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Artigos Educacionais

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CONFLITOS ENTRE ESCOLARES

Izabel Sadalla Grispino *

A presença dos pais na vida escolar tem significativo valor para os estudos dos filhos e para a vitalidade das instituições. Crianças e jovens que freqüentam a escola têm, como é natural, temperamentos diferentes, o que provocam constantes conflitos. Muitas vezes eles mesmos conseguem administrar o problema, sem interferência externa, mas há os que apelam para os pais.

Desentendimentos entre alunos são comuns e variam de intensidade de acordo com a faixa etária. Entre os pequenos, na faixa de 1 a 6 anos, o que mais surge são apelidos maldosos, puxões de cabelo ou brinquedos quebrados.

O período mais crítico fica por volta dos 12 aos 17 anos e, entre estes, dos 13 aos 16 anos, quando a sexualidade dos meninos está em ebulição. O jovem, para ser aceito no grupo, tem que se sujeitar às suas regras, ao seu modo de falar, de vestir. O grupo coloca à prova valores familiares e próprios e quem não se enquadrar na “tribo”, quem ousar ser diferente, é massacrado sem consideração.

Quando a intimidação, por parte de um colega ou do grupo, é sistemática, quando caminha para a violência física, pressão psicológica, ameaças freqüentes, ela provoca danos emocionais, baixa auto-estima, baixa autovalia, que é a capacidade de se avaliar em relação ao grupo, levando a problemas de rendimento escolar.

As agressões por causa de garotas são comuns e se restringem comumente ao próprio grupo. Mas, brigas também existem fora da escola, quando a convivência cria rixas. A intimidação é comum mesmo entre meninas. Cria-se competição no âmbito da aparência. Quem não estiver com a roupa da moda ou com o corpo esbelto pode ser excluída do grupo e vira alvo de gozação.

Casos mais graves, como brigas envolvendo drogas, roubos e discriminação, exigem intervenção imediata. Nessas circunstâncias, a escola atua com a família, junta pais e escolares envolvidos. Não é raro a escola perceber que o comportamento do estudante é reprodução do que aprendeu em casa. São os próprios pais que muitas vezes incentivam a intimidação, na filosofia do “bateu, levou”.

Um bom procedimento para a escola é professores e alunos elaborarem um texto em conjunto, propondo normas disciplinares. Escolas renomadas têm regras disciplinares bem definidas que constam na agenda dos alunos. Contudo, a escola pode intimidar o aluno ao ignorar sua cultura, sua bagagem social. Antes de punir, deve inteirar-se de sua origem, olhar a raiz. De onde vem esse aluno? Como é sua família? Daí a importância de uma gestão democrática, de uma participação efetiva dos pais na vida da escola.

É na fase em que a personalidade está se moldado que a escola precisa trabalhar na integração do grupo. Muitas escolas criam o “momento da roda”, quando toda a classe se reúne para conversar. Esse é um valioso momento para se educar: se um coleguinha é caçoado por causa de seus óculos, aparelho nos dentes ou jeito, aproveita-se para falar, por exemplo, da importância de respeitar o modo de ser das pessoas. Pais e professores devem fazer cada um a sua parte, ensinando a criança a respeitar o outro e acolher as diferenças.

No seio da família, também surgem conflitos, não acontece só no convívio escolar. As exigências do mundo moderno cresceram. A família tradicional vem passando por um processo de mudança. O papel dos pais começa a ser questionado. Pai e mãe trabalham fora e se sobrecarregam de atividades e, geralmente, não há tempo para criar um espaço comum, não há tempo para o diálogo. Uma convivência menor com a família reflete no rendimento escolar, no número de horas que a criança ou o adolescente passa em frente da televisão, criando ansiedade, deficiência de atenção, hiperatividade e atraso no desenvolvimento. Problemas emocionais, como depressão e estresse, acabam acontecendo e a grande receita é amor, carinho, atenção.

Os pais, num determinado período da existência, são as pessoas mais importantes na vida dos filhos. As crianças precisam de uma família, de relações afetivas. Isso traz segurança, fator fundamental ao bom desenvolvimento infanto-juvenil.

Tanto na escola quanto em casa, as crianças não podem ser tratadas todas da mesma maneira. Uma estratégia pode funcionar para uma e não para outra. A personalidade, a individualidade devem ser respeitadas. Por isso, nunca se deve fazer comparações. Deve-se dar meios para que as crianças desenvolvam o que têm de bom e para que sejam orientadas em relação aos defeitos. Perfeição não existe, portanto, dosar as exigências. As crianças precisam desenvolver experiências adequadas à sua idade. Olhar para elas em todas as suas dimensões: biológica, afetiva, emocional e moral de forma integrada para que todos os aspectos do desenvolvimento e comportamento infantil possam ser envolvidos.

As crianças precisam de disciplina, de limites que estruturem a sua vida e lhes tragam boas respostas às expectativas criadas. Educar não é bater, não é fazer prevalecer a vontade dos adultos. A criança precisa galgar experiência, ter segurança para fazer suas escolhas e ter responsabilidades sobre eles. Educar para a autonomia, não para a dependência.

Também é oportuno lembrar que não se deve sobrecarregar as crianças de atividades, para fazer uma série de cursos extracurriculares, como judô, balé, natação, inglês... Elas precisam ter tempo para ser crianças, brincar, aproveitar a infância, os melhores anos da vida.

São nos primeiros anos de vida que se constroem as bases do futuro e a criança precisa ter esperança no futuro. Pais e professores devem conviver com as crianças de modo a integrá-las no meio em que vivem, a criar com elas cumplicidade e fortalecer os laços afetivos.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2003)


CURRICULUM VITAE

CURRICULUM VITAE

DE

IZABEL SADALLA GRISPINO

PRINCIPAIS ASPECTOS DO CURRÍCULO

  • Licenciada em Letras Neolatinas pela Universidade de São Paulo, ano de 1954;
  • Curso de pós-graduação em Língua e Literatura Francesa, a nível de mestrado, quando defendeu a tese: “O Simbolismo Francês e a poesia de Paul Verlaine e Arthur Rimbaud”;
  • Pós-graduação em Língua e Literatura Espanhola, em Filologia Portuguesa e Literatura Brasileira;
  • Licenciada no Curso de Pedagogia, com especializações em Administração, Supervisão, Orientação Educacional e Coordenação Pedagógica;
  • Ocupou, por concurso, na educação básica, as cadeiras de Português e de Francês e no ensino superior de Língua e Literatura Francesa;
  • Na área de administração e supervisão, exerceu, por concurso, os cargos de diretor de escola e de supervisor de ensino;
  • Foi membro integrante da Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (CENP) da Secretaria da Educação, onde monitorou e coordenou cursos de atualização, de aperfeiçoamento e de especialização em língua portuguesa, de 125 horas, para professores e especialistas da educação do ensino fundamental e médio, então, 1.º e 2.º graus;
  • Preparou, treinou, pela CENP, monitores, dos cursos montados, para todo o Estado de São Paulo;
  • Foi membro da equipe designada pelo Departamento de Recursos Humanos, da Secretaria da Educação, no Projeto “Capacitação de Recursos Humanos para o Ensino de 1.º e 2.º graus”, para proceder à análise crítica do texto-base, elaborado por insignes professores da Unesp, Araraquara: Cacilda de Oliveira Camargo, Maria Helena de Moura Neves, Najla Lauand e Sebastião Expedito Ignácio, designados que foram pelo MEC. Análise crítica no sentido da adequação do texto ao nível pretendido. A equipe foi, também, responsável pelo treinamento dado aos professores da rede.
  • Foi colaboradora do livro de Instrução Programada “Língua Portuguesa” – 5.ª à 8.ª série – 1.º grau – Secretaria de Estado da Educação;
  • Orientadora, pela USP-São Paulo, de estágios supervisionados do Curso Normal e de Letras;
  • Ao longo da carreira, participou de uma gama considerável de cursos de atualização, de aperfeiçoamento e de especialização, na perspectiva da educação continuada;
  • Autora de crônicas, de centenas de artigos educacionais, comportamentais, sociais, religiosos, publicados em jornais e revistas. Atualmente, está se propondo a registrar uma fase histórica da educação brasileira, ou seja, os principais passos da implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), n.º 9394/96, em seus diversos e amplos aspectos e a realidade do ensino no momento dessa implantação.
  • Poetisa, que reflete em seus versos as grandes questões humanas, os estados de alma, a problematização do ser. Retrata a alma em suas características universais, em suas inquietações diante dos enigmas da existência. Há momentos de muito lirismo, da exaltação do amor, da dor da saudade, das ilusões e desilusões, das amarguras e dos encantos da vida e há momentos de muita reflexão, de observação imparcial da realidade social e política, quando passa, então, sua visão de mundo, sua interpretação dos fatos, numa análise objetiva e subjetiva, porém, sempre crítica. No fundo, freqüentemente, é a poesia didática, é a mestra preocupada em ajudar, em orientar, em alertar, buscando suavizar o sofrimento da humanidade e contribuir para um mundo melhor. Há poesias de versos livres, mas, a sua formação clássica fala mais alto, quando observa com rigor, na grande maioria dos versos, a métrica e a rima;
  • Compositora musical – letra e música – de dezenas de obras sacras e populares;
  • Dentre as valiosas experiências, exercidas no magistério, ao longo da carreira, destaca os cursos ministrados, em larga escala, para professores e especialistas da educação, regando e adubando o terreno para melhor fazer brotar a semente educacional.

(Publicado em novembro/2000)

PROFESSOR , UM AMIGO

Izabel Sadalla Grispino *

Sentado em sua mesa de trabalho, atolada em papéis, os olhos cansados do mestre não conseguiam  enxergar para  além do prédio escolar. A montanha de papéis impedia a visão da flor por ele plantada.

Parou, por um instante, de trabalhar e passou a cismar. No seu imaginar, ele via um bosque florido, com águas cristalinas, pássaros revoando e lindas crianças brincando. Eram crianças loiras, morenas, olhos azuis ou castanhos, de trajes elegantes, engomados. Era o vale do sol das crianças bem nascidas e que, no amanhã, se tornariam os adultos bem posicionados na sociedade. O bosque lhes pertencia, não por herança de família, mas, por herança cultural e econômica. Eram elas quem iriam, no futuro, comandá-lo.

Essas crianças, filhos da classe dominante, estavam sendo preparadas para perpetuar, na sociedade, o “status quo” reinante. Os portões do bosque ficavam trancafiados, só se abrindo para os privilegiados.

Passaram-se longos e longos anos e a situação permanecia a mesma. Um dia, veio a redenção e timidamente os portões foram se abrindo para os mais necessitados. As crianças pobres, brancas e negras, carentes e maltrapilhas, foram pedindo licença e tentando entrar. Com passos lentos, incertos, buscavam a luz do vale. Mas, essa luz demorava a chegar e mesmo estando no bosque se deparavam com a escuridão, com o abandono.

A diferença cultural as afugentava, as eliminava do bosque, que, em obediência à tradição, continuava a cuidar dos mais abastados. Depauperadas, desnutridas, não conseguiam alcançar a agilidade e o conhecimento dos colegas ricos e do bosque se evadiam, continuando sua peregrinação de excludentes sociais.

Contudo, com o entrelaçamento das classes sociais, o bosque adquiriu uma outra identidade e, com isso, as crianças ricas foram se deslocando, indo para outras paragens, formando novos bosques iluminados, novos vales do sol.

O bosque tornou-se reduto da maioria pobre; porém, o bosque, fiel a seus hábitos seculares, continuava preso ao passado, programando-se para uma elite, agora, inexistente. Continuava a manter um perfil de atendimento caracterizado por uma alta seletividade. Abrindo-se para as classes populares, o bosque não se reformulou para atender a uma população diferente da que estava acostumada a receber. Não ponderou sobre a mudança da clientela, ficando, assim, desajustado, desajustando as pobres crianças.

Nessa altura, o professor saiu do seu sonho, voltou à razão. Levantou-se da cadeira e passou a caminhar desolado. Foi, então, interpelado por uma criança pobre que lhe estendeu a mão e esperou a sua. Olhava o professor com olhos interrogativos, interpretados assim pelo professor: “Ajude-me, mestre, a transpor o imenso obstáculo que advém de minha pobreza, da dificuldade que  sinto diante do aprender, da imensa dificuldade que têm meus pais em me mandar à escola. Ajude-me a participar da vida do vale, não como pária, como marginalizado, mas como um cidadão ativo, responsável e capaz.

Um estalo de consciência lampejou a mente do mestre e tocou seu coração. Entendeu o sentido de uma educação ministrada com solidariedade e eqüidade social. Entendeu a pedagogia do oprimido de Paulo Freire. Conseguiu compreender a função social da escola, o grande Destino que sua missão lhe confere, na transformação do mundo, na formação de uma sociedade mais igualitária, mais humana, menos injusta.

Abraçando a redenção, rendeu compromisso com a pobreza. Sua convicção contagiou seu colega, e esse a outro e juntos decidiram escalar a montanha de papéis e permitir que todas as crianças cheguem ao vale do sol.

O professor é um eleito, um escolhido, um ser especial. Só ele tem em suas mãos a força de lançar a semente e fazê-la germinar tanto em crianças pobres como em ricas, promovendo o progresso social, estruturado não no autoritarismo, não na luta desigual, mas na igualdade, na caridade e na fraternidade cristãs.

Não podemos anular pedagogicamente o direito social à educação. “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda” – Paulo Freire.

O professor  precisa assumir sua função de agente da transformação social, diminuindo a distância entre o que diz e o que faz. Se a escola é determinada socialmente, é também, ao mesmo tempo, determinante social e será tanto mais transformadora quanto mais competente e mais solidária for sua atuação. Ao tornar o ensino acessível à maioria da população, a escola contribui efetivamente para a democratização da sociedade.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2002)

A CRESCENTE ONDA DE VIOLÊNCIA INFANTO-JUVENIL

Izabel  Sadalla Grispino *

Como pode a escola, nessa linha, exercer seu papel de coadjuvante da transformação social? Sabemos que escola e sociedade se integram, se interagem. São interfaces que se refletem, que se completam: uma recebe o produto da outra. O projeto pedagógico da escola deve contemplar a realidade vivida pelo aluno, seu cotidiano; contemplar o contexto socioeconômico-cultural, no qual se insere. A contextualização é matéria-prima do currículo. A análise reflexiva do comportamento social é vital para a performance da escola. Os alunos que a freqüentam saem da sociedade, é dela parte integrante. De que características se reveste a sociedade de hoje?

No cotidiano social vivenciamos a violência, a fome, a corrupção, o desemprego, tudo banalizado pela alta freqüência. Estamos nos tornando uma comunidade anestesiada pela repetida violência, que vai minando o organismo social. Presenciamos uma juventude desajustada, psicologicamente envelhecida, renunciando, no uso da droga, a própria capacidade de sonhar. O número de delinqüência juvenil vem aumentando em progressão geométrica. A miséria moral é a mola crescente desse pejo social.

As causas da violência, apontadas por especialistas, ajudam no entendimento e na colaboração que cada instituição – família, escola, igreja, justiça, polícia... – pode dar. Pesquisas realizadas nessa área mostram várias causas, todas girando em torno da família. A ênfase é dada à desestruturação da família. A destruição do casamento vem trazendo uma amarga fatura. A ruptura familiar produz na criança, no jovem, o “rasgão afetivo”, responsável por um desajuste precoce. É como se diz: “A pobreza material castiga o corpo, mas a carência afetiva corrói a alma”. A ausência de vínculos afetivos gera introspecção, frieza, revolta. Sem carinho, a criança cresce sem referenciais.

Quem não aprendeu amor em casa, dificilmente levará amor para a rua. O numero de casas sem pais vem crescendo assustadoramente. Pais ausentes, filhos delinqüentes. Pais fora de casa, filhos entregues à “babá eletrônica”, com suas nefastas conseqüências.

Família sadia é ainda a melhor receita para uma sociedade sadia. Família que reza unida, permanece unida, nos ensina a Bíblia Sagrada. Coelho Neto já nos dizia: “A família é a célula-mater da sociedade” e a sabedoria popular nos adverte: “Colheremos o amargo fruto que a nossa omissão ajudar a semear”.

O resgate da juventude passa, sem dúvida, pela recuperação da família. O jovem precisa buscar sentido na família.

Preconiza-se, como medida salvadora, a volta da família nos moldes tradicionais, fortificando-se os laços familiares. Não adianta o brilho do intelecto se não houver o brilho de sentimento.

Violência e droga são aspectos afins,  ambas se prendendo à crise familiar. Uma pesquisa do Ibope, realizada em fins do ano passado, em cinco capitais brasileiras, concluiu que os conflitos familiares, o declínio da família, são a principal causa da entrada dos jovens no mundo da droga. De cada 100 adolescentes entrevistados, 35 alegaram que se drogavam para fugir dos problemas familiares. O segundo motivo, a necessidade de ser aceito pelo grupo, vem bem atrás, 15% dos jovens visitados. Um estudo do Centro Brasileiro de Informação sobre Drogas  (Cebrid), em setembro de 1999, mostrou que 26% dos jovens brasileiros usaram algum tipo de droga, legal ou não. Hoje, esse número, estima-se ser maior. Nas famílias problemáticas, esse índice era bastante superior.

Uma segunda causa apontada pra o crescimento da violência infanto-juvenil são os jogos eletrônicos. Uma pesquisa realizada, durante 5 anos, pela psicóloga Paula Gomide, professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Paraná, com 500 crianças e adolescentes, relata: “Cumulativamente, os efeitos da exposição contínua à violência podem causar sérios danos psicológicos”. Especialistas endossam essa afirmativa, demonstrando forte conexão entre a violência transmitida via entretenimento e sua dramática transposição para a vida real. Um dos videogames de maior sucesso, o Carmageddon, revelou-se um autêntico laboratório de crime e perversão. Um garoto de 12 anos assim se manifestou: “Eu acho dez o Carmageddon. É engraçado ver todo mundo se despedaçando. Eu adoraria poder jogar o carro em cima dos pedestres, principalmente idosos. É legal ver o velhinho sair correndo e a gente atrás”. É uma apologia ao comportamento destrutivo, indiferente ao sofrimento humano, antes, estimulador.

Essa precoce carga de perversidade pode estar na origem de comportamentos patológicos, excessivamente agressivos. No próximo artigo, continuaremos abordando o assunto, refletindo sobre novas causas da violência.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2000)

A VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência é a escalada do mal que vem atingindo crianças e escolas. Nossos dias são marcados por ela. Raciocinamos sobre suas causas e seus remédios, questionamos os fatores que desencadeiam situações de conflito. É unânime em se colocar, em primeiro plano, o uso das drogas, seguido da exclusão social, desemprego, fome, ausência dos pais e, em relação à escola, uma certa inabilidade dos professores para lidar com o problema.

A marginalização acaba levando as pessoas a procurarem as drogas e, através delas, a escorregar-se para a violência. As crianças crescem em meio ao mundo das drogas. Os pais ausentes, sem nada em casa para comer, à busca de alimento, elas acabam caindo nas armadilhas do traficante. Às vezes, fazem mesmo com a conivência da família. O que a criança ganha numa semana, o pai não consegue ganhar num mês, e assim se vai num crescendo, num círculo vicioso.

Mas, a violência, que era marca da periferia, já chegou à classe média. Nas escolas, estima-se que 15% dos estudantes usam ou já usaram algum entorpecente. A droga, nesse caso, começa na infância e dentro da própria escola. Primeiro a criança ganha, depois passa a comprar. As campanhas antidrogas não estão surtindo o efeito desejado, o consumo das drogas, por estudantes, continua a crescer.

A violência, entretanto, não é fruto da escola, não se origina nela. A escola trabalha com o efeito, as causas lhe são externas. A violência nasce nos becos das favelas, nas ruelas escuras da periferia, na urbanização desenfreada, desordenada. Ela nasce da miséria, do desajuste familiar, da ausência de educação. A violência é fruto de um conjunto de fatores socioculturais, por isso, a escola sozinha não tem como resolver o problema. É necessário uma ação de todas as instituições, ações multidisciplinares e interdisciplinares envolvendo escola, família, igreja, judiciário, polícia...

A escola, como instituição formadora, tem a função de conscientizar para os malefícios da droga. Sua contribuição é de caráter ético, moral, educacional. Ela não pode ser mais um espaço fechado, feudal. Precisa estar constantemente se revendo, entendendo que pertence à comunidade. Não tem mais razão de ser a escola vertical, presa a uma hierarquia arcaica, de tomada de decisões de cima para baixo. Faz-se necessário a criação da escola horizontalizada, das decisões conjuntas, dos trabalhos integrados e entrosados às universidades, para que possa melhorar sua atuação, ter mais competência.

Já foi a época da escola soberana, auto-suficiente, voltada estritamente para o seu circuito interno, preocupada, tão-somente, com a transmissão do conhecimento. Ultrapassar os muros, abrir diálogo, firmar parcerias com a comunidade, interferir na realidade social, é hoje parte importante de sua atuação.

A escola precisa investir na educação politizada, fazer o aluno refletir sobre deveres e direitos, fazer dele um cidadão ético, dar-lhe armas participativas. – Vivemos numa democracia representativa porque não sabemos participar. Precisa educar para a vida, para o amor, para o lazer, para a compreensão. O aluno agindo, analisando, interferindo, mais que absorvendo conteúdo. Conteúdo é conseqüência e pode ser adquirido por outros meios.

Um dos caminhos da escola, para combater a violência, apontado por especialistas,  é  ela se tornar prazerosa, significativa, promover, dentro dela, através do esporte, da cultura, da arte, a integração, erguer na solidariedade o grande pilar. Manifestações culturais em sala de aula – teatro, dança, música, poesia – mostram a outra face da vida, o seu lado espiritual, seu encantamento, e acaba por afastar a obsessão do consumismo. O aluno vai percebendo que o mais importante é o ser, o ter vem depois.

A escola deve munir-se de biblioteca, de um centro esportivo-cultural de lazer. Apegamo-nos à TV, à internet, ao celular, e o contato humano onde fica? A escola pública, no combate à violência, deve utilizar-se, com afinco, das prerrogativas educacionais, das armas afetivas, morais e psicológicas. Ela tem, apenas, elementares mecanismos de proteção, falta de inspetores nos corredores, de segurança nas portas, de câmaras internas, que são mecanismos importantes, mas, não tão fundamentais.

As grandes armas estão na administração de conteúdos significativos, que abranjam a realidade social, a realidade do aluno, em currículo contextualizado, na criação de momentos de lazer, de descontração; pautar-se pelo diálogo, pelo contato humano, pela inserção da família, dos pais em seus projetos pedagógicos. A escola do presente troca idéias, experiências, busca na ajuda, no amor, a reversão de uma situação, que atinge as raias do limite.

A paz da árdua viagem da vida adulta depende da mão que guia a criança e o jovem no dia de hoje.

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em novembro/2001)

FORMAÇÃO GLOBALIZADA

Izabel Sadalla Grispino *

Não há desenvolvimento econômico sem uma poderosa estrutura científico-tecnológica, representada, em nosso País, pelas universidades públicas. Necessário se faz fortificar essas universidades para não comprometer a pesquisa, o desenvolvimento baseado no conhecimento. Necessário se faz investir num sistema educacional que nos tire da condição de País de terceiro mundo. Investir numa política efetiva de inclusão pela melhoria do ensino básico, pelo reforço do preparo dos estudantes pobres à universidade e não por facilitadores mecanismos de acesso à universidade, comprometendo a qualidade do ensino superior. Um país sem universidades de excelência e centros de pesquisa de alto padrão não tem como alavancar o conhecimento e tornar-se nação de primeira grandeza.

O futuro será do país que souber reunir conhecimento e indústria. O conhecimento científico, em seu progresso, tem que caminhar juntamente com a aplicação prática, traduzir-se em tecnologia aplicada. A distância entre teoria e prática provoca desajustes consideráveis no produto resultante dessa combinação. Na indústria farmacêutica, por exemplo, mediante as descobertas científicas, parte-se para a produção de medicamentos; pesquisas transformam-se em vacinas.

A prática do conhecimento transitado decide o papel da indústria e seu impulso ao desenvolvimento econômico. A indústria impulsiona a universidade e é por ela impulsionada, criando importantes ações comerciais. O que se quer é que a ciência produzida pela universidade não fique só na ciência, que haja uma comercialização do conhecimento por ela adquirido, da pesquisa por ela desenvolvida. Esse é, sem dúvida, um caminho da recuperação da atividade econômica do país.

Aliado a esse aspecto da transformação do conhecimento em produtos comercializados, um outro ponto interessante a abordar é a criação de um projeto educacional que permita ao jovem estudante ser um cidadão do mundo globalizado. As grandes potências buscam fortalecer as dimensões internacionais de sua educação superior, atraindo investimentos e formas de intercâmbio.

Olhos voltados para o enriquecimento cultural, técnico das universidades, ajudam o mercado, hoje inserido na globalização. Projetos ambiciosos, em determinadas áreas, buscam capacitar o formando na visão internacional, tendo em vista a expansão da economia, o enfoque internacional do nosso comércio. Observadores da área econômica constatam que “todos os negócios estão num ambiente globalizado e mesmo que uma empresa não exporte nada, certamente compra produtos importados ou negocia aquisição de tecnologia”.

A preocupação na formação do estudante vai além do enfoque nacional. A expansão do comércio mundial exige uma crescente necessidade de relações com o exterior. Experiência internacional, no avançar dos anos de estudo, propicia maior visão de mundo, de mercado, conhecimento de tecnologias diferentes e de outras culturas. Essas características ajudarão e muito na colocação de empregos e no desenvolvimento de negócios. A vivência no exterior traz como maior benefício o aprendizado cultural e é isso que faz a diferença numa carreira. A vivência ajuda no crescimento pessoal e profissional.

Felizmente, as escolas despertam para a amplitude das relações internacionais e vem oferecendo, com mais freqüência, oportunidades de aprendizado fora do País. As olimpíadas vem aumentado, tanto na esfera nacional como internacional. Escolas públicas brasileiras participaram recentemente, dezembro de 2004, entre 39 países, da 1.ª Olimpíada Internacional Júnior de Ciência, estimulando a busca do conhecimento. Nas nossas escolas, em geral, o ensino de ciência é ainda muito teórico, com poucas aulas em laboratórios, poucas possibilidades para o aluno criar.

A disputa foi na Indonésia e 6 alunos brasileiros – 4 meninas e 2 meninos de até 15 anos – participaram de 3 dias de provas. Fizeram provas práticas, além de testes e de questões dissertativas sobre química, física e biologia. Atualmente, cerca de 500 mil adolescentes brasileiros participam de disputas em várias áreas do conhecimento. Os medalhistas, freqüentemente, recebem bolsas de iniciação científica ou são convidados a participar de cursos especiais em universidades, uma forma de aproveitamento de talentos e de incentivo ao estudo.

A classe social mais abastada coloca os filhos em escolas internacionais renomadas, onde os filhos falam, desde pequenos, mais de um idioma. São escolas bilíngües, a criança é alfabetizada em português e de acordo com a opção da família em uma outra língua. Apresentam um currículo internacional que assegura a continuidade dos estudos em qualquer país, sem, contudo, descuidar do currículo adaptado à realidade brasileira e às orientações do Ministério da Educação (MEC).

O que se procura é a valorização do contato com outras culturas, formação globalizada, portas abertas para o futuro. Os alunos das escolas internacionais, no convívio com pessoas de outras nacionalidades, no convívio, desde cedo, com outros idiomas, ajustam-se com mais facilidade, com mais abrangência, na realidade contemporânea.

*Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2005)

UM QUADRO DO ENSINO SUPERIOR NO BRASIL

Izabel Sadalla Grispino*

O Censo do Ensino Superior divulgado, em 22 de novembro de 2002, pelo Ministério da Educação (MEC) mostra um crescimento de matrículas nesse nível de ensino. O número de alunos freqüentando o ensino superior privado foi quase três vezes maior do que nas instituições públicas, em 2001. No total de 3 milhões de alunos na graduação, mais de 2 milhões estudam em escolas particulares. 395 mil alunos se formaram no ensino superior, sendo o curso de Direito o que mais concedeu diplomas, graduando 44.202 bacharéis.

Entre os formandos, 35.149 concluíram o curso de Administração, pouco abaixo de Pedagogia, com 37.083. De acordo com o censo, as universidades formaram 8.004 médicos e 12.767 jornalistas. Do total, 263 mil cursaram a rede privada de ensino superior, enquanto 55 mil estudaram em instituições estaduais, 65 mil em federais e 12 mil em municipais.

A expansão é bem mais rápida na área privada. Nas universidades federais, o número de alunos cresceu 4,2%, em 2001, enquanto a taxa de expansão das instituições privadas foi quatro vezes maior: 15,7%. O censo revela a predominância do sexo feminino sobre o masculino na freqüência às faculdades. Os universitários são na maioria mulheres e estudam em cursos noturnos.

O crescimento em larga escala no ensino superior da área privada não trouxe correspondência quanto ao quesito qualidade dos profissionais formados. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) tem sido uma das entidades mais combativas contra o surgimento do que classifica de “fábricas de diplomas”, pelo baixo nível de conhecimento generalizado dos bacharéis.

O conjunto das instituições de ensino superior brasileiras oferecia, em 2001, 12.155 cursos de graduação. Porém, estudar numa universidade pública e gratuita é um sonho quase impossível para a maioria dos estudantes brasileiros, estudantes que freqüentam ou freqüentaram a educação básica pública, com seu baixo nível de ensino. Como sabemos, a expansão quantitativa do sistema educacional brasileiro não foi acompanhada da qualidade e a maior escolaridade, ou seja, o maior número de anos na escola, não se traduz em mais renda e melhor qualidade de vida para os futuros profissionais. Sem uma educação de qualidade, no sistema geral de ensino, não se pode esperar, de fato, um equilíbrio social, um contexto capaz de criar oportunidades iguais para todos.

Além da qualidade, existe, também, a falta da educação infantil, um grande fator da dificuldade de alfabetização do ensino fundamental. Segundo o Censo do IBGE, das crianças que chegam analfabetas à 4.ª série desse nível, 81% não passaram pela pré-escola. Pelas avaliações do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão do MEC, uma considerável parcela dos estudantes sabe menos do que deveria, na série escolar em que se encontra, e, outro tanto está atrasado quanto à idade e série. Freqüentam uma série que não tem correspondência com a idade.

Há muito, pois, que fazer para que o sistema escolar público represente fator de oportunidades para a classe social menos favorecida.

Os alunos devem prestar atenção às características que indicam  uma boa faculdade, quais sejam:

n  Turmas com, no máximo, 50 alunos;

n  Maioria dos professores com títulos de mestres e doutores;

n  Maioria dos professores em tempo integral;

n  Boas instalações de laboratórios e bibliotecas;

n  Além de graduação, cursos de pós-graduação.

Contudo, no ensino superior, surge uma luz através dos cursos de graduação de serviços do Senac. As Faculdades Senac, que se expandiram no fim dos anos 90, com seus cursos técnicos, oferecem graduação de alto nível, ligada aos serviços e comércio. Encontra-se em fase final de construção um moderno complexo educacional, um campus, em Santo Amaro/SP, de 120 mil metros quadrados para o ensino superior. Em áreas nada tradicionais, oferecem cursos de Moda, Hotelaria, Turismo, Gastronomia, Fotografia, Meio Ambiente, entre outros. O campus terá biblioteca, quase do tamanho de um campo de futebol e com um acervo especial sobre moda. Grandes espaços serão destinados a laboratórios e a um centro para estudo de gastronomia. A meta é ampliar o número de alunos de 4.200 existentes hoje para 14 mil até 2010.

A preocupação maior dos dirigentes do Senac é com a qualidade dos cursos, com a aprimorada formação dos educandos e colocar esses cursos em sintonia com o mercado de trabalho. Preocupa, também ao Senac, oferecer uma formação profissional sólida, humana e ética.

Em algumas áreas, o Brasil precisa mais de técnicos do que de acadêmicos e sua maior viabilidade é que os cursos do Senac seguem a demanda do mercado de trabalho e, caso este mude, mudam-se também os cursos.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2003)

BRASIL ALFABETIZADO

Izabel Sadalla Grispino *

O governo federal lançou em 8 de setembro do corrente ano, no Palácio do Planalto, o Programa Brasil Alfabetizado. Para se assegurar da viabilidade do programa, fechou convênios com prefeituras, organizações não-governamentais e universidades, que garantem a alfabetização de cerca de 1 milhão de jovens e adultos. O ministro da Educação, Cristovam Buarque, também assinou documentos com entidades representativas de universidades públicas e particulares para que elas se comprometam a estimular seus alunos a serem alfabetizadores, dando, inclusive, créditos em disciplinas para esses alunos. Segundo o ministro, o estudante que é um alfabetizador será um melhor profissional.

Não haverá uma metodologia única de ensino. O método será escolhido pelo educador, porém, o governo dará uma orientação para os cursos de alfabetização, 200 horas/aula, divididas em 10 horas semanais, ou 6 meses de cursos. Espera-se que os jovens e adultos, acima de 15 anos, sejam alfabetizados em cursos de 6 a 8 meses. Confederações nacionais da indústria, comércio e agricultura também se comprometeram a alfabetizar funcionários de seus filiados e adotar processos de seleção para a contratação e dar preferência a candidatos que tiverem o certificado de alfabetização do MEC.

É um movimento pioneiro, uma alfabetização em massa, de alcance educacional um tanto precário, onde surgirão inevitavelmente analfabetos funcionais, mas que não deixa de ser um primeiro passo para os que nunca freqüentaram uma escola. Alfabetizar uma criança é bem mais delicado, requer um professor bem formado, conhecedor de métodos de alfabetização, das etapas do desenvolvimento infantil, das especificidades que cada ano de idade da criança requer, quando então se parte do concreto caminhando para o abstrato. Alfabetizar a criança exige competência técnica aprimorada. Alfabetizar o adulto é processo mais simplificado. O adulto já atingiu a etapa final do seu desenvolvimento mental, sem ter tido, contudo, as estimulações precoces da educação infantil. Ao adulto, o importante é ajustar o conhecimento ao perfil e ao ritmo do aluno a ser alfabetizado. O objetivo é ensinar a ler e a escrever e não ministrar educação integral, pouco se envolvendo em atitudes e comportamentos.

Pesquisas têm demonstrado que apenas 29% da população brasileira possuem um bom nível de alfabetização. O déficit educacional do brasileiro é grande, cerca de 60% da população não teve 8 anos de estudo. As pesquisas mostram que em apenas 19 municípios brasileiros a população possui um índice que corresponde às 8 séries do ensino fundamental. Em outros 1.796 municípios do País a escolarização média da população é inferior a 4 séries concluídas, não atingindo o término do 1.º ciclo do ensino fundamental.

Os estudos revelam a existência de uma forte correlação entre o grau de instrução e a taxa de analfabetismo. Em Niterói (RJ), cuja população possui o maior número médio de séries concluídas do País, de 9,5 anos, a taxa de analfabetismo é de 3,6%. No outro extremo está a cidade de Guaribas (PI), na qual a população tem, em  média, apenas 1,1 série concluída. No município, a taxa de analfabetismo é de 59% e o analfabetismo funcional alcança quase 93% da população.

As diferenças regionais evidenciam-se quando se leva em conta o grau de instrução da população. Todos os 10 municípios com melhores indicadores estão nas regiões Sul e Sudeste e as 10 cidades com o menor número médio de séries concluídas estão nas regiões Norte e Nordeste. O País continua marcado pela desigualdade. Os índices de analfabetismo em famílias com renda acima de 10 salários mínimos chega a ser 20 vezes menor dos que ganham 1 salário mínimo.

Um outro agravante no País é o número cada vez maior de analfabetos funcionais. A pesquisa Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (Inaf), da Fundação Paulo Montenegro/Ibope e Ação Educativa, revela que 67% dos brasileiros são analfabetos funcionais. Temos, é verdade, avançado na alfabetização absoluta, com 97% das crianças na escola, mas o analfabetismo funcional continua crescendo. A escola vem oferecendo aos alunos um ensino de tão baixa qualidade que eles não sabem como usar na, vida real, o pouco que aprenderam. Isso indica dupla preocupação: com os 20 milhões de analfabetos absolutos, que nunca freqüentaram uma escola, e com os que, apesar de saberem ler e escrever, são analfabetos funcionais, incapazes de entender um texto simples. A leitura é truncada, lenta e cansativa. Não conseguem escrever sobre o que leram. Estão em total desvantagem na educação. Eles são reflexos de uma escola decadente, que reflete um atraso acumulado dos últimos 30 anos. Uma escola que alfabetiza, mas não se preocupou em estimular a leitura e para uma boa alfabetização a leitura é indispensável. A leitura fortalece o conhecimento, amplia a visão de mundo.

Pelo exposto, percebemos o quanto a sociedade deve ser mobilizada, conscientizada, para o nosso falido sistema educacional, que marca um forte retrocesso nas condições sociais do País. A lacuna entre trabalhadores e inclusão no mercado de trabalho se faz sentir fortemente. Como, por exemplo, a indústria poderá conviver com o funcionário analfabeto diante de um mecanismo robotizado?

* Supervisora de ensino aposentada.             
(Publicado em outubro/2003)

SAUDOSA LEMBRANÇA DE EX-COLEGAS DE JABOTICABAL

Izabel  Sadalla  Grispino*

Ao escrever o artigo “Retrospectiva Histórica: a escola pública na década de 60” era constantemente assaltada por lembranças de colegas, com os quais vivi uma fase ricamente produtiva, uma etapa relevante da educação em Guariba. Formávamos uma equipe valorosa de trabalho e idealismo; tínhamos o privilégio do estudo pedagógico, orientado diretamente pelo “Centro de Recursos Humanos e Pesquisas Educacionais Prof. Laerte Ramos de Carvalho” (CERHUP), um departamento da S.E., hoje com o nome de “Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas” (CENP).

Além dos dedicados professores de Guariba, contávamos com outros das cidades vizinhas, especialmente de Jaboticabal, onde, com saudade e apreço, recordo: Osny Silveira, Osnei Cardoso, Cecília Fráguas P. Farias, Ivan R. Gagliardi, Mirlei Polachini, Zélia M. Thomaz de Aquino. Reverencio-me a citar o nome do insigne mestre Carlos Nobre Rosa, muito respeitado pelo alto saber, pelo domínio do conteúdo em sua área de atuação: ciências.

Há, também, que se destacar o nome de Maria Carlota Niero Rocha, digníssima prefeita desta cidade, então, professora de geografia, a quem cumprimento pela bonita escalada política que vem realizando, formulando-lhe votos de sucessos contínuos, com amplitude de horizontes, galgando postos, cada vez mais elevados, no cenário político nacional.

Uma outra lembrança recai sobre o Prof. Rolando José Gonçalves Dias, que havia deixado, recentemente, a direção do colégio. Hoje, como é do conhecimento de todos, o Prof. Rolando dirige, com galhardia, a tradicional Escola Estadual “Aurélio Arrobas Martins” e marca sua presença com exemplo de devotamento profissional, lutando por uma educação capaz de dar respostas à sociedade tecnológica. Parabéns!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2000)

EDUCAÇÃO E SAÚDE

Izabel Sadalla Grispino *

O artigo de hoje é uma homenagem ao dia 12 de outubro, Dia da Criança, a esse raio de sol que ilumina os corações dos homens e traz esperança de um futuro sorridente, mais acolhedor, mais próximo de Deus.

Presentemente, uma das grandes preocupações com a saúde é a obesidade infantil. Comprovam as estatísticas que a criança gorda será um adulto gordo.

A obesidade, além de roubar energias para a prática esportiva, traz, já na infância, problemas de colesterol, triglicérides e até complicações coronárias, agravando-se à medida que o tempo passa, afirmam os especialistas. É preciso haver exercícios diários e controle de peso.

A ciência comprova a força dos alimentos naturais na promoção da saúde, na qualidade de vida. Surge a expressão alimentos funcionais, alicerces de uma dieta equilibrada.

Não é fácil a uma criança deixar de comer o que gosta, principalmente, chocolate, sorvete, batata frita, coxinha, croquete, pastel, frituras em geral. Tem que haver, por parte dos pais, uma intervenção sábia e cautelosa. Conversar, explicar, conscientizar, mas, para essa faixa de idade, o que parece plausível é uma substituição gradativa, na qual a criança não sinta corte pesado.

Dizem os nutricionistas que nada é proibido, desde que os itens saudáveis superem de longe o número dos não saudáveis. Não é preciso abrir mão das guloseimas, mas saber dosar, saber comer.

As pesquisas vêm mudando certos conceitos. O pão, por exemplo, já ocupou lugar privilegiado na pirâmide alimentar. Sustentava a sua base, mas, agora, sabemos que o pão de farinha branca, como o pão francês, tem um nível glicêmico alto e o açúcar é rapidamente absorvido como gordura subcutânea (sob a pele), não dá tempo para digerir. Ele tem, também, uma saciedade menor, logo se está com fome, de novo. Deve-se comer, de preferência, pão integral.

A quantidade aumenta de acordo com a idade. Quem tem mais de 8 anos, por exemplo, deve comer duas fatias de pão, em vez de uma. As cores dos alimentos, também, são importantes, sinal de alimentação equilibrada, de vitaminas variadas: cenoura, rabanete, alface, tomate, pepino..., cores diversificadas.

Quando o alimento for perecível, como queijo e derivados ou sucos, deve-se colocar nas lancheiras das crianças, mesmo nas térmicas, uma bolsinha de gelo.

Sugestões da nutricionista Maristela G. de Sá Francisco para o lanche:

  1. Fruta ou uma porção de carboidrato.

Exemplos:

● 1 fatia de pão, de preferência integral;

● 1 bisnaguinha (de soja ou integral);

● 4 bolachas (sem recheio);

● 1 fatia de bolo (35 g) do tipo formigueiro ou de cenoura (sem cobertura).

b) Uma fonte protéica.

Exemplos:

● 1 fatia de peito de peru;

● 1 fatia de presunto magro;

● 2 fatias de blanquet ou similar.

c) Um laticínio.

Exemplos:

● 1 queijinho do tipo polenguinho ou 1 fatia de queijo minas (30 g);

● 1 iogurte (190 ml).

Observação: 1 iogurte com cereais já soma os itens necessários, pois tem laticínio, proteína e carboidrato.

Quando o lanche tem requeijão ou queijo, deve-se incluir água-de-coco ou suco de caixinha.

Mediante esse modelo, os pais podem variar dentre os alimentos funcionais que compõem a pirâmide da boa alimentação, quais sejam (a partir da base para o topo da pirâmide):

● Alimentos integrais, na maioria das refeições;

● Azeite ou óleos vegetais;

● Verduras e legumes, à vontade;

● Frutas, 2 ou 3 vezes ao dia;

● Laticínios ou suplementos de cálcio, 1 ou 2 vezes ao dia;

● Peixe, frango e ovos, até 2 vezes ao dia;

● Castanhas, amendoim, feijão, ervilha, grão-de-bico, de 1 a 3 vezes ao dia;

● Carne vermelha e manteiga, consumidas moderadamente;

● Arroz branco, pão branco, batata, macarrão e doces, em consumo moderado.

Que os pais se alertem para a necessária alimentação saudável, desde a tenra idade da criança.

 

AO PROFESSOR E AO MÉDICO

Dois grandes sentidos, duas grandes datas, para a humanidade se aproximam: 15 de Outubro, “Dia do Professor”, e 18 de Outubro, “Dia do Médico”.

Educação e Saúde são os dois baluartes da vida humana. Educação forma para o bem viver e Saúde prolonga e ampara esse viver. Sem esses dois ingredientes a vida se perderia num labirinto, caminharia por ruas sombrias, sem luz. Perderia sua estrutura definida, sem bases humanístico-científicas, enveredando-se para o caminho das paixões, para o desfecho das contradições, na perda do equilíbrio.

Exalto, em forma de versos, os dois expoentes da vida: o Magistério e a Medicina, nas pessoas do Professor e do Médico:

 

MAGISTÉRIO E MEDICINA

(Louvores ao 15 e ao 18 de Outubro)

Todas as profissões têm no magistério

Seu ponto de articulação,

Após os 1.ºs passos, segue os próprios critérios,

Cada uma cumprindo sua nobre missão.

Magistério é tronco em ramificações,

Sua estrada tem começo, mas não tem fim,

Sustenta a linha divisória das profissões,

É vibração que circula em anéis de marfim.

Magistério é educação, é saúde,

É astro que irradia com convicção,

Ensinamento, que vai do berço ao ataúde.

A educação tem no magistério a força, o caminho,

A saúde tem na medicina o sol, a lua,

Não haveria o amanhã, sem a união das duas!

 

* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em outubro/2005)

ESCOLA VIRTUAL

Izabel Sadalla Grispino *

Quando se fala em escola do futuro, logo se pensa em escola via Internet. O mercado do ensino pela Internet, ao que tudo indica, é um negócio lucrativo e vem crescendo, permanentemente, em países do primeiro mundo.

Nos Estados Unidos, atualmente, o que existe são universidades virtuais, que dão cursos inteiros de graduação. Surge, agora, o projeto de uma nova escola se programando para atender estudantes durante os doze primeiros anos do ensino tradicional, dando aulas só pela Internet. Será, Segundo consta, um atendimento gradativo, iniciando-se com ingressantes do jardim da infância, indo até o segundo ano do ensino fundamental, até chegar aos doze anos de aprendizagem, sem que o aluno freqüente uma sala de aula, estudando apenas em casa.

No Brasil, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) impõe limite ao ensino pela Internet. Estabelece que o ensino fundamental seja obrigatoriamente presencial. A escola virtual, com seu ensino a distância, é prevista em lei apenas como complementação da aprendizagem ou em situações de emergência.

Recentemente, o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, anunciou um curso a distância para a formação de professores dos primeiros anos do ensino fundamental e um curso específico para professores alfabetizadores.

Há, entre nós, experiências de ensino a distância nos níveis da educação básica, em situações-limite, como no caso do sertão nordestino. Usamos o rádio e a TV e a Internet para vencer barreiras geográficas. Com o processo de universalização do ensino fundamental, em grau adiantado, já se considera a educação a distância não tão importante como elemento de inclusão; ganha, agora, status de inovação.

Há uma certa desinformação sobre formas alternativas de educação, nas quais se incluem a educação a distância. Há, também, um certo preconceito, no mercado de trabalho, sobre o profissional preparado em ensino a distância. O mercado não quer só garantia do certificado, quer garantia da avaliação, tanto do aluno, quanto do curso. Quer uma boa avaliação que resulte em profissionais competentes. A avaliação deve, pois, ser um ponto forte, aperfeiçoar sua forma, não só para o aluno, como para o próprio curso.

Cursos a distância de pós-graduação, mestrado e doutorado, favorecidos pela faixa etária e pela formação anterior, têm-se revelado eficientes, proporcionando uma educação segura. Um curso de graduação a distância tem as mesmas exigências de um curso presencial: o aluno tem que comprovar o término do ensino médio, o curso tem que ser autorizado pelo Conselho Nacional da Educação e homologado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). É preciso que o aluno esteja atento, saber se está fazendo um curso autorizado.

O curso virtual para os graus de ensino mais avançados é visto como fator favorável, mas para crianças e adolescentes é encarado com reservas. Afinal, educar não significa apenas ministrar conhecimentos; significa abraçar um processo bem mais amplo, integral, onde entram atitudes e comportamentos. Surge, ainda, o fator motivação, a dificuldade de esse ensino manter o interesse das crianças e também ele não contribui para criar nos estudantes uma disciplina de aprendizado.

No  processo  educacional,  faz-se  necessário  garantir  uma  interação  professor-aluno, garantir a troca, o diálogo, transmitir valores e princípios. A escola tradicional incentiva e desenvolve a socialização – alunos convivendo com seus pares – favorece as relações interpessoais.

Mesmo que a escola on-line estabeleça mecanismos didáticos que permitam oferecer uma educação integral à criança, mesmo que crie ferramentas que garantam a interatividade, ainda fica faltando o elemento humano, como convivência, como reforço aos procedimentos, que é indispensável ao crescimento pessoal.

A escola na Internet, para alcançar objetivos, precisa oferecer um monitoramento constante, não ser confundida com auto-aprendizagem. Admitem os educadores de que a escola virtual para crianças e adolescentes não tem como substituir, em qualidade de formação, o ensino presencial, nos moldes da escola tradicional. Por mais que apresente excelentes currículos, é uma educação confinada ao campo da transmissão da informação, tendo dificuldade na abrangência integral da personalidade, na perspectiva de uma educação holística.

É preciso estar atento aos modismos. Hoje, por exemplo, a procura por escolas que ofereçam ensino em período integral vem crescendo e muito. São escolas que oferecem currículo escolar pela manhã e aulas de inglês, natação, balé e até esgrima à tarde. Essas escolas são procuradas por pais abonados, que trabalham fora e preferem não deixar os filhos em casa com empregados.

A prerrogativa pode ser válida, mas a escola em período integral traz vantagem à personalidade do educando? Pedagogos há que opinam desfavoravelmente à escola em período integral; consideram-na prejudicial à formação do aluno. “A criança precisa circular por vários espaços e conhecer novos amiguinhos para saber lidar com a diversidade”. É fundamental que ela fique, também, em casa, onde tem seus brinquedos e a rotina da família. Não é o período integral que vai garantir uma maior aprendizagem, porque a criança também aprende muito em contato com amigos fora do espaço escolar.

Na devida proporção, essas constatações valem para as escolas virtuais.


* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2001)

OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO FAVORECENDO A INCLUSÃO

Izabel Sadalla Grispino *

A novela “América” abordou com propriedade e sensibilidade o tema do deficiente. Colocou como um dos protagonistas um deficiente visual, o “Jatobá”, um ser inteligente, que se supera a cada passo, servindo de exemplo e encorajamento na luta pela realização pessoal. Traz constantes inserções do programa do Dudu Braga, “É Preciso Saber Viver”, onde derruba preconceitos, entrevistando deficientes das diferentes áreas, pessoas dotadas de rico potencial e que encontraram ambiente de compreensão e ajuda no desenvolvimento de seus talentos.

A novela vem abrindo a mente, a aceitação, modificando a visão sobre os deficientes. Visitando escolas, conversando com professores, percebi um novo entusiasmo pelo ensino da educação especial.

Já escrevi vários artigos sobre a inclusão do deficiente no ensino regular. Contudo, esse novo olhar me leva a reforçar e a delinear os benefícios já adquiridos pelos portadores de deficiência, que devem nortear consciências e ser estendidos a mais pessoas.

O Brasil vem avançando quanto ao direito da escolaridade das crianças deficientes. A política oficial, já há algum tempo, desde 1996, prevê a inclusão dos portadores de deficiência, na rede regular de ensino. Em agosto de 2001, o então ministro da Educação Paulo Renato Souza, regulamentando a Lei de Diretrizes para a Educação Especial, assinou resolução pela qual as escolas públicas do País deveriam atender estudantes com necessidades especiais.

Essa foi, contudo, mais uma mudança, na estrutura do ensino, imposta a uma rede pública desaparelhada, despreparada para recebê-la. Não se pode esquecer que para se obter sucesso é preciso dar estrutura de aprendizagem, fazer uma inclusão responsável, para não comprometer o avanço dos alunos portadores de deficiência. É muito importante treinar os professores, capacita-los, produzir material de apoio, assim como adaptações de títulos didáticos para o sistema braile. As escolas devem possuir as chamadas salas de recurso equipadas, para facilitar a aprendizagem e possuir professor de braile.

No cumprimento das normas legais, é importante conhecer os seguintes procedimentos:

– A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, no seu art. 4.º, inciso III, definiu como dever do Estado a garantia de atendimento especializado gratuito aos educandos “com necessidades especiais, preferencialmente, na rede regular de ensino”. Sendo na rede regular de ensino, o educador deve receber a capacitação necessária para esse atendimento, lembrando que a política de inclusão exige um professor treinado, capacitado.

– A Lei 7.853, de 1989, obrigou o Estado a apoiar os portadores de deficiência em sua integração social. Leis e decretos definiram normas gerais e critérios básicos para o atendimento às pessoas deficientes. Criou-se, no Ministério da Justiça, o Conselho Nacional de Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência.

– Através do Decreto 3.956, de 2001, foi ratificada a Convenção Interamericana para a eliminação de todas as formas de discriminação contra as pessoas portadoras de deficiências.

– A Câmara do Ensino Básico do Conselho Nacional de Educação (Parecer 2/01) definiu as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Especial e o Parecer 17/01 estendeu essas diretrizes para toda a Educação Básica.

– A Lei de n.º 8.213/91 prevê a obrigação de contratar deficientes e abrange empresas com mais de 100 empregados. As cotas variam de 1 a 5% do quadro de funcionários, de acordo com o tamanho das mesmas. Essa obrigação já tem mais de 10 anos, mas sua regulamentação só veio em 1999. Uma ação articulada, em 2004, da Delegacia Regional do Trabalho (DRT/SP) e do Ministério Público do Trabalho (MPT), trouxe resultados consideráveis quanto ao aumento da contratação.

– Uma resolução de 2003, aprovada pela Assembléia Parlamentar do Conselho Europeu, que agrupa 44 países do continente, determinou que a linguagem dos sinais utilizada pelas pessoas surdas seja reconhecida oficialmente como idioma. O reconhecimento, feito através da inclusão dessa linguagem na Carta das Línguas Regionais e Minoritárias, dá-lhe status de “idioma sem nacionalidade”

O exemplo avança e no resto da Europa há a preocupação de introduzir a língua de gestos nas escolas. Na Irlanda, Reino Unido, França, Espanha, Grécia e Portugal, as autoridades de ensino adotaram programas para estimular professores a aprender a língua dos sinais e a promover a formação de intérpretes.

Esse comportamento deveria se estender a todos os continentes do planeta. As escolas deveriam abraçar, com entusiasmo, a aprendizagem da língua dos gestos, repassá-la aos seus alunos, introduzindo solidariedade e humanização no ambiente escolar.

Deve-se ter conhecimento dos procedimentos para poder aplicá-los. É preciso cumprir na prática o que essas leis determinam; caso contrário, fica no papel e não na realidade.

Que o entusiasmo do momento se fortifique, forme consciência conclusiva e que a escola inclusiva se torne portadora de esperança, de realizações, de concretizações de vida útil aos estudantes portadores de deficiência. Os Jogos Paraolímpicos reforçam o conceito de valorização ao aluno com necessidades especiais. Esses jogos têm demonstrado o quanto esses jovens são capazes, em termos de concentração, de raciocínio, de superação de si mesmo.

Dar apoio que necessita, observar o ritmo, as características de cada aluno, incentivá-lo à participação, são conceitos-chave para o desenvolvimento do potencial do aluno deficiente.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2005)

PROIBIR É A SOLUÇÃO?

Izabel Sadalla Grispino *

Como a escola pode ajudar as crianças frente à TV? Como educar a leitura que elas fazem da TV?

O primeiro passo é, sem dúvida, conhecer os programas a que elas mais se apegam. Estudar-lhes as características e os aspectos que mais as impressionam.

Proibir, simplesmente, não é o caminho. A proibição só vai aguçar a curiosidade, a vontade de assistir-lhes. Ao proibir, é preciso explicar as razões. Manter com as crianças uma aprendizagem crítica, uma aprendizagem do pensamento divergente. Ensinar a criança a questionar, a duvidar, a encontrar outras saídas, diferentes das apresentadas no filme. Duvidar do que se vê é um bom exercício mental, dizem os psicólogos. A atitude reflexiva favorece a elaboração de exercícios mentais, que a criança pode exercitar ao assistir aos filmes, aos desenhos.

Passando esse comportamento para a prática, uma escola relatou sua experiência, que pode ser de valia a outras escolas. Os professores notaram que a brincadeira que mais se sobressaia, em crianças na faixa de 4 a 5 anos, era a “Pouver Rangers”. Foram conhecer este programa. Perceberam, entre outros fatores, que os heróis, no caso japoneses, conquistam tudo magicamente e apenas pelo prazer da luta e não em razão de um ideal. Não agem de modo inteligente ou com astúcia. São heróis que empobrecem a imaginação da criança, diferentes dos heróis de antigamente, que conquistavam pela busca de um ideal.

Os professores, após terem assistido e avaliado os programas, passaram, em dias alternados, a promover sessões de TV entre os alunos. Foram escolhidos o Sítio do Pica-pau Amarelo, o Castelo Rá-Tim-Bum e um filme dos Pouver Rangers. Embora as crianças apreciassem todos, mostravam preferência pelo Pouver Rangers. Porém, após tê-lo assistido, a meninada ficou muito excitada, mais agitada e mais agressiva na hora de brincar.

Uma das estratégias adotadas foi encaminhar a criança para uma esclarecida interpretação. Professor e aluno raciocinavam juntos, a criança era encaminhada à ponderação, ao abrandamento das lutas suicidas, a exaltar ações que conduzem ao amor, ao bem.

Uma outra preocupação dos pais e dos professores é com os jogos eletrônicos.  Até que ponto os videogames viciam e o que fazer? Especialistas da área de tecnologia dizem que a escolha dos jogos não pode ser aleatória. Eles devem ser relacionados segundo as características de cada criança, considerando, também, os aspectos socioculturais , educativos e psicológicos.

A criança, ao jogar, expressa seu juízo moral, através da livre escolha que faz do destino do personagem, da tomada de decisões e dos sentimentos manifestados. Isso dá a oportunidade, aos pais, aos educadores, discutirem, esclarecerem os aspectos necessários à condução de uma postura moral, compatível aos valores sociais. É preciso fazer a criança entender que o jogo é uma fantasia momentânea; fantasia, imaginação e não realidade.

Os videogames têm seu lado positivo e negativo. É uma questão de regra e limites, que vale para o videogame, a TV, o computador, a Internet. Crianças que jogam de forma compulsiva sofrem os malefícios decorrentes, como sua exclusão do convívio social, o descumprimento de suas obrigações, dos efeitos colaterais orgânicos, como irritação dos olhos, excitação, insônia, principalmente quando os jogos são muito violentos.

Com horário e disciplina, os jogos podem trazer benefícios. Confirmam os especialistas que videogames e jogos para computador são excelentes para o desenvolvimento cognitivo. Desenvolvem a percepção, a memória visual e auditiva, a rapidez, o raciocínio, a capacidade de solucionar problemas e, até mesmo, a socialização, quando jogados via Internet.

Em trabalhos psicopedagógicos, os softwares são bastante utilizados. Nas salas de aula, compete ao professor explicitar os conceitos envolvidos, a fim de que o jogo se converta em instrumento de aprendizagem. É importante que se discutam as questões morais, éticas e de relações humanas, implícitas nos jogos, praticados na sociedade, na escola, em casa.

Em tudo, não há modelo único de educação. Vai depender de cada criança. As regras e os limites devem ser passados dentro dos conceitos éticos, morais, culturais de cada sociedade, de cada família. O importante é conhecer a criança que se tem à frente para ser educada e agir de acordo com cada caso. Para impor limite aos videogames, ao computador, estuda-se a melhor forma, como programar atividades compartilhadas, passeios, esportes, diálogo... Disciplinar os horários, conscientizá-los da hora de estudar, de dormir e de brincar, é imprescindível. Videogame, por exemplo, só depois da lição de casa feita.

Com a finalidade de evitar a violência do jogo, a prática de atos sexuais e desvirtuamento de valores éticos e morais, o Ministério da Justiça definiu a norma de que todos os cartuchos e CDs, de games, tragam, em suas embalagens, um selo de classificação etária.

O Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento – CAD --, clínica formada por uma equipe multidisciplinar da capital, explicitou regras úteis para o aconselhamento e à aprendizagem de crianças e de jovens.

Dos 3 aos 7 anos: as regras são externas à criança, que espera que os adultos lhe dêem ordens. Aproveite a fase para fixar bem a rotina e estabelecer hábitos saudáveis;

Dos 7 aos 12 anos: a criança começa a internalizar as regras. Explique os porquês de suas exigências, sem abrir mão delas. Ela espera esse limite do adulto. É uma boa fase para trabalhar direitos e deveres, estabelecer horários das atividades escolares, de lazer e sono;

Dos 12 anos em diante: o jovem já deve ter adquirido autonomia e capacidade de pensar os valores por si mesmo. Diálogo é essencial. Ele deve participar da construção e/ou reformulação das regras para poder organizar sua própria vida. Vai exigir coerência dos pais e dos educadores e um compromisso recíproco de respeito às regras.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2002)

CRIANÇA HIPERATIVA

Izabel Sadalla Grispino *

Múltiplas são as funções da escola. Educar para a vida todas as crianças que acolhe em sua instituição é para ela um desafio, que se acentua pela complexidade que resulta da diversidade que marca a clientela escolar. A escola precisa compreender e atender os alunos em suas diferentes especificidades.

Educar, atendendo as diferenças individuais, requer muita dedicação, habilidade, competência e predisposição ao trabalho educativo. Vejamos o caso de crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), uma doença infantil conhecida apenas por hiperatividade.

Os sintomas das crianças hiperativas podem ser observados desde os primeiros anos de vida. Segundo recentes estudos, mães de crianças hiperativas relatam que seus filhos se mexiam muito, mesmo antes do nascimento, sentiam uma certa agitação da criança no útero materno.

As escolas confirmam seu diagnóstico conversando com as mães. Desde pequeninhas, essas crianças mostram-se irritadiças, choram muito nos primeiros anos de vida e apresentam sono agitado. São crianças que precisam de vigilância redobrada, expõem-se, constantemente, a riscos de acidentes. Elas quebram, com freqüência, seus brinquedos, perdem rapidamente o interesse por brincadeiras ou situações, necessitando, sempre, de novos estímulos.

Muitas mães chegam a se queixar de esgotamento. São crianças indisciplinadas, problemáticas, por vezes, avoadas e malcriadas. Em determinados momentos parecem estar “no mundo da lua” e têm seus relacionamentos agravados pela impulsividade.

Quando o hiperativo vai à escola, a situação se complica. Ele dá muito trabalho, tem grande dificuldade de permanecer no lugar, agita pés e mãos em demasia, corre ou fala demais, não respeita os momentos da aprendizagem. Chamar a atenção, castigar, não resultam efeito, ao contrário, geram conflitos nas relações pessoais.

A hiperatividade é mais freqüente no gênero masculino e os estudos mostram influência dos fatores genéticos. Vem demonstrando que o hiperativo apresenta essa característica ao longo da vida, com acentuadas melhoras se atendido corretamente em termos comportamentais, educacionais, ambientais e, quando necessário, medicamentosos.

A hiperatividade é uma doença que causa, pela constante agitação, pela dificuldade de concentração e instabilidade emocional, transtorno à aprendizagem. Os psicólogos a definem como doença neuropsiquiátrica, que traz dificuldade de atenção, de percepção, planejamento, organização, com falhas de comportamento. A criança se distrai com tudo, não consegue avaliar o que é mais importante, porque o cérebro trabalha mais lentamente.

Aconselha-se aos pais que a encaminhe a um tratamento que, geralmente, envolve a administração de medicamentos estimulantes, para que o cérebro volte à atividade normal, diz o psiquiatra Ênio Roberto de Andrade, do Hospital das Clínicas da USP/São Paulo.

Escolas despreparadas para lidar com o problema agravam a situação. Precisam utilizar-se de uma metodologia específica, com professores treinados para trabalhar com o quadro hiperativo.


* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em março/2007)



 

 

O TERCEIRO TURNO ESCOLAR

Izabel Sadalla Grispino *

É comum assistirmos inovações na estrutura escolar que pouco ou nada contribuem para a qualidade do ensino. Provocam impacto, especialmente, para uma população mais desavisada.

Quando li que a Prefeitura de São Paulo vai extinguir o terceiro turno, à primeira vista, a medida pareceu-me alentadora, um passo avante para a melhoria do ensino. A partir de fevereiro do corrente ano, as aulas do ensino fundamental, que eram de 3 horas e 40 minutos, estender-se-ão por 5 horas.

Aprofundando no assunto e lendo relatos de professores que atuam em escolas de três turnos, o entusiasmo começou a arrefecer. Não houve, por parte da Prefeitura, um plano consistente, uma programação que abrangesse a estrutura física das escolas.

“Tudo como dantes no quartel de Abrantes”. Tudo é feito a toque de caixa. Para se eliminar o terceiro turno, algumas salas de aula foram construídas e a outra saída foi desativar os espaços pedagógicos, enfraquecendo as condições de ensino, desestimulando áreas do saber.

Foram eliminadas as salas de educação física, as de educação artística, laboratórios de ciências. Utilizam-se, segundo a necessidade, salas de atividades pedagógicas, de brinquedotecas e as de vídeo e DVD, inclusive, invadem a sala dos professores, desalojando-os, privando-os dos encontros salutares, quando, descontraidamente, abordam problemas de alunos, de convivência escolar.

Essa falta de valorização dos complementos pedagógicos tão vitais, empobrecendo a escola e a visão do aluno em relação a ela, vai aos poucos se acentuando e refletindo no entusiasmo pelo estudo.

Educar é muito um estado de espírito. Premidos pelo desconforto, pelo plano inferior a que foram submetidos, docentes e discentes poderão reagir negativamente e o aumento do número de aulas não será revertido, certamente, ao nível pretendido, ao benefício esperado.

Um outro aspecto, ainda mais importante, lembrado por responsáveis educadores, é a fraca qualidade que vem norteando o ensino. Este continuará o mesmo, os professores, os mesmos, com as mesmas deficiências e esse número de horas-aula aumentado manterá o mesmo baixo padrão. Sob esse prisma, a derrocada continuará.

Quem atua em educação sabe que não virá melhoria de ensino se não se investir nas condições do ensino, no professor, em sua reciclagem de estudos, em sua valorização salarial. É preciso primeiro melhorar a qualidade dos integrantes do magistério, para depois pensar num reforço de horas-aula aos discentes. Como está, só se irá estender um ensino, que continuará diplomando analfabetos funcionais.

O ambiente escolar, em muitas localidades, vem se degradando, a ponto de os professores dizerem: “Os alunos organizam seus roubos e o negócio de drogas dentro da própria escola. E, mais tempo para eles?”

Se não se fizer uma revolução na educação, uma revisão do processo formal, os acréscimos de horas-aula serão irrisórios, superficiais, quando não prejudiciais!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março/2007)

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Izabel Sadalla Grispino *

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