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Artigos Educacionais

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ESTAREMOS ASSISTINDO A UM PRENÚNCIO DE DECADÊNCIA DO ENSINO PÚBLICO SUPERIOR?

Izabel Sadalla Grispino *

Já começam a pipocar, espaçadamente, observações preocupantes referentes à estrutura de sustentação do bom ensino público universitário. Nesse último qüinqüênio, a universidade pública vem perdendo, gradativamente, professores do mais alto gabarito para o setor privado. Salários estacionados, precários, desestímulo à carreira, condições de trabalho a desejar, motivam a passagem. Perdas, também, pelo fator aposentadoria, quando os professores, receando alterações desfavoráveis na legislação previdenciária, se apressaram no pedido da aposentadoria.

Já há algum tempo vem-se denunciando a instável situação das universidades públicas. Em fins de 1997, quando o MEC, por seu Programa de Modernização e Qualificação do Ensino Superior, aplicou recursos na compra de equipamentos de laboratórios e de hospitais universitários, em projetos  de  melhoria  da graduação, o prof. Odilon Marcuzzo de Castro, da Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais do Ensino Superior (Andifes), questionou este investimento em infra-estrutura. Disse que a capacidade de as universidades poderem usufruir dessas melhorias ficava inibida, porque não tinham condições de investir em pessoal qualificado. “Não há dúvida de que os incentivos em laboratórios, em infra-estrutura... sinalizam políticas de melhoria do sistema, mas para ter qualidade é preciso ter profissionais preparados e, hoje, os professores têm sido atraídos por salários do setor privado.

Ainda mais recentemente, em abril passado, quando da reivindicação dos funcionários, da área científica, por melhores salários, o presidente da Associação de Funcionários da Fiocruz (Asfoc), Álvaro Nascimento, disse que “o montante destinado à ciência e tecnologia, anunciado pelo presidente, é ridículo. A maioria dos países investe entre 2 a 3% do PIB em pesquisa científica. O investimento no Brasil fica abaixo de 0,5%. Há um esvaziamento de cérebros das instituições porque os cientistas trocam o salário de R$ 2.500,00 pelo de US$ 7 mil na iniciativa privada”.

São fatos de se lamentar, visto terem as nossas universidades públicas, tanto no ensino quanto na pesquisa, conseguido manter, ao longo dos anos, um padrão de alto nível. Todos os países desenvolvidos preservam seu padrão de excelência, pois dele advém as grandes cabeças pensantes, os grandes avanços, capazes de colocar o país em patamar superior, em situação de supremacia.

Estaremos nos arriscando a perder esse padrão tão desejável, tão imprescindível ao conceito de uma nação? Cairão as nossas universidades públicas em descaso crônico dos governos, como aconteceu com o ensino fundamental e médio? A situação atual da USP, em relação à falta de professores, é preocupante. Para contornar a situação, as universidades têm contratado educadores em regimes alternativos – não por concurso, como seria normal, mas apenas para dar aulas. São professores que não têm vínculo com a instituição, ganham por aula – 12 horas de aula ao mês, recebem R$ 260,00 – não desenvolvem pesquisa, como vem acontecendo com a Escola de Comunicação e Artes (ECA) e outras mais. Quem explica é Jair Borin, Chefe do Depto. de Jornalismo e Editoração da ECA/USP.

A falta de professores começa a causar sérios danos. Alunos de graduação de História e Geografia da Universidade de São Paulo (USP) correm o risco de não se formar no prazo previsto para os referidos cursos. Não há professores em número suficiente para cobrir todas as disciplinas do currículo, por isso, os departamentos deixam de oferecer matérias optativas. Sem estas matérias, o aluno não obtém créditos suficientes para concluir seus estudos no prazo determinado. Isso ocorre no fim do curso, que é quando as optativas se concentram. Em Geografia, das 46 disciplinas previstas no currículo, 21 estão sem professores; em História – pasmem! – o déficit de professores levou a direção do curso a suspender a oferta de optativas no semestre! Para operar com um mínimo de condições didático-pedagógicas, a faculdade precisaria contratar, de imediato, cerca de 30 profissionais.

“Temos a pior relação professor/aluno de toda a história da USP, perto de 33 estudantes para cada professor; enquanto a média da universidade é por volta de 13 para 1”, diz Francis Henrik Aubert, diretor da FFLCH/USP.

A falta de recursos é a principal dificuldade da USP para substituir os professores aposentados. Essa situação vem se estendendo sem que, politicamente, se encontre uma saída para ela.

A formação do futuro profissional está sendo comprometida. As universidades trabalham com classes superlotadas, apresentando uma estrutura prejudicial à qualidade do ensino. Por falta de professores, os alunos acabam escolhendo uma disciplina que não tem nada a ver com seu curso, só para conseguirem os créditos e terminar o curso mais rápido. Alunos de História, por exemplo, se inscrevem em disciplinas de Letras, porque em História não está sendo oferecida nenhuma optativa. Ainda, oferecem-se menos turmas de cada disciplina e assim nem todos conseguem se matricular, a concorrência aumentando leva à seleção, com criação de pré-requisitos. Há sobrecarga para o professor, que fica com excesso de alunos na sala de aula, acarretando prejuízo pedagógico. Cursos há, como de trabalho de campo, em Geografia, que em geral são 40 alunos por turma, por falta de professor, chega a quase 90. Também em outros cursos, como Letras, Ciências Sociais e História, as salas ficam repletas com 100 e 120 alunos. “Mal dá para discutir. Está tudo precário”, avalia o aluno Pedro Falco, segundanista de Letras.

Nota-se uma lastimável inadequação da universidade às suas necessidades. Ela vem sendo usurpada de sua competência, arcada com problemas produzidos por políticas educacionais desencontradas. Ao poder público compete equipar humana e materialmente a instituição, a criar condições de infra-estrutura para que ela não perca sua eficiência, seu comprometimento com as transformações e as conseqüentes necessidades sociais.

Se abandonada pelos cofres públicos, como esperar que se mantenha no padrão de excelência que sempre a caracterizou? Estará havendo porta aberta para a privatização do melhor ensino superior do Brasil, do ensino que nos honra e nos orgulha? Será esse o caminho desejado pela sociedade brasileira?

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2000)

O TRANSTORNO DA HIPERATIVIDADE NA CRIANÇA

Izabel Sadalla Grispino *

Na segunda década do século XX, houve um forte despertar sobre o estudo da criança. Sua forma de agir, sua evolução psíquica, aspectos fundamentais da personalidade. A cada dia, a ciência, a psicopedagogia, nos enviam recados. Registrei alguns aspectos que devem fazer parte do conhecimento da educação infantil, quer pela família, quer pela escola.

Vejamos o caso de crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), uma doença infantil, conhecida apenas como hiperatividade. É uma doença que causa uma agitação acima do normal, transtornos de aprendizagem, dificuldade de concentração e instabilidade emocional, entre outros sintomas. Os psicólogos a definem como doença neuropsiquiátrica, caracterizada, essencialmente, por distração, inquietação e baixa tolerância à frustração, que, geralmente, vem associada à impulsividade comportamental.

É comum essas crianças apresentarem dificuldades de atenção, percepção, planejamento e organização, além de falhas de comportamento. Essas dificuldades podem causar prejuízos na formulação de sentenças, tarefas que envolvem memória seqüencial, percepção viso-especial, síntese de idéias e coordenação motora.

O psiquiatra Ênio Roberto de Andrade diz que a criança se distrai com tudo, não consegue avaliar o que é mais importante, porque o cérebro trabalha mais lentamente. Ele é o fundador do Ambulatório para TDAH do Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), primeiro ambulatório especializado no Brasil. Nesse serviço, a criança é encaminhada para tratamento, que, geralmente, envolve a administração de medicamentos estimulantes, para que o cérebro volte à atividade normal. “Dependendo do caso, também é indicada terapia individual, familiar ou acompanhamento de um fonoaudiólogo”.

Segundo Dr. Ênio, o TDAH atinge de 3 a 5% da população mundial, de acordo com os estudos internacionais. Acomete, porém, mais em meninos que em meninas. No ambulatório do HC, são nove casos em meninos, contra uma ocorrência no sexo feminino (out. de 2004). Por definição, esse distúrbio aparece por volta dos 7 anos e afeta pelo menos duas outras áreas da vida infantil escolar, como o convívio social e familiar.

Hiperatividade não é uma doença associada à deficiência na inteligência. Há casos de hiperativos com inteligência bem desenvolvida. A principal causa apontada por especialistas é o fator genético. Geralmente, o pai da criança hiperativa também já apresentou a doença. Raramente, o TDAH pode estar relacionado a traumas no sistema nervoso, devido a algum acidente em que a criança tenha sofrido um choque na cabeça. Tabagismo e álcool durante a gravidez aumentam o risco, de duas ou três vezes, de a criança, já propensa, adquirir a doença, diz o Dr. Ênio.

A necessidade de medicamentos deve ser avaliada individualmente por profissionais credenciados, para não produzir efeitos negativos, quando o humor da criança pode vacilar da euforia alegre para um estado de muita tristeza, beirando à depressão. A gravidade também se acentua em escolas despreparadas para lidar com o problema. Escolas que, por desconhecer a doença e a melhor forma de educar essa criança, através de broncas e constantes observações pejorativas, acabam por provocar queda na sua auto-estima.

A escola com atendimento às crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) deve ter uma metodologia especial, professores preparados para lidar com o quadro hiperativo.

Há casos de descontrole emocional da criança, que embora, às vezes, beira ao patológico, geralmente não têm nada a ver com anomalias de comportamento. É o caso da birra, crianças que se jogam no chão aos berros por querer algo que a mãe está negando, seja em casa, numa loja de brinquedos ou na rua. Provoca constrangimentos aos pais, quando a criança grita cada vez mais alto, chora, soluça.

Em muitas situações, a birra é comum e inevitável. Logicamente que há motivações, graus e dimensões diferentes, mas, normalmente, faz parte do processo de desenvolvimento da criança. Dizem os psicólogos que é errado seguir para o lado da avaliação moral, acusando a criança de ser mal-educada. Estamos no domínio do sofrimento psicológico. Não mimar muito a criança, ponderar, dialogar em diversas situações são aconselháveis. A birra expressa o sentimento de impotência perante o adulto, é conseqüência da intolerância. Através da birra é possível avaliar a capacidade da criança para tolerar a contrariedade, até que ponto ela sabe lidar com as frustrações. Quando ajudada a resolver o sentimento frustrante, a birra passa.

A psicologia fala nos primeiros desafios à autoridade, aos 18 meses. Nesse período, a criança é totalmente egocêntrica, não sabe dividir seus pertences, nem seu espaço com ninguém. Não deve ser forçada a dividir, porque ainda ela não entende. É momento para se começar a apresentar alternativas, como trocar um brinquedo por outro, fazer um desenho, ao invés de jogar, mas de uma maneira que não pareça uma substituição. Com um ano e meio, a capacidade de concentração da criança é muito pequena. Diante da birra, não adianta forçar ou colocá-la de castigo, porque ela não entende. O melhor a fazer é explicar o que se faz, o que não se faz e dar o porquê.

Aos dois anos, a criança já entende o que o adulto lhe diz e aos três anos já sabe distinguir o certo do errado. Mas, se a birra continuar, dos três aos cinco anos as estratégias das crianças, para enfrentar os adultos, são intensificadas. Diante da contrariedade, crianças explodem e chegam a bater nos adultos. Tornam-se temperamentais e descontrolam os pais.

Os pais ao ceder fortalecem, na criança, a capacidade da manipulação, afastando-a da capacidade de aceitação, de equilíbrio. A birra pode traduzir situações delicadas que devem ser encaradas com naturalidade e ponderação, ensinando a criança a lidar com o sentimento de frustração.

A hiperatividade e a birra são dois aspectos importantes a serem considerados no desenvolvimento da criança pela Educação Infantil.

O QUADRO ATUAL DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO PAÍS

Izabel Sadalla Grispino *

A Constituição de 1988 e a Nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de dezembro de 1996, rezam que todos têm direito ao ensino fundamental, independente da faixa etária. Dados indicadores do IBGE mostram que estamos nos aproximando da universalização do ensino público fundamental, da faixa dos 7 aos 14 anos. As pesquisas mostram que, aproximadamente, 90% das crianças, nessa faixa etária, freqüentam a escola, contudo, aprendem pouco, com um nível do ensino lastimável.

Porém, na área da educação de jovens e adultos o País se mostra empobrecido, com um longo caminho a percorrer. O resultado do IBGE do início deste ano não é muito animador. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 1999, revela que 13,3% da população, com 15 anos ou mais, é analfabeta. Ainda, pela última contagem populacional do IBGE, de 1996, se tomarmos por critério os anos de escolaridade, esta taxa sobe para 14,4%; são 15,1 milhões de pessoas que nunca freqüentaram a escola ou têm menos de um ano de escolaridade. Situação tida como crítica pelo próprio Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão ligado ao Ministério da Educação e Cultura (MEC).

O Brasil está colocado entre os sete países latino-americanos com taxa de analfabetismo superior a 10%, empatando com a República Dominicana, Bolívia, Honduras, El Salvador, Guatemala e Haiti.

Pelos resultados das pesquisas, nota-se acentuada diferença regional: no Nordeste, 18,4% da população nunca freqüentaram uma escola, ou freqüentaram-na menos de um ano; no Sul, a porcentagem é de 7,1%, quase empatando com o Sudeste, 7,8%.

Ao compararmos os resultados obtidos em 1980, entre o Nordeste com o Sul e o Sudeste, percebe-se um aumento dos desníveis. Em 1980, a taxa de analfabetismo na população nordestina de 15 anos ou mais era 2,8 vezes maior do que a do Sul, entre 45,4% a 16,3%. Em 1996, a diferença aumentou para mais de três vezes.

O número de jovens e adultos no País com grau de formação inferior ao ideal é significativo. Segundo a Contagem Populacional do IBGE de 1996, 21,7% dos jovens de 15 a 19 anos não completaram a 4.ª série do ensino fundamental e 66,7% não haviam completado os oito anos de escolaridade obrigatória. Hoje, com o crescimento das matrículas, o índice deve ter caído. Mas, mesmo assim, calculam os especialistas do MEC, deverá levar uma ou duas gerações para que o quadro melhore. Concluem, também, que a erradicação do analfabetismo no Brasil depende de dois fatores: “da manutenção das crianças e dos jovens na escola em idade adequada e da melhor formação do professor”.

É indispensável melhorar a qualificação do professor, a fim de que ele seja capaz de formar um aluno que saiba aplicar, no dia-a-dia, o que aprendeu na escola, avalia o educador Jamil Cury, relator das “Diretrizes Curriculares para a Educação de Jovens e Adultos”.

Para reduzir a defasagem, o MEC quer ampliar o acesso para a população que abandonou os estudos, aumentando as classes de alfabetização e os cursos supletivos.

O Censo Educacional, divulgado pelo MEC, revela que as matrículas têm aumentado nos dois níveis: fundamental e médio, mas os números absolutos de alunos atendidos ainda são pequenos. Estão inscritos nos cursos de alfabetização 162.974 alunos, quando a demanda, a partir dos 15 anos, gira em torno de 15 milhões de pessoas. Nos supletivos de 5.ª a 8.ª séries, faixa com maior número de matrículas, houve aumento de 9,9% das inscrições entre 1999 e 2000, chegando a 1,2 milhão de estudantes. Apesar dessa melhora, o levantamento do MEC mostra que, ainda, há um grande desafio pela frente.

Quanto à qualidade de ensino da rede pública, nos dados levantados pelo IBGE, constatou-se estar muito distante do que se possa caracterizar como desejável. O atraso escolar em algumas regiões, como no Maranhão, Tocantins e Sergipe, chega a ser trágico. Mesmo na região sul do País, a situação não foi considerada boa, 56,1%, com a menor taxa de atraso, e na região Nordeste, a pior, com 88%.

Ressalva-se o Distrito Federal, que é a região com a menor taxa de analfabetismo no País; apenas 14,9% da população tinha menos de quatro anos de escolaridade em 1999, sendo que a média nacional, no mesmo ano, era de 29,4%. O Distrito Federal tem, ainda, o maior índice de matrícula no ensino fundamental, 98%, à frente de São Paulo e 97% da média nacional.

Uma outra triste realidade, constatada pelo IBGE, é que as crianças entram na escola, mas só uma parte permanece, a maioria acaba retida ou eliminada. Para combater a evasão e a repetência, muitos Estados vêm adotando uma nova política educacional que prevê a “promoção automática”, no ensino fundamental. Contudo esse sistema vem se revelando problemático, porque o nível de ensino, por questões estruturais, passou a piorar.

Constata-se que, por esse sistema de ciclos, os alunos vêm ganhando anos de escolaridade, mas perdendo em qualidade de ensino, saindo da escola, praticamente, semi-analfabetos. Esse sistema, da maneira como se processa, só maqueia a situação.

Diante do quadro exposto, conclua você, prezado leitor, como anda a educação pública de jovens e adultos no nosso Brasil.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2001)

ALUNOS DE DESEMPENHO EXCEPCIONAL

Izabel Sadalla Grispino *

O Brasil tem um atendimento irrisório ao estudante superdotado. Poucos, muito poucos, são os programas de incentivo, criados, quer pelo governo, quer pela iniciativa privada, para alunos com desempenho acima da média.

A lei prevê atendimento especial ao aluno superdotado, mas, no plano oficial, não há programas específicos para esse aluno. Países avançados investem fortemente em cérebros, desenvolvendo e beneficiando aluno e país, que acaba formando profissionais altamente capazes em pesquisa e tecnologia, favorecendo o crescimento de sua economia. Uma nação enfrenta com vantagens a competitividade moderna, quando possui em seus quadros número considerável de bons cientistas, de mão-de-obra qualificada.

A escola precisa mudar o olhar, saber reconhecer jovens talentos e apoiá-los. Investir em programas para capacitar estudantes com altas habilidades. Primar pela caça ao talento no Brasil deve merecer atenção especial, sobretudo, pelo pouco que tem de aproveitamento considerável no padrão acadêmico nos cursos regulares.

Quanto aos superdotados, a psicologia educacional moderna afasta a imagem de gênio. São crianças com habilidades especiais, que devem ser desenvolvidas e incentivadas. São crianças que têm um alto desempenho em uma área, mas não são gênios. São especiais, dotadas, sim, de altas habilidades e que devem ser treinadas, estimuladas a desenvolver, mas que são, antes de mais nada, crianças.

Muitas vezes, os pais percebem que o filho é superdotado e se assustam. Temem que a cobrança comece a ser acima do normal e que a criança comece a se achar mais do que as outras. O medo é comum entre famílias de crianças com altas habilidades e esse tem sido um dos argumentos apontados pelo Ministério da Educação (MEC) para não incentivar a existência de escolas especiais para superdotados. Incentiva a convivência em escolas regulares, o que torna, em grande parte, um desafio a mais para os professores.

O MEC incentiva os Estados a terem programas específicos de identificação de superdotados. Brasília, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul têm centros para isso. Também as prefeituras de Lavras (MG) e Belém do Pará trabalham com crianças superdotadas, usando programas especiais. Brasília treina professores de escolas públicas para identificar crianças com habilidades especiais. A Secretaria de Educação Especial do MEC recomenda ao professor que reconheça e responda à diversidade, acolha as diferentes potencialidades, características e ritmos de aprendizagem.

Até pouco tempo, usava-se apenas o teste de Q.I. para medir o grau de capacidade de um aluno. Hoje, ele é complementado por avaliações psicológicas, que medem as habilidades das crianças em várias áreas. Os testes, quando feitos, revelam, normalmente, no superdotado um Q.I. acima da média. Os testes são a última etapa de uma avaliação que analisa o comportamento da criança, seus interesses, habilidades orais e físicas e também a sua maturidade. Uma criança pode ser ricamente desenvolvida em uma área e nem tanto em outras. Há crianças, por exemplo, extremamente criativas, utilizam-se facilmente das palavras, inventam histórias e jogos, mas podem não ter nenhuma habilidade manual, com uma coordenação motora ruim.

A escola vive um momento importante de mudanças. Sempre trabalhou com o paradigma da igualdade; hoje o paradigma é da inclusão da diversidade. No meu artigo da semana passada eu dizia: “A escola deve valorizar a diversidade, mas valorizar, acima de tudo, a potencialidade do aluno”. Valorizando as potencialidades, ela estará valorizando as individualidades em suas diversidades.

O superdotado é um aluno dotado de altas habilidades numa determinada área, um aluno que se destaca, de alguma forma, do seu grupo. O professor percebe o superdotado quando o aluno apresenta habilidades acima da média, quando tem criatividade e, principalmente, persistência. Se o interesse do aluno é apenas de momentos, se não permanece, se não persiste, não se trata de um superdotado. A Associação Brasileira para Superdotados aponta que “as crianças superdotadas costumam ser bastante persistentes na busca por mais informações sobre assuntos que lhes interessam. Chegam a ser “chatas” de tanto que perguntam. Têm senso de humor e também senso de justiça, reagem positivamente a novos elementos e costumam ter idéias variadas sobre um mesmo assunto”.

Entre as habilidades da criança superdotada está a facilidade para aprender coisas novas, compreender uma explicação e uma memória privilegiada. Sua velocidade de aprendizagem é bem maior. A regra é passar tarefa extra porque o aluno termina antes e acaba atrapalhando a aula. Um dos recursos é pedir ao aluno que ajude os colegas nas tarefas da classe.

O aluno superdotado precisa de atividades que vão além da sala de aula, como desenvolver projetos. Programas específicos devem ser preparados, incentivando as habilidades especiais e acalmando sua inquietação. Programas que remanejam os melhores alunos para classes mais adiantadas, que conduzam os alunos do ensino médio a uma universidade para cursar aulas nos fins-de-semana, como ocorre em muitos países avançados.

Além das salas regulares, das aulas regulares, deve haver a sala de recursos, que complementa as atividades, onde o aluno tem meios e oportunidades de desenvolver as habilidades, de pesquisar, de exercer a criatividade. Levar o aluno fora do período normal a freqüentar outros grupos, dar formas de acesso a uma escola de pintura, de música, de dança etc., de acordo com seus interesses, é outro comportamento recomendado. Acima de tudo, a escola deve ensinar esse aluno a desenvolver as próprias habilidades.

A APRENDIZAGEM EM BASES CIENTÍFICAS

Izabel Sadalla Grispino *

A Educação Infantil é uma preocupação mundial. Educar a criança é o ponto de partida para a transformação social, para se construir um mundo de valores, os quais se diluem diante de nossos olhos. Se a criança é o adulto de amanhã, como será esse adulto sem uma base de sustentação montada na infância? Base sem consistência, edifício desmoronado!

Por essa razão, cerca-se o estudo do desenvolvimento infantil de todas as áreas: pedagógica, psicológica e científica. A escola não pode parar no conhecimento, tem que avançar, caminhar par a par com as descobertas que vêm surgindo e, com elas, reformular-se.

Até ontem, acreditava-se que os alunos lentos na aprendizagem, com certa dificuldade de adquirir o conhecimento, eram somente produtos de uma situação de pobreza, de problemas familiares, de falta de prontidão. Hoje, com as descobertas da ciência, certifica-se que a causa pode ser genética e como tal pode e deve ser tratada. Esta foi a declaração dada à TV britânica, em março de 2003, por James Watson, um dos dois cientistas que descobriram a estrutura do DNA, há 50 anos, conquista que lhe valeu o Prêmio Nobel de Medicina em 1962. Nessa declaração, o cientista afirma que “a burrice é uma doença genética que deveria ser tratada”. “As pessoas burras, continua ele, ou com coeficiente intelectual baixo, que não têm um transtorno mental diagnosticado, sofrem de uma desordem transmitida de forma hereditária pelos genes, como ocorre com doenças como a fibrose cística ou a hemofilia”. “Se alguém é realmente burro, chamaria isso doença”, reforça esse renomado professor, grande  impulsionador  do Projeto Genoma Humano, a iniciativa internacional para decifrar o chamado mapa da vida.

James Watson conclama ao uso da engenharia genética para melhorar a raça humana. Pede aos cientistas que desenvolvam tratamentos genéticos, que façam exames pré-natais para prevenir o nascimento de crianças burras. “É injusto que as pessoas não tenham as mesmas oportunidades (de ser inteligentes). Uma vez que se dispõe de métodos para melhorar nossas crianças, ninguém pode evitar sua aplicação. Seria “burro” não usá-los”, defendeu Watson.

Um outro aspecto, agora vindo da psicologia infantil, a ser observado pelos educadores e de fundamental importância para o desenvolvimento da personalidade, é a solidão na infância. A dificuldade de socialização, quando a criança não faz amizades e se acostuma ao isolamento, significa que algo está errado; é o momento de se buscar ajuda.

A dificuldade de se relacionar com outras crianças é mais evidente na escola, onde se aprende a arte da convivência. Esse comportamento, revela-nos a psicologia, pode ser sintoma de que ela está passando por algum problema, como, por exemplo, a separação dos pais, a falta de atenção, de carinho, a baixa auto-estima.

No ambiente microssocial que é a escola, é muito importante o professor não se limitar à sala de aula. Observar o aluno no recreio, nas horas de lazer, se ele se afasta, se não se achega aos coleguinhas e comunicar-se com os pais. Manter com os pais cumplicidade, facilitando o diagnóstico do problema e a busca de solução. As crianças que se isolam na hora do recreio, que têm dificuldades de fazer amiguinhos, mostram sério sintoma.

O professor deve incentivar o relacionamento dessa criança com seus coleguinhas e os pais devem brincar mais com esse filho, convidar outras crianças para brincar  com ele  em casa.  Os pais devem buscar espaços onde haja mais crianças e estimular atividades coletivas. Não resolve, por exemplo, levar a criança ao shopping, onde há muita criança, mas sem interação entre elas. Os psicólogos chamam a atenção para a terapia infantil, chamada ludoterapia, considerada importante no caso de crianças com dificuldade de relacionamento.

Os psicólogos dão uma relação de motivos do isolamento infantil:

  • Muito convívio com adultos ou dedicação a atividades solitárias, como videogame, TV, computador. O que fazer? Os pais devem incentivar o convívio com outras crianças e as escolas programar atividades em conjunto.
  • Quando a criança tem gostos e características diferentes da maioria, quando tem maior sensibilidade, ou preferência pela leitura, deve-se ajudar essa criança a encontrar amigos que compartilhem dos mesmos prazeres.
  • Uma séria causa de isolamento e de outros comportamentos anti-sociais é quando a criança está enfrentando problemas familiares, discórdia entre seus membros. Ocasião em que toda a família deve procurar terapia, parar para reflexão, porque o que se constata é que a violência sai das ruas e invade os lares das mais variadas formas.

A sociedade passa por transformações num ritmo intenso, mudando valores morais, sociais, religiosos e a família se ressente da mudança, gerando conflitos. Um mundo novo se descortina e as pessoas não estão sabendo bem como agir. Antes, contava-se com fórmulas mais exatas, com respostas que se programavam, com modelos que se seguiam. Agora, passa-se por alternâncias de desconstrução/reconstrução, sem um guia seguro. Tem-se que enfrentar novos desafios, fazer escolhas num terreno em que não se está preparado. Os parâmetros fixos que orientavam as pessoas não existem mais.

O aprender a conviver com o novo repercute na  família,  de  modo a provocar instabilidade, insegurança. A criança absorve o ambiente conturbado e passa a ter problemas emocionais, viés de comportamento. Os problemas familiares são abrangentes e as causas da desestabilização da criança estão embutidas nas atitudes dos adultos.

O professor alcança a aprendizagem de todos os seus alunos quando se torna um profissional interessado, participativo de suas vidas, não se contentando com a posição de mero espectador. Ele não pode, inclusive, prescindir da educação continuada. Novas descobertas, novas pesquisas, novas avaliações surgem e é preciso acompanhá-las, para introduzi-las em seus métodos de trabalho, colocando-os dentro da modernidade, ajudando o aluno.

* Supervisora de ensino aposentada.

(Publicado em setembro/2003)

ALCA DO ENSINO SUPERIOR

Izabel Sadalla Grispino *

Os avanços tecnológicos ocorrem de maneira vertiginosa. É praticamente impossível prever-se as próximas evoluções. Não se pode mais trabalhar isoladamente e a integração de forças, em busca do novo, do conhecimento atualizado é pensado e desejado indistintamente, não importa em que setor da atividade humana.

Cogita-se de que num futuro breve, 10 ou 15 anos, as universidades serão “uma só”, interligadas pela internet. Pode-se, por exemplo, estando no Brasil fazer um curso na Universidade do México ou de Portugal e, estando lá, fazer disciplinas aqui. Apoiado nessa visão, o ministro da Educação, Cristovam Buarque, propôs a embaixadores da América Latina, de Portugal e da Espanha, durante um encontro realizado em junho de 2003, criar a “Alca do Ensino Superior”. Ele defende um projeto comum de universidade na América Latina.

O ministro lança a idéia de que, em vez de integração só por meio do comércio, os parceiros do Mercosul e da Alca desenvolvam meios para integrar as universidades. “Fala-se na Alca do comércio, mas não se fala da Alca do ensino superior”, frisou o ministro, e marcou um novo encontro, para discutir o assunto. O seu grande desejo é que se construa, ao lado do Mercosul da economia, a “Universidade Sul”, analisando ser mais fácil a criação dessa universidade que a unificação comercial, porque as contradições são menores.

Uma universidade em conjunto não tiraria as especificidades locais, só ampliaria a visão de mundo, daria amplitude ao conhecimento, aumentando possibilidades de aperfeiçoamento e intercâmbio cultura e profissional.

Hoje, estamos aqui, mas presos ao mundo, antenados numa rede mundial de conhecimento e acontecimento, que nos mostra que é preciso avançar, alargar as perspectivas, para se situar no mundo globalizado.

2004 bate à nossa porta. Que haja um pacto para a evolução do conhecimento científico, mas que 2004 consiga, também, um pacto para a cultura humanística. Só esta, abraçando a espiritualidade, educando a mente e a alma para o amor, poderá conseguir o que a ciência até hoje não conseguiu, reverter os caminhos sombrios da violência, da guerra, os caminhos mortíferos das drogas, aniquilando nossos jovens, anulando a revolução tecnológica, zerando a esperança de vida. A decadência do sentido moral na sociedade, acarretando perdas de valores, evidencia-se mais e mais, numa conseqüência desastrosa para a vida humana. Os lares brasileiros hospedam, hoje, o desassossego, a inquietação, o medo. Já diziam os antigos filósofos gregos: “A alma de toda cultura é a cultura da própria alma”. Cultura que faz chegar a Deus e modificar o interior do homem.

Na luz da alma, a paz universal; na luz do amor, a semente e a preservação da vida. Um feliz Ano Novo a todos vocês, prezados leitores, com votos de saúde, paz e prosperidade. Minhas reflexões, na poesia abaixo:

ANO  DE  2004

Fim de ano, balanço de atividades,
Para uns, 2003 foi auspicioso, um ano de realizações,
Para outros, transcorreu na normalidade,
E para outros, ainda, foi marcado de dor, de desolação,
Na minha família, aconteceu uma perda muito sentida,
Apagou-se a luz da vida de uma pessoa querida.

2004 inicia-se sem o Jorge, um amado irmão,
Inicia-se triste, por essa sua ausência,
Sua vida produtiva, porém, não foi em vão,
Deixou um legado de ensinamentos, de experiências,
Que englobamos em nossa caminhada,
E nos ajudam a transpor os percalços da jornada.

Neste raiar de ano, nos exaltamos e choramos,
Exaltamos, pedindo a Deus uma era de paz à humanidade,
Que haja mais amor entre os homens, suplicamos,
Que façam profissão de fé na luta pela desigualdade,
A luz do sol é farta, nasce para todos,
Por que não dividi-la, afastando caminhos rotos?

Choramos pela ausência dos nossos saudosos entes,
Só as lágrimas lavam a alma da dor,
A herança recebida engrossa a corrente,
A vida segue em frente, avança sem retrovisor,
Que 2004 injete a vacina da caridade,
Caminho por onde transita a felicidade.

A flor carrega, em suas pétalas coloridas,
O gérmen da semente que lhe deu origem,
Assim, o homem leva, dentro de si, por toda a vida,
Um pouco de sua infância, sua fase virgem;
Somos os grãos humanos reprodutores da existência,
Somente dentro de nós, a ética da vida, sua consciência!

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2003)

PRÓS E CONTRAS A RESPEITO DA INFORMÁTICA EDUCACIONAL

Izabel Sadalla Grispino *

 

Temos nos artigos anteriores falado sobre novas tecnologias aplicadas ao ensino-aprendizagem. A tendência de informatizar o ensino, desde os primeiros passos, vem crescendo na metodologia escolar. Crianças que aprendem a ler e a fazer as primeiras contas com o apoio de softwares educativos e, já na fase inicial do ensino fundamental, preparam trabalhos pesquisando na internet. Essas crianças estudam e divertem-se e dizem gostar mais dos computadores que dos livros.

Contudo, há pedagogos e professores que discutem o uso da informática para crianças das primeiras séries. Tentam avaliar o uso do computador nessa fase de ensino para saber se ajuda ou não a aprendizagem. Alguns afirmam, categoricamente, que não ajudam, como a pesquisadora da educação, a canadense Alison Armstrong, que esteve na cidade de São Paulo, no início de maio deste ano, na abertura do IX Congresso Internacional de Educação.

Ela é autora do livro “A criança e a máquina” – como os computadores colocam a formação de nossos filhos em risco. Diz: “Não há nenhuma pesquisa que indique concretamente que a informática aplicada nas primeiras séries ajuda no rendimento das crianças”. “O que há é muita propaganda das empresas de informática, muito entusiasmo por parte de pais e professores, muito dinheiro empregado, mas nenhum dado científico respaldando esse esforço”, arremata ela. Alison cita uma pesquisa feita pelo Educational Testing Service, de New Jersey, que analisou dados de um levantamento nacional sobre o desenvolvimento educacional em matemática nos EUA e que chegou à conclusão de que o uso freqüente de computadores leva a um efeito negativo nas notas da matéria dos alunos que cursam até o equivalente à 3.ª série. Acrescentou: “No Canadá, a mais famosa experiência de informática na educação não conseguiu tampouco levantar evidências de que os computadores melhoram a educação das crianças pequenas”.

Há outros pronunciamentos dizendo que só se podem medir os efeitos, no rendimento dos alunos com acesso aos computadores nas escolas, após um prazo de 6 ou 7 anos. Mas, uma grande maioria é adepta à informatização precoce. A doutora em Educação Andrea Cecília Ramal defende o uso da informática antes mesmo da fase de alfabetização. É autora do livro “Educação na Cibercultura” – Hipertextualidade, Leitura, Escrita e Aprendizagem. Cito algumas de suas frases: “Um dos elementos de ouro da internet para a educação é o hipertexto. O texto linear tem uma estrutura, já é pré-definidio, enquanto que no hipertexto as crianças definem os seus próprios caminhos e fazem conexões como diversos assuntos”. “Há programas para crianças de 5 anos, que as ajudam a fazer relações mentais e cognitivas, que normalmente só fariam mais tarde, quando estivessem alfabetizadas”. “A geração da cibercultura vem absorvendo, com a internet, um novo paradigma mental, que no futuro fará, dessas crianças, adultos com maior capacidade de aprender por si mesmas e de participar”.

Não está sendo fácil conduzir o professor a essas inovações. Uma pesquisa da Apple Computer concluiu que os professores levam de 5 a 6 anos para mudar seus métodos de trabalho, até conseguirem usar o computador de forma a beneficiar os alunos. Professores, porém, que já se adaptaram à máquina, opinam favoravelmente ao seu uso, consideram mais fácil colocar na cabeça dos alunos questões de química, física ou matemática, fazendo simulações no computador. O computador facilita a aprendizagem, dizem eles. A escola aproveita o conhecimentos dos alunos em tecnologia – hoje, eles estão rodeados pela informática – envolvendo-os com mais interesse na aprendizagem das matérias. “Eles contam os minutos para ir ao laboratório de informática e ficam mais motivados”, constata a professora M. Cecília Olivieri, do Colégio Amália Franco.

Na verdade, as escolas, para se adequarem ao mercado de trabalho, estão investindo cada vez mais em tecnologia, aprimorando o aprendizado. A internet ajuda a criar ambientes de aprendizagem por meio da educação a distância e tem sido grande aliada nos trabalhos feitos em casa pelos alunos. As grandes escolas particulares já contam com laboratórios de informática.

Há quem ainda ache que o uso do computador e recursos multimídias levam o aluno para longe do livro, mas é quase unanimidade, por parte dos professores, de que o uso da tecnologia só tem a acrescentar e a facilitar o entendimento das disciplinas.

O questionamento sobre o uso do computador, nos primeiros anos escolares, leva escolas a não utilizarem, nas séries iniciais, a chamada informática educativa. Prioriza, para esse período, no projeto pedagógico, as relações humanas, uma aprendizagem mais aberta, mais de contato com os colegas e com os professores, na linha da canadense Alison Armstrong.

Escolas que definem seu projeto pedagógico, tendo o computador como suporte, precisam estar bem preparadas para que haja um bom uso da tecnologia. Isso vai exigir-lhe um grande investimento, manter um corpo docente bem informado, com domínio da máquina. Investimento em compras, em manutenção, em móveis ergonômicos e investimentos, de igual monta, em treinamento de professores.

Temos, hoje, empresas que atuam no desenvolvimento de programas de ensino, por meio da internet. Desenvolvem estudos em tecnologia, para facilitar o aprendizado nas escolas, preparando profissionais da educação para o uso da informática.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2002)

EXAME NACIONAL DE CERTIFICAÇÃO DE PROFESSORES

Izabel Sadalla Grispino *

O Ministério da Educação e Cultura (MEC), implementando a cultura de avaliação, lança a proposição, que, se confirmada e estendida a todo magistério, poderá reverter em real benefício à educação, no sentido de trazer a tão desejada melhoria da qualidade do ensino. Trata-se do Exame Nacional de Certificação de Professores da Educação Básica, no qual, em calendário já determinado, janeiro e fevereiro de 2004, os professores da 1.ª à 4.ª série do ensino fundamental serão submetidos a teste de avaliação de seu desempenho profissional.

O Ministério, por essa linha de conduta, abraça um procedimento concreto, capaz de atingir uma suculenta raiz do fracasso do ensino público, qual seja, a precária formação docente. Pelo encaminhamento desse Exame, conforme especifico abaixo, o professor será estimulado a uma atualização e reforço do conhecimento, numa seqüência que abarga um caráter permanente da educação. O MEC fala em uma rede de formação continuada, com apoio de universidades, para atingir o aperfeiçoamento profissional.

A participação dos professores será voluntária e os que participarem e forem aprovados receberão do Ministério da Educação uma bolsa mensal no valor de R$ 100,00. Segundo o anunciado, a partir de 2005, todos os formandos de cursos de licenciatura deverão passar pelo Exame Nacional de Certificação para a obtenção do diploma. Renata Braga Santos, chefe do gabinete da Secretaria do Ensino Fundamental do MEC, pronunciou-se dizendo que “todos os aprovados terão um documento do Estado brasileiro atestando sua qualidade diferenciada”.

O abono mensal de R$ 100,00, embora de pouca monta, não deixa de ser um atrativo na adesão ao Exame para um profissional que ganha pouco,  e a estimativa inicial do MEC é que 40% dos docentes, cerca de 500 mil  professores, compareçam à primeira prova. A  aprovação  do  professor  ao  teste  dar-lhe-á  gabarito, auto-estima, atributos perdidos nos últimos anos. A proposta do MEC é que o certificado obtido nesse exame tenha validade por 5 anos e a nota seja utilizada como critério em processos seletivos e de promoção no magistério.

A adesão do magistério ao Exame é um grande passo no caminho da escola renovada, capitaneada por profissionais qualificados. É uma pedra enfincada no alicerce do saber, o único verdadeiramente capaz de formar um aluno competente, premiá-lo com um ensino de qualidade. Esse processo traz esperança de que o penoso resultado das pesquisas do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), referente ao ano 2001, venha, a médio e longo prazo, trazer alento ao falido sistema educacional vigente. Essas pesquisas mostraram que cerca de 1 milhão de alunos (980 mil) da 4.ª série não sabe ler e mais de 1,6 milhão são apenas capazes de ler frases simples. Os alunos da 4.ª série, na grande maioria, não adquiriram competências básicas de leitura.

O Exame Nacional de Certificação de Professores da Educação Básica, se acompanhado de outros reforços educacionais, principalmente de um significativo aumento de salário dos professores, da diminuição de alunos por classe, poderá trazer de volta o nível das antigas escolas públicas dos idos anos 30 a 60. O número elevado de alunos em sala de aula prejudica, sobremaneira, a atuação didática do docente, dificulta a interação professor/aluno, centro irradiador de todo processo de ensino-aprendizagem.

A iniciativa do Ministério da Educação (MEC) de se implantar formas de avaliação do trabalho docente, reforçando a cultura da avaliação, mostra que o ponto mais nevrálgico da educação brasileira está sendo tocado. O analfabetismo é um dos nossos problemas sérios, quer o absoluto, quer o funcional. O MEC divulgou, recentemente, que a cada ano cerca de 1 milhão de pessoas é alfabetizada sem nenhuma participação do poder público, com o esforço de entidades não-governamentais, igrejas e instituições, com eficiência de difícil mensuração.

Por sua vez, o ministro Cristovam Buarque entregou ao Senado um resumo dos dados sobre a situação na educação básica do País. Mais de 15 milhões de brasileiros com mais de 15 anos são analfabetos; 2,2 milhões de jovens entre 14 e 17 anos estão fora da escola; 57% das crianças com 10 anos não sabem ler e 34% lêem, mas não conseguem interpretar o texto; 52% dos alunos da 4.ª série não têm noções elementares de matemática; 30% dos alunos têm idade superior à adequada para a série que cursam; 41% dos alunos abandonam a escola.

A este quadro preocupante, acresce-se o resultado do campeonato mundial da ciência em que o Brasil aparece colocado na segunda divisão, afastando-se da divisão especial onde estão, entre outros, Estados Unidos, Alemanha, Grã-Bretanha e Coréia do Sul. O pesquisador Antonio Carlos Martins de Camargo, professor titular de farmacologia da USP, desabafou, dizendo: “Não temos uma cultura de que conhecimento gera riqueza. Aqui, conhecimento só gera conhecimento”.

Ainda temos muito o que fazer para mudar a mentalidade reinante, na compreensão de que não há crescimento sem investir na educação, no aperfeiçoamento da ciência, da tecnologia.

Vamos torcer para que o governo consiga erradicar o analfabetismo, implantar a “escola ideal”, conforme palavras do ministro, escola onde o aluno receba um ensino de qualidade, através de um profissional competente, atualizado. A formação do professor tem estreita relação com o aproveitamento escolar do aluno.

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em julho/2003)

O ENTENDIMENTO QUE DEVE SER ALCANÇADO

Izabel Sadalla Grispino *

O nosso sistema de ensino, no grau debilitado em que se encontra, vem minando a estabilidade e o desenvolvimento futuro do País. A falta de conhecimento da população está diretamente ligada à desordem social.

Que sociedade teremos, daqui a alguns anos, se nossas crianças não conseguem aprender? Enfrentar o fracasso de nossas escolas requer uma análise profunda das falhas de estrutura e incentivos ao sistema. Pensa-se, hoje, numa ação conjunta, integrada de todos os Estados e municípios.

As universidades e institutos de pedagogia preparam mal o professor para o exercício em sala de aula. Ainda, observa-se pouco interesse na solução de problemas sistêmicos do ensino público. O sistema tem negligenciado os resultados acadêmicos, voltando-se mais aos benefícios de infra-estrutura que do produto de seu ensino, levando os nossos jovens ao analfabetismo e a nação à pobreza.

Desenvolver capacidades institucionais, nos diversos domínios da educação escolar, vem alcançando o entendimento geral, a fim de viabilizar soluções de ordem pedagógica e da desordem crônica das escolas.

Uma consistente reforma educacional deve ser providenciada se quisermos salvar nossos jovens do analfabetismo e a não da pobreza. A coisa é mais preocupante do que se apresenta. Entram em jogo o desenvolvimento econômico, a desordem social, gerando violência e perturbações de toda ordem.

Na constatação de que a baixa escolaridade – o jovem, em média, tem 8,5 anos de estudo – é entrave ao desenvolvimento, o Banco Mundial (Bird) apresenta um trabalho em que demonstra o tamanho do estrago que ela traz ao social e ao sistema econômico. Apresenta um relatório “Jovem em situação de risco no Brasil”, divulgado em 25 de julho p.p., mostrando que os custos para o País são muito mais amplos: violência, aids, gravidez precoce, desemprego, abuso de drogas e álcool. Custos não só em despesas diretas do País, quanto no que esse jovem deixará de produzir para si e para o País.

O Banco Mundial conclui que o Produto Interno Bruto (PIB) deixa de crescer meio ponto percentual por ano, porque um grande contingente de jovens não consegue terminar a escola, não consegue aprender. Essa porcentagem, explica o Banco, significa que em uma geração (30 ou 40 anos, neste caso) o Brasil deixa de ganhar R$ 300 bilhões, o equivalente a 16% do Produto Interno Bruto.

O Banco conclui que “a baixa acumulação de capital humano permite antecipar uma futura geração que não será competitiva nem na região, nem no mundo”. Mostra que o número de jovens, que chega ao ensino superior no Brasil, é o menor da América Latina. A pobreza, aliada à incompetência escolar, faz com que todos os demais riscos aumentem.

Assim, uma nova escola deverá surgir, na conscientização da boa educação a ser dada aos jovens, a essa parcela da população mais importante do processo de desenvolvimento do País. Se se conseguir avançar nessa direção, os demais problemas decorrentes serão amenizados.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em agosto/2007)

A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

ANALFABETISMO E DESNUTRIÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Em dezembro de 2002, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou as Estatísticas do Registro Civil, mostrando que entre 1990 e 2001 a taxa de mortalidade infantil diminuiu. Em 1991, os óbitos de crianças menores de 1 ano correspondiam a 11,2% do total de falecimentos registrados. Em 2000, caiu para 6,02%.

Pelo último Censo do IBGE, em 1991, para cada mil crianças nascidas vivas, 45,3 morriam antes de completar 1 ano de vida. Em 2000, esse índice, segundo o Censo, era de 29,6 óbitos para cada mil nascimentos.

Esse decréscimo poderia ter sido bem mais significativo. Quase 30 óbitos para cada mil nascimentos é um índice muito alto, quando comparado, nas mesmas condições, com os de países latino-americanos, como, por exemplo, o Chile, com 10,3.

Um fator positivo a ser considerado é a queda da mortalidade infantil ocorrida em regiões pobres do Nordeste. Em 1991, a proporção de menores de 1 ano no total de óbitos da região era de 14%. Em 2000, esse índice recuou para 6%.

Investir na melhoria das condições de vida das crianças, dos pais, criar planos de assistência básica, de incentivos à educação, são caminhos para a desnutrição. Uma pesquisa feita pela Pastoral da Criança da Igreja Católica, divulgada em 10 de dezembro de 2002, aponta como uma das principais causas da desnutrição infantil no País o analfabetismo das mães.

Estudo do IBGE – “Evolução e Perspectiva da Mortalidade Infantil no Brasil” – mostra que a maior escolaridade, entre as mulheres, é fator preponderante na saúde das crianças. Cada ano a mais de escolaridade média, entre elas, reduz em 15% o índice de mortalidade infantil. Esse estudo veio comprovar a correlação entre analfabetismo e falta de obediência às prescrições dadas pelos médicos às mães, também durante a gravidez.

A pesquisa da Pastoral da Criança – Saúde e Nutrição Infantil em Áreas Pobres do Norte e Nordeste do Brasil – abrangeu 1.528 crianças de zero a 5 anos, em três mil domicílios de 18 áreas rurais e urbanas. Foi feita em nove municípios tirados de uma lista de 32 com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), do Brasil.

Dentre as crianças pesquisadas, 8% apresentaram grau de desnutrição de moderado a grave, por estar abaixo do peso, e 16% eram portadoras de desnutrição crônica. Os pesquisadores encontraram 37,2% das mães e 45,9% dos pais analfabetos, sendo que apenas 35,6% das mães freqüentaram a escola de um a três anos.

A maioria das mães respondeu corretamente que o leite materno é um inibidor de doenças infecciosas em crianças de até 6 meses de vida, mas a maior parte confirmou que deu água (81,6%), chás (73,2%), sucos (73,2%) e leite em pó (50,2%) no primeiro mês de vida. Foi alto o índice de crianças alcançado pelo esquema de vacinação de massa (85%). A falta de alfabetização da mãe é fator forte para desnutrição, conclui o estudo.

Há uma opinião generalizada de que educação é a primeira necessidade do homem, depois do pão. Porém, como vimos, a educação vem junto ao pão, caminham paralelamente, concepção fortemente referendada por pesquisas científicas.

Sentimos a importância da educação na solução dos sérios problemas brasileiros. As políticas sociais têm relação com a educação. A educação é o elo que integra todos os programas, quer sociais, quer governamentais, não importando em que área.

Os dados do IBGE apontam o analfabetismo como entrave à reversão da mortalidade infantil. A Pastoral da Criança propõe ao governo Lula combate reforçado ao analfabetismo.

O combate ao analfabetismo deve ser uma séria prioridade governamental. Estudo divulgado pelo Inep – Mapa do Analfabetismo no Brasil – apresenta um panorama da educação de todos os municípios brasileiros. Esse estudo reúne indicadores produzidos em 2000 pelo IBGE, pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Paud) e pelo Inep. Revela que o Brasil possui cerca de 16 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais e 30 milhões de analfabetos funcionais, pessoas que têm menos de 4 anos de estudo. O mapa do analfabetismo fornece informações para reflexão, subsidiando a formulação de políticas públicas e privadas na área da educação.

Para tentar erradicar o analfabetismo, no período de 4 anos, o Brasil precisaria de cerca de 200 mil alfabetizadores. Os analistas do sistema educacional consideram um número, que embora alto, não é inviável, principalmente pelo fato de as matrículas de 1.ª à 4.ª série no ensino fundamental estarem em queda, vagando salas e professores.

Um fator que merece preocupação é a capacitação do alfabetizador e a formulação de programas de qualidade. Como lembra Paulo Freire, alfabetizar não é apenas ensinar o b, a, bá, é dar ao alfabetizando uma visão de mundo, fazê-lo alcançar uma interpretação crítica dos fatos, desenvolver uma consciência pessoal e social.

A improvisação, em educação, só gera fracasso. O que se nota, no Brasil como um todo, é um baixo desempenho do sistema escolar, especialmente das camadas pobres da população, onde o analfabetismo chega a ser 20 vezes maior. Em apenas 19 municípios brasileiros, a população possui mais de 8 anos de estudo, um índice que corresponde às 8 séries do ensino fundamental. Em outros 1.796 municípios do País, a escolarização média da população é inferior a 4 séries concluídas. Quadro realmente preocupante!

* Supervisora de ensino aposentada.            
(Publicado em junho/2003)

CURIOSIDADES NA APRENDIZAGEM ESCOLAR

Izabel Sadalla Grispino *

O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), das 43 nações que participaram do exame em 2003, revelou que os meninos se saem melhor em matemática que as meninas. Dentre os países analisados, a única exceção ficou com a Finlândia, onde as meninas tiveram um melhor desempenho. O Brasil, lastimavelmente, obteve o pior resultado de todos os países na disciplina matemática. As meninas fizeram 348 pontos e os meninos 365. A avaliação adotou uma escala que pode passar de 660 pontos. Leitura, embora não tenha sido o foco principal, também foi avaliada. Agora, inverteu-se a posição: em todos os países, as meninas foram melhores, ficaram à frente.

Esse resultado confere com as observações escolares, das instituições de ensino, comprovando a superioridade masculina na matemática e a feminina na leitura. A consultora para o Pisa, na área de matemática, acredita que brincadeiras e afazeres de meninos e meninas na infância podem contribuir para essas diferenças. As meninas, geralmente, ainda assumem tarefas domésticas, cuidam dos irmãos. Os meninos saem mais de casa, jogam futebol e têm uma relação maior com espaço e forma. A área em que as meninas se saem melhor é a chamada quantidade, em que estão mais presentes informações da vida cotidiana. O Pisa constatou que elas conseguem melhor resultado em soluções de problemas que não estão ligados diretamente à disciplina de matemática, como taxas de câmbio e preços.

Essas observações, de cunho cultural e social, podem ajudar a escola a melhorar o contexto da disciplina e desenvolver o interesse e a confiança das meninas em matemática.

Há especialistas em neuropediatria, como o Dr. Luiz C. Vilanova, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que fala haver diferença no mecanismo de dominância cerebral de homens e mulheres. O predomínio do hemisfério esquerdo do cérebro – ligado à lógica, aos códigos – é maior no sexo masculino, que passa a ter mais noções espaciais. Pode ocorrer também no sexo feminino, mas em freqüência menor. Nesse sexo, há uma significativa influência no hemisfério direito, que é o da intuição, razão pela qual, na área da linguagem, as meninas levam vantagem.

Há predominância, não exclusividade, havendo mulheres que se dão bem em matemática e homens, em linguagem. O Pisa 2003 mostrou que os meninos fizeram 11 pontos a mais que as meninas nas provas de matemática, em todos os países; e fizeram 34 pontos a menos que as meninas, na área de leitura.

Em matemática, 16,9% estão nos níveis 5 e 6 de proficiência, os 2 mais altos. Eles somam 12,4% nesses níveis. O exame de matemática do Pisa é dividido em 4 áreas. A que é chamada de espaço e forma e com questões de geometria, raciocínio espacial e modelos bi e tridimensionais  registra as maiores diferenças a favor dos meninos.

A pontuação geral dos jovens brasileiros foi de 356, o que deixou o País abaixo do nível 1 de proficiência, o mais baixo. Isso quer dizer que eles não são capazes de compreender conceitos básicos ou calcular resultados combinatórios em uma situação limitada e bem definida. Para o MEC, a defasagem idade/série prejudicou os brasileiros. No Brasil, muitos alunos de 15 anos não estão no 1.º ano do ensino médio, como seria o correto, e sim na 7.ª ou 8.ª série, não  tendo, dessa forma, aprendido muitos conceitos pedidos nos exames. Os mais bem posicionados do ranking foram Finlândia e Hong Kong, que ficaram no nível 4, com cerca de 500 pontos.

Do ponto de vista social, o menino é canalizado para a individualização, baseado no afastamento. As meninas para o apego e verbalização, por isso têm mais facilidade nas comunicações. A sugestão de especialistas é de que melhores práticas educativas, principalmente das famílias, podem mudar essa situação. As diferenças inatas ente os gêneros, conforme fala a ciência, devem despertar na metodologia escolar caminhos criativos, situações de aprendizagem que incentivem a superação de dificuldades.

Do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) participam países-membros e convidados. São avaliados meninos e meninas de 15 anos de escolas públicas e particulares. A avaliação é feita a cada 3 anos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômicos (OCDE). A cada ano, o Pisa dá ênfase a uma área do conhecimento. Em 2000, foi leitura, em 2003, matemática, em 2006, será ciências e, em 2009, leitura novamente. As questões abordam resolução de problemas. A maior parte delas – 72% – é dissertativa e o restante de múltipla escolha. Os resultados se prendem à pontuação do total de alunos de cada país, classificado em níveis de proficiência, que vão de 1 (mais baixo) ao 6.

*Supervisora de ensino aposentada
(Publicado em dezembro/2005)

UM ENFOQUE DA EDUCAÇÃO DE RIBEIRÃO PRETO NO PERCURSO DE SEUS 150 ANOS

Izabel Sadalla Grispino *

A escola pública em Ribeirão Preto teve em seus primórdios, como em todo o País, um início lento, desarticulado. Contudo, no início do século XX, surgiam escolas estaduais, como a E.E. Dr. Guimarães Júnior, em 1905, e, em 1907, a conceituada E.E. Otoniel Motta, seguida da E.E. Dr. Fábio Barreto. Essas escolas, desde o seu início, primavam por uma educação de qualidade. Otoniel Motta foi celeiro de professores de alta categoria.

Escolas particulares, renomadas até hoje, complementavam a educação dos jovens da época, como o Instituto Santa Úrsula, Nossa Senhora Auxiliadora, Metodista, Marista e outras.

Todas adotavam um ensino baseado na linha cartesiana, que ostentava bandeiras com lemas da elitizada escola da disciplina, austeridade, honra e excelência. Eram escolas que respondiam favoravelmente à sua clientela, seleta, oriunda de classes abastadas, dominantes, que aspiravam ao ingresso nas universidades, quer do País, quer da Europa.

Até a década de 70, Ribeirão irradiava conhecimento, era modelo de ensino público para toda a região, uma ilha de excelência. Depois, gradativamente, essa educação pública de qualidade foi cedendo lugar a uma educação ineficiente, Hoje, Ribeirão se faz representar, em termos de boa educação, por escolas particulares, tendo algumas, as mais consagradas, angariado o posto da vanguarda do saber, exercido no passado, pelas escolas públicas.

Atualmente, seguindo a tendência nacional, Ribeirão apresenta um ensino de dois níveis: um bom ou muito bom, destinado aos ricos, e um bastante sofrível, destinado aos pobres, jogando na sociedade uma leva de analfabetos funcionais. Precisa, como todo País, investir em uma educação com eqüidade social.

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em junho/2006)

O DUPLO DIPLOMA

Izabel Sadalla Grispino *

A visão de mundo vai se unificando. Os horizontes encontram-se numa grande movimentação universal. Hoje, universidades públicas e poucas particulares aderiram à tendência européia de internacionalização na educação, dando um salto de qualidade na formação do universitário.

A Universidade de São Paulo (USP) – a Politécnica foi a primeira na internacionalização – a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), algumas universidades federais, a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a Pontifícia Universidade Católica (PUC) e proximamente a Universidade Anhembi Morumbi, passaram a oferecer o chamado duplo-diploma. Uma parte dos estudos de graduação é feita no Brasil e outra no exterior, principalmente na França, e recebe o diploma pelas duas instituições, que vale igualmente para os dois países. O certificado é assinado pelas duas instituições, de países diferentes, para um mesmo curso. Os alunos participam dos estudos em cada uma delas.

A internacionalização firma-se cada vez mais. Há menos de 5 anos era uma exceção no ensino superior, hoje passa a ser uma exigência do mundo globalizado. Expande a visão de mundo e favorece as oportunidades do mercado de trabalho. A internacionalização das faculdades começou com programas de intercâmbio. Por meio de convênios, os alunos podiam passar de 6 meses a um ano em universidades fora e os créditos descontados do currículo aqui. Os intercâmbios continuam mesmo depois da adoção do duplo-diploma.

Os duplos-diplomas podem ser oferecidos livremente pelas universidades brasileiras, sem autorização prévia do Ministério da Educação. Uma outra opção de internacionalização é o licenciamento da marca, o que significa abrir uma espécie de filial da universidade estrangeira no País. Pode-se oferecer aqui exatamente o mesmo curso que um outro país oferece em uma determinada localidade.

A compra de universidade foi o primeiro grande negócio de investimento estrangeiro na educação superior no Brasil. Não há limites legais para compras, mas o Ministério da Educação (MEC) quer mudar essa situação com a Reforma Universitária. Se o projeto for aprovado, será limitado em 30% o controle estrangeiro de instituições no País.

A internacionalização na educação começou na Europa em 1999, com a assinatura do Acordo de Bolonha. As universidades passaram a unificar seus currículos e facilitar o intercâmbio dos alunos.

Há instituições que oferecem, em determinadas áreas, o que se chama de quádruplo diploma, quando os alunos, com 5 anos de curso, sairão com diploma de graduação e de mestrado. São áreas em que o bacharelado, na Europa, não serve mais para nada.

A harmonização do sistema, na Europa, não se limita ao reconhecimento do diploma, mas também de créditos cursados em uma universidade em outro país. Milhares de europeus já se beneficiaram todos os anos dos acordos entre os países, sendo raro um universitário que não tenha passado alguns meses em outro país da região.

Uma nova geração de europeus vem se firmando, acostumados a viajar e fluentes em mais de um idioma. O Brasil começa a acompanhar essa tendência de internacionalização na educação, que mostra ser um caminho sem volta, e de muito futuro.

A Europa vem criando o maior campus universitário do mundo, buscando harmonizar o sistema universitário de 45 países até 2010. Nessas condições, estudantes e professores podem mudar de país com quase a mesma facilidade que trocam de salas de aula em uma faculdade. Estabelece-se um acordo para tornar semelhantes os programas, os sistemas de créditos e os diplomas de todo o continente europeu, até o fim da década.

A iniciativa inclui países que não fazem parte da União Européia, como Suíça, Rússia e Albânia. A internacionalização na educação se tornou prioridade na Europa, por causa da concorrência, nos últimos anos, de universidades americanas e asiáticas e tem como grande objetivo fazer com que cada país se beneficie do que seus vizinhos produzem.

No Brasil, a estrutura do ensino superior dificulta o intercâmbio entre estudantes. “Nossos currículos são engessados em uma formação muito profissional, o que não ocorre em muitos países”, diz o presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação, Edson Nunes. Explica que o nosso modelo é parecido com o de Portugal e o da França, país que tem o maior número de convênios, com o Brasil. São hoje, 10 duplos diplomas franco-brasileiros, a maioria em Engenharia e Administração.

Para o aluno participar é preciso haver convênio entre as instituições. As vagas são para alunos a partir do 2.º ano. Haverá  uma seleção em que entram: notas altas, domínio de línguas estrangeiras e plano de estudos no exterior. O diploma é reconhecido nos dois países, sem necessidade de revalidação. Pode-se trabalhar nos dois países, também.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2006)

A JUVENTUDE BUSCANDO DEFINIÇÕES

Izabel Sadalla Grispino *

Diante das contradições e incertezas do mundo atual, em especial no campo profissional, das indefinições das políticas sociais, das mazelas que se arrastam pela sociedade, o jovem, perplexo, busca, ansioso, saídas para as suas indagações. Muitos não conseguem perceber o futuro como trajeto confiável, antes o vêem como algo ameaçador. Resta-lhes o presente e, nele, grande parte se entrega na transgressividade comportamental, no consumismo, no prazer imediato e intenso, quando não, pela fuga, nas drogas. Encontram no desfrute dos bens materiais a razão do existir.

A esses aspectos, acresce-se uma constatada revolução mundial, nos modos de captar os valores morais, influenciados pelos meios de comunicação. A mídia, com seu forte poder, introduz e reflete novas atitudes, novos estilos de vida.

Uma pesquisa feita pelo Departamento de Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC), com o intuito de decifrar, para os próximos anos, a construção do juízo moral de jovens pertencentes a sociedades emergentes, lançou a pergunta: “Qual é o valor mais importante: ter bom caráter ou muito dinheiro?”. Dos, aproximadamente, 400 alunos arrolados, apenas um respondeu: “É ter bom caráter, sem dúvida alguma”. Os demais votaram no dinheiro, sem pestanejar.

Durante a pesquisa, questionários foram entregues aos mais de 10 mil alunos da universidade, durante a matrícula. Numa folha, à parte, os pesquisadores pediram aos estudantes que apresentassem os três principais valores da juventude de hoje. Pouco mais de 1.000 alunos, apenas, devolveram a folha. Em suas respostas, dinheiro apareceu em primeiro lugar, seguido de ter emprego, por 186 votos. A ênfase ficou nos valores materiais. Os alunos próximos de se formar revelaram medo de não conquistar um espaço no mercado de trabalho. O medo chegava a turvar-lhes a esperança. A pesquisa revela que família, amizade, felicidade também foram votadas, mas em escala menor.

Uma outra pesquisa, mais recente, feita pelo Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná (UFPR), vem mostrar uma faceta mais animadora da juventude. Foram entrevistados 900 jovens, entre 14 e 20 anos, de diferentes classes sociais de Curitiba. Desses jovens, 397 (44,1%) apontaram a família como instituição de maior ascendência em suas decisões. Em seguida, vem a escola, com 37%, e a TV, com 13,7% das respostas. Na seqüência da pesquisa, os estudantes deveriam dar uma nota sobre suas avaliações políticas, ponto em que revelaram forte decepção, forte rejeição. A média do governo ficou em 3,96; dos partidos políticos, 3,07; do Congresso Nacional, 4,49; e do Judiciário, 4,99. Valorizaram a família, 9,02, a escola, 7,74, e a Igreja, 7,56.

Essa pesquisa surgiu como um oásis no meio do deserto. Mostrou que uma parte dos jovens está buscando valores, como respeito, amor, fidelidade. A vida em família foi considerada fundamental, mesmo havendo conflito. Eles acharam melhor ter uma família danificada que não ter nenhuma. Isso se explica pelo fato de esses jovens serem filhos da permissividade e que hoje sentem necessidade de limites, de valores consistentes. Não querem mais a concessão impensada, mas a orientação, a palavra segura. Os anos da revolução sexual produziram muito sexo e pouco amor; produziram a relação descartável, com sua insegurança, seu vazio.

Há uma outra vertente, a do aspecto religioso, que devemos considerar. Estamos vivendo uma época  de dupla face: de febre racionalista e de febre espiritualista. Os defensores de uma cultura agnóstica acreditam que a humanidade seria mais civilizada e feliz se se libertasse das “amarras” espirituais. Acreditam que a religião, sutilmente, empurra o Homem a um sentimento místico, desfavorável à sua libertação total. O conhecimento desse aspecto é importante porque esse ardor racionalista se encontra subentendido em textos comemorativos do cinqüentenário da “Declaração Universal dos Direitos Humanos”, veiculados na imprensa internacional. Neles, nota-se, segundo a crítica especializada, a apologia da razão, do sonho da libertação pela razão, contrapondo-se à corrente espiritualista, que preconiza o sonho da libertação pela religião.

É marca freqüente da humanidade esta dualidade. Em uma célebre pintura de Goya, encontra-se cunhada a frase: “Deus e o sonho da liberdade” e o grande escritor Dostoiewski expressa sua convicção através de um personagem: “Se Deus não existe, então tudo é permitido”.

Um fato extraordinário, no campo da espiritualidade, que chamou a atenção da imprensa mundial, especialmente européia, aconteceu em 20 de agosto de 2003, no “Dia Mundial da Juventude”. O Papa João Paulo II celebrou uma missa, no campus de Tor Vergata, nos arredores de Roma, onde compareceram nada menos que cerca de dois milhões de jovens católicos do mundo todo. Eram jovens procedentes dos cinco continentes, de 160 países, participando da “15.ª Jornada Mundial da Juventude”. Atendendo a um chamado do Santo Padre, foram a Roma aclamar, orar, cantar em louvor a Cristo. Lá estavam de coração aberto, prontos para receber mensagens, ouvir, como discípulos, a palavra do maior guia católico da época, o Papa João Paulo II.

Qual o significado dessa ida dos jovens para professar sua fé em Jesus Cristo? Como interpretar essa mensagem? Estaremos, por acaso, presenciando uma reviravolta, um contrapeso da balança, em direção aos valores espirituais perenes? Certamente, os jovens não estão encontrando, no materialismo exacerbado, sentido real para suas vidas. Estão buscando caminhos novos para seu futuro, estão em busca de algo maior, de um significado maior para a vida.

Esse acontecimento não deve ser esquecido. Deve ser reavivado, com reflexões para os jovens e para o mundo. Essa tão significativa participação da juventude, nos apelos da Igreja, provocou ao Papa a expressão: “Olho com fé o futuro da humanidade”.

Esse encontro, classificado como o Woodstock da Igreja, foi também chamado de “Parada Católica do Amor” e nos manda o recado de que nem tudo está perdido, que há esperanças e luzes despontando na edificação de um novo mundo, mundo voltado a Deus.

Que assim seja, Senhor!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2005)

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