar conhecimento do texto-base, através das livrarias Paulinas, Vozes ou Loyola.

Há 38 anos, a Igreja católica, no seu ideal de fraternidade, criou, a cada quaresma, a Campanha da Fraternidade. Desde então, todo ano, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) oferece, no período da quaresma, uma questão problemática da atualidade à reflexão e à ação dos católicos.

No período da quaresma de 1998, a Igreja selecionou, para a Campanha da Fraternidade,  o tema “Fraternidade e Educação”. O desgastado diagnóstico da falência do ensino público, as revelações estatísticas da miséria e seu aliado, o analfabetismo, inspiraram o lema da campanha, cujo enunciado traduz, por si só, o conteúdo nele contido: “Educação a serviço da vida e da esperança”.

O então presidente da CNBB, cardeal-arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, Dom Lucas Moreira Neves, disse: “Nossos legisladores e governantes, no âmbito nacional, estadual e municipal, são os primeiros a reconhecer que o item educação constitui uma inveterada e, até agora, incurável ferida no flanco desta nação”.

Essa campanha move-nos pela visão abrangente, realista que traz da educação, pelos aspectos complementares que situa para a educação escolar. Seguindo a linha humanitária do educador, que honra sobremaneira nossa terra, Paulo Freire, a Igreja clama por uma educação alicerçada no amor, na consciência social, na justiça, na verdade. Clama por uma educação que espalhe a sementeira pródiga das virtudes essenciais do Homem, as únicas capazes de levá-lo à plenitude de suas realizações. Promove um verdadeiro processo de construção coletiva na área humana e social. Chama a atenção para os oprimidos, para os marginalizados e para o grande número de analfabetos.

Alerta-nos para o fato de estarmos juntos, buscarmos juntos respostas amenizadoras da desigualdade social. A situação presente e as perspectivas para o futuro devem merecer a preocupação de todos. Preocupação que deve viger pelo tempo que perdurar a dolorosa “via crucis” que percorre o analfabeto brasileiro.

A Campanha da Fraternidade coloca-nos num questionar filosófico, no qual as respostas nunca são fechadas, acabadas, mas respostas que abrem alternativas de soluções. Respostas a questões, por exemplo, de como auxiliar crianças e jovens a encontrar significado na educação, na família, no mundo, de como podemos contribuir para a formação de uma cidadania ética e responsável no contexto em que se vive?

A doutrina social da Igreja sempre se baseou na filosofia da solidariedade, a serviço do agir. Não quer se limitar a “uma atitude de simples observadora ou fiscal da realidade nacional”. Quer uma filosofia em função do agir: “O agir requer o engajamento pessoal e organização de forças coletivas”. Essa filosofia prioriza o ser humano, toma o termo educar no seu sentido etimológico: o verbo e-ducere, que quer dizer tirar do indivíduo a pessoa humana que está dentro de si, em latência. O educador deve trabalhar a criança não apenas de fora para dentro, quando, pelo conhecimento, ele vai polir uma pedra bruta, mas, especialmente, de dentro para fora, quando, pelo desenvolvimento do senso religioso, ele vai sedimentar a cultura da alma.

A filosofia da educação, abraçada pela Igreja, quer a educação formal, sistemática, ministrada na escola em seus diversos graus, caminhando lado a lado com a educação informal, recebida, de maneira assistemática, na família, na Igreja, no convívio social. A Igreja, em sua metodologia avançada, vê na educação informal o grande veículo do desenvolvimento das faculdades formadoras do caráter, da virtude. Essas características, por sua vez, irão formar a consciência, moral e religiosa, do indivíduo.

A Igreja não subestima a educação institucionalmente organizada; valoriza-a, sabe ser ela importante para a humanidade, para se chegar a um estágio superior do conhecimento, ultrapassando as barreiras do nefasto analfabetismo. Essa educação é, sem dúvida, a grande coadjuvante da eliminação da pobreza e o grande suporte à realização profissional. Nesse sentido, a Igreja católica luta por uma educação democrática, universal, gratuita, de boa qualidade, conforme reza a Constituição. Luta por uma democracia que venha de encontro à cidadania; uma democracia capaz de cumprir as finalidades para as quais foi instituída, porque, por vezes, sentimos como se existisse democracia para ser servida e não o contrário.

O homem se completa na junção da instrução e da formação. A instrução é de responsabilidade da escola; a formação é, especificamente, responsabilidade da família: “A educação vem do berço”. Porém, em ambas, há uma inter-relação de comunicação e de responsabilidade: a escola, na sua função social, reforça e complementa a formação do educando e a família fornece-lhe, na prática diária, os conhecimentos necessários e úteis à sua ação rotineira.

Um dos pilares de sua conceituação é de que a educação não se restringe à escola; é papel, também da família. Assistir a família, dar-lhe condições de sobrevivência digna, esperançosa de dias melhores é o grande apostolado. Os bispos, conscientes da problemática social, perguntam-se: “Como é possível neste contexto crescente de miséria, insegurança, instabilidade, ausência de pai ou de mãe, garantir aos filhos e às filhas as bases de uma personalidade equilibrada e segura, de uma educação adequada e os horizontes de uma vida digna, participativa e de esperança?”

DA NECESSIDADE DE UNIÃO DE FORÇAS – A doutrina da Igreja incentiva o diálogo permanente com a sociedade, promove o encontro dos diversos setores de atuação que têm, até, acepções diferentes, mas, enriquecedoras de uma mesma realidade. “Igrejas, comunidades, movimentos sociais, ONGs, associações, sindicatos, partidos políticos, exercem uma ação educativa na medida que (...) as pessoas têm voz, aprendem a participar, a relacionar-se com os outros, a valorizar o trabalho em comum, a procurar a cidadania...”

O documento da Campanha da Fraternidade apresenta um trabalho primoroso de levantamento estatístico: nível de escolaridade de crianças e jovens, analfabetismo, com uma descrição singular sobre o novo perfil dos analfabetos funcionais, investimentos na educação, salário dos professores e outros.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2000)

CONTROVÉRSIAS SOBRE A MUNICIPALIZAÇÃO DO ENSINO

Izabel Sadalla Grispino *

A municipalização do ensino foi bastante contestada, e ainda continua, pelas entidades de classe de professores e por setores da oposição. Consideram-na como um viável caminho à privatização do ensino público. Partidos de esquerda, como PT, PDT e PC do B, entraram no Supremo Tribunal Federal, no início de sua implantação – 1998 – com uma ação direta de inconstitucionalidade, tentando impedir sua aplicação. Alegavam não caber ao governo federal determinar como estados e municípios devam aplicar suas cotas dos fundos de participação.

Outra contestação surgiu por parte de professores da rede pública do ensino superior, que rejeitavam o modelo educacional adotado pelo MEC. Criticavam e denunciavam o sistema de parcerias com o setor privado adotado pelo governo para mudar o ensino. No ensino municipalizado, diziam, a reforma inclui a integração entre estado, iniciativa privada e comunidade, em modelos de parceria para criar novas fontes de financiamento. Essa relação deve ser intermediada pelas organizações não-governamentais (ONGs).

As entidades de docentes são contra a municipalização e afirmam que o projeto de políticas sociais serve de suporte para a municipalização do ensino fundamental. Com a criação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (Fundef), criticado pelas entidades, o governo quer abrir caminho para que haja um aumento da participação da sociedade no processo. Seguindo as regras do Banco Mundial (Bird), o governo aposta na municipalização do ensino de crianças de 7 a 14 anos, como ponto de partida para a reforma. Segundo essas entidades, o governo repassa, aos poucos, o controle da educação brasileira ao Banco Mundial, dando sinal verde para a privatização do ensino no Brasil.

Em documento-denúncia, professores da rede pública do ensino superior alertavam, em 1998, que “havia em andamento um amplo programa de reformulação da educação no país, com a transferência do controle da estrutura do ensino público para fundações e organizações de direito. O novo sistema deverá ser instituído de forma gradativa e segue um programa que o Banco Mundial (Bird) recomenda para países pobres, prevendo uma redução da participação do poder público no ensino e parcerias com o setor privado (...). O processo de transferência de controle da estrutura educacional, para fundações e organizações de direito privado, deverá ser gradativo (...). O ensino brasileiro caminha para um sistema no qual, cada vez mais, haverá a participação do setor privado e menos do estado (...). O novo sistema misto que deve surgir no país, com a reforma do ensino, tem apoio do Bird, que vê o reforço à municipalização do ensino como uma estratégia (...).

Dois dos esteios da reformulação administrativa do ministro Bresser Pereira, em vigor, são a redução dos gastos da folha de pagamento e o incentivo ao repasse do comando de setores públicos para organizações sociais de direito privado.

O governo alega que o setor educacional comporta uma integração entre os níveis de administração pública – união, estados e municípios – iniciativa privada e ONGs. Essa tendência ocorre hoje no setor ambiental, referendam os professores. É com esse sistema que funciona o Instituto Brasileiro do Meio-Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), cada dia mais operando com convênios e parcerias para criação de fontes de financiamento, que dão suporte às ações do órgão. O setor educacional, ao que tudo indica, deve passar por um processo que o governo chama de “flexibilização” e as entidades de classe de professores classificam de privatização, reafirma o documento-denúncia.

Só o desenrolar do processo trará clareza a essas questões. O ministro Paulo Renato Souza tem passado imagem de credibilidade, de atuação coerente entre os diversos graus do ensino. Contudo, a saúde da educação não vai bem, os rumos políticos da educação não são tão animadores, sempre conflitados em suas irrisórias verbas.

O desolador é contestar que o Brasil, com seu enorme potencial de riqueza, nunca está em condições de se apoiar nas “próprias pernas”, tendo sempre que ser ajudado por “muletas”. Ainda estamos inseridos entre os países do terceiro mundo, países em desenvolvimento. Passam-se os anos e assim, como nos tempos de nossos pais e avós, somos o permanente país do futuro.

Precisamos não só de escolas para todos, mas de escolas de boa qualidade para todos, sejam ricos, sejam pobres, se querermos realmente uma pátria forte, menos injusta socialmente. Educação funciona com vontade política. Somos responsáveis pelos homens públicos que colocamos no poder. Necessário se faz formar consciência, despertar amor à terra natal, desde a tenra idade, porque os bons sentimentos, os bons propósitos, se desenvolvendo com a criança, consolidarão o caráter, o civismo.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2000)

O LIVRO DIDÁTICO E O ORÇAMENTO FAMILIAR

Izabel Sadalla Grispino *

Início do ano letivo. Volta às aulas; a família mobilizando-se, replanejando-se, ajustando horários e orçamento. A compra do material escolar, em especial dos livros didáticos, onera-a. Solicitada a falar a respeito, em termos de colaboração, sugiro procedimentos já mantidos com sucesso por algumas escolas.

Quando se trata de escola particular, muitas são as queixas dos pais, em relação ao livro didático. Nas escolas da rede oficial a situação é mais branda, os alunos, no ensino fundamental, recebem gratuitamente os livros. Estes devem ser mantidos por um prazo mínimo de três anos, sendo absolutamente condenada a sua troca freqüente.

O aluno, por sua vez, é orientado a cuidar bem do livro, encapá-lo, de preferência com capa grossa, mantê-lo limpo, não rabiscá-lo, fazer os exercícios, não no livro, mas no caderno. Deve preservá-lo porque, ao passar para a série ou agrupamento subseqüente, esse livro permanecerá na escola e irá servir a outro colega da série correspondente. O aluno é conscientizado de que o livro não é, propriamente, dado e, sim, emprestado.

O mesmo procedimento verifica-se nos intercâmbios culturais, como o high school, nos Estados Unidos. O aluno, ao ir para uma escola estadual, vai encontrar um armário com todo material didático pronto, incluindo os livros, deixado pelo colega antecessor. Cabe-lhe, agora, a responsabilidade de zelar pelo material, deixando-o da mesma forma, em ordem, para o sucessor.

Quanto às escolas particulares, no que concerne ao livro didático, são constantes as reclamações dos pais, pelos gastos excessivos a respeito. Reclamam que, na grande maioria, os livros adotados, pelas escolas, sofrem trocas freqüentes. Os filhos que estudam na mesma escola, com diferença escolar de dois ou três anos, dificilmente aproveitam o livro do irmão.

Como ajudar, nesse sentido? O que propor para tornar o livro mais acessível? Inicialmente, que a escola tenha o cuidado de escolher um bom livro didático. Livro de apresentação estimulante, de conceitos corretos, pertinentes, de experiências abertas que permitam espaços à introdução de assuntos do momento, das questões do cotidiano do aluno, da sociedade, num trabalho de contextualização e de interdisciplinaridade. Livros com exercícios práticos, onde se possa exercitar o método construtivista, com conteúdos relacionados, com conceitos básicos que serão trabalhados, em sala de aula, de forma diferente, de acordo com o nível encontrado.

Um livro bem formulado deixa abertura para as eventualidades, não sendo necessário trocá-lo freqüentemente, com a argumentação da sua atualização. Princípios e normas não se alteram rapidamente. A gramática normativa da Língua Portuguesa não sofre alterações a dezenas e dezenas de anos. Os conceitos essenciais da Matemática, da Ciência, ou da História, vêm sendo aplicados de longa data. Acresce-se, ainda, que o livro didático é apenas uma ferramenta a mais nas mãos do professor. Ele é um material instrucional de valiosa ajuda para o seu plano de trabalho, um bom suporte operacional; importante sim, mas não absoluto. Deve conter o primordial, o arcabouço didático-pedagógico a ser recheado conforme as circunstâncias apresentadas.

Tendo em vista as reclamações, a escola deveria colocar como um de seus objetivos facilitar a aquisição do livro didático. Escola particular nem sempre significa ser freqüentada por alunos de famílias abastadas. Ao contrário, uma boa parte de sua clientela provém de famílias que arcam com dificuldade com as despesas escolares. São pais que mantêm a perspectiva de um bom futuro para o filho, sabendo que isso raramente encontrará nas precárias escolas oficiais.

A grande força de atração da escola está, indubitavelmente, na qualidade de ensino que ela oferece. Contudo, ao lado do qualificado padrão, há o atrativo da organização, voltado ao atendimento humano de sua clientela. Hoje, com o espírito crítico mais evoluído, os próprios pais se encarregam de divulgar, de propagar os aspectos positivos da instituição.

Esse prisma do livro didático é uma oportunidade a mais para a escola educar para a responsabilidade, para a organização, para o senso de ordem. Poder-se-ia pensar num processo paralelo às escolas oficiais, o aluno sendo orientado para a preservação do livro, nas linhas acima mencionadas, com a diferença de que não seria para doá-lo, mas para vendê-lo. Vendê-lo-ia por um preço bem mais convidativo, em livrarias da cidade, onde já, há algum tempo, se comercializam livros usados e das quais muitos pais se servem. Poder-se-ia, também, pensar num banco do livro, na própria escola, facilitando o processo.

Se houver entusiasmo, por parte do professor, se a comunicação fluir bem, esse entusiasmo passará ao aluno que, motivado, se sentirá um coadjuvante da economia familiar. Educar-se-á para a disciplina, para a responsabilidade coletiva na racionalização dos gastos, o aluno aprendendo a dosar, a dividir, a somar esforços na busca de soluções.

Crianças e jovens que têm as coisas fáceis serão adultos displicentes, autoritários, de uma exigência que tudo pede e nada ou quase nada dá em troca. A escola trabalharia conceitos, como o preconceito da coisa usada, desmobilizando o status do poder advindo do dinheiro, desfazendo preceitos falsos de propriedade. Não é mais quem tem mais, é mais quem sabe ser mais – correlação do ser e do ter.

Esse aspecto pode se reverter na propositura de fazer o aluno vivenciar a cidadania, alargando, no amanhã, a visão do contribuir, do comportamento solidário em âmbito da sociedade. Tal procedimento agradaria aos pais e teria um bom alcance educacional na formação do educando.

Também, nas séries mais avançadas, no ensino médio, um curso bem planejado, bem estruturado, montado e ministrado por um corpo docente competente, poderia ser oferecido, aos alunos, apostilado, barateando o produto.

É importante que a escola reflita a respeito, que compatibilize a situação, valorize a posição da família e que caminhos sejam encontrados de modo a favorecer a gregos e troianos.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2001)

A ESCOLA EM SEU NOVO DIRECIONAMENTO

Izabel Sadalla Grispino *

Penetrando no mundo de valores diferenciados, na tentativa de alcançar as diversidades culturais, a escola expande seus horizontes, ultrapassa fronteiras e, num comportamento menos elitista, chega às camadas mais necessitadas da população.

A tendência atual é educar para a coletividade. A diversidade cultural hoje é mais acentuada que ontem e as crianças, desde cedo, entram em contato com ela. Como se situar nessa diversidade? Como se ajustar a ela sem confrontos desgastantes?

A educação direcionada ao coletivo leva ao enfraquecimento da competitividade. Educa para o entendimento da realidade circundante, do entorno, para conhecer a história do outro, suas tradições, seus costumes, seus anseios e limitações. Esse conhecimento aproxima uns dos outros, relaxa as rivalidades, convida às mãos estendidas.

Vivemos um outro momento, em que se faz necessário uma educação de valores abrangentes, uma compreensão de padrões de comportamento, de normas subjacentes aos diferentes grupos de convivência social. Uma educação que alcance a formação de uma consciência moral.

Crianças de origens diferentes, agindo de forma coordenada, colaboram para o equilíbrio, para uma convivência mais pacífica, desarmando intenções. A escola passa a educar para a responsabilidade social, ensinando a criança a participar da construção de uma sociedade cidadã, onde se trabalha o respeito aos direitos do outro e a consciência dos próprios deveres.

A escola passa a educar par a construção de uma sociedade comunitária, onde um sente a necessidade do outro, onde se aprende a não mais ignorar o outro, num aproveitamento de mente, de alma e de braços, no reerguimento da paz e da própria economia da Nação.

Já é tempo de se olhar, como aprendizes, às comunidades pobres. Saber ver o seu potencial, o imenso capital de conhecimento que essa comunidade herdou de pais, de avós, ver os valores socialmente criativos que expressam.

Nesse aspecto, a escola passa a ser uma instituição da coletividade, seguindo o relatório da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI (Unesco), que estabeleceu quatro pilares, como eixos estruturais da Educação na sociedade contemporânea: Aprender a Aprender – buscar o saber, alcançar os seus objetivos;  Aprender a Fazer – relacionando o ensino à prática; Aprender a Viver e Conviver – desenvolver o conhecimento do outro, formar uma nova mentalidade, que vai gerar mais união e diminuição da competitividade, vai gerar o desejo de criar, de elaborar projetos conjuntos, de viver juntos; e Aprender a Ser – desenvolver a capacidade de autonomia e julgamento, fortalecendo a responsabilidade pessoal pelo destino coletivo.

Hoje, a escola reforça a visão de que a educação deve se dirigir ao convívio coletivo, ao desenvolvimento humano, no encontro das diferentes culturas, aproximando os povos e os segmentos da sociedade.

Transformar o meio em que se vive passa, necessariamente, pela sala de aula. Já passou a época da alienação aos menos favorecidos. Terá que haver um esforço para conciliar a destinação com a esperança. Um esforço para anular o sintoma da desigualdade e acreditar na capacidade de recuperação.

 

* Supervisora de ensino aposentada.            
(Publicado em dezembro/2006)

RESULTADOS DE AVALIAÇÕES ESCOLARES

Izabel Sadalla Grispino *

O processo de avaliação circula por todas as etapas da educação. Até 1995, com a edição do 1.º Saeb, Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica, as avaliações eram de dentro da escola – do rendimento escolar do aluno, na avaliação da aprendizagem, avaliação da atuação docente e da escola como um todo. Só a partir de então, o País começou a diagnosticar a escola de fora da escola.

Não se faz mais educação sem avaliação. As políticas públicas e os investimentos educacionais são determinados conforme os resultados das avaliações organizadas aos alunos, pelos governos. Tempos atrás, somente os professores avaliavam os alunos.

É consenso entre os educadores a validade dos resultados da avaliação para a qualidade de ensino. Se não fosse o Pisa, por exemplo, exame feito pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (Ocde), nós, brasileiros, não saberíamos que o nosso País está mal em educação, em relação aos outros países. O Pisa demonstrou que o Brasil tem um dos piores desempenhos em leitura e matemática.

O relatório global “Educação para Todos”, versão 2006, divulgado em novembro de 2005, pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), coloca o Brasil, entre 121 países, em 71.º lugar, em qualidade de educação. Revela falta de qualidade na educação e dificuldade de alfabetizar adultos. A colocação fica bem pior quando se avalia o número de crianças que chega à 5.ª série, do ensino fundamental: 85.º lugar, próximo de países africanos, como Zâmbia e Senegal.

No País existem diversos enfoques de avaliação: Saeb, hoje Aneb, o Enade que substituiu o antigo Provão, continuam o Enem e o Saresp. Foi criado, em 2005, o Encceja – Exame Nacional para Certificação de Competência de Jovens e Adultos, para avaliar os que concluíram o antigo supletivo.

Em novembro de 2005, houve a primeira avaliação do Aneb – Avaliação Nacional da Educação Básica, quando o Ministério da Educação (MEC), completando o Saeb, criou a Avaliação Nacional do Rendimento Escolar (Anresc), estendendo a avaliação a todos os alunos de 4.ª e 8.ª séries do País. Esse exame universal foi chamado de Prova Brasil. O Saeb revelou, por exemplo, que 60% das crianças brasileiras que terminam a 4.ª série não sabem ler corretamente. Mas, era uma prova feita por amostragem, revelando apenas resultados por região.

Vivemos a sociedade do conhecimento, a pessoa tem que aprender a vida toda e as avaliações medem a capacidade de aprender. Hoje, seguindo a orientação da moderna pedagogia, as avaliações não se apresentam, necessariamente, divididas em disciplinas, nem cobram conteúdo. O Pisa, o Enem, o Aneb, e outros, usam textos para medir as competências e habilidades dos alunos, em leitura e escrita, a capacidade de aplicar seus conhecimentos no dia-a-dia. Avaliam, também, resoluções de problemas e interpretação de gráficos.

As avaliações revelam não só o nível de ensino, mas características que possam melhorar a educação. Revelam, ainda, características importantes dos profissionais da educação. O primeiro Saeb indicou, por exemplo, que alunos, cujos professores eram formados em ensino superior, se saíam melhor nos exames. Avaliações feitas nos EUA, no Texas, mostraram um dado curioso: professores com as mesmas características raciais dos seus alunos têm em média melhor desempenho. Outras avaliações indicaram que escolas, nas quais diretores permaneceram por muito tempo, tinham desempenho melhor. A partir de então, as Secretarias passaram a exigir, no mínimo, dois anos no posto para os diretores.

Pesquisas vêm de encontro às avaliações e mostram que um bom diretor influi e muito no aprendizado. Quanto mais bem formado o diretor, mais eficaz a aprendizagem. Costuma-se dizer: “Diretor bom, escola boa”, ou, então, “a cara da escola é a cara do diretor”. O diretor deve ir além das tarefas administrativas, precisa interferir no processo pedagógico, promover a abertura da escola para a comunidade. Surgem projetos que oferecem cursos para melhorar o desempenho do diretor no cargo, como os projetos da Escola de Gestores, que têm revelado que alunos de escolas, cujos diretores participam dos projetos, demonstram um aproveitamento maior, em português. Obtiveram notas 18% maiores.

Não adianta capacitar só o professor, o diretor tem de entender de educação, não pode exercer apenas uma função administrativa. A ação pedagógica no trabalho do diretor é muito importante para o bom resultado da aprendizagem. Hoje, afasta-se a idéia de diretor burocrático. Ele precisa entender de liderança, entender de gestão de recursos humanos, tendo como grande desafio a construção de um projeto educacional.

Na escola, gerir é educar e o diretor é um gestor de situações educativas. Atualmente, as escolas diminuem a dependência vertical – Secretarias  de Educação – e aumentam a sua dependência horizontal, como a comunidade. A autonomia da escola é ponto essencial para o trabalho dos diretores, que precisam se capacitar para ser gestores modernos.

Avaliações constantes, autonomia pedagógica, participação dos pais nas escolas, presença de conselhos com membros da comunidade, reforçadas pela competência profissional, melhoram a qualidade de ensino.

* Supervisora de ensino aposentada.            
(Publicado novamente em fevereiro/2006)

CAMINHOS DE REFLEXÃO À ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Não podemos nos furtar a um debate sobre problemas do ensino público, sobre a crise da aprendizagem, do desamparo institucional, deixado pelos últimos governos, repercutindo na falta de segurança das escolas, na perversa violência nela infiltrada. Está sendo difícil, à escola, enfrentar ameaças de morte nas próprias salas de aula, nos corredores, nas entradas ou nas saídas, principalmente em escolas que funcionam em regiões violentas.

Há experiências, trabalhos desenvolvidos em algumas localidades, que devem ser conhecidas, na busca de soluções. Em todas as escolas, sempre há um grupo, um número pequeno de alunos, que costuma influenciar os demais, perturbando a vida escolar. Antigamente, esses alunos eram expulsos, mas, hoje, o critério oficial é mantê-los, pois, a expulsão iria ferir os seus “direitos humanos”.

Consultado, a respeito dessa situação, o diretor executivo do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial, Norman Gael, passou a seguinte idéia: propôs, como medida saneadora, criar escolas especiais para alunos agressivos, que não cometeram crimes mais graves, mas que roubam a tranqüilidade da escola, dificultando a aprendizagem geral. Essas escolas especiais funcionariam em regime fechado, com segurança, em horário integral. Receberiam a atenção de que necessitam, atividades de recuperação da aprendizagem, atividades esportivas e outras, consumindo parte de suas energias, orientados por professores selecionados e treinados, com remuneração condizente à qualidade de seu trabalho.

Esses alunos poderiam retornar às escolas regulares, à medida que progredissem no conhecimento e se ajustassem no comportamento. Seriam, sem dúvida, investimentos adicionais, mas, afirma Norman, “compensados pela tranqüilidade e conseqüente produtividade das escolas regulares e pela recuperação de jovens infratores, que, sem um atendimento apropriado, se tornam adultos delinqüentes, incorrendo em custos ainda mais altos para a comunidade e para o Estado”.

Ao afastar os alunos mais rebeldes, a escola alcançaria mais facilmente a qualidade de ensino, que requer disciplina, ordem e competência profissional. Requer um professor capaz de estimular os alunos, especialmente das populações mais carentes, chegando até eles com afetividade, descobrindo suas aptidões, desenvolvendo suas potencialidades, utilizando-se de currículos mais próximos deles, com assuntos de seus interesses, de sua vivência cotidiana. Um professor que incentive o bom desempenho acadêmico, criando prêmios, sob critérios objetivos, que poderiam estender-se a outras escolas, municipais ou estaduais, numa saudável concorrência.

Em muitas localidades, especialmente nas mais violentas, a rotatividade de diretores e professores afasta a necessária estabilidade das ações programadas. A seqüência fica prejudicada e o ambiente conturbado. Nesse sentido, sugere-se, às Secretarias de Educação, pôr em prática uma outra forma de contratação do diretor da escola, como acontece no Estado de Minas Gerais e em outros do País. Em Minas Gerais, já há 8 anos, a comunidade elege o diretor por 2 anos, renováveis, de uma lista de 3 professores da escola com melhor resultado no concurso público. O diretor, não sendo mais um líder imposto, mas eleito pela comunidade escolar, exercerá melhor as suas responsabilidades, porque encontra apoio, respaldo nessa comunidade. A escola torna-se mais compacta, mais interessada e os resultados, certamente, serão bem mais concretos.

Um outro aspecto a meditar-se, nas dificuldades pelas quais passam as escolas, é sobre a sua difícil administração. Num sistema escolar gigantesco, como, por exemplo, do nosso Estado, os problemas vão se acumulando, as diretorias regionais incapacitadas de um controle geral mais apurado e a escola se desorganiza a cada passo. É principalmente sob esse prisma que hoje se vê a municipalização do ensino como um bem a considerar. Reduzindo a escala de gestão, a municipalização ajudaria, permitindo avanços no controle local dos problemas.

Um outro aspecto diz respeito à liderança cívica. Hoje, fala-se em responsabilidade social da empresa, mas pouco se faz. Consta-se  que o crescimento do ensino popular em todo o mundo sempre foi produto da interface do setor público com o privado. Seria de muita ajuda se empresas criassem, em regiões mais pobres, escolas privadas de ensino médio, observando com rigor a qualidade. Cobrariam dos alunos mensalidades módicas, na medida de suas possibilidades. Isso viria criar perspectivas de melhores condições de vida para os alunos e suas famílias. Há uma valiosa experiência desse tipo, em São José dos Campos. Estabelecendo padrões de qualidade para o ensino público, a Embraer criou uma escola de ensino médio, administrada pela empresa de ensino Pitágoras, cuja sede fica em Belo Horizonte.

É importante estimular debates sobre a situação lastimável da maioria das escolas públicas, na busca de soluções.


* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em agosto/2002)

RESPONSABILIDADE SOCIAL

Izabel Sadalla Grispino *

A época atual tem sua atenção voltada para a sociedade. A desordem social, o alarmante desnível econômico, estão hoje, mais do que nunca, exigindo a necessidade de formar cidadãos conscientes. Uma comunidade consciente de seus direitos passa a agir na sociedade que, articulada, se mobiliza em direção à participação, à solidariedade, à inclusão. O indivíduo começa a entender que sua responsabilidade vai além do pessoal, do familiar, a ter consciência de que a sociedade não é compromisso só do governo e que todo cidadão é governo. A ter consciência de que sociedade é um organismo vivo, mutável, de desejo de realização, de auto-afirmação. A ter consciência da ajuda que necessita para se auto-realizar, criando recursos, meios, condições para isso e não, apenas, estender-lhe a mão, no sentido de filantropia, de paternalismo.

O indivíduo entende que a responsabilidade social deve se traduzir em crescimento para a cidade, em comunidades de sucesso. Entende que pode e deve agir na sociedade, dentro de seu universo, desenvolvendo o sentido de cidadania. Passa a viver no entendimento de que todos têm direitos, assim como têm deveres, igualdade de oportunidades, condenando regalias e privilégios.

O cidadão se forma desde que nasce. A criança, sentindo-se respeitada pelo adulto, tendo suas necessidades atendidas, vai adquirindo a noção de respeito e o respeito vai fazer parte de sua vida. Uma criança que vive, por exemplo, o drama de ter que se afastar da escola para trabalhar e poder comer, como vai entender democracia ou cidadania? Se gritar, apelar, não será ouvida e, não sendo ouvida, não ouvirá também, transgredirá. Essa criança que se vê anulada em seus direitos, em suas necessidades básicas, não entenderá de respeito.

Conceituar cidadania e não praticá-la é perder, para o aprendiz, o seu significado. São pelas atitudes dos adultos que as crianças passam a entender o conceito de justiça. Quando ouvidas, atendidas, vão se colocar na sociedade democraticamente, desenvolver a sociabilidade. É a experiência de vida quem vai lhe ditar a idéia de cidadania e, como reflexo dessa idéia, ela repetirá as atitudes, passando-as avante. O exemplo do adulto é fundamental. Se o adulto é respeitoso, solidário, a criança o terá como referência.

A chave da responsabilidade social está nos atos praticados pelos adultos; se esses atos passarem uma imagem favorável à prática do bem comum, do compromisso com o outro, essa imagem propagar-se-á, do mesmo modo o seu contrário. Além da ação consciente, o adulto deve aprender a ouvir, principalmente em contato com os jovens. Conversar, dialogar, formular normas conjuntamente, não impondo, mas conscientizando, para que esses jovens se sintam responsáveis por suas atitudes. O contato com o adulto determinará sua visão de mundo, seu relacionamento com a sociedade.

A escola contribui com a responsabilidade social, desenvolvendo a consciência crítica da realidade, a compreensão de que o interesse social é mais importante que o individual, a fazer o aluno ver a realização como fruto do esforço comum. Ela deve se tornar um espaço de realização, criar formas de intervenção social, despertando interesse por atividades sociais.

A adolescência é uma fase em que o jovem é idealista, tem necessidade de acreditar em alguma coisa, a fase em que quer mudar o mundo, quando abraça os ideais de liberdade e de igualdade em profundidade. É o momento de a escola canalizar essa energia para ações produtivas no seio da comunidade, montando projetos que o envolva nessas ações. O jovem na adolescência, como diz a psicologia, deixa de ser filho do casal para ser ele próprio e as instituições de ensino devem ser catalisadoras desse potencial juvenil.

Cidadania é reflexo, é vivência, cabe aos pais, aos educadores dar o exemplo no entendimento de que só existe cidadania praticando-a. Começa em casa, na escola, com a educação recebida e vai para a rua com a prática do respeito. Educar para agir com consciência todos os dias; cobrando deveres das autoridades, cuidando da cidade, respeitando as regras sociais. Assim, a criança compreenderá que nasceu para viver e não sobreviver, tendo seus direitos respeitados.

Um aspecto que fere a consciência e imprime fortemente o traço da injustiça social é o trabalho infantil. Crianças e adolescentes que trabalham freqüentam menos a escola. No passado, esse número foi maior, mas, mesmo assim, hoje ainda é grande. Há trabalhadores infantis nas áreas urbanas e rurais. Pesquisas têm mostrado que cerca de metade das crianças e adolescentes que estão trabalhando utiliza produtos químicos, máquinas e ferramentas, com riscos constantes de sofrer acidentes. Esta parcela é maior entre os trabalhadores do campo, que somam 43% das crianças e adolescentes de 5 a 17 anos que têm alguma atividade.

Também, serviço doméstico, distância e falta de vagas são outros motivos que afastam crianças e jovens da escola. Segundo O IBGE, o nível de escolaridade, entre pessoas de 5 a 17 anos, cresce de acordo com a faixa do rendimento familiar. Em famílias que ganham até ½ salário mínimo, esta faixa ficou em 83,1%. Já em famílias com rendimento até 10 salários mínimos ou mais, o nível de escolaridade sobe para 97,9%.

A má distribuição de renda responde pela sofrida desigualdade social. Crianças que deveriam estar na escola ou brincando arcam, prematuramente, com a responsabilidade de sustentar-se e ajudar no sustento da família.

O Estatuto da Criança e do Adolescente diz que é proibido qualquer trabalho a menores de 14 anos, a menos que seja na condição de aprendiz. São aprendizes os adolescentes que recebem formação técnico-profissional, que deve ser dada sem prejudicar o ensino regular. Os maiores de 14 anos que trabalham têm assegurado o seu estudo. Os aprendizes maiores de 14 anos devem receber direitos trabalhistas como os adultos. Nenhuma criança ou adolescente pode trabalhar à noite, nem realizar atividades perigosas ou em ambientes que sejam prejudiciais ao seu desenvolvimento. O Estatuto também garante o direito à educação: igualdade de condições para o acesso e permanência na escola, o direito de ser respeitado pelos educadores, o acesso à escola pública e gratuita próxima de sua residência.

A realidade social é pesada, profundamente desigual. Entre nós, um terço da população vive na miséria. O pressuposto da cidadania é a igualdade de direitos e diante de tamanha desigualdade, para conquistá-la, haverá ainda muitas léguas a percorrer, muita estrada pela frente. Contudo, estaremos dando uma grande contribuição se educarmos a criança e o jovem dentro dos princípios de justiça, de ética, de solidariedade, se os ensinarmos a enfronhar-se nas causas sociais, aprendendo, na prática, o sentido de democracia e de cidadania.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2003)

LANÇAMENTO DO LIVRO “PRÁTICA PEDAGÓGICA”

Izabel Sadalla Grispino *

O livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola), de minha autoria, traz subsídios importantes para a formação do professor. Apresenta uma visão prática do ensino-aprendizagem.

Nas minhas freqüentes visitas às escolas, apoiada, também, por pesquisas e resultados de avaliação, notei que o ensino, com poucas exceções, continua preso à metodologia tradicional, na linha do “magister dixit”. O professor pode até ter uma razoável formação em sua disciplina específica, mas tem muito pouco treinamento prático em didática. O livro propõe-se, através de temas a serem desenvolvidos em sala de aula, a fazer o professor se ver em atuação.

“Prática Pedagógica” não é livro de tema único, visto em seus múltiplos aspectos, mas livro de temas variados, atuais, por vezes problemáticos, retirados do dia-a-dia da sala de aula. Passo a passo, ele vai formando opinião, provocando mudança de mentalidade, fornecendo à escola uma estruturação didático-pedagógica. Questões práticas são lançadas ao longo do livro, vistas sob uma ótica científica, apoiada em conceitos referendados pelos clássicos da literatura pedagógica.

O livro traz mensagens reflexivas, desperta o professor para uma renovada prática de ensino e isso desde a sua capa, quando a imagem, a disposição das cadeiras, sugerem a prática do diálogo, do debate, da construção do conhecimento; na contracapa, a posição da minha imagem passa a importância do compromisso, da divulgação do conhecimento, da importância de se conhecer para se conscientizar. Através da poesia, chama atenção da transformação social promovida pela escola, de seu papel social. As “orelhas” do livro lançam proposições que colocam desafios ao processo de ensino-aprendizagem. O leitor, pelos temas abordados nas “orelhas”, sentir-se-á impelido a continuar a leitura.

A formação do professor é basicamente, ainda, calcada na teoria; as próprias faculdades fundamentam seu ensino numa passagem de conhecimento unilateral. Esse processo vai se tornando uma gangorra, um jogo de pingue-pongue. Da sala de aula da educação básica vai para a sala de aula da faculdade e desta, novamente, para a sala de aula da educação básica, numa corrente contínua.

A escola hoje não se mantém mais como transmissora do saber. O método moderno exige um aluno pensante, criativo, construtor do conhecimento e não simples receptor. O desinteresse do aluno pela escola provém, em grande parte, de seu isolamento na sala de aula. É necessário dar ao currículo uma visão prática, que se distancia da visão culturalista, enciclopedista. Um ensino que visa recriar a cultura com o aluno. O processo tradicional, que leva ao aluno o conteúdo pronto e acabado, não prende sua atenção e coloca a escola em defasagem com seu tempo. A escola atualizada trabalha com projetos e não aulas em que o professor fala, dita, escreve na lousa e o aluno copia. Os projetos precisam chamar a atenção do aluno, atrair seu interesse, engajá-lo em suas escolhas.

No método tradicional, conteudista, o aprendizado ocorre de fora para dentro, pela transmissão do conhecimento. Na pedagogia construtivista, ao contrário, o aprendizado ocorre de dentro para fora. No construtivismo, o aluno galga passos para chegar, ele mesmo, ao conhecimento. Esse método, ensina a pensar, a criar hipóteses, relacionar, interpretar para chegar ao conhecimento. Ele é uma exigência da época, que pede um ser crítico, reflexivo.

Um outro tópico importante na aprendizagem moderna diz respeito à contextualização do conhecimento e a interdisciplinaridade das disciplinas do currículo. A escola afasta-se dos conteúdos desvinculados da realidade do aluno. Busca assuntos que tenham ligação com sua vida  e de importância sociocultural. A interdisciplinaridade – interligando as diversas áreas do saber – promoverá ao aluno uma formação geral mais ampla e a contextualização buscará a solução dos problemas sociais no seu trato com o cotidiano. A escola colocará os objetivos do ensino próximos ao dia-a-dia da sala de aula.

Estamos vivendo uma nova etapa da educação. A escola toma novos rumos, ressalta a educação para o pensar. É uma nova escola, onde não basta a criança ser educada, mas precisa ser bem educada. Os modelos educacionais mudaram nas últimas décadas. Deixou-se de lado a importância da memorização e passou-se a adotar projetos pedagógicos destinados a dar mais autonomia aos alunos na aprendizagem. As principais tendências do ensino, que vão se consolidando, consistem em levar o aluno a pensar com mais compreensão de seu cotidiano, mais capaz de tomar decisões e mais apto ao convívio social.

Estamos passando por um processo de revolução tecnológica e industrial, que introduz mudanças rápidas e importantes nos métodos e na organização da produção. Nesse contexto, a escola precisa promover o exercício simultâneo entre a área do saber e a do fazer. Atualização constante, reciclagem de conhecimentos, experiências em sintonia com as mudanças mundiais são, portanto, requisitos para uma segura atuação docente. Os métodos de ensino renovam-se, há uma variedade deles, porém, entre todos, há princípios comuns que os norteiam, como a passagem gradativa do conteúdo, a observância do ritmo próprio de cada aluno, de seu nível de conhecimento, a observância das fases do desenvolvimento mental da criança, no período da alfabetização, a avaliação individual e contínua da aprendizagem. Caracterizam-se mais por competências cognitivas de caráter geral que por informações.

Estes e muitos outros assuntos de suma relevância ao processo educacional estão contidos no livro. É um livro de 364 páginas, de fácil manuseio, de fácil leitura, cujos tópicos se encontram elencados e numerados no sumário. Está dividido em capítulos e cada capítulo contém um conjunto considerável de assuntos específicos, correlatos.

O livro aborda os principais passos da reforma do ensino estabelecidos pelo Ministério da Educação (MEC), de conformidade com a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), n.º 9.394/96. O capítulo “Aspectos da Escola Renovada” registra, com exemplos, os avanços metodológicos, apregoados por esta nova escola. O livro traz um estudo detalhado sobre o sistema de ciclos na progressão continuada. Aborda no capítulo “Avaliação da Aprendizagem” os amplos aspectos  da personalidade a serem avaliados, os aspectos cognitivos, afetivos,  psicomotor. Antes das Considerações Finais, há um extenso capítulo sobre educação infantil, sobre o comportamento infanto-juvenil, visto à luz da psicopedagogia.

Promover a qualidade do ensino, assessorar a formação do professor, fornecer subsídios à escola, estendendo o olhar à decadente escola pública, foram uma das minhas grandes preocupações. O grande objetivo do livro é ser útil à causa da educação.

O livro encontra-se à venda nas principais livrarias da cidade, por um preço bastante módico.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em junho/2004)

REUNIFICAÇÃO DOS ENSINOS MÉDIO E TÉCNICO

Izabel Sadalla Grispino *

A quebra de continuidade de um sistema ou de uma modalidade de ensino, sem comprovação de avaliação que a referenda, pode criar desencontros incompatíveis à boa formação do educando. Educação é um processo a médio e a longo prazo. É preciso, pois, um tempo para avaliar com propriedade os resultados que se quer alcançar.

Um governo lança um programa, mal toma posse o outro, modifica-o, iniciando novas posturas conflitantes. Foi o que aconteceu com o Exame Nacional de Cursos, o Provão, que avaliava a qualidade de ensino dos cursos de graduação, através do desempenho dos alunos, com uma prova aplicada, todos os anos, aos alunos que estavam concluindo o curso. Quando parecia que o processo ia tomar vulto, firmar-se, sinalizando melhorias no aprimoramento do ensino, é banido e substituído por um outro processo de avaliação, pelo Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade).

Falta-nos uma política de Estado para educação, um pacto nacional envolvendo todos os partidos políticos, como vem acontecendo em países avançados. Políticas de educação têm maturação lenta, resultado de longo prazo.

O “Provão”, mais que o resultado das provas, trazia importante efeito sobre as faculdades, abrindo, entre elas, uma salutar concorrência, em direção à qualidade do ensino. O Enade fará uma avaliação por amostragem, duas vezes durante a graduação, no 2.º ano e no fim do curso, sendo tão-somente um aspecto de uma avaliação, que terá como foco a instituição. A avaliação dos alunos perde peso para a avaliação institucional.

Todo educador sabe que a avaliação é um processo contínuo, abrangente. Avalia-se todo o contingente educacional, o conjunto da estrutura institucional, o currículo, a pertinência dos cursos, em termos de exigência social, de mercado de trabalho, a infra-estrutura, a titulação do corpo docente, mas sabe, também, que é o resultado do aproveitamento emitido pelos alunos que define, prioritariamente, a qualidade da instituição.

Agora, deparamo-nos com a mudança de um outro sistema de ensino, que fora acolhido com entusiasmo quando de sua implantação em 1997, separando o ensino técnico do ensino médio, funcionando, até então, de modo integrado. Passaram a ser duas realidades distintas, pertencentes, contudo, a um mesmo sistema. O aluno para receber o diploma de técnico teria de freqüentar as duas realidades. O curso técnico, um ensino paralelo, não interferia no ensino médio.

O MEC lança a proposição de unificar, novamente, o ensino médio e o ensino técnico, permitindo a oferta concomitante e integrada dos dois tipos de ensino. A mudança permitirá ao aluno cursar a educação profissional numa escola regular; cursar os dois níveis de ensino numa mesma instituição ou em instituições diferentes. A conclusão dos dois cursos deverá ser unificada. A idéia é permitir que escolas profissionalizantes e também as da rede pública tradicional ofereçam um curso de nível médio com formação técnica, o que aumentaria de três para quatro anos a duração do ensino médio.

O MEC é de opinião de que o atual sistema prejudica o ensino técnico durante o ensino médio. Porém, o que poderá prejudicar o ensino técnico é a falta de uma boa formação acadêmica, que o ensino médio deveria proporcionar. O mercado de trabalho hoje pede um técnico com formação básica, com uma cultura geral mais abrangente, para poder enfrentar os desafios das inovações tecnológicas. O técnico necessita de formação geral para ajustar-se, com mais facilidade, a um mercado de tantas mudanças ocupacionais. Ele não pode ser um especialista apenas em sua função, precisa estar antenado, ter conhecimento geral, expandindo a visão. Só uma boa formação geral dará  ao estudante condições de exercer com êxito a função de técnico. O mercado de trabalho vem pedindo cada vez mais o que se chama de confluência de competências, um profissional pedindo ajuda a outro.

O ensino médio é um grande aliado da formação de técnico, deve ser levado muito a sério. A unificação das duas modalidades já foi experiência do passado. Surgiu com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, 5.692, de 1971, quando era possível discutir o conceito de “terminalidade”, em relação ao exercício profissional. Por essa lei, o aluno, ao cursar o 2.º grau, podia, de forma integrada, receber uma formação acadêmica e uma educação profissionalizante, obtendo o diploma de técnico. Constatou-se, posteriormente, que a preparação para o trabalho se enfraquecia e a parte acadêmica não trazia um resultado consistente.

É preciso encorajar, estimular o jovem a freqüentar as duas modalidades, o ensino médio e o curso técnico. Um complementa o outro, um reforça o outro. A necessidade de técnicos no País é premente, de técnicos afinados com a função, mas capazes de ramificar, de transitar entre ocupações afins, mobilidade que somente o conhecimento amplificado poderá lhe dar.

É um tanto temerário tentar unificar, novamente, os dois cursos, voltar a uma experiência malograda do passado.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2004)

AO JORNAL “TRIBUNA IMPRESSA”, O GRANDE SEMEADOR DE IDÉIAS

Izabel Sadalla Grispino *

Através do jornal “Tribuna Impressa”, deste valioso instrumento de comunicação que Araraquara aprendeu a admirar pelo alto profissionalismo, venho, há cerca de dois meses, publicando, semanalmente, artigos de fundo educacional. Este jornal amigo proporciona-me a oportunidade de contatar-me com a sociedade araraquarense, levando conhecimento, em temas educacionais, culturais, sociais, religiosos e outros. Estou me propondo, entre outros, a registrar os principais passos da reforma do ensino, na implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e a realidade educacional do ensino vigente.

Encontrei neste jornal, com afável acolhida, um livro aberto, de folhas em branco, para serem preenchidas, tendo em vista ilustrar a comunidade, nos mais variados assuntos. Já tive a oportunidade de passar alguns conceitos, ressaltando a idéia de que o bom professor faz a diferença do ensino e de que ele é capaz de compensar a falta de estruturas. Passei a idéia de que a formação, a dedicação e o salário do professor são alguns dos fatores que mais interferem no ensino e de que, sem um ensino de qualidade, jamais resolveremos a questão das desigualdades sociais. Ressaltei a necessidade de cursos de reciclagem para o professor, que, de um modo geral, não está absorvendo as Diretrizes Curriculares e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), emanados pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). O professorado não está conseguindo ensinar os alunos dentro desses novos referenciais, que abargam, principalmente, a interdisciplinaridade e a contextualização, isto é, a aproximação do conteúdo ensinado com o cotidiano do aluno.

A escola não vem acompanhando as mudanças e tem demonstrado de que os fatores que favorecem o desempenho dos alunos estão mais relacionados ao dia-a-dia da escola do que com as diretrizes elaboradas pelo MEC. Daí a importância de se dar mais atenção ao professor, dar-lhe suporte profissional, porque ele é, sem dúvida, a mola-mestra, não só do progresso, mas da eqüidade social.

Neste novo ano que se inicia, continuarei, com o apoio do jornal “Tribuna Impressa” e com a proteção de Deus, a analisar situações de ensino, lutando para que a luz educacional prevaleça e clareie a consciência nacional de sua importância, lutando para que a vontade política se manifeste com mais verbas para a educação, cuidando melhor de nossos professores.

O jornal merece nossa reverência, porque ele é uma escola aberta, o mestre maior que bate à nossa porta para introduzir conhecimentos, para formar, de modo responsável, mente e corações. Em Araraquara, já vem se tornando habitual, nos festejos de fim de ano, saudar o jornal “Tribuna Impressa”, nas pessoas de seus digníssimos diretores e de todos os seus funcionários, que, com brilho e persistente idealismo, angariam, cada vez mais, a confiança da população.  O jornal “Tribuna Impressa” cresce com Araraquara, coloca-se na vanguarda jornalística. Muita saúde, muito vigor, aos seus dirigentes, para que possam continuar a receber as alegrias de seu jornalismo imparcial, competente, que vem se tornando marca consagrada. Pessoas que lutam por ideais salvaguardam a humanidade. Onde há uma vontade, há um caminho. Parabéns!

Formulo votos de um feliz Ano Novo a toda população de Araraquara. Que Deus lhe dê um ano de paz, de amor, de prosperidade. Quero também agradecer aos meus leitores pela atenção, pelas manifestações de apreço, a mim formuladas, durante a publicação dos artigos.

A todos vocês, queridos leitores,/ Que esse dois mil e um lhes seja risonho,/ Caminhos abertos, muitos amores,/ Que se realize seu mais lindo sonho.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em dezembro/2000)

AO JORNAL “A GAZETA”, O GRANDE SEMEADOR DE IDÉIAS

Izabel Sadalla Grispino *

Através do jornal “A Gazeta”, deste valioso instrumento de comunicação que Jaboticabal aprendeu a admirar pelo profissionalismo, venho, há vários meses, publicando, semanalmente, artigos de fundo educacional. Este jornal amigo proporciona-me a oportunidade de contatar-me com a sociedade jaboticabalense, levando conhecimento, em temas educacionais, culturais, sociais, religiosos e outros. Estou me propondo, entre outros, a registrar os principais passos da reforma do ensino, na implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e a realidade educacional do ensino vigente.

Encontrei neste jornal, com afável acolhida, um livro aberto, de folhas em branco, para serem preenchidas, tendo em vista ilustrar a comunidade, nos mais variados assuntos. Já tive a oportunidade de passar alguns conceitos, ressaltando a idéia de que o bom professor faz a diferença do ensino e de que ele é capaz de compensar a falta de estruturas. Passei a idéia de que a formação, a dedicação e o salário do professor são alguns dos fatores que mais interferem no ensino e de que, sem um ensino de qualidade, jamais resolveremos a questão das desigualdades sociais. Ressaltei a necessidade de cursos de reciclagem para o professor, que, de um modo geral, não está absorvendo as Diretrizes Curriculares e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), emanados pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). O professorado não está conseguindo ensinar os alunos dentro desses novos referenciais, que abargam, principalmente, a interdisciplinaridade e a contextualização, isto é, a aproximação do conteúdo ensinado com o cotidiano do aluno.

A escola não vem acompanhando as mudanças e tem demonstrado de que os fatores que favorecem o desempenho dos alunos estão mais relacionados ao dia-a-dia da escola do que com as diretrizes elaboradas pelo MEC. Daí a importância de se dar mais atenção ao professor, dar-lhe suporte profissional, porque ele é, sem dúvida, a mola-mestra, não só do progresso, mas da eqüidade social.

Neste novo ano que se inicia, continuarei, com o apoio do jornal “A Gazeta” e com a proteção de Deus, a analisar situações de ensino, lutando para que a luz educacional prevaleça e clareie a consciência nacional de sua importância, lutando para que a vontade política se manifeste com mais verbas para a educação, cuidando melhor de nossos professores.

O jornal merece nossa reverência, porque ele é uma escola aberta, o mestre maior que bate à nossa porta para introduzir conhecimentos, para formar, de modo responsável, mente e corações. Em Jaboticabal, já vem se tornando habitual, nos festejos de fim de ano, saudar o jornal “Primeira Página”, nas pessoas de seus digníssimos diretores e de todos os seus funcionários, que, com persistente idealismo, angariam, cada vez mais, a confiança da população.  O jornal “A Gazeta” cresce com Jaboticabal, coloca-se na vanguarda jornalística. Muita saúde, muito vigor, aos seus dirigentes, para que possam continuar a receber as alegrias de seu jornalismo imparcial, que  vem se tornando marca consagrada. Pessoas que lutam por ideais salvaguardam a humanidade. Onde há uma vontade, há um caminho. Parabéns!

Formulo votos de um feliz Ano Novo a toda população de Jaboticabal. Que Deus lhe dê um ano de paz, de amor, de prosperidade. Quero também agradecer aos meus leitores pela atenção, pelas manifestações de apreço, a mim formuladas, durante a publicação dos artigos.

A todos, meus versos sobre o Terceiro Milênio.

TERCEIRO MILÊNIO, ANO 2001

Izabel Sadalla Grispino

Surge um novo milênio, uma outra aurora,
A ciência comprovando Jesus,
Ventos do infinito indicam que agora
É chegada a hora de viver a luz.

Demos um salto para o espiritual,
Conciliamos ciência e fé,
Confraternizamos real e virtual,
A razão se achegou à Santa Sé.

A face de Deus deixa o lado escuro,
Terceiro milênio é porta de frente,
Mostra o claro que vem pelo futuro,
Ressalta o homem na alma e na mente.

Que saibamos entender o momento,
Que em coro, rezemos à Mãe Maria,
Ligando oração e comportamento,
Livraremos o mundo da orgia.

O homem terá um novo semblante,
Virá aterrorizante avanço,
A ciência criando um semelhante,
A bioética entrando em balanço.

A todos vocês, queridos leitores,
Que esse dois mil e um lhes seja risonho,
Caminhos abertos, muitos amores,
Que se realize seu mais lindo sonho.

 

* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em dezembro/2000)

Caixa de texto: Clique para voltar ao sumário* Supervisora de ensino aposentada.

(Publicado em dezembro/2000)

AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM: ASPECTOS DO DESENVOLVIMENTO

Izabel Sadalla Grispino *

Na semana passada abordei, sobre o processo de Avaliação da Aprendizagem, o item “Conceituação”. Hoje, teremos, também em forma de versos, o segundo item anunciado, “Aspectos do Desenvolvimento”.

Na conceituação, pudemos perceber que a avaliação é um processo contínuo de pesquisas, que visa estudar e interpretar os conhecimentos, habilidades e atitudes dos alunos, tendo em vista mudanças esperadas no comportamento, propostas nos objetivos da escola, a fim de que haja condições de decidir sobre alternativas no planejamento do trabalho do professor, da escola como um todo. Propõe-se, então, indagar o que avaliar? O que deve ser avaliado no aluno?

Não são só os aspectos cognitivos, as habilidades lingüísticas ou matemáticas, que devem ser avaliados, mas, também, os diferentes valores, os diferentes comportamentos, os amplos aspectos do desenvolvimento do aluno. A avaliação abrange as inteligências múltiplas, afloradas nas potencialidades do aluno. O professor, ao dar oportunidade a que os alunos se expressem, perceberá, em suas manifestações, as diversas habilidades – corporal, espacial, naturalista, interpessoal – que não podem deixar de ser acolhidas, consideradas.

O objetivo da escola vai além da transmissão do conhecimento, por isso outras áreas do comportamento devem ser avaliadas para que haja compreensão dos fatores que impedem o progresso do aluno nos estudos.

ASPECTOS DO DESENVOLVIMENTO

“A escola tem fins mais complexos,            Desenvolve amplas capacidades,
Que a construção do conhecimento,            O criar, o inventar, variado engenho,   
Avalia, em conteúdos anexos,                        No mundo atual, versatilidades
Aspectos do desenvolvimento.                       Se igualam ao intelectual empenho.            
Observa o aluno em aspectos amplos,        O mercado quer generalista,
O ligado ao físico-motor:                                  Saber eclético, articulado,  
Deficiências, visão, vários ângulos,              A época do régio especialista
Que influem no agente receptor.                   Ficou distante, hoje é passado.

Outro aspecto, o social-afetivo,                     A avaliação não é sempre igual,
Reflete a classe, a reação pessoal,              É usada em variada situação,
Liga-se ao aspecto cognitivo,                         Quanto mais prova sem ar formal,
Em entrelaçamento total.                                Mais rica será sua atuação.

Avalia tipos de aprendizagem,                       Ensino-aprendizagem contínuo
Às faculdades dá preferência,                       Requer avaliação permanente,
Promove ensino qualitativo,                           Objetivo claro, nada ambíguo,
Atenuando, assim, a repetência.                  Mestre e aluno em constante corrente.

Adota variados instrumentos,                       Padrões de rendimento aceitável
Lápis, papel, não são suficientes                 Eliminam discriminação,
Para avaliar desenvolvimentos,                   Teste com validade, confiável,
Com seus comportamentos reagentes.    Suaviza o ensino e evita evasão.

Ressalta aspectos qualitativos,                   Se o ensino-aprendizagem vai bem,
Habilidade e competência,                            O educando marcará vitória,
Insiste em métodos reflexivos,                    O professor se avalia também,
Trabalha atitudes com freqüência.              Louvor é dado à sua trajetória.”

 

* Supervisora de ensino aposentada           
(Publicado em agosto de 2000)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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