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Artigos Educacionais

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SER PROFESSOR

Izabel Sadalla Grispino *

O magistério despertou cedo em minha vida. De criança, brincava de professora. Queria saber para poder ensinar. Perguntava, tinha curiosidade, conversava com os mais velhos, sempre no sentido de aprender e repassar.

Ser professor é gostar do outro, gostar do encontro. É partilhar do destino do outro, condoer-se da dor, vibrar com a vitória. É crescer fazendo crescer, unir, dividir, somar. Ser professor é ter um olhar para dentro e um olhar para fora, um olhar local e um olhar universal. Ser professor é gostar de estudar, de aprender a aprender, ilustrar-se, avançar no conhecimento, expandir esse conhecimento ao redor, participar do desenvolvimento humano, social, científico da humanidade. Ser professor é estar antenado, é um inquietar-se, um desejo de dar sua parcela de contribuição no reforço aos direitos humanos, no restabelecimento da justiça e eqüidade social, no encaminhamento de uma sociedade de paz, de um mundo de luz, de amor.

Professor da escola, dos alunos, da comunidade, professor do mundo! Felizes os vocacionados, que sentem essas vibrações na alma. Elas saciam a sede, impulsionam as realizações. Felizes os que professam uma função por vocação. É a vocação que faz a diferença.

Nossos votos ao professor, em 15 de outubro, dia consagrado ao professor, é que ele seja reconhecido socialmente, que tenha sua auto-estima elevada, que governos lhe propiciem melhores condições de vida, melhores condições de trabalho.

“Homenageamos a todos que se dispõem a ensinar, não só o professor institucional, mas, também, o informal, a todos que passam o seu saber para as novas gerações, colaborando com o crescimento do outro, com a construção de um mundo melhor.

Embora o papel do professor, nessa nova sociedade tecnológica, tenha mudado, ele continua sendo o elemento indispensável para a promoção humana e social. Durante muito tempo, o professor mobilizou um saber disciplinar – apoiado nas disciplinas do currículo – era o transmissor do conhecimento científico. A escola era o lugar privilegiado do saber, a instituição responsável pela transmissão da memória social e cultural e o professor, a principal fonte do conhecimento. Esse conhecimento, centralizado na sua pessoa, colocava-o como um capital profissional, um capital de saberes. Hoje, ele perdeu a vanguarda do conhecimento – detêm-no a mídia, o computador, a internet. A escola não é mais o lugar propriamente da informação, mas o lugar do que fazer da informação. Associa-se, hoje, mais que ontem, à função de professor a do educador”. (Do meu livro “Prática Pedagógica”, págs. 353-354).

A vocês, irmãos do magistério, bravos correligionários, num grande abraço, transcrevo os meus versos, com os quais introduzo o livro “Prática Pedagógica”.

AO  PROFESSOR

Querido professor,
Não desanime, vá avante,
Da humanidade é luz do esplendor,
É sol que brilha em terra exuberante,
Estrada iluminada,
Luzeiro de escuras madrugadas!

Sem você, a sociedade esmorece,
A criança perde seu futuro,
Você é, de todos, a mais bela prece,
O sonho que surge prematuro,
A fé que a esperança carece,
O brilho que nunca desaparece.

Embora pouco reconhecido,
E, pouco prestígio alcança,
Com Jesus é parecido;
Seu devotamento, transpassado de lança,
Tem como maior recompensa,
A luta, para que seu aluno vença.

Assemelha-se ao pesado arado,
Que remove a terra, prepara o plantio,
Joga-se o grão adubado,
Que vencerá o inverno e o estio,
Com a chuva, a colheita é abundante,
A terra sorri em seu veludo verdejante!

Você, professor, vai além,
Prepara, aduba, planta, conquista,
Trata da semente como ninguém,
Da mente e da alma é um especialista;
Você é o amanhã de suave brisa,
O construtor, que a sociedade mobiliza ou paralisa!

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2004)


AS NOVAS NORMAS REGIMENTAIS DAS ESCOLAS ESTADUAIS DE SÃO PAULO

Izabel Sadalla Grispino *

Uma outra característica desse momento histórico da educação, em que se vem processando a implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) n.º 9.394, de 20/12/96, é a elaboração, pela própria escola, de seu regimento interno. O Diário Oficial do Estado publicou em 21/03/98, na íntegra, o texto relativo às novas normas regimentais aprovadas pelo Conselho Estadual de Educação. Elas tornam as escolas da rede pública mais autônomas e responsáveis pelo seu regimento.

O caminho da modernidade passa pela descentralização de gestões, desinchando a máquina administrativa central, pela maior autonomia das instituições oficiais de qualquer nível, buscando racionalizar o sistema, adequá-lo, ajustá-lo às condições peculiares de cada instituição.

Até 1998, existiam regimentos unificados para as escolas oficiais. A partir de 1999, as escolas iniciaram o estabelecimento de normas, desde a relação das disciplinas do currículo até a proposta e linha pedagógica, passando pelos critérios de avaliação.

Na elaboração do novo regimento, há um envolvimento conjunto, uma participação ética, reflexiva da escola, dos pais e dos alunos. Pelo novo regimento, os alunos ganharão o direito de participar dos conselhos de classe, conselhos estes responsáveis pela avaliação e pela definição de quem será retido ou aprovado.

Os pais participarão dos conselhos da escola e esses conselhos serão os responsáveis pela elaboração do regimento. Através dos conselhos de escola, eles passarão a ter mais influência na determinação das diretrizes da escola. Os conselhos são compostos por representantes da direção, dos professores, dos funcionários, dos pais e dos alunos. É um órgão deliberativo e através das novas normas regimentais ele ganha mais poder e importância.

As normas regimentais propostas têm por objetivo adaptar as escolas da rede estadual à nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), que prevê, em linhas gerais, a flexibilidade das estruturas e práticas educativas. Ela dá autonomia para as escolas resolverem a sua organização. Isso significa liberdade para escolher os livros didáticos, as disciplinas do currículo que oferece, a carga horária e o sistema de notas.

Os regimentos anteriores tinham o foco no caráter disciplinar da escola. “As novas normas pretendem ser orientações gerais, a partir das quais cada escola vai definir sua maneira de atuar”, diz Neide Cruz, então assessora da Secretaria da Educação.

AS NOVAS NORMAS REGIMENTAIS – Cada escola terá de elaborar seu próprio regimento, estabelecendo regras e normas de funcionamento. Os pais têm direito de receber uma cópia do regimento no ato da matrícula.

Plano de gestão – Cada escola terá de elaborar um plano de gestão válido por quatro anos. No plano serão definidos objetivos e metas a serem atingidos, planos de trabalho e critérios de acompanhamento, controle e avaliação do trabalho executado.

Progressão continuada – O ensino fundamental (1.ª à 8.ª série) ficou dividido, a partir do ano letivo de 1998, em dois ciclos (1.ª à 4.ª e 5.ª à 8.ª séries). Dentro de cada ciclo não há reprovação. Os alunos são avaliados constantemente e, dependendo do desempenho, encaminhados para atividades de recuperação oferecidas ao longo do ano. Os sistemas de avaliação e de recuperação serão definidos pela escola.

Conselhos de classe – Os alunos poderão participar dos conselhos de classe e série, independentemente de sua idade.

Instituições escolares – Toda escola terá de ter um grêmio estudantil.

 

 

 

 

 

Avaliação institucional – As escolas serão submetidas a avaliações externa e interna. A externa será feita pelos órgãos locais e centrais da administração por meio de avaliações e supervisões feitas pelas diretorias de ensino. A avaliação interna será realizada segundo critérios definidos pelo conselho de escola.

Progressão parcial – Os alunos de ensino médio (1.ª à 3.ª série do segundo grau) que tiverem rendimento insuficiente em até três disciplinas podem ser classificados na série subseqüente, mas ficam obrigados a cursar estas disciplinas. O sistema é semelhante ao de dependências, usado na rede particular. Ele vale para os cursos regulares, supletivos e pode ser adotado nos cursos profissionalizantes. A progressão parcial poderá ser adotada para alunos da 8.ª série do ensino fundamental, desde que fiquem asseguradas as condições para conclusão do ensino fundamental.

Freqüência – As faltas não podem mais ser usadas como critério de avaliação. Os alunos podem se ausentar, no máximo, 20% do total de aulas no mês. Se este limite for superado, a escola tem de adotar medidas para que os alunos possam compensar as ausências. A freqüência mínima anual para promoção é de 75%.

Reclassificação – Um aluno pode ser reclassificado em uma série mais avançada. A referência será a relação idade/série (se ele tem idade para cursar a série pretendida) e a competência do aluno (se ele domina o conteúdo, mesmo que não tenha freqüentado escola).

Mudança de um ciclo para outro – Um aluno que tiver rendimento insuficiente no primeiro ciclo do ensino fundamental (1.ª à 4.ª série) poderá cursar atividades intensivas de recuperação e ser promovido para o segundo ciclo (5.ª à 8.ª série) durante o ano letivo.

As escolas ganham, com a nova lei, mais liberdade, quer na elaboração de seu currículo, quer na do seu regimento interno. Ela passa a ter mais poder e o poder está vinculado à responsabilidade, à competência.  Muitas escolas encolhem-se na preocupação que essa autonomia vem lhes proporcionar. Outras argumentam que a flexibilização é limitada, uma vez que a organização do tempo e dos dias letivos já estão definidos por lei. Questionam a autonomia, no ponto proposto pela Secretaria da Educação, quando fala da formação de parcerias com a iniciativa privada.

Em linhas gerais, essa autonomia dada à escola é um avanço. A escola deve encará-la como uma conquista, como um objetivo a mais a ser alcançado, capacitando seus recursos humanos, a fim de dar respostas que venham de encontro aos anseios da sociedade, às exigências da atualidade.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em novembro de 2000)

REALIDADE CONFLITANTE

Izabel Sadalla Grispino *

Constata-se em nosso País o estabelecimento de conexões do crime aqui praticado com o crime organizado internacional, deixando a sociedade nas mãos de bandidos de alta periculosidade.

Os descuidos políticos na área da segurança estão sendo dolorosos para o País. Poderes advindos do crime vão se firmando no mundo todo, com forte representatividade no Brasil. São as sombras do mal rondando a terra. Prendem-se à alça da ganância, do terror, da destruição, transformam-se num mercado sumamente lucrativo.

Vive-se no preceito de que vale mais quem tem mais, criando nessa inversão de valores estímulos a contravenção. O gérmen do crime está muito nesses valores invertidos, subvertidos, antiéticos e, sob esse prisma, o seqüestro atua numa sociedade onde os poderes se encontram.

Há, segundo consta, vários esquemas no País visando criar uma grade de proteção contra o crime. Porém, ao que tudo indica, as causas mais profundas, mais reveladoras da violência são de caráter social, como a miséria, o desemprego, a concentração de renda, cada vez maior e sem condições de fomentar o crescimento dessa renda em favor da população mais pobre.

O capitalismo selvagem, o mundo do grosso dinheiro, vêm trazendo comportamentos agregados, com um capital girando em torno de si mesmo e produzindo um consumismo exagerado. Paralelo a esse regime, surge o estabelecimento de poderosas organizações, possuidoras de um portentoso aparelho criminal, enfrentando com grande desigualdade e grande vantagem o desestruturado e arcaico aparelho policial do País.

A descrença é geral, a proteção, praticamente, inexistente ao cidadão. A epidemia de violência demonstra, claramente, que os bandidos estão soltos, dão pouca importância aos encarregados de manter as leis. O que tudo indica é que o crime organizado tem muito dinheiro para alimentar essa negra situação.

Diante de tanto desalento, a imagem da educação surge como o grande lenitivo, o grande socorro. A passagem, dos jovens, dos valores morais, éticos, a formação humanística, a visão de felicidade que advém de uma vida simples, solidária, o apego à religiosidade, são conceitos que, em seqüência, trarão a esperança da reversão.

Elevar o nível de ensino das escolas públicas, aparelhando-as condignamente, ministrando um ensino de qualidade, resgatam compromissos com a sociedade, no sentido da exclusão dos despossuídos Criar frentes de trabalho, dar condições de vida digna aos necessitados, são saídas que, sem dúvida, trarão o equilíbrio social tão necessário. Creio serem esses os melhores caminhos a trilhar, começando já, sem perda de tempo, para que, a médio e a longo prazo, possamos sair dessa assustadora realidade social.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2006)

LANÇAMENTO DO LIVRO “PRÁTICA PEDAGÓGICA”

Izabel Sadalla Grispino *

O livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola), de minha autoria, traz subsídios importantes para a formação do professor. Apresenta uma visão prática do ensino-aprendizagem.

Nas minhas freqüentes visitas às escolas, apoiada, também, por pesquisas e resultados de avaliação, notei que o ensino, com poucas exceções, continua preso à metodologia tradicional, na linha do “magister dixit”. O professor pode até ter uma razoável formação em sua disciplina específica, mas tem muito pouco treinamento prático em didática. O livro propõe-se, através de temas a serem desenvolvidos em sala de aula, a fazer o professor se ver em atuação.

“Prática Pedagógica” não é livro de tema único, visto em seus múltiplos aspectos, mas livro de temas variados, atuais, por vezes problemáticos, retirados do dia-a-dia da sala de aula. Passo a passo, ele vai formando opinião, provocando mudança de mentalidade, fornecendo à escola uma estruturação didático-pedagógica. Questões práticas são lançadas ao longo do livro, vistas sob uma ótica científica, apoiada em conceitos referendados pelos clássicos da literatura pedagógica.

O livro traz mensagens reflexivas, desperta o professor para uma renovada prática de ensino e isso desde a sua capa, quando a imagem, a disposição das cadeiras, sugerem a prática do diálogo, do debate, da construção do conhecimento; na contracapa, a posição da minha imagem passa a importância do compromisso, da divulgação do conhecimento, da importância de se conhecer para se conscientizar. Através da poesia, chama atenção da transformação social promovida pela escola, de seu papel social. As “orelhas” do livro lançam proposições que colocam desafios ao processo de ensino-aprendizagem. O leitor, pelos temas abordados nas “orelhas”, sentir-se-á impelido a continuar a leitura.

A formação do professor é basicamente, ainda, calcada na teoria; as próprias faculdades fundamentam seu ensino numa passagem de conhecimento unilateral. Esse processo vai se tornando uma gangorra, um jogo de pingue-pongue. Da sala de aula da educação básica vai para a sala de aula da faculdade e desta, novamente, para a sala de aula da educação básica, numa corrente contínua.

A escola hoje não se mantém mais como transmissora do saber. O método moderno exige um aluno pensante, criativo, construtor do conhecimento e não simples receptor. O desinteresse do aluno pela escola provém, em grande parte, de seu isolamento na sala de aula. É necessário dar ao currículo uma visão prática, que se distancia da visão culturalista, enciclopedista. Um ensino que visa recriar a cultura com o aluno. O processo tradicional, que leva ao aluno o conteúdo pronto e acabado, não prende sua atenção e coloca a escola em defasagem com seu tempo. A escola atualizada trabalha com projetos e não aulas em que o professor fala, dita, escreve na lousa e o aluno copia. Os projetos precisam chamar a atenção do aluno, atrair seu interesse, engajá-lo em suas escolhas.

No método tradicional, conteudista, o aprendizado ocorre de fora para dentro, pela transmissão do conhecimento. Na pedagogia construtivista, ao contrário, o aprendizado ocorre de dentro para fora. No construtivismo, o aluno galga passos para chegar, ele mesmo, ao conhecimento. Esse método, ensina a pensar, a criar hipóteses, relacionar, interpretar para chegar ao conhecimento. Ele é uma exigência da época, que pede um ser crítico, reflexivo.

Um outro tópico importante na aprendizagem moderna diz respeito à contextualização do conhecimento e a interdisciplinaridade das disciplinas do currículo. A escola afasta-se dos conteúdos desvinculados da realidade do aluno. Busca assuntos que tenham ligação com sua vida  e de importância sociocultural. A interdisciplinaridade – interligando as diversas áreas do saber – promoverá ao aluno uma formação geral mais ampla e a contextualização buscará a solução dos problemas sociais no seu trato com o cotidiano. A escola colocará os objetivos do ensino próximos ao dia-a-dia da sala de aula.

Estamos vivendo uma nova etapa da educação. A escola toma novos rumos, ressalta a educação para o pensar. É uma nova escola, onde não basta a criança ser educada, mas precisa ser bem educada. Os modelos educacionais mudaram nas últimas décadas. Deixou-se de lado a importância da memorização e passou-se a adotar projetos pedagógicos destinados a dar mais autonomia aos alunos na aprendizagem. As principais tendências do ensino, que vão se consolidando, consistem em levar o aluno a pensar com mais compreensão de seu cotidiano, mais capaz de tomar decisões e mais apto ao convívio social.

Estamos passando por um processo de revolução tecnológica e industrial, que introduz mudanças rápidas e importantes nos métodos e na organização da produção. Nesse contexto, a escola precisa promover o exercício simultâneo entre a área do saber e a do fazer. Atualização constante, reciclagem de conhecimentos, experiências em sintonia com as mudanças mundiais são, portanto, requisitos para uma segura atuação docente. Os métodos de ensino renovam-se, há uma variedade deles, porém, entre todos, há princípios comuns que os norteiam, como a passagem gradativa do conteúdo, a observância do ritmo próprio de cada aluno, de seu nível de conhecimento, a observância das fases do desenvolvimento mental da criança, no período da alfabetização, a avaliação individual e contínua da aprendizagem. Caracterizam-se mais por competências cognitivas de caráter geral que por informações.

Estes e muitos outros assuntos de suma relevância ao processo educacional estão contidos no livro. É um livro de 364 páginas, de fácil manuseio, de fácil leitura, cujos tópicos se encontram elencados e numerados no sumário. Está dividido em capítulos e cada capítulo contém um conjunto considerável de assuntos específicos, correlatos.

O livro aborda os principais passos da reforma do ensino estabelecidos pelo Ministério da Educação (MEC), de conformidade com a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), n.º 9.394/96. O capítulo “Aspectos da Escola Renovada” registra, com exemplos, os avanços metodológicos, apregoados por esta nova escola. O livro traz um estudo detalhado sobre o sistema de ciclos na progressão continuada. Aborda no capítulo “Avaliação da Aprendizagem” os amplos aspectos  da personalidade a serem avaliados, os aspectos cognitivos, afetivos,  psicomotor. Antes das Considerações Finais, há um extenso capítulo sobre educação infantil, sobre o comportamento infanto-juvenil, visto à luz da psicopedagogia.

Promover a qualidade do ensino, assessorar a formação do professor, fornecer subsídios à escola, estendendo o olhar à decadente escola pública, foram uma das minhas grandes preocupações. O grande objetivo do livro é ser útil à causa da educação.

O livro encontra-se à venda nas principais livrarias da cidade, por um preço bastante módico.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em junho/2004)

AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM: ASPECTOS DO DESENVOLVIMENTO

Izabel Sadalla Grispino *

Na semana retrasada abordei, no artigo “Atividades extraclasses e extra-escolares”, tópicos gerais do processo de avaliação da aprendizagem. Foi estimulador o número de pedidos para que eu voltasse ao assunto, com mais especificações.

Em setembro do ano passado, ministrei um curso, para professores e especialistas da educação, sobre “Avaliação da Aprendizagem”. Ao final de cada encontro, eu levantava, com o grupo, os aspectos importantes da avaliação, estudados no dia. Fazia uma espécie de síntese dos assuntos tratados. No término do curso, reuni as conclusões, ordenei-as, coloquei-as, didaticamente, em forma de versos, uma maneira de apresentar o tema em formato prazeroso e que foi acolhido com muito agrado pelos participantes.

Enfoquei aspectos importantes do processo de avaliação da aprendizagem, subdividindo-o em 4 itens: Conceituação, Aspectos do desenvolvimento, Momentos da avaliação e Medidas educativas. Hoje, publico, para os prezados leitores, o primeiro item, deixando, em seqüência, os demais para as próximas semanas.

 

C O N C E I T U A Ç Ã O


Setembro, mês de noventa e nove,                      Sou processo de investigação,
Na escola Estadual “Professor Barros”,            Currículo ajustado ao momento,
Realiza-se um curso e se remove                        Mais formação que mensuração,
Nobre tema enlaçado em ferros.                          Com o sócio-cultural no implemento.

É a avaliação da aprendizagem,                            Entram em jogo, neste processo,
Uma teoria muito cortejada,                                   Aquele que ensina e o que aprende,
Rica em conceito e humana abordagem,           Conjunto de relações impresso,
Mas, sofrivelmente realizada!                                Onde a família, também, se empreende.

“Hoje sou centro de sua atenção,                        Ao elaborar seu planejamento,
Digo-me injustiçada, aleijada,                                Não pense apenas no aluno médio,
Clamo-lhe à reta compreensão,                           Expanda a visão, o sentimento,
Para não continuar desvirtuada.                          A escola pro fraco é seu remédio.

Põem-me roupagem autoritária,                          Mantenha expectativa melhor,
Colocam-me rédeas de feitor,                              Em relação ao aluno pobre,
Usam-me em medida arbitrária,                          Que alcançará resultado maior,
Postulado de mau promotor.                                Se o mestre de esperança lhe cobre.

Sou aversa a essas insígnias,                             Um programa refletindo a escola,
Em vez de temor quero harmonia,                      Com objetivo em adequação,            
Medo, pavor, são como ignomínias,                   O aluno aprende, não pensa em cola,
Crescer é minha filosofia.                                     Na auto-estima verá premiação.

Promover o sucesso é meu lema,                      Programa de avaliação montado,
Fazer o ser se desenvolver,                                  Por professores da mesma escola,
Se ver, conhecer-se a si mesmo,                       Em entendimento unificado,
São fins que não posso suspender.                  Ganha consistência, não atola.”

 

* Supervisora de ensino aposentada      
(Publicado em agosto/2000)

A BIBLIOTECA

Izabel Sadalla Grispino *

A biblioteca é da comunidade o seu mestre-sala abrindo alas para a entrada do caminho do sol, descortinando um horizonte de estrelas. Ela é a sua fada-madrinha, presenteando a população com a mais cara jóia da humanidade, o livro. Nela moram os gênios da humanidade, os grandes das ciências, das artes, da filosofia, nela está armazenada a nata da intelectualidade mundial, as obras dos maiores artistas, dos maiores pensadores de todas as civilizações. Ela nos põe em contato com séculos de sabedoria e “só depende de você, de sua vontade de crescer como ser humano, na companhia deles”.

É a biblioteca quem fornece a matéria-prima da cultura, do reforço escolar, quem propicia e fortalece na criança e no jovem o hábito da imperiosa leitura, o hábito de ler. Ela é um recurso didático imprescindível ao ensino-aprendizagem. Com a adoção, pela escola, do método construtivista, coloca-se a pesquisa na vanguarda da metodologia.

A familiaridade com os livros deve acontecer desde a mais tenra idade. Várias são as estratégias utilizadas, lembrando a já consagrada “hora do conto”. Deve-se valer do imaginário mágico da criança e estimular a curiosidade, passar imagens, conceitos, como de que em cada livro há um tesouro escondido e que os mais valiosos tesouros do mundo estão guardados na biblioteca. Extrair das histórias o conteúdo moral, educacional, relacionando-o ao tesouro escondido.

Se quisermos formar leitores temos que nos valer de procedimentos que convirjam para esse fim. Montar uma biblioteca, com atrativos visuais, em local amplo, espaçoso, arejado, mantendo-o sempre limpo, com livros, revistas e jornais que atendam as diferentes faixas etárias, dispostos de maneira atraente, de fácil alcance e manuseio, de retirada facilitada, inclusive estimulada, porque o mais comum é dificultar, desestimulando o seu uso.

A biblioteca deve se constituir num ambiente acolhedor, convidativo, o usuário ou o aluno orientados, reiteradas vezes, para colaborar com a ordem, serem responsáveis, ajudando a manter o livro em bom estado de conservação. É indispensável uma pessoa treinada, encarregada da organização, da manutenção, do atendimento à população como um todo.

Frases estimuladoras, incentivadoras, slogans, devem ser espalhados em volta e dentro da biblioteca. No final do artigo, passo aos interessados, em meus versos, considerações e imagens sobre biblioteca, que podem ser colocados nas portas ou nas paredes da biblioteca, como estímulo e reflexão.

Sem a educação de nada adiantaria o avanço social; ele perderia sua base de sustentação, de conservação. São os livros que fortificam e dão forma à educação. Uma biblioteca pública coloca, em seu regaço hospitaleiro, também o menino pobre, estendendo-lhe as mãos, ajudando-o a desbravar sua inóspita floresta, fazendo-o alcançar a clareira e com ela encontrar o seu vale do sol.

Já se disse que “os livros constroem as grandes pátrias”. Os povos ignorantes abdicam de si nos outros e voltam-se à servidão e ao desaparecimento. A biblioteca, por seus livros, é a saída honrosa para se erguer o nosso Brasil, é a saída honrosa para fazer seu povo ascender, com dignidade e sabedoria, na escala social. Ela é o salvo-conduto para o mundo do conhecimento, mundo este encarregado de trazer a compreensão e a paz, de equilibrar o desnível social.

Quanto mais livros à disposição da população, mais a certeza de que ela saberá como achar seu tesouro escondido, como encontrar o verdadeiro caminho da felicidade.

 

BIBLIOTECA

Quanto encanto numa biblioteca!

Nos livros, quanta sabedoria!

As histórias da criança sapeca

Acordam do sono a alegoria!

Guardemos, pelo livro, respeito,

Tenhamos, por ele, o maior conceito!

Há vida intensa na biblioteca,

Nela moram o poeta e o escritor,

É da língua escrita a discoteca,

A ousadia do grande inventor!

O livro é um caminho de luz,

Como a Bíblia, ensina ver Jesus!

Biblioteca é desenvolvimento,

Sinônimo de educação,

Representa, ao homem, crescimento,

Força pra mente e pro coração!

O livro ensina a viver em paz,

Ele guarda as jóias que o mundo faz.

 

*Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em março/2001)

A VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência é a escalada do mal que vem atingindo crianças e escolas. Nossos dias são marcados por ela. Raciocinamos sobre suas causas e seus remédios, questionamos os fatores que desencadeiam situações de conflito. É unânime em se colocar, em primeiro plano, o uso das drogas, seguido da exclusão social, desemprego, fome, ausência dos pais e, em relação à escola, uma certa inabilidade dos professores para lidar com o problema.

A marginalização acaba levando as pessoas a procurarem as drogas e, através delas, a escorregar-se para a violência. As crianças crescem em meio ao mundo das drogas. Os pais ausentes, sem nada em casa para comer, à busca de alimento, elas acabam caindo nas armadilhas do traficante. Às vezes, fazem mesmo com a conivência da família. O que a criança ganha numa semana, o pai não consegue ganhar num mês, e assim se vai num crescendo, num círculo vicioso.

Mas, a violência, que era marca da periferia, já chegou à classe média. Nas escolas, estima-se que 15% dos estudantes usam ou já usaram algum entorpecente. A droga, nesse caso, começa na infância e dentro da própria escola. Primeiro a criança ganha, depois passa a comprar. As campanhas antidrogas não estão surtindo o efeito desejado, o consumo das drogas, por estudantes, continua a crescer.

A violência, entretanto, não é fruto da escola, não se origina nela. A escola trabalha com o efeito, as causas lhe são externas. A violência nasce nos becos das favelas, nas ruelas escuras da periferia, na urbanização desenfreada, desordenada. Ela nasce da miséria, do desajuste familiar, da ausência de educação. A violência é fruto de um conjunto de fatores socioculturais, por isso, a escola sozinha não tem como resolver o problema. É necessário uma ação de todas as instituições, ações multidisciplinares e interdisciplinares envolvendo escola, família, igreja, judiciário, polícia...

A escola, como instituição formadora, tem a função de conscientizar para os malefícios da droga. Sua contribuição é de caráter ético, moral, educacional. Ela não pode ser mais um espaço fechado, feudal. Precisa estar constantemente se revendo, entendendo que pertence à comunidade. Não tem mais razão de ser a escola vertical, presa a uma hierarquia arcaica, de tomada de decisões de cima para baixo. Faz-se necessário a criação da escola horizontalizada, das decisões conjuntas, dos trabalhos integrados e entrosados às universidades, para que possa melhorar sua atuação, ter mais competência.

Já foi a época da escola soberana, auto-suficiente, voltada estritamente para o seu circuito interno, preocupada, tão-somente, com a transmissão do conhecimento. Ultrapassar os muros, abrir diálogo, firmar parcerias com a comunidade, interferir na realidade social, é hoje parte importante de sua atuação.

A escola precisa investir na educação politizada, fazer o aluno refletir sobre deveres e direitos, fazer dele um cidadão ético, dar-lhe armas participativas. – Vivemos numa democracia representativa porque não sabemos participar. Precisa educar para a vida, para o amor, para o lazer, para a compreensão. O aluno agindo, analisando, interferindo, mais que absorvendo conteúdo. Conteúdo é conseqüência e pode ser adquirido por outros meios.

Um dos caminhos da escola, para combater a violência, apontado por especialistas,  é  ela se tornar prazerosa, significativa, promover, dentro dela, através do esporte, da cultura, da arte, a integração, erguer na solidariedade o grande pilar. Manifestações culturais em sala de aula – teatro, dança, música, poesia – mostram a outra face da vida, o seu lado espiritual, seu encantamento, e acaba por afastar a obsessão do consumismo. O aluno vai percebendo que o mais importante é o ser, o ter vem depois.

A escola deve munir-se de biblioteca, de um centro esportivo-cultural de lazer. Apegamo-nos à TV, à internet, ao celular, e o contato humano onde fica? A escola pública, no combate à violência, deve utilizar-se, com afinco, das prerrogativas educacionais, das armas afetivas, morais e psicológicas. Ela tem, apenas, elementares mecanismos de proteção, falta de inspetores nos corredores, de segurança nas portas, de câmaras internas, que são mecanismos importantes, mas, não tão fundamentais.

As grandes armas estão na administração de conteúdos significativos, que abranjam a realidade social, a realidade do aluno, em currículo contextualizado, na criação de momentos de lazer, de descontração; pautar-se pelo diálogo, pelo contato humano, pela inserção da família, dos pais em seus projetos pedagógicos. A escola do presente troca idéias, experiências, busca na ajuda, no amor, a reversão de uma situação, que atinge as raias do limite.

A paz da árdua viagem da vida adulta depende da mão que guia a criança e o jovem no dia de hoje.

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em novembro/2001)

PARÂMETRO CURRICULAR NACIONAL DAS ESCOLAS INDÍGENAS

Izabel Sadalla Grispino *

O Plano Nacional de Educação pela primeira vez se preocupou com as escolas indígenas. Falemos um pouco sobre ele.

O governo elaborou, através do Ministério da Educação (MEC), o PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (PNE), que foi entregue à Câmara dos Deputados em 12/02/1998 para debate e consenso.

O artigo 87 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) diz que a União deve encaminhar ao Congresso Nacional, no prazo de um ano, após a publicação da lei, o Plano Nacional de Educação (PNE), com diretrizes e metas para os 10 anos seguintes.

Em 10 de fevereiro do mesmo ano, dois dias antes do MEC, a oposição protocolou um projeto de lei sobre o seu Plano Nacional de Educação.

O Plano Nacional de Educação da oposição, apresentado por deputados do PT, foi elaborado com base em plano definido num encontro nacional de professores e entidades ligadas ao ensino, ocorrido em novembro de 1997, pelo Congresso Nacional de Educação (Coned), uma instância suprapartidária, que reúne sindicatos e entidades da área.

No Congresso, este plano teve o apoio do PT, PC do B, PSB, PSTU e PV. A oposição apoiou-se na Constituição, quando diz que deve haver o Plano Nacional de Educação, mas não especifica quem deva fazê-lo. O governo apoiou-se na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), quando diz que a União enviará o plano ao Congresso.

Os dois projetos são ambiciosos, definem metas em todos os níveis por 10 anos, possuem metas diferentes, mas ambos cobrem desde a educação infantil até a educação superior, passando pela educação especial, educação indígena, formação dos professores, financiamento e gestão. O ensino fundamental é priorizado nos dois. O Plano Nacional de Educação, do MEC, chega a prever que em 3 anos as escolas atendam em dois turnos diurnos e um noturno. Atualmente, na cidade de São Paulo, mais de 70% da rede atende em 3 turnos diários.

O projeto do governo previu a criação, a partir de 1999, de novos planos de carreira para o magistério, promoção por mérito, e preferência à dedicação dos professores por tempo integral, com 30 horas de atividade em sala de aula. Aborda os mais diferentes problemas da educação, como verbas e infra-estrutura das escolas, computando, para elas, padrões mínimos nacionais de infra-estrutura.

O plano inclui programas de bolsa-escola para as crianças pobres e ampliação do Programa de Crédito Educativo, com o objetivo de atender a 15% dos alunos matriculados em faculdades particulares.

A meta mais importante é a de “universalizar o acesso ao ensino fundamental – 1.ª à 8.ª série – e garantir a permanência de todas as crianças de 7 a 14 anos na escola”. No 6.° ano de aplicação do plano, a oferta obrigatória do ensino fundamental se estenderá para cada criança, a partir dos 6 anos de idade, o que vem de encontro com a Constituição estadual, que permite a matrícula a partir dos 6 anos, “desde que plenamente atendida a demanda das crianças de 7 anos”.

Dentro de 5 anos, o plano prevê uma reforma no ensino médio, com a instituição de novo currículo, juntamente com um sistema nacional de avaliação, como o que ocorre no ensino superior. Nesse mesmo prazo, pretende “assegurar que todos os professores do ensino médio possuam diploma de nível superior, oferecendo oportunidades de formação, nesse nível de ensino, àqueles que não a possuem”.

O plano estipula aumentar anualmente em 10% o número de mestres e em 5% o número de doutores formados no sistema nacional de pós-graduação.

PARÂMETRO CURRICULAR NACIONAL DAS ESCOLAS INDÍGENAS – Pela primeira vez, vemos uma preocupação objetiva sobre o ensino das escolas indígenas. O Ministério da Educação (MEC) elaborou, dentre os demais Parâmetros Curriculares Nacionais da Educação Básica – ensino infantil, ensino fundamental de 1.ª à 4.ª série, ensino fundamental de 5.ª à 8.ª série e ensino médio –, o Parâmetro Curricular Nacional das Escolas Indígenas, possibilitando a criação de uma política educacional para o povo indígena.

Em 21 de maio de 1998, o Ministério lançou o referencial curricular nacional para as escolas das aldeias, que passaram a ter, desde 1999, currículos próprios, valorizando suas culturas. Até então, buscava-se apenas integrar os índios à sociedade, deixando de preservar e valorizar as suas diferentes culturas.

Levantamento estatístico mostrou que existem no Brasil 207 povos indígenas. Temos 1.591 escolas indígenas com mais de 62 mil alunos freqüentando o ensino fundamental, de 1.ª à 8.ª série.

O parâmetro curricular alia o ensino de matérias tradicionais à discussão de temas de interesse das comunidades, como a organização e direitos das nações indígenas no Brasil.

Pela proposta do MEC, o ensino da língua portuguesa deverá ser simultâneo ao da língua indígena local. Na matemática, além do tradicional estudo de números e operações, o aluno lidará com os sistemas numéricos usados pelos diferentes povos indígenas e pela sociedade em geral, para facilitar sua comunicação. Na geografia, a proposta é partir do espaço geográfico onde vive o aluno para ajudá-lo a entender sua localização no Brasil e no mundo. Na educação física, o aluno deverá conhecer desde os jogos e brincadeiras tradicionais de sua tribo, até as práticas esportivas brasileiras e internacionais.

O “Parâmetro Curricular Nacional das Escolas Indígenas” não é um referencial obrigatório, mas, certamente, as escolas indígenas encontrar-se-ão na proposta e usá-la-ão, desde que tenham meios para aplicá-la.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2000)

A ESCOLA REAVALIANDO SEUS PROJETOS

Izabel Sadalla Grispino *

A escola sabe que uma de suas principais funções é formar. Formar o aluno, especialmente, para os valores essenciais da vida. Formar o aluno para ensiná-lo a aprender a aprender, não perder de vista a sociedade do conhecimento em que vivemos. Formar para informar.

CURSOS PROFISSIONALIZANTES

Izabel Sadalla Grispino *

Hoje, dizemos que emprego e escolaridade andam juntos, especialmente se o ensino for profissionalizante. Escolaridade com qualidade, quanto maior, maior a facilidade de colocação. Se com ela a dificuldade de emprego existe, imaginem sem ela!

Os avanços nos setores da economia são contínuos. O tempo não pára e precisa de profissionais cada vez mais habilitados. Sob esse prisma, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) oferecem, com vantagens, cursos rápidos, atualizando o conhecimento, proporcionando a colocação no mercado de trabalho, e contam pontos se o certificado do pretendente for emitido por essas instituições.

Esses Sistemas fazem sondagens periódicas das carências ocupacionais de trabalhadores flexíveis. O Senai vem investindo em cursos modulares para uma profissionalização segmentada e contínua, onde o trabalhador entra em sua área de interesse e especializa-se aos poucos.

Nas telecomunicações, o Senai, por exemplo, forma especialistas em manutenção de equipamentos. No setor automobilístico, notou a exigência por profissionais que atuassem da mecânica à parte elétrica, passando por questões administrativas, como orçamentos e trato com os clientes e criou cursos a respeito.

Um outro dado marcante no mercado de trabalho é a possibilidade de mulheres encontrarem serviço em segmentos antes fechados a elas. Pela constatação do Senai, a área gráfica é um setor que está abrindo as portas para as mulheres, por seu poder de concentração e perspicácia visual. Assim, os cursos do Senai, onde se aprende tudo sobre impressão, os cursos de manutenção de computadores e o hotel-escola, que forma garçons e cozinheiros, englobam os dois sexos.

O setor de Alimentos incentiva, também, a entrada da mulher, sobretudo as formadas em confeitaria e salgado. Excluindo panificação e sorveteria, em que o aprendizado é com equipamentos industriais, os demais cursos de Alimentos do Senai dão chances a quem quer trabalhar por conta própria, abrindo o próprio negócio. São cursos práticos, que incluem no currículo a aprendizagem de detalhes como avaliação da matéria-prima, rendimento, diminuição de desperdício e custo-benefício.

Os cursos profissionalizantes, mesmo curtos, têm um custo, mas, segundo consta, de retorno rápido, logo nos primeiros meses de trabalho. Alunos dos cursos de cabeleireiro, depilador, cozinheiro e garçom têm, praticamente, suas vagas garantidas, mesmo antes de se formarem, confirma o assessor técnico de educação do Senac, Francisco Cordão. Os pretendentes aos cursos profissionalizantes têm uma gama a escolher, de acordo com suas preferências, seus gostos e obter assim mais facilmente o sucesso.

O curso Noções de Mecânica está sento bastante procurado. Ajuda a conquistar vaga como operadora de telemarketing, em montadoras de carros, seguradoras e prestadoras de socorro mecânico. Esse mesmo curso, aliado a outros dois módulos – Motor Automotivo e Sistema de Alimentação – feito em 3 semanas, em período integral ou em 2 meses no período noturno,  forma  para  atuar em oficinas mecânicas. O aluno poderá estender a formação, reunindo Noções de Mecânica, Supervisão e Freio para trabalhar no balcão de distribuidoras de autopeças e ganhar à base de comissão de vendas.

Ultimamente, tem, inclusive, aumentado a preferência dos empregadores da área automobilística por mulheres. Um outro curso que vem empregando mulheres é o de Controlador Lógico Programável, de 40 horas, e capacita a atuar na linha de montagem de circuitos eletrônicos, num trabalho superminucioso.

Outros cursos são oferecidos, como o básico de Informática do Senai, com 72 horas e Windows,  Word e Excel no currículo. Com este certificado, o profssional está apto ao curso de Web Designer de 50 horas, com emprego inicial em torno de mil reais.

O interessante do Senai e do Senac é a sua ligação com o empresariado, permitindo-lhes manter quadros permanentes com ofertas de emprego. Há cursos, em áreas que vão de mecânica de automóveis à indústria de turismo, oferecidos gratuitamente.

Existem parcerias entre essas duas instituições, Senai e Senac, com a Secretaria do Estado da Educação em cursos profissionalizantes. Pelo Programa Profissão, o governo adquiri vagas do Senac, Senai, Centro Paula Souza e Escola Técnica Federal. Por esse Programa, o jovem continua estudando, consegue um bom emprego, podendo, depois, cursar uma faculdade. Os alunos inscrevem-se nas escolas onde estudam e o critério de seleção tem sido a assiduidade às aulas durante o ensino médio.

Neste ano de 2002, um outro projeto da Secretaria da Educação passou a oferecer 9 mil vagas de estágios nas próprias escolas da rede. São escolhidos três alunos que cursam o ensino médio em cada escola para trabalharem como monitores nos laboratórios de informática e recebem meio salário mínimo.

Senai e Senac são instituições de ensino profissionalizantes que fazem a diferença.

* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em outubro/2002)

A EDUCAÇÃO DO RICO VERSUS A EDUCAÇÃO DO POBRE

Izabel  Sadalla  Grispino *

A realidade educacional no Brasil é tema inquietante, a ser refletido por toda a sociedade brasileira. Realidade de duas faces: a boa educação para os ricos e a má educação para os pobres. Há décadas, Demerval Saviani, em seus livros, já denunciava a equivocada escola assistencialista, merendeira. São freqüentes e periódicas as citações de especialistas da educação sobre o decadente ensino das classes menos favorecidas.

O objetivo de toda escola deve ser o de tornar o aluno competente. A escola deve lutar, buscar os meios para realizar este objetivo, para dar aos alunos as ferramentas mentais de ação, a fim de que possam enfrentar o mercado de trabalho, hoje tão exigente. Nunca o livro didático foi tão necessário ao professor. A escolha de um bom livro poderá amenizar a situação do ensino público. Um livro que traga ao professor  instruções detalhadas, que propicie experiências abertas, exercícios práticos, onde se possa praticar o construtivismo. A criança precisa freqüentar a boa escola, desde os primeiros anos de alfabetização, porque a aprendizagem é um processo em que uma etapa influi e explica a outra. A construção do conhecimento exige tempo, é preparação sistemática, gradual, encadeada, ligando os diferentes graus de ensino. Não é um simples “depósito bancário”, usando a expressão do educador Paulo Freire. Não adianta avançar etapas, se a aprendizagem não se concretizou. Hoje, temos bem clara a noção de que o importante não é a quantidade do que se ensina ao aluno, mas a qualidade do que ele aprende.

O desinteresse oficial por uma escola pública de qualidade se constitui em mecanismo de reprodução das desigualdades. Concursos de ingresso ao magistério público há, em que Secretarias de Estado observam com rigor a porcentagem de acertos e erros, aprovando os realmente capazes – como o recente concurso, realizado no Rio Grande do Sul, onde 70% dos candidatos foram reprovados, ou o concurso de ingresso na Bahia, em 97/98, que reprovou cerca de 90% dos candidatos. Secretarias há em que, desconsiderando a má formação, rebaixam o nível de conhecimento, aceitam uma porcentagem de acertos inferior ou bem inferior ao que seria a média das questões, facilitando o acesso  para abarcar o maior número de candidatos, mas não garantem, depois, a qualificação necessária ao padrão requerido pela época. Nessa acomodação política, o aluno pobre é o maior prejudicado, pois que tem aula com professores mal preparados, cuja efetividade não foi fruto de competência. O ensino fica, assim, nivelado por baixo.

Em recente publicação do texto: “Duas experiências de ensino estruturado”, Cláudio de Moura Castro, assessor da Divisão de Programas Sociais do Banco Interamericano do Desenvolvimento, faz uma análise sociológica, cultural do Brasil, das últimas décadas e compara-o aos Estados Unidos. Ambos, diz ele, encontram dificuldades em “criar escolas capazes de oferecer um ensino de boa qualidade aos mais pobres e mais vulneráveis... têm escolas péssimas servindo a essa população”. Ambos têm grande desigualdade na distribuição de renda. Sendo que nos Estados Unidos “a maioria esmagadora é imensamente rica, embora tenha muitos bolsões de pobreza, sobretudo, nos centros urbanos”. No Brasil, ao contrário, temos “uma minoria muito rica e uma grande camada de pobreza, incompatível com nossa renda per capita”. O contraste entre Brasil e Estados Unidos está na grande diferença entre população rica e pobre. Se aqui poucos têm boa escola, lá a grande maioria a tem.

Cada povo tem  a educação que o espelha e a nossa pouco nos engrandece.

O magistério é  vocação sublime,  abre caminhos de esperança, de sonhos, de realizações. O professor é pedra angular, a fundamental na construção do ser humano. Batalhar a educação é batalhar a vida no seu grau supremo da promoção humana e social. Ela é essência, ultrapassa a dimensão circundante do Homem, alcança a dimensão cósmica, quando então, entra em comunhão com a obra do Criador e se torna a grande responsável pelo desenvolvimento sustentável do planeta, pela continuidade de nossa mãe-Terra, em sua missão de gerar novas vidas. “O que acontece à terra, acontece aos filhos da terra” – Seattle, chefe das tribos indígenas Duwarnish – Canadá.

Vimos, em seqüência, espalhando sementinhas, que a seu tempo – esperamos – se revertam no nascimento de árvores frondosas. Outras sementes, juntando-se a estas, romper-se-ão em outras árvores, que, no seu conjunto, formarão o cerne, a frente robustecida de combate, com núcleos de influência, semeando permanentemente. Se cada um fizer a sua parte, o grande encontro virá e coroado da salvadora redenção. Completo essas considerações com meus versos “O sono da combalida educação”.

O SONO DA COMBALIDA EDUCAÇÃO

A educação dorme no leito do atraso,
Sono do descaso, da assistência falida,
Da oscilante ideologia do acaso,
Brotando uma atuação didática abolida.

Quantos caminhos perdidos em sua dormência!
Enquanto dorme, o mau ensino perdura,
A criança se embrenha na estrada da falência,
Os pais choram a perda da visão futura!

Educação é luz, terra em maternidade,
Gera o alimento para o corpo e para a alma,
Sacia o sonho, a desigualdade acalma.

Desperte “Consciência”, alce a vontade política,
Faça da sociedade uma análise crítica,
Distribua o saber em social eqüidade.!

 

O TERCEIRO TURNO ESCOLAR

Izabel Sadalla Grispino *

É comum assistirmos inovações na estrutura escolar que pouco ou nada contribuem para a qualidade do ensino. Provocam impacto, especialmente, para uma população mais desavisada.

Quando li que a Prefeitura de São Paulo vai extinguir o terceiro turno, à primeira vista, a medida pareceu-me alentadora, um passo avante para a melhoria do ensino. A partir de fevereiro do corrente ano, as aulas do ensino fundamental, que eram de 3 horas e 40 minutos, estender-se-ão por 5 horas.

Aprofundando no assunto e lendo relatos de professores que atuam em escolas de três turnos, o entusiasmo começou a arrefecer. Não houve, por parte da Prefeitura, um plano consistente, uma programação que abrangesse a estrutura física das escolas.

“Tudo como dantes no quartel de Abrantes”. Tudo é feito a toque de caixa. Para se eliminar o terceiro turno, algumas salas de aula foram construídas e a outra saída foi desativar os espaços pedagógicos, enfraquecendo as condições de ensino, desestimulando áreas do saber.

Foram eliminadas as salas de educação física, as de educação artística, laboratórios de ciências. Utilizam-se, segundo a necessidade, salas de atividades pedagógicas, de brinquedotecas e as de vídeo e DVD, inclusive, invadem a sala dos professores, desalojando-os, privando-os dos encontros salutares, quando, descontraidamente, abordam problemas de alunos, de convivência escolar.

Essa falta de valorização dos complementos pedagógicos tão vitais, empobrecendo a escola e a visão do aluno em relação a ela, vai aos poucos se acentuando e refletindo no entusiasmo pelo estudo.

Educar é muito um estado de espírito. Premidos pelo desconforto, pelo plano inferior a que foram submetidos, docentes e discentes poderão reagir negativamente e o aumento do número de aulas não será revertido, certamente, ao nível pretendido, ao benefício esperado.

Um outro aspecto, ainda mais importante, lembrado por responsáveis educadores, é a fraca qualidade que vem norteando o ensino. Este continuará o mesmo, os professores, os mesmos, com as mesmas deficiências e esse número de horas-aula aumentado manterá o mesmo baixo padrão. Sob esse prisma, a derrocada continuará.

Quem atua em educação sabe que não virá melhoria de ensino se não se investir nas condições do ensino, no professor, em sua reciclagem de estudos, em sua valorização salarial. É preciso primeiro melhorar a qualidade dos integrantes do magistério, para depois pensar num reforço de horas-aula aos discentes. Como está, só se irá estender um ensino, que continuará diplomando analfabetos funcionais.

O ambiente escolar, em muitas localidades, vem se degradando, a ponto de os professores dizerem: “Os alunos organizam seus roubos e o negócio de drogas dentro da própria escola. E, mais tempo para eles?”

Se não se fizer uma revolução na educação, uma revisão do processo formal, os acréscimos de horas-aula serão irrisórios, superficiais, quando não prejudiciais!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março/2007)

O COMPUTADOR E A EDUCAÇÃO INFANTIL

Izabel Sadalla Grispino *

O computador é um excelente auxiliar na construção do conhecimento, em todas as fases da aprendizagem. Ele é útil desde a educação infantil, quando crianças são alfabetizadas através dele, e com vantagens.

A criança vai, aos poucos, manuseando o computador, explorando-o, conseguindo demonstrar que sabem e que são capazes de produzir. Diante do computador, a criança tem liberdade para criar, inventar palavras, histórias, desenhos, emocionar-se, estimular-se. Por isso, as crianças gostam muito de trabalhar com ele.

O computador dispõe as informações de maneira clara, objetiva, lógica, favorece a exploração espontânea e a autonomia na aprendizagem. Ele pede reflexão, atenção, definição do que se quer fazer. A criança aprende a se organizar e passar informações ordenadas, digitando corretamente.

O computador favorece a auto-aprendizagem, a autocorreção, porque dá um retorno imediato do processo de construção. Ele trabalha numa disposição espacial das informações que pode ser controlada, seqüencialmente, pela criança, desenvolvendo o seu campo perceptível visual e seu raciocínio lógico. As possibilidades enriquecem-se e trazem oportunidades variadas. Ao trabalhar imagens e textos de forma combinada, o computador ativa os dois hemisférios cerebrais.

No processo da aprendizagem, ele vem sendo apontado, por educadores, como um facilitador do desenvolvimento natural da expressão simbólica da criança no uso de caracteres gráficos. Esse fator é importante tanto na fase da alfabetização como no desenvolvimento posterior da leitura e da escrita. Vale a pena conferir.

Os projetos pedagógicos devem fazer com que o aluno use a tecnologia para pesquisa, trabalhos em equipe, para raciocinar e dialogar em um mundo interativo. O computador é uma ferramenta a mais na aprendizagem, de precioso alcance, mas não absoluto. Ele precisa estar conjugado a outros métodos pedagógicos, fazendo da educação um processo abrangente e reflexivo, como, por exemplo, a formação do hábito da leitura, seguido do debate, dotando as crianças de capacidade expressiva, de interpretação.

A leitura freqüente leva a uma melhor escrita, a um raciocínio mais apurado, a um mais alto nível de inteligência, a uma habilidade expressiva consistente. A psicologia vem demonstrando que existe uma correspondência estreita, uma forte correlação entre o nível de vocabulário e o quociente de inteligência, isto é, entre o domínio da linguagem e a inteligência. Quanto maior o número de palavras, quanto mais elaboradas as comunicações (por exemplo, entre crianças e pessoas adultas) mais potencializado fica o desenvolvimento da inteligência da criança.

Nas histórias, lidas ou contadas, deve-se ater à expressividade; ler ou falar com entonação, com ênfase, em determinados momentos, respeitando as pontuações, as exclamações, as interrogações, as reticências, despertando emoções, provocando reflexões, criando verdadeiros recitais. Esse ambiente de representação recupera a arte, que foi deixada para trás, da récita.

Um outro aspecto da função da escola é a passagem dos valores morais. A pedagogia nos ensina que justiça, solidariedade, tolerância, obediência às regras, respeito ao limite, são valores que se aprendem, como também se aprendem os antivalores: injustiça, crueldade, preconceito, egoísmo, desrespeito ou desprezo pelas normas.

A escola de educação infantil deve primar-se por formar moralmente as crianças, porque é nessa faixa de idade que se constrói o alicerce. Sabemos hoje que, ultrapassada a fronteira da infância, em torno dos 13 ou 14 anos, fase da adolescência, a mudança de personalidade torna-se muito difícil. “É de pequeno que se torce o pepino”.

É responsabilidade, pois, da escola infantil educar para os valores morais, assim como para a leitura, a escrita, a comunicação, habilidades que devem ser iniciadas desde cedo, durante a infância. Entre seus métodos de ensino, a inserção do computador não é mais escolha e, sim, necessidade. A criança fica em dia com as inovações da época. Enquanto brinca, enquanto aprende a lidar com o computador, alfabetizando-se, se conduzida com carinho, com diálogo, com a devida orientação pedagógica, ela vai se modulando, pouco a pouco, tornando-se um adulto responsável, altruísta, solidário com os demais seres humanos.

A escola infantil, por contribuir com esses atributos na formação da criança, é hoje, considerada o grande baluarte da transformação social, especialmente em termos de mudança comportamental. Ela é o alicerce da aprendizagem global, a que deixa a criança pronta para aprender. Alicerce do desenvolvimento cognitivo, afetivo, psicomotor.

Acordou-se para o importante papel da educação infantil. Na “Reunião das Américas para Avaliação da Educação para Todos”, realizada em São Domingos, capital da República Dominicana, em fevereiro de 2000, com a presença de ministros da educação da América Latina, Caribe, Estados Unidos e Canadá, colocou-se como prioridade, nas Américas, o investimento na pré-escola. O documento conclui: “A insuficiente atenção ao desenvolvimento integral das crianças na primeira infância é o principal responsável pelas altas taxas de evasão e repetência na escolaridade básica. A prioridade de investimentos na pré-escola deve ser a primeira, dentre as outras, por garantir o direito universal de uma educação de qualidade desde o nascimento”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2001)

ATENDIMENTO À CRIANÇA DEFICIENTE

Izabel Sadalla Grispino *

Nas semanas anteriores abordei o desafio das escolas no trato da criança hiperativa e do aluno superdotado. Junto a esse desafio, um outro problema vem se revelando na inclusão da criança com deficiência.

Os pais quase sempre perambulam de uma escola a outra, buscando uma que acolha, com carinho e interesse a inclusão de crianças portadoras de deficiências, necessitando de uma educação especial..

A grande maioria das escolas rejeita essa criança, argumentando que não tem espaço, nem condições apropriadas para o seu atendimento. Passa por cima da Constituição Brasileira e de diversas leis que garantem a universalização do ensino em detrimento da discriminação.

Na verdade, essas escolas não estão preparadas, nem física, nem pedagogicamente, para entender o aluno com deficiência e ajudar no seu desenvolvimento cognitivo, motor ou comportamental. Forçar a permanência desse aluno, que precisa de diferentes métodos de aprendizagem, de estímulo a um ensino que utiliza de formas diferenciadas, numa escola despreparada, desmotivada, só irá contribuir para o seu desalento.

O correto seria toda escola regular, particular ou pública, estar habilitada à inclusão, formando seus educadores, na base da conscientização de que toda criança tem capacidade de aprender. O que precisa é respeitar o tempo cognitivo da criança, ensinar com entusiasmo, acreditar no seu potencial.

Hoje se sabe que para uma criança deficiente é importante conviver com outras crianças. Essa convivência é proveitosa para todas elas, deficientes ou não. Para a criança com deficiência, o convívio estimula o seu desenvolvimento e cria parâmetros de comportamento social. Para as outras é uma forma de desenvolver o companheirismo e derrubar preconceitos advindos da falta de informação. No decorrer da vida, as crianças que conviverem com as diferenças na escola, aprenderam, desde cedo, a olhar o deficiente com mais compreensão, com mais senso de realidade.

Quanto à escola, os pais nem sempre sabem como proceder: colocar o filho em escolas regulares, mesmo havendo discriminação, ausência de metodologia apropriada, ou coloca-lo em escolas especiais onde será atendido adequadamente, mas prejudicado pelo convívio social? O bom seria que escolas regulares buscassem a formação de seu professores, tendo as escolas especiais como coadjuvantes na orientação do ensino. Bom seria que as escolas regulares incluíssem em seus projetos pedagógicos temas relacionados à inclusão, metodologias que propiciassem a observação das dificuldades, de desenvolvimento das potencialidades, dentro do ritmo próprio da criança com deficiência.

Há municípios que criam programas de inclusão, fornecendo embasamento pedagógico a todas as unidades escolares. Programas em que professores habilitados itinerantes dão apoio à escola, programas que oferecem salas de apoio e acompanhamento ao aluno. É um atendimento complementar realizado fora do horário normal da escola.

Empunhar a bandeira da inclusão leva ao amor a essas crianças e ao estímulo à sua aprendizagem.

*Supervisora de ensino aposentada.           
(Publicado em abril/2007)

EXCLUSÃO E FATOR ECONÔMICO

Izabel Sadalla Grispino *

A destruição dos valores sociais vem criando o comportamento de que “tudo vale” para se alcançar o objetivo. Abraça-se o conceito de que “ninguém presta”, de que é preciso ser mais esperto que o outro, mais “competente”, para não ser passado para trás.

Nessa conjuntura, surge o que está sendo chamado de “terceira vertente da criminalidade”. Essa vertente se diferencia da criminalidade baseada, por esse modelo econômico, nos excluídos sociais. Abrange uma terceira categoria, daqueles que crêem que ninguém presta, de que, em tese, todos são bandidos. Gera-se um comportamento de malandragem, de desconfiança generalizada, onde ninguém acredita em ninguém. A moral vai se deformando, surgindo os “deformadores morais”, que julgam ter o direito de roubar, matar: “Seu eu não fizer primeiro, o outro fará por mim”.

O indivíduo assume a postura de bandido, é bandido declarado, “tem lado”, conforme sua expressão. O pior, segundo se constata, é que, agora, o jovem bandido não é mais recriminado pelos pais, como sempre foi. Os pais, também, foram convencidos de que ninguém presta. Essa característica confirma-se pela presença considerável de pais, de familiares, de amigos, em visita aos presidiários, que lá vão para hipotecar solidariedade e, certamente, levar-lhes informações. Quando interrogados por policiais, por repórteres, se viram alguma coisa, se sabem de alguma coisa, eles se calam, ninguém viu nada, ninguém sabe nada e isso não é apenas por medo, mas por aceitar o crime. O traço assustador é que, segundo pesquisas, eles se mostram convencidos de que estão certos e que não vão mudar. A personalidade deformou-se! O caráter contamina, o crime contamina!

O que espanta é a confusão mental em que os jovens se mergulham, a incapacidade de retornar a um rumo coerente, com força para enfrentar uma realidade social cada vez mais assustadora e fora de controle. Será que nesses casos a cadeia resolve? Resolve a aplicação integral da pena em regime fechado, como querem alguns? Os adeptos dessa solução citam como fulcro do problema as brechas da legislação penal, incluindo a Lei de Execuções Penais, que a consideram benevolente, e o falho sistema prisional.

Creio que se possa pensar nesses recursos como estratégia imediata ou coadjuvante. Sou mais adepta à universalização de uma educação aprimorada, voltada para o humanismo, para a face solidária da vida. Ensinar aos jovens o respeito ao outro, o respeito aos valores éticos, respeito aos direitos e deveres do cidadão, como fala a nossa Constituição.

As verdadeiras causas do comportamento anti-social estão na raiz de uma deformada educação ou de ausência de educação. Estão na própria estrutura social, na pirâmide educacional, que deixa em suas bases uma imensa população analfabeta ou semi-analfabeta, arrastando-se, em conseqüência, para a marginalidade. Estão no desemprego, na desigualdade social. É necessário criar escolas, frentes de trabalho, quebrar os cinturões de miséria das favelas, substituí-los por núcleos de empregos, melhorar a qualidade de vida, providenciar o saneamento básico.

Felizmente, vem surgindo uma nova mentalidade, em relação à massa ociosa e que muito pode contribuir para minorar a situação. Ela vai além da compaixão, reveste-se de uma concepção pragmática, onde o lucro é parte importante. Entendem as empresas que essa ociosidade é prejudicial ao comércio, à vida produtiva do País, que, financeiramente, é conveniente preparar, habilitar os excluídos, arrebanhá-los para o setor econômico. Eles podem significar dividendos e, sob esse prisma, aproveitados. A caridade sozinha não atinge o alvo, mesmo porque num mundo competitivo é difícil o exercício da solidariedade.

O capitalismo moderno luta contra a marginalização social, envolve-se nessa luta, que não é vista como caridade cristã, mas como lucro, que advém da eficiência, da competência. O capitalismo parece estar encontrando motivação racional para o aproveitamento dos excluídos, mirando-lhes lucro.

Por essa via, a ação social, de assistência aos marginalizados, torna-se viável e um caminho que promete. O que se quer é preparar o indivíduo para que tenha domínio de seu campo de trabalho, de suas habilidades.

Esse novo conceito leva o empreendedor a dar reforços ao seu empreendimento. A empresa aplica o termo lucro, não no sentido de obter vantagem, tirar proveito, mas no sentido de lucro pela proficiência. Por esta concepção, as empresas voltam os olhos para as necessidades da sociedade, prestam contas dos lucros sociais conquistados por elas. Lucros que a sociedade confere por conta de projetos empreendidos, como apoio à educação, à saúde, às artes, à cultura em geral, ao esporte, ao lazer, especialmente, para crianças e idosos.

Empresas há que ultrapassam o critério de vínculo empregatício, alargam o conceito de cidadania e estende-o ao tempo dedicado  à  coletividade.  São  as  empresas-cidadãs que investem no benefício coletivo, sem auferir lucros financeiros, entendendo que pagam, desse modo, a sua dívida social.

Do ponto de vista econômico, essa equação atenderá os excluídos, aumentará a produção, reduzindo, quem sabe, significativamente, a desigualdade. Sempre há uma luz no fim do túnel, basta não ignorá-la e ir buscá-la. Sonhar é preciso. Acreditar que virá a reviravolta, que o mundo retornará ao seu princípio de simplicidade, mais igual, mais humano e mais próximo de Deus.

* Supervisora de ensino aposentada.     
(Publicado em outubro 2005)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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