Payday loans uk
  1. Skip to Menu
  2. Skip to Content
  3. Skip to Footer>

Artigos Educacionais

  • Previous
  • Next
  • Stop
  • Play

LONGO DESCASO À EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Em nosso País, economistas encontram no prolongado descaso à educação a explicação para a desigualdade de renda brasileira. Descaso secular, em que a cada década os problemas se agravam, se avolumam e arrastam o País para um futuro incerto, desordenado. A baixa escolaridade levou à baixa produtividade da mão-de-obra, aos baixos salários, à favelização, à criminalidade.

Diferenciais de salário estão diretamente relacionados a diferenciais educacionais. Em meados dos anos 90, o ensino fundamental universalizou-se e com ele se agravou a qualidade. O IBGE mostra que, praticamente, 3 de cada 5 jovens lêem e escrevem mal.

Confirmam os economistas que cada ano a mais na escola  representa  um  investimento  para a sociedade equivalente a uma aplicação financeira que rende 15% de juros reais ao ano. O nosso atraso educacional é responsável, reforçam eles, por no mínimo 1/3 da diferença de produtividade do trabalho que há entre o Brasil e os Estados Unidos.

Os resultados recentes, em economia da educação, apontam o ambiente doméstico como um dos determinantes do mau desempenho dos alunos, da queda de qualidade da educação pública.  Esse fator é facilmente comprovado observando os alunos que freqüentam escolas particulares. Essa conclusão tem empurrado a escola a olhar para o meio onde está inserida, no preceito de educação não só para dentro dela, mas para o seu entorno. Ao contribuir para que os pais, os lares, sejam melhores, a escola estará contribuindo para melhorar a escola de amanhã e para melhorar a renda familiar.

A atenção voltada às famílias é uma maneira de compensar, em parte, as carências do ambiente familiar. Ao criar programas de orientação, a escola eleva a qualidade dos pais, elevando a dos filhos. A universalização do ensino fundamental, embora tenha agravado a qualidade do ensino, trará, contudo, para as futuras gerações de alunos, pais em melhores condições culturais para educar os seus filhos, revertendo em qualidade de ensino.

Países no estágio de desenvolvimento como o Brasil precisam se voltar à pobreza, ao ambiente desestruturado, de pais separados, analfabetos ou semi-analfabetos em que vivem uma boa parte das crianças que vão à escola pública.

Acordaremos, um dia, para a realidade educacional em que vivem os brasileiros? O descaso prolongado à educação, de décadas e décadas, é muito presente, de triste resultado, precisando de outras tantas décadas de políticas públicas consistentes para se conseguir uma solução plausível para a educação, em sua qualidade de ensino.

Poucas são as regiões do Brasil que apresentam um maior avanço na educação. Uma cidade destacada pela qualidade e apontada como exemplo é Águas de São Pedro, no interior de São Paulo, próxima a Campinas. A persistência de anos de políticas públicas  caracterizou o diferencial da educação de qualidade.

Águas de São Pedro possui os maiores índices de crianças matriculadas do País. Não possui escolas particulares e as escolas públicas garantem o nível elevado do ensino.

Teremos, em Águas de São Pedro, uma luz capaz de irradiar seu modelo para o resto do País?

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro de 2007)

CURSOS LIVRES

Izabel Sadalla Grispino *

Antes de discorrer sobre o título do artigo, abordarei questões sobre um segmento da educação que começa a preocupar as autoridades educacionais: os recém-criados cursos de pós-graduação, pela grande maioria das faculdades.

Está havendo grande procura por esses cursos. Apenas o diploma de graduação não é mais suficiente para se ter, hoje, uma carreira de sucesso. No mercado competitivo, o grau de exigência vem crescendo e coloca, nos cursos de pós-graduação, o diferencial. A especialização abre caminho no trabalho; a  educação é a moeda desse milênio.

Até uns anos atrás, fazer uma pós-graduação requeria passar por uma seleção em uma universidade pública ou em uma grande instituição particular. A realidade mudou. As faculdades, percebendo a correlação, passaram a manter estruturas de pós-graduação, oferecendo cursos em várias modalidades.

Está havendo uma verdadeira proliferação e já começa a suscitar dúvidas sobre a honestidade e a qualidade de ensino dos cursos. O Conselho Nacional de Educação (CNE), órgão responsável por esse nível educacional, defende uma ampla avaliação do segmento: “A expansão precisa ser acompanhada de qualidade. Está na hora de fazer um mapeamento para ver onde e como a expansão está ocorrendo, para evitar um crescimento desordenado”, arrematou Arthur Roquete de Macedo, presidente da Câmara de Ensino Superior do Conselho.

Uma, não tão veiculada, modalidade de ensino são os chamados cursos livres.

Os cursos livres podem tornar-se, presentemente, a grande fatia do mercado. Com, praticamente, a extinção ou a grande diminuição dos cursos supletivos particulares a distância, eles serão, sem dúvida, alvo de concorrência.

Os supletivos a distância foram criados e autorizados por causa de brechas na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de dezembro de 1996, que determina que os alunos do ensino fundamental (1.ª a 8.ª série), de 7 a 14 anos, devem ter presença mínima de 75% do total de horas letivas, para aprovação, mas não se refere aos alunos com mais de 15 anos, faixa de idade permitida para o ingresso no supletivo. A decepção, contudo, causada por esses cursos levaram à expressão do professor Arthur Fonseca Filho, presidente do Conselho Estadual de Educação (CEE): “Agora, não há mais dúvida de que eles não podem existir”.

A esse fato, acresce-se que, em maio de 2000, o Conselho Nacional de Educação (CNE) apresentou as normas para a educação de jovens e adultos e foi determinado que não poderia haver ensino fundamental a distância, em nenhuma circunstância, respeitando o artigo 32, inciso IV, § 4.º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), que diz: “O ensino fundamental será presencial, sendo o ensino a distância utilizado como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais”.

Baseado nessas normas, o Conselho Estadual de Educação de São Paulo (CEE) proibiu a existência de cursos supletivos a distância para o ensino fundamental. Ensino supletivo a distância, agora, só para o ensino médio.

A nova norma, sobre os cursos supletivos a distância, abre portas para os “cursos livres”. São cursos modalidade suprimento, de nível médio, assistemático. Esses cursos podem emitir certificados, sem validade para continuação dos estudos, mas que podem servir para o mercado de trabalho, na busca de emprego, ou para enriquecer o currículo.

Os cursos livres são organizados por empresas ou associações que aferem a escolaridade do aluno, elaboram apostilas, no final fazem uma prova e entregam o diploma com o carimbo da instituição mantenedora.

Em um Parecer de 1972, o extinto Conselho Federal de Educação previu a criação dos cursos livres de suprimento. Não são cursos regulares, supervisionados pelo Conselho Estadual de Educação (CEE), não precisam cumprir exigências como carga horária definida e título de professor.

Esses cursos podem ser dados por qualquer pessoa, desde que deixe claro que o certificado não serve como documento oficial. “Só lamento porque eles podem induzir ao erro pessoas menos informadas”, diz o presidente do Conselho Estadual de Educação (CEE). Por isso, faz-se necessário sua divulgação.

A avaliação dos cursos livres será de competência do mercado de trabalho, que, mediante a qualificação do empregado, vai aprová-lo ou não. Os que ministram cursos de bom nível, de alcance empresarial, serão, sem dúvida, promovidos. Caso não tragam contribuições significativas para o desempenho profissional, terão, com suas inadequações, repercussão negativa e acabarão por cair no descrédito.

* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em julho/2001)

EDUCAÇÃO INFANTIL, PRIORIDADE EDUCACIONAL

Izabel Sadalla Grispino *

O Brasil é uma terra de contrastes; cresce desordenadamente. Frisante desigualdade entre o Sul, o Norte e o Nordeste, entre a opulência de poucos e a cruel, a extrema pobreza de muitos!

No Nordeste, a desnutrição infantil, largamente denunciada, alcança considerável parcela dessa população e vem gerando o nanismo. Crianças mal nutridas, sofrivelmente alimentadas, acabam degenerando-se, sucumbindo-se ou tornando-se nanicas. Perdas de vitaminas, na alimentação das primeiras idades, não se repõem jamais, dizem os especialistas do assunto. De nada adianta alimentá-las bem, depois dessa fase; o que se perdeu não se recupera mais. A criança atingida pelo nanismo está prejudicada de modo irreversível.

Transferindo-se essas perdas para a área educacional, do mesmo modo, a estimulação precoce perdida da primeira infância, desassistida da pedagogia, acarreta deficiências de aprendizagem, dificilmente superadas. O nosso País privilegia o ensino fundamental, e descuida-se da educação infantil, fase mais importante do desenvolvimento da criança, comprometendo o futuro de toda uma geração.  As vagas preenchidas nas creches e nas pré-escolas não são consideradas, pelo governo, para efeito de cálculo e repasse do Fundef (Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental).

A ciência, em sua descoberta, mostrou que o cérebro é muito mais elástico do que se imaginava e tem sua capacidade definida nos primeiros anos de vida, fase em que a quantidade de sinapses (conexões neurais) depende de estímulos, do trato pedagógico recebido.

O cientista Carl Seagan, já falecido, pôs em xeque o modelo educacional adotado no Brasil pela negligência com que se atua, em relação às nossas crianças. Lançou, à reflexão, o desafio da necessidade da abrangência da educação infantil. Disse ele: “A principal revolução das primeiras décadas do novo século não estará no uso da informática, mas, sim, na educação das nossas crianças de muito pequena idade”.

No meu artigo sobre o exame vestibular eu dizia: O vestibular se constitui na última etapa de uma seleção que começou bem antes, na aprendizagem das primeiras letras. Seu afunilamento é preenchido por alunos que receberam a melhor educação, que freqüentaram a melhor escola. Ele é um termostato de todo o conhecimento adquirido anteriormente. Nesse contexto, escola particular tornou-se, praticamente, “pré-requisito” para se entrar em uma universidade pública e, esta a melhor do País -- a que oferece melhores empregos no mercado de trabalho – fica reservada aos ricos.

Essa discrepância vem de longa caminhada, quando poucos têm o privilégio de freqüentar o ensino infantil. É aí, nessa fase inicial de estimulação às primeiras aprendizagens, que se inicia a grande defasagem cultural das classes menos favorecidas. É aí, nessa faixa etária, que as crianças de famílias de baixa renda ficam, costumeiramente, de fora.  A ausência desse ensino, pelas crianças pobres, completa o ciclo da desigualdade escolar dessas crianças, futuros adultos, futuros concorrentes à marginalização profissional.

Felizmente, a educação desperta para a importância da pré-escola. Iniciar a aprendizagem formal de uma criança pelo ensino fundamental, pulando a pré-escola, é o mesmo que construir uma casa sem a consistência de um bom alicerce.

É preciso, pois, lutar pela educação infantil e pelo educador infantil, defendendo políticas públicas que priorizem esta etapa da educação. A nossa rede pública atende, hoje, apenas 9% da população  de zero a três anos nas creches e 48% das crianças de idade entre 4 a 6 anos, nas escolas de educação infantil.

A desatenção ao desenvolvimento integral das crianças na primeira infância responde pelas significativas taxas de evasão e repetência na escolaridade básica. As creches não se caracterizam mais como reservatório de crianças. Hoje, elas têm um conteúdo educacional, critérios curriculares, transformam o contato das crianças com os educadores em relações de aprendizado. Desenvolvem na criança os aspectos físicos, cognitivos, afetivos, éticos, as relações interpessoais e sociais.

A educação começa no berço e os primeiros anos têm peso fundamental para o resto da vida escolar. A educação que a pessoa teve no “período de molde” (de 1 a 7 anos) vai influenciar todo o seu comportamento futuro. O tratamento pedagógico de uma criança não é igual ao de um adolescente, que, por sua vez, é diferente do de um adulto.

A criança precisa ser atendida nos próprios interesses, sem imposição, para que libere o seu potencial, desenvolva a auto-educação, a autonomia na aprendizagem. Com a educação infantil, iniciam-se as fases específicas do desenvolvimento mental, que começam com a mais tenra idade e vão até a adolescência. Aos 14 anos, a criança está madura para raciocinar hipoteticamente – fase operatória formal ou hipotética – quando se completa, segundo Jean Piaget, o processo intelectual da criança.

Ao deixar de freqüentar a pré-escola, a criança perde, em estimulação e correspondente aprendizagem, as fases: sensório-motor (ou motora), pré-operatória e a iniciante operatória concreta,  produzindo  considerável  lacuna no desenvolvimento de sua inteligência e de sua formação integral.

A criança é um ser que interage com a realidade, formando, nessa interação, suas estruturas mentais e, se conduzida pedagogicamente, terá um desenvolvimento bem mais significativo. O potencial da criança está relacionado à estimulação ambiental e o encontro desses dois fatores realiza-se na pré-escola,  conferindo a esta um papel primordial.

* Supervisora de ensino aposentada.          
(Publicado em julho/2001)

CONTROVÉRSIAS SOBRE A MUNICIPALIZAÇÃO DO ENSINO

Izabel Sadalla Grispino *

A municipalização do ensino foi bastante contestada, e ainda continua, pelas entidades de classe de professores e por setores da oposição. Consideram-na como um viável caminho à privatização do ensino público. Partidos de esquerda, como PT, PDT e PC do B, entraram no Supremo Tribunal Federal, no início de sua implantação – 1998 – com uma ação direta de inconstitucionalidade, tentando impedir sua aplicação. Alegavam não caber ao governo federal determinar como estados e municípios devam aplicar suas cotas dos fundos de participação.

Outra contestação surgiu por parte de professores da rede pública do ensino superior, que rejeitavam o modelo educacional adotado pelo MEC. Criticavam e denunciavam o sistema de parcerias com o setor privado adotado pelo governo para mudar o ensino. No ensino municipalizado, diziam, a reforma inclui a integração entre estado, iniciativa privada e comunidade, em modelos de parceria para criar novas fontes de financiamento. Essa relação deve ser intermediada pelas organizações não-governamentais (ONGs).

As entidades de docentes são contra a municipalização e afirmam que o projeto de políticas sociais serve de suporte para a municipalização do ensino fundamental. Com a criação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (Fundef), criticado pelas entidades, o governo quer abrir caminho para que haja um aumento da participação da sociedade no processo. Seguindo as regras do Banco Mundial (Bird), o governo aposta na municipalização do ensino de crianças de 7 a 14 anos, como ponto de partida para a reforma. Segundo essas entidades, o governo repassa, aos poucos, o controle da educação brasileira ao Banco Mundial, dando sinal verde para a privatização do ensino no Brasil.

Em documento-denúncia, professores da rede pública do ensino superior alertavam, em 1998, que “havia em andamento um amplo programa de reformulação da educação no país, com a transferência do controle da estrutura do ensino público para fundações e organizações de direito. O novo sistema deverá ser instituído de forma gradativa e segue um programa que o Banco Mundial (Bird) recomenda para países pobres, prevendo uma redução da participação do poder público no ensino e parcerias com o setor privado (...). O processo de transferência de controle da estrutura educacional, para fundações e organizações de direito privado, deverá ser gradativo (...). O ensino brasileiro caminha para um sistema no qual, cada vez mais, haverá a participação do setor privado e menos do estado (...). O novo sistema misto que deve surgir no país, com a reforma do ensino, tem apoio do Bird, que vê o reforço à municipalização do ensino como uma estratégia (...).

Dois dos esteios da reformulação administrativa do ministro Bresser Pereira, em vigor, são a redução dos gastos da folha de pagamento e o incentivo ao repasse do comando de setores públicos para organizações sociais de direito privado.

O governo alega que o setor educacional comporta uma integração entre os níveis de administração pública – união, estados e municípios – iniciativa privada e ONGs. Essa tendência ocorre hoje no setor ambiental, referendam os professores. É com esse sistema que funciona o Instituto Brasileiro do Meio-Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), cada dia mais operando com convênios e parcerias para criação de fontes de financiamento, que dão suporte às ações do órgão. O setor educacional, ao que tudo indica, deve passar por um processo que o governo chama de “flexibilização” e as entidades de classe de professores classificam de privatização, reafirma o documento-denúncia.

Só o desenrolar do processo trará clareza a essas questões. O ministro Paulo Renato Souza tem passado imagem de credibilidade, de atuação coerente entre os diversos graus do ensino. Contudo, a saúde da educação não vai bem, os rumos políticos da educação não são tão animadores, sempre conflitados em suas irrisórias verbas.

O desolador é contestar que o Brasil, com seu enorme potencial de riqueza, nunca está em condições de se apoiar nas “próprias pernas”, tendo sempre que ser ajudado por “muletas”. Ainda estamos inseridos entre os países do terceiro mundo, países em desenvolvimento. Passam-se os anos e assim, como nos tempos de nossos pais e avós, somos o permanente país do futuro.

Precisamos não só de escolas para todos, mas de escolas de boa qualidade para todos, sejam ricos, sejam pobres, se querermos realmente uma pátria forte, menos injusta socialmente. Educação funciona com vontade política. Somos responsáveis pelos homens públicos que colocamos no poder. Necessário se faz formar consciência, despertar amor à terra natal, desde a tenra idade, porque os bons sentimentos, os bons propósitos, se desenvolvendo com a criança, consolidarão o caráter, o civismo.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2000)

PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS DE 5.ª À 8.ª SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL

Izabel  Sadalla  Grispino *

Nos Parâmetros Curriculares Nacionais de 5.ª à 8.ª série do Ensino Fundamental, o MEC propõe, igualmente, a inserção de temas transversais, que devem merecer atenção especial no ensino das disciplinas tradicionais, como geografia, história e matemática. Insiste na estimulação do aprendizado crítico das disciplinas tradicionais. A matemática, por exemplo, deve ser ensinada com ênfase nas resoluções de problemas em sua aplicação prática, em lugar de cálculos abstratos. No ensino da língua estrangeira, deve-se dar ênfase à leitura sobre a escrita e a fala; em geografia, evitar a simples memorização de nomes e definições.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais de 5.ª à 8.ª série do Ensino Fundamental avançam na proposta “Pluralidade Cultural” e coloca como uma das principais novidades o fim do “mito da democracia racial”. Entendem os especialistas do MEC que se deve pôr fim a esse mito, porque “a noção de que o Brasil é uma democracia racial e o brasileiro, uma raça formada pela fusão do negro, do índio e do branco, deve ser condenada”.

Nesse tema, pluralidade cultural, o MEC investe em conceitos já tradicionais nas escolas, como o que ele chama de “mito da democracia racial”, a noção de “raças” e de homogeneidade cultural Brasileira. Diz que a fusão de raças, defendida até nos livros didáticos, encobriu as diferenças culturais no Brasil e serviu para subordinar algumas culturas. Isso impregnou-se nas próprias escolas, levando professores a atitudes de discriminação existentes na sociedade, quando atribuem a culpa, pelo mau desempenho de alunos, à origem racial ou social.

“Divulgou-se uma concepção de cultura uniforme, depreciando as diversas contribuições que compuseram e compõem a identidade nacional... A escola tem um papel fundamental no trabalho de mostrar aos alunos os diversos costumes e crenças das várias culturas e sua participação na formação histórica do País”. Para cumprir o princípio da igualdade de que fala a Constituição, a escola precisa “ter sensibilidade para a questão da diversidade cultural e ações decididas em relação aos problemas gerados pela injustiça social”, analisa o texto.

Nesta altura, não podemos deixar de lembrar Paulo Freire, quando diz que a escola precisa afastar o isolamento, ter mais conectividade, mais amor, mais verdade. O isolamento já está na sociedade e o que acontece com a sociedade acaba acontecendo com a escola. É preciso levar a escola para a vida. Ele se dizia “um menino conectivo”. Unia os pobres e não-pobres, os oprimidos e os não-oprimidos, comprometidos com os oprimidos. Dizia que “a gente tem que estar ensopado de vida, tem que estar encharcado de afetividade”. “Não sou um ser no mundo, sou um ser com o mundo”, apregoava Paulo Freire.

Os “Parâmetros Curriculares Nacionais” sofreram críticas por estar bem acima da capacidade de assimilação da maior parte dos professores. Por isso, o MEC se propôs a orientar o trabalha da Secretarias da Educação, instituições de formação de professores e editoras de livros didáticos.

O MEC tem-se pautado por estabelecer diretrizes que atinjam metas de qualidade. Essas metas perpassam, também os “Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio”, onde a preocupação com a educação plena, com o cotidiano e a realidade do aluno continuam. Propõem variar as formas de ensinar e desenvolver no aluno habilidades e competências relacionadas às suas necessidades do dia-a-dia.

Através do sistema nacional de avaliação, o MEC coletou, juntamente com outros quesitos, informações  para saber se a educação está formando cidadãos capazes, inseridos no mundo atual, isto é, se a escola está ministrando um ensino de qualidade. O resultado foi bastante desolador. O baixo aproveitamento e a queda do nível de aprendizagem aumentam à medida que as séries avançam e isso vem se confirmando desde as avaliações feitas a partir de 1990. Em alguns casos, menos de um aluno conseguia dominar os conteúdos mínimos da série em que estava.

Sobre o aspecto qualidade, constatou-se, por exemplo, que alunos da 4.ª e da 8.ª séries do 1.º grau e da última série do 2.º grau obtiveram sucesso em perguntas diretas, em textos elementares. A situação complicou-se quando foi preciso deduzir, analisar criticamente, relacionar, completar ou estabelecer significado. Não houve “interpretação e raciocínio”, revelou a análise do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) feita por especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU), chamados pelo MEC para avaliar o fraco desempenho dos alunos, constatado no último Sistema de Avaliação do Ensino Básico (Saeb).

Esta entidade sugeriu mudanças. A título de exemplo, citaremos as mudanças no ensino de português: “O modelo de ensino de português deve ir além dos livros didáticos, o aluno deve ter contato com textos diferenciados, desde os literários aos mais comuns, contato com jornais, revistas e até mesmo com manuais de instrução. Nos testes, os alunos mostraram dificuldade em consultar um índice de revista científica e em responder questões em que a resposta se encontrava dispersa em parágrafos anteriores.

Essas observações, sobre o que seria o ensino de qualidade, devem servir ao professor para repensar sua prática pedagógica, pois, quem não sabe procurar a informação em situação variada terá sérios problemas profissionais no futuro. Considerar que o mercado de trabalho está passando por transformações muito rápidas e a pesquisa abrangente permite uma ampliação de conhecimento que ajudará o aluno a adaptar-se às diferentes e inusitadas ocupações.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2000)

ALTERAÇÃO DE CURRÍCULO

Izabel Sadalla Grispino *

Fui solicitada a me pronunciar sobre a mudança do currículo do ensino médio diurno, da rede estadual, com a ampliação da carga horária de 25 para 30 horas semanais.

Esse aumento da carga horária atende a uma antiga reivindicação dos professores. Na época do governador Mário Covas, em 1998, por sua determinação – gestão da secretária Rose Neubauer – houve uma diminuição do período de aulas. Passou de 6 para 5 o número de aulas diárias e a duração de cada uma aumentou de 50 para 60 minutos.

O novo currículo, aprovado para ser implantado já neste ano letivo de 2005, traz acréscimo de disciplinas, como filosofia e psicologia. Os alunos do ensino médio terão a matriz curricular ampliada de 25 para 30 horas semanais. A disciplina filosofia passa a ser obrigatória para os alunos do 1.º e 2.º anos do ensino médio diurno. Eles terão 2 aulas  de filosofia por semana. No 3.º ano desse ensino, as escolas poderão optar por 2 aulas semanais de sociologia ou de psicologia. As outras horas serão usadas para as disciplinas de ciências e humanas, uma aula a mais por semana de português, matemática, história e geografia. No 3.º ano, a escola pode optar por uma a mais de química, física ou biologia.

O currículo constava de 4 aulas semanais de português e literatura, 4 de matemática e, em média, 2 para cada uma das outras disciplinas: história, geografia, química, física, biologia e língua estrangeira. Havia ainda uma aula semanal para o 1.º e 2.º anos do ensino médio e 3 para o 3.º ano que deviam ser usadas para filosofia, sociologia ou psicologia.

O período noturno do ensino médio não sofrerá mudanças. A nova grade não será aplicada ao noturno porque, segundo a Secretaria da Educação, os alunos trabalham e não têm flexibilidade de horário. Eles têm apenas 4 aulas por dia, com carga total de 20 horas semanais. Porém, o fato de a mudança não se estender ao ensino médio noturno e ao ensino fundamental desagradou os professores, que argumentam que ambos perderam aulas em 1998. O ensino médio noturno abriga 49% dos alunos desse ensino e merece uma carga horária maior, opinam os professores, que lançam uma proposta de ampliação da matriz para o ensino fundamental e ensino  médio

noturno.

No início da implantação do novo currículo do ensino médio diurno, os professores das novas disciplinas, que deverão ter formação específica, foram chamados pela Secretaria da Educação com base no concurso público realizado em 2004. No decorrer do ano, diz o secretário, haverá a possibilidade de um novo concurso. Afirma o secretário da Educação, Gabriel Chalita, que todos os professores passarão por um processo de capacitação.

Colocada a posição antiga e atual da matriz curricular do ensino médio diurno, podemos argumentar que uma carga horária maior, uma grade curricular mais completa, enriquecida por diferentes disciplinas, só podem trazer benefícios aos alunos. Há um enriquecimento do conteúdo, uma diversidade de assuntos, que ampliam a visão do educando.

Para a sociedade que vivemos quanto mais conhecimento, quanto mais abrangência curricular melhor. Contudo, só haverá realmente um reforço de aprendizagem se as condições forem apropriadas a um melhor desenvolvimento das matérias. Infra-estrutura é importante, mas, o mais importante é o professor, em sua formação, em sua mudança de mentalidade, na renovação metodológica aplicada, no domínio do conteúdo a ser ministrado.

Se a mudança de currículo não se caracterizar por mudanças estruturais na sua aplicação prática, se não passar por uma nova dinâmica, teremos mais um remendo, mais uma colcha de retalhos. A inter e a multidisciplinaridade, quando bem aplicadas, reforçam o entendimento dos assuntos tratados, completam sobremaneira a extensão do conhecimento que abordam. A grande revolução educacional está focada na competente atuação docente, em sua renovada metodologia.

Fato semelhante ocorre com a inclusão digital proposta para as escolas, que já se organizam com propostas de inclusão. O computador é um bem essencial nos dias de hoje, está longe de ser um bem secundário. Ele é considerado tão importante para as novas gerações como a TV foi para as gerações anteriores. Acredita-se que todo entretenimento tende a convergir para o computador, além de ser um instrumento valioso para a educação, para a autonomia na aprendizagem.

Os jovens percebem a sua importância, sabem que precisam dominar o PC se não quiserem estar fora do mercado de trabalho. Mas, alunos das escolas públicas terão oportunidades de se afirmar na inclusão digital? Terão chances de dominar essa poderosa ferramenta educacional e profissional? Estar incluído significa ter familiaridade com os processos fundamentais do mundo virtual. Recebem, na escola, através de seus professores, conhecimento necessário para operar um computador e navegar, por exemplo, na web? Seus professores possuem essa habilidade a ponto de poder repassá-la? É aí que se encontra o maior entrave na inclusão digital do aluno carente, na própria capacitação virtual do professor. Falta-lhe uma montagem de estrutura de suporte à implementação de novas tecnologias de informação e comunicação.

Uma pesquisa feita pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas Educacionais (Inep), do Ministério da Educação, a pais de alunos, sobre a qualidade das escolas públicas, revelou uma avaliação positiva por parte deles. São pais em que a maioria não tem nem o ensino fundamental, com dificuldade em fazer uma ajustada avaliação. Contudo, externaram a opinião de que as escolas particulares, de um modo geral, são melhores. Consideraram que as escolas públicas estão muito fáceis e que não ensinam computação.

A consciência da boa formação profissional, seu aprimoramento, sua atualização, são assuntos que deveriam permear a preocupação de toda escola, especialmente das mais necessitadas.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2005)

ESCLAREÇA-SE SOBRE UMA NOVA MODALIDADE DE CURSOS SUPERIORES, OS CURSOS SEQÜENCIAIS

Izabel Sadalla Grispino *

Uma nova modalidade de ensino superior foi introduzida na legislação da educação brasileira pela nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). São os cursos seqüenciais, que oferecem uma formação mais rápida e específica que a da graduação. São inovações que atendem a demanda por cursos de menor duração pós-ensino médio. Não há neles um delineamento específico e são criados com dupla finalidade: favorecer a diversificação, indispensável ao ensino superior e atender ao mercado de trabalho. São cursos alternativos ou complementares aos cursos de graduação e foram idealizados pelo educador Paulo Freire na elaboração da LDB.

Os cursos seqüenciais foram regulamentados em janeiro de 1999 e vêm-se tornando uma alternativa aos vestibulandos. Por se tratarem de cursos recentemente criados e, ainda, pouco divulgados, são, praticamente desconhecidos por parte da população.

Pela legislação, as universidades têm autonomia para criar ou fechar os cursos, dependendo das novidades tecnológicas. Para funcionar precisam de autorização do Ministério da Educação e deverão passar por avaliações periódicas. Devem ser oferecidos por instituições de ensino superior credenciadas, que possuam cursos de graduação reconhecidos e ter denominações diferentes dos cursos regulares de graduação. Devem abranger os campos do saber circunscritos às áreas do conhecimento dos cursos de graduação reconhecidos e oferecidos nos mesmos locais dos cursos de graduação.

Os cursos seqüenciais caracterizam-se como de nível superior, mas não se identificam com os cursos de graduação Não são cursos abreviadores da graduação, mas uma alternativa de formação superior para quem quer ingressar mais rapidamente no mercado de trabalho. Eles têm duração menor que os de graduação e estrutura diferente. Intitulam-se como de nível superior, mas não se identificam com os cursos de graduação.

Os cursos superiores seqüenciais podem ter destinação coletiva e individual. No caso da destinação individual, o curso será organizado pelo próprio aluno, que escolherá, com aval da instituição, disciplinas entre as oferecidas em cursos de graduação regulares e reconhecidos. Estes cursos podem ser de dois tipos: Cursos Superiores de Formação Específica, com destinação coletiva, carga horária mínima de 1.600 horas (dois anos), com direito a diploma; Cursos Superiores Seqüenciais de Complementação de Estudos, com destinação coletiva ou individual, com duração de até dois anos, com direito a certificado.

Os Cursos de Formação Específica são destinados a concluintes do ensino médio e superior e os de Complementação de Estudos são destinados, exclusivamente, a egressos ou matriculados em cursos de graduação.

Alguns cursos regulares de graduação permitem ao aluno freqüentar cursos seqüenciais nas próprias instituições. O estudante poderá, com vantagem, pedir mais tarde a equivalência da disciplina e concluir o curso superior tradicional em menos tempo. Por serem cursos de menor duração, têm, contudo, a desvantagem da carga horária mínima e, por isso, fornecer a formação prática da área com pouca teoria.

Os diplomas ou certificados atestarão  conhecimento acadêmico em determinado campo do saber, onde estarão relacionados os nomes das disciplinas, as cargas horárias e as datas em que foram cursados.

As faculdades estão oferecendo, em cursos superiores seqüenciais, carreiras bastante novas, como hotelaria, gastronomia, administração de empreendimentos desportivos, desenvolvimento e gestão de ambientes da Internet, administração de comércio eletrônico, ciências atuariais, tecnologia em açúcar e álcool etc. A tônica dos cursos é estar em sintonia com as novidades e oferecer qualificações específicas para o indivíduo exercer esses novos postos de trabalho.

Os cursos seqüenciais não são montados em torno das tradicionais áreas do conhecimento – ciências, matemática, ciências humanas, geociências – mas concebidos por campos, que podem incluir desde assuntos específicos das áreas técnico-profissionais até a articulação de elementos de mais de uma delas, desde que haja coerência e lógica.

Na sua concepção, esses cursos, flexíveis e abertos, conforme estabelece o Parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE), atenderão os mais diversos segmentos sociais. São uma versão mais livre do ensino superior, na qual o aluno define seus interesses com base no que a instituição lhe oferece. É uma boa opção para quem, ao terminar o ensino médio, busca ampliar ou atualizar seu conhecimento, em variado grau de extensão ou profundidade, freqüentando o ensino superior, sem, necessariamente, ingressar num curso de graduação. Traz vantagem, também, para as instituições que registram altas taxas de evasão nos cursos de graduação.


*Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2001)

A ESCOLA E SEU NOVO SEMBLANTE

Izabel Sadalla Grispino *

Em dezembro de 1998, fui paraninfa do grupo de formandos de um curso normal. Proferi, na ocasião, uma “Oração ao Magistério”, poema de minha autoria, onde, ao lado da conceituação que formulo de magistério, do sentimentalismo, do lirismo que essa função me evoca, coloco os principais passos da metodologia da escola de hoje, aspectos que me levaram a publicá-la. Essa oração servirá, sem dúvida, de reflexão aos professores e de ajuda ao seu trabalho diário, em sala de aula.

O curso normal, nos moldes atuais, caminha para a extinção; passa por reformulações. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) prevê a criação de Institutos Superiores de Educação, um modelo alternativo de formação de professores da educação básica. Essa criação não significa o fim de outros mecanismos de formação. A Pedagogia, que tem uma habilitação em magistério, continua existindo. O que se quer é uma nova opção.

De acordo com a LDB, os Institutos manterão cursos formadores de profissionais para a educação básica, inclusive o Curso Normal Superior, destinado a formar professores para atuar na educação infantil e nas  primeiras séries do ensino fundamental (1.ª à 4.ª série) e dar uma formação inicial para os profissionais que quiserem ingressar nos cursos de nível superior para docentes. Destina-se, também, para habilitar professores para atuar em educação indígena e educação especial.

O curso pode ser concluído em três anos, desde que seja ministrado em período integral, com disciplinas organizadas em núcleos relacionados entre si. As atividades práticas (os atuais estágios) deverão ser realizadas durante o curso, ao invés de se concentrarem no final da formação, como ocorre atualmente.

É uma nova esperança que surge na melhoria da formação docente.

ORAÇÃO AO FORMANDO DO MAGISTÉRIO


Há, entre nós, no plano sideral,                                  Ensinar construir e usar conceitos

Encontro de ideal educacional,                                  Permitem transferências de efeitos,
Uma vocação de beleza eterna                                 Sempre ligar informações formais
Uniu-nos em uma missão fraterna.                          Aos problemas diuturnos sociais.

Magistério é profissão de fé,                                      Relevância social abordada
Menino-Deus em mãos de São José,                       Faz matéria escolar consagrada,
Na fase do plantio da aprendizagem,                       Integra realidade local
Adote seu aluno com coragem.                                À cultura, em evolução, mundial.

Educação, mais que conhecimento,                        Na avaliação, conceda anuências
É exercício de alma, de sentimento,                       Às habilidades e às competências,
Este nobre ideal vem do coração,                           A ênfase não está na memória,
E a todos, igualmente, verte a mão.                        Mas, no valor da mente operatória.

Uma escola formadora renasce,                            Use da metodologia ativa,
Em seus temas transversais refloresce,             Fazendo uma aprendizagem cativa,
Propõe pluralidade cultural,                                     Conteúdo significativo
Sem mito de democracia racial.                             Promove ensinamento construtivo.

A vida do aluno é inspiração,                                   Acautele-se, humanize-se,
Seu cotidiano, assunto em ação,                            Das relações humanas aproprie-se,
Suas crenças, seus valores respeitados,            É mais difícil o relacionar
Tornam seus anseios valorizados.                        Que o conhecimento administrar.

O conteúdo contextualizado                                    Seja humilde no ato de educar,
À realidade fica vinculado;                                       Compreensível na hora de ensinar,
Enseja a interdisciplinaridade,                                Veja o rico e o pobre como um igual,
Sem a perda da singularidade.                               Ao necessitado dê seu aval.

Novo entendimento metodológico                         Que seu ensino passe pelo amor,
Revolveu todo trato pedagógico,                            Que encoraje o aluno com fervor,
Nossa escola, de função transmissora,              Que o leve a aprender a aprender,
Tornou-se instituição construtora.                        E com sutil harmonia conviver.

Flexibilizar, não padronizar;                                     Na nobre profissão se policie,
No atual ensino, individualizar,                                A fronte do aluno acaricie,
Entre permanecer reprodutora                              Deixe vaidades que possam chocar,
Fixou-se em escola emancipadora.                      Com a sublime missão de ensinar.

O mestre é bela estrela luminosa,
Que, por terra e por mar, traça bondosa
A luz do saber, levando confiança
Em um futuro de paz, de esperança!

 

* Supervisora de ensino aposentada        
(Publicado em agosto/2000)

O ENSINO TÉCNICO E SUAS OPORTUNIDADES EDUCACIONAIS

Izabel Sadalla Grispino *

A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) n.º 9.394/96 separa o ensino técnico do ensino médio, até, então, funcionando de modo único, integrado. A Lei separa a parte acadêmica da parte profissional. O ensino técnico e o ensino médio passam a ser duas realidades distintas, pertencentes, contudo, a um mesmo sistema. Uma realidade é o ensino médio tradicional, que prepara para a universidade, e a outra, a educação profissionalizante, que prepara técnicos de nível pós-secundário, objetivando a formação de mão-de-obra especializada, requerida pelo mercado.

O aluno para receber o diploma de técnico terá de freqüentar as duas realidades: o ensino médio e a educação profissionalizante. Faz-se o curso normal do ensino médio e, se quiser ser técnico, complementa-o na área técnica. As matérias técnicas poderão ser lecionadas simultaneamente ao curso regular do ensino médio ou de forma complementar, depois de o aluno tê-lo terminado.

O técnico é um ensino paralelo, não interfere no ensino médio. O programa de habilitação técnica, segundo orientação, será dividido em módulos, cuja definição dependerá das necessidades do setor produtivo, e terá duração variável. Ao final de cada módulo, o aluno receberá um certificado, mas não será técnico. A formação de técnico estará condicionada à conclusão do conjunto de módulos referentes à habilitação escolhida. Só poderá candidatar-se quem estiver cursando o ensino médio ou já tiver concluído o curso. Esse programa modularizado poderá ser feito ininterruptamente ou ser interrompido e prosseguido depois – pode ir e vir. Serão módulos complementares que não precisarão ser feitos na própria escola do aluno, desde que a referida escola reconheça oficialmente a situação.

A nova Lei de Diretrizes e Bases prevê a flexibilização na organização de cursos e carreiras. Por isso, é possível substituir a atual estrutura curricular, baseada em disciplinas e em cargas horárias fixas, por outro modo de organização, como, por exemplo, o sistema de módulos.

As escolas técnicas públicas, particulares, Senai e Senac terão dois tipos de diplomas: o básico, que pede qualquer tipo de escolaridade anterior, e o técnico, para os que cursaram o ensino médio.

As dificuldades socioeconômicas da atualidade empurram uma faixa etária mais jovem para o trabalho e levantam o problema da profissionalização. Em 1971, quando foi promulgada a antiga Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Lei n.º 5.692/71, era possível discutir o conceito de “terminalidade” em relação ao exercício profissional. Por essa lei, o aluno, ao cursar o 2º grau, podia, de forma integrada, receber uma formação acadêmica – preparando-se para a universidade – e receber uma educação profissionalizante, obtendo o diploma de técnico. Constatou-se, posteriormente, que nessas condições, a preparação para o trabalho era um engano e uma lei posterior, de n.º 7.044/82, libertou o 2º grau da obrigatoriedade da profissionalização, mas não se definiu sobre o 2º grau como um todo.

Cerca de 100 mil dos 5 milhões de alunos do ensino médio, no Brasil, estão em escolas técnicas federais. Há uma centena delas em todo o País. Dois terços estão voltados para a formação de mão-de-obra especializada para a indústria e um terço para a agropecuária.

A parte acadêmica não ficará de fora da formação do técnico. O que se quer é um técnico com formação da área humana, considerando-se, para tanto, a parte acadêmica como importante na sua formação.

Na reformulação dos currículos dos cursos de graduação das universidades, o Conselho Nacional de Educação (CNE) recomenda uma formação geral sólida, para que o futuro profissional possa superar os desafios de renovadas condições de exercício profissional. Recomenda, ainda, nesse processo de mudança, a criação de currículos menos rígidos, afinados à características regionais, possibilitando formar  um  profissional  mais adequado ao mercado de trabalho regional. A partir do regional, o profissional acompanhando a evolução do conhecimento, alargando seu   campo de atividade, poderá atingir outras regiões, dentro e fora do País. Essa evolução do conhecimento far-se-á mediante uma aprendizagem contínua. O técnico, como qualquer outro profissional, tem que estudar permanentemente. O diploma não significa fim de jornada instrucional.

Vejamos o conceito que o jornal de RH da “Associação Paulista de Administração de Recursos Humanos” dá à aprendizagem contínua: “Muito se tem falado em aprendizagem contínua, mas nem todos sabem o que isso realmente significa e representa para a empresa e para a carreira de um profissional. Aprendizagem contínua é a necessidade que os profissionais têm de estar cada vez mais atualizados e informados, principalmente em um cenário no qual as empresas multinacionais procuram pessoas altamente preparadas e capacitadas”.

O jornal reforça a conceituação, através de pronunciamentos de competentes profissionais. O diretor de RH para a “América Latina da Novartis”, Mauro Ribeiro, diz: “Em um mundo de tantas mudanças é necessário manter-se atualizado constantemente. Atualmente é muito difícil alcançar o nível ideal de conhecimento e habilidade, por isso é extremamente necessário estar sempre buscando”.

A analista de RH da SKF do Brasil, Fabiana Ribeiro, completa: “O profissional, hoje, precisa saber de tudo. Temos que ter experiência de todo o universo da empresa. É preciso participar de todas as áreas e atividades. Precisamos estar à frente e por isso é preciso se informar, buscando sempre o que há de novo no mercado”.

O diretor comercial da “Integral Consultoria & Treinamento”, Fernando de Carvalho Cardoso, conclui: “O aprender contínuo é estar sempre bem informado, prestando atenção à mídia, sabendo o que está acontecendo a sua volta, principalmente, na sua área de atuação... Estudamos a vida inteira para entrarmos no mercado de trabalho, Mas, agora é preciso aprender de verdade para nos mantermos nesse mercado”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2000)

A EDUCAÇÃO DO RICO VERSUS A EDUCAÇÃO DO POBRE

Izabel  Sadalla  Grispino *

A realidade educacional no Brasil é tema inquietante, a ser refletido por toda a sociedade brasileira. Realidade de duas faces: a boa educação para os ricos e a má educação para os pobres. Há décadas, Demerval Saviani, em seus livros, já denunciava a equivocada escola assistencialista, merendeira. São freqüentes e periódicas as citações de especialistas da educação sobre o decadente ensino das classes menos favorecidas.

O objetivo de toda escola deve ser o de tornar o aluno competente. A escola deve lutar, buscar os meios para realizar este objetivo, para dar aos alunos as ferramentas mentais de ação, a fim de que possam enfrentar o mercado de trabalho, hoje tão exigente. Nunca o livro didático foi tão necessário ao professor. A escolha de um bom livro poderá amenizar a situação do ensino público. Um livro que traga ao professor  instruções detalhadas, que propicie experiências abertas, exercícios práticos, onde se possa praticar o construtivismo. A criança precisa freqüentar a boa escola, desde os primeiros anos de alfabetização, porque a aprendizagem é um processo em que uma etapa influi e explica a outra. A construção do conhecimento exige tempo, é preparação sistemática, gradual, encadeada, ligando os diferentes graus de ensino. Não é um simples “depósito bancário”, usando a expressão do educador Paulo Freire. Não adianta avançar etapas, se a aprendizagem não se concretizou. Hoje, temos bem clara a noção de que o importante não é a quantidade do que se ensina ao aluno, mas a qualidade do que ele aprende.

O desinteresse oficial por uma escola pública de qualidade se constitui em mecanismo de reprodução das desigualdades. Concursos de ingresso ao magistério público há, em que Secretarias de Estado observam com rigor a porcentagem de acertos e erros, aprovando os realmente capazes – como o recente concurso, realizado no Rio Grande do Sul, onde 70% dos candidatos foram reprovados, ou o concurso de ingresso na Bahia, em 97/98, que reprovou cerca de 90% dos candidatos. Secretarias há em que, desconsiderando a má formação, rebaixam o nível de conhecimento, aceitam uma porcentagem de acertos inferior ou bem inferior ao que seria a média das questões, facilitando o acesso  para abarcar o maior número de candidatos, mas não garantem, depois, a qualificação necessária ao padrão requerido pela época. Nessa acomodação política, o aluno pobre é o maior prejudicado, pois que tem aula com professores mal preparados, cuja efetividade não foi fruto de competência. O ensino fica, assim, nivelado por baixo.

Em recente publicação do texto: “Duas experiências de ensino estruturado”, Cláudio de Moura Castro, assessor da Divisão de Programas Sociais do Banco Interamericano do Desenvolvimento, faz uma análise sociológica, cultural do Brasil, das últimas décadas e compara-o aos Estados Unidos. Ambos, diz ele, encontram dificuldades em “criar escolas capazes de oferecer um ensino de boa qualidade aos mais pobres e mais vulneráveis... têm escolas péssimas servindo a essa população”. Ambos têm grande desigualdade na distribuição de renda. Sendo que nos Estados Unidos “a maioria esmagadora é imensamente rica, embora tenha muitos bolsões de pobreza, sobretudo, nos centros urbanos”. No Brasil, ao contrário, temos “uma minoria muito rica e uma grande camada de pobreza, incompatível com nossa renda per capita”. O contraste entre Brasil e Estados Unidos está na grande diferença entre população rica e pobre. Se aqui poucos têm boa escola, lá a grande maioria a tem.

Cada povo tem  a educação que o espelha e a nossa pouco nos engrandece.

O magistério é  vocação sublime,  abre caminhos de esperança, de sonhos, de realizações. O professor é pedra angular, a fundamental na construção do ser humano. Batalhar a educação é batalhar a vida no seu grau supremo da promoção humana e social. Ela é essência, ultrapassa a dimensão circundante do Homem, alcança a dimensão cósmica, quando então, entra em comunhão com a obra do Criador e se torna a grande responsável pelo desenvolvimento sustentável do planeta, pela continuidade de nossa mãe-Terra, em sua missão de gerar novas vidas. “O que acontece à terra, acontece aos filhos da terra” – Seattle, chefe das tribos indígenas Duwarnish – Canadá.

Vimos, em seqüência, espalhando sementinhas, que a seu tempo – esperamos – se revertam no nascimento de árvores frondosas. Outras sementes, juntando-se a estas, romper-se-ão em outras árvores, que, no seu conjunto, formarão o cerne, a frente robustecida de combate, com núcleos de influência, semeando permanentemente. Se cada um fizer a sua parte, o grande encontro virá e coroado da salvadora redenção. Completo essas considerações com meus versos “O sono da combalida educação”.

O SONO DA COMBALIDA EDUCAÇÃO

A educação dorme no leito do atraso,
Sono do descaso, da assistência falida,
Da oscilante ideologia do acaso,
Brotando uma atuação didática abolida.

Quantos caminhos perdidos em sua dormência!
Enquanto dorme, o mau ensino perdura,
A criança se embrenha na estrada da falência,
Os pais choram a perda da visão futura!

Educação é luz, terra em maternidade,
Gera o alimento para o corpo e para a alma,
Sacia o sonho, a desigualdade acalma.

Desperte “Consciência”, alce a vontade política,
Faça da sociedade uma análise crítica,
Distribua o saber em social eqüidade.!

 

FUNDEF REAJUSTADO EM 20,5%

Izabel Sadalla Grispino *

A decadência do ensino das escolas oficiais é registrada a cada passo das avaliações efetuadas, quer do Vestibular, do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), do Sistema Nacional de Avaliação Básica (Saeb) e de outras modalidades.

No Vestibular, a freqüência à escola privada torna-se pré-requisito para o seu sucesso. No Enem do ano passado foi feito um estudo comparativo das notas obtidas por alunos da escola pública e alunos da rede privada. Estes tiveram significativa vantagem sobre aqueles. Os resultados do último Saeb, realizado em 2001, revelaram que a grande maioria dos alunos, que termina a 3.ª série do ensino médio, sai sem saber matemática e língua portuguesa. Na edição do Saeb de 2003 (resultado ainda não divulgado), a avaliação coletou dados sobre a exaustão emocional e o baixo comprometimento dos professores da educação básica, com seu trabalho, problema batizado por Síndrome da Desistência Simbólica do Educador. O que se quer saber é a influência dessa síndrome no desempenho dos alunos.

Essa introdução é para situar uma questão que chamou a atenção de educadores – fui solicitada a me pronunciar a respeito – sobre uma nota do Informativo MEC – julho – n.º 1 – do reajuste de 20,5% efetuado pelo Fundef. Diz a nota: “Com um reajuste de 20,5% dos valores do Fundo Nacional de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), em janeiro de 2004, o Governo Federal cumpriu, pelo segundo ano consecutivo, o compromisso de elevar as verbas da educação. Essa decisão é um diferencial em relação ao que aconteceu até o final de 2002, quando os recursos do fundo eram reajustados apenas para cobrir a inflação do período. O reajuste obrigou estados e municípios a investir, no mínimo, R$ 537,71 por aluno matriculado em suas redes da 1.ª a 4.ª série e R$ 564,60 para os alunos da 5.ª a 8.ª série. A previsão do Governo Federal é de que o Fundef movimente, em 2004, cerca de R$ 28,2 bilhões, contra R$ 25,2 bilhões em 2003”.

“O Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (Fundef), denominado Fundão, é um fundo de natureza contábil, instituído em cada Estado e no Distrito Federal, através do qual passarão a ser distribuídos os recursos para o ensino fundamental. É constituído de 15% das receitas do ICMS, dos Fundos de Participação dos Estados e dos Municípios e do IPI-Exportação. O dinheiro irá para o fundo estadual e será distribuído em cada Estado e para seus municípios proporcionalmente ao número de alunos matriculados na rede de ensino fundamental... O governo federal vai participar apenas nas localidades onde a união de recursos estaduais e municipais não for suficiente para garantir a aplicação mínima por aluno estabelecida anualmente. Neste caso, o governo federal complementará o fundo para que seja atingido o investimento mínimo”. (do meu livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola), págs. 106 e 107).

Quando se fala em baixo nível de ensino, a questão da verba se ressalta. Esse percentual de valor monetário irá proporcionar um relaxamento maior das escolas. Se não houver desvios, se vier acompanhado de eficiência administrativa, há relativa esperança no fortalecimento da infra-estrutura, da segurança, das melhorias de condições de trabalho docente. Contudo, são “n” os fatores impedidores de uma educação de qualidade. Muitas escolas particulares, de um bom padrão, não lidam, também, com cifras vantajosas. É preciso haver, entre outros fatores, capacidade administrativa, organizacional, compromisso que se assume com a escola, com o ensino, com a comunidade. Um ponto crucial é a formação do professor e, conforme relatamos acima, pesquisa mostra que o professor da rede pública se encontra em “exaustão emocional”. Essa exaustão leva ao desânimo, à baixa auto-estima, ao desestímulo ao aperfeiçoamento profissional, ao desapego à instituição escolar. Cansaço resultante de classes superlotadas, da violência que vem se infiltrando nas escolas, com pouca ou nenhuma segurança e o professor lutando com suas próprias armas para se defender. A isso acrescem-se os baixos salários, arrastando o docente a trabalhar em 3 períodos, em 2 ou mais escolas. Distante está a chamada dedicação exclusiva.

Cuida-se da árvore para se cuidar dos frutos. A Síndrome da Desistência Simbólica afeta o humor, a predisposição do educador, que, por sua vez, reflete na predisposição do educando. Educador e educando naufragando no mesmo barco. Essa lastimável constatação não é senão resultado de anos e anos de descuido ao magistério oficial, de problemas que foram se acumulando, formando, no conjunto, uma difícil reversibilidade.

Num paralelo entre escola particular e oficial, as condições de ensino, nas particulares, são visivelmente superiores: infra-estrutura, professores capacitados, utilizando centros de informática, laboratórios, computadores, internet, colocando o aluno na modernidade. São escolas que oferecem atividades extracurriculares e, sobretudo, têm uma clientela de nível socioeconômico mais elevado. Estudo feito no último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) confirma o que, de há muito, já sabíamos: o nível socioeconômico das famílias, o acesso a bem culturais, a escolaridade dos pais, interferem diretamente na aprendizagem, têm forte influência no desempenho escolar.

A escola particular tem a seu favor a garra, a vontade de crescer, detém a vanguarda do conhecimento, recicla seus profissionais, exige atualização, métodos de ensino renovados, que, ao invés de transmitir conhecimento, cria possibilidades para a sua produção, sua construção, métodos ajustados ao momento da época. São escolas que superam as falhas do sistema público e que, com determinação, enfrentando a concorrência, conseguem manter-se num bom padrão de ensino, atrair e motivar o aluno, garantindo a evolução social.

*  Supervisora de ensino aposentada.   
(Publicado em setembro/2004)

A REALIDADE EDUCACIONAL NO BRASIL

Izabel Sadalla Grispino *

O grande entrave à educação no Brasil está, sem dúvida, no baixo nível socioeconômico da população, reproduzindo o círculo de pobreza, marginalização e exclusão social. Ressalta-se, também, a precária formação do professor, com sua adoção de métodos ineficazes de aprendizagem. Métodos deficientes e deficitários, incapazes de penetrar num mundo estudantil desmotivado, desconjunturado e extrair dele potencialidades afloradas. Comprovadamente, a má formação docente contribui para a decadência do ensino e essa má formação vem sendo registrada pelas mais variadas situações. Citaremos experiências dos anos 97/98.

A MÁ FORMAÇÃO DOCENTE DO ENSINO BÁSICO – Um concurso público, promovido pela Secretaria da Educação da Bahia, para preenchimento de 7.300 vagas de professores, reprovou mais de 90% dos candidatos. Dos 62.730 inscritos, apenas 3.291 conseguiram atingir a nota mínima – de 4,7 a 5,0, dependendo da disciplina. O presidente da Associação dos Professores Licenciados da Bahia (APLB), Ruy Oliveira, informou que “a grande maioria dos candidatos é da rede pública baiana, em cursos do magistério.

Sobre a formação de professores, em termos de licenciatura, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), do MEC, revela que, entre 1,5 milhão de professores do ensino fundamental, 124.642 são considerados leigos, ou seja, não têm o 1º grau ou o 2º grau completos. Um total de 63,7 mil professores, sem o 1º grau completo, lecionam para alunos do ensino fundamental. Há, ainda, 71 professores que, embora não tendo o 1º grau completo, lecionam para alunos do ensino médio. Outros 997 docentes do ensino médio não possuem o 2º grau completo.

A legislação determina que o professor tenha o ensino médio completo para dar aulas no ensino fundamental em seu 1º ciclo – 1ª à 4ª série. Para ministrar aulas no 2º ciclo do ensino fundamental – 5ª à 8ª série – e no ensino médio deve ter o curso superior e a licenciatura. A tendência é de se estender, para todos os níveis,  o curso superior.

A presidente do Inep, Maria Helena de Castro, comenta que “a falta de formação dos professores é um dos sérios problemas do ensino, principalmente nas áreas rurais e nas regiões Norte e Nordeste”. Essa deficiência maior só aumenta a distância entre a diferença de aprendizagem das diversas regiões do País. Constatou-se, por exemplo, pela avaliação, que um aluno de 4ª série em Brasília sabe tanto quanto um aluno  da  8ª  série  no Nordeste.

Várias pesquisas, realizadas paralelamente às do MEC, denunciaram essa falta de formação do professor. No Estado de São Paulo, considerado um dos mais avançados da União, a atuação docente fica, também, a desejar. No município de São Paulo, uma pesquisa realizada, pela “Fundação-Instituto de Administração” (FIA), da Universidade de São Paulo (USP), com professores de 1ª a 8ª séries, demonstrou um pluralismo nas escolas municipais, apesar de a Secretaria Municipal da Educação ter adotado o construtivismo como método de ensino. Os professores alegaram sentir-se despreparados para aplicar o ensino-aprendizagem construtivista.

Estudos realizados pelo Instituto de Química da USP, ao analisar laboratórios de 3.740 escolas estaduais, concluíram pela inutilidade de sua existência, constatando ser ilusório incentivar aulas de laboratório na grande maioria das escolas estaduais. Com raríssimas exceções, as salas não têm condições físicas para acolher os alunos e, o mais importante, faltam professores especializados para organizar os laboratórios.

A professora Reiko Isuyama, que coordenou a avaliação, afirmou que há casos de extrema periculosidade: “Foram encontrados ácidos concentrados, solventes cancerígenos e frascos de sódio metálico, substância que pode explodir em contato com a água e atingir, por exemplo, um funcionário durante a limpeza da sala”. O relatório revela que do jeito que está é melhor fechar os laboratórios, “é inútil fornecer reagentes e vidrarias se os professores não sabem utilizá-los”.

Para que os laboratórios possam funcionar com qualidade é preciso capacitar os professores do ensino médio. Quando se fala em falência do ensino, uma das causas apontadas é a falta de infra-estrutura das escolas. Percebe-se o corolário que se forma: como usar a infra-estrutura se as escolas estão desfalcadas de profissionais capacitados?

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro de 2007)

DIFICULDADE DE APRENDER

Izabel Sadalla Grispino *

Como encarar a dificuldade de aprender do aluno? Restringe-se à sala de aula, à incompatibilidade com o professor ou com o curso?

As dificuldades do aluno podem estar fora da sala de aula. A prática pedagógica chama a atenção para dois fatores: falta de prontidão e imaturidade.

Na falta de prontidão, o rendimento é prejudicado pelo fato de o aluno não ter o conteúdo necessário para acompanhar as aulas. É problema de formação deficiente que ele traz dos anos anteriores. O estudante pode até ser esforçado, prestar atenção às aulas, ser disciplinado, fazer as atividades, mas não alcança a aprendizagem no nível desejado. A falta de prontidão manifesta-se, também, pela dificuldade de concentração. Os psicólogos passam a seguinte imagem: “O aluno parece uma parabólica, capta tudo que aparece, se liga em tudo ao mesmo tempo, mas não consegue organizar o raciocínio”.

Outro fator, a imaturidade, leva, freqüentemente, à repetência, pela dificuldade de aprender. A imaturidade manifesta-se em três situações. A primeira pelo que chamamos de complexo de onipotência, assim descrito pela psicologia: “O aluno acha que nada de ruim acontece a ele, se acha o bom, julga-se capaz de fazer tudo ao mesmo tempo e vai adiando a recuperação das perdas. Acha que na hora “h” estala o dedo e consegue tudo”.

A outra situação de imaturidade é a desmotivação, que pode ter o mesmo efeito da anteriormente citada. Em geral, vem de uma família que sempre faz as coisas por ele, mima-o demais, dá tudo de “mão beijada”. A criança acaba acomodando-se, habituando-se a transferir responsabilidades. Conclui que nas situações adversas a mãe vai à escola, conversa e resolve o problema.

Um terceiro fator é a agressividade. O aluno assim descrito, quando contrariado, torna-se agressivo. Age com rebeldia, fica alterado, não consegue enfrentar uma situação problemática.

A criança quando conduzida com equilíbrio e ponderação, quando colocada devidamente no nível de seu alcance educacional, vai criando percepção, reagindo com mais maturidade. Nos casos de baixo rendimento do aluno, a conversa com os pais é importante. É importante haver um bom entrosamento entre pais e mestres para que as causas sejam evidenciadas e tratadas conjuntamente. O que se percebe é que muitos pais reagem desfavoravelmente à explicação da escola. Contestam e pedem reconsideração. Quando a reprovação é inevitável, a opção, geralmente, é por mudar o filho de escola.

Quanto a mudar de escola, há posições diferentes: uns consideram que mudar de escola não é o caminho adequado; outros, como o Colégio Bandeirantes, de São Paulo, acham a mudança um procedimento salutar. O aluno entrará em contato com outra filosofia de ensino e voltará, depois, se quiser. No Bandeirantes, o aluno que ficar em mais de três disciplinas não pode se matricular novamente.

No caso da alfabetização, métodos inadequados podem gerar dificuldades na aprendizagem. Escolas mais avançadas, que ensinam outros idiomas, além do materno, mostram que a impropriedade metodológica pode criar confusão na criança.

Parece haver consenso de que a alfabetização não deve ser bilíngüe. Se a fala em outro idioma deve ser estimulada desde o nascimento, o mesmo não ocorre com a escrita. Especialistas concordam que a alfabetização deve ser feita em uma língua primeiro e só mais tarde em outra.

A Escola Graduada de São Paulo (americana) segue esta orientação. As crianças fixam bem um idioma antes de investir no outro, evitando confundi-las. Nessa escola, a alfabetização ocorre em inglês e, só no 2.º ano, que corresponde ao 1.º no currículo brasileiro, o português é ensinado. O que se verifica é que as crianças aprendem os dois idiomas tranqüilamente.

Para a fala, quanto antes o aprendizado começar melhor. Evita crescer com sotaques. Deve-se incentivar a conversação em língua estrangeira, porém, na escrita, iniciar com só um idioma. Há escolas que, quando a criança está próxima de iniciar a educação formal, conversam com os pais para saber onde os filhos vão continuar os estudos. Se for numa escola em português, a pré-alfabetização será feita em português.

Há casos de crianças que só ouvem, por exemplo, espanhol em casa com os pais, falam português com amigos e inglês na escola. Os professores comprovam que essas crianças passam de uma língua para a outra naturalmente porque a aprendizagem começou antes que os sons da língua materna estivessem arraigados, o que ocorre com os adultos.

Na dificuldade de aprender não se pode generalizar; é preciso que se busquem as causas: desencontro profissional? Problemas de relacionamento? Falta de prontidão da criança? De concentração? Imaturidade? Em relação ao professor, falta de formação? Métodos inadequados de ensino? Outras?

* Supervisora de ensino aposentada.          
(Publicado em março/2003)

A DIFÍCIL ARTE DE EDUCAR

Izabel Sadalla Grispino *

No meu artigo “A outra face da educação” abordei a crescente onda que se forma de crianças e jovens malcriados, em desencontro à boa educação. O grande mal-estar gerado leva os próprios jovens a solicitar o ensino da ética, da moral, nas escolas de ensino médio, segundo uma pesquisa realizada pela U.F.P.A.

DIFERENÇAS NO SISTEMA DE COTAS RACIAIS

Izabel Sadalla Grispino *

Parece estar surgindo um novo raiar quanto à consciência da questão de cotas raciais. Começa-se a entender a interferência negativa que elas provocariam na qualidade do ensino, atrapalhando o processo da igualdade social. “A educação é o grande fator de desigualdade na sociedade brasileira”. (Simon Schwartzman)

Tem, sim, que haver políticas afirmativas em direção às minorias, aos pobres, aos negros, aos índios. Mas, políticas que vão de encontro à qualificação profissional e não a um remendo instrucional. As cotas têm, sem dúvida, chamado a atenção sobre as camadas mais carentes da população, sobre a necessidade de estas camadas  ascenderem-se socialmente.

Elas não são, porém, caminho revitalizador. Dissemos, no artigo anterior, do reforço educacional que se deve dar à educação básica do aluno pobre, capacitá-lo para o exercício da função escolhida, do fator mérito que se impõe para o ingresso ao ensino superior. Boa escola é o que está faltando aos pobres.

As convicções a respeito das cotas não se firmam. As universidades divergem quanto à sua aplicação. Não há uma regularidade no sistema de cotas. Cada instituição dá a sua versão. No fundo, falta credibilidade ao processo.

A Universidade de Brasília (UnB) foi a primeira universidade federal do País a adotar  o  sistema  de  cotas raciais, antes mesmo de o Ministério da Educação (MEC) definir como seria sua aplicação. Desse modo, terminou por adotar critérios diferentes do que pretende o MEC. Um desses critérios é não levar em conta a renda do candidato ou o fato de ter ele estudado ou não em escolas públicas. Entendeu a Universidade de Brasília (UnB) que os negros estão principalmente entre a camada mais pobre da população. Por essa razão, as cotas raciais automaticamente beneficiam quem mais precisa. Outro item, estabelecido pela UnB, é de que o seu sistema não é para afrodescendentes, mas para brasileiros que tenham o genótipo dos negros, isto é, aparentem fisicamente ser negros.

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) elaborou o Programa de Ação Afirmativa para Inclusão Social. Pelo Programa, os candidatos que cursaram o ensino médio em escola pública terão um bônus de 30 pontos no vestibular da Unicamp. Eles serão somados à média da prova da 2.ª fase. O propósito é aumentar, em pelo menos 27%, o ingresso dos estudantes da rede pública nos cursos de graduação. Negros, pardos e indígenas autodeclarados ganharão mais 10 pontos, somando 40.

O reitor da Universidade diz que “não é cota, trata-se de uma ação afirmativa para incentivar e facilitar que estudantes de escolas públicas entrem na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)”. Estima-se que o número de aprovados vindos de escolas públicas aumente dos 30,3% registrados no corrente ano para 38% em 2005. O projeto prevê, também, que seja ampliado o número de bolsas para estudantes carentes.

O governo federal, contudo, insiste na adoção de cotas raciais para negros e índios. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai enviar ao Congresso projeto de lei para garantir a reserva de metade das vagas das universidades federais a alunos que concluíram o ensino médio em escolas públicas.

Os reitores das universidades mostram-se cautelosos. O reitor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ulysses Fagundes Neto, considerou que 50% de reservas de vagas na universidade constituem uma tragédia. A instituição tem cerca de 300 vagas a cada vestibular e já aprovou projeto de cotas para negros e estudantes de escolas públicas, mas com percentual de 10%.

São poucas as universidades públicas no País que adotam o sistema. Estatísticas falam que em 2003 só três estabelecimentos tinham uma política de cotas. Este ano, surgiram mais dois. O Ministério da Educação revela que, atualmente, 41,8% dos estudantes que se formam em universidades federais cursaram o ensino médio em escola pública. Nesse percentual, entretanto, existem grandes diferenças regionais. Nos Estados do Norte e Nordeste, onde há poucas universidades privadas, esta taxa passa dos 50%, enquanto que na Universidade de Brasília (UnB) apenas 30%, dos 25 mil alunos, vieram de escolas públicas. Há ainda a registrar que a concentração de estudantes carentes está em cursos de licenciatura; estudantes que vêm de escolas particulares conseguem vencer as concorridas vagas de Medicina, Engenharia, Administração, Direito, entre outras.

As universidades, preocupadas, estão se revestindo de cautela para que a inclusão não venha piorar a qualidade de seu ensino, a qualidade de ensino voltada à parcela da população de renda mais baixa. O melhor instrumento de inclusão seria expandir o número de vagas, principalmente dos cursos noturnos, e valorizar a escola pública, investindo no ensino médio e na educação básica como um todo.

Milagres no terreno educacional não existem. Ou se tem uma boa estrutura para se avançar ou se fica à margem da sociedade. Um diploma que não qualifica leva igualmente à exclusão social.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em junho/2004)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

Leia Mais

A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

Leia Mais

A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

Leia Mais


Reconhecimento

Premiado pelo Buscaki

buscaki

I.S.G

izabel1

Colaboração

Slideshow Image 1

Novos Jogos

eduespc

Vídeos

videos

Visitante Número