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Artigos Educacionais

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A ESCOLA NO REPASSE DE INFORMAÇÕES

Izabel Sadalla Grispino *

A Secretaria Estadual de Educação, no propósito de se aproximar mais da escola, inaugurou um canal direto de informação para pais e professores. Os professores podem tirar dúvidas, discutir assuntos delicados, como drogas, aids, sexo, como lidar com alunos violentos, com uma equipe de especialistas, através de e-mail. Segundo informações da Secretaria, o Centro de Excelência do Professor, composto por profissionais ligados à universidade, terá três dias para responder às perguntas feitas por meio do site www.educacao.sp.gov.br

Os pais têm um telefone para comunicar-se diretamente com a Secretaria e fazer observações, reclamações de problemas ocorridos na escola dos filhos. Poderão ligar para 0800-770012, enviar e-mail ou mesmo ir pessoalmente à Secretaria, numa espécie de ouvidoria. Este contato direto abre a oportunidade de reforço nas soluções dos problemas que, até então, eram apenas da competência das diretorias de ensino, sem condições reais de resolvê-los satisfatoriamente.

Um outro comunicado, agora aos alunos, diz respeito às Escolas de Ensino Superior que, burlando a legislação, oferecem cursos não legalizados, por falta do credenciado da instituição no Ministério da Educação e Cultura.

Nossos estudantes precisam estar a par das prerrogativas oficiais empreendidas a seu favor. Para protegê-los de faculdades inidôneas, o MEC elaborou um cadastro do Ensino Superior, que pode ser consultado na internet e que relaciona cursos ilegais. Através do cadastro, o aluno verifica a situação legal do curso, evitando matricular-se, por desconhecimento, em uma instituição superior de ensino sem o credenciamento no MEC.

Um curso novo obtém, inicialmente, apenas a autorização do Ministério. Depois de dois anos deve pedir o reconhecimento, que é renovável a cada cinco anos. Somente os cursos reconhecidos pelo Ministério podem emitir diplomas.

O cadastro especifica a data da criação do curso, as vagas para alunos, o tipo de diploma conferido e o endereço da universidade pública ou privada. As informações, pelo sistema, são passadas de imediato, ao estudante. Ao pesquisar uma instituição, aparecem na tela os links para as notas do Provão e para a sua relação de cursos. A nota do Provão é importante porque cursos com três resultados consecutivos D ou E no exame perdem o reconhecimento.

Na relação de cursos, o aluno pode, também, clicar em cada um deles e ter as informações legais sobre o seu reconhecimento e autorização. As instituições podem ser procuradas pelo nome ou pelo município onde atuam.

A partir da criação do Cadastro do Ensino Superior, disponível no endereço eletrônico www.educasuperior.inep.gov.br, o estudante não tem mais desculpas para freqüentar uma faculdade sem credenciamento no MEC.

Ainda, sobre um outro aspecto, a escola, na sua função social, deve fazer chegar à comunidade, através das Reuniões de Pais e Mestres, de comunicados afixados em lugares apropriados, divulgação nos jornais da cidade, assuntos relevantes, ao conhecimento geral.  É  o  caso do Censo 2000 do IBGE, que detalha informações de vários interesses, que facilitam a escolha de iniciativas a serem empreendidas e a avaliar os fatores de riscos. Essas pessoas podem acessar um programa do computador que o IBGE está vendendo. É um software que oferece dados do Censo 2000 referentes a cada rua e a cada quarteirão de 1.058 municípios brasileiros com mais de 25 mil habitantes.

O software oferece informações sobre economia, informações sociais e culturais em cada um dos chamados “setores censoriais”, isto é, dos grupos de 200 domicílios, em média, que ficaram a cargo de um mesmo recenseador no último censo. São dados minuciosos, que permitem análises detalhadas, como, por exemplo, o grau de escolaridade de seus moradores, as faixas etárias, o perfil de consumo e, até mesmo, o grau de incidência de determinadas moléstias. Os dados coletados de cada setor censitário – grupo de 200 domicílios – permitem 1.659 cruzamentos diferentes, a respeito de quem mora naquela área.

O software permite um melhor planejamento de políticas públicas – uma antiga propriedade do IBGE – como o estudo de mercado de áreas geográficas específicas, um empreendimento que se pretenda abrir na região. O interessado encontra um conjunto substancial de dados, capazes de referendar ou não o empreendimento. Assim, quem pretende abrir uma escola num determinado local, pelo Censo 2000, pode identificar em que áreas de cada bairro está a maior demanda por pré-escola, com família de renda suficiente para pagar o atendimento. São cruzamentos de dados, como este, que o novo programa do IBGE permite fazer, possibilitando informações mais precisas para o sucesso do empreendimento.

Um outro exemplo esclarecedor da utilidade do programa, divulgado pela imprensa, refere-se a bens de consumo, como o carro. Os macrodados do Censo 2000 mostraram que no Sul e no Sudeste mais de 40% dos domicílios têm carro, enquanto que no Norte e no Nordeste não chegam a 15%. Esse fato é interessante para o planejamento empresarial e mesmo para o planejamento do trânsito, que acabam tomando conhecimento em que áreas de cada cidade há a maior concentração de domicílios com automóveis.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2002)

ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO BÁSICA

Izabel Sadalla Grispino *

Conforme escrevi, na semana passada, um dia após o lançamento do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), o Ministério da Educação (MEC) divulgou o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Este Índice será o instrumento principal para o MEC colocar em prática as ações do Plano, será o seu indicador para verificar o cumprimento das metas fixadas no Compromisso Todos pela Educação.

Estes tópicos da legislação, recentemente lançada, devem nortear a preocupação de Estados e municípios, devem ser, por eles, minuciosamente estudados, através de seus órgãos competentes e das escolas, por seus professores e diretores. Os benefícios advindos serão compensadores para aqueles que assumirem e cumprirem o pacto firmado.

O Ideb aponta indicadores por redes de ensino referentes às 1.ª e 2.ª fases do ensino fundamental e para redes de ensino médio, onde houver. Além do Ideb 2005, estão disponíveis consultas às projeções do indicador ao longo dos anos, com metas bienais, estipuladas para cada Estado e município.

Quando comparados os níveis de ensino, vê-se que, quanto mais o tempo passa, pior é a média dos alunos. Na fase 1, a média brasileira foi de 3,8; na fase 2, baixou para 3,5. No ensino médio, a nota geral foi 3,4.

O novo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) leva em consideração dois fatores que interferem na qualidade do ensino: o rendimento escolar, por meio das taxas de aprovação, reprovação e abandono e as médias de desempenho dos alunos nas avaliações nacionais – Saeb e Prova Brasil. A combinação entre fluxo e aprendizagem resulta em uma média para cada Estado, município e País, que varia de 0 a 10.

Os resultados do Ideb vão nortear, entre outros, o envio de equipes de consultores do MEC para cidades interessadas em firmar o pacto da educação, com o governo federal. Esse pacto é uma espécie de contrato, por meio do qual são estipuladas metas a serem cumpridas pelos municípios em determinado período de tempo.

Os últimos colocados no ranking serão os primeiros a receber a visita dos consultores. Espera-se que até o fim deste semestre os consultores iniciem as visitas, que serão de dois dias em cada município. A partir da análise de campo, a equipe, em conjunto com os gestores municipais, estabelecerá metas a serem cumpridas ao longo dos anos.

O trabalho a ser desenvolvido baseia-se, principalmente, na capacitação de professores e em diretores de escola, com poder de liderança, empenhados e com iniciativa. Se as recomendações do MEC não forem atendidas, se o nível da educação básica não melhorar por descumprimento ao pacto, o repasse de verba pode ser suspenso.

O Ideb, criado como um parâmetro para a educação, servindo como nova avaliação educacional, viabiliza uma articulação entre Estados e municípios, chamando-os à responsabilidade pela qualidade da educação. O Ideb foi elevado à categoria de pacto nacional para se erguer o nível educacional da educação básica brasileira.

Ao utilizar os resultados da Prova Brasil e dos censos educacionais no Ideb, será possível avaliar, ao mesmo tempo, aprendizagem e fluxo. O Ideb cria um eixo de intervenção nos Estados e municípios, aguardando melhoras gradativas na educação.

O Ideb é considerado uma ação dirigida que intervirá na qualidade da educação dos municípios.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2007)

SOCIEDADE DO CONHECIMENTO

Izabel Sadalla Grispino *

A idade do conhecimento já chegou. É comum ouvirmos dizer que estamos na “sociedade do conhecimento”, impulsionada pela economia da informação. Para a nova economia, o término da escola superior significa ponto de partida, não de chegada.

Neste processo econômico, o capital humano ganha valor preponderante. Para cobrir o diferencial de nosso obsoleto sistema educacional, as empresas vêm desenvolvendo programas de educação continuada para os funcionários de todos os níveis. Avolumam-se os investimentos em qualificação permanente da mão-de-obra e elas funcionam como empresa-escola.

Os investimentos em formação de capital humano ultrapassam os investimentos em formação de capital físico. Propaga-se de que dois terços da atual produtividade surgem dos ganhos do capital humano e não do capital físico.

Para ser um bom profissional, além de freqüentar uma boa escola, de falar, com fluência, mais de dois idiomas, é preciso entender o mundo do trabalho e saber relacionar-se com ele. Hoje, tudo acontece com alta velocidade e a escola não tem acompanhado essa exigência das organizações. Por isso, formar profissionais tem sido, cada vez mais, papel das empresas, que vêm criando as universidades corporativas.

Os vários aspectos do desenvolvimento social mostram que a escola de hoje é o emprego de amanhã. Faz-se, pois, necessário uma reflexão séria do ensino brasileiro, em relação ao aqui e ao mundo. O nível de escolarização está diretamente relacionado à possibilidade de empregos e de assimilação de habilidades profissionais. Só arruma emprego, em uma boa empresa, quem recebeu uma educação qualificada. É preciso tentar recuperar a dignidade acadêmica, através de uma mudança estrutural, embasada em novos conceitos, em novos valores sobre a formação do profissional-cidadão. Precisamos criar uma nova escola, modernizando a velha, enfrentando os desafios tecnológicos.

Sabemos que há algumas boas experiências educacionais espalhadas pelo Brasil, em escolas oficiais de educação básica, principalmente nos Estados do centro-sul. Contudo, levando-se em conta nossa extensão territorial, podemos dizer que são irrelevantes. Estamos longe de atingir um padrão ideal de uma escola pública de qualidade.

Segundo dados do IBGE, referentes a 1999, 13,3% da população brasileira com 15 anos ou mais são analfabetos absolutos. São 15,1 milhões de brasileiros que nunca freqüentaram escola ou têm menos de um ano de escolaridade. Em documento internacional,  o Brasil havia se comprometido em reduzir o número de analfabetos de 20 para 10% da população entre 1990 e 2000, mas não atingiu as metas. Os técnicos do MEC apontaram, ainda, um outro grave problema, que são as taxas de analfabetismo funcional, em todas as faixas etárias da população brasileira. Pesquisa realizada no Estado de São Paulo – a situação nacional seria, ainda, mais grave – mostrou que nossas taxas de analfabeto funcional são maiores que as de 6 outros países latino-americanos, incluindo a Venezuela e o Paraguai. Não deixam de ser uma realidade preocupante; são “alfabetizados”, que não compreendem, por exemplo, o sentido de um pequeno texto, fazendo só o reconhecimento silábico das palavras.

Ainda, constata-se que, tanto no sistema de ensino de séries como no de ciclos, a maioria dos alunos que concluem o ensino fundamental é apenas semi-alfabetizada, incluindo-se no rol dos analfabetos funcionais. Que tipo de emprego pode aspirar o analfabeto funcional, quando se exige muito mais do que habilidades manuais?

Conforme nos ensinava Paulo Freire, não podemos perder a capacidade de sonhar, de esperar. Precisamos olhar o futuro pelo profundo engajamento com o hoje, com o aqui e com o agora. E esse é o quadro real que, hoje, se nos apresenta. Que “consciência” tomará providências a respeito? Até quando faremos o jogo da cabra-cega? Os infortúnios dos desníveis sociais despertarão, um dia, a vontade política? Complemento essa análise com meus versos: “Panorama Político”.

PANORAMA POLÍTICO

Deus, guarde esta assustada humanidade,               O honesto cede a arena para os leões,
Que implora, de joelhos, proteção,                               Que se degladiam, tramam por vintém,
Necessita de homens de boa vontade,                        No picadeiro, agem como patrões,
Pra não levar o povo à exaustão.                                  Moral é tida conforme convém.

Homens que tenham o dom de amar,                          Lobos famintos comendo cordeiros,
De enxergar ao seu redor a pobreza,                          No ringue, só nocaute ou vitória.
Que queiram, com fé, o povo ajudar,                           Se mascaram de heróis, de homens ordeiros,
Se tocar, diante de tanta tristeza!                                 Visando dinheiro e entrar para a história.

Sem educação, só temos excluídos,                          Estamos cansados do faz-de-conta,
Marginais perambulando na rua,                                 De ouvir políticos na pracinha,
Sem saúde, só temos enfraquecidos,                        Falsas promessas, rosários de conta,
Incapazes de vôo, de ir para a lua.                              As mesmas histórias da carochinha.

A doutrina é sempre a mesma,                                    Não se pode, eu sei, generalizar,
Política vai, política vem,                                                Há os que lutam por sincero ideal,
Para os sem-teto, um caminhar de lesma,               Os que querem as dores minorar,        
Para os sem-pão, um jogo de vaivém.                       Têm força de deuses, ar pastoral!

O mundo é vazio de nobres ideais,                             Mas, infelizmente, são minoria,
Importa a aparência, as obras de vulto,                    Bloqueada, tem chances bem limitadas,
As benfeitorias são bem parciais,                              E, mesmo cercada pela maioria,
Sem prestígio, se encaminham pro luto.                  As boas leis são, por ela, editadas.


* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2000)

UNESCO CONSTATA BAIXA QUALIDADE DE ENSINO NO BRASIL

Izabel Sadalla Grispino *

Apontar, expor, frisar as deficiências do sistema de ensino público têm sido uma constante de educadores, na esperança de que sociedade, governos, responsáveis pela educação da nossa terra, se alertem, se toquem, se chacoalhem, na busca de soluções que venham reverter o quadro penoso que se apresenta. É uma situação que nos humilha, nos empobrece e que, lamentavelmente, persiste por décadas e décadas.

A educação é chave para o emprego e emprego é um dos fatores que mais pesa para se atingir o desenvolvimento sustentável de um país. No atual período de nossa recuperação econômica, a criação de empregos é ponto crucial e nela entra em jogo a educação O mercado pede qualificação, com forte exigência das empresas por mais e melhor escolaridade dos trabalhadores.

Infelizmente, em termos de qualidade de ensino, o Brasil está longe do ideal. O relatório divulgado em novembro p. passado, da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), sobre a educação no mundo, entre 127 países, o Brasil ocupa a triste posição de 72.º lugar. O documento, intitulado Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos, diz que falta conteúdo de qualidade ao ensino brasileiro. O Índice de Desenvolvimento Educacional (IDE), criado pela Unesco, dá ao Brasil a nota de 0,899, colocando-o em uma posição considerada intermediária.

O indicador é formado por 4 itens: taxa de analfabetismo, matrículas no ensino fundamental, paridade de gêneros – meninos e meninas – e permanência na escola depois da 4.ª série do ensino fundamental. O item permanência na escola compromete a situação do Brasil. Na universalização do ensino fundamental, o Brasil ocupa a 32.ª posição, mas em permanência depois da 4.ª série ocupa um lugar nada honroso, 87.º lugar, assinalando uma repetência muito alta, dificultando a permanência do aluno na escola. A colocação brasileira no IDE é inferior à do Peru e do Equador.

O relatório da Unesco mostra que o Brasil, junto com Nicarágua e Suriname, é um dos únicos países da América Latina onde a educação obrigatória começa para os alunos apenas aos 7 anos de idade. Na maioria dos países, inicia-se aos 5 e em alguns aos 6. São 2 anos de atraso! A maior parte dos demais países da região leva a educação obrigatória, pelo menos, até os 15 anos. No Brasil ela termina aos 14 anos. Quanto ao número de horas diárias, segundo a Unesco, são necessárias entre 4h25 e 5 horas para as crianças realmente aprender. A média brasileira é de 4h15 e em muitos Estados não chega nem mesmo a 4 horas.

Todos os fatores elencados são de importância para um bom ensino, porém, os fatores essenciais são, sem dúvida, o grande número de alunos em classe, as condições insuficientes de trabalho, com escolas mal equipadas, a baixa qualidade de vida dos profissionais da educação, com seus baixos salários, que os afastam da educação permanente, os desencorajam, revertendo em professores mal qualificados e alunos pouco estimulados. Esse quadro, revelado pela Unesco, só vem comprovar que os nossos sucessivos governos não consideraram educação como essencial. Necessário se faz uma revalorização do professor, acompanhada de treinamento contínuo. Enfrentar o desestímulo à carreira, encorajar o professor de ensino fundamental a freqüentar o ensino superior, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde uma grande parte não possui formação universitária e onde a remuneração gira em torno do salário mínimo.

Se emprego depende de crescimento econômico, não depende menos de uma educação de qualidade, que tem no binômio emprego e renda seus subprodutos imediatos. Estamos vivendo a sociedade do conhecimento, onde o recrutamento se torna cada vez mais rigoroso e diante de nosso desastroso quadro educacional ficam penalizados os indivíduos e o País.

Os avanços em anos de escolaridade têm sido pouco significativos.  Entre 1993 e 2003, brasileiros de 10 anos ou mais tinham, em média, 5 anos de escola, hoje têm 6,4 anos e 6,4 anos é muito pouco para se colocar na sociedade tecnológica, que revoluciona a produção. A mesma deficiência acontece com o grupo de jovens que tem entre 20 e 24 anos e chega a 8,5 anos de estudo. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Rio de Janeiro, IBGE, 2003) mostra que a proporção dos brasileiros que têm 11 anos ou mais de estudos passou de 14,4%, em 1993, para 24,9% em 2003. É um avanço irrisório, visto que apenas um quarto dos brasileiros completa o ensino médio e chega ao ensino superior e três quartos ficam aquém dessa proporcionalidade.

No quesito emprego, em 2003, nas regiões metropolitanas, 98% das vagas oferecidas foram preenchidas por aqueles que cursaram 11 anos de estudos ou mais. Os que não se encontravam nessa situação ou ficaram desempregados ou conseguiram um precário trabalho. O mencionado relatório da Unesco relata que a universalização do ensino fundamental no Brasil, com matrícula de 96% das crianças nas escolas, foi atingida pela Coréia do Sul em 1959! Imaginem o atraso, quase meio século! A Irlanda atingiu o objetivo da educação secundária generalizada no início dos anos 60 e a partir de então abraçou, firmemente, a educação superior. O relatório mostra que essas duas nações são as que mais avançaram em educação, as que mais se projetam nos dias de hoje.

Após a oferta generalizada de vagas, após a ampliação das matrículas, esses países dedicaram-se, de imediato, à qualidade de ensino, bem diferente do que aconteceu no Brasil. Qualificação docente, salário, tamanho das classes, estrutura e equipamentos escolares, foram providências firmemente tomadas por esses países.

Se quisermos elevar nosso nível educacional, temos que remover as causas do baixo desempenho, tomando medidas enérgicas e constantes. Dar ao povo uma boa educação é elevar o padrão de vida desse povo, trazer bons empregos, bem-estar e estímulo coletivo. Dar ao povo uma boa educação é garantir cidadania a todo indivíduo, valorizando o pessoal e o coletivo. É construir, realmente, um País melhor para todos!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2004)

ENSINO MÉDIO EM FINS-DE-SEMANA

Izabel Sadalla Grispino *

O ensino médio passa por um processo alternativo. Agora, o aluno desse ensino poderá cursá-lo em fins-de-semana, em São Paulo. Jovens e adultos – de 18 a 29 anos – poderão, pelo projeto Escola da Juventude, lançado em fevereiro do corrente ano, cursar o ensino médio em até um ano e meio. Segundo informes da Secretaria da Educação, o curso terá uma dinâmica diferente dos cursos tradicionais de educação de jovens e adultos. Pretende-se usar novas tecnologias para acelerar o processo de aprendizagem, laboratórios de informática, salas de vídeos e um portal na internet.

Para participar, o aluno deve ter concluído o ensino fundamental e efetuar matrícula diretamente nas escolas participantes do projeto. Inicialmente, a Escola da Juventude atenderá 300 escolas estaduais da capital e alguns municípios da grande São Paulo e do interior do Estado, num total de 30 mil vagas, sendo 100 por unidade.

O curso de ensino médio da Escola da Juventude está dividido em três tipos de atividades: curriculares presenciais, organizados em 4 módulos, sendo um optativo no sábado pela manhã e um obrigatório à tarde. No domingo, a situação inverte-se. Haverá no mínimo uma hora e meia por final de semana de atividades de inclusão digital, e atividades individuais durante a semana, sugeridas em classe e constantes dos materiais impressos.

Na sala de aula, o aluno contará com um orientador de estudos e na sala ambiente de informática, com um monitor para auxiliá-lo a tirar suas dúvidas. O curso desenvolver-se-á em módulos e o aluno terá flexibilidade para freqüentá-lo segundo sua disponibilidade de tempo. A avaliação será contínua, havendo provas freqüentes e, ao final do semestre, exame para a conclusão do módulo. A certificação será dada após a aprovação em todos os módulos, depois de 18 meses de atividades.

A programação parece bem pensada, bem organizada, agora é torcer para que esse curso abreviado de ensino médio, dado em fins-de-semana, não venha frustrar quanto à qualidade, fazendo o ensino decair ainda mais. As escolas devem passar avante a informação, deixando os alunos a par dessa recente inovação.

Um ensino médio com carga horária assim reduzida é prato de balança que oscila entre duas perspectivas. Permite ao aluno avançar em anos de escolaridade, ultrapassando os graus de ensino, engrossando as estatísticas, mas pode pôr em cheque a meta qualitativa. O ensino médio de um ano e meio favorece, é verdade, o aluno continuar na escola, afastando-o da rua, da ociosidade. Ajuda-o a não interromper o processo de estudo e a se afastar da violência.

Segundo a Unicef, o aumento da violência é proporcional à queda da escolaridade do adolescente, considerando que a sua cidadania depende da conciliação da educação formal com cursos profissionalizantes. Aponta que apenas 33% de jovens brasileiros, com idade entre 15 e 17 anos, freqüentam o ensino médio. Dentre as crianças que trabalham, a taxa de analfabetismo é de 20,1%, contra 7,6% entre as que não trabalham. Conclui que o problema da violência requer ação efetiva de toda sociedade e que sua solução passa necessariamente pela melhoria da escolaridade e profissionalização dos jovens, dentre outras medidas coerentes com aplicações socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Estatísticas comprovam que no Brasil o número de adolescentes que morrem violentamente supera o número de mortes nos países em guerra, como no Iraque, onde se calcula que 150 mil civis morreram na invasão movida pelos Estados Unidos e Grã-Bretanha. Entre nós, mais de 24 mil jovens de 15 a 19 anos tiveram morte violenta em 2004, marcando um sangrento recorde mundial. Revelam as pesquisas que os adolescentes são, em geral, mais vítimas que autores da violência que os destrói.

Cerca de 68% das mortes de adolescentes no Brasil, com idade entre 15 e 19 anos, são provocadas por causas externas, como homicídios, acidentes de trânsito e suicídios. Perto de 10% de todos os crimes e delitos praticados no País são cometidos por adolescentes, o que causa séria preocupação.

A juventude está morrendo e está matando, e há fortes convicções de que esse quadro se modificaria se mais jovens estivessem na escola. Sob esse prisma, o ensino médio em fins-de-semana, conjugando estudo e trabalho, poderá ajudar, se conduzido por professores habilitados e interessados no processo, porque o mercado de trabalho considera prioritariamente a qualidade e não a quantidade de anos passados pelo aluno na escola.

Exigências do mercado levam as empresas de pequeno e médio porte a contratar pessoal qualificado na mira da adoção do selo de boas práticas trabalhistas, acompanhando as grandes empresas. Atuar com qualidade favorece o diferencial competitivo da empresa como foco na responsabilidade social. As pequenas empresas são as que têm até 99 empregados, no caso da indústria, e até 49, no caso de comércio e serviços. As de médio porte têm até 499 trabalhadores na indústria e 99 no comércio e serviços. O selo SA 8000 se tornou um termômetro da importância que as práticas internas empresariais têm em uma economia competitiva. Sua importância é tal que será como avalista para o futuro. Vai excluir empresas do mercado. O selo SA 8000 cria um ambiente ético que vai além da empresa e chega à sociedade, vai além das exigências trabalhistas, dando condições dignas de trabalho a seus empregados.

A SA 8000 é um conjunto de padrões que asseguram melhorias nas condições de trabalho nas empresas, com base nos preceitos da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Para obter a certificação, que tem a validade de 3 anos, a empresa deve estar em dia com a legislação trabalhista, banir os trabalhos escravo e infantil e assegurar o direito à associação sindical e salários justos.

Para fazer parte de uma empresa bem organizada, de porte e sucesso, para receber os benefícios da SA 8000, o pretendente deve ter freqüentado uma escola de qualidade, adquirido uma boa formação acadêmica e profissional. Caso contrário, não passará nos testes de avaliação.

Um ensino médio de bom nível é porta aberta para uma boa colocação no mercado de trabalho.  Os relatos acima são questões para se pensar.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em maio/2005)

AVANÇAR NA APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino *

Uma inscrição esculpida no mármore da arquitrave da biblioteca pública de Boston diz: “A comunidade exige educação do povo como salvaguarda da ordem e da liberdade”.

Não parece ter sido fácil, aos nossos governantes, atingir esse pensamento, tendo em vista o nosso sistema educacional decadente. Educação está na base de qualquer alteração social. Nosso atraso educacional salta aos olhos. Um trabalho de conscientização da necessária elevação do padrão de ensino, atingindo, em massa, a formação continuada do professor, viria como um colírio para suavizar a deficitária e falha estrutura educacional.

O professor ainda veste a camisa da escola tradicional, transmitindo o conhecimento mais na base de lousa e giz. De um modo geral, resiste ao computador, deixa de usar este recurso e de estimular o aluno a aprender. Assim procedendo, não se enquadra, devidamente, à época vivida pelo aluno. Nessa era digital da sociedade cibernética, o raciocínio do aluno tem uma velocidade muito maior que há 20 anos. O professor, utilizando-se de métodos arcaicos, não se modernizando, impede o aluno de avançar e de encontrar um sentido maior na escola.

A escola precisa ser mais assistida, para melhor assistir, mais ajudada, no nível técnico e no nível financeiro. É preciso fazer dela prioridade nacional, lugar que nunca deveria ter deixado de ocupar. Como fazer o aluno avançar nos conhecimentos da informática, na evolução do raciocínio, da observação, da análise, da crítica, se quem o conduz é um profissional pouco aprimorado no assunto?

Hoje, sabemos, por exemplo, que os games de ação ajudam o cérebro. Jogos podem melhorar as habilidades visuais e os tempos de reação dos praticantes. Segundo uma nova pesquisa feita nos Estados Unidos, pessoas que brincam regularmente com jogos de ação de computador processam mais rápido informações visuais e com mais precisão que aquelas que não jogam. As conclusões sugerem que os jogos, anteriormente criticados, podem ter efeitos positivos e ser úteis para o ensino e o desenvolvimento de habilidades, desde que usados com moderação. Parece que a ação rápida que se desenrola na tela do computador pode treinar o cérebro para responder com mais eficiência a estímulos particulares, concluem os especialistas de ciências do cérebro.

Praticar o game, porém, não se tornar um jogador compulsivo, porque pode desenvolver também um nível de atenção muito pouco seletivo, além de a criança ficar mais impaciente e agitada. No dia a dia, o que se nota é que os games estão dando respostas mais rápidas e novos modos de comportamento. Um professor analfabeto em informática não acompanhará a agilidade dos alunos pós-modernos. Em muitas escolas oficiais não existem computador, em outras, os computadores ficam trancafiados numa sala, porque os professores não sabem como utilizá-los.

Hoje, o professor não tem como ignorar essa ferramenta de trabalho, não tem como não introduzi-la na sala de aula. O computador beneficia não só o ensino-aprendizagem como a vida do aluno, da comunidade, em geral, que acaba se beneficiando também. Na Índia, por exemplo, o governo priorizou o envio de computadores para as escolas situadas em áreas pobres do país e treinou os professores. Os resultados dessa política atraíram a atenção de técnicos da ONU e da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, que registraram a velocidade das mudanças na qualidade de vida das pessoas depois que elas tiveram acesso ao computador. A informática vem se revelando como fator primordial para atenuar as desigualdades locais e regionais.

Percebe-se que a resistência da escola às novas tecnologias afeta a qualidade do ensino, desestimulando o aluno. É um retrocesso, inclusive, ao progresso da região onde ela se localiza. O computador abre caminho para um aprendizado que faz mais sentido para o aluno, porque permite executar projetos e pesquisas sobre situações reais da comunidade, quando força o aluno a procurar na matemática, na língua portuguesa e nas outras disciplinas os recursos na busca de soluções. A escola insere-se mais na comunidade, que ganha com essa inserção. A presença do computador é também indicador de qualidade de vida. Ele traz conseqüências benéficas e duradouras na vida dos beneficiados. Há pesquisas que mostram a velocidade das mudanças na qualidade de vida das pessoas depois que elas tiveram acesso ao computador. Escola e professor precisam mudar, aceitar seus novos papéis. A transmissão do conhecimento pelas vias tradicionais já está obsoleta. Construindo o conhecimento, professores e alunos passam, ambos, por uma experiência colaborativa de aprendizagem.

O desafio é fazer com que os professores mais tradicionais deixem de ter resistência ao computador e passem a usar este recurso para estimular o aluno a aprender e colocá-lo na modernidade.

A DIDÁTICA DA SENSIBILIZAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

A didática para a modernidade leva o aluno a vivenciar as situações de aprendizagem. A teoria é porta aberta para a prática. Diferentemente do passado, o ensino, por exemplo, de música, antes das notas musicais, é dirigida à sensibilidade do aluno. Nas aulas de iniciação musical, a criança aprende a sentir e a entender um pouco mais sobre música. Ao invés de decorar as notas musicais, como sempre se faz tradicionalmente, a criança dança ao lado dos colegas, ao som de valsas, sambas, ritmos populares, folclóricos. Aprende a identificar o som de cada instrumento e se diverte ao tocá-los. Mais tarde irá estudar as notas musicais.

As crianças aprendem, na iniciação musical, a escutar e a apreciar a música, preparando-se para no futuro ser admiradoras de música,  quando não músicos. Isso significa ir além do ensino das notas musicais.

As crianças ficam em contato com músicas diferentes, de outras culturas, diferentes ritmos e têm plena liberdade para escolher o que querem. Vão, aos poucos, adquirindo consciência musical e desenvolvendo a criatividade.

O estudo pela música deve se iniciar cedo, logo na Educação Infantil. Grandes gênios da música começaram ainda pequenos. O austríaco Wolfgang Amadeus Mozart começou a mostrar seu talento musical aos 5 anos de idade, quando criou suas primeiras composições, para o espanto de sua família. Seu primeiro instrumento foi o cravo. O alemão Ludwig van Beethoven começou a tocar piano muito cedo e aos 11 anos já tinha composto suas primeiras sinfonias. O alemão Johann Sebastian Bach começou a tocar órgão aos 10 anos. O austríaco Johann Strauss começou a tocar violino ainda pequeno. É conhecido como o pai da valsa.

O brasileiro Heitor Villa-Lobos foi um dos mais importantes músicos de sua época. Começou a tocar clarineta aos 12 anos e aos 15 já tocava violoncelo e violão.

No processo moderno de ensino, despertar o gosto pela música, descobrir vocação começam por um processo bem mais divertido: vivenciando, saboreando a própria música.

Diferentes procedimentos pedagógicos, dependendo do assunto, fazem a teoria virar aula prática. Exemplos de criatividade não faltam para dar à matéria tratada um significado tangível, quase palpável. Uma determinada escola, ao querer passar aos alunos noções sobre o meio ambiente, sobre sua preservação e sua degradação, idealizou um projeto Barco Escola. Estudantes do ensino fundamental são levados, pelos professores da área, a passear de barco por rios, de preferência, poluídos. Passam a conhecer de perto espécies de fauna e flora da região, observando piranhas e plantas aquáticas. Percebem a relação de causa e conseqüência, sentindo responsabilidade pela ecologia.

Esse passeio de barco não só desenvolve a comunicação, o comportamento social dos alunos, como complementa prazerosamente o aprendizado teórico da sala de aula. O aluno,vivenciando a problemática ambiental, sensibiliza-se e passa avante, como um alerta, despertando a conscientização da comunidade.

Em todas as áreas do conhecimento são pensadas atividades que levam os alunos a desenvolver conceitos, observando-os na prática. A iniciação, por exemplo, ao hábito da leitura surte bem mais efeito quando a criança participa ativamente da leitura em conjunto. Nas rodas de leitura, o professor lê, em círculo, conjuntamente com as crianças. Os livros são lidos com paradas para comentários, reflexões. Quando a criança julgar necessário, durante a leitura, ela externa sua opinião, pede esclarecimentos, tornando a leitura movimentada, dialogada.

É bem mais suave e interessante a  leitura integrada. O aluno não precisa se isolar ou ler por obrigação. Outra maneira de conquistar a criança para a leitura, de sensibilizá-la para os livros, é a já consagrada “hora do conto”. São leituras participativas, vivenciadas em suas histórias, na companhia de todos da classe.

Segundo divulgação da mídia, o professor terá, no próximo ano, no ensino fundamental uma grande ferramenta pedagógica, capaz de incentivar a pesquisa e a prática do ensino, qual seja, o computador portátil: o laptop. Todos os alunos da rede pública terão um laptop, um computador que será como um livro que eles possam trazer para a escola e levar para a casa, levá-lo em todos os lugares. Destinado ao aluno carente, toda a família poderá partilhá-lo, incorporando-o à sua realidade.

O laptop fará parte do cotidiano do aluno e não apenas de uma experiência feita na escola. Ele será conectado à rede, quando a criança pode buscar e trocar informações ou ver seu trabalho publicado na internet. A criança vai tomando contato com a sociedade da informação, preparando-se para o novo mundo de trabalho nessa sociedade.

A escola, hoje, prima por um aprendizado que se constrói e o computador é um grande caminho dessa construção. Um caminho para o aluno vivenciar conceitos, entrar em contato, de modo abrangente, com aspectos do conhecimento, colocando-se, gradualmente, na sociedade de informação, que se consolida firmemente.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em dezembro/2005)

JOGOS PARAOLÍMPICOS

Izabel Sadalla Grispino *

O mundo desperta com mais vigor para a educação do deficiente, dos portadores de necessidades especiais (PND). Descobre-se que suas potencialidades, quando bem trabalhadas, levam-no a realizações inesperadas.

Terminaram recentemente os Jogos Paraolímpicos, organizados logo depois dos Olímpicos, na mesma cidade e instalações, em Atenas, Grécia. No período de 17 a 28 de setembro competiram 3.857 atletas paraolímpicos, representando 145 países. São atletas portadores de deficiência mental e física. A competição tem uma tradição de 44 anos. O Brasil paraolímpico é bem superior ao olímpico. Possui uma das melhores equipes, tem 9 recordes mundiais. Em Sydney conquistou 22 medalhas, seis delas  de ouro. Para esses últimos Jogos Paraolímpicos, o Brasil enviou a maior delegação de sua história: 98 atletas de 13 modalidades. Teve a melhor participação do País, com 34 medalhas, sendo 14 de ouro, 12 de prata e 8 de bronze. O destaque foi o nadador brasileiro Clodoaldo Silva, que conquistou 6 medalhas de ouro e 1 de prata. Fechou sua participação no ponto mais alto do pódio.

Alguns esportes praticados são bem conhecidos, como o basquete de cadeira de rodas e a natação. Outros são novidades, como o futebol de 5, que aparece na Paraolimpíada pela primeira vez. Em dois tempos de 25 minutos cada um, jogadores cegos ou de pouca visão – que  usam tampões nos olhos para não ter vantagem – orientam-se pelo som. Há ainda o vôlei, goalball, hipismo, tênis, futebol de 5 para cegos – mencionado acima --, futebol de 7 para paralisados cerebrais, halterofilismo, judô, tênis de mesa, ciclismo e atletismo.

É emocionante notar como os deficientes fazem de tudo, hoje em dia. A Paraolimpíada dá a oportunidade de o deficiente mostrar o quanto é capaz, em termos de concentração, de raciocínio, de superação de si mesmo.

Os jogos Paraolímpicos reforçam o conceito de valorização da educação do aluno deficiente. No estudo de um novo idioma, por exemplo, ultrapassam a barreira da língua materna. Muitos deficientes visuais e auditivos freqüentam aulas regulares, com sucesso, em inglês, espanhol, italiano e outros idiomas. Usam material em braile, fazem leitura dos lábios, contam com programas avançados de computador. Mostram-se animados, com vontade de aprender. Os que têm deficiência auditiva se valem, também, do aparelho para audição.

O importante na aprendizagem do deficiente é observar o ritmo e as características de cada um, dar-lhe o apoio que necessita e usar material didático adequado. Introduzi-lo na sala de aula comum, com os outros alunos e incentivá-lo a participar. Segundo os fonoaudiólogos, apenas deficientes auditivos oralizados, isto é, que conseguem ler lábios e reproduzir os sons, podem participar das aulas normais de idiomas. Os que têm perda profunda de audição precisam de um professor que saiba a língua dos sinais.

Segundo o relatório “Monitoramento Internacional dos Direitos dos Deficientes”, elaborado pela Rede Internacional de Deficientes e pelo Centro para a Reabilitação Internacional, divulgado no início de setembro p. passado, o Brasil, entre 24 países pesquisados, é o País das Américas que assegura a melhor proteção e tratamento aos deficientes físicos. O que influenciou esse resultado foi a legislação que, entre outros fatores, assegura cotas de contratação nas empresas, garantias constitucionais de apoio financeiro e proibição da discriminação no trabalho.

Mas, em termos de realidade, pouco se faz no cumprimento dessas vantagens, para que o País seja realmente inclusivo no trato do deficiente. A reserva de mercado aos deficientes, com cotas obrigatórias, estabelecidas pela legislação, em empresas com mais de 100 funcionários, nem sempre é cumprida. Há ainda o obstáculo da locomoção que impede a chegada e a permanência do deficiente no emprego. Do mesmo modo, a reserva de 5% das vagas para os concursos públicos tem seu privilégio esbarrado pelas condições de acesso à educação. O deficiente não consegue trabalho ou estudar porque não tem acesso ao local do emprego e à escola. A lei da reserva de vagas para os concursos públicos, regulamentada em 1988, em que pese a boa intenção, deveria adequar a escola, o sistema de saúde, o transporte público, para atender a demanda dos interessados, garantir a sua participação efetiva na sociedade.

Um outro contra-senso, outro desencontro entre legislação e realidade, é a garantia do direito de voto, que deveria ser acompanhada do direito de acesso ao local de votação. No segundo semestre deste ano – 2004 – o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, incongruentemente, que os deficientes que não possam chegar aos locais de votação estão dispensados. Somente 20% dos postos de votação do País estão equipados para receber portadores de deficiências. Diante desse parecer, haverá interesse em equipar os demais?

Segundo o Censo do IBGE, realizado em 2000, o Brasil possui uma população de mais de 24,5 milhões de brasileiros portadores de algum tipo de deficiência. Dentre os deficientes visuais, 159.824 responderam que são incapazes de enxergar. Dos brasileiros com deficiência auditiva, 176.067 disseram que são incapazes de ouvir. Em cada 100 brasileiros, no mínimo 14 apresentaram alguma limitação física ou sensorial. O número é elevado e merece toda nossa atenção, toda atenção governamental.

Percebemos que ainda há muito que fazer pelos deficientes, ultrapassar os limites da legislação, legislação que colocou o Brasil como o melhor País das Américas no tratamento do deficiente. Quantos anos ainda levaremos para dar condições apropriadas para que o deficiente possa exercer, com dignidade, sua cidadania?

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro de 2004)

DESESTÍMULO À CARREIRA DE PROFESSOR

Izabel Sadalla Grispino *

O número de candidatos ao ingresso ao ensino superior, na formação de professores do 1.º e 2.º graus, vem paulatinamente decrescendo. Já há falta de professores, desse nível, em diversas localidades do Brasil e, ao que tudo indica, a tendência é aumentar. A desvalorização da carreira do magistério, nos últimos anos, tem sido uma constante, suscitando, em relação a ele, um sentimento de descrédito.

Se não se injetar recursos, tentar reverter a imagem desfavorável que hoje se tem da escola e do professor, a situação, com o passar dos anos, pode tornar-se insustentável, analisam os especialistas em educação. O desânimo parece ter tomado conta do professor, diante de seu baixo salário, de classes superlotadas, em média de 40 alunos no ensino médio, e ainda o pior, sem expectativa de melhora na carreira.

O professor tem sua auto-estima em baixa, sente-se desprestigiado pela sociedade que o vê como um profissional despreparado, incapaz de acompanhar as inovações, os avanços tecnológicos da época e, conseqüentemente, incapaz de elevar o nível de ensino, de trazer a qualidade tão necessária aos dias atuais. Esse professor precisa de ajuda, de suporte, de educação continuada, de melhores condições de trabalho, de uma melhor qualidade de vida, para encarar as mudanças e dar respostas que o reabilite perante seus alunos e perante a sociedade como um todo. Se essa visão falhar, se a vontade política não se acentuar, os jovens buscarão, certamente, outras profissões mais compensadoras, mesmo sabendo que, como professor, ele não ficará desempregado.

Segundo o novo secretário do Ensino Médio do Ministério da Educação (MEC), Antonio Ibãnez, faltam 200 mil professores nesse ensino, com déficit maior nas áreas de ciência: física, química, biologia e matemática. Nos últimos anos, o número de alunos no ensino fundamental cresceu de 92 para 97% do total das crianças em idade escolar. São atualmente 35 milhões de estudantes com índice de conclusão também cada vez maior. O aumento considerável de alunos no ensino médio foi uma decorrência inevitável. Hoje, tem quase 9 milhões de adolescentes e, para atendê-los, o País possui apenas 468 mil professores divididos entre os três anos do ensino médio.

Um estudo da Unesco, divulgado em fins de 2002, apoiado em dados de 1999, obtidos em 38 países, revela que os professores brasileiros da educação básica cumprem até tripla jornada e seu salário médio em início de carreira está entre os mais baixos dos países em desenvolvimento. O salário médio inicial do professor brasileiro só está um pouco acima apenas do Peru e da paupérrima Indonésia. A defasagem ressalta-se quando se compara com a Argentina, com o Uruguai e, principalmente, com a Suíça, que lidera os  países desenvolvidos. Ainda, entre 43 países, o Brasil tem a sexta maior média de aluno/professor (28,9) no ensino fundamental e a maior no ensino médio (38,6). O máximo recomendado pela Unesco e Organização Internacional do Trabalho está entre 20 e 30 alunos/professor. O número excessivo de alunos leva o professor a um estresse, prejudicando o seu rendimento e o rendimento do aluno.

O desestímulo ao magistério abarga, de maneira degradante, diversos ângulos, trazendo imagens de penúria, de desconsideração ao ser humano. Valendo-se da prerrogativa de atender, com emergência a demanda de matrículas, Estado e Prefeitura construíram escolas de aço pré-moldado, modelo semelhante a contêineres. São as chamadas escolas de lata, condenadas como medida antipedagógica. No verão passam um calor sufocante que atrapalha alunos e professores. O rendimento de ambos cai bastante e é preciso tirar as crianças das salas de aula com mais freqüência para tomarem ar. Vão várias vezes para o recreio, suando e com mal-estar. Quando chove forte, o barulho é tanto que atrapalha as aulas. Mal se ouve o que o outro está falando e, segundo relato de professores, as crianças se assustam e começam a chorar.

Quadro desolador do magistério público! Se a educação é tratada nesse nível, como esperar incentivo à carreira do professor? Como esperar que os jovens se entusiasmem e se enveredem nessa direção? Se quisermos professores e bons professores tratemos de nos preocupar, sem subterfúgios, à causa da educação. Investirmos mais na qualidade das licenciaturas e cursos de formação de professores, elevarmos os salários progressivamente, para que consigamos dar um salto para o futuro.

Valendo-me deste valioso veículo de comunicação, lembro de que já estão à disposição das escolas públicas e particulares de ensino médio do País os resultados do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) de 2002. O boletim mostra a nota média do conjunto dos estudantes da escola e a média brasileira.

O documento é gratuito para as escolas públicas. As particulares devem pagar uma taxa de R$ 5,00 por aluno. As instituições podem solicitar os resultados pelo e-mail do Inep – enem@inep.gov.br. O Inep é o órgão do Ministério da Educação responsável pelo teste.

* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em julho/2003)

POR QUE PROFESSORAS E NÃO “TIAS”?

Izabel Sadalla Grispino *

A escola caminha pelos olhares intrínsecos da pedagogia, pelos avanços científicos. A “tia” da escola infantil, forma de se dirigir à professora, teve seus dias contados, abolida pela linha socioconstrutivista.

Os pedagogos afirmam que o resgate do termo professora não é uma simples questão semântica. As escolas, que adotaram métodos das modernas práticas pedagógicas, ponderaram que a professora representa um novo modelo na vida da criança – ela não é, realmente, uma extensão familiar – e como tal deve ser preservada.

Paulo Freire, em seu livro “Professora sim, tia não”, escreve: “Ser professora implica assumir uma profissão, enquanto ser tia é viver uma relação de parentesco. Chamar a professora de tia é no fundo uma ideologia que trabalha contra o rigor da profissionalização da educadora, como se para ser boa professora fosse necessário ser pura afetividade”.

O professor é uma imagem importante para o aluno; ele não substitui afetos familiares. O componente afetivo deve existir, mas nunca como ideologia. A criança precisa de alguém que a oriente com firmeza, que lhe transmita os valores de vida, e o professor é o mentor desse processo de criação.

O costume de chamar a professora de “tia” vem da década de 60. As mulheres, ao buscar afirmação profissional, recorriam às escolas para cuidar de seus filhos e, de certa forma, segundo relato de mães, entregar os filhos à tia e não à professora lhes aliviava a culpa. Contudo, esse tratamento dissimula a relação de autoridade. A criança precisa diferenciar universos e perceber que cada espaço tem seus próprios valores, concluíram os pedagogos. Assim, as então chamadas escolas alternativas, hoje socioconstrutivistas, começaram a rever o tratamento nos anos 70.

A relação de aprendizado é uma nova aquisição na vida da criança. A professora é portadora de um conhecimento, abre as portas de um novo mundo, não estando, portanto, em situação de igualdade com as crianças. O psiquiatra infantil Haim Grunspun completa a análise: “Como “tia” a profissional acaba não considerando o seu próprio processo, do qual é proprietária. Existe uma ideologia de desprofissionalização do educador. A afirmação profissional emerge da conquista dos direitos do exercício pleno da função. O aluno aprende a respeitar a partir do próprio respeito. Pergunta: “Como as crianças podem entender 10 mil “tias” em greve?”

As crianças acabam percebendo por si que professora é a pessoa que educa, ensina brincadeiras, criar, inventar; tia é a irmão da mãe ou do pai. Hoje, se a dúvida persiste, ela está entre aqueles que escolhem a escola de acordo com suas convicções. Voltando a Paulo Freire, ele disse (1993): “Uma das características básicas do construtivismo é não estar demasiado certo da certeza. Se você absolutiza não tem oportunidade de crescer. Tenho 72 anos e estou aberto. Tenho este gesto da incerteza do certo”.

Porém, no caso da denominação professora ou “tia”, fica evidente que a primeira é um procedimento bem mais saudável e real.

No processo de ensino-aprendizagem, o importante é a escolha, por parte dos pais, de uma instituição idônea, capaz de oferecer aos seus alunos o que de melhor a época exige. Como escolher uma boa escola infantil?

A escolha deve partir primeiramente de sua situação legal, isto é, deve ser regularizada, com autorização do município para funcionar. A escola tem de estar dentro da lei. Ela deve aproveitar o potencial enorme que a criança tem em aprender, estimulá-la corretamente e oferecer-lhe espaços para que possa brincar. Há muitas especificidades na educação de crianças de 0 a 6 anos e professores não capacitados e ausência de um projeto pedagógico podem impedir esse processo. As crianças precisam brincar e se movimentar, os espaços não podem ser pequenos e pouco arejados. O imóvel precisa ser adequado para receber crianças: mesas com cantos arredondados não deve ter  escadas e tomadas de luz aparentes.

Só depois da Constituição de 1998 a educação passou a ser direito das crianças com menos de 7 anos. Até então, a criança brasileira não tinha direito a educação. A Constituição de 1998 reconheceu a Educação Infantil como direito da criança e dever do Estado. Assim, deixou de ser vinculada à assistência social. A exigência do registro no município por parte do estabelecimento de ensino infantil veio apenas em 1996, com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). Esta lei definiu o município como responsável pelo ensino infantil e exigiu formação mínima de nível médio para os professores. Porém, até 2007 este professor deve possuir licenciatura de nível superior. O Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado em 2001, dá prazo até 2006 para que os estabelecimentos de ensino infantil cumpram padrões de infra-estrutura para funcionamento.

Todos esses aspectos legais, estruturais, para o bom funcionamento de uma escola, são importantes, mas a tudo sobreleva, a atuação do professor. Um bom método de trabalho, consciência profissional, competência e afetividade são ingredientes indispensáveis à educação. O professor que trabalhar mais como um facilitador da aprendizagem será insubstituível e inesquecível como é, para qualquer um de nós, a figura da primeira professora.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março/2003)

A MÚSICA COMO RECURSO DIDÁTICO NAS ESCOLAS

Izabel Sadalla Grispino *

Um acontecimento pessoal aproximou-me do coral Madrigal Revivis da USP/Ribeirão Preto. Sou autora, letra e música, do “Hino do Centenário da Igreja São Mateus”, Igreja-matriz de Guariba. O coral esteve presente à missa solene, realizada em comemoração ao centenário da Igreja. Entre outras peças, que abrilhantaram a apresentação, o coral cantou, com extraordinária beleza, o Hino, em quatro vozes, num arranjo do talentoso José Gustavo Julião de Camargo, integrante do coral.

Conheci, na ocasião os componentes do coral, a figura exponencial de seu diretor artístico e regente titular, o maestro Sérgio Alberto de Oliveira, uma pessoa que traz a música na alma. O coral como um todo falou-me; cativou-me pelo profissionalismo, pela arte, pela técnica, pela afetividade. Constatei a presença de jovens formandos, lutando pela afirmação no mercado de trabalho, mas colocando em peso de igualdade o ideal, o deleite pela música. O coral é um misto de pessoas jovens e de mais idade, prevalecendo o aspecto jovem. Jovens que são exemplo, que são alento, que batalham para difundir o belo, difundir o bem, povoar o mundo de sentimentos de paz, de solidariedade que a música inspira, que propiciam, com suas lindas vozes, o cultivo da espiritualidade, espalhando cultura humanística.

O Coral Madrigal Revivis, do campus, em 20 de novembro de 1999, venceu o Mapa Cultural Paulista, o mais importante concurso do Estado. Foi o primeiro coral da região a receber o prêmio, ofertado anualmente pela Secretaria Estadual da Cultura, em que participam centenas de cidades. Ele é, sem dúvida, um patrimônio cultural que orgulha a cidade de Ribeirão Preto.

A música vem, com força, sendo redescoberta em seus variados ângulos, exaltada como portadora de equilíbrio. Nos hospitais é cada vez mais recomendada, como terapia aos doentes. A música acalma, suaviza a dor, incentiva a capacidade de sonhar, abre as portas da esperança. Ela se encarrega de levantar o astral do doente, encorajando-o à recuperação.

Nas escolas, um fundo musical nas salas de aula, em determinadas situações – com  peças clássicas, suaves, peças inesquecíveis de Mozart, Schubert, Chopin, Beethoven, Mendelssohn, Handel, Villa-Lobos entre outros – educa para a música, sugere, desperta o sonho, a criatividade, a imaginação, trabalha a alma, ajuda na concentração, na elaboração de textos e de poemas. A poesia é um outro valioso recurso didático de que a escola deve se apropriar. Enseja ao aluno externar seus sentimentos, expor sua visão de mundo.

Já há experiências pedagógicas concretas da utilização da música, em formação de corais, para a recuperação de alunos rebeldes, dispersos, problemáticos. Os alunos se envolvem na atividade, se entusiasmam pelo protagonismo nas apresentações, quer na escola, quer na comunidade e passam a ser mais responsáveis. O prazer da música contamina e traz o prazer de estudar; muda o ambiente e a aprendizagem melhora gradativamente.

A música na escola não se constitui mais em uma disciplina específica como era antigamente, mas há várias maneiras de introduzi-la no currículo, de abrir-lhe um espaço, em trabalhos individuais ou coletivos, isolados ou interdisciplinares. A escola deve, inclusive,  voltar, através dela, a desenvolver o sentimento cívico, o amor à pátria, fazendo os alunos cantarem os hinos pátrios.

A música, segundo recentes descobertas, não é privilégio do gênero humano. A revista Science publicou resultado de pesquisas assinalando de que no reino animal o gosto pela música existe há dezenas de milhões de anos. Há um instinto musical que antecedeu, em muito, a raça humana e pode estar bastante difundido na natureza, diz a revista.

A biomusicologia estuda o papel da música em todas as coisas vivas. Mostra não ser privilégio dos seres humanos a habilidade de compor música; um certo número de animais produz música e não apenas sons e trinados esparsos ou cacofonia. Uma análise de melodias entoadas por pássaros e baleias corcundas – também chamadas jubartes – mostrou que esses animais convergem para as mesmas opções acústicas e estéticas e seguem as mesmas leis de composição melódica proferidas pelos humanos. Dizem os pesquisadores que as jubartes machos usam ritmos como os encontrados na música humana e frases musicais de duração similar. As baleias têm um alcance vocal de no mínimo sete oitavas, mas tendem a cantar cadenciadamente, com intervalos musicais, ao invés de passar rapidamente de uma oitava para outra, ou seja, cantam dentro de uma clave. Outro fato impressionante é que as músicas das jubartes têm refrões e rimas.

Os pássaros também compõem músicas com as mesmas notas, variações rítmicas, padrões harmônicos e relações de tons encontrados em composições humanas. O tordo-eremita canta na chamada escala pentatônica, na qual as oitavas são divididas em cinco notas. A corruíra-do-brejo da Califórnia, canta até 120 temas, em uma única “sessão”, com cada tema repetido por seu vizinho imediato, numa espécie de diálogo sonoro.

Alguns pássaros usam até instrumentos, escrevem os pesquisadores. A cacatua da Austrália escolhe um tronco de árvore com determinada ressonância e em seguida arranca um de seus galhinhos para usar como baqueta.

Se há um instinto musical, se a música é inerente ao ser humano, à natureza, ela deve se constituir em força propulsora de sublimes realizações.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2001)

ENSINO FUNDAMENTAL DE 9 ANOS -- (2)

Izabel Sadalla Grispino *

O ensino fundamental de 9 anos de duração é assunto que ronda a preocupação dos pais. Como vai ser? Meu filho vai ter que estudar mais 1 ano para completar esse ensino?

Na verdade, sim, só que será um acréscimo inicial. Ao invés de o aluno ingressar aos 7 anos de idade, vai fazê-lo aos 6. O ensino fundamental será, então, não mais dos 7 aos 14 anos, mas dos 6 aos 14, continuando o aluno a sair do ensino básico – infantil, fundamental e médio – com os mesmos 17 anos.

É um enriquecimento inicial que virá fortalecer as etapas posteriores da alfabetização. Ao invés da 1.ª à 8.ª série, a criança cursará do 1.º ao 9.º ano mudando, apenas, a nomenclatura. Começará o novo 1.º ano aos 6 anos. Todos “pulam” uma série, mas só na nomenclatura. Os conteúdos do 2.º ao 9.º ano devem continuar os mesmos que eram dados de 1.ª à 8.ª série. Quem estará, por exemplo, na 3.ª série cursará o 4.º ano com o mesmo conteúdo do 3.º ano.

A mudança será na estrutura da escola, preparando-se para atender crianças mais novas, na faixa etária dos 6 anos. O importante não é apenas a obrigatoriedade em oferecer vagas, mas como essas crianças serão atendidas. Um novo projeto pedagógico deverá cobrir a mudança. Não é só transferir o conteúdo que era dado aos 7 anos para os 6 anos.

O novo 1.º ano terá de incorporar características do ensino infantil, passando a funcionar com o mesmo conteúdo que já era dado na pré-escola. A alfabetização não será adiantada, começa na idade adotada pelo ensino infantil.

A instituição terá que adaptar salas de aula e parte da escola para receber crianças menores. Atividades lúdicas, de arte e recreação, precisam continuar para essas crianças, assim como experiências já iniciadas de ler e escrever, como ouvir histórias, nos cantinhos de leitura, escrever cartinhas, bilhetes. Inclui-se, aí, brinquedoteca e também a preocupação com a motricidade da criança. Os banheiros são um outro ponto a se considerar, a se ajustar.

Esses preparativos levam a rede pública a mudar só em 2008. A rede particular, a maioria – 90% -- já funcionando com educação infantil, tem condições apropriadas para fazer funcionar o ensino fundamental de 9 anos em 2007. Algumas redes já haviam mudado, por critério próprio, antes da lei.

A ampliação do ensino fundamental de 8 para 9 anos, prevista pela lei 11.274 e sancionada em fevereiro de 2006, pelo presidente Lula, torna obrigatório o início desse ensino aos 6 anos de idade e dá um prazo até 2010 para que todas as escolas de ensino fundamental se adaptem ao novo formato de ensino.

O ensino fundamental, sendo o único considerado obrigatório pela Constituição, vai obrigar, agora, crianças de 6 aos 14 anos, incluindo crianças pobres de 6 anos que estão fora da escola e que nela passarão um ano a mais. Este aspecto foi o principal objetivo da lei, favorecendo, especialmente a rede pública, os alunos carentes, porque os mais abonados já têm a seu dispor a educação infantil de 6 anos.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2007)

PEDIDO DE UMA CRIANÇA A SEUS PAIS

Izabel Sadalla Grispino *

Um grande problema na educação dos filhos e dos alunos é saber como colocar limites. A rebeldia, quando não freada ou corrigida, provoca comportamento anti-social. A criança, que não está acostumada a ser contrariada, diante de pais permissivos, torna-se exigente. Quando quer uma coisa e não recebe na hora, faz pirraça, grita, chora, joga-se no chão.

Quem educa precisa encontrar o meio-termo, o equilíbrio, não ser autoritário e nem permissivo. Ceder quando achar razoável e repreender sempre que se fizer necessário.

Contudo, é importante conhecer aspectos que influenciam na reação infantil. Os pais não devem sobrecarregar as crianças de atividades, permitindo-lhes uma infância tranqüila. Crianças até os 5 ou 6 anos devem, principalmente, se divertir. Quando não têm muito tempo para brincar, não desenvolvem a criatividade e nem têm chance de ter iniciativa. A natação, por exemplo, é uma atividade importante, faz bem à saúde e é fator de integração social. Criança que sabe nadar não fica deslocada nos ambientes que freqüenta. A natação desenvolve reflexos e coordenação motora favoráveis a ela. As outras atividades, como balé, música, tênis, futebol, são aconselhadas quando a criança demonstra interesse, o que ocorre por volta dos 6 anos.

Esses aspectos da natureza infantil ajudam os pais, os educadores a se integrarem melhor no comportamento da criança. O que importa, acima de tudo, é manter uma atitude coerente e firmeza no ato negativo. Quando o não é dito, deve ser mantido.

Os filhos precisam ouvir o não. Mesmo que na hora fiquem aborrecidos,  não ficarão com traumas e nem frustrados por isso.  O que pode causar problemas no futuro é uma educação sem limites. A criança precisa aprender a lidar com limites e frustrações, eles fazem parte do seu desenvolvimento e devem ser ensinados com amor e carinho.

Os filhos devem ser criados para o mundo, por isso devem receber uma educação que os tornem capazes de enfrentar as vitórias e as decepções que virão pela frente.

A revista Viver Psicologia publicou uma análise interessante do comportamento infantil, de autor desconhecido, que vale à pena conferir.

“Pedido de uma criança a seus pais”

 

Não tenham medo de serem firmes comigo. Prefiro assim. Isto faz com que me sinta mais segura.

Não me estraguem. Sei que não devo ter tudo que quero. Só estou experimentando vocês.

Não deixem que eu adquira maus hábitos.

Não me corrijam com raiva e nem na presença de estranhos. Aprenderei muito mais se falarem com mais calma e em particular.

Não me protejam da conseqüência de meus erros.

Não levem muito a sério minhas pequenas dores. Necessito delas para obter a atenção que desejo.

Não sejam irritantes ao me corrigirem. Se assim fizerem, poderei fazer o contrário do que me pedem.

Não me façam promessas que não poderão cumprir depois. Lembrem-se que isto me deixará profundamente desapontada.

Não ponham à prova minha honestidade. Sou facilmente tentado a dizer mentiras.

Não me mostrem um Deus carrancudo e vingativo. Isto me afastará dele.

Não desconversem quando faço pergunta, senão eu procurarei nas ruas as respostas que não obtiver em casa.

Não se mostrem para mim como pessoas perfeitas e infalíveis. Ficarei extremamente chocado quando descobrir algum erro de vocês.

Não digam que meus temores são bobos, mas, sim, ajudem-me a compreendê-los.

Não digam que não conseguem me controlar. Eu julgarei que sou mais forte que vocês.

Não me tratem como uma pessoa sem personalidade. Lembrem-se que tenho o meu próprio modo de ser.

Não vivam me apontando os defeitos das pessoas que me cercam. Isto criará em mim desde cedo um espírito intolerante.

Não se esqueçam que gosto de experimentar as coisas por mim mesma. Não queiram me ensinar tudo.

Não desistam de ensinar o bem, mesmo que eu pareça não estar aprendendo.

No futuro, vocês verão em mim o fruto que plantaram.

*      *      *

Este tópico inspirou-me a poesia que transcrevo abaixo:

CRIANÇA

Criança, aurora que desponta para a vida,
Gotas de orvalho que suavizam a existência,
Inocência, no tempo, perdida,
Filete de sol, ancorando-se na humana competência.

A criança é o mundo de amanhã,
Tratá-la com carinho e com firmeza,
Prepará-la para uma sociedade cidadã
É conferir, aos futuros dias, força de nobreza.

Ela representa a essência da vida,
Não corromper seus valores inatos,
De princípios morais ser enriquecida,
Para, na transformação social, exercer seu grande mandato.

De sua formação depende o mundo de paz,
O equilíbrio ou o desequilíbrio social,
Ela é a primitiva semente que traz
O trigo abundante ou a planta letal.


Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2003)

O EXAME VESTIBULAR

Izabel  Sadalla  Grispino *

O exame vestibular continua sendo o grande processo de seleção ao ensino superior, o que responde, ainda, pela formação de calouros nas universidades públicas. É um processo que acaba por discriminar as classes populares, revelando o desnível existente entre a boa e a má educação.

O vestibular já se firmou como a oportunidade dos bem-nascidos, como o trampolim da elite para o melhor do ensino superior. Ele se constitui na última etapa de uma seleção que começou bem antes, na aprendizagem das primeiras letras. Seu afunilamento é preenchido por alunos que receberam a melhor educação, que freqüentaram a melhor escola. Ele é um termostato de todo o conhecimento adquirido anteriormente. Não é, pois, o 3.º ano do ensino médio, ou o próprio ensino médio que aprova ou reprova o candidato no vestibular. Ele, também, não é uma tentativa tão aleatória, como querem alguns, chegando a classificá-lo como um jogo de sorte ou de azar. A um professor do 3.º ano do ensino médio não é difícil prever quem passará na 1.ª tentativa, quem conseguirá na 2.ª e quem nunca chegará lá.

A “Folha de S. Paulo”, em 1999, denunciava o fracasso dos estudantes da rede pública no vestibular da Fuvest. Nesse vestibular, a rede pública teve o pior desempenho da USP. O perfil socioeconômico, traçado pela FUVEST, que faz levantamento de dados desde 1977, mostra que a grande maioria dos alunos freqüentou escola particular e pertence à classe média/alta e que os alunos da rede pública estão desaparecendo da Universidade de São Paulo. Em 1977, 57,3% dos novos alunos vinham da rede pública e 29,3% das escolas particulares. No ano de 1999, 62,4% dos calouros cursaram o 2.º grau em colégios privados e apenas 20,7% não pagaram pela educação secundária.

A queda tem sido gradual e contínua. Os resultados dos últimos 5 anos são preocupantes, em termos de probabilidade de extinção desse alunado na USP – tal o grau de decadência do ensino público. Entre 1993 e 1998, houve uma queda de 12 pontos percentuais; alunos vindos de escolas públicas passaram de 32,5% do total de novos alunos para 20,7%. Presentemente, o alunado que sai da escola particular entra na universidade pública; o que sai da escola pública só consegue entrar na universidade particular. Um contra-senso. Uma distorção da realidade socioeconômica da população, provocada pela desigualdade cultural. Nessa conjuntura, escola particular tornou-se, praticamente, “pré-requisito” para entrar em uma universidade pública e esta – a melhor do País, a que oferece melhores empregos do mercado de trabalho – fica reservada aos ricos.

Há, ainda, um outro ponto a considerar nesta desigualdade. Investe-se no ensino fundamental, o que é muito louvável e caracteriza um avanço, mas deixa-se no vazio a educação infantil, denominada de pré-escola. É, aí, nesta fase inicial de estimulação às primeiras aprendizagens que se inicia a grande defasagem cultural das classes menos favorecidas. É aí, nesta faixa etária, que as crianças de famílias de baixa renda ficam, costumeiramente, de fora.

A pré-escola sociabiliza, desenvolve mais habilidades, melhora o desempenho escolar futuro, propiciando à criança resultados superiores ao chegar ao ensino fundamental. A educação infantil é o verdadeiro alicerce da aprendizagem, aquela que deixa a criança pronta para aprender. A ausência desse ensino, pelas crianças pobres, completa o ciclo da desigualdade escolar dessas crianças, futuros adultos, futuros concorrentes à marginalização profissional.

Felizmente, a preocupação com a pré-escola começa a ganhar força na área governamental. Em São Domingos, capital da República Dominicana, de 10 a 12 de fevereiro do ano 2000, realizou-se, com a participação de representantes dos ministérios da Educação da América Latina e do Caribe, além dos Estados Unidos e Canadá, a “Reunião das Américas para Avaliação da Educação para Todos”. O documento “Marco de Ação Regional”, elaborado por técnicos da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e do Banco Mundial, sintetizou as decisões, nas quais foi ressaltado o investimento na pré-escola, considerado como a nova prioridade em todas as ações educacionais nas Américas. O documento concluiu que a “insuficiente atenção ao desenvolvimento integral das crianças na 1.ª infância era o principal responsável pelas “altas taxas de evasão e repetência” na escolaridade básica. A prioridade de investimentos na pré-escola deve ser a 1.ª, dentre as outras, por garantir o direito universal de uma “educação de qualidade desde o nascimento”.

Considerou-se que os investimentos   devem contar com ampla participação social que assegure a transparência e devem ser descentralizados. Os governos aceitaram, também, o compromisso de que “os docentes têm lugar insubstituível na transformação da educação”. O uso dos novos recursos didáticos e tecnológicos na Educação não substitui o professor. A Unesco mostrou preocupações com a melhoria da formação docente, considerando que a valorização da profissão docente está associada à “melhoria das condições de vida e trabalho” do educador. Ainda, pelo documento, os governos assumiram o compromisso de “converter políticas assistencialistas em políticas de promoção de capacidades das pessoas”. O que seria extremamente louvável, pois deslocaria da escola o foco assistencialista, passando para o da competência.

Enquanto persistirem, em grau significativo, as desigualdades educacionais, acarretando desigualdades sociais, permanecerá, com raras exceções, a elite no comando do País. Perpetua-se no poder, desde a época imperial, apesar da propalada democracia, a classe abastada, dominando pelo dinheiro e pela cultura.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2001)

AS NOVAS NORMAS REGIMENTAIS DAS ESCOLAS ESTADUAIS DE SÃO PAULO

Izabel Sadalla Grispino *

Uma outra característica desse momento histórico da educação, em que se vem processando a implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) n.º 9.394, de 20/12/96, é a elaboração, pela própria escola, de seu regimento interno. O Diário Oficial do Estado publicou em 21/03/98, na íntegra, o texto relativo às novas normas regimentais aprovadas pelo Conselho Estadual de Educação. Elas tornam as escolas da rede pública mais autônomas e responsáveis pelo seu regimento.

O caminho da modernidade passa pela descentralização de gestões, desinchando a máquina administrativa central, pela maior autonomia das instituições oficiais de qualquer nível, buscando racionalizar o sistema, adequá-lo, ajustá-lo às condições peculiares de cada instituição.

Até 1998, existiam regimentos unificados para as escolas oficiais. A partir de 1999, as escolas iniciaram o estabelecimento de normas, desde a relação das disciplinas do currículo até a proposta e linha pedagógica, passando pelos critérios de avaliação.

Na elaboração do novo regimento, há um envolvimento conjunto, uma participação ética, reflexiva da escola, dos pais e dos alunos. Pelo novo regimento, os alunos ganharão o direito de participar dos conselhos de classe, conselhos estes responsáveis pela avaliação e pela definição de quem será retido ou aprovado.

Os pais participarão dos conselhos da escola e esses conselhos serão os responsáveis pela elaboração do regimento. Através dos conselhos de escola, eles passarão a ter mais influência na determinação das diretrizes da escola. Os conselhos são compostos por representantes da direção, dos professores, dos funcionários, dos pais e dos alunos. É um órgão deliberativo e através das novas normas regimentais ele ganha mais poder e importância.

As normas regimentais propostas têm por objetivo adaptar as escolas da rede estadual à nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), que prevê, em linhas gerais, a flexibilidade das estruturas e práticas educativas. Ela dá autonomia para as escolas resolverem a sua organização. Isso significa liberdade para escolher os livros didáticos, as disciplinas do currículo que oferece, a carga horária e o sistema de notas.

Os regimentos anteriores tinham o foco no caráter disciplinar da escola. “As novas normas pretendem ser orientações gerais, a partir das quais cada escola vai definir sua maneira de atuar”, diz Neide Cruz, então assessora da Secretaria da Educação.

AS NOVAS NORMAS REGIMENTAIS – Cada escola terá de elaborar seu próprio regimento, estabelecendo regras e normas de funcionamento. Os pais têm direito de receber uma cópia do regimento no ato da matrícula.

Plano de gestão – Cada escola terá de elaborar um plano de gestão válido por quatro anos. No plano serão definidos objetivos e metas a serem atingidos, planos de trabalho e critérios de acompanhamento, controle e avaliação do trabalho executado.

Progressão continuada – O ensino fundamental (1.ª à 8.ª série) ficou dividido, a partir do ano letivo de 1998, em dois ciclos (1.ª à 4.ª e 5.ª à 8.ª séries). Dentro de cada ciclo não há reprovação. Os alunos são avaliados constantemente e, dependendo do desempenho, encaminhados para atividades de recuperação oferecidas ao longo do ano. Os sistemas de avaliação e de recuperação serão definidos pela escola.

Conselhos de classe – Os alunos poderão participar dos conselhos de classe e série, independentemente de sua idade.

Instituições escolares – Toda escola terá de ter um grêmio estudantil.

 

 

 

 

 

Avaliação institucional – As escolas serão submetidas a avaliações externa e interna. A externa será feita pelos órgãos locais e centrais da administração por meio de avaliações e supervisões feitas pelas diretorias de ensino. A avaliação interna será realizada segundo critérios definidos pelo conselho de escola.

Progressão parcial – Os alunos de ensino médio (1.ª à 3.ª série do segundo grau) que tiverem rendimento insuficiente em até três disciplinas podem ser classificados na série subseqüente, mas ficam obrigados a cursar estas disciplinas. O sistema é semelhante ao de dependências, usado na rede particular. Ele vale para os cursos regulares, supletivos e pode ser adotado nos cursos profissionalizantes. A progressão parcial poderá ser adotada para alunos da 8.ª série do ensino fundamental, desde que fiquem asseguradas as condições para conclusão do ensino fundamental.

Freqüência – As faltas não podem mais ser usadas como critério de avaliação. Os alunos podem se ausentar, no máximo, 20% do total de aulas no mês. Se este limite for superado, a escola tem de adotar medidas para que os alunos possam compensar as ausências. A freqüência mínima anual para promoção é de 75%.

Reclassificação – Um aluno pode ser reclassificado em uma série mais avançada. A referência será a relação idade/série (se ele tem idade para cursar a série pretendida) e a competência do aluno (se ele domina o conteúdo, mesmo que não tenha freqüentado escola).

Mudança de um ciclo para outro – Um aluno que tiver rendimento insuficiente no primeiro ciclo do ensino fundamental (1.ª à 4.ª série) poderá cursar atividades intensivas de recuperação e ser promovido para o segundo ciclo (5.ª à 8.ª série) durante o ano letivo.

As escolas ganham, com a nova lei, mais liberdade, quer na elaboração de seu currículo, quer na do seu regimento interno. Ela passa a ter mais poder e o poder está vinculado à responsabilidade, à competência.  Muitas escolas encolhem-se na preocupação que essa autonomia vem lhes proporcionar. Outras argumentam que a flexibilização é limitada, uma vez que a organização do tempo e dos dias letivos já estão definidos por lei. Questionam a autonomia, no ponto proposto pela Secretaria da Educação, quando fala da formação de parcerias com a iniciativa privada.

Em linhas gerais, essa autonomia dada à escola é um avanço. A escola deve encará-la como uma conquista, como um objetivo a mais a ser alcançado, capacitando seus recursos humanos, a fim de dar respostas que venham de encontro aos anseios da sociedade, às exigências da atualidade.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em novembro de 2000)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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