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Artigos Educacionais

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O SENTIMENTO PATRIÓTICO

Izabel Sadalla Grispino *

Valores que despertam para a espiritualidade, na direção da moral, da ética, do cooperativismo, que despontam para a valorização e o amor à pátria, na configuração de uma terra respeitada, altaneira, batem à porta da escola e pedem para entrar. Formar o aluno nessas duas vertentes contribui para uma sociedade assentada em bases humanísticas e cívicas.

O sentimento patriótico amplia e reforça a visão de família, de luta unida em favor do bem comum. Afinal, a pátria não é mais que uma agregação de famílias, sustentadas por um tronco comum a todos. Desenvolver a noção de pátria é meio caminho andado à formação política do aluno.

Politizar o educando é um objetivo que não pode ser postergado. Levá-lo à análise do comportamento político, do conhecimento dos regimes políticos, da ética democrática, diferenciando-a da cultura autoritária, na conquista da cidadania, do convívio social,  da reivindicação dos direitos do cidadão e respeito pelos deveres a serem cumpridos, no nascimento de um povo novo. De um povo que, pela participação política, renasce, a cada dia, para a batalha da vida, para a busca de soluções aos destinos de sua terra. Politizar o aluno é dar-lhe estrutura para atuar no campo político, com vistas a uma política responsável, a uma militância consciente. Levá-lo a refletir sobre o voto e sua importância para o País. Mecanismos pedagógicos devem ser acionados, como debates, discussões, trabalhos entre os alunos, ressaltando-se temas como “O País que quero morar”, “O País que quero ter”, “O País dos meus sonhos” etc.

Presenciamos com entusiasmo o retorno aos estímulos patrióticos, com a volta, às escolas, do hasteamento da bandeira e da execução do hino nacional. Há tempos atrás, uma vez por semana, antes do início da 1.ª aula de cada período, professores e alunos hasteavam a bandeira e cantavam o hino pátrio, tentando resgatar valores de nacionalidade, de amor e compromisso para com a pátria. No fim do dia, um aluno era destacado para arriar a bandeira, dobrá-la e, com orgulho, entregá-la a um professor.

O programa governamental, de junho de 2002, denominado Mutirão da Cidadania, teve o mérito de despertar para o retorno do movimento patriótico, instituindo a volta do ato cívico mencionado.

A Secretaria da Educação, abraçando a idéia, remete à escola, em sua autonomia, a decisão de avaliar a pertinência dessa realização, que reforça a cidadania. O Secretário da Educação, Gabriel Chalita, considerou que o hino pode ser usado, também, como base para o ensino das disciplinas do programa curricular, em trabalhos interdisciplinares. Ensinar português, história, geografia e até matemática, utilizando-se do hino.

Embora a execução do hino nacional não esteja sendo obrigatório, o Ministério da Educação (MEC) lembra que pela lei 5.700, de 1.º de setembro de 1971, promulgada pelo governo Médici e mantida na Constituição de 1988, as escolas do ensino fundamental e médio são obrigadas a hastear a bandeira e a cantar o hino uma vez por semana, durante o ano letivo. Essa determinação, infelizmente, caiu no esquecimento.

À argumentação de alguns de que a instituição do hino é uma volta ao passado, ao governo militar, à lembrança desse regime, o secretário Chalita rebate, dizendo: “Para alguns pode lembrar a ditadura, mas, também, lembra as diretas-já e Ayrton Senna”.

Acima de qualquer consideração, o hino é um sentimento suprapartidário, supra-regimental, encerra em si mesmo o amor à pátria, encontra nesse amor o seu maior significado.

Somos responsáveis pelos homens públicos que colocamos no poder e acertamos bem mais quando acompanhamos suas ações, seus desempenhos, quando aprendemos a manusear as armas poderosas que as eleições nos oferecem, filtrando, peneirando o universo indesejável. A escola conseguirá formar um aluno compromissado com a pátria, se despertar o amor à terra natal desde a tenra idade, porque os bons princípios, os sentimentos, crescendo com a criança, se  desenvolvendo com ela, se firmarão e dificilmente serão abalados.

Ao mestre, reforço as reflexões, nos meus versos abaixo:

AMOR  À  PÁTRIA

Quando criança, meu coração batia
Ao ouvir o hino nacional,
As cores da bandeira eu coloria,
Sentia minha esta terra natal!

Cresci orgulhosa da terra-mãe,
Na sua grandeza me espelhava,
Queria lutar, ser-lhe filha, irmã,
O ardor patriótico me falava!

Freqüentando a escola, mais tarde,
Aprendi os três poderes constituídos,
O respeito, praticado sem alarde,
O civismo em passos instituídos.

Hoje, olho a criança, sua apatia,
Não aprende a pátria enaltecer,
É barco perdido em travessia,
Nave sem lume no alvorecer!

Tradição e valores esquecidos
Tornam pobre toda e qualquer nação,
Navio de pilares enfraquecidos
Não leva longe a tripulação.

A pátria é dos filhos a identidade,
Termômetro das condições de vida,
Querê-la pujante, em notoriedade,
Lealdade se elege, esforço se envida.

Orgulho da pátria, orgulho do lar,
Patente timbrada em nobre brasão,
Laço materno que nos clama a amar,
A nos dar as mãos, chamarmos de irmão.

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2002)

Domínio Público

DOMÍNIO PÚBLICO PARA A PROPRIEDADE INTELECTUAL

Domínio público, no Direito da Propriedade Intelectual, é o conjunto de obras culturais, de tecnologia ou de informação (livros, artigos, obras musicais, invenções e outros) de livre uso comercial, porque não submetidas a direitos patrimoniais exclusivos de alguma pessoa física ou jurídica, mas que podem ser objeto de direitos morais.

Noções Básicas

A proteção oferecida pelo  Direito de Autor  às  obras  intelectuais  e aos seus  titulares tem  uma  limitação no tempo,  justificada pela doutrina como uma   contribuição dos seus criadores à cultura dos povos.  Considera-se que a atribuição ao autor de um direito exclusivo de autorizar o uso de suas obras,  em troca da qual ele pode exigir a remuneração que  julgar  adequada,  deve  ser substituída,  após  um determinado  período  contado a partir de sua morte,  pelo direito da sociedade em geral de ter acesso à cultura. Isso  significa  que o autor e outros titulares de direitos autorais,  depois  de  beneficiados pela sociedade durante toda a vida do criador, e pelo prazo subseqüente que a lei determinar, passarão a retribuir à sociedade em geral, permitindo que se forme um acervo cultural de utilização livre e gratuita, constituído pelas obras cuja proteção se encontra esgotada.

Essas considerações explicam o uso da expressão "domínio público": uma vez esgotado o prazo de proteção, as obras deixam de pertencer ao "domínio privado" de seus titulares e passam a ser de uso de todos, da sociedade em geral, passando ao "domínio público".

As obras escritas por um único autor serão protegidas por toda sua vida e pelo período que vai até 70 anos após a sua morte, contando-se esse prazo a partir de 1º de janeiro do ano subseqüente ao do seu falecimento.

As obras de autores falecidos sem deixar sucessores e as obras de autor desconhecido pertencem ao domínio público.

– Lei n.º 9.610 de 1998: revogou a lei de 1973 aumentando o prazo de proteção para 70 (setenta anos), fluindo esse prazo a partir de janeiro do ano subsequente ao falecimento do autor. Se o autor morreu em setembro de 1999, por exemplo, o prazo passa a contar a partir de janeiro de 2.000. Em janeiro de 2071, a sua obra já estará em domínio público.

A que está valendo é essa última. A obra de Noel Rosa, por exemplo, que morreu em 1937, entrou em domínio público em janeiro deste ano.

Lei n.º 9.610 de 1998: revogou a lei de 1973 aumentando o prazo de proteção para 70 (setenta anos), fluindo esse prazo a partir de janeiro do ano subsequente ao falecimento do autor. Se o autor morreu em setembro de 1999, por exemplo, o prazo passa a contar a partir de janeiro de 2.000. Em janeiro de 2071, a sua obra já estará em domínio público.

A que está valendo é essa última. A obra de Noel Rosa, por exemplo, que morreu em 1937, entrou em domínio público em janeiro deste ano.


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MALABARISMOS DIDÁTICOS

Izabel Sadalla Grispino *

O professor, como já dissemos em outras oportunidades, é a alma do processo de aprendizagem. Devotar-lhe atenção, valorizá-lo, são luzes para a educação.

Pesquisas constatam que as notas dos estudantes caem, em até 20%, quando seu professor nunca passou por uma faculdade. Se o professor não alcança, não atinge a percepção, não consegue encontrar o caminho de uma educação de qualidade, como desenvolver no aluno a capacidade de ler e de interpretar? A leitura e a interpretação de textos são requisitos básicos para se aferir o grau de aprendizagem do aluno e suas possibilidades de adquirir conhecimento em outras matérias.

Já é chavão dizer que nesses aspectos o ensino brasileiro é decadente. Dados do Ministério da Educação mostram que essa capacidade, entre nossos alunos, vai muito mal: 91% terminam o ensino fundamental abaixo do nível adequado, não conseguindo compreender textos elementares. Faltam apenas 9% para que a porcentagem seja total! O que estamos esperando?!

Acrescente-se a esse dado um outro bastante agravante. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios – Pnad 2003 – divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o nosso País conta, aproximadamente, com 16 milhões de analfabetos (indivíduos maiores de 15 anos). Em Nova York – ano de 2000 – na maior reunião de dirigentes mundiais de todos os tempos, 191 países da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovaram as 8 Metas do Milênio, divulgadas pela campanha “8 Jeitos de Mudar o Mundo”. Dentre essas metas, “Educação básica de qualidade para todos” foi classificada em 2.º lugar, ficando abaixo, apenas,  da meta “Acabar com a fome e a miséria”.

A ONU colocou a educação como um dos mais importantes desafios da área de responsabilidade social, para se atingir as metas desejadas. A educação irá se encarregar de promover os avanços pretendidos. Os 8 Jeitos de Mudar o Mundo foram assim dispostos: 1 – Acabar com a fome e a miséria; 2 – Educação básica de qualidade para todos; 3 – Igualdade entre sexos e valorização da mulher; 4 – Reduzir a mortalidade infantil; 5 – Melhorar a saúde das gestantes; 6 – Combater a aids, a malária e outras doenças; 7 – Qualidade de vida e respeito ao meio ambiente; e 8 – Todo mundo trabalhando pelo desenvolvimento.

Percebemos o quanto a educação de um povo está intimamente relacionada às metas pretendidas. É ela  o fio condutor da qualidade de vida, em todos os setores e uma educação de qualidade requer, nas escolas, professores qualificados. O mais triste, entre nós, é que não faltam só professores bem formados, faltam, em escala crescente, simplesmente professores para preencher os quadros existentes.

Recentemente, lemos nos jornais que o Ministério da Educação (MEC) busca profissionais dispostos a dar aulas em escolas públicas de ensino médio, para suprir um déficit considerável. Lançará uma convocação nacional para contratar professores nos Estados, especialmente, das disciplinas de matemática, física, química e biologia. Espera encontrar professores aposentados, ou que dão aulas em escolas particulares e mesmo profissionais de áreas afins, como economia ou agronomia, que se interessem em assumir as salas de aula.

Nos Estados do Nordeste, a situação é crítica. Falta de professores, atraso de salários e falta de equipamentos vêm impedindo o aumento das redes escolares. Contudo, a ausência de professores é um problema em todo o País, dizem os representantes do MEC. Uma projeção feita pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas em Educação (Inep) aponta que, em curto prazo, o déficit de professores pode chegar a 250 mil. O cálculo foi feito com base no número de turmas de licenciatura existente no País, a quantidade de formados nos últimos 12 anos e a expectativa de conclusão nesses cursos até 2010. Em algumas disciplinas, como física e química, a situação é pior, com a previsão de que seja formado apenas um terço dos professores necessários.

Chegamos num ponto em que, ao invés de lutar pelo aperfeiçoamento pedagógico dos professores, temos que lançar mão de profissionais sem o devido preparo para o magistério! O remendo continua persistindo! Pretende o Ministério da Educação (MEC) que “os Estados comecem a chamar pessoas que podem estar interessadas em trabalhar como professores, mesmo que não tenham a formação totalmente adequada. A preferência inicial será dada àqueles que têm os cursos de licenciatura, que não estão na rede pública, mas têm interesse”.

Em seguida, serão chamados matemáticos, físicos, biólogos e outros que têm o bacharelado na área, mas não a licenciatura. As outras alternativas são formandos em licenciatura e pessoas graduadas em áreas que incluem as disciplinas em que faltam professores.

Diante do quadro exposto, não há tanto que se espantar com o noticiário de jornais do resultado do último vestibular da Fuvest. Candidatos que apresentaram redações pré-fabricadas, ostentando referências a teóricos, a fatos históricos importantes, em bom português, mas, absolutamente, fora do tema proposto. São redações-modelo que os candidatos levam preparadas, mas sem nenhuma ligação com o tema pedido.

A impressão que fica é que os alunos foram treinados para camuflar, com estilo e erudição e não preparados para argumentar, desenvolver o raciocínio, o espírito crítico, a observação. Continuam no método tradicional da memorização. Alunos que não se atêm ao hábito da leitura, da redação, da interpretação.

Num País onde professores usam de malabarismos para fazer valer suas aulas, o que esperar dos seus alunos?!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2005)

O ALUNO EMPREENDEDOR

Izabel Sadalla Grispino *

Mudanças no mercado de trabalho, no vínculo empregatício referente a empregos convencionais, têm chamado a atenção de educadores, trazendo inovações, novas ponderações às universidades.

O educando continua sendo influenciado por sua família ou pela escola, pela falsa idéia de segurança, de status que o vínculo empregatício possa lhe assegurar, com um bom salário no fim do mês. Esta influência pode vir carregada, inclusive, de insatisfação pessoal, principalmente, quando valoriza uma relativa segurança, em prejuízo da verdadeira tendência profissional.

A família persiste no modelo do emprego convencional e a escola se retrai na orientação da livre iniciativa, não estimula o desenvolvimento, no estudante, do espírito empreendedor. Esta realidade foi constatada numa pesquisa em que se perguntou a um grupo de alunos, egresso do curso de graduação de uma renomada escola de administração do País, quais eram seus planos, suas ambições. 90% responderam que era conseguir um bom emprego numa grande empresa. Poucos alunos responderam que seu interesse estava em criar seu próprio negócio, no curto ou médio prazo.

Na verdade, não há estímulo para o aluno se desenvolver em trabalho por conta própria.  O  que chama a atenção é o fato de o mercado de trabalho ter mudado e a escola não ter se alertado para o seu papel de criar alternativas, que vão em direção oposta do convencional. É preciso acordar o aluno para a iniciativa pessoal e não só prepará-lo para ser empregado. Prepará-lo para enfrentar os desafios das mudanças do trabalho, estimular o desenvolvimento do espírito empreendedor, especialmente nos cursos de administração de empresas. Estimular no educando o espírito independente, conforme a época vem pedindo.

Universidades estrangeiras têm substituído o curso de administração geral pelo curso de administração empresarial, como a Universidade de Harward, dos Estados Unidos. A universidade processou a mudança depois de verificar que, em 1999, mais de 25% das matérias facultativas escolhidas pelos alunos eram do departamento de empreendimentos, que há 20 anos mantinha duas classes. A universidade não deixou de preparar executivos para a IBM, General Motors, Ford e outras grandes corporações, mas passou a preparar um número crescente de alunos, interessados em trabalhar em médias e pequenas empresas, onde as habilidades e conhecimentos necessários são diferentes. Ela encara o aluno como um produto que oferece ao mercado, a um mercado que não pede o mesmo produto de décadas atrás.

A escola precisa trabalhar e preparar para a diversidade, numa busca permanente de perguntas e respostas, ajustadas ao trabalho. No mundo todo, como em nosso País, as médias e pequenas empresas, os empreendedores, aumentam a cada ano, de modo considerável, e pedem um profissional mais ágil, mais ajustado à rapidez do mercado, menos preso às receitas e manuais de administração tradicional.

Os empresários estão apostando nessa nova tendência do mercado e praticamente anulando escolas tradicionais, que continuam na base da administração geral, baseada em fluxogramas, organogramas O&M. Escolas pouco antenadas ao comércio e que não se deram conta que cliente e mercado estão mudando a cada dia.

Especialistas do assunto destacam pontos importantes para serem considerados pela escola, quais sejam:

– “Educação e desenvolvimento são processos permanentes.

– Eles não terminam com o diploma ou formatura no final do período letivo. Também não se limitam às ativi-

dades em sala de aula ou presença de um professor.

– É preciso que se entenda que ninguém desenvolve ninguém. O processo é interior e o aprendizado decor-

re das disposições das pessoas em aprender. E se aprende tanto através da observação, da leitura,  dia-

logo, reflexão e tantas outras formas que aguçam nossos sentidos...”

Esses conceitos representam consciência de situação. Escolas e famílias devem se libertar da falsa idéia de segurança e status do vínculo empregatício. Devem encarar a modernidade, que vem pedindo uma nova linha de trabalho, desembocando no empreendedorismo, na necessidade de se formar um aluno empreendedor. Um aluno hábil em tomar iniciativas, em encontrar soluções práticas e rápidas para os problemas que possam surgir.

O desenvolvimento social muda a face da escola. As mudanças que ocorrem no seio da sociedade, no mercado de trabalho penetram o recinto escolar, força uma atualização na correspondência de respostas às necessidades do momento. Traz, entre outros, o desafio de inclusão social de jovens no trabalho, dentro do modelo de desenvolvimento econômico do País. A ascensão social está muito ligada à predisposição do indivíduo, ao seu potencial criador. A escola precisa agir como um leque, formar recursos humanos, mão-de-obra qualificada, tendo em vista as necessidades amplas do mercado, das empresas, da sua produtividade e das tendências profissionais do educando. Acionar metodologias diferenciadas para encarar a renovação, a mobilidade social requerida pela época.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2004)

BRASIL ALFABETIZADO

Izabel Sadalla Grispino *

O governo federal lançou em 8 de setembro do corrente ano, no Palácio do Planalto, o Programa Brasil Alfabetizado. Para se assegurar da viabilidade do programa, fechou convênios com prefeituras, organizações não-governamentais e universidades, que garantem a alfabetização de cerca de 1 milhão de jovens e adultos. O ministro da Educação, Cristovam Buarque, também assinou documentos com entidades representativas de universidades públicas e particulares para que elas se comprometam a estimular seus alunos a serem alfabetizadores, dando, inclusive, créditos em disciplinas para esses alunos. Segundo o ministro, o estudante que é um alfabetizador será um melhor profissional.

Não haverá uma metodologia única de ensino. O método será escolhido pelo educador, porém, o governo dará uma orientação para os cursos de alfabetização, 200 horas/aula, divididas em 10 horas semanais, ou 6 meses de cursos. Espera-se que os jovens e adultos, acima de 15 anos, sejam alfabetizados em cursos de 6 a 8 meses. Confederações nacionais da indústria, comércio e agricultura também se comprometeram a alfabetizar funcionários de seus filiados e adotar processos de seleção para a contratação e dar preferência a candidatos que tiverem o certificado de alfabetização do MEC.

É um movimento pioneiro, uma alfabetização em massa, de alcance educacional um tanto precário, onde surgirão inevitavelmente analfabetos funcionais, mas que não deixa de ser um primeiro passo para os que nunca freqüentaram uma escola. Alfabetizar uma criança é bem mais delicado, requer um professor bem formado, conhecedor de métodos de alfabetização, das etapas do desenvolvimento infantil, das especificidades que cada ano de idade da criança requer, quando então se parte do concreto caminhando para o abstrato. Alfabetizar a criança exige competência técnica aprimorada. Alfabetizar o adulto é processo mais simplificado. O adulto já atingiu a etapa final do seu desenvolvimento mental, sem ter tido, contudo, as estimulações precoces da educação infantil. Ao adulto, o importante é ajustar o conhecimento ao perfil e ao ritmo do aluno a ser alfabetizado. O objetivo é ensinar a ler e a escrever e não ministrar educação integral, pouco se envolvendo em atitudes e comportamentos.

Pesquisas têm demonstrado que apenas 29% da população brasileira possuem um bom nível de alfabetização. O déficit educacional do brasileiro é grande, cerca de 60% da população não teve 8 anos de estudo. As pesquisas mostram que em apenas 19 municípios brasileiros a população possui um índice que corresponde às 8 séries do ensino fundamental. Em outros 1.796 municípios do País a escolarização média da população é inferior a 4 séries concluídas, não atingindo o término do 1.º ciclo do ensino fundamental.

Os estudos revelam a existência de uma forte correlação entre o grau de instrução e a taxa de analfabetismo. Em Niterói (RJ), cuja população possui o maior número médio de séries concluídas do País, de 9,5 anos, a taxa de analfabetismo é de 3,6%. No outro extremo está a cidade de Guaribas (PI), na qual a população tem, em  média, apenas 1,1 série concluída. No município, a taxa de analfabetismo é de 59% e o analfabetismo funcional alcança quase 93% da população.

As diferenças regionais evidenciam-se quando se leva em conta o grau de instrução da população. Todos os 10 municípios com melhores indicadores estão nas regiões Sul e Sudeste e as 10 cidades com o menor número médio de séries concluídas estão nas regiões Norte e Nordeste. O País continua marcado pela desigualdade. Os índices de analfabetismo em famílias com renda acima de 10 salários mínimos chega a ser 20 vezes menor dos que ganham 1 salário mínimo.

Um outro agravante no País é o número cada vez maior de analfabetos funcionais. A pesquisa Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (Inaf), da Fundação Paulo Montenegro/Ibope e Ação Educativa, revela que 67% dos brasileiros são analfabetos funcionais. Temos, é verdade, avançado na alfabetização absoluta, com 97% das crianças na escola, mas o analfabetismo funcional continua crescendo. A escola vem oferecendo aos alunos um ensino de tão baixa qualidade que eles não sabem como usar na, vida real, o pouco que aprenderam. Isso indica dupla preocupação: com os 20 milhões de analfabetos absolutos, que nunca freqüentaram uma escola, e com os que, apesar de saberem ler e escrever, são analfabetos funcionais, incapazes de entender um texto simples. A leitura é truncada, lenta e cansativa. Não conseguem escrever sobre o que leram. Estão em total desvantagem na educação. Eles são reflexos de uma escola decadente, que reflete um atraso acumulado dos últimos 30 anos. Uma escola que alfabetiza, mas não se preocupou em estimular a leitura e para uma boa alfabetização a leitura é indispensável. A leitura fortalece o conhecimento, amplia a visão de mundo.

Pelo exposto, percebemos o quanto a sociedade deve ser mobilizada, conscientizada, para o nosso falido sistema educacional, que marca um forte retrocesso nas condições sociais do País. A lacuna entre trabalhadores e inclusão no mercado de trabalho se faz sentir fortemente. Como, por exemplo, a indústria poderá conviver com o funcionário analfabeto diante de um mecanismo robotizado?

* Supervisora de ensino aposentada.             
(Publicado em outubro/2003)

SISTEMA ÚNICO DA EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Inúmeras propostas de sugestões de mudança infiltram-se na área da educação. O ministro Cristovam Buarque tem se revelado um profissional irrequieto, inconformado com o decadente ensino oficial brasileiro.

Por vezes, assusta-nos pela quantidade de inovações lançadas, como reformulações no Exame Nacional de Cursos, o Provão, no Exame Vestibular, no Exame Nacional do Ensino Médio, com realização anual, na Universalização do Ensino Médio, seguido do acréscimo de um quarto ano, opcional para o aluno, ou alfabetizar todo mundo.

Tantas e complexas propostas, muitas de difícil concretização, chamam, contudo, a atenção e colocam na pauta de discussões a causa da educação oficial, que no Brasil beira à raia da falência. As freqüentes considerações de mudança podem despertar consciências, movimentar opiniões, transformar-se em assunto prioritário, criar um fortalecimento político em torno da falência da escola pública. Cria-se, também, a expectativa de se formar uma escola preparada para lidar com o problema crucial da dificuldade de aprender.

Como uma de suas últimas propostas, o ministro da Educação, Cristovam Buarque, fala da criação de um sistema único da educação, inspirado nos Sistemas Únicos da Saúde (SUS) e da Segurança Pública (Susp). Essa nova forma de organização teria a participação da União, Estados e municípios, também de sindicatos e organizações não-governamentais (ONGs).

As sugestões do ministro foram bem acolhidas por Estados e municípios, que apoiam em compor com o governo federal o sugerido sistema integrado de educação. Aliás, a Constituição Federal, no seu artigo 211, define como a União, Estados, Distrito Federal e municípios organizarão em regime de colaboração seus sistemas de ensino.

O ministro Cristovam Buarque propõe, ainda, um grande projeto, que chamou de sistema solidário de educação, visando melhorar a qualidade da formação do profissional da educação. Fazem parte desse projeto quatro propostas: instituir um piso salarial para o professor e implantar a avaliação permanente do seu trabalho; garantia de vaga a todas as crianças a partir de 4 anos; ensino médio obrigatório; quatro anos de ensino médio, sendo um deles profissionalizante.

É patente a louvável intenção do ministro de criar uma mobilização, envolvendo governo, sociedade, sobre o sério problema que o Brasil enfrenta na área do ensino público.

Terá ele condições de viabilizar a contento tantas iniciativas? Estruturas deficitárias, falta de verba, falta de professores, vão requerer muita criatividade e objetividade, para uma real operacionalização dessas propostas.

 

15 DE OUTUBRO, DIA DO PROFESSOR

Antecipando-me ao 15 de Outubro, Dia do Professor, não posso deixar de render minha homenagem ao professor. Irmano-me à causa do ensino, à luta por melhores condições de trabalho e, particularmente, por melhores salários. Que a Nação passe a compreender que sem professor não há ensino e sem ensino não há pátria altaneira. Que haja uma consciência nacional sobre a função insubstituível do professor para a sociedade e para a vida como um todo.

A você, professor, com carinho e respeito, meus versos abaixo:

AO  PROFESSOR

Querido professor,
Não desanime, vá avante,
Da humanidade é luz do esplendor,
É sol que brilha em terra exuberante,
Estrada iluminada,
Luzeiro de escuras madrugadas!

Sem você, a sociedade esmorece,
A criança perde seu futuro,
Você é, de todos, a mais bela prece,
O sonho que surge prematuro,
A fé que a esperança carece,
O brilho que nunca desaparece.

Embora pouco reconhecido,
E, pouco prestígio alcança,
Com Jesus é parecido;
Seu devotamento, transpassado de lança,
Tem como maior recompensa
A luta, para que seu aluno vença.

Assemelha-se ao pesado arado,
Que remove a terra, prepara o plantio,
Joga-se o grão adubado,
Que vencerá o inverno e o estio,
Com a chuva, a colheita é abundante,
A terra sorri em seu veludo verdejante!

Você, professor, vai além,
Prepara, aduba, planta, conquista,
Trata da semente como ninguém,
Da mente e da alma é um especialista;
Você é o amanhã de suave brisa,
O construtor, que a sociedade mobiliza ou paralisa!


* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2003)

AVALIAÇÃO ESCOLAR EM SUA MICROVISÃO

Izabel Sadalla Grispino *

O Ministério da Educação (MEC), em sua macrovisão do sistema de ensino, parece ter acordado para a análise, in loco, da base da pirâmide educacional. Quer ir às origens e levar às escolas uma visão específica, a cada uma delas, dos resultados das avaliações, pelo sistema processados, na mensuração do aproveitamento escolar dos alunos.

O MEC percebeu que avaliações à distância pouco efeito produzem a quem está defronte aos alunos, ministrando o saber. Percebeu que a avaliação só tem real sentido quando examinada e acompanhada por parâmetros que definem os resultados próximos do aluno, próximos de quem ensina, mediante a realidade da sala de aula.

Sabemos que a frente de batalha fica na sala de aula. É aí que as transformações se processam. As avaliações facilitam as comparações, facilitam as cobranças dos resultados negativos. Chegando à escola, elas indicam sua posição colocada em um ranking. Elas devem vir acompanhadas de um relatório pedagógico, expondo as reais dificuldades de aprendizagem dos alunos, dando ao professor condições de identificar claramente os critérios pelos quais seus alunos estão sendo avaliados.

O professor, o elemento primordial de todo processo educativo, precisa, ele também, se identificar com a avaliação, para refletir melhor sobre sua prática pedagógica e ter condições de estabelecer metas de desempenho dos alunos.

A avaliação e seus resultados, enviados à escola, na forma de um relatório pedagógico, indicará os pontos em que a escola deve se concentrar para melhorar o ensino. Ela terá em mãos matrizes para serem discutidas e aperfeiçoadas por seus professores, sujeitando sempre a sua autonomia na construção de seu próprio projeto pedagógico.

A partir de então, o Ministério vai começar utilizar os resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) para fazer um índice nacional por município e Estado e atacar o problema escola a escola. Vai levar em conta os resultados da avaliação da Prova Brasil e utilizar-se dos dados de repetência e evasão escolar.

Apoiado nesses índices, o MEC quer ver onde estão os pontos fracos e, usando as notas da Prova Brasil, traçar metas para prefeituras e governos. Quer ter metas regionais e uma nacional. Cada meta, para a 4.ª série, 8.ª série e 3.º ano, vai significar o que os alunos daquele nível deveriam saber de português e matemática.

As notas do Saeb ou Prova Brasil vão de 100 – o mínimo que o aluno de 4.ª série deve saber – a 500, o máximo que um estudante aprenderia até o fim do ensino médio. O MEC, porém, não define o que seria ideal para cada série. Só irá apresentar as metas no momento em que puder apresentar as ações para que sejam atingidas.

Desse modo, os municípios irão assumir responsabilidades pela melhoria na qualidade de ensino. A vigilância pelo MEC será, assim, maior, mesmo porque com a aprovação do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) o governo federal deve repassar verbas para Estados e municípios.

Creio que será um caminho se vier acompanhado de uma assessoria ao professor, em termos de educação continuada.

*Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2007)

TECNOLOGIA AVANÇADA NA PROTEÇÃO DAS ESCOLAS

Izabel Sadalla Grispino *

Ainda, sob o prisma da delinqüência juvenil, abordada nos dois artigos anteriores, há um outro aspecto revelador do comportamento atual da juventude: o aumento do número de jovens de classe média, resvalando, inclusive, para a classe média alta, que pratica infração, principalmente, contra o patrimônio. Esse dado foi evidenciado pelo estudo “O Adolescente na Criminalidade Urbana de São Paulo”, feito pelo Núcleo de Estudos da Violência (NEV), da Universidade de São Paulo, realizado em fins de julho do ano 2000.

O promotor da Infância e da Juventude, Wilson Tafner, constatou que as causas do comportamento desses jovens são o uso de drogas, o consumismo e a desestruturação familiar. São jovens com escolaridade média – ensino fundamental ou médio – financeiramente bem situados e que se infiltram na delinqüência praticando crimes graves. “Antes eles apareciam por dirigir sem habilitação e, agora, como autores de agressão”, disse o coordenador do estudo realizado pelo NEV, Sérgio Adorno.

O estudo apurou, ainda, que é cada vez maior o número de adolescentes que atua em bandos, dificilmente isolados e o pior é que são recrutados por adultos para atividades criminosas. O estudo do NEV ajuda a derrubar a tese de que o menor infrator é de rua. A maioria tem família e boa parte mora em casa própria, diz o procurador Antonio José Leite

O estudo do NEV levantou dados sobre menores infratores com idades entre 12 e 18 anos e mostrou que vem diminuindo, entre eles, o número de analfabetos e aumentando o número com escolaridade média. Essa pesquisa traz à tona a reflexão sobre a necessidade de se concretizar a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos.

Sobre o aspecto violência, vejamos uma experiência específica, relacionada à escola. Em meados de 1998, houve no Anhembi, em São Paulo, o “Congresso Educador 98”. Dele participou, como palestrante, o professor Peter Lucas, PhD em Educação, da Universidade de Nova York. É autor de uma pesquisa sobre “Segurança e Redução da Violência Escolar” em uma das mais conturbadas instituições de Nova York – a Bushaack – no bairro do Brooklyn, onde estudam exclusivamente afro e hispano-americanos. É, também, coordenador de pesquisa similar em outras dez escolas.

Iniciou a palestra constatando que projetos para reduzir a violência nas escolas envolvem altas somas em dinheiro e são baseados em tecnologia: detectores de metais, alarmes, contratação de guardas de segurança e outros. “O investimento em segurança é uma bola de neve, faz-se necessário financiar a modernização dos equipamentos e a permanente capacitação dos seguranças. Hoje, existem mais guardas nas escolas de ensino médio (high school) nova-iorquinas do que em toda a cidade de Boston”.

Há uma cultura de violência que acaba interferindo no processo educacional. Sob tensão é difícil haver aprendizagem. A proposta de se avançar na prevenção à violência, com mecanismos de segurança, o que tudo indica, não tem volta, diz Peter Lucas. Contudo, a violência, especialmente nas escolas, precisa ser discutida, trabalhada com os alunos, conscientizada e não simplesmente combatida. O que se verifica é que a opção pela tecnologia, para combater a violência, afastou os professores do cotidiano dos alunos, especialmente das atividades feitas fora de classe, que passaram a se concentrar apenas no conteúdo pedagógico. O professor acabou por desvincular-se do aluno, não conhece sua família e não sabe como ele vive.

É muito importante, frisou ele, no combate à violência escolar, o estreitamento das relações professor-aluno e, no caso do Brasil, a formação de escolas pequenas. A escola precisa educar para a contra violência, aproximar-se da comunidade, caminhar na direção da conscientização, porque os índices de violência continuam crescendo, apesar dos modernos equipamentos instalados nas portas das escolas e, também, no seu interior. Faz-se necessária uma interação entre escola e família, entre escola e comunidade.

Esse postulado vem de encontro às orientações emanadas pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), quando fala na elaboração de currículos flexíveis, diversificados, adaptados à comunidade; currículos que se aproximem da vida dos alunos, que trabalhem o seu cotidiano, que reflitam a sua realidade. Essa aproximação ajuda no entendimento do comportamento anti-social e na busca conjunta de soluções. É a escola exercendo seu papel de agente ativo de prevenção.

Meditem comigo, nesse meu soneto:

A TRANSFORMAÇÃO DA ESCOLA

A escola onipotente, soberana,
Distanciada da comunidade,
Com sua linha autoritária, espartana,
Deitou pra morrer, caiu em fragilidade.

A escola, hoje, abriu suas portas,
Conjugou saber culto e popular,
À sociedade emite respostas,
Ao cotidiano visa postular.

Desceu do seu régio pedestal,
Se aproximou do aluno, da família,
Vivendo a realidade social.

Papel transformador da sociedade,
Função de aperfeiçoar, ser solidária,
A escola aposta na criatividade.

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2001)

AO JORNAL “PRIMEIRA PÁGINA”, O GRANDE SEMEADOR DE IDÉIAS

Izabel Sadalla Grispino *

Através do jornal “Primeira Página”, deste valioso instrumento de comunicação que São Carlos aprendeu a admirar pelo alto profissionalismo, venho, há vários meses, publicando, semanalmente, artigos de fundo educacional. Este jornal amigo proporcionou-me a oportunidade de contatar-me com a sociedade são-carlense, levando conhecimento, em temas educacionais, culturais, sociais, religiosos e outros. Neste ano que se finda, propus-me a registrar os principais passos da reforma do ensino, na implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e a realidade educacional do ensino vigente.

Encontrei neste jornal, com afável acolhida, um livro aberto, de folhas em branco, para serem preenchidas, tendo em vista ilustrar a comunidade, nos mais variados assuntos. Inúmeros conceitos nele passei, ressaltando a idéia de que o bom professor faz a diferença do ensino e de que ele é capaz de compensar a falta de estruturas. Passei a idéia de que a formação, a dedicação e o salário do professor são alguns dos fatores que mais interferem no ensino e de que, sem um ensino de qualidade, jamais resolveremos a questão das desigualdades sociais. Ressaltei a necessidade de cursos de reciclagem para o professor, que, de um modo geral, não está absorvendo as Diretrizes Curriculares e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), emanados pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). O professorado não está conseguindo ensinar os alunos dentro desses novos referenciais, que abargam, principalmente, a interdisciplinaridade e a contextualização, isto é, a aproximação do conteúdo ensinado com o cotidiano do aluno.

A escola não vem acompanhando as mudanças e tem demonstrado de que os fatores que favorecem o desempenho dos alunos estão mais relacionados ao dia-a-dia da escola do que com as diretrizes elaboradas pelo MEC. Daí a importância de se dar mais atenção ao professor, dar-lhe suporte profissional, porque ele é, sem dúvida, a mola-mestra, não só do progresso, mas da eqüidade social.

Neste novo ano que se inicia, continuarei, com o apoio do jornal “Primeira Página” e com a proteção de Deus, a analisar situações de ensino, lutando para que a luz educacional prevaleça e clareie a consciência nacional de sua importância, lutando para que a vontade política se manifeste com mais verbas para a educação, cuidando melhor de nossos professores.

O jornal merece nossa reverência, porque ele é uma escola aberta, o mestre maior que bate à nossa porta para introduzir conhecimentos, para formar, de modo responsável, mente e corações. Em São Carlos, já vem se tornando habitual, nos festejos de fim de ano, saudar o jornal “Primeira Página”, nas pessoas de seus digníssimos diretores e de todos os seus funcionários, que, com brilho e persistente idealismo, angariam, cada vez mais, a confiança da população.  O jornal “Primeira Página” cresce com São Carlos, coloca-se na vanguarda jornalística. Muita saúde, muito vigor, aos seus dirigentes, para que possam continuar a receber as alegrias de seu jornalismo imparcial, competente, que  vem se tornando marca consagrada. Pessoas que lutam por ideais salvaguardam a humanidade. Onde há uma vontade, há um caminho. Parabéns!

Formulo votos de um feliz Ano Novo a toda população de São Carlos. Que Deus lhe dê um ano de paz, de amor, de prosperidade. Quero também agradecer aos meus leitores pela atenção, pelas manifestações de apreço, a mim formuladas, durante a publicação dos artigos.

A todos vocês, queridos leitores,/ Que esse dois mil e um lhes seja risonho,/ Caminhos abertos, muitos amores,/ Que se realize seu mais lindo sonho.

* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em dezembro/2000)

ACERTANDO OS PASSOS COM A MODERNIDADE

Izabel Sadalla Grispino *

As atividades humanas apresentam, desde os primórdios da civilização, com variações de intervalos cíclicos, comportamentos mais ou menos padronizados, que refletem seu “modus vivendi”.

Cada nova ordem social, promotora de mudanças, impulsiona a novos procedimentos, imprime seu cunho, a sua marca conceitual e metodológica de realização.

Já vai longe o tempo em que era possível desenvolver trabalho artesanal, unitário. Hoje, ainda, existe, sobretudo como idealismo, “hobby” ou lazer, ou como produto de civilizações mais primitivas ou de pequenas corporações.

Na contemporaneidade não há, praticamente, lugar para o trabalho individual. O grau de complexidade a que chegou o fazer humano passou a exigir, num mesmo segmento, diferentes formas do saber, incluindo, aí, o aproveitamento das vocações despertadas.

Presentemente, constatamos, nos mais diversos setores da sociedade, a incorporação de atitudes na linha da “parceria” “co-gestão”, “co-autoria”, “interação”, envolvendo “relações interpessoais”, “trabalho em equipe”.

O setor escolar, também, redefine posições. O trabalho individual cedeu espaço ao trabalho conjugado, cada vez mais explorado. Cooperam-se mutuamente: direção, professor, aluno e comunidade. O professor mantém com seu colega uma interligação horizontal – troca de experiências, conteúdos afins, adoção de critérios e linguagens comuns – e vertical – graduação seqüencial do conteúdo, no entendimento de que “o hoje não existe sem o ontem, o amanhã é o resultado do hoje”.

É uma realidade no cenário educacional a interdisciplinaridade, a contextualização, o construtivismo, a formação integral do aluno, através de uma educação democrática, libertadora, essencialmente crítica – a crítica da ciência faz parte da ciência. Ontem, falávamos em “transmissão do conhecimento”, supondo um aluno passivo, depositário. Hoje, falamos em “construção do conhecimento”, supondo um aluno ativo, criativo. Fazemos um corte no modelo tradicional, onde tudo vem pronto.

O planejamento maior do ensino converge para o binômio professor-aluno; o objetivo maior do ensino é o aluno. Para atingi-lo, a escola precisa estar em consonância com a realidade que a cerca. Entrosar-se com esta realidade e trazê-la para o interior da escola são passos importantes para desenvolver, com êxito, seu projeto educacional. Entra num sistema de parceria com a comunidade, mantendo com ela uma troca permanente. A comunidade participa da vida da escola e a escola, da vida da comunidade, procurando ajustar-se uma à outra. A comunidade empresta o seu saber e a sua língua populares e a escola os absorve e os transforma em saber erudito e em língua culta. A escola procura interpretar os valores, os anseios da comunidade e dar-lhe respostas favoráveis.

Cria-se um intercâmbio, onde a organização da escola, as normas educacionais resultam da parceria de regras, estabelecendo-se uma co-gestão.

Várias são as possibilidades de participação. A escola, ao lado da participação intrínseca – características de vida, de conduta, condições socioeconômicas – há a extrínseca: as comemorações cívicas ou sociais, eventos preestabelecidos, apresentações em acontecimentos de importância – e da comunidade para a escola, em datas oficiais – plano escolar, reuniões de pais e mestres, reuniões do Conselho de série/classe, eventual formação de colegiado. Participa, ainda, de exposições, encontros literários, artísticos, campanhas, das já tradicionais festas juninas, mutirões... numa conceituação bem diferente daquela em que, praticamente, só se chamava o pai para reclamar do filho, por alguma falta cometida.

Hoje, procura-se conscientizá-lo de todo procedimento utilizado, buscando-se uma mútua interação. Profissionais credenciados da comunidade são convidados a participar diretamente do ensino, em sala de aula, dando noções de culinária, de carpintaria, de dança, de balé...

O ensino nas escolas, visando uma aprendizagem efetiva, uma diminuição da repetência e da evasão, não pode criar uma cultura própria, transformando a sala de aula numa estrutura dissociada da vida comunitária, por conseguinte, da vida do aluno.

Estamos voltando às origens, à famosa barganha do início da humanidade, perpetuando a sabedoria da solidariedade, da cooperação, para a sobrevivência das instituições e do próprio indivíduo.

A parceria propicia o exercício da cidadania, abre a escola para a crítica, permitindo participação consciente, tomada de decisão co-responsável, maior engajamento de todos. Culmina com uma participação ativa e não meramente simbólica, como, por exemplo, dos pais. A tendência atual é canalizar a sociedade civil para uma grande participação na educação.

Entre os professores, a parceria manifesta-se por uma co-autoria no levantamento de prioridades, de objetivos educacionais, de conteúdos afins, de metodologias, de estratégias, do sistema de avaliação e tantos outros itens correlatos, pertinentes ao planejamento de ensino. Trocam experiências e idéias que repercutem na identidade profissional do ensino.

* Supervisora de ensino aposentada.          
(Publicado em agosto/2005)

INDICADORES DE UMA BOA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Algumas características se ressaltam na constituição de uma escola e deixam aspectos que a representam.

Se ao entrarmos numa escola de Educação Infantil depararmos com paredes pintadas e decoradas, trabalhos de crianças expostos em murais, alguma desordem ordenada, muita conversa, risos, temos bons indicadores da vida escolar. Se nos depararmos, afixadas em quadro, datas marcadas de reuniões de estudo, de projetos programados, de avaliação da aprendizagem, passamos a confiar mais no seu processo pedagógico, na sua metodologia, na formação de seus docentes.

Se a escola é grande, sabemos que o número de amizades é maior, mas a criança corre o risco de ser apenas mais uma dentre as demais. Uma escola menor, geralmente, propicia uma identidade maior com os alunos, uma aproximação maior entre professor e aluno, um acompanhamento maior da evolução do aluno. Se bem que isso pode ser controlado pelo número de alunos que a escola põe em sala de aula, pelo número de aulas que se atribui ao professor.

Um outro indicador da postura da escola é a maneira como ela se relaciona com os jovens, no ensino fundamental e médio. Hoje, os jovens, em determinados aspectos, são mais revolucionários, mais articulados, querem se infiltrar no seu tempo, envolver-se com o mundo globalizado, manifestar-se, expressar sua participação. A expressão da cultura jovem tem aflorado a preocupação das escolas, que vêm oferecendo oportunidades a que talentos apareçam e esta abertura de espaços para os jovens tem chamado a atenção dos pais.

A escola na individualidade valoriza a diversidade, valorizando, acima de tudo, a potencialidade. Uma escola de ensino fundamental e médio que deixa espaço para os jovens desenvolverem suas aptidões artísticas, para criar projetos juvenis, mostra sua face atualizada.

Não se pode ver os jovens como sendo todos iguais. Diferenciam-se em gostos, em atitudes, em modos de vestir, pentear-se. São várias identidades, mas que se entendem, se comunicam, numa linguagem universal. Brasil, Estados Unidos, França, Alemanha têm culturas diferentes, mas, dentro das suas especificidades, há o encontro global do entendimento jovem.

Esse espaço cultural, criado pela escola, serve não só para a criação de trabalhos, de projetos, de atividades, mas, também, para que os jovens se aproximem, se dialoguem, desenvolvam a capacidade de convivência humana, de troca, na meditação da realidade em que vivem. Desenvolvem meios de participar mais dessa realidade, participar mais da comunidade.

Um outro aspecto indicador de modernidade são as práticas esportivas, os exercícios físicos, Hoje, as crianças são muito apegadas à tecnologia, não se desgrudam da TV, computador, videogame. A violência barra os jovens das saudáveis brincadeiras de rua. A escola, colaborando com esses jovens, oferece espaço de lazer, de variedade de jogos à escolha dos alunos. Estes escolhem os que lhes dão mais prazer. Dizem os fisiologistas que as habilidades e as aptidões surgem espontaneamente, que não se deve pressionar.

Praticando esporte, os alunos melhoram a auto-estima, o humor e a autoconfiança, a socialização, alicerçando a personalidade. As perdas e os ganhos nos jogos ajudam o indivíduo a lidar melhor com as frustrações. Incentivar as crianças e os jovens a praticar esportes é salutar, mas querer que sejam um campeão é prejudicial. Nesse caso, a criança ou o jovem sente-se investido de uma responsabilidade negativa.

As aulas de educação física têm papel importante na formação de valores. Trabalha conceitos sobre regras, disciplina, espírito de equipe e competitividade amigável. A escola mostra indicadores esportivos quando, desde o jardim da infância, lança a sementinha durante as brincadeiras e atividades lúdicas. As crianças aprendem a respeitar o colega, a desenvolver o senso crítico, a conviver com as regras e ampliam suas experiências. De acordo com a idade, a escola vai colocando desafios progressivos para a criança e à medida que os supera vai ganhando autoconfiança. Na prática esportiva há a preocupação com a formação integral das crianças e dos adolescentes, tendo em mira a receita de dosar as atividades.

A escola, ao desenvolver aptidões, ao descobrir potencialidades juvenis, abrindo espaços entre os períodos regulares de aula, absorve o jovem em comportamentos prazerosos e saudáveis. Afasta-o da ociosidade e de más companhias. Recente pesquisa da Secretaria Nacional Antidrogas, em 2005, mostrou que os jovens vêm consumindo, cada vez mais, drogas ilícitas. Revela que aos 12 anos de idade, quase 13% dos estudantes brasileiros já usaram algum tipo de droga, sendo o álcool a mais usada.

Indo atrás da potencialidade do aluno, criando espaço de realização de suas aptidões, a escola está trabalhando a droga em sua prevenção, colaborando com os pais, na boa formação dos filhos, e com a sociedade.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2006)

JOVENS NA ROTA DA REALIZAÇÃO PROFISSIONAL

Izabel Sadalla Grispino *

As universidades não se ajustam ao mercado de trabalho, pouco se atualizam, estão presas a métodos de ensino superados, à tradicional escola do passado. Os jovens questionam a eficácia e a influência que a universidade exerce na sua vida profissional. Essas conclusões são relatadas no estudo realizado pelo II Fórum de Jovens, com 320 participantes de diferentes universidades. Esse estudo é parte dos trabalhos preparativos para o Congresso Nacional de Gestão de Pessoas. O relatório diz que a maioria dos jovens acha que “a escola em que estuda e as escolas em que estudou os estão preparando para trabalhar num mundo bem diferente daquele que se vive hoje”. As universidades preparam para um mercado irreal, dizem os estudantes.

A escola, assim como a família, continua paternalista, protetora, dando poucas armas ao jovem, na hora de decidir sobre a escolha profissional. Dizem os especialistas que estamos “criando sujeitos reativos e não proativos. Os jovens, hoje, têm muito claro que a vida não é só trabalho e se identificam com o cooperativismo, sabendo, contudo, que ele precisa enfrentar o triunfalismo”.

Uma outra conclusão é de que as universidades são castradoras e só perdem para a estrutura familiar que continua educando os filhos para o modelo de emprego convencional, um emprego, de preferência, numa multinacional, que lhes dê segurança, status, um salário garantido no final do mês. Concluem os especialista de que “a família valoriza uma psedo-segurança em detrimento de realização pessoal e profissional”.

O jovem começa a se ajustar à época presente, toma consciência do valor da aprendizagem, da prática que ensina através do estágio, dando prioridade à formação. Ele sabe que o mundo de hoje exige competência, conhecimento.

Uma pesquisa do setor de Orientação, Informação Profissional e Pesquisa da CIEE mostra que o jovem não despreza o salário, mas o aprendizado surge como o maior valor. O seu resultado surpreendeu ao revelar que o estudante vem dando mais peso ao conhecimento adquirido que ao dinheiro que possa ganhar por conta própria. A pesquisa foi montada para saber de que forma os jovens estudantes consideram a remuneração que recebem pelo estágio, chamada de bolsa-auxílio. Mostrou que eles encaram os estágios, principalmente, como uma oportunidade de enriquecer o aprendizado e a maioria não confunde estágio com emprego. Foram entrevistados 1.822 estudantes de 13 Estados, para saber como os jovens entendem o estágio. Na pergunta: “O que é mais importante para você”, 57,8% responderam que é fazer um estágio que contribuísse para sua formação, 36,2%, fazer um estágio com chance de efetivação e 6%, um estágio com uma bolsa-auxílio que cubra todos os gastos. O que chamou a atenção na pesquisa, para o fator preponderante da aprendizagem, foi o fato de 46% dos entrevistados pertencerem a famílias com renda de 1 a 3 salários mínimos, e outros 28,7%, a famílias na faixa de 4 a 6 salários.

Dos 1.822 estudantes, 391 estão estagiando. A estes foi perguntado como gastam a remuneração e 44,3% responderam que queriam “estagiar e estudar sem grandes problemas financeiros”, isto é, valorizar o seu aprendizado. A pesquisa concluiu que os jovens vêm adquirindo consciência de que o maior benefício do estágio não é o quanto recebem, mas o quanto aprendem, bem dentro de uma visão educacional. Os jovens, no estágio, consideram valiosa a importância da bolsa-auxílio, mas ressaltam a importância da aprendizagem, do relacionamento no ambiente profissional, do saber trabalhar em grupo, do aprimoramento dos conhecimentos, do avançar nas informações. Eles dão valor ao estágio e recomendam-no a outros estudantes.

Uma outra vertente educacional referente aos jovens é a criação de empresas juniores, incentivando o desenvolvimento do empreendedorismo nas universidades. O aluno vira empreendedor. A idéia de empresa júnior vem amadurecendo e, hoje, há no Brasil “cem vezes mais empresas juniores do que havia a 15 anos, quando a primeira delas surgiu”. Grandes empresas e multinacionais passaram a optar por consultorias,  pesquisas e projetos de empresários juniores. São jovens que aprendem a negociar, que não ganham nada pelo trabalho e representam menos de 1% dos estudantes de graduação do País.

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) é a instituição que apresenta o maior número de empresas juniores, como os empreendedores das áreas de química, computação e elétrica. O grande crescimento dessas empresas levou o Brasil a ser escolhido para a Primeira Conferência Mundial de Empresas do corrente ano, em Fortaleza, quando se discutiu regulamentação para o setor, propondo que o empreendedorismo faça parte do currículo no ensino superior, com planejamento estratégico e disciplinas específicas.

Os jovens pensam em maneiras diferenciadas para buscar clientes, tornando-se empreendedores. O grande objetivo dessas empresas é desenvolver o estudante para o lado prático das profissões, com noções de gestão e execução de projetos, atividades que dificilmente teriam como estagiários.

As empresas juniores são fundadas por estudantes, têm CNPJ próprio e usam um espaço cedido pela universidade. Diretores, presidente e outros membros da administração das empresas trabalham de graça. Os professores apenas supervisionam, elevando o nível das atividades.

Ex-membros de juniores conseguem trabalho em grandes empresas, porém o foco das empresas juniores está nas micro e pequenas empresas, principalmente pelo valor das consultorias e projetos que ficam cerca de 50% inferior ao que é cobrado por empresas convencionais que oferecem os mesmos serviços.

Novidades vêm aparecendo e é preciso que os jovens tomem conhecimento delas, como a importância do empreendedorismo no mercado atual. As empresas juniores representam, inclusive, uma forma de detectar talentos.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2004)

AVANÇAR NA APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino *

Uma inscrição esculpida no mármore da arquitrave da biblioteca pública de Boston diz: “A comunidade exige educação do povo como salvaguarda da ordem e da liberdade”.

Não parece ter sido fácil, aos nossos governantes, atingir esse pensamento, tendo em vista o nosso sistema educacional decadente. Educação está na base de qualquer alteração social. Nosso atraso educacional salta aos olhos. Um trabalho de conscientização da necessária elevação do padrão de ensino, atingindo, em massa, a formação continuada do professor, viria como um colírio para suavizar a deficitária e falha estrutura educacional.

O professor ainda veste a camisa da escola tradicional, transmitindo o conhecimento mais na base de lousa e giz. De um modo geral, resiste ao computador, deixa de usar este recurso e de estimular o aluno a aprender. Assim procedendo, não se enquadra, devidamente, à época vivida pelo aluno. Nessa era digital da sociedade cibernética, o raciocínio do aluno tem uma velocidade muito maior que há 20 anos. O professor, utilizando-se de métodos arcaicos, não se modernizando, impede o aluno de avançar e de encontrar um sentido maior na escola.

A escola precisa ser mais assistida, para melhor assistir, mais ajudada, no nível técnico e no nível financeiro. É preciso fazer dela prioridade nacional, lugar que nunca deveria ter deixado de ocupar. Como fazer o aluno avançar nos conhecimentos da informática, na evolução do raciocínio, da observação, da análise, da crítica, se quem o conduz é um profissional pouco aprimorado no assunto?

Hoje, sabemos, por exemplo, que os games de ação ajudam o cérebro. Jogos podem melhorar as habilidades visuais e os tempos de reação dos praticantes. Segundo uma nova pesquisa feita nos Estados Unidos, pessoas que brincam regularmente com jogos de ação de computador processam mais rápido informações visuais e com mais precisão que aquelas que não jogam. As conclusões sugerem que os jogos, anteriormente criticados, podem ter efeitos positivos e ser úteis para o ensino e o desenvolvimento de habilidades, desde que usados com moderação. Parece que a ação rápida que se desenrola na tela do computador pode treinar o cérebro para responder com mais eficiência a estímulos particulares, concluem os especialistas de ciências do cérebro.

Praticar o game, porém, não se tornar um jogador compulsivo, porque pode desenvolver também um nível de atenção muito pouco seletivo, além de a criança ficar mais impaciente e agitada. No dia a dia, o que se nota é que os games estão dando respostas mais rápidas e novos modos de comportamento. Um professor analfabeto em informática não acompanhará a agilidade dos alunos pós-modernos. Em muitas escolas oficiais não existem computador, em outras, os computadores ficam trancafiados numa sala, porque os professores não sabem como utilizá-los.

Hoje, o professor não tem como ignorar essa ferramenta de trabalho, não tem como não introduzi-la na sala de aula. O computador beneficia não só o ensino-aprendizagem como a vida do aluno, da comunidade, em geral, que acaba se beneficiando também. Na Índia, por exemplo, o governo priorizou o envio de computadores para as escolas situadas em áreas pobres do país e treinou os professores. Os resultados dessa política atraíram a atenção de técnicos da ONU e da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, que registraram a velocidade das mudanças na qualidade de vida das pessoas depois que elas tiveram acesso ao computador. A informática vem se revelando como fator primordial para atenuar as desigualdades locais e regionais.

Percebe-se que a resistência da escola às novas tecnologias afeta a qualidade do ensino, desestimulando o aluno. É um retrocesso, inclusive, ao progresso da região onde ela se localiza. O computador abre caminho para um aprendizado que faz mais sentido para o aluno, porque permite executar projetos e pesquisas sobre situações reais da comunidade, quando força o aluno a procurar na matemática, na língua portuguesa e nas outras disciplinas os recursos na busca de soluções. A escola insere-se mais na comunidade, que ganha com essa inserção. A presença do computador é também indicador de qualidade de vida. Ele traz conseqüências benéficas e duradouras na vida dos beneficiados. Há pesquisas que mostram a velocidade das mudanças na qualidade de vida das pessoas depois que elas tiveram acesso ao computador. Escola e professor precisam mudar, aceitar seus novos papéis. A transmissão do conhecimento pelas vias tradicionais já está obsoleta. Construindo o conhecimento, professores e alunos passam, ambos, por uma experiência colaborativa de aprendizagem.

O desafio é fazer com que os professores mais tradicionais deixem de ter resistência ao computador e passem a usar este recurso para estimular o aluno a aprender e colocá-lo na modernidade.

QUOTAS NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS

Izabel Sadalla Grispino *

Está havendo posição simpática, por parte do governo federal, para o estabelecimento de quotas para negros nas universidades públicas. Coloca-se, com esta posição, o mesmo enfoque dado às reservas de vagas para alunos do ensino médio das escolas oficiais, o mesmo problema sobre a igualdade de oportunidades, advinda de um ensino de qualidade, na disputa de vagas universitárias.

A exclusão do candidato não tem causa na pobreza ou na cor e, sim, na ausência da boa formação, pois “inteligência não é privilégio dos ricos e dos brancos” – parafraseando a expressão do deputado Celso Tanaui. Essa quota de vagas é mais um procedimento discriminatório, que desvaloriza o potencial criador do candidato pobre ou negro, que tem idênticas possibilidades intelectuais dos mais afortunados, faltando-lhes apenas os meios para atingir esses fins. Eles se vêem beneficiados por um decreto que parece propagar que a desqualificação não tem importância.

A balança social é marcada por um quadro pesaroso de desigualdade entre ricos, pobres e negros. Há estudos, referentes a 1999, demonstrando forte correlação entre desigualdade educacional e desigualdade social. O economista Ricardo Henriques, do Ipea, desenvolveu, a partir dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), um trabalho que mostrou ser a taxa de analfabetismo três vezes maior entre os negros e mulatos, demonstrando que, no ambiente profissional, eles recebem, praticamente, a metade – 48% – do salário que recebem os brancos. Entre as mulheres brancas, o desemprego é 25% menor que entre as negras.

Ricardo Henriques disse ser “incontrolável” a desigualdade, em relação à conquista dos chamados empregos de qualidade: “Há, apenas, um general negro nas Forças Armadas e apenas dois secretários na carreira do Itamaraty não são brancos”.

A Associação dos Juizes Federais relata que somente 10% dos juizes federais do País são negros. Na iniciativa privada, calcula-se que a desigualdade tenha a mesma proporção.

Os dados do Provão, revelados pelas estatísticas, demonstraram que apenas 2,2% dos estudantes que concluem os cursos universitários, públicos ou privados, são negros.

É histórica a desvantagem das pessoas negras se colocarem bem na sociedade, desvantagem que tem, também, como razão a má formação profissional. O Brasil inicia uma etapa que os Estados Unidos já pensam em abandoná-la. O que lá está em declínio, levado pela experiência negativa, aqui se principia começar.

Desde o final dos anos 80, Estados norte-americanos adotaram políticas de reservas obrigatórias de vagas para negros nas universidades e nos empregos. Atualmente, esses Estados têm dado visível demonstração de que, promover a igualdade de oportunidades através de quotas, não é o melhor caminho. A quota não responde pela qualidade, fruto de um gradual e lento processo educacional.

Nota-se, nos Estados Unidos, em vários setores da economia, e em várias universidades, uma reação contra essas quotas raciais. Este ano, um tribunal federal de Michigan forçou a Escola de Direito da Universidade do Estado a abandonar sua política de admissão, voltada em quotas raciais. Em várias outras localidades, há estudos para dissolver o sistema de quotas.

O frade franciscano David Raimundo Santos, diretor-executivo da organização Educação e Cidadania de Afro-descendentes e Carentes (Educafro), considera que a discriminação nas contratações e promoções dos negros tem revelado a “má administração das relações sociais”. “É necessário despertar no País políticas públicas que possam corrigir estes e outros casos”.

Têm surgido, entre nós, exemplos de ações favoráveis, como os cursinhos pré-universitários para negros e carentes. Eles se multiplicam pelo País, por iniciativa de organizações não-governamentais e mostram eficiência nessa ajuda. No Rio de Janeiro, onde se concentra a maior parte dos cursinhos pré-universitários, chega a 3,6% a taxa de alunos que concluem o ensino médio oficial e conseguem uma vaga nas universidades públicas. Em São Paulo, a estimativa é de apenas 1,1%.

Já começam a aparecer no País escolas criando quotas para alunos negros. A Escola Técnica Everardo Passos, em São José dos Campos, é a primeira do município a criar quotas de vagas gratuitas para alunos negros. As negociações para a criação de quotas, realizadas com entidades do movimento negro, começaram em 2000.

Mas, será o sistema de quotas o método capaz de alterar o quadro da desigualdade social? Ele conseguirá elevar, por si só, o padrão de ensino das escolas públicas? Sem esse padrão haverá futuro para o formando?

Preocupações pairam no ar!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2001)

AO JORNAL “A GAZETA”, O GRANDE SEMEADOR DE IDÉIAS

Izabel Sadalla Grispino *

Através do jornal “A Gazeta”, deste valioso instrumento de comunicação que Jaboticabal aprendeu a admirar pelo profissionalismo, venho, há vários meses, publicando, semanalmente, artigos de fundo educacional. Este jornal amigo proporciona-me a oportunidade de contatar-me com a sociedade jaboticabalense, levando conhecimento, em temas educacionais, culturais, sociais, religiosos e outros. Estou me propondo, entre outros, a registrar os principais passos da reforma do ensino, na implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e a realidade educacional do ensino vigente.

Encontrei neste jornal, com afável acolhida, um livro aberto, de folhas em branco, para serem preenchidas, tendo em vista ilustrar a comunidade, nos mais variados assuntos. Já tive a oportunidade de passar alguns conceitos, ressaltando a idéia de que o bom professor faz a diferença do ensino e de que ele é capaz de compensar a falta de estruturas. Passei a idéia de que a formação, a dedicação e o salário do professor são alguns dos fatores que mais interferem no ensino e de que, sem um ensino de qualidade, jamais resolveremos a questão das desigualdades sociais. Ressaltei a necessidade de cursos de reciclagem para o professor, que, de um modo geral, não está absorvendo as Diretrizes Curriculares e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), emanados pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). O professorado não está conseguindo ensinar os alunos dentro desses novos referenciais, que abargam, principalmente, a interdisciplinaridade e a contextualização, isto é, a aproximação do conteúdo ensinado com o cotidiano do aluno.

A escola não vem acompanhando as mudanças e tem demonstrado de que os fatores que favorecem o desempenho dos alunos estão mais relacionados ao dia-a-dia da escola do que com as diretrizes elaboradas pelo MEC. Daí a importância de se dar mais atenção ao professor, dar-lhe suporte profissional, porque ele é, sem dúvida, a mola-mestra, não só do progresso, mas da eqüidade social.

Neste novo ano que se inicia, continuarei, com o apoio do jornal “A Gazeta” e com a proteção de Deus, a analisar situações de ensino, lutando para que a luz educacional prevaleça e clareie a consciência nacional de sua importância, lutando para que a vontade política se manifeste com mais verbas para a educação, cuidando melhor de nossos professores.

O jornal merece nossa reverência, porque ele é uma escola aberta, o mestre maior que bate à nossa porta para introduzir conhecimentos, para formar, de modo responsável, mente e corações. Em Jaboticabal, já vem se tornando habitual, nos festejos de fim de ano, saudar o jornal “Primeira Página”, nas pessoas de seus digníssimos diretores e de todos os seus funcionários, que, com persistente idealismo, angariam, cada vez mais, a confiança da população.  O jornal “A Gazeta” cresce com Jaboticabal, coloca-se na vanguarda jornalística. Muita saúde, muito vigor, aos seus dirigentes, para que possam continuar a receber as alegrias de seu jornalismo imparcial, que  vem se tornando marca consagrada. Pessoas que lutam por ideais salvaguardam a humanidade. Onde há uma vontade, há um caminho. Parabéns!

Formulo votos de um feliz Ano Novo a toda população de Jaboticabal. Que Deus lhe dê um ano de paz, de amor, de prosperidade. Quero também agradecer aos meus leitores pela atenção, pelas manifestações de apreço, a mim formuladas, durante a publicação dos artigos.

A todos, meus versos sobre o Terceiro Milênio.

TERCEIRO MILÊNIO, ANO 2001

Izabel Sadalla Grispino

Surge um novo milênio, uma outra aurora,
A ciência comprovando Jesus,
Ventos do infinito indicam que agora
É chegada a hora de viver a luz.

Demos um salto para o espiritual,
Conciliamos ciência e fé,
Confraternizamos real e virtual,
A razão se achegou à Santa Sé.

A face de Deus deixa o lado escuro,
Terceiro milênio é porta de frente,
Mostra o claro que vem pelo futuro,
Ressalta o homem na alma e na mente.

Que saibamos entender o momento,
Que em coro, rezemos à Mãe Maria,
Ligando oração e comportamento,
Livraremos o mundo da orgia.

O homem terá um novo semblante,
Virá aterrorizante avanço,
A ciência criando um semelhante,
A bioética entrando em balanço.

A todos vocês, queridos leitores,
Que esse dois mil e um lhes seja risonho,
Caminhos abertos, muitos amores,
Que se realize seu mais lindo sonho.

 

* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em dezembro/2000)

Caixa de texto: Clique para voltar ao sumário* Supervisora de ensino aposentada.

(Publicado em dezembro/2000)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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