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Artigos Educacionais

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CONSCIÊNCIA DA REALIDADE

Izabel Sadalla Grispino *

Voltamos à análise do sistema educacional brasileiro. Análise de ângulos diferentes, por vezes repetitiva, porém necessária como alerta. A radiografia do ensino básico mostra um sistema ruim, pedindo socorro, com políticas direcionadas à educação.

O grande desafio é entender o que se passa com a qualidade do ensino brasileiro e dar prioridade absoluta à educação básica. Não se constrói  uma casa pelo teto. São as estacas enfincadas no chão que lhe dão estrutura, sustentação.

Todas as vezes que o Brasil participa de avaliações comparativas internacionais, nossos estudantes ocupam, sistematicamente, as últimas colocações, em língua, matemática e ciência, sem falar dos péssimos resultados obtidos em exames internos, feitos pelo Saeb, hoje Neb, pela Prova Brasil, pelo Enem e outros. “O ensino básico cresceu de modo espetacular no Brasil, mas a qualidade dele nos põe na rabeira do mundo”, diz o virtuoso Cláudio de Moura e Castro.

É preciso desenvolver a consciência nacional de que nosso sistema de ensino é ruim, olhar de frente, encarar a situação, tentar consertá-la. Enfrentar a diversidade cultural que toma conta da escola. Ensinar o que o aluno pode aprender e não o que o professor gostaria de ensinar. Abraçar uma pedagogia que alcance o aluno fraco e não descuide do aluno forte. Uma pedagogia concreta, real, distante do abstracionismo, aplicada à sala de aula. A tecnologia ajuda, mas não resolve, não substitui a boa aula.

A sala de aula não vai bem, o professor não aprendeu a ensinar. O aluno aprende pouco, perde muito tempo ou decorando ou copiando do quadro negro, em aula expositiva, ao invés de aprender a pensar, a pesquisar, a chegar às próprias conclusões.

A associação entre a capacidade do professor e a aprendizagem do aluno ainda não impregnou a classe docente. Classe, aliás, sofrida,  padecendo de baixa estima e, também, de severas lacunas na formação profissional. Como conseqüência, surge a falta de qualidade, incidindo sobre todos os graus de ensino. Essa falta prejudica a qualidade da mão-de-obra, ditando para o futuro uma queda mais lenta da desigualdade social.

É a escola que detém a manutenção ou a diminuição da desigualdade social. Um bom ensino repercute em emprego, em melhores condições de vida, sustentando a correlação entre educação e desenvolvimento. Um mal ensino só reproduz essas desigualdades no País.

Nesse quadro de valores, como pode o Brasil formar o capital humano necessário ao crescimento econômico, do qual dependem a redução de pobreza e a inclusão social das camadas menos favorecidas da população?

A qualidade de ensino advém de professores que dominam o conteúdo e aprenderam a dar aula. De currículos claros, explícitos, contextualizados. Do uso de bons livros didáticos, que acompanham o professor na sala de aula, da avaliação contínua, da recuperação paralela e da exigência de disciplina em aula.

O interesse dos pais pelo estudo dos filhos, um bom diretor, são fatores que corroboram com a qualidade de ensino. Costuma-se dizer que a escola tem a cara do diretor.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em novembro/2006)

ESCOLA E FORMAÇÃO DE VALORES, POR SUA EDUCAÇÃO INTEGRAL

Izabel  Sadalla Grispino *

Tem-se hoje que a evolução humana é basicamente cultural. O fator genético permite posturas biológicas iguais, mas só é possível alterar o futuro de uma criança investindo em sua educação. Segundo estudos do Genoma, tudo o que somos tem razão genética, porém, costumes, características de vida são incorporados a partir de uma herança cultural local.

Educação é um processo constante de renovação. Educador é a pessoa compromissada com o outro. Para se achegar ao outro e ajudá-lo, deve inserir-se num mundo que exige atualização constante, revisão sucessiva de métodos e técnicas. Ele tem a função da pesquisa, da reflexão contínua sobre sua prática pedagógica do dia-a-dia, colocando-a a serviço da exigência atual.

O ensino escolar não pode estar desvinculado do que acontece no mundo. O mundo ficou muito complexo e tem, com razão, intimidado o professor. Transformar a escola é uma grande revolução. O professor, em geral, tem deficiência de formação, tem dificuldade para adequar o programa à realidade vivida pelos alunos, e fica, assim, preso ao livro didático. Ele é um profissional gravemente injustiçado, desvalorizado. Aviltantes salários forçam-no a uma sobrecarga de trabalho, roubando-lhe tempo precioso à sua reciclagem. O próprio MEC revela que baixos salários, falta de infra-estrutura das escolas e baixa qualidade de vida constroem o quadro de fracasso escolar que se vê hoje.

Johan H. Pestalozzi (1740-1827), um clássico da Pedagogia e considerado o pai da educação integral, dizia: “O amor é o instrumento da educação”. É esse amor que inspira o professor, que o leva a sublimar sua função, caminhando em correspondência ao pensamento: “Mesmo correndo entre pedras, as águas cumprem sua missão. As árvores plantadas são testemunhas disso”.

Recentes pesquisas têm mostrado que a grande maioria das escolas vem-se negligenciando da parte formativa do aluno, com reflexos negativos no comportamento social. A escola tornou-se uma entidade repetitiva de informação, sem priorizar a educação integral, nos aspectos: cognitivo, afetivo, psicomotor. A educação integral engloba comportamento e conhecimento. A construção do conhecimento, o desenvolvimento das habilidades, devem processar-se paralelamente à formação do educando. Formação das capacidades cognitivas de caráter geral e formação de valores, de ordem ética, moral e religiosa.

A abordagem holística do homem é hoje prioritária em todos os setores. No diagnóstico da doença, examinam-se componentes genéticos, emocionais e ambientais. Saber ler, escrever, contar, raciocinar, é pouco, tem que haver a cultura mais profunda da alma, do sonho, da criatividade.

A escola precisa repensar sua atuação e, num processo de reeducação, tornar-se uma unidade formadora de caráter, de cidadania.

Cidadania não é ensinada como uma disciplina, ela se aprende na vivência, na convivência. É um exercício que se conquista na exigência da ética, da justiça. É o respeito que se tem pelo outro, por sua identidade, pelos bens alheios, pelo patrimônio coletivo, pelo sentido de igualdade de condições. Implica em comportamento responsável, em noção de limite, dentro do preceito de que o direito de cada um termina onde começa o do outro. Já dizia Rui Barbosa: “Educa-se muito mais pelo exemplo que pela doutrina”.

Estamos vivendo uma sociedade violenta, individualista, arbitrária. Formam-se grupos oportunistas, que não têm outra finalidade senão a de se promover e a de tirar proveito do outro. O outro só existe como elemento de conveniência. Uma sociedade onde os fins justificam meios ilícitos, desumanos, onde Deus é uma presença vaga, indefinida, distante. Uma sociedade sem luz, sem fé.

É, principalmente, neste quadro social que se pensou na volta do ensino religioso como obrigatório, não mais como facultativo, conforme reza a Constituição.Por tudo isso, começa haver uma preocupação de educadores de que valores sociais, como amizade, amor, solidariedade, cooperação, lealdade... devam fazer parte dos currículos escolares. Montam projetos que vêm de encontro à proposta do MEC, quando fala em currículos transversais. Permeiam a educação com temas transversais, como política, sociedade, sexualidade, droga, ética, cidadania e outros.

São temas tratados não como disciplina específica, mas como um espaço a ser discutido em sala de aula, por um componente ou por vários. Dependendo da abrangência do tema, projetam atividades interdisciplinares, como um leque de assuntos ofertados. Cada disciplina encontrará um conteúdo correspondente.

É a escola exercendo sua função social na orientação dos jovens, na formação de uma sociedade mais humana, mais ordeira, criando vínculos de inter-relações humanas.

Até recentemente, o grande objetivo da escola era preparar o aluno para o futuro. Hoje, o grande intento é prepará-lo para o presente, para a resolução de seus problemas imediatos, de suas necessidades atuais. Preocupa-se com sua inserção em uma sociedade produtiva, ética, solidária, capaz de ajudá-lo, de maneira saudável, a se realizar. A escola faz uma ponte, ligando a percepção do aluno entre o que aprendeu e a vida. Ele se apodera do saber e aplica-o à sua vida do dia-a-dia, vivencia na escola comportamentos salutares e os desenvolve na comunidade, na sua vida social. A  aprendizagem vai se processando a partir de sue próprio interesse e das condições ambientais que o cercam.

A escola trabalha o presente, ousa, alça vôos, para alcançar o futuro. Busca integrar-se no conceito apregoado pelo consultor americano Michael Hammer: “O segredo do sucesso não é prever o futuro. É preparar-se para um futuro que não pode ser previsto”.

Para tanto, diferentemente do passado, o aluno não consome, mas produz o conhecimento e, assim, como o professor, torna-se um pesquisador permanente, um observador zeloso das relações interpessoais.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2000)

ENSINO RELIGIOSO NAS ESCOLAS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência toma conta da cidade e do campo. A vida tornou-se um sobressalto permanente. Nos consultórios médicos, enfileiram-se pessoas que procuram ajuda para a síndrome do medo.

O Hospital das Clínicas de São Paulo montou uma equipe médica voltada para o tratamento da síndrome do pânico, quer de pessoas que passaram, elas mesmas, pelo trauma do seqüestro, do estupro ou de violentos assaltos, ou viveram o drama de uma pessoa da família violentada. Os atendimentos aos pacientes, acometidos dessa síndrome, crescem a cada dia e a equipe manifestou-se dizendo não estar mais dando conta do recado. Hoje, constata-se que os remédios antidepressivos pertencem ao quarto grupo mais vendido, atrás somente dos antiinflamatórios, analgésicos, contraceptivos.

Algo muito sério precisa ser pensado diante de tão pesada situação. Se a geração atual tem uma grande ala que já descambou para o mal, não tendo mais, infelizmente, como conter essa avalanche assassina, temos que nos preocupar, com rigor, nas gerações que vêm vindo. Prepará-las para uma convivência pacífica, conduzindo os seus passos, educando-as para a compreensão, afastando o tipo de competição acirrada, que gera egoísmo, individualismo perverso. Preparar a criança para viver o amor, lançando alicerces éticos e morais desde a mais tenra idade. A criança deve conviver com a idéia de Deus, dessa entidade que simboliza paz, ajuda ao próximo, solidariedade. Deve ser despertada para o sentido de religiosidade, ensinada a conviver com o diferente, com a desigualdade social. Ter o olhar voltado para os mais necessitados.

Muitas escolas, hoje, preocupam-se em adotar ensino religioso, mesmo não havendo unanimidade de opinião entre os professores. Acham importante passar, aos alunos, noções de religião, onde destacam a importância de conceitos como fraternidade, ajuda e respeito. Introduzir o aluno no universo da fé, sem entrar em conflito com o universo científico, antes harmonizá-los. A escola deve respeitar a crença de todos os alunos, fazendo-os perceber uma sociedade plural e com ela aprender a conviver. A escola não vai entrar na doutrina de nenhuma religião, vai buscar o que de comum há entre elas, a idéia de Deus, carregada de bondade, justiça, da prática do bem, da condenação do mal, da divisão do pão, da igualdade de oportunidades. Mostrar aos alunos o que significa ter uma religião, os comportamentos que a representam, como e porque a religião surgiu (contexto histórico-cultural), dar a eles uma estrutura moral. A religião forma o indivíduo para uma cultura humanística, para uma civilização voltada ao bem comum.

O que se tem questionado nas escolas é a possível divergência que possa vir ocorrer entre religião e ciência. Muitos professores são contra a idéia do ensino religioso, achando que a escola deve ter somente base científica, não se envolver com a questão da fé. Mas, o que se vê é que a evolução da ciência, em termos de convivência pacífica entre os povos, em termos de qualidade de alma, não trouxe contribuição positiva. Deve-se aproveitar a brecha que essa situação oferece à educação religiosa, fazê-la interferir, dar o seu recado de humanização, tentando reverter essa caótica posição.

Deixar como está é inviável. É preciso enfrentar o desafio, o crescente envolvimento da sociedade com a violência. Se a ciência, com sua estrondosa evolução, não está trazendo recuo nessa área, ao contrário, a violência se acentua a cada passo, temos, sim, que apelar para a crença, para a fé, para a cultura da alma. Aliás, já diziam os antigos gregos “a alma de toda cultura é a cultura da própria alma”. Temos que promover a sociabilização do conhecimento sobre a violência, privilegiando informações isentas de preconceito, carregadas de atributos morais, em estratégias de trabalho pedagógico. Temos que fazer o aluno sentir que a mudança de posição virá dele, só ele tem, em suas mãos, a força da transformação que possa vir ocorrer na sociedade, no caso em questão, da violência, das drogas.

A violência alastra-se e forte, também, nas escolas. O seu grau chegou a ponto de a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) entender que se devem desenvolver pesquisas de âmbito nacional sobre o uso de drogas nas escolas, no ensino fundamental e médio, e entre crianças e adolescentes em situação de rua, bem como sobre padrões de consumo de álcool e partir para um plano de ação.

Os professores contrários ao ensino religioso criam polêmica também na abordagem do criacionismo. As duas vertentes, criacionismo e evolucionismo, costumam ser entraves ao ensino religioso. Porém, os dois conceitos devem ser passados aos alunos e, em ambos, o que deve ser ressaltado é a figura do homem, a principal criação de Deus, ou da vida, como querem alguns. Indicar livros que completem as explicações e deixar as conclusões para eles. O criacionismo é uma teoria baseada na Bíblia, que fala ser a origem do universo e de todas as formas da vida resultado da intervenção divina. Em tudo houve um Criador, que é Deus. O homem descenderia de Adão e Eva. Essa teoria se opõe ao evolucionismo, que diz ser o homem descendente dos primatas. Os ancestrais do homem são macacos, dizia o cientista inglês Charles Darwin. Em 1859, Darwin publicou “A Origem das Espécies”, onde expõe os fundamentos do evolucionismo. Os criacionistas consideram os evolucionistas ateus.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), em seu artigo 33, diz que cabe aos Estados decidir como e por quem serão dadas as aulas. Diz que toda escola pública brasileira de ensino fundamental deve oferecer aulas de religião, mas a freqüência é facultativa para o aluno. Pela lei, o ensino religioso “é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurando o respeito à diversidade cultural e religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de proselitismo”.

A escola, educando a alma, formando o caráter, desenvolvendo na criança, em si, ações éticas, comportamento moral, terá nessa criança, no adulto de amanhã, talvez, a maior solução para o problema da violência. É uma perspectiva, um caminho que não pode ser desprezado, em nome de uma pretensa ciência.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2004)

SÉRIOS ENTRAVES À QUALIDADE DE ENSINO

Izabel Sadalla Grispino*

Em um dos meus artigos anteriores, vimos que a qualificação docente é fator preponderante para uma boa aprendizagem. Há, contudo, sérios problemas dentro da escola, independentes da atuação do professor e que interferem, pesadamente, na sua organização e na sua qualidade de ensino.

Um fator agravante do ensino-aprendizagem, e que vem crescendo a cada dia, é a desordem endêmica da escola, seguida de violência.

O ambiente de ordem e de trabalho é muito importante para o desenvolvimento do ensino. Volta-se ao palco das discussões o abandono da educação pública, em nossa sociedade. Segurança escolar, praticamente, não existe e a desordem, a baderna, o completo desrespeito às normas disciplinares, impedem os avanços da boa aprendizagem.

Sob o prisma da reforma do ensino, que se supõe melhorar a qualidade da educação, um estudo do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial em São Paulo mostra que a rotina de violência e desordem nas escolas públicas interfere bruscamente nas condições da escola, esbarrando a caminhada pedagógica.

O estudo mostra que o maior perigo para a qualidade da educação é a desordem endêmica, ou seja, a desordem que vai se tornando crônica, avançando paulatinamente. Essa desordem, conclui o estudo, é tão nociva para a educação quanto a violência.

Controlar o crime e a violência nas escolas está se transformando em ponto de honra. Este estado perturbador aniquila o ensino e provoca debandada de professores e diretores que trabalham apavorados. Muitos já foram vítimas de ataques violentos por parte de alunos, chegando, alguns, à morte.

Este é um desafio, complexo, assustador, que a escola não pode deixar de enfrentar. Quando menos se espera, irrupções de violência e desordem tomam conta da escola e ela, contudo, não tem condições de enfrentar tamanho problema sozinha. Maior mobilização de recursos sobre segurança escolar, especialmente, em escolas mais necessitadas, precisa ser acionada e com urgência.

Professores e diretores não podem se sentir isolados e sem respaldo em situações que chegam a ser de risco. Uma grande reclamação é de que professores e diretores não recebem apoio institucional quando são ameaçados de morte ou quando seus carros sofrem vandalismos do lado de fora da escola.

O pior é que os desvios de comportamento não sofrem conseqüências e isso encoraja os desordeiros a continuar em suas atitudes criminosas ou anti-sociais.

Os alunos devem ser mantidos em suas escolas, por mais perturbadores ou agressores que sejam. Mostra o estudo do Instituto Braudel que os direitos humanos de estudantes desordeiros têm mais peso que os direitos humanos de professores que querem ensinar e de alunos que querem aprender.

As soluções encontradas nem sempre trazem os efeitos esperados. Utilizam-se  práticas esportivas, teatro, coral, dança ou a criação de ambientes diferenciados, dentro da escola, salas de aulas separadas com alunos estudando sob supervisão.

Quadro desolador! E saber que a riqueza do País está na escola, na boa escola, nos anos de escolaridade, cursados no respaldo do ensino de qualidade.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2007)

O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DO BEBÊ

Izabel Sadalla Grispino *

Hoje, há comprovação científica dos benefícios advindos dos carinhos espontâneos feitos pelas mães, ao cuidarem de seus bebês. Através de balbucios, caretas, brincadeirinhas, ruídos com chocalhos, as mães estimulam sensações com toques, ajudam a criança a explorar o espaço. Tudo feito de maneira lúdica, de mera distração.

A medicina neurológica, por instrumentos sofisticados, consegue detectar movimentos cerebrais mínimos e vem demonstrando que esses gestos maternos trazem efeitos, que vão muito além do lúdico. Na fase dos 0 a 3 anos, são considerados fundamentais e influenciam a vida toda do bebê. É nesse período que o cérebro desenvolve os sentidos, a linguagem, os movimentos, as emoções.

Essas descobertas científicas vêm reforçar comportamentos praticados naturalmente. As creches mais evoluídas mudaram, a partir de então, seus métodos de atendimento, transformando-os em atividades mais científicas que intuitivas. É uma nova visão que não diz respeito à escolarização precoce, mas à estimulação do cérebro. Desde o útero materno, os neurônios do bebê fazem contatos, transmitem informações entre eles, nas chamadas sinapses. Ao nascer, a maioria das conexões fica à espera de estímulos que darão continuidade a essas sinapses. É como um instrumento musical, pronto para produzir som, esperando que alguém o toque, surgindo a música.

Sem esses estímulos, muitas das conexões se perdem e dificilmente são recuperadas. As pesquisas revelaram que animais, privados de receber luz nos primeiros meses de vida, podem perder a visão para sempre. Considera-se que com os bebês haja o mesmo risco.

Os neurologistas explicam que, nos primeiros 3 anos de vida, quanto mais estímulo, mais e melhores conexões serão escolhidas. As que não são usadas sofrem um processo de regressão.

É preciso que fique claro ao educador que essa atitude não significa encher a criança de atividades, ensinar matemática, música, línguas, antes de completar 3 anos. Esse tipo de conhecimento não desperta nenhum interesse na criança pequena e não favorece seu desenvolvimento.

A professora Marieta Nicolau, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), orienta: “Não tem nada mais saudável para a criança do que brincar. É assim que ela aprende as palavras, faz comparações. Os cuidados rotineiros, como trocar a fralda ou dar banho, não podem ser automáticos. É importante conversar sempre com o bebê, mesmo que ele não entenda o que está sendo dito. Ele capta a sonoridade e se sente querido, porque tem a atenção do outro.”

Em escolas de educação infantil que adotam esse processo renovado, bebês convivem com crianças de 5 anos, ouvem música, histórias, brincam juntos. Ficam no berço só enquanto dormem. Aquários, salas temáticas, fantasias, ajudam nas atividades. As crianças de 0 a 3 anos divertem-se com as estimulações e aprendem limites, cuidam de si próprias, convivem socialmente, em um ambiente que nada se parece com a sala de aula. A criança fica mais ativa, mais comunicativa na convivência com outras crianças. As creches perdem, gradativamente, seu caráter assistencialista, colocando ao lado da necessária assistência, como trocar fralda, dar banho, comida, levar o bebê para dormir, a preocupação com a correta estimulação, propiciando a esta criança, amanhã, uma melhor escolaridade, uma melhor aprendizagem.

Quanto mais estímulo receber a criança, melhor. A ciência nos mostra que o cérebro humano, em seu desenvolvimento, passa por etapas. Antes do nascimento, os cerca de 100 bilhões de neurônios fazem a maioria das conexões, chamadas sinapses. Depois do nascimento, os estímulos recebidos  levam  o  cérebro  a  selecionar  as conexões que vão permanecer. Depois dos 3 anos de idade, o sistema nervoso entra no processo de maturação. Em um cérebro já amadurecido, novas conexões são muito mais difíceis.

O processo de valorização das atitudes, em relação à criança, ainda é muito recente. O desenvolvimento do bebê ainda é desconhecido por grande parte dos educadores. Foi só na metade do século XX que a pedagogia começou a voltar-se mais para a educação da criança pequena. Até pouco tempo, acreditava-se que qualquer pessoa podia cuidar da criança, havendo, inclusive, uma desvalorização da profissão e não se exigia do professor a formação correta. A exigência atual é de que os professores tenham, pelo menos, o ensino médio. Mas, a partir de 2007, segundo reza a LDB, todos devem ter concluído o ensino superior para serem admitidos em creches.

O professor de educação infantil precisa conhecer bem o desenvolvimento da criança e ter uma boa formação geral, porque o bebê aprende, também, pelo processo imitativo, o que quer dizer: se o adulto, que está com ele, fala errado, a criança vai falar errado também. A boa formação profissional influi diretamente na boa formação da criança.

No ano de 2003, as creches públicas de São Paulo sairão da responsabilidade da Secretaria de Assistência Social para integrar a Secretaria da Educação, conforme exige a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) desde 1997.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2002)

FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

A função da escola é complexa, ampla, diversificada. Tem necessidade de dedicação exclusiva por parte do professor, necessidade de acompanhar as mudanças que se processam aceleradamente no campo de trabalho, atualizando o seu currículo e sua metodologia.

Para dar sustentação às contínuas evoluções, a escola precisa ressaltar um ensino que crie conexão entre o que o aluno aprende nela e o que ele faz fora dela; conexão entre o ensino formal e o mundo do trabalho, entre o conhecimento e a vida prática do aluno. Vincula a educação escolar com o mundo do trabalho.

Os conteúdos curriculares devem estabelecer a relação entre teoria e prática, através de situações próximas da realidade do aluno, permitindo que os conhecimentos adquiridos melhorem sua atuação na vida cotidiana. A metodologia aplicada deve ensejar ao aluno fazer ligações entre o que aprende em sala de aula e o que exercita na prática diária.

A escola contextualiza o currículo, ministrando um conhecimento que faça sentido à vida do aluno. Estabelece uma relação entre o conhecimento e as ações do dia-a-dia. Em sala de aula, os alunos são caminhos a serem traçados e o professor, o agente condutor dessa ação, sempre na mira de papel auto-regulador dos mercados. Na sua função social, o professor desenvolve competências para a vida, levando o aluno a interagir com o meio em que vive.

A escola, abraçando a transformação, encara a educação como um ato social de mudança e avanço tecnológico. É fundamental a relação entre conclusão de escolaridade e inclusão no mercado de trabalho. O entorno sociocultural, quando percebido pelo aluno, o motiva para o estudo. Hoje, os jovens sabem que sem educação não se colocarão no mundo do trabalho. As empresas exigem o nível médio de escolaridade para qualquer função, por mais simples que seja. Essa atualidade da educação na sociedade é uma característica não só brasileira, mas mundial.

Contudo, a escolaridade deve vir acompanhada de qualidade. Nesse item, o Brasil engatinha; enquanto os países desenvolvidos já têm sistema educacional de qualidade acessível a todos e estável, nós beiramos à periferia da educação. Nosso ensino fundamental tornou-se universal (+ de 90%), há menos de uma década, nosso ensino médio ainda não chega à metade dos estudantes e apenas 9% dos jovens estão nas universidades. Esses dados foram fornecidos, no início do mês de setembro de 2005, pelo relatório do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Mostra, ainda, que o País aplica 4,2% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em educação. Gasta menos do que deveria.

Em junho de 2005, o governo lançou um conjunto de programas e projetos intitulado: “Ações para a qualidade da Educação”. Nosso passivo histórico precisa de um esforço muito grande para tentar recuperar a dívida brasileira na educação. Uma das medidas dessas ações é a elevação de 8 para 9 anos a duração do ensino fundamental, favorecendo a inclusão educacional de alunos das camadas populares.

Outras medidas louváveis são: a) a criação de bolsas de estudo para os programas de formação de professores do ensino básico da rede pública; b) a criação do Programa de Educação Tutorial (PET), que visa fomentar iniciação científica de estudantes de graduação, por meio de bolsas concedidas a alunos e professores-tutores; c) a criação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb); d) a criação do programa Escola de Fábrica, que prevê a abertura de cursos profissionalizantes dentro de empresas, favorecendo o ingresso de alunos pobres no mercado de trabalho.

Esses projetos se vierem respaldados por consistentes implementações, com precisão na ordenação de sua execução, poderão, sem dúvida, trazer benefícios salutares. Tem que haver uma boa estruturação e um acompanhamento eficaz de suas aplicações.

A verdade é que há, ainda, muito que se fazer para elevar o nível educacional de nossas escolas públicas, tendo em vista aumentar a renda da população. Um corolário se forma: a educação influi nas condições de vida da população e essas mesmas condições de vida interferem na educação. A Organização das Nações Unidas (ONU), pelo programa Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), vem demonstrando que as condições de vida dos cidadãos de cada país são importantes quando se fala em desenvolvimento. O Índice, publicado em 6 de setembro de 2005, avalia longevidade, renda e educação e o Brasil melhorou muito pouco no IDH. Mantém a 63.ª colocação no ranking das Nações Unidas. O índice brasileiro subiu de 0,790 para 0,792, permanecendo com grandes diferenças sociais. É o oitavo mais desigual do mundo e está na companhia de países extremamente pobres, como Lesoto, Namíbia e Suazilândia. Na América Latina, apenas a Guatemala tem um índice pior.

A conclusão é de que é preciso estimular o crescimento em favor dos pobres. Sem crescimento, um país como o Brasil, não consegue suprir as necessidades de sua população e esse crescimento precisa vir acompanhado de escolarização que ressalte a qualidade. Precisa assegurar um mínimo de qualidade num setor de suma importância para o desenvolvimento social e econômico do País. Precisa assistir com afinco o nosso sistema educacional, deixar de olhar os trincos da casa e se dar conta do alicerce que pode ruir.

A escola, em sua função social, tem um olhar constante voltado à sociedade, conectando seu saber com a prática cotidiana do aluno, preparando-o para o exercício profissional. A experiência de vivenciar as situações de aprendizagem ensina o convívio em grupo, indispensável para a vida e o trabalho.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2006)

PLANO DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino*

Em fins de abril p.p. o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). É um plano que surge bem concatenado, um aspecto levando a outro e conta com 47 medidas. Estipula que até 2010 todas as escolas públicas do ensino básico do País estarão dotadas de computadores.

É um plano abrangente, com metas, avaliações, preocupações docentes, alcançando todo o ensino básico, a educação profissional, a alfabetização e o ensino superior. Busca melhorar a infra-estrutura das escolas e seu funcionamento. Traz, conforme se depreende, melhorias nas condições materiais, administrativas e pedagógicas, num programa de reciclagem. Quer corrigir falhas do passado, equipando as escolas, na mira de uma educação de qualidade.

O Plano adotará exames de avaliação do rendimento escolar para os diversos graus de ensino. Apoiando-se nos resultados das avaliações, distribuirá recursos à escola e corrigirá erros cometidos. Deixa expresso que os recursos materiais de cada escola dependerão do esforço dos professores, quanto ao rendimento dos alunos.

Um dias após ao lançamento desse Plano, o Ministério da Educação (MEC) divulgou o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), considerado um indicador de qualidade do ensino. Os municípios que forem subindo no ranking desse Índice, definindo metas e adotando as ações e recomendações propostas pelo MEC, receberão apoio técnico e recursos extras, por parte da União. Um bilhão de reais está sendo reservado para destinar aos mil municípios com rede escolar de pior qualidade no País.

Através de um aperfeiçoado sistema de avaliação escolar, o MEC disporá de um diagnóstico fiel do novo sistema educacional. Na luta por uma educação de qualidade no ensino básico, os municípios e a Nação têm no Idec um órgão importante da correção do sistema.

Ao que tudo indica, surgirá maior claridade no horizonte das mudanças educacionais. Há, ainda, uma grande distância a percorrer para o resgate de um ensino de qualidade, de um ensino que, hoje, pouco ensina a sua clientela e que a deixa à margem da boa aprendizagem.

Conseguiremos alcançar, através desse Plano, a escola da inteligência, da beleza e do prazer, como falava Darcy Ribeiro? Os grandes passos estão sendo lançados e se complementados, como a omissão notada do período integral, se bem conduzidos, poderão chegar a um bom nível de ensino, suprindo as necessidades sociais e colocando o País em outra dimensão histórica.

Analisar o Plano, estudá-lo e pô-lo em prática são os primeiros momentos de um longo processo em direção à revolução educacional.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2007)

CURSOS PROFISSIONALIZANTES

Izabel Sadalla Grispino *

Hoje, dizemos que emprego e escolaridade andam juntos, especialmente se o ensino for profissionalizante. Escolaridade com qualidade, quanto maior, maior a facilidade de colocação. Se com ela a dificuldade de emprego existe, imaginem sem ela!

Os avanços nos setores da economia são contínuos. O tempo não pára e precisa de profissionais cada vez mais habilitados. Sob esse prisma, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) oferecem, com vantagens, cursos rápidos, atualizando o conhecimento, proporcionando a colocação no mercado de trabalho, e contam pontos se o certificado do pretendente for emitido por essas instituições.

Esses Sistemas fazem sondagens periódicas das carências ocupacionais de trabalhadores flexíveis. O Senai vem investindo em cursos modulares para uma profissionalização segmentada e contínua, onde o trabalhador entra em sua área de interesse e especializa-se aos poucos.

Nas telecomunicações, o Senai, por exemplo, forma especialistas em manutenção de equipamentos. No setor automobilístico, notou a exigência por profissionais que atuassem da mecânica à parte elétrica, passando por questões administrativas, como orçamentos e trato com os clientes e criou cursos a respeito.

Um outro dado marcante no mercado de trabalho é a possibilidade de mulheres encontrarem serviço em segmentos antes fechados a elas. Pela constatação do Senai, a área gráfica é um setor que está abrindo as portas para as mulheres, por seu poder de concentração e perspicácia visual. Assim, os cursos do Senai, onde se aprende tudo sobre impressão, os cursos de manutenção de computadores e o hotel-escola, que forma garçons e cozinheiros, englobam os dois sexos.

O setor de Alimentos incentiva, também, a entrada da mulher, sobretudo as formadas em confeitaria e salgado. Excluindo panificação e sorveteria, em que o aprendizado é com equipamentos industriais, os demais cursos de Alimentos do Senai dão chances a quem quer trabalhar por conta própria, abrindo o próprio negócio. São cursos práticos, que incluem no currículo a aprendizagem de detalhes como avaliação da matéria-prima, rendimento, diminuição de desperdício e custo-benefício.

Os cursos profissionalizantes, mesmo curtos, têm um custo, mas, segundo consta, de retorno rápido, logo nos primeiros meses de trabalho. Alunos dos cursos de cabeleireiro, depilador, cozinheiro e garçom têm, praticamente, suas vagas garantidas, mesmo antes de se formarem, confirma o assessor técnico de educação do Senac, Francisco Cordão. Os pretendentes aos cursos profissionalizantes têm uma gama a escolher, de acordo com suas preferências, seus gostos e obter assim mais facilmente o sucesso.

O curso Noções de Mecânica está sento bastante procurado. Ajuda a conquistar vaga como operadora de telemarketing, em montadoras de carros, seguradoras e prestadoras de socorro mecânico. Esse mesmo curso, aliado a outros dois módulos – Motor Automotivo e Sistema de Alimentação – feito em 3 semanas, em período integral ou em 2 meses no período noturno,  forma  para  atuar em oficinas mecânicas. O aluno poderá estender a formação, reunindo Noções de Mecânica, Supervisão e Freio para trabalhar no balcão de distribuidoras de autopeças e ganhar à base de comissão de vendas.

Ultimamente, tem, inclusive, aumentado a preferência dos empregadores da área automobilística por mulheres. Um outro curso que vem empregando mulheres é o de Controlador Lógico Programável, de 40 horas, e capacita a atuar na linha de montagem de circuitos eletrônicos, num trabalho superminucioso.

Outros cursos são oferecidos, como o básico de Informática do Senai, com 72 horas e Windows,  Word e Excel no currículo. Com este certificado, o profssional está apto ao curso de Web Designer de 50 horas, com emprego inicial em torno de mil reais.

O interessante do Senai e do Senac é a sua ligação com o empresariado, permitindo-lhes manter quadros permanentes com ofertas de emprego. Há cursos, em áreas que vão de mecânica de automóveis à indústria de turismo, oferecidos gratuitamente.

Existem parcerias entre essas duas instituições, Senai e Senac, com a Secretaria do Estado da Educação em cursos profissionalizantes. Pelo Programa Profissão, o governo adquiri vagas do Senac, Senai, Centro Paula Souza e Escola Técnica Federal. Por esse Programa, o jovem continua estudando, consegue um bom emprego, podendo, depois, cursar uma faculdade. Os alunos inscrevem-se nas escolas onde estudam e o critério de seleção tem sido a assiduidade às aulas durante o ensino médio.

Neste ano de 2002, um outro projeto da Secretaria da Educação passou a oferecer 9 mil vagas de estágios nas próprias escolas da rede. São escolhidos três alunos que cursam o ensino médio em cada escola para trabalharem como monitores nos laboratórios de informática e recebem meio salário mínimo.

Senai e Senac são instituições de ensino profissionalizantes que fazem a diferença.

* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em outubro/2002)

ENSINO MÉDIO EM FINS-DE-SEMANA

Izabel Sadalla Grispino *

O ensino médio passa por um processo alternativo. Agora, o aluno desse ensino poderá cursá-lo em fins-de-semana, em São Paulo. Jovens e adultos – de 18 a 29 anos – poderão, pelo projeto Escola da Juventude, lançado em fevereiro do corrente ano, cursar o ensino médio em até um ano e meio. Segundo informes da Secretaria da Educação, o curso terá uma dinâmica diferente dos cursos tradicionais de educação de jovens e adultos. Pretende-se usar novas tecnologias para acelerar o processo de aprendizagem, laboratórios de informática, salas de vídeos e um portal na internet.

Para participar, o aluno deve ter concluído o ensino fundamental e efetuar matrícula diretamente nas escolas participantes do projeto. Inicialmente, a Escola da Juventude atenderá 300 escolas estaduais da capital e alguns municípios da grande São Paulo e do interior do Estado, num total de 30 mil vagas, sendo 100 por unidade.

O curso de ensino médio da Escola da Juventude está dividido em três tipos de atividades: curriculares presenciais, organizados em 4 módulos, sendo um optativo no sábado pela manhã e um obrigatório à tarde. No domingo, a situação inverte-se. Haverá no mínimo uma hora e meia por final de semana de atividades de inclusão digital, e atividades individuais durante a semana, sugeridas em classe e constantes dos materiais impressos.

Na sala de aula, o aluno contará com um orientador de estudos e na sala ambiente de informática, com um monitor para auxiliá-lo a tirar suas dúvidas. O curso desenvolver-se-á em módulos e o aluno terá flexibilidade para freqüentá-lo segundo sua disponibilidade de tempo. A avaliação será contínua, havendo provas freqüentes e, ao final do semestre, exame para a conclusão do módulo. A certificação será dada após a aprovação em todos os módulos, depois de 18 meses de atividades.

A programação parece bem pensada, bem organizada, agora é torcer para que esse curso abreviado de ensino médio, dado em fins-de-semana, não venha frustrar quanto à qualidade, fazendo o ensino decair ainda mais. As escolas devem passar avante a informação, deixando os alunos a par dessa recente inovação.

Um ensino médio com carga horária assim reduzida é prato de balança que oscila entre duas perspectivas. Permite ao aluno avançar em anos de escolaridade, ultrapassando os graus de ensino, engrossando as estatísticas, mas pode pôr em cheque a meta qualitativa. O ensino médio de um ano e meio favorece, é verdade, o aluno continuar na escola, afastando-o da rua, da ociosidade. Ajuda-o a não interromper o processo de estudo e a se afastar da violência.

Segundo a Unicef, o aumento da violência é proporcional à queda da escolaridade do adolescente, considerando que a sua cidadania depende da conciliação da educação formal com cursos profissionalizantes. Aponta que apenas 33% de jovens brasileiros, com idade entre 15 e 17 anos, freqüentam o ensino médio. Dentre as crianças que trabalham, a taxa de analfabetismo é de 20,1%, contra 7,6% entre as que não trabalham. Conclui que o problema da violência requer ação efetiva de toda sociedade e que sua solução passa necessariamente pela melhoria da escolaridade e profissionalização dos jovens, dentre outras medidas coerentes com aplicações socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Estatísticas comprovam que no Brasil o número de adolescentes que morrem violentamente supera o número de mortes nos países em guerra, como no Iraque, onde se calcula que 150 mil civis morreram na invasão movida pelos Estados Unidos e Grã-Bretanha. Entre nós, mais de 24 mil jovens de 15 a 19 anos tiveram morte violenta em 2004, marcando um sangrento recorde mundial. Revelam as pesquisas que os adolescentes são, em geral, mais vítimas que autores da violência que os destrói.

Cerca de 68% das mortes de adolescentes no Brasil, com idade entre 15 e 19 anos, são provocadas por causas externas, como homicídios, acidentes de trânsito e suicídios. Perto de 10% de todos os crimes e delitos praticados no País são cometidos por adolescentes, o que causa séria preocupação.

A juventude está morrendo e está matando, e há fortes convicções de que esse quadro se modificaria se mais jovens estivessem na escola. Sob esse prisma, o ensino médio em fins-de-semana, conjugando estudo e trabalho, poderá ajudar, se conduzido por professores habilitados e interessados no processo, porque o mercado de trabalho considera prioritariamente a qualidade e não a quantidade de anos passados pelo aluno na escola.

Exigências do mercado levam as empresas de pequeno e médio porte a contratar pessoal qualificado na mira da adoção do selo de boas práticas trabalhistas, acompanhando as grandes empresas. Atuar com qualidade favorece o diferencial competitivo da empresa como foco na responsabilidade social. As pequenas empresas são as que têm até 99 empregados, no caso da indústria, e até 49, no caso de comércio e serviços. As de médio porte têm até 499 trabalhadores na indústria e 99 no comércio e serviços. O selo SA 8000 se tornou um termômetro da importância que as práticas internas empresariais têm em uma economia competitiva. Sua importância é tal que será como avalista para o futuro. Vai excluir empresas do mercado. O selo SA 8000 cria um ambiente ético que vai além da empresa e chega à sociedade, vai além das exigências trabalhistas, dando condições dignas de trabalho a seus empregados.

A SA 8000 é um conjunto de padrões que asseguram melhorias nas condições de trabalho nas empresas, com base nos preceitos da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Para obter a certificação, que tem a validade de 3 anos, a empresa deve estar em dia com a legislação trabalhista, banir os trabalhos escravo e infantil e assegurar o direito à associação sindical e salários justos.

Para fazer parte de uma empresa bem organizada, de porte e sucesso, para receber os benefícios da SA 8000, o pretendente deve ter freqüentado uma escola de qualidade, adquirido uma boa formação acadêmica e profissional. Caso contrário, não passará nos testes de avaliação.

Um ensino médio de bom nível é porta aberta para uma boa colocação no mercado de trabalho.  Os relatos acima são questões para se pensar.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em maio/2005)

PAIS FRENTE À PEDAGOGIA AVANÇADA

Izabel Sadalla Grispino *

Nesse universo em mudança, os pais sentem-se inseguros quanto à educação dos filhos, ministrada nas escolas. Querem mudança, mas temem o rompimento dos padrões morais que sustentaram a sua geração. Querem inovação, mas atemorizam-se diante do novo. Por isso, a escola tem que tornar escola também dos pais, inteirando-os da pedagogia renovada. No passado, religião e tradição eram fortes ingredientes para a escolha da escola dos filhos.

Para responder a essa ambígua sociedade de transição, a pedagogia indica o caminho da compreensão, da tolerância. Impor não é solução. Autoritarismo não funciona nem para os pais, nem para os professores. Ele é fonte de problemas. O professor “exigente”, também, não tem mais vez. Seu papel de transmissor do conhecimento, a sua imagem de “sabe tudo”, acabaram. O conhecimento não é mais doado e sim construído. A velocidade das inovações tecnológicas e a Internet acabaram com o conceito de “aluno enciclopédia”.

Outra forma de autoritarismo é a aquiescência da repetência, por parte dos pais, aos alunos que vão mal na escola. Os pais, ansiosos por resultados, apegam-se à mensuração da produção escolar, em contradição ao método adotado pela escola, orientado pelo socioconstrutivismo, que trabalha as várias facetas da aprendizagem, as inteligências múltiplas.

A repetência não é mais que o reforço do ensino pela via da punição. A aprendizagem leva em conta o biorritmo do aluno, o interesse das diversas faixas etárias e a natureza do aprendiz. Quando há interesse, a aprendizagem é duradoura. Leva em conta o potencial, as virtualidades, direcionando o ensino para essas características.

Qualidade de escola forte, puxada, para os pais, revelada em pesquisas, está, em primeiro lugar, trabalhos escolares; em 2.º, horas de estudo e, em 3.º lugar, as lições de casa. Nos métodos renovados, o aluno passa a ter mais atividades extraclasses e menos tarefas em cadernos. As escolas, para ciência dos pais, anotam, nos cadernos dos alunos, os trabalhos realizados fora da sala de aula, substituindo a lição de casa.

A própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) inspirou-se no socioconstrutivismo ao permitir currículos mais flexíveis e regionalizados. O socioconstrutivismo vai buscar seus fundamentos nas teorias do desenvolvimento humano e do processo de alfabetização, requerendo, para sua aplicação, currículos mais flexíveis. É um método já consagrado mundialmente; o problema é que para funcionar exige dos professores sólidos conhecimentos e essa não tem sido a realidade constatada. É ainda precária a percepção da reforma de ensino pelos professores. Muitos afirmam desconhecer as profundas mudanças requeridas pela pedagogia aberta. Por sua vez, os pais, pressionados pela excessiva competição no universo profissional, pensam em uma instituição que dê muito conteúdo desde a pré-escola, trazendo reflexos visíveis para o mundo infantil. A concepção “preparar-se para a vida” faz com que os pais pressionem as escolas para realizar a transformação de seus filhos, ainda pequenos, em futuros profissionais competentes. Essa preocupação seria compreensível se se tratasse de alunos do ensino médio, mas eles deixam claro que a “hora de brincar” – alusão à educação infantil – já passou e que as “crianças de 7 anos devem cair na realidade”. Querem, agora, uma escola voltada ao conteúdo, propondo uma esquema rígido de ensino, desde a infância.

A criança estará, contudo, melhor preparada para a vida se educada de forma aberta, sendo olhada no sentido de suas necessidades, de seu desenvolvimento e de seus interesses. Criatividade é passaporte para o futuro. Hoje, o mercado pede dos profissionais iniciativa, inventividade, cooperativismo, bom relacionamento em trabalhos de grupo.


São principalmente para esses aspectos, para o desenvolvimento da autonomia na aprendizagem, que prepara o socioconstrutivismo, que coloca seus temas em relação ao mundo do estudante.

As escolas despertaram-se para o socioconstrutivismo influenciadas, também, pela LDB, que determina estar o trabalho docente centrado em três vertentes: conceitual (o que é ensinado ao aluno), atitudinal (o desenvolvimento de valores) e procedimental (o clássico, aprender a aprender). Para atender às exigências da Lei, a escola opta por três direções: o construtivismo, o sociointeracionismo e o socioconstrutivismo. Não são orientações que fornecem receita para todos os problemas educacionais, mas caminhos que ajudam a refletir sobre como se constrói o conhecimento. O professor não mais oferece o conhecimento, redefine o seu papel como o mediador entre o saber e o aluno, base do socioconstrutivismo.

Com a mudança, a sala de aula passou a ser o laboratório em que “se ensina a fazer”. Os pais vão perceber, com o tempo, que não é a quantidade, mas a qualidade do conhecimento que promoverá o futuro do filho.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2002)

CURRICULUM VITAE

CURRICULUM VITAE

DE

IZABEL SADALLA GRISPINO

PRINCIPAIS ASPECTOS DO CURRÍCULO

  • Licenciada em Letras Neolatinas pela Universidade de São Paulo, ano de 1954;
  • Curso de pós-graduação em Língua e Literatura Francesa, a nível de mestrado, quando defendeu a tese: “O Simbolismo Francês e a poesia de Paul Verlaine e Arthur Rimbaud”;
  • Pós-graduação em Língua e Literatura Espanhola, em Filologia Portuguesa e Literatura Brasileira;
  • Licenciada no Curso de Pedagogia, com especializações em Administração, Supervisão, Orientação Educacional e Coordenação Pedagógica;
  • Ocupou, por concurso, na educação básica, as cadeiras de Português e de Francês e no ensino superior de Língua e Literatura Francesa;
  • Na área de administração e supervisão, exerceu, por concurso, os cargos de diretor de escola e de supervisor de ensino;
  • Foi membro integrante da Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (CENP) da Secretaria da Educação, onde monitorou e coordenou cursos de atualização, de aperfeiçoamento e de especialização em língua portuguesa, de 125 horas, para professores e especialistas da educação do ensino fundamental e médio, então, 1.º e 2.º graus;
  • Preparou, treinou, pela CENP, monitores, dos cursos montados, para todo o Estado de São Paulo;
  • Foi membro da equipe designada pelo Departamento de Recursos Humanos, da Secretaria da Educação, no Projeto “Capacitação de Recursos Humanos para o Ensino de 1.º e 2.º graus”, para proceder à análise crítica do texto-base, elaborado por insignes professores da Unesp, Araraquara: Cacilda de Oliveira Camargo, Maria Helena de Moura Neves, Najla Lauand e Sebastião Expedito Ignácio, designados que foram pelo MEC. Análise crítica no sentido da adequação do texto ao nível pretendido. A equipe foi, também, responsável pelo treinamento dado aos professores da rede.
  • Foi colaboradora do livro de Instrução Programada “Língua Portuguesa” – 5.ª à 8.ª série – 1.º grau – Secretaria de Estado da Educação;
  • Orientadora, pela USP-São Paulo, de estágios supervisionados do Curso Normal e de Letras;
  • Ao longo da carreira, participou de uma gama considerável de cursos de atualização, de aperfeiçoamento e de especialização, na perspectiva da educação continuada;
  • Autora de crônicas, de centenas de artigos educacionais, comportamentais, sociais, religiosos, publicados em jornais e revistas. Atualmente, está se propondo a registrar uma fase histórica da educação brasileira, ou seja, os principais passos da implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), n.º 9394/96, em seus diversos e amplos aspectos e a realidade do ensino no momento dessa implantação.
  • Poetisa, que reflete em seus versos as grandes questões humanas, os estados de alma, a problematização do ser. Retrata a alma em suas características universais, em suas inquietações diante dos enigmas da existência. Há momentos de muito lirismo, da exaltação do amor, da dor da saudade, das ilusões e desilusões, das amarguras e dos encantos da vida e há momentos de muita reflexão, de observação imparcial da realidade social e política, quando passa, então, sua visão de mundo, sua interpretação dos fatos, numa análise objetiva e subjetiva, porém, sempre crítica. No fundo, freqüentemente, é a poesia didática, é a mestra preocupada em ajudar, em orientar, em alertar, buscando suavizar o sofrimento da humanidade e contribuir para um mundo melhor. Há poesias de versos livres, mas, a sua formação clássica fala mais alto, quando observa com rigor, na grande maioria dos versos, a métrica e a rima;
  • Compositora musical – letra e música – de dezenas de obras sacras e populares;
  • Dentre as valiosas experiências, exercidas no magistério, ao longo da carreira, destaca os cursos ministrados, em larga escala, para professores e especialistas da educação, regando e adubando o terreno para melhor fazer brotar a semente educacional.

(Publicado em novembro/2000)

PROIBIR É A SOLUÇÃO?

Izabel Sadalla Grispino *

Como a escola pode ajudar as crianças frente à TV? Como educar a leitura que elas fazem da TV?

O primeiro passo é, sem dúvida, conhecer os programas a que elas mais se apegam. Estudar-lhes as características e os aspectos que mais as impressionam.

Proibir, simplesmente, não é o caminho. A proibição só vai aguçar a curiosidade, a vontade de assistir-lhes. Ao proibir, é preciso explicar as razões. Manter com as crianças uma aprendizagem crítica, uma aprendizagem do pensamento divergente. Ensinar a criança a questionar, a duvidar, a encontrar outras saídas, diferentes das apresentadas no filme. Duvidar do que se vê é um bom exercício mental, dizem os psicólogos. A atitude reflexiva favorece a elaboração de exercícios mentais, que a criança pode exercitar ao assistir aos filmes, aos desenhos.

Passando esse comportamento para a prática, uma escola relatou sua experiência, que pode ser de valia a outras escolas. Os professores notaram que a brincadeira que mais se sobressaia, em crianças na faixa de 4 a 5 anos, era a “Pouver Rangers”. Foram conhecer este programa. Perceberam, entre outros fatores, que os heróis, no caso japoneses, conquistam tudo magicamente e apenas pelo prazer da luta e não em razão de um ideal. Não agem de modo inteligente ou com astúcia. São heróis que empobrecem a imaginação da criança, diferentes dos heróis de antigamente, que conquistavam pela busca de um ideal.

Os professores, após terem assistido e avaliado os programas, passaram, em dias alternados, a promover sessões de TV entre os alunos. Foram escolhidos o Sítio do Pica-pau Amarelo, o Castelo Rá-Tim-Bum e um filme dos Pouver Rangers. Embora as crianças apreciassem todos, mostravam preferência pelo Pouver Rangers. Porém, após tê-lo assistido, a meninada ficou muito excitada, mais agitada e mais agressiva na hora de brincar.

Uma das estratégias adotadas foi encaminhar a criança para uma esclarecida interpretação. Professor e aluno raciocinavam juntos, a criança era encaminhada à ponderação, ao abrandamento das lutas suicidas, a exaltar ações que conduzem ao amor, ao bem.

Uma outra preocupação dos pais e dos professores é com os jogos eletrônicos.  Até que ponto os videogames viciam e o que fazer? Especialistas da área de tecnologia dizem que a escolha dos jogos não pode ser aleatória. Eles devem ser relacionados segundo as características de cada criança, considerando, também, os aspectos socioculturais , educativos e psicológicos.

A criança, ao jogar, expressa seu juízo moral, através da livre escolha que faz do destino do personagem, da tomada de decisões e dos sentimentos manifestados. Isso dá a oportunidade, aos pais, aos educadores, discutirem, esclarecerem os aspectos necessários à condução de uma postura moral, compatível aos valores sociais. É preciso fazer a criança entender que o jogo é uma fantasia momentânea; fantasia, imaginação e não realidade.

Os videogames têm seu lado positivo e negativo. É uma questão de regra e limites, que vale para o videogame, a TV, o computador, a Internet. Crianças que jogam de forma compulsiva sofrem os malefícios decorrentes, como sua exclusão do convívio social, o descumprimento de suas obrigações, dos efeitos colaterais orgânicos, como irritação dos olhos, excitação, insônia, principalmente quando os jogos são muito violentos.

Com horário e disciplina, os jogos podem trazer benefícios. Confirmam os especialistas que videogames e jogos para computador são excelentes para o desenvolvimento cognitivo. Desenvolvem a percepção, a memória visual e auditiva, a rapidez, o raciocínio, a capacidade de solucionar problemas e, até mesmo, a socialização, quando jogados via Internet.

Em trabalhos psicopedagógicos, os softwares são bastante utilizados. Nas salas de aula, compete ao professor explicitar os conceitos envolvidos, a fim de que o jogo se converta em instrumento de aprendizagem. É importante que se discutam as questões morais, éticas e de relações humanas, implícitas nos jogos, praticados na sociedade, na escola, em casa.

Em tudo, não há modelo único de educação. Vai depender de cada criança. As regras e os limites devem ser passados dentro dos conceitos éticos, morais, culturais de cada sociedade, de cada família. O importante é conhecer a criança que se tem à frente para ser educada e agir de acordo com cada caso. Para impor limite aos videogames, ao computador, estuda-se a melhor forma, como programar atividades compartilhadas, passeios, esportes, diálogo... Disciplinar os horários, conscientizá-los da hora de estudar, de dormir e de brincar, é imprescindível. Videogame, por exemplo, só depois da lição de casa feita.

Com a finalidade de evitar a violência do jogo, a prática de atos sexuais e desvirtuamento de valores éticos e morais, o Ministério da Justiça definiu a norma de que todos os cartuchos e CDs, de games, tragam, em suas embalagens, um selo de classificação etária.

O Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento – CAD --, clínica formada por uma equipe multidisciplinar da capital, explicitou regras úteis para o aconselhamento e à aprendizagem de crianças e de jovens.

Dos 3 aos 7 anos: as regras são externas à criança, que espera que os adultos lhe dêem ordens. Aproveite a fase para fixar bem a rotina e estabelecer hábitos saudáveis;

Dos 7 aos 12 anos: a criança começa a internalizar as regras. Explique os porquês de suas exigências, sem abrir mão delas. Ela espera esse limite do adulto. É uma boa fase para trabalhar direitos e deveres, estabelecer horários das atividades escolares, de lazer e sono;

Dos 12 anos em diante: o jovem já deve ter adquirido autonomia e capacidade de pensar os valores por si mesmo. Diálogo é essencial. Ele deve participar da construção e/ou reformulação das regras para poder organizar sua própria vida. Vai exigir coerência dos pais e dos educadores e um compromisso recíproco de respeito às regras.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2002)

A MÚSICA COMO RECURSO DIDÁTICO NAS ESCOLAS

Izabel Sadalla Grispino *

Um acontecimento pessoal aproximou-me do coral Madrigal Revivis da USP/Ribeirão Preto. Sou autora, letra e música, do “Hino do Centenário da Igreja São Mateus”, Igreja-matriz de Guariba. O coral esteve presente à missa solene, realizada em comemoração ao centenário da Igreja. Entre outras peças, que abrilhantaram a apresentação, o coral cantou, com extraordinária beleza, o Hino, em quatro vozes, num arranjo do talentoso José Gustavo Julião de Camargo, integrante do coral.

Conheci, na ocasião os componentes do coral, a figura exponencial de seu diretor artístico e regente titular, o maestro Sérgio Alberto de Oliveira, uma pessoa que traz a música na alma. O coral como um todo falou-me; cativou-me pelo profissionalismo, pela arte, pela técnica, pela afetividade. Constatei a presença de jovens formandos, lutando pela afirmação no mercado de trabalho, mas colocando em peso de igualdade o ideal, o deleite pela música. O coral é um misto de pessoas jovens e de mais idade, prevalecendo o aspecto jovem. Jovens que são exemplo, que são alento, que batalham para difundir o belo, difundir o bem, povoar o mundo de sentimentos de paz, de solidariedade que a música inspira, que propiciam, com suas lindas vozes, o cultivo da espiritualidade, espalhando cultura humanística.

O Coral Madrigal Revivis, do campus, em 20 de novembro de 1999, venceu o Mapa Cultural Paulista, o mais importante concurso do Estado. Foi o primeiro coral da região a receber o prêmio, ofertado anualmente pela Secretaria Estadual da Cultura, em que participam centenas de cidades. Ele é, sem dúvida, um patrimônio cultural que orgulha a cidade de Ribeirão Preto.

A música vem, com força, sendo redescoberta em seus variados ângulos, exaltada como portadora de equilíbrio. Nos hospitais é cada vez mais recomendada, como terapia aos doentes. A música acalma, suaviza a dor, incentiva a capacidade de sonhar, abre as portas da esperança. Ela se encarrega de levantar o astral do doente, encorajando-o à recuperação.

Nas escolas, um fundo musical nas salas de aula, em determinadas situações – com  peças clássicas, suaves, peças inesquecíveis de Mozart, Schubert, Chopin, Beethoven, Mendelssohn, Handel, Villa-Lobos entre outros – educa para a música, sugere, desperta o sonho, a criatividade, a imaginação, trabalha a alma, ajuda na concentração, na elaboração de textos e de poemas. A poesia é um outro valioso recurso didático de que a escola deve se apropriar. Enseja ao aluno externar seus sentimentos, expor sua visão de mundo.

Já há experiências pedagógicas concretas da utilização da música, em formação de corais, para a recuperação de alunos rebeldes, dispersos, problemáticos. Os alunos se envolvem na atividade, se entusiasmam pelo protagonismo nas apresentações, quer na escola, quer na comunidade e passam a ser mais responsáveis. O prazer da música contamina e traz o prazer de estudar; muda o ambiente e a aprendizagem melhora gradativamente.

A música na escola não se constitui mais em uma disciplina específica como era antigamente, mas há várias maneiras de introduzi-la no currículo, de abrir-lhe um espaço, em trabalhos individuais ou coletivos, isolados ou interdisciplinares. A escola deve, inclusive,  voltar, através dela, a desenvolver o sentimento cívico, o amor à pátria, fazendo os alunos cantarem os hinos pátrios.

A música, segundo recentes descobertas, não é privilégio do gênero humano. A revista Science publicou resultado de pesquisas assinalando de que no reino animal o gosto pela música existe há dezenas de milhões de anos. Há um instinto musical que antecedeu, em muito, a raça humana e pode estar bastante difundido na natureza, diz a revista.

A biomusicologia estuda o papel da música em todas as coisas vivas. Mostra não ser privilégio dos seres humanos a habilidade de compor música; um certo número de animais produz música e não apenas sons e trinados esparsos ou cacofonia. Uma análise de melodias entoadas por pássaros e baleias corcundas – também chamadas jubartes – mostrou que esses animais convergem para as mesmas opções acústicas e estéticas e seguem as mesmas leis de composição melódica proferidas pelos humanos. Dizem os pesquisadores que as jubartes machos usam ritmos como os encontrados na música humana e frases musicais de duração similar. As baleias têm um alcance vocal de no mínimo sete oitavas, mas tendem a cantar cadenciadamente, com intervalos musicais, ao invés de passar rapidamente de uma oitava para outra, ou seja, cantam dentro de uma clave. Outro fato impressionante é que as músicas das jubartes têm refrões e rimas.

Os pássaros também compõem músicas com as mesmas notas, variações rítmicas, padrões harmônicos e relações de tons encontrados em composições humanas. O tordo-eremita canta na chamada escala pentatônica, na qual as oitavas são divididas em cinco notas. A corruíra-do-brejo da Califórnia, canta até 120 temas, em uma única “sessão”, com cada tema repetido por seu vizinho imediato, numa espécie de diálogo sonoro.

Alguns pássaros usam até instrumentos, escrevem os pesquisadores. A cacatua da Austrália escolhe um tronco de árvore com determinada ressonância e em seguida arranca um de seus galhinhos para usar como baqueta.

Se há um instinto musical, se a música é inerente ao ser humano, à natureza, ela deve se constituir em força propulsora de sublimes realizações.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2001)

FACES DA VIOLÊNCIA

Izabel Sadalla Grispino *

A criminalidade está crescendo e o povo está em pânico. Ela se expande, evolui de tal modo que vivemos por ela cercados, em período integral.

Há alguns meses, escrevi sobre violência no artigo “A violência nas escolas”, revelando a face da miséria, do abandono, do desemprego, da exclusão social. Retratava a classe pobre, crianças e jovens das favelas, das periferias. Dizia eu: “A violência, entretanto, não é fruto da escola, não se origina nela. A escola trabalha com o efeito, as causas lhe são externas. A violência nasce nos becos das favelas, nas ruelas escuras das periferias, na urbanização desenfreada, desordenada. Ela nasce da miséria, do desajuste familiar, da ausência de condições razoáveis de vida, da ausência de educação. A violência é fruto de um conjunto de fatores socioculturais, por isso a escola sozinha não tem como resolver o problema. É necessário uma ação de todas as instituições, ações multidisciplinares, interdisciplinares, envolvendo escola, família, igreja, judiciário, polícia e governo”. Pesquisa feita pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade de São Paulo demonstra a relação direta entre pobreza e violência. Demonstra, ainda, que a violência se concentra em áreas de maior população, com moradores de menor renda e de baixa escolaridade.

Hoje, outra face da violência se descortina. De suas origens maltrapilhas, ela avança e atinge a classe média e a classe média-alta. Notamos, com freqüência, em noticiário policial, crimes, vandalismo, consumo e tráfico de drogas, estampando jovens de perfil revelador de classes abastadas. O novo delinqüente veste roupa de grife, freqüenta colégios caros, tem carro próprio. É jovem bem-nascido, que se caracteriza por comportamento anti-social. Os fatores apontados para esse desajuste recaem, prioritariamente, sobre a desestruturação da família. Pais separados, desestabilizando o emocional dos filhos, a perda de referência ou pais, mesmo juntos, que pecam pela falta do exercício da paternidade. Pais excessivamente preocupados com sua ascensão profissional, sem tempo e nem vontade para conversar, para interessar-se pelo dia-a-dia do filho ou simplesmente sem vontade de abraçar, fazer o filho sentir-se amado e importante. Esse distanciamento derruba pilares na estrutura da alma, cria vazios afetivos. Esses pais procuram compensar suas ausências com valores materiais, carro, boa mesada, jóias, celular, empurrando o jovem para o consumismo. Na ânsia de querer bens, cada vez mais sofisticados, os jovens acabam enveredando por sendas ilícitas.

Os pais, sempre distantes, sempre “ocupados”, abrem caminho para que a permissividade aconteça, para uma educação sem limites, sem balizas éticas. Os jovens começam por transgredir normas e valores e acabam caindo num consumismo agressivo. Filhos precisam de pais por perto, de carinho, de atenção, de companheirismo. Precisam de uma mão firme, conduzindo, orientando. A falta do suporte emocional gera insegurança, fragiliza e torna o jovem presa fácil do ilícito. O fortalecimento da família, as relações pais e filhos devem ser aprimoradas e pais conscientizados da importância do diálogo, do amor na criação dos filhos e do sentimento de religiosidade.

Entre outros agravantes da violência, citam-se a influência via TV, cinema, os delírios dos shows de auditório, a valorização do sucesso, independente do meio utilizado, ou os desvios comportamentais, vistos com aparência de normalidade.

O crime evoluiu em toda a sua dimensão. A criminalidade atinge todas as camadas sociais. Agiganta-se e tem sua outra face nas megas organizações nacionais e internacionais, que se apoiam no próprio progresso tecnológico e empresarial. O crime organizado atua com eficiência, portando poderoso arsenal bélico. Confronta-se, entre nós, com uma polícia depauperada, tanto em recursos humanos quanto instrumentais, sempre havendo grande possibilidade de o bandido não ser apanhado e, quando preso, se evadir. Ele foge pelo subsolo, por terra, pelo ar, quando não, garante sua impunidade através de um esperto advogado, que encontra no Código de Processo Penal chances de recurso e de prescrição da pena. A violência tem, também, a face das táticas de guerrilhas, dos movimentos armados, que se especializam em assaltos a bancos e, mais freqüentemente, em seqüestros milionários.

Tráfico de drogas, contrabando de armas e seqüestros saem dos  bilhões de dólares que se sustentam, largamente, pela lama das favelas. Hoje, populações inteiras de  favelas vivem à custa das drogas, único emprego ali existente. A miséria, material ou espiritual, é o instrumento que sustenta o banditismo, que lhe dá suporte financeiro.

Voltando à escola, direi que ela precisa conhecer para combater, para conscientizar. Deve aproveitar as reuniões de Pais e Mestres, os Conselhos de Escola, oportunizar outros encontros, para esclarecer, para discutir e atuar, conjuntamente, na prevenção da violência. A escola exercerá um papel fundamental no combate à criminalidade, na medida em que conclamar pais, comunidade a se juntarem a ela, nessa luta de extrema gravidade e que exige a participação de todos nós. Este artigo inspirou-me os versos abaixo:

 

SOCIEDADE AO DEUS-DARÁ

 

Abro o jornal; morte, violência,

É o caos, uma irreverência!

São barbáries tão recorrentes,

Que passam como inexistentes!

O homem parece anestesiado,

Prostra-se, não tem mais reação,

É um ser vivendo angustiado,

Sofrendo, sem apelação!

Miséria e lama nas favelas,

Todo um pessoal desempregado,

Coabitando à luz de velas,

Num viver marginalizado!

Brutal inversão de valores,

Cultiva dores, nunca flores,

Cidadania que é bem comum,

Torna-se privilégio de alguns!

O grito rouco de socorro

Fica congelado no morro,

Ensurdecido ao governante,

Com seu discurso humanizante!

De oratória em oratória,

Fica mais negra a trajetória,

E essa vida, que é tão bela,

Está virando triste cela!

 


* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2005)

MARCAS DA DESIGUALDADE EDUCACIONAL

Izabel Sadalla Grispino*

A política de reserva de vagas, além de inconstitucional, não é o meio mais adequado para garantir acesso ao ensino superior, conforme argumentei no artigo anterior. Continuarei, neste, a abordar o assunto, trazendo maiores esclarecimentos.

Ampliando a visão a respeito, vejamos o que nos expõe o estatístico Adilson Simonis, do Instituto de Matemática e Estatística da USP, em seu “Estudo do desempenho dos candidatos da Fuvest/USP”. Diz ele que a reserva de vagas acarreta forte redução nas notas de corte do vestibular, nota que o candidato precisa alcançar para entrar na segunda fase do exame. Em conseqüência, alunos mais bem preparados perderiam o lugar para os despreparados, que viriam prejudicar o desempenho acadêmico.

O Estudo analisou o desempenho dos candidatos nos dois últimos vestibulares e concluiu que a política de quotas viria trazer um rebaixamento no nível do ensino, afetando sua qualidade. “Nas carreiras mais concorridas, um conjunto de alunos com média total de 661 (escala de 0 a 1000) seria excluído e substituído por outro grupo, com média 481, ou seja, seriam impedidos de entrar na USP alunos que tiveram um desempenho, no vestibular, de 37% superior”.

Explicou, ainda, que, em relação à nota de corte da primeira fase, haveria duas listas de convocados, uma para egressos das escolas públicas e outra para as privadas, com nota de corte diferente. “No caso do curso de engenharia, por exemplo, a nota de corte seria 81 para os primeiros e para os demais 131, isto é, uma diferença de 50 pontos numa prova. Assim, alunos de escolas privadas com 131 não seriam convocados, sendo substituídos por outros com nota 81”.

Na minha primeira abordagem, sobre este assunto, no artigo:  “Educação:  confusão  entre  ordem  direta  e inversa”, fiz as seguintes considerações: “Tenho, em meus artigos, reiteradas vezes, chamado a atenção para o baixo nível de ensino de nossas escolas oficiais. Tenho tentado mostrar a necessidade de se desenvolver nas escolas um ensino de qualidade, único fator capaz de nivelar, de dar oportunidade de igualdade a todos os cidadãos, independentemente de cor, raça ou classe econômica. O ensino de baixa qualidade das escolas oficiais vem se traduzindo, cada vez mais, em mecanismo de reprodução das desigualdades sociais existentes. A importância de uma educação de qualidade na vida pessoal e social já foi, exaustivamente, delineada em várias ocasiões”.

No Rio de Janeiro, com a aprovação do projeto de reserva de vagas, surgiu todo um processo de reparação aos possíveis males ao ensino. Visando garantir a qualidade do ingresso, previu-se, na regulamentação da lei, que trata da reserva na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), de que ela só terá validade para o aluno que se submeter a testes ao longo do ensino médio. O documento prevê, ainda, que a reserva seja adotada somente para o vestibular de 2003, oportunizando as condições preestabelecidas.

Serão programadas avaliações durante o ensino médio, avaliações continuadas que funcionarão como indicadores de qualidade. Os alunos serão submetidos a quatro provas durante o ensino médio (duas no último ano). “Somente alunos que obtiveram um coeficiente mínimo de aproveitamento nos testes terão direito à reserva de vagas”.

Será também instituída uma comissão de representantes das secretarias de Ciência e Tecnologia e da Educação e do movimento estudantil para acompanhar a aplicação das provas. Foi estabelecido, também, como critério de que o aluno deva cursar toda a vida escolar em instituições públicas.

Se o projeto vier a ser aprovado no Estado de São Paulo, seguramente, será, na sua regulamentação, acompanhado de critérios de rigidez. Se forem adotados procedimentos similares aos do Rio de Janeiro, o ensino médio, também, no Estado de São Paulo, caracterizar-se-á por uma seqüência de provas preparatórias para o ingresso ao ensino superior.

Contudo, esse processo de avaliação, montado durante todo o ensino médio, não obtém consenso entre os especialistas da educação. É a chamada “Avaliação Progressiva”, também, já formulada em projeto de lei e que chegou a tramitar no Conselho Nacional de Educação, mas que parece não ter chegado a um bom termo. É um processo de seleção ao ensino superior feito ao longo dos três anos do ensino médio. Seria um escalonamento do vestibular em três séries, transformando o ensino médio numa transição para o ensino superior.

Essa proposta tem suscitado controvérsias entre os educadores, assinaladas por mim, no artigo “Sistemas diferenciados de avaliação para o ingresso ao ensino superior”. Os educadores questionam o conceito maior da educação desse nível de ensino, ou seja, a formação básica da cultura geral e dizem que esse processo de seleção acarretaria a obstrução das etapas normais do desenvolvimento das faculdades intelectuais, das faculdades formativas de valores e atitudes. Sobre o aspecto amplo da formação do aluno, dir-se-ia que esse processo de avaliação periódica seria prejudicial ao ensino médio. “Roubaria do aluno o tempo destinado à leitura suplementar, à pesquisa, à atenção destinada às potencialidades, pré-requisitos essenciais à formação integral e à atuação do futuro profissional”.

Com essa política de reserva de vagas, cria-se um impasse na educação. É como diz a letra da música: “Se ficar o bicho come, se correr o bicho pega”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2001)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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