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Artigos Educacionais

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FRATERNIDADE E EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Relendo o texto “Fraternidade e Educação”, lançado pela Igreja católica, na Campanha da Fraternidade, há três anos, voltei à riqueza da informação, sua atualidade e interação. Comento-o, parcialmente, aos prezados leitores, que podem tomar conhecimento do texto-base, através das livrarias Paulinas, Vozes ou Loyola.

Há 38 anos, a Igreja católica, no seu ideal de fraternidade, criou, a cada quaresma, a Campanha da Fraternidade. Desde então, todo ano, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) oferece, no período da quaresma, uma questão problemática da atualidade à reflexão e à ação dos católicos.

No período da quaresma de 1998, a Igreja selecionou, para a Campanha da Fraternidade,  o tema “Fraternidade e Educação”. O desgastado diagnóstico da falência do ensino público, as revelações estatísticas da miséria e seu aliado, o analfabetismo, inspiraram o lema da campanha, cujo enunciado traduz, por si só, o conteúdo nele contido: “Educação a serviço da vida e da esperança”.

O então presidente da CNBB, cardeal-arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, Dom Lucas Moreira Neves, disse: “Nossos legisladores e governantes, no âmbito nacional, estadual e municipal, são os primeiros a reconhecer que o item educação constitui uma inveterada e, até agora, incurável ferida no flanco desta nação”.

Essa campanha move-nos pela visão abrangente, realista que traz da educação, pelos aspectos complementares que situa para a educação escolar. Seguindo a linha humanitária do educador, que honra sobremaneira nossa terra, Paulo Freire, a Igreja clama por uma educação alicerçada no amor, na consciência social, na justiça, na verdade. Clama por uma educação que espalhe a sementeira pródiga das virtudes essenciais do Homem, as únicas capazes de levá-lo à plenitude de suas realizações. Promove um verdadeiro processo de construção coletiva na área humana e social. Chama a atenção para os oprimidos, para os marginalizados e para o grande número de analfabetos.

Alerta-nos para o fato de estarmos juntos, buscarmos juntos respostas amenizadoras da desigualdade social. A situação presente e as perspectivas para o futuro devem merecer a preocupação de todos. Preocupação que deve viger pelo tempo que perdurar a dolorosa “via crucis” que percorre o analfabeto brasileiro.

A Campanha da Fraternidade coloca-nos num questionar filosófico, no qual as respostas nunca são fechadas, acabadas, mas respostas que abrem alternativas de soluções. Respostas a questões, por exemplo, de como auxiliar crianças e jovens a encontrar significado na educação, na família, no mundo, de como podemos contribuir para a formação de uma cidadania ética e responsável no contexto em que se vive?

A doutrina social da Igreja sempre se baseou na filosofia da solidariedade, a serviço do agir. Não quer se limitar a “uma atitude de simples observadora ou fiscal da realidade nacional”. Quer uma filosofia em função do agir: “O agir requer o engajamento pessoal e organização de forças coletivas”. Essa filosofia prioriza o ser humano, toma o termo educar no seu sentido etimológico: o verbo e-ducere, que quer dizer tirar do indivíduo a pessoa humana que está dentro de si, em latência. O educador deve trabalhar a criança não apenas de fora para dentro, quando, pelo conhecimento, ele vai polir uma pedra bruta, mas, especialmente, de dentro para fora, quando, pelo desenvolvimento do senso religioso, ele vai sedimentar a cultura da alma.

A filosofia da educação, abraçada pela Igreja, quer a educação formal, sistemática, ministrada na escola em seus diversos graus, caminhando lado a lado com a educação informal, recebida, de maneira assistemática, na família, na Igreja, no convívio social. A Igreja, em sua metodologia avançada, vê na educação informal o grande veículo do desenvolvimento das faculdades formadoras do caráter, da virtude. Essas características, por sua vez, irão formar a consciência, moral e religiosa, do indivíduo.

A Igreja não subestima a educação institucionalmente organizada; valoriza-a, sabe ser ela importante para a humanidade, para se chegar a um estágio superior do conhecimento, ultrapassando as barreiras do nefasto analfabetismo. Essa educação é, sem dúvida, a grande coadjuvante da eliminação da pobreza e o grande suporte à realização profissional. Nesse sentido, a Igreja católica luta por uma educação democrática, universal, gratuita, de boa qualidade, conforme reza a Constituição. Luta por uma democracia que venha de encontro à cidadania; uma democracia capaz de cumprir as finalidades para as quais foi instituída, porque, por vezes, sentimos como se existisse democracia para ser servida e não o contrário.

O homem se completa na junção da instrução e da formação. A instrução é de responsabilidade da escola; a formação é, especificamente, responsabilidade da família: “A educação vem do berço”. Porém, em ambas, há uma inter-relação de comunicação e de responsabilidade: a escola, na sua função social, reforça e complementa a formação do educando e a família fornece-lhe, na prática diária, os conhecimentos necessários e úteis à sua ação rotineira.

Um dos pilares de sua conceituação é de que a educação não se restringe à escola; é papel, também da família. Assistir a família, dar-lhe condições de sobrevivência digna, esperançosa de dias melhores é o grande apostolado. Os bispos, conscientes da problemática social, perguntam-se: “Como é possível neste contexto crescente de miséria, insegurança, instabilidade, ausência de pai ou de mãe, garantir aos filhos e às filhas as bases de uma personalidade equilibrada e segura, de uma educação adequada e os horizontes de uma vida digna, participativa e de esperança?”

DA NECESSIDADE DE UNIÃO DE FORÇAS – A doutrina da Igreja incentiva o diálogo permanente com a sociedade, promove o encontro dos diversos setores de atuação que têm, até, acepções diferentes, mas, enriquecedoras de uma mesma realidade. “Igrejas, comunidades, movimentos sociais, ONGs, associações, sindicatos, partidos políticos, exercem uma ação educativa na medida que (...) as pessoas têm voz, aprendem a participar, a relacionar-se com os outros, a valorizar o trabalho em comum, a procurar a cidadania...”

O documento da Campanha da Fraternidade apresenta um trabalho primoroso de levantamento estatístico: nível de escolaridade de crianças e jovens, analfabetismo, com uma descrição singular sobre o novo perfil dos analfabetos funcionais, investimentos na educação, salário dos professores e outros.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2000)

VÍNCULOS ENTRE EDUCAÇÃO E POBREZA

Izabel Sadalla Grispino *

O estudante brasileiro de baixa renda tem no estudo seu passaporte para o mercado de trabalho, o qual consegue somente através de bolsas de estudo. Financiar os estudos dos estudantes carentes é lutar pelo desenvolvimento social da nação.

O jovem pobre, hoje, é consciente da necessidade de se freqüentar um curso superior para melhorar de vida. O Índice de Desenvolvimento Juvenil (IDJ), divulgado em março de 2004, revela, surpreendentemente, que, ao contrario do que se fala, o jovem brasileiro gosta de trabalhar, quer estudar e luta para conseguir trabalho e conciliá-lo com os estudos.

Políticas afirmativas vêm surgindo, cada vez mais, nos meios educacionais. A educação começa a criar vínculos com a pobreza. A Universidade de São Paulo (USP), como alternativa à política de cotas para ingresso ao ensino superior, vai implantar um cursinho pré-vestibular gratuito. Deverá ser inaugurado em 1.º de julho do corrente ano, na zona leste da capital, uma das áreas mais carentes de São Paulo. Serão oferecidas 5 mil vagas para alunos da escola pública da região. As aulas do cursinho pré-vestibular e as apostilas serão supervisionadas por professores da USP, dadas por alunos da USP, que receberão capacitação e bolsa em dinheiro. O cursinho irá reforçar as 9 disciplinas do ensino médio e as aulas devem ser dadas em salas ociosas da rede estadual de ensino. A Secretaria Estadual de Educação entrou como parceira da USP, financiando o projeto.

Outra medida de ajuda da USP será a concessão, ainda para este ano, de 60 mil inscrições da taxa de vestibular da Fuvest para estudantes de baixa renda. No ano passado foram oferecidas 20 mil.

O cursinho pré-vestibular será de grande valia, porque irá socorrer alunos oriundos da rede pública, de um sistema de ensino decaído; alunos sem condições de pagar cursinhos particulares. Cinco mil vagas é um número insuficiente, o Educafro atende 9 mil alunos carentes, mas é, sem dúvida, uma iniciativa, um primeiro passo que será, certamente, seguido de outros. A tendência é crescer.

A formação de um cursinho pré-vestibular comunitário foi a alternativa que a USP encontrou, diante da política de cotas que o Ministério da Educação tenta implantar. A USP prefere ajudar na formação dos alunos do ensino médio, nas deficiências curriculares desse ensino, que aceitar aluno sem qualificação para os seus cursos, o que iria desestabilizar o seu padrão de ensino. Essa convicção foi reforçada após a primeira lei de cotas destinadas aos alunos da rede pública, aprovada pela Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, em 2000. Na ocasião, os professores das universidades estaduais exigiram que se implantasse um Sistema de Acompanhamento do Desempenho dos Estudantes do Ensino Médio paralelo. Instituiu-se uma prova e os alunos que obtivessem conceitos D e E não poderiam pleitear a inclusão nas cotas. Em outubro de 2002, foi feita a primeira avaliação e 42,2% tiveram conceito E – menos  de 20% de acertos na prova – e 34%,  conceito D – menos de um terço de acertos na prova.

A avaliação preliminar às cotas mostrou uma precária formação, incapacitada à freqüência de uma universidade pública. Entendeu a USP que a desigualdade social não se corrigirá através de cotas e, sim, por melhorias no ensino público.

Ainda sobre o debate de cotas, o reitor Adolpho José Melfi revelou números do vestibular da USP de 2003, que mostram não ser apenas a origem racial ou pobreza os impedidores do ingresso à universidade. Entra aí, com peso considerável, a escolaridade dos pais. 34% dos inscritos no vestibular eram alunos do ensino médio público. Entre os aprovados, o índice foi de 18%. O que chamou a atenção foi o fato de, nesse montante, apenas 2% dos aprovados ter renda familiar mensal per capita inferior a R$ 500,00. Candidatos que conseguiram ingressar nas melhores universidades, tanto estaduais com federais, geralmente, têm pai e mãe com curso superior completo. Em alguns cursos, a porcentagem chega a 80% dos aprovados.

Esses dados vêm comprovar como o ambiente cultural interfere diretamente na aprendizagem do aluno. Analistas sociais citam a baixa escolaridade dos pais como forte fator de exclusão social, sobrepujando a faixa de renda familiar.

Quando se fala em baixo nível de escolaridade, a qualidade de vida surge como espelho refletor da realidade. Fatores culturais empobrecidos geram nível de ensino empobrecido. O ambiente cultural nativo tem peso considerável no desequilíbrio social. Que se arregimentem forças na ajuda ao aluno carente, seja por financiamentos, por bolsas de estudo, vagas estatizadas, vagas oficiais, cursinhos pré-vestibulares, isenção de taxas de inscrições ao exame vestibular, ou por outros mecanismos que venham facilitar o aluno pobre a estudar.

Que esses estudantes não sejam eles os pais, sem curso superior, a interferir negativamente na boa aprendizagem de seus futuros filhos. Que a médio prazo possamos reverter esse quadro, substituindo-o por um mais iluminado panorama educacional. Uma forte corrente de motivação deve percorrer os estratos mais pobres da população, provocar um renascimento, não deixando que o aluno pobre, ao concluir o ensino médio, pratique um ato de renúncia, de auto-exclusão. Esse aluno eleva sua autoconfiança quando percebe viabilizado economicamente o seu ingresso ao ensino superior.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2004)

A CRESCENTE ONDA DE VIOLÊNCIA INFANTO-JUVENIL

Izabel  Sadalla Grispino *

Como pode a escola, nessa linha, exercer seu papel de coadjuvante da transformação social? Sabemos que escola e sociedade se integram, se interagem. São interfaces que se refletem, que se completam: uma recebe o produto da outra. O projeto pedagógico da escola deve contemplar a realidade vivida pelo aluno, seu cotidiano; contemplar o contexto socioeconômico-cultural, no qual se insere. A contextualização é matéria-prima do currículo. A análise reflexiva do comportamento social é vital para a performance da escola. Os alunos que a freqüentam saem da sociedade, é dela parte integrante. De que características se reveste a sociedade de hoje?

No cotidiano social vivenciamos a violência, a fome, a corrupção, o desemprego, tudo banalizado pela alta freqüência. Estamos nos tornando uma comunidade anestesiada pela repetida violência, que vai minando o organismo social. Presenciamos uma juventude desajustada, psicologicamente envelhecida, renunciando, no uso da droga, a própria capacidade de sonhar. O número de delinqüência juvenil vem aumentando em progressão geométrica. A miséria moral é a mola crescente desse pejo social.

As causas da violência, apontadas por especialistas, ajudam no entendimento e na colaboração que cada instituição – família, escola, igreja, justiça, polícia... – pode dar. Pesquisas realizadas nessa área mostram várias causas, todas girando em torno da família. A ênfase é dada à desestruturação da família. A destruição do casamento vem trazendo uma amarga fatura. A ruptura familiar produz na criança, no jovem, o “rasgão afetivo”, responsável por um desajuste precoce. É como se diz: “A pobreza material castiga o corpo, mas a carência afetiva corrói a alma”. A ausência de vínculos afetivos gera introspecção, frieza, revolta. Sem carinho, a criança cresce sem referenciais.

Quem não aprendeu amor em casa, dificilmente levará amor para a rua. O numero de casas sem pais vem crescendo assustadoramente. Pais ausentes, filhos delinqüentes. Pais fora de casa, filhos entregues à “babá eletrônica”, com suas nefastas conseqüências.

Família sadia é ainda a melhor receita para uma sociedade sadia. Família que reza unida, permanece unida, nos ensina a Bíblia Sagrada. Coelho Neto já nos dizia: “A família é a célula-mater da sociedade” e a sabedoria popular nos adverte: “Colheremos o amargo fruto que a nossa omissão ajudar a semear”.

O resgate da juventude passa, sem dúvida, pela recuperação da família. O jovem precisa buscar sentido na família.

Preconiza-se, como medida salvadora, a volta da família nos moldes tradicionais, fortificando-se os laços familiares. Não adianta o brilho do intelecto se não houver o brilho de sentimento.

Violência e droga são aspectos afins,  ambas se prendendo à crise familiar. Uma pesquisa do Ibope, realizada em fins do ano passado, em cinco capitais brasileiras, concluiu que os conflitos familiares, o declínio da família, são a principal causa da entrada dos jovens no mundo da droga. De cada 100 adolescentes entrevistados, 35 alegaram que se drogavam para fugir dos problemas familiares. O segundo motivo, a necessidade de ser aceito pelo grupo, vem bem atrás, 15% dos jovens visitados. Um estudo do Centro Brasileiro de Informação sobre Drogas  (Cebrid), em setembro de 1999, mostrou que 26% dos jovens brasileiros usaram algum tipo de droga, legal ou não. Hoje, esse número, estima-se ser maior. Nas famílias problemáticas, esse índice era bastante superior.

Uma segunda causa apontada pra o crescimento da violência infanto-juvenil são os jogos eletrônicos. Uma pesquisa realizada, durante 5 anos, pela psicóloga Paula Gomide, professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Paraná, com 500 crianças e adolescentes, relata: “Cumulativamente, os efeitos da exposição contínua à violência podem causar sérios danos psicológicos”. Especialistas endossam essa afirmativa, demonstrando forte conexão entre a violência transmitida via entretenimento e sua dramática transposição para a vida real. Um dos videogames de maior sucesso, o Carmageddon, revelou-se um autêntico laboratório de crime e perversão. Um garoto de 12 anos assim se manifestou: “Eu acho dez o Carmageddon. É engraçado ver todo mundo se despedaçando. Eu adoraria poder jogar o carro em cima dos pedestres, principalmente idosos. É legal ver o velhinho sair correndo e a gente atrás”. É uma apologia ao comportamento destrutivo, indiferente ao sofrimento humano, antes, estimulador.

Essa precoce carga de perversidade pode estar na origem de comportamentos patológicos, excessivamente agressivos. No próximo artigo, continuaremos abordando o assunto, refletindo sobre novas causas da violência.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2000)

A ESCOLA EM SEU NOVO DIRECIONAMENTO

Izabel Sadalla Grispino *

Penetrando no mundo de valores diferenciados, na tentativa de alcançar as diversidades culturais, a escola expande seus horizontes, ultrapassa fronteiras e, num comportamento menos elitista, chega às camadas mais necessitadas da população.

A tendência atual é educar para a coletividade. A diversidade cultural hoje é mais acentuada que ontem e as crianças, desde cedo, entram em contato com ela. Como se situar nessa diversidade? Como se ajustar a ela sem confrontos desgastantes?

A educação direcionada ao coletivo leva ao enfraquecimento da competitividade. Educa para o entendimento da realidade circundante, do entorno, para conhecer a história do outro, suas tradições, seus costumes, seus anseios e limitações. Esse conhecimento aproxima uns dos outros, relaxa as rivalidades, convida às mãos estendidas.

Vivemos um outro momento, em que se faz necessário uma educação de valores abrangentes, uma compreensão de padrões de comportamento, de normas subjacentes aos diferentes grupos de convivência social. Uma educação que alcance a formação de uma consciência moral.

Crianças de origens diferentes, agindo de forma coordenada, colaboram para o equilíbrio, para uma convivência mais pacífica, desarmando intenções. A escola passa a educar para a responsabilidade social, ensinando a criança a participar da construção de uma sociedade cidadã, onde se trabalha o respeito aos direitos do outro e a consciência dos próprios deveres.

A escola passa a educar par a construção de uma sociedade comunitária, onde um sente a necessidade do outro, onde se aprende a não mais ignorar o outro, num aproveitamento de mente, de alma e de braços, no reerguimento da paz e da própria economia da Nação.

Já é tempo de se olhar, como aprendizes, às comunidades pobres. Saber ver o seu potencial, o imenso capital de conhecimento que essa comunidade herdou de pais, de avós, ver os valores socialmente criativos que expressam.

Nesse aspecto, a escola passa a ser uma instituição da coletividade, seguindo o relatório da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI (Unesco), que estabeleceu quatro pilares, como eixos estruturais da Educação na sociedade contemporânea: Aprender a Aprender – buscar o saber, alcançar os seus objetivos;  Aprender a Fazer – relacionando o ensino à prática; Aprender a Viver e Conviver – desenvolver o conhecimento do outro, formar uma nova mentalidade, que vai gerar mais união e diminuição da competitividade, vai gerar o desejo de criar, de elaborar projetos conjuntos, de viver juntos; e Aprender a Ser – desenvolver a capacidade de autonomia e julgamento, fortalecendo a responsabilidade pessoal pelo destino coletivo.

Hoje, a escola reforça a visão de que a educação deve se dirigir ao convívio coletivo, ao desenvolvimento humano, no encontro das diferentes culturas, aproximando os povos e os segmentos da sociedade.

Transformar o meio em que se vive passa, necessariamente, pela sala de aula. Já passou a época da alienação aos menos favorecidos. Terá que haver um esforço para conciliar a destinação com a esperança. Um esforço para anular o sintoma da desigualdade e acreditar na capacidade de recuperação.

 

* Supervisora de ensino aposentada.            
(Publicado em dezembro/2006)

A BIBLIOTECA

Izabel Sadalla Grispino *

A biblioteca é da comunidade o seu mestre-sala abrindo alas para a entrada do caminho do sol, descortinando um horizonte de estrelas. Ela é a sua fada-madrinha, presenteando a população com a mais cara jóia da humanidade, o livro. Nela moram os gênios da humanidade, os grandes das ciências, das artes, da filosofia, nela está armazenada a nata da intelectualidade mundial, as obras dos maiores artistas, dos maiores pensadores de todas as civilizações. Ela nos põe em contato com séculos de sabedoria e “só depende de você, de sua vontade de crescer como ser humano, na companhia deles”.

É a biblioteca quem fornece a matéria-prima da cultura, do reforço escolar, quem propicia e fortalece na criança e no jovem o hábito da imperiosa leitura, o hábito de ler. Ela é um recurso didático imprescindível ao ensino-aprendizagem. Com a adoção, pela escola, do método construtivista, coloca-se a pesquisa na vanguarda da metodologia.

A familiaridade com os livros deve acontecer desde a mais tenra idade. Várias são as estratégias utilizadas, lembrando a já consagrada “hora do conto”. Deve-se valer do imaginário mágico da criança e estimular a curiosidade, passar imagens, conceitos, como de que em cada livro há um tesouro escondido e que os mais valiosos tesouros do mundo estão guardados na biblioteca. Extrair das histórias o conteúdo moral, educacional, relacionando-o ao tesouro escondido.

Se quisermos formar leitores temos que nos valer de procedimentos que convirjam para esse fim. Montar uma biblioteca, com atrativos visuais, em local amplo, espaçoso, arejado, mantendo-o sempre limpo, com livros, revistas e jornais que atendam as diferentes faixas etárias, dispostos de maneira atraente, de fácil alcance e manuseio, de retirada facilitada, inclusive estimulada, porque o mais comum é dificultar, desestimulando o seu uso.

A biblioteca deve se constituir num ambiente acolhedor, convidativo, o usuário ou o aluno orientados, reiteradas vezes, para colaborar com a ordem, serem responsáveis, ajudando a manter o livro em bom estado de conservação. É indispensável uma pessoa treinada, encarregada da organização, da manutenção, do atendimento à população como um todo.

Frases estimuladoras, incentivadoras, slogans, devem ser espalhados em volta e dentro da biblioteca. No final do artigo, passo aos interessados, em meus versos, considerações e imagens sobre biblioteca, que podem ser colocados nas portas ou nas paredes da biblioteca, como estímulo e reflexão.

Sem a educação de nada adiantaria o avanço social; ele perderia sua base de sustentação, de conservação. São os livros que fortificam e dão forma à educação. Uma biblioteca pública coloca, em seu regaço hospitaleiro, também o menino pobre, estendendo-lhe as mãos, ajudando-o a desbravar sua inóspita floresta, fazendo-o alcançar a clareira e com ela encontrar o seu vale do sol.

Já se disse que “os livros constroem as grandes pátrias”. Os povos ignorantes abdicam de si nos outros e voltam-se à servidão e ao desaparecimento. A biblioteca, por seus livros, é a saída honrosa para se erguer o nosso Brasil, é a saída honrosa para fazer seu povo ascender, com dignidade e sabedoria, na escala social. Ela é o salvo-conduto para o mundo do conhecimento, mundo este encarregado de trazer a compreensão e a paz, de equilibrar o desnível social.

Quanto mais livros à disposição da população, mais a certeza de que ela saberá como achar seu tesouro escondido, como encontrar o verdadeiro caminho da felicidade.

 

BIBLIOTECA

Quanto encanto numa biblioteca!

Nos livros, quanta sabedoria!

As histórias da criança sapeca

Acordam do sono a alegoria!

Guardemos, pelo livro, respeito,

Tenhamos, por ele, o maior conceito!

Há vida intensa na biblioteca,

Nela moram o poeta e o escritor,

É da língua escrita a discoteca,

A ousadia do grande inventor!

O livro é um caminho de luz,

Como a Bíblia, ensina ver Jesus!

Biblioteca é desenvolvimento,

Sinônimo de educação,

Representa, ao homem, crescimento,

Força pra mente e pro coração!

O livro ensina a viver em paz,

Ele guarda as jóias que o mundo faz.

 

*Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em março/2001)

PARCERIA PROFESSOR-ALUNO. CONCEITOS BÁSICOS

Izabel Sadalla Grispino *

A parceria do professor com o aluno cria, na sala de aula, um clima interativo, um conhecimento articulado, facilitadores da comunicação e da abordagem da educação democrática e libertadora.

Ao trabalhar o aluno, sua matéria-prima, o professor marca sua presença na sociedade, quando lhe entrega o resultado de sua obra maior: um cidadão conscientizado de que o desenvolvimento do País é a soma do desenvolvimento individual.

Para chegar a esse bom termo, o professor precisa adequar o seu ensino ao tipo de aluno que recebe; precisa falar, como emissor, a língua do aluno, o receptor. Conhecê-lo bem, conhecer seu universo cultural, deve ser o ponto de partida, a fim de centrar a aprendizagem em bases no real, no concreto, preferentemente nas séries iniciais, e evitar, assim, uma possível inadaptação do aluno aos métodos da escola.

Escola é vida, é experiência de vida. Investigar o cotidiano do aluno, trazer sua vida à escola, relacioná-la, estrategicamente, aos conteúdos do currículo, vão tornar a aula mais atraente, mais condizente com esse aluno.

O ato pedagógico deve estar inserido nas condições psicossociais do aluno, dentro de sua faixa etária, e ministrado de forma prazerosa e afetiva. O professor deve encaminhar o seu ensino de modo a desenvolver habilidades paralelamente à aquisição do conhecimento. Estes preceitos já aprendíamos, na década de 60, com o Prof. Anísio Teixeira, na proposta de sua escola-parque.

É consenso entre os pedagogos de que “pacote pronto” leva à repetência e de que a apropriação do conhecimento historicamente constituído leva ao desinteresse, à apatia.

A função do professor é um questionar contínuo. Deve ser um pesquisador permanente. Para melhor se aproximar do aluno, questiona-se: quem é esse elemento humano que recebo? Como é o seu modo de vida? Quais são as suas condições financeiras? Quais as marcas culturais que traz de sua família? De sua comunidade? Mediante respostas obtidas, ressalta as variantes que deve considerar no seu planejamento de ensino e os meios para interagir com elas.

Todavia, a competência do professor está em superar gradativamente essa realidade e dar ao aluno uma formação compatível com o mundo moderno, remetendo à escola o seu caráter formal. É evidente que a preparação do professor tem reflexo na aprendizagem. Ele precisa mostrar qualidade, atualizar-se.

Uma das maneiras de conhecer o aluno é trocar informações com ele. Nessa troca, o professor não pode considerar, apenas, o seu saber, mas, também, o saber do aluno. Não fecha o conhecimento, não se coloca como o “detentor do saber”, ao contrário, abre-se para outras culturas, as pluriculturas, que, mesmo diferentes da sua, são igualmente válidas. É uma troca onde se transmitem e se recebem informações. Tem que “aprender a aprender”, como enfatizou o nosso Paulo Freire, saber interpretar as múltiplas linguagens, as falas heterogêneas, na constatação de que o saber é uma viagem, não um porto.

A troca é democrática, forma o aluno para o diálogo. Democracia é treino. A parceria, a troca, são canais, por vezes, difíceis, que demandam tempo, mas que precisam acontecer.

Traçando o perfil do aluno, valorizando sua história, obedecendo a estrutura do pensamento – as fases específicas do desenvolvimento mental delineadas por Jean Piaget – o professor terá um aluno interessado, participativo, com um desempenho que irá, indubitavelmente, do grau bom ao excelente.

Um outro aspecto a ser considerado nessa linha de atuação é não se utilizar do saber como fonte de poder: o professor detém o poder porque é aquele que sabe, o aluno aquele que não sabe. O saber, embora tenha o seu peso, não pode ser o determinante do poder. O poder não pode estar monopolizado, restrito a uma pessoa ou a um pequeno grupo, mas estender-se a todos os membros da parceria; um poder compartilhado, do aluno para o professor, do professor para o diretor, da comunidade para a escola e vice-versa, onde todos devem ter voz e vez. Um poder que ressurge do grupo, nunca imposto de cima para baixo. Isso, desde a colocação de procedimentos disciplinares, dos limites, os quais deverão ser elaborados, analisados com os alunos, antes de serem adotados, até a escolha de cursos que serão ofertados pela escola.

A opção, hoje, não é pela disciplina do silêncio, mas pela disciplina do diálogo, que conscientiza e, por isso mesmo, favorece o compromisso, a cumplicidade, a vontade de acertar. Desemboca na educação libertadora.

A educação libertadora contempla o construtivismo, faz do aluno o agente e o centro da aprendizagem. No desenrolar de seu processo, o aluno, ao ser encorajado e valorizado em sua fala, libera o seu eu, caminha para a criatividade, para o espírito crítico, atingindo autonomia de expressão. É a pedagogia de um saber que resulta da observação, da pesquisa, da experimentação, do fazer e que, através desses passos, chega, criticamente, ao saber acumulado pela humanidade. Não se quer um aluno acrítico, acomodado, mas um indivíduo crítico, participando da transformação do mundo.

Ao pensar criticamente, o aluno vai aprendendo o sentido específico das palavras, o sentido, por exemplo, de liberdade, dos limites que se impõem para conquistá-la, diferenciando-a de libertinagem, de atos libertinos. A educação libertadora prioriza o ser pensante, o ser capaz de ousar para, no amanhã, enfrentar, com coragem, os desafios inerentes à própria vida.

Atuar profissionalmente, de modo a não sufocar a semente plantada, a regá-la, a arejá-la e no seu desabrochar poder dizer: “Eu fui, apenas, o jardineiro; a flor já estava lá”, é a grande realização do professor.

* Extraído do site www.izabelsadallagrispino.com.br

AVANÇAR NA APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino *

Uma inscrição esculpida no mármore da arquitrave da biblioteca pública de Boston diz: “A comunidade exige educação do povo como salvaguarda da ordem e da liberdade”.

Não parece ter sido fácil, aos nossos governantes, atingir esse pensamento, tendo em vista o nosso sistema educacional decadente. Educação está na base de qualquer alteração social. Nosso atraso educacional salta aos olhos. Um trabalho de conscientização da necessária elevação do padrão de ensino, atingindo, em massa, a formação continuada do professor, viria como um colírio para suavizar a deficitária e falha estrutura educacional.

O professor ainda veste a camisa da escola tradicional, transmitindo o conhecimento mais na base de lousa e giz. De um modo geral, resiste ao computador, deixa de usar este recurso e de estimular o aluno a aprender. Assim procedendo, não se enquadra, devidamente, à época vivida pelo aluno. Nessa era digital da sociedade cibernética, o raciocínio do aluno tem uma velocidade muito maior que há 20 anos. O professor, utilizando-se de métodos arcaicos, não se modernizando, impede o aluno de avançar e de encontrar um sentido maior na escola.

A escola precisa ser mais assistida, para melhor assistir, mais ajudada, no nível técnico e no nível financeiro. É preciso fazer dela prioridade nacional, lugar que nunca deveria ter deixado de ocupar. Como fazer o aluno avançar nos conhecimentos da informática, na evolução do raciocínio, da observação, da análise, da crítica, se quem o conduz é um profissional pouco aprimorado no assunto?

Hoje, sabemos, por exemplo, que os games de ação ajudam o cérebro. Jogos podem melhorar as habilidades visuais e os tempos de reação dos praticantes. Segundo uma nova pesquisa feita nos Estados Unidos, pessoas que brincam regularmente com jogos de ação de computador processam mais rápido informações visuais e com mais precisão que aquelas que não jogam. As conclusões sugerem que os jogos, anteriormente criticados, podem ter efeitos positivos e ser úteis para o ensino e o desenvolvimento de habilidades, desde que usados com moderação. Parece que a ação rápida que se desenrola na tela do computador pode treinar o cérebro para responder com mais eficiência a estímulos particulares, concluem os especialistas de ciências do cérebro.

Praticar o game, porém, não se tornar um jogador compulsivo, porque pode desenvolver também um nível de atenção muito pouco seletivo, além de a criança ficar mais impaciente e agitada. No dia a dia, o que se nota é que os games estão dando respostas mais rápidas e novos modos de comportamento. Um professor analfabeto em informática não acompanhará a agilidade dos alunos pós-modernos. Em muitas escolas oficiais não existem computador, em outras, os computadores ficam trancafiados numa sala, porque os professores não sabem como utilizá-los.

Hoje, o professor não tem como ignorar essa ferramenta de trabalho, não tem como não introduzi-la na sala de aula. O computador beneficia não só o ensino-aprendizagem como a vida do aluno, da comunidade, em geral, que acaba se beneficiando também. Na Índia, por exemplo, o governo priorizou o envio de computadores para as escolas situadas em áreas pobres do país e treinou os professores. Os resultados dessa política atraíram a atenção de técnicos da ONU e da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, que registraram a velocidade das mudanças na qualidade de vida das pessoas depois que elas tiveram acesso ao computador. A informática vem se revelando como fator primordial para atenuar as desigualdades locais e regionais.

Percebe-se que a resistência da escola às novas tecnologias afeta a qualidade do ensino, desestimulando o aluno. É um retrocesso, inclusive, ao progresso da região onde ela se localiza. O computador abre caminho para um aprendizado que faz mais sentido para o aluno, porque permite executar projetos e pesquisas sobre situações reais da comunidade, quando força o aluno a procurar na matemática, na língua portuguesa e nas outras disciplinas os recursos na busca de soluções. A escola insere-se mais na comunidade, que ganha com essa inserção. A presença do computador é também indicador de qualidade de vida. Ele traz conseqüências benéficas e duradouras na vida dos beneficiados. Há pesquisas que mostram a velocidade das mudanças na qualidade de vida das pessoas depois que elas tiveram acesso ao computador. Escola e professor precisam mudar, aceitar seus novos papéis. A transmissão do conhecimento pelas vias tradicionais já está obsoleta. Construindo o conhecimento, professores e alunos passam, ambos, por uma experiência colaborativa de aprendizagem.

O desafio é fazer com que os professores mais tradicionais deixem de ter resistência ao computador e passem a usar este recurso para estimular o aluno a aprender e colocá-lo na modernidade.

UM QUADRO DO ENSINO SUPERIOR NO BRASIL

Izabel Sadalla Grispino*

O Censo do Ensino Superior divulgado, em 22 de novembro de 2002, pelo Ministério da Educação (MEC) mostra um crescimento de matrículas nesse nível de ensino. O número de alunos freqüentando o ensino superior privado foi quase três vezes maior do que nas instituições públicas, em 2001. No total de 3 milhões de alunos na graduação, mais de 2 milhões estudam em escolas particulares. 395 mil alunos se formaram no ensino superior, sendo o curso de Direito o que mais concedeu diplomas, graduando 44.202 bacharéis.

Entre os formandos, 35.149 concluíram o curso de Administração, pouco abaixo de Pedagogia, com 37.083. De acordo com o censo, as universidades formaram 8.004 médicos e 12.767 jornalistas. Do total, 263 mil cursaram a rede privada de ensino superior, enquanto 55 mil estudaram em instituições estaduais, 65 mil em federais e 12 mil em municipais.

A expansão é bem mais rápida na área privada. Nas universidades federais, o número de alunos cresceu 4,2%, em 2001, enquanto a taxa de expansão das instituições privadas foi quatro vezes maior: 15,7%. O censo revela a predominância do sexo feminino sobre o masculino na freqüência às faculdades. Os universitários são na maioria mulheres e estudam em cursos noturnos.

O crescimento em larga escala no ensino superior da área privada não trouxe correspondência quanto ao quesito qualidade dos profissionais formados. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) tem sido uma das entidades mais combativas contra o surgimento do que classifica de “fábricas de diplomas”, pelo baixo nível de conhecimento generalizado dos bacharéis.

O conjunto das instituições de ensino superior brasileiras oferecia, em 2001, 12.155 cursos de graduação. Porém, estudar numa universidade pública e gratuita é um sonho quase impossível para a maioria dos estudantes brasileiros, estudantes que freqüentam ou freqüentaram a educação básica pública, com seu baixo nível de ensino. Como sabemos, a expansão quantitativa do sistema educacional brasileiro não foi acompanhada da qualidade e a maior escolaridade, ou seja, o maior número de anos na escola, não se traduz em mais renda e melhor qualidade de vida para os futuros profissionais. Sem uma educação de qualidade, no sistema geral de ensino, não se pode esperar, de fato, um equilíbrio social, um contexto capaz de criar oportunidades iguais para todos.

Além da qualidade, existe, também, a falta da educação infantil, um grande fator da dificuldade de alfabetização do ensino fundamental. Segundo o Censo do IBGE, das crianças que chegam analfabetas à 4.ª série desse nível, 81% não passaram pela pré-escola. Pelas avaliações do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão do MEC, uma considerável parcela dos estudantes sabe menos do que deveria, na série escolar em que se encontra, e, outro tanto está atrasado quanto à idade e série. Freqüentam uma série que não tem correspondência com a idade.

Há muito, pois, que fazer para que o sistema escolar público represente fator de oportunidades para a classe social menos favorecida.

Os alunos devem prestar atenção às características que indicam  uma boa faculdade, quais sejam:

n  Turmas com, no máximo, 50 alunos;

n  Maioria dos professores com títulos de mestres e doutores;

n  Maioria dos professores em tempo integral;

n  Boas instalações de laboratórios e bibliotecas;

n  Além de graduação, cursos de pós-graduação.

Contudo, no ensino superior, surge uma luz através dos cursos de graduação de serviços do Senac. As Faculdades Senac, que se expandiram no fim dos anos 90, com seus cursos técnicos, oferecem graduação de alto nível, ligada aos serviços e comércio. Encontra-se em fase final de construção um moderno complexo educacional, um campus, em Santo Amaro/SP, de 120 mil metros quadrados para o ensino superior. Em áreas nada tradicionais, oferecem cursos de Moda, Hotelaria, Turismo, Gastronomia, Fotografia, Meio Ambiente, entre outros. O campus terá biblioteca, quase do tamanho de um campo de futebol e com um acervo especial sobre moda. Grandes espaços serão destinados a laboratórios e a um centro para estudo de gastronomia. A meta é ampliar o número de alunos de 4.200 existentes hoje para 14 mil até 2010.

A preocupação maior dos dirigentes do Senac é com a qualidade dos cursos, com a aprimorada formação dos educandos e colocar esses cursos em sintonia com o mercado de trabalho. Preocupa, também ao Senac, oferecer uma formação profissional sólida, humana e ética.

Em algumas áreas, o Brasil precisa mais de técnicos do que de acadêmicos e sua maior viabilidade é que os cursos do Senac seguem a demanda do mercado de trabalho e, caso este mude, mudam-se também os cursos.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2003)

A ESCOLA TRABALHANDO A VIOLÊNCIA

Izabel Sadalla Grispino *

A escola vem se preocupando cada vez mais com o problema da violência. Violência na sociedade que acaba na escola. Investe em atividades esportivas e culturais, cria projetos alternativos que envolvem os alunos e os afastam da violência. Vai além, estimula a participação dos pais e da comunidade nos programas desenvolvidos por ela, ampliando o sentido de escola, escola da família. Ela se transforma em espaço de atividades também para a comunidade.

Da prática de esportes em quadras, a escola programa formação de grupos de dança, teatro, formação de líderes, grupos de axé, hip hop, aulas de violão, discussões sobre a realidade vivida pelo estudante. O propósito é manter o aluno na escola, estimulá-lo à vida escolar e afastá-lo da criminalidade.

A escola diversifica para combater a violência, especialmente quando localizada em periferias de cidades com índices relevantes de criminalidade. As atividades variam de acordo com a realidade encontrada.

Uma boa estratégia é advertir os alunos que se não houver correspondência, se houver briga, os projetos serão cancelados. E o que se nota, nas escolas envolvidas nos projetos, é uma grande adesão dos alunos às atividades, principalmente, se são os próprios alunos quem define as oficinas, os cursos, ou os projetos a serem executados. Todos se integram e não criam confusão. Eles sentem que o espaço é deles e passa a valorizá-lo. Trabalha-se em parceria com os alunos e também com a comunidade.

Um procedimento que quase sempre atinge o alvo é trabalhar na formação de líderes. Cada sala elege o seu representante que será o porta-voz da turma. Ao despertar o interesse dos alunos, esse interesse os move, eles participam e vão deixando a criminalidade, reduzindo a agressividade. Afastam-se das ruas, preferindo ficar na escola, envolvidos com atividades esportivas, culturais e musicais. Há escolas que organizam belos corais com os alunos, que se apresentam, no período de Natal, em outras escolas da comunidade, em shoppings ou mesmo em empresas da cidade.

Pelo resultado de avaliações, as escolas, que assim se programam, que apostam num ensino diversificado, em atividades prazerosas para os alunos, têm conseguido freqüência participativa dos alunos em grau estimulador, assim como um envolvimento cada vez decrescente no crime.

Sob um outro ângulo, agora mais restrito ao recinto escolar, há um fator de violência, surgindo de relacionamentos interpessoais, entre alunos, relacionamentos conflitados, que não podem deixar de ser seriamente considerados pela escola.

A escola deve trabalhar os efeitos negativos que interferem na personalidade. No caso da violência acima citada, atacar as causas, às vezes aparentemente sem conseqüência, mas que vão, pela repetição, pela persistência, gerar atos de extrema violência, chegando à morte. Estuda-se, hoje, o reflexo de um fenômeno mundial, conhecido como bullying. Bully, em inglês, quer dizer valentão, brigão.

Bullying refere-se a humilhações constantes sofridas, por um estudante, na escola onde freqüenta. Refere-se à prática de atos agressivos e humilhantes de um grupo de estudantes contra um colega, sem motivo aparente. Essa atitude de humilhação provoca revoltas marcantes no adolescente, que, em momento de crise, chega a cometer assassinatos em série. Vários casos são assinalados, como por exemplo, de um garoto de 13 anos, sofrendo por mais de 2 anos na escola repetidas humilhações, por parte de colegas. Num repente de muita revolta, comprou, com o dinheiro da mãe, um revólver e saiu atirando.

Pesquisa, com 5.482 alunos de 5.ª à 8.ª série de 9 escolas públicas e 2 particulares, mostra que 40,5% dos entrevistados admitiram ter envolvimento direto com episódios de humilhação na escola. Cerca de 27,8%, foi vítima de bullying. Eles contaram que receberam apelidos (54,2%), ameaçados (8,5%) e tiveram objetos roubados ou destruídos (4,7%). Em 60,2% dos casos, os episódios ocorreram em sala de aula. Dos alunos ouvidos, 23,7% confessaram que humilhavam colegas; uns achavam a prática engraçada, outros que os colegas mereciam ser castigados. Apenas 19,5% foram repreendidos na escola.

Isso mostra que não se trata de uma porcentagem a ser desprezada. Mostra que a escola deve dar importância ao fato e desenvolver trabalhos com os alunos para conscientizá-los contra o bullying. Mostra que apelidos agressivos podem trazer efeitos muito danosos. Apelidos que acompanham o indivíduo a vida toda, e mesmo anos mais tarde, acabam levando-o à prática do bullying. Dizem os especialistas que “o que está por trás desse comportamento é a intolerância pelo diferente. A sociedade, a escola não podem pensar que isso é coisa de criança ou adolescente, uma fase que vai se resolver com o tempo”.

Para clarear o efeito bullying, o relatório cita o caso de um aluno de 18 anos, aluno de uma escola da cidade de Taiúva/SP, que fora chamado de “vinagre”, por anos, pelos colegas, após ter feito uma severa dieta. Os colegas diziam que ele havia emagrecido de tanto beber o tempero. Acumulando revolta, num ato de destempero, feriu 6 pessoas na escola e se suicidou. Fato ocorrido em janeiro de 2003.

Monteiro Filho, presidente da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia), explana o assunto no seu livro “Diga não para o bullying”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2004)

ALUNOS EM DESAJUSTE DE IDADE E SÉRIE

Izabel Sadalla Grispino *

Em 23 de maio de 2002, o Ministério da Educação (MEC) divulgou dados do Censo Escolar de 2001, onde demonstrou que uma parcela significativa de alunos está atrasada em relação à série ideal. Demonstrou um aumento do número de estudantes que concluem o ensino fundamental e médio com desajuste entre idade/série. A idade ideal para terminar a 8.ª série é 14 anos. Dos 35,3 milhões de alunos matriculados no ensino fundamental 22% têm mais de 14 anos, mas 31%, dos 2,6 milhões de alunos que chegaram ao fim do ensino fundamental em 2000, têm mais de 18 anos. A situação piora no ensino médio: dos 8,4 milhões de jovens matriculados, 54% têm mais de 17 anos e entre os concluintes, em 2000, 49% tinham mais de 20 anos.

O atraso escolar é um problema para a continuidade dos estudos. O aluno ou acaba evadindo-se da escola, abandonando os estudos, ou vai para o ensino supletivo. O crescimento de matrículas, na educação de jovens e adultos, é um indicador da passagem da escola regular para o ensino supletivo. O censo mostra outra parte das distorções quando registra 240,7 mil alunos com mais de 29 anos matriculados na 1.ª à 4.ª série. Esses alunos não deveriam estar freqüentando um curso como o ensino fundamental, mas recebendo um tratamento educacional mais adequado às suas condições.

O censo de 2000 registrou 3,4 milhões de estudantes, o censo de 2001, 3,8 milhões, com um aumento de 11%. Somando-se todos os níveis da educação básica, há mais de 54 milhões de alunos, em 2002, matriculados. Esses dados vêm demonstrar uma explosão de matrículas, uma ênfase na quantidade e não na qualidade.

O número de matrículas no ensino fundamental é bem maior do que a população de 7 a 14 anos, o que mostra o desencontro entre idade e série, ocasionando distúrbios na aprendizagem. São 26 milhões de crianças nessa faixa etária ante 35,3 milhões de matriculados. Essa distorção deve servir de alerta às autoridades da educação, na proposição da criação de modalidades de ensino que equacionem a situação.

Em contrapartida, há uma outra discrepância que deve ser revista: a maior parte dos alunos que fazem o supletivo tem entre 18 e 24 anos. Dos 3,8 milhões, 1,2 milhão estão nessa faixa etária. Mas, o censo mostrou que há crianças em idade para freqüentar a escola regular fazendo supletivo. São 79 mil alunos de até 14 anos matriculados nos supletivos e 530,7 mil de 15 a 17 anos.

O censo constatou, o que já se sabia, que a pobreza é um fator que influi na evasão e na repetência escolar. Comprova o número de ingressantes e concluintes do ensino fundamental. No Nordeste, região mais pobre do País, apenas 38% dos 2,3 milhões de alunos que ingressam na 1.ª série chegam ao fim do ensino fundamental. No Sudeste, região mais rica, 76% chegam ao fim do ensino fundamental.

Abriu-se vaga para todos nesse grau de ensino e a camada mais pobre da população começou a adentrar a sala de aula. Alunos que, provenientes de lares de renda mínima, de pais de baixa ou de nenhuma escolaridade, sem a freqüência à pré-escola, sem estimulação familiar aos estudos, vivendo num ambiente de pobreza financeira e cultural, se esbarram no caminho do aprender e acabam por desistir da escola.

A escola, por sua vez, atua com professores de precária formação, incapazes de uma metodologia que entre no mundo desmotivado desses alunos e os conduzam ao universo do saber. Embora o censo tenha demonstrado um aumento de professores, sobretudo na pré-escola, com curso superior completo – aumento de 40% -- ainda prevalecem os docentes com ensino médio completo: são 169,6 mil de um total de 248,6 mil. Em 2001, 61,3 mil professores de pré-escola tinham cursado uma faculdade.

A mesma situação repete-se com os professores das creches, em que prevalece a formação de nível médio. Dos 63 mil professores de creche, 68% têm diploma de 2.º grau. Na 1.ª à 4.ª série, nível em que 67% dos 809,2 mil professores têm magistério, houve um aumento de 47 mil professores lecionando com  diploma de grau superior.

O aumento de professores cursando o ensino superior é, sem dúvida, fator positivo, a redução de professores leigos, que não concluíram o ensino médio – a qualificação mínima para se dar aulas – foi significativa, de mais de 50%, mas não o suficiente para se reverter a situação da má qualidade do ensino. Em 1998, havia 95 mil docentes leigos, ante 46 mil constatados em 2001.

Duas grandes lições podemos tirar do censo 2001. A necessidade de se programar ações efetivas para a aprendizagem de jovens e adultos, colocando-os frente a uma metodologia que dê conta dessa faixa etária, considerando seus perfis, seus ritmos, e a de investir-se na formação dos professores, criando condições a uma formação continuada e em serviço.

Assistir a pobreza, criar boas condições de trabalho, diminuir o número de alunos por classe, cuidar melhor da escola, são combinações que trarão melhorias na qualidade de ensino.

* Supervisora de ensino aposentada.           
(Publicado em novembro/2002)

* Supervisora de ensino aposentada.

(Publicado em novembro/2002)

CAMINHOS ALTERNATIVOS PARA A APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino*

A qualidade de ensino das escolas públicas continua sendo um grande desafio. As estatísticas multiplicam-se em seus resultados desabonadores. Mostram que 54% das crianças que estão na 5.ª série do ensino fundamental lêem mal e não conseguem interpretar o texto lido. O mais cruciante são as crianças que ficam fora da escola, expostas a todo tipo de violência: exploração sexual, trabalho infantil, direitos violados. Essas crianças, vivendo o abandono, a ausência de valores, transformam-se, com facilidade, em marginais, em delinqüentes. Estudos têm demonstrado que violência é menos fruto da pobreza que do desequilíbrio social. Ela resulta, preferencialmente, da desigualdade, do confronto entre riqueza e pobreza, da pobreza dentro da riqueza. Resulta de uma juventude desarticulada em seus valores, sem rumo.

A sociedade precisa encontrar respostas a essa juventude, fazê-la ter perspectivas de novos horizontes. Reforçar a bolsa-escola é um procedimento que se faz urgente. Preparar o professor para receber e reter essas crianças no recinto escolar é outro procedimento urgente. Preparar diretores para se ocupar da parte pedagógica, envolver-se mais com os projetos acadêmicos e menos com o prédio escolar ou com as questões burocráticas. Preparar a escola para incentivar a participação comunitária. Oferecer aos professores educação continuada, de preferência na própria escola, estimulando a formação permanente.

Fazer a criança, o jovem e o adulto estudar é ponto crucial para se enfrentar a grande desproporcionalidade socioeconômica reinante. Um outro recurso educacional, que vem crescendo a cada passo e que deve ser passado à comunidade, é a viabilidade do estudo a distância. Apostilas pelo correio, telecursos na televisão e pós-graduação por videoconferência são alternativas para quem não pode ir à escola e quer estudar. Estamos em plena era da alta tecnologia, quando se fazem pesquisas e mesmo operações bancárias via internet. Fala-se com grupos de pessoas em teleconferências, acompanham-se as imagens, em tempo real, de guerras longínquas pela TV.

Encaminhar o jovem e o adulto para cursos a distância é porta aberta em direção aos estudos. Orientá-lo, quando for o caso, a freqüentar um supletivo a distância. No Estado de São Paulo, o Instituto Universal Brasileiro, por exemplo, funcionando desde 1941, oferece cursos técnicos e supletivo de ensino fundamental e médio por um preço bastante acessível. O curso é de 24 parcelas de R$ 26,00 e a maioria dos alunos tem mais de 25 anos. O Instituto Monitor, com 63 anos de funcionamento, oferece mais de 30 cursos a alunos de todo o Brasil. Inclui ensino fundamental, médio e cursos técnicos de eletrônica, contabilidade, secretariado, transações imobiliárias e informática. A média de idade dos alunos é de 35 anos e 52% são homens. Há um plantão permanente de dúvidas, que pode ser acessado pela internet, fax ou carta. O Instituto Universal Brasileiro e o Instituto Monitor são reconhecidos pelo Conselho Estadual de Educação, órgão fiscalizador.

O Telecurso 2000, aulas televisivas, desenvolvido pela Fundação Roberto Marinho em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), apresenta uma metodologia dinâmica, em aulas baseadas na realidade, que se desenvolvem através de situações do cotidiano e interpretadas por atores que se revezam com as explicações dos professores. Os diplomas oferecidos aos alunos são reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC). Desde 1978 no ar, os telecursos são transmitidos por 10 emissoras do País, a rede Globo e mais 5 canais educativos. As aulas podem ser assistidas em telessalas, existentes em grande número por todo o País, que têm vídeo, orientador capacitado no uso da metodologia e material pedagógico de apoio, ou assistidas em casa. Quem assiste aos telecursos em casa pode adquirir o material didático em livrarias ou bancas de jornais. As provas finais devem ser agendadas pelas secretarias municipais de educação. Uma infinidade de brasileiros utiliza-se do Telecurso 2000.

Em rede de conhecimento, nas ondas cibernéticas da internet, surge a interatividade, o grande fator de estimulação e de abrangência. Essa rede vem se espalhando como instrumento de ensino para profissionais de empresas, nas chamadas universidades corporativas. A Petrobrás, com 27 anos de experiência, é uma das pioneiras em educação a distância. Ela faz uso dos mais variados veículos, tem uma grande variedade de cursos, tanto pela internet (ensino conhecido como e-learning), como com mídia impressa e TV. Mantém, atualmente, 45 salas de videoconferência, oferecendo, inclusive, cursos de mestrado, em parceria com universidades. Para atender a necessidade do aluno, este pode defender, por exemplo, uma tese estando numa plataforma em Manaus, assistido pelo professor em São Paulo, com uma banca de jurados em Brasília, todos seguindo a apresentação em tempo real.

O MEC mantém alguns programas, desenvolvidos pela Secretaria de Educação a Distância, como a TV Escola, que envia televisores, antenas e fitas de vídeo aos colégios; o Programa Nacional de Informática na Educação, com distribuição de computadores para a rede pública; e o programa de complementação para professores que não têm habilitação pedagógica, entre outros. Para a pós-graduação lato sensu a distância, 4 universidades aprovadas pelo MEC oferecem cursos de licenciatura para professores da rede pública, no ensino fundamental.

Os cursos a distância são caminhos que chegam a um lugar de sol. São pontos  de apoio para uma juventude que busca sua auto-afirmação. É preciso que se passe avante tais possibilidades, que escola e meios de comunicação divulguem os cursos a distância, fazendo o povo deles tomar conhecimento e deles tirar proveito.

Caminhos para a educação devem ser expostos e incentivados a trilhá-los. Neles estão a salvaguarda da igualdade, da liberdade e da fraternidade.


* Supervisora de ensino aposentada.          
(Publicado em maio/2004)

O EXAME VESTIBULAR

Izabel  Sadalla  Grispino *

O exame vestibular continua sendo o grande processo de seleção ao ensino superior, o que responde, ainda, pela formação de calouros nas universidades públicas. É um processo que acaba por discriminar as classes populares, revelando o desnível existente entre a boa e a má educação.

O vestibular já se firmou como a oportunidade dos bem-nascidos, como o trampolim da elite para o melhor do ensino superior. Ele se constitui na última etapa de uma seleção que começou bem antes, na aprendizagem das primeiras letras. Seu afunilamento é preenchido por alunos que receberam a melhor educação, que freqüentaram a melhor escola. Ele é um termostato de todo o conhecimento adquirido anteriormente. Não é, pois, o 3.º ano do ensino médio, ou o próprio ensino médio que aprova ou reprova o candidato no vestibular. Ele, também, não é uma tentativa tão aleatória, como querem alguns, chegando a classificá-lo como um jogo de sorte ou de azar. A um professor do 3.º ano do ensino médio não é difícil prever quem passará na 1.ª tentativa, quem conseguirá na 2.ª e quem nunca chegará lá.

A “Folha de S. Paulo”, em 1999, denunciava o fracasso dos estudantes da rede pública no vestibular da Fuvest. Nesse vestibular, a rede pública teve o pior desempenho da USP. O perfil socioeconômico, traçado pela FUVEST, que faz levantamento de dados desde 1977, mostra que a grande maioria dos alunos freqüentou escola particular e pertence à classe média/alta e que os alunos da rede pública estão desaparecendo da Universidade de São Paulo. Em 1977, 57,3% dos novos alunos vinham da rede pública e 29,3% das escolas particulares. No ano de 1999, 62,4% dos calouros cursaram o 2.º grau em colégios privados e apenas 20,7% não pagaram pela educação secundária.

A queda tem sido gradual e contínua. Os resultados dos últimos 5 anos são preocupantes, em termos de probabilidade de extinção desse alunado na USP – tal o grau de decadência do ensino público. Entre 1993 e 1998, houve uma queda de 12 pontos percentuais; alunos vindos de escolas públicas passaram de 32,5% do total de novos alunos para 20,7%. Presentemente, o alunado que sai da escola particular entra na universidade pública; o que sai da escola pública só consegue entrar na universidade particular. Um contra-senso. Uma distorção da realidade socioeconômica da população, provocada pela desigualdade cultural. Nessa conjuntura, escola particular tornou-se, praticamente, “pré-requisito” para entrar em uma universidade pública e esta – a melhor do País, a que oferece melhores empregos do mercado de trabalho – fica reservada aos ricos.

Há, ainda, um outro ponto a considerar nesta desigualdade. Investe-se no ensino fundamental, o que é muito louvável e caracteriza um avanço, mas deixa-se no vazio a educação infantil, denominada de pré-escola. É, aí, nesta fase inicial de estimulação às primeiras aprendizagens que se inicia a grande defasagem cultural das classes menos favorecidas. É aí, nesta faixa etária, que as crianças de famílias de baixa renda ficam, costumeiramente, de fora.

A pré-escola sociabiliza, desenvolve mais habilidades, melhora o desempenho escolar futuro, propiciando à criança resultados superiores ao chegar ao ensino fundamental. A educação infantil é o verdadeiro alicerce da aprendizagem, aquela que deixa a criança pronta para aprender. A ausência desse ensino, pelas crianças pobres, completa o ciclo da desigualdade escolar dessas crianças, futuros adultos, futuros concorrentes à marginalização profissional.

Felizmente, a preocupação com a pré-escola começa a ganhar força na área governamental. Em São Domingos, capital da República Dominicana, de 10 a 12 de fevereiro do ano 2000, realizou-se, com a participação de representantes dos ministérios da Educação da América Latina e do Caribe, além dos Estados Unidos e Canadá, a “Reunião das Américas para Avaliação da Educação para Todos”. O documento “Marco de Ação Regional”, elaborado por técnicos da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e do Banco Mundial, sintetizou as decisões, nas quais foi ressaltado o investimento na pré-escola, considerado como a nova prioridade em todas as ações educacionais nas Américas. O documento concluiu que a “insuficiente atenção ao desenvolvimento integral das crianças na 1.ª infância era o principal responsável pelas “altas taxas de evasão e repetência” na escolaridade básica. A prioridade de investimentos na pré-escola deve ser a 1.ª, dentre as outras, por garantir o direito universal de uma “educação de qualidade desde o nascimento”.

Considerou-se que os investimentos   devem contar com ampla participação social que assegure a transparência e devem ser descentralizados. Os governos aceitaram, também, o compromisso de que “os docentes têm lugar insubstituível na transformação da educação”. O uso dos novos recursos didáticos e tecnológicos na Educação não substitui o professor. A Unesco mostrou preocupações com a melhoria da formação docente, considerando que a valorização da profissão docente está associada à “melhoria das condições de vida e trabalho” do educador. Ainda, pelo documento, os governos assumiram o compromisso de “converter políticas assistencialistas em políticas de promoção de capacidades das pessoas”. O que seria extremamente louvável, pois deslocaria da escola o foco assistencialista, passando para o da competência.

Enquanto persistirem, em grau significativo, as desigualdades educacionais, acarretando desigualdades sociais, permanecerá, com raras exceções, a elite no comando do País. Perpetua-se no poder, desde a época imperial, apesar da propalada democracia, a classe abastada, dominando pelo dinheiro e pela cultura.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2001)

RESULTADOS DE AVALIAÇÕES ESCOLARES

Izabel Sadalla Grispino *

O processo de avaliação circula por todas as etapas da educação. Até 1995, com a edição do 1.º Saeb, Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica, as avaliações eram de dentro da escola – do rendimento escolar do aluno, na avaliação da aprendizagem, avaliação da atuação docente e da escola como um todo. Só a partir de então, o País começou a diagnosticar a escola de fora da escola.

Não se faz mais educação sem avaliação. As políticas públicas e os investimentos educacionais são determinados conforme os resultados das avaliações organizadas aos alunos, pelos governos. Tempos atrás, somente os professores avaliavam os alunos.

É consenso entre os educadores a validade dos resultados da avaliação para a qualidade de ensino. Se não fosse o Pisa, por exemplo, exame feito pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (Ocde), nós, brasileiros, não saberíamos que o nosso País está mal em educação, em relação aos outros países. O Pisa demonstrou que o Brasil tem um dos piores desempenhos em leitura e matemática.

O relatório global “Educação para Todos”, versão 2006, divulgado em novembro de 2005, pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), coloca o Brasil, entre 121 países, em 71.º lugar, em qualidade de educação. Revela falta de qualidade na educação e dificuldade de alfabetizar adultos. A colocação fica bem pior quando se avalia o número de crianças que chega à 5.ª série, do ensino fundamental: 85.º lugar, próximo de países africanos, como Zâmbia e Senegal.

No País existem diversos enfoques de avaliação: Saeb, hoje Aneb, o Enade que substituiu o antigo Provão, continuam o Enem e o Saresp. Foi criado, em 2005, o Encceja – Exame Nacional para Certificação de Competência de Jovens e Adultos, para avaliar os que concluíram o antigo supletivo.

Em novembro de 2005, houve a primeira avaliação do Aneb – Avaliação Nacional da Educação Básica, quando o Ministério da Educação (MEC), completando o Saeb, criou a Avaliação Nacional do Rendimento Escolar (Anresc), estendendo a avaliação a todos os alunos de 4.ª e 8.ª séries do País. Esse exame universal foi chamado de Prova Brasil. O Saeb revelou, por exemplo, que 60% das crianças brasileiras que terminam a 4.ª série não sabem ler corretamente. Mas, era uma prova feita por amostragem, revelando apenas resultados por região.

Vivemos a sociedade do conhecimento, a pessoa tem que aprender a vida toda e as avaliações medem a capacidade de aprender. Hoje, seguindo a orientação da moderna pedagogia, as avaliações não se apresentam, necessariamente, divididas em disciplinas, nem cobram conteúdo. O Pisa, o Enem, o Aneb, e outros, usam textos para medir as competências e habilidades dos alunos, em leitura e escrita, a capacidade de aplicar seus conhecimentos no dia-a-dia. Avaliam, também, resoluções de problemas e interpretação de gráficos.

As avaliações revelam não só o nível de ensino, mas características que possam melhorar a educação. Revelam, ainda, características importantes dos profissionais da educação. O primeiro Saeb indicou, por exemplo, que alunos, cujos professores eram formados em ensino superior, se saíam melhor nos exames. Avaliações feitas nos EUA, no Texas, mostraram um dado curioso: professores com as mesmas características raciais dos seus alunos têm em média melhor desempenho. Outras avaliações indicaram que escolas, nas quais diretores permaneceram por muito tempo, tinham desempenho melhor. A partir de então, as Secretarias passaram a exigir, no mínimo, dois anos no posto para os diretores.

Pesquisas vêm de encontro às avaliações e mostram que um bom diretor influi e muito no aprendizado. Quanto mais bem formado o diretor, mais eficaz a aprendizagem. Costuma-se dizer: “Diretor bom, escola boa”, ou, então, “a cara da escola é a cara do diretor”. O diretor deve ir além das tarefas administrativas, precisa interferir no processo pedagógico, promover a abertura da escola para a comunidade. Surgem projetos que oferecem cursos para melhorar o desempenho do diretor no cargo, como os projetos da Escola de Gestores, que têm revelado que alunos de escolas, cujos diretores participam dos projetos, demonstram um aproveitamento maior, em português. Obtiveram notas 18% maiores.

Não adianta capacitar só o professor, o diretor tem de entender de educação, não pode exercer apenas uma função administrativa. A ação pedagógica no trabalho do diretor é muito importante para o bom resultado da aprendizagem. Hoje, afasta-se a idéia de diretor burocrático. Ele precisa entender de liderança, entender de gestão de recursos humanos, tendo como grande desafio a construção de um projeto educacional.

Na escola, gerir é educar e o diretor é um gestor de situações educativas. Atualmente, as escolas diminuem a dependência vertical – Secretarias  de Educação – e aumentam a sua dependência horizontal, como a comunidade. A autonomia da escola é ponto essencial para o trabalho dos diretores, que precisam se capacitar para ser gestores modernos.

Avaliações constantes, autonomia pedagógica, participação dos pais nas escolas, presença de conselhos com membros da comunidade, reforçadas pela competência profissional, melhoram a qualidade de ensino.

* Supervisora de ensino aposentada.            
(Publicado novamente em fevereiro/2006)

ESTAREMOS ASSISTINDO A UM PRENÚNCIO DE DECADÊNCIA DO ENSINO PÚBLICO SUPERIOR?

Izabel Sadalla Grispino *

Já começam a pipocar, espaçadamente, observações preocupantes referentes à estrutura de sustentação do bom ensino público universitário. Nesse último qüinqüênio, a universidade pública vem perdendo, gradativamente, professores do mais alto gabarito para o setor privado. Salários estacionados, precários, desestímulo à carreira, condições de trabalho a desejar, motivam a passagem. Perdas, também, pelo fator aposentadoria, quando os professores, receando alterações desfavoráveis na legislação previdenciária, se apressaram no pedido da aposentadoria.

Já há algum tempo vem-se denunciando a instável situação das universidades públicas. Em fins de 1997, quando o MEC, por seu Programa de Modernização e Qualificação do Ensino Superior, aplicou recursos na compra de equipamentos de laboratórios e de hospitais universitários, em projetos  de  melhoria  da graduação, o prof. Odilon Marcuzzo de Castro, da Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais do Ensino Superior (Andifes), questionou este investimento em infra-estrutura. Disse que a capacidade de as universidades poderem usufruir dessas melhorias ficava inibida, porque não tinham condições de investir em pessoal qualificado. “Não há dúvida de que os incentivos em laboratórios, em infra-estrutura... sinalizam políticas de melhoria do sistema, mas para ter qualidade é preciso ter profissionais preparados e, hoje, os professores têm sido atraídos por salários do setor privado.

Ainda mais recentemente, em abril passado, quando da reivindicação dos funcionários, da área científica, por melhores salários, o presidente da Associação de Funcionários da Fiocruz (Asfoc), Álvaro Nascimento, disse que “o montante destinado à ciência e tecnologia, anunciado pelo presidente, é ridículo. A maioria dos países investe entre 2 a 3% do PIB em pesquisa científica. O investimento no Brasil fica abaixo de 0,5%. Há um esvaziamento de cérebros das instituições porque os cientistas trocam o salário de R$ 2.500,00 pelo de US$ 7 mil na iniciativa privada”.

São fatos de se lamentar, visto terem as nossas universidades públicas, tanto no ensino quanto na pesquisa, conseguido manter, ao longo dos anos, um padrão de alto nível. Todos os países desenvolvidos preservam seu padrão de excelência, pois dele advém as grandes cabeças pensantes, os grandes avanços, capazes de colocar o país em patamar superior, em situação de supremacia.

Estaremos nos arriscando a perder esse padrão tão desejável, tão imprescindível ao conceito de uma nação? Cairão as nossas universidades públicas em descaso crônico dos governos, como aconteceu com o ensino fundamental e médio? A situação atual da USP, em relação à falta de professores, é preocupante. Para contornar a situação, as universidades têm contratado educadores em regimes alternativos – não por concurso, como seria normal, mas apenas para dar aulas. São professores que não têm vínculo com a instituição, ganham por aula – 12 horas de aula ao mês, recebem R$ 260,00 – não desenvolvem pesquisa, como vem acontecendo com a Escola de Comunicação e Artes (ECA) e outras mais. Quem explica é Jair Borin, Chefe do Depto. de Jornalismo e Editoração da ECA/USP.

A falta de professores começa a causar sérios danos. Alunos de graduação de História e Geografia da Universidade de São Paulo (USP) correm o risco de não se formar no prazo previsto para os referidos cursos. Não há professores em número suficiente para cobrir todas as disciplinas do currículo, por isso, os departamentos deixam de oferecer matérias optativas. Sem estas matérias, o aluno não obtém créditos suficientes para concluir seus estudos no prazo determinado. Isso ocorre no fim do curso, que é quando as optativas se concentram. Em Geografia, das 46 disciplinas previstas no currículo, 21 estão sem professores; em História – pasmem! – o déficit de professores levou a direção do curso a suspender a oferta de optativas no semestre! Para operar com um mínimo de condições didático-pedagógicas, a faculdade precisaria contratar, de imediato, cerca de 30 profissionais.

“Temos a pior relação professor/aluno de toda a história da USP, perto de 33 estudantes para cada professor; enquanto a média da universidade é por volta de 13 para 1”, diz Francis Henrik Aubert, diretor da FFLCH/USP.

A falta de recursos é a principal dificuldade da USP para substituir os professores aposentados. Essa situação vem se estendendo sem que, politicamente, se encontre uma saída para ela.

A formação do futuro profissional está sendo comprometida. As universidades trabalham com classes superlotadas, apresentando uma estrutura prejudicial à qualidade do ensino. Por falta de professores, os alunos acabam escolhendo uma disciplina que não tem nada a ver com seu curso, só para conseguirem os créditos e terminar o curso mais rápido. Alunos de História, por exemplo, se inscrevem em disciplinas de Letras, porque em História não está sendo oferecida nenhuma optativa. Ainda, oferecem-se menos turmas de cada disciplina e assim nem todos conseguem se matricular, a concorrência aumentando leva à seleção, com criação de pré-requisitos. Há sobrecarga para o professor, que fica com excesso de alunos na sala de aula, acarretando prejuízo pedagógico. Cursos há, como de trabalho de campo, em Geografia, que em geral são 40 alunos por turma, por falta de professor, chega a quase 90. Também em outros cursos, como Letras, Ciências Sociais e História, as salas ficam repletas com 100 e 120 alunos. “Mal dá para discutir. Está tudo precário”, avalia o aluno Pedro Falco, segundanista de Letras.

Nota-se uma lastimável inadequação da universidade às suas necessidades. Ela vem sendo usurpada de sua competência, arcada com problemas produzidos por políticas educacionais desencontradas. Ao poder público compete equipar humana e materialmente a instituição, a criar condições de infra-estrutura para que ela não perca sua eficiência, seu comprometimento com as transformações e as conseqüentes necessidades sociais.

Se abandonada pelos cofres públicos, como esperar que se mantenha no padrão de excelência que sempre a caracterizou? Estará havendo porta aberta para a privatização do melhor ensino superior do Brasil, do ensino que nos honra e nos orgulha? Será esse o caminho desejado pela sociedade brasileira?

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2000)

CAMINHADA TRANSCENDENTAL DA CIÊNCIA E DA FÉ

Izabel Sadalla Grispino *

Ao longo da existência, foram constantes os confrontos entre fé e razão. A dualidade sempre existiu, entretanto, durante um bom período, o mundo ocidental permaneceu como que mergulhado num ambiente ditado pelo materialismo dialético, pregado pelos marxistas, e as teorias, sobre a origem e a natureza das coisas e do universo, ficaram, por assim dizer, submersas, especialmente se abordassem perspectivas transcendentais, com a idéia de Deus.

A Bíblia era deixada de lado, com sua teoria “criacionista”, que põe Deus na origem das coisas, do universo, em que tudo teria sido criado por Deus. Parecia que a tese defendida por Charles Darwin, sobre a evolução, se permanecia como definitiva, na qual a vida seria o resultado de uma combinação casual em que coincidem o instinto de perpetuação e reprodução das espécies, as suas características peculiares e as mutações genéticas, criando, ao longo dos anos, o perfil de todos os seres viventes. Mas, não se conhece, contudo, uma palavra de Darwin, que negasse a existência de Deus. Hoje, a antiga discussão volta a circular, fortemente, nos meios acadêmicos. De um lado, a convicção da existência de Deus ou a sua admissão; de outro, a dúvida de que exista uma inteligência superior governando o universo.

Mais cedo ou mais tarde, o homem acaba sentindo a necessidade de abrir diálogo com o infinito, de questionar o significado maior da vida, de refletir sobre as questões transcendentais que emergem de nossa finitude, de indivíduos destinados à morte. Quem somos nós? Como nos originamos? Por que nascemos? Para que vivemos? Para onde iremos? São questões que inquietam a ciência e que encontram respostas nas verdades da fé, reveladas por Cristo, há mais de 2.000 anos.

Estas reflexões são constantes entre cientistas e filósofos e sempre trazem alguma luz às nossas especulações. Ressaltamos entre elas, dois pensamentos: há os que dizem sermos nós entes binários: entes físicos (fisiológicos) inseridos na natureza e entes morais, de cunho ético e espiritual. Dupla estrutura desenvolvendo-se ora separadas, ora de maneira complementar. “Somos aquele que está aí, num determinado momento, para sentir, pensar e agir, durante um espaço de tempo... Somos lançados para viver os conflitos existenciais, viver a inevitável angústia, a inquietação, que são características inseparáveis do nosso existir" (do filósofo alemão Martin Heidegger).

O ser fisiológico ou natural não é um ser incondicionado, mas resultante de seu condicionamento genético, de seu próprio e inconfundível DNA. Essa concepção binária passa pelo domínio  da  crença.  Seus  adeptos  reconhecem ser  difícil  a  sua  comprovação,  em  relação  às  verdades  positivas  da  ciência,  e  se  enveredam  pelo  plano afetivo-transcendental, para encontrar o sentido de estarmos no mundo. Karl Popper nos fala em condições biológicas e condições axiológicas, as responsáveis pelas “predisposições éticas ou valorativas” que correspondem à vocação de cada ser espiritual.

Outro pensamento reduz o existir a um único pressuposto físico ou biológico. Encontram na fisiologia e na física resposta à sua concepção “naturalista” da vida. A parte ético-espiritual seria uma mera conseqüência ou reflexo do corpo físico. As formações do cérebro pressupõem a existência da consciência da vida interior, como quer o neurólogo John Ecclis. Esse grupo faz parte da ala racionalista, adeptos do racionalismo científico, que acham que a razão explica tudo.

Em nossos dias, ao que parece, ciência e fé caminham para um encontro, desmistificando o passado, que as separava, dizendo que ciência e fé não se entendiam. Há, ainda, hoje, os que assim acreditam, mas, o seu contrário ganha espaço e fortes convicções.

Em termos de fé, entramos no terreno da crença e da criatividade; em termos de tecnologia dos fatos e da física no terreno da razão, onde não valem visões proféticas, paixões. Mas, eis que surge uma forte corrente científica afirmando que só a fé capacita o homem a dar um salto avante e cria uma ponte entre ciência e fé. Diz que a fé está no centro de todo processo de inovação.

A ciência evolui e muda seu processo investigatório: imaginação, intuição e hipótese são os primeiros passos da criação técnica. Uma lei básica da criatividade intelectual estabelece que a crença precede o conhecimento. É preciso confiar na intuição e agir com fé, antes de poder saber realmente.

A fé religiosa assume várias formas, mas todas se vinculam à entrega, a idéias ou conceitos, que são, a princípio, improváveis, incalculáveis impiricamente. Podemos não nos caracterizarmos como religiosos, mas o ato de criação é um ato religioso, de fé, de crença, de intuição. Assim, a ciência muda de metodologia e a fé se abre para entender e se completar na ciência, que é, em última instância, uma iluminação vinda do Criador.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2001)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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