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Artigos Educacionais

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O ENCONTRO DA FÉ E DA RAZÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Com este artigo, finalizo a série que venho publicando sobre fé e razão. A velha rivalidade não se restringe à análise da origem das coisas e do universo; atinge, também, o comportamento humano. Registro, sucintamente, algumas passagens.

Sobre a evolução do comportamento humano, a sociobiologia, surgida por volta de 1976, estudando o substrato biológico do comportamento social, passou a idéia de que é possível analisar o comportamento dos animais pelos genes. Haveria uma seleção natural, onde as chances de reprodução seriam amplificadas de geração em geração; uma filtragem progressiva de mutações aleatórias que explicariam a evolução dos traços físicos do animais; mas explicaria o seu comportamento?

Discordando dessa teoria, um grupo de cientistas relutou em aceitar que um processo mecânico, e não um Deus, tivesse podido criar uma criatura tão perfeita, como o homem ou como o animal.

Quanto ao comportamento humano, apoiavam-se no padrão das ciências sociais, das ciências humanas, que diziam ser ele moldado em fatores culturais, arbitrários e suscetíveis de variar ao infinito, porque escapam às limitações biológicas que afetam os animais. Questionavam o eugenismo, sem contudo, anular os fundamentos genéticos do comportamento dos animais.

Mais recentemente, contudo, há cerca de uma década, numerosos antropólogos, psicólogos, sociólogos, voltam a analisar aspectos do comportamento humano à luz da teoria evolucionista de Darwin. Na Grã-Bretanha, a segunda revolução darwiniana atinge o grande público, transforma-se num fenômeno editorial, com a publicação da série intitulada “Deus, os genes e o destino”.

O escritor inglês William D. Hamilton abordou genética e antropologia, em correlação. Preocupou-se com o problema do altruísmo (na época, um problema para os darwinistas): quando alguns pássaros percebem um predador, emitem um grito de alerta a seus congêneres, correndo o risco, eles mesmos, de serem apanhados. Entre as formigas e as abelhas, as castas de operárias estéreis passam a vida inteira alimentando a raínha-fecunda.

Para Hamilton, somos geneticamente levados a ajudar nossos irmãos e irmãs que possuem, em média, a metade de nossos genes – teoria da relação parental. No interior de um mesmo organismo, a cooperação entre as células, portadoras dos mesmos genes, é total.

Nessa altura, assistimos novamente à dualidade razão e fé. Os genes explicam tudo? Ou o homem está submetido a dois tipos independentes de evolução: a cultural e a biológica, conforme querem, hoje, as ciências humanas? A seleção natural é aleatória? A perfeição do corpo humano é fruto do acaso ou é planejado e da ordem maravilhosa da vida, resultante de uma Consciência que presidiu sua elaboração? As mais altas faculdades do espírito humano são simplesmente derivadas da matéria?

O papa João Paulo II, a respeito, assim se expressou: “Existem leituras materialistas e reducionistas, como leituras espiritualistas da teoria da evolução de Darwin. O julgamento final, nesse ponto, é da competência própria da filosofia, além da teologia”.

Meditando sobre nós mesmos, sentimos que as fortes aspirações humanas de paz, de felicidade, ou o seu inverso, as apreensões, as angústias, os sofrimentos levam o homem a se evadir, a sair desse plano terrestre, sair da matéria,  a buscar a sublimação, uma transposição capaz de lançá-lo a uma dimensão superior, ao infinito, onde, seguramente, habita Deus.

Independentemente das teorias existentes, são as luzes da alma que conduzem o ser às realizações positivas e essa luz, seguramente, não é fruto da matéria. Essa luz sai dos nossos sentimentos, do nosso espírito, da parte inatingível de nosso ser, do nosso psiquismo, da nossa conduta e não carece de método experimental, de comprovação científica para assegurar sua existência.

O ser sem fé é um ser amargo, ressequido, árvore que não floresce, que se quebranta, aos poucos, antes de morrer. É a própria razão que nos conduz à fé, que nos ensina que precisamos dela para uma vida melhor. A fé, por sua vez, enriquece e enobrece a razão. Há uma inter-relação, uma reciprocidade autêntica entre elas.

Essas reflexões inspiraram-me a poesia “No além, a presença de Deus”. Respondam comigo, prezados leitores, as questões que nela formulo. Para mim, a resposta está na última estrofe e para você?

NO ALÉM, A PRESENÇA DE DEUS

Se nada, além da vida, existe,
O que é esse amor que se sente?
Esse anseio de continuidade,
O sonho da posteridade?

Se nada, além da vida, existe,
Por que essa raiz tão consistente?
Essa consciência profunda
Do dever, que o ser inunda?

Se nada existe além da vida,
Se tudo acaba na partida,
Qual sentido da ação ingente,
Que arrasta a alma da gente?

Se pro ateu só razão consiste,
Só pelo cérebro a alma existe,
Como explicar o dom de amar,
O impulso pra construir, gerar?

Quem pôs ao homem tais sentimentos?
Quem nos deu os altos alentos?
Acaso, são frutos do nada?
São restritos a essa jornada?

No além desta vida, eu lhe digo,
Há Deus que caminha consigo,
Que lhe cobre de amor bendito,
E dá-lhe a graça do infinito.


* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2001)

A APRENDIZAGEM EM BASES CIENTÍFICAS

Izabel Sadalla Grispino *

A Educação Infantil é uma preocupação mundial. Educar a criança é o ponto de partida para a transformação social, para se construir um mundo de valores, os quais se diluem diante de nossos olhos. Se a criança é o adulto de amanhã, como será esse adulto sem uma base de sustentação montada na infância? Base sem consistência, edifício desmoronado!

Por essa razão, cerca-se o estudo do desenvolvimento infantil de todas as áreas: pedagógica, psicológica e científica. A escola não pode parar no conhecimento, tem que avançar, caminhar par a par com as descobertas que vêm surgindo e, com elas, reformular-se.

Até ontem, acreditava-se que os alunos lentos na aprendizagem, com certa dificuldade de adquirir o conhecimento, eram somente produtos de uma situação de pobreza, de problemas familiares, de falta de prontidão. Hoje, com as descobertas da ciência, certifica-se que a causa pode ser genética e como tal pode e deve ser tratada. Esta foi a declaração dada à TV britânica, em março de 2003, por James Watson, um dos dois cientistas que descobriram a estrutura do DNA, há 50 anos, conquista que lhe valeu o Prêmio Nobel de Medicina em 1962. Nessa declaração, o cientista afirma que “a burrice é uma doença genética que deveria ser tratada”. “As pessoas burras, continua ele, ou com coeficiente intelectual baixo, que não têm um transtorno mental diagnosticado, sofrem de uma desordem transmitida de forma hereditária pelos genes, como ocorre com doenças como a fibrose cística ou a hemofilia”. “Se alguém é realmente burro, chamaria isso doença”, reforça esse renomado professor, grande  impulsionador  do Projeto Genoma Humano, a iniciativa internacional para decifrar o chamado mapa da vida.

James Watson conclama ao uso da engenharia genética para melhorar a raça humana. Pede aos cientistas que desenvolvam tratamentos genéticos, que façam exames pré-natais para prevenir o nascimento de crianças burras. “É injusto que as pessoas não tenham as mesmas oportunidades (de ser inteligentes). Uma vez que se dispõe de métodos para melhorar nossas crianças, ninguém pode evitar sua aplicação. Seria “burro” não usá-los”, defendeu Watson.

Um outro aspecto, agora vindo da psicologia infantil, a ser observado pelos educadores e de fundamental importância para o desenvolvimento da personalidade, é a solidão na infância. A dificuldade de socialização, quando a criança não faz amizades e se acostuma ao isolamento, significa que algo está errado; é o momento de se buscar ajuda.

A dificuldade de se relacionar com outras crianças é mais evidente na escola, onde se aprende a arte da convivência. Esse comportamento, revela-nos a psicologia, pode ser sintoma de que ela está passando por algum problema, como, por exemplo, a separação dos pais, a falta de atenção, de carinho, a baixa auto-estima.

No ambiente microssocial que é a escola, é muito importante o professor não se limitar à sala de aula. Observar o aluno no recreio, nas horas de lazer, se ele se afasta, se não se achega aos coleguinhas e comunicar-se com os pais. Manter com os pais cumplicidade, facilitando o diagnóstico do problema e a busca de solução. As crianças que se isolam na hora do recreio, que têm dificuldades de fazer amiguinhos, mostram sério sintoma.

O professor deve incentivar o relacionamento dessa criança com seus coleguinhas e os pais devem brincar mais com esse filho, convidar outras crianças para brincar  com ele  em casa.  Os pais devem buscar espaços onde haja mais crianças e estimular atividades coletivas. Não resolve, por exemplo, levar a criança ao shopping, onde há muita criança, mas sem interação entre elas. Os psicólogos chamam a atenção para a terapia infantil, chamada ludoterapia, considerada importante no caso de crianças com dificuldade de relacionamento.

Os psicólogos dão uma relação de motivos do isolamento infantil:

  • Muito convívio com adultos ou dedicação a atividades solitárias, como videogame, TV, computador. O que fazer? Os pais devem incentivar o convívio com outras crianças e as escolas programar atividades em conjunto.
  • Quando a criança tem gostos e características diferentes da maioria, quando tem maior sensibilidade, ou preferência pela leitura, deve-se ajudar essa criança a encontrar amigos que compartilhem dos mesmos prazeres.
  • Uma séria causa de isolamento e de outros comportamentos anti-sociais é quando a criança está enfrentando problemas familiares, discórdia entre seus membros. Ocasião em que toda a família deve procurar terapia, parar para reflexão, porque o que se constata é que a violência sai das ruas e invade os lares das mais variadas formas.

A sociedade passa por transformações num ritmo intenso, mudando valores morais, sociais, religiosos e a família se ressente da mudança, gerando conflitos. Um mundo novo se descortina e as pessoas não estão sabendo bem como agir. Antes, contava-se com fórmulas mais exatas, com respostas que se programavam, com modelos que se seguiam. Agora, passa-se por alternâncias de desconstrução/reconstrução, sem um guia seguro. Tem-se que enfrentar novos desafios, fazer escolhas num terreno em que não se está preparado. Os parâmetros fixos que orientavam as pessoas não existem mais.

O aprender a conviver com o novo repercute na  família,  de  modo a provocar instabilidade, insegurança. A criança absorve o ambiente conturbado e passa a ter problemas emocionais, viés de comportamento. Os problemas familiares são abrangentes e as causas da desestabilização da criança estão embutidas nas atitudes dos adultos.

O professor alcança a aprendizagem de todos os seus alunos quando se torna um profissional interessado, participativo de suas vidas, não se contentando com a posição de mero espectador. Ele não pode, inclusive, prescindir da educação continuada. Novas descobertas, novas pesquisas, novas avaliações surgem e é preciso acompanhá-las, para introduzi-las em seus métodos de trabalho, colocando-os dentro da modernidade, ajudando o aluno.

* Supervisora de ensino aposentada.

(Publicado em setembro/2003)

ATENDIMENTO À CRIANÇA DEFICIENTE

Izabel Sadalla Grispino *

Nas semanas anteriores abordei o desafio das escolas no trato da criança hiperativa e do aluno superdotado. Junto a esse desafio, um outro problema vem se revelando na inclusão da criança com deficiência.

Os pais quase sempre perambulam de uma escola a outra, buscando uma que acolha, com carinho e interesse a inclusão de crianças portadoras de deficiências, necessitando de uma educação especial..

A grande maioria das escolas rejeita essa criança, argumentando que não tem espaço, nem condições apropriadas para o seu atendimento. Passa por cima da Constituição Brasileira e de diversas leis que garantem a universalização do ensino em detrimento da discriminação.

Na verdade, essas escolas não estão preparadas, nem física, nem pedagogicamente, para entender o aluno com deficiência e ajudar no seu desenvolvimento cognitivo, motor ou comportamental. Forçar a permanência desse aluno, que precisa de diferentes métodos de aprendizagem, de estímulo a um ensino que utiliza de formas diferenciadas, numa escola despreparada, desmotivada, só irá contribuir para o seu desalento.

O correto seria toda escola regular, particular ou pública, estar habilitada à inclusão, formando seus educadores, na base da conscientização de que toda criança tem capacidade de aprender. O que precisa é respeitar o tempo cognitivo da criança, ensinar com entusiasmo, acreditar no seu potencial.

Hoje se sabe que para uma criança deficiente é importante conviver com outras crianças. Essa convivência é proveitosa para todas elas, deficientes ou não. Para a criança com deficiência, o convívio estimula o seu desenvolvimento e cria parâmetros de comportamento social. Para as outras é uma forma de desenvolver o companheirismo e derrubar preconceitos advindos da falta de informação. No decorrer da vida, as crianças que conviverem com as diferenças na escola, aprenderam, desde cedo, a olhar o deficiente com mais compreensão, com mais senso de realidade.

Quanto à escola, os pais nem sempre sabem como proceder: colocar o filho em escolas regulares, mesmo havendo discriminação, ausência de metodologia apropriada, ou coloca-lo em escolas especiais onde será atendido adequadamente, mas prejudicado pelo convívio social? O bom seria que escolas regulares buscassem a formação de seu professores, tendo as escolas especiais como coadjuvantes na orientação do ensino. Bom seria que as escolas regulares incluíssem em seus projetos pedagógicos temas relacionados à inclusão, metodologias que propiciassem a observação das dificuldades, de desenvolvimento das potencialidades, dentro do ritmo próprio da criança com deficiência.

Há municípios que criam programas de inclusão, fornecendo embasamento pedagógico a todas as unidades escolares. Programas em que professores habilitados itinerantes dão apoio à escola, programas que oferecem salas de apoio e acompanhamento ao aluno. É um atendimento complementar realizado fora do horário normal da escola.

Empunhar a bandeira da inclusão leva ao amor a essas crianças e ao estímulo à sua aprendizagem.

*Supervisora de ensino aposentada.           
(Publicado em abril/2007)

ESCOLAS DE LÍNGUAS

Izabel Sadalla Grispino *

Nota-se um aquecimento de escolas de línguas no mundo todo, influenciado pelo desenvolvimento de negócios. Pessoas que buscam aprender bem idiomas, distanciando-se do período em que a economia era fechada. Pessoas que descobrem novos negócios, que cuidam das relações internacionais de grandes empresas, aperfeiçoam-se no estudo de idiomas.

À medida que a globalização quebra barreiras, o ensino de línguas se expande, afinal a língua está relacionada com o comércio. Li, a respeito, o pronunciamento do presidente mundial da Berlitz Centro de Idiomas, Mark W. Harris, rede presente em 63 países, com 450 unidades, e que ensina 42 idiomas, do inglês ao tagalo, das Filipinas. Harris diz que o ensino de idioma incomum cresce para negócios. Professores americanos têm ido a Hong Kong ensinar mandarim aos chineses! Esclarece que está cada vez mais comum os americanos, em missões especiais de trabalho, recorrerem, às pressas, ao aprendizado do Português, o idioma oficial do País, não mais visto somente como a nação do futebol e do carnaval.

Polônia, Eslovênia, República Tcheca, antes ex-satélites soviéticos e restritas ao idioma russo, abrem-se para novas culturas. O crescimento da Berlitz está bastante concentrado na Ásia. De 1965 para cá, foram abertas, só no Japão, 56 unidades. Estão previstas 22 novas unidades lá, mais duas na Coréia. Na Tailândia, a Berlitz inaugura, este ano, o 6.º centro, na China, o 5.º, e em Xangai o 1.º.

Na Inglaterra, o processo avança. O departamento de Inglês da Universidade de Warwick, localizado na área central da Inglaterra, conta com cursos diferenciados para grupos específicos. O departamento, ao invés de turmas fechadas e programas prontos, adapta os cursos às necessidades dos estudantes, necessidades ligadas ao aperfeiçoamento do inglês, por causa do trabalho. O Centro de Língua Inglesa promove, entre outros, cursos para grupos de executivos chineses, analistas de sistemas mexicanos, professores da Malásia e profissionais japoneses da área de saúde.

Vivemos num mundo cercado por interesses econômicos, alastrando-se a cada passo. A globalização, se por um lado oprime, sob certos ângulos, os países em desenvolvimento, por outro, oferece perspectivas amplas de trabalho e comércio. A área financeira é o grande tema deste novo século e o domínio do mundo é sua finalidade. Embora Lincoln dissesse que democracia é o governo do povo pelo povo e para o povo, ela caracteriza uma participação que acontece por meio de eleições, somente até a escolha de um governante. O poder determinante está mais acima, como fala o escritor português José Saramago, que são os poderes econômicos. São estes que  impulsionam e que determinam novas posturas, novos caminhos.

Representantes de escolas de idiomas reafirmam, no estudo das línguas, a tendência a áreas que dão vantagens internacionais, como hotelaria, seguido de ramos como telecomunicações e informática. Esses setores são os que mais oferecem oportunidades de carreira internacional.

É, principalmente, por meio da aprendizagem de idiomas que se galgam espaços para avançar nas carreiras internacionais. Para quem gosta de viajar, conhecer o mundo, conhecer o modo de viver de outras pessoas, a cultura do diferente, o primeiro passo é estudar bem idiomas. O desenvolvimento de negócios, a visão globalizada do mundo exigem fluência no uso das línguas. Um executivo do setor de hotelaria, relatando sua caminhada profissional, contou que morou em onze países, por conta do trabalho. Entre eles, Taiti, Polinésia, Kuwait, Egito, Estados Unidos e Nepal. “Conheci uns 50 países em viagem, a maior parte a trabalho”. Ele domina bem os idiomas inglês, francês e espanhol. Hotelaria é um ramo em expansão. O turismo é outra profissão em moda, uma área aberta do mundo, onde o domínio de idiomas é indispensável.

No Brasil, o estudo de idiomas cresce e atinge uma população jovem considerável. O interesse, a procura pelo estudo de línguas fazem as escolas de línguas incrementarem-se, tornando um mercado rendoso, também, por aqui. Nas faculdades, os cursos de letras não parecem manter essa concorrência, quando se focaliza o ingresso ao magistério. Os jovens buscam os cursos com vistas a uma maior exposição internacional, e menos a uma carreira docente.

Esse, como outros temas que possam alargar os horizontes profissionais do educando, deve fazer parte do compromisso informativo das escolas.  Os professores devem estar antenados à época, podendo demonstrar mais amplamente as várias ocupações que vêm surgindo, abrindo o leque das oportunidades atuais do mercado de trabalho.

Sob uma outra faceta, a escola deve inteirar-se de inovações, como a desestruturação de muitos cursos, para atender uma demanda de profissionais, ainda inexistente, principalmente na área de elaboração de negócios. A Fundação Getúlio Vargas (FGV), por exemplo, prepara, já para o ano que vem, seu vestibular para seu primeiro curso de graduação em Direito, que funcionará em 2005. Esse novo curso de graduação modifica o modelo tradicional de ensino hoje existente no Direito, uma sinergia entre Administração, Economia e Direito, sendo que Administração e Economia são cursos de graduação já existentes na FGV.

A falta de profissionais com uma formação mais ampla levou a Fundação a idealizar um currículo, no curso de Direito, onde se incluem as áreas de finanças, contabilidade, microeconomia, macroeconomia, meio ambiente e informática. A proposta é oferecer, já na graduação, toda a qualificação profissional existente, dando ao aluno as credenciais que geralmente ele busca, após a graduação, no exterior em cursos de mestrado.

Acompanhar essas inovações dá à escola um caráter institucional gabaritado, de considerável valia aos seus educandos.

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em julho/2003)

EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO SOCIAL

Izabel Sadalla Grispino *

Lutar para elevar o nível de ensino das escolas brasileiras, em especial das escolas públicas, é lutar pelo de-senvolvimento do País, lutar pela desigualdade social.  A diferença educacional do pobre e do rico só faz aumentar a concentração de renda. Não há ascensão social sem educação de qualidade, inexistindo a possibilidade de empregos bem remunerados.

Quanto à economia, nosso decadente ensino nega os recursos humanos necessitados pelas empresas em mão-de-obra qualificada. A produtividade fica inibida diante do fraco treinamento dos professores para encarar tecnologias mais avançadas no campo da produtividade. O baixo nível de escolaridade interfere, também, na competitividade internacional, quando países como o Brasil disputam a mesma parcela do mercado globalizado.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é um indicador que passou a ser usado pela Organização das Nações Unidas (ONU) a partir dos anos 90. Pelo IDH, divulgado em julho corrente, o Brasil teve uma queda acentuada no ranking que mede o desenvolvimento humano no mundo. Na comparação com 175 países e 2 territórios, entre os anos 2001 e 2002, o Brasil caiu da 65.ª posição para a 72.ª, ficando abaixo da colocação que se encontrava no começo dos anos 90.

A queda brasileira no ranking deu-se pela piora nos dados de educação, principalmente pelo percentual de analfabetos entre pessoas com mais de 15 anos. A posição brasileira no ranking mundial mostra um retrocesso lamentável na educação.

O IDH mostra que a riqueza do País continua concentrada nas mãos de uma minoria da população. Mostra, no Índice, quantas vezes a renda dos 10% mais ricos no País é maior do que a dos 10% mais pobres, e o Brasil atinge 85 vezes. Vemos, então, como somos um País desigual e quanto devemos batalhar por uma educação de qualidade para as classes menos favorecidas.

O grande caminho para enfrentar a marginalidade educacional, social e econômica é assistir melhor à escola. Investir mais no ensino, melhorar e muito o salário dos professores, para que, estimulados, assumam maior compromisso com a educação. Para que se dediquem à reciclagem de conhecimentos, educando-se convenientemente, contribuindo qualitativamente com a escola que a época vem pedindo. Ao capacitar-se melhor, o professor, com mais possibilidades, entenderá que o maior objetivo da escola é fazer o aluno aprender; dar-lhe uma boa formação e não apenas fazê-lo passar de ano, muitas vezes, sem o mínimo necessário de conhecimento.

Bons professores resultam em bons alunos. Os próprios professores da rede pública, quando se trata de colocar os filhos na escola, colocam-nos em escolas privadas. Uma pesquisa realizada pela Unesco, feita com educadores brasileiros, “O Perfil dos Professores Brasileiros”, divulgada em maio de 2004, mostrou que os professores brasileiros, ganhando mal, preferem se sacrificar e pagar escolas particulares para seus filhos que deixá-los em escolas públicas. Mostrou que 54% dos 5 mil entrevistados escolheram pagar pela educação dos filhos. Querem garantir, segundo a pesquisa, uma “mobilidade social” para eles, um futuro melhor daquele  que tiveram. Ponderou Jorge Werthein, representante da Unesco no Brasil, de que “esses professores são a prova de que o investimento na educação tem altíssimo retorno”. Esses professores buscam qualidade de ensino, garantia de evolução social, que não encontram nas escolas públicas.

Um fato auspicioso que vem surgindo é o projeto de política integrada para os jovens. É um projeto que, segundo o ministro da Secretaria Geral da República, Luiz Dulci, vai integrar as políticas para a juventude, desenvolvido por várias áreas do governo, pelo Congresso e pela sociedade civil. Entre as ações que se programam está a reativação do Projeto Rondon. Luiz Dulci diz ser “um projeto totalmente novo, diferente do que era realizado no período autoritário”.

Contudo, o objetivo do novo Projeto Rondon “continuará sendo o de permitir uma integração maior dos estudantes com a realidade das regiões menos favorecidas do Brasil”. É, na verdade, um intercâmbio, onde os jovens levam seus conhecimentos e suas aptidões a outras regiões do País e, de retorno, assimilam novas culturas, ganham novas experiências.

A volta do Projeto Rondon foi proposta pela União Nacional dos Estudantes (UNE), como uma ação voltada para a área da juventude. O primeiro projeto foi criado em 1967, durante o regime militar, e durou até 1989. O propósito era levar estudantes universitários e professores para as regiões carentes do País, visando a realização de trabalhos sociais. Durou 22 anos e dele participaram mais de 350 mil alunos e 13 mil professores. O projeto atual pensa em ampliar a participação; além de universitários, incluir alunos do ensino médio.

O projeto de integração para a juventude quer priorizar ações na área do lazer, tentando combater a criminalidade. Atualmente, 18 áreas do governo têm ações voltadas para a juventude e o número de programas nessa ala chega a 48.

Integrar ações entre os jovens propicia avançar em direção à cidadania, à comunicação social. O projeto Rondon foi no passado uma iniciativa bem sucedida, em que a juventude se sentia útil na prática de ações sociais, desenvolvia a sociabilidade, o senso humanitário do viver, a responsabilidade perante a sociedade, vivenciando as desigualdades regionais. Vale a pena repetir a experiência.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em julho/2004)

NOVO ENTENDIMENTO DAS TECNOLOGIAS DA EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

A época competitiva, globalizada, imprevisível que vivemos, leva a escola a procurar novas metodologias de aprendizagem, através da tecnologia. Hoje, o computador é usado de várias maneiras, seja em casa, seja na escola. Afastar a criança do micro é torná-la uma analfabeta virtual, em descompasso com o mundo moderno, como o nosso.

Atualmente, avança-se no conceito do uso das novas tecnologias da educação. Elas são vistas como meios de construção do conhecimento, não mais apenas como instrumentos de ensinar ou de transmitir informações. Já vai o tempo em que o professor colocava o conteúdo no computador para que as crianças encontrassem, lá, tudo pronto. Experiências inovadoras na área da educação criam ambientes de aprendizagem, onde as crianças participam ativamente, escolhem o que querem fazer e conduzem os próprios projetos.

O professor pode apresentar um tema abrangente, como, por exemplo, a comunidade em que a escola está inserida, sugerir reflexões aos alunos e deixá-los que encaminhem e resolvam os problemas. À medida em que as crianças inventam soluções para os problemas levantados, elas vão formando opinião, desenvolvendo a criatividade, a capacidade de pensar, de raciocinar, de atuar.

A proposta da utilização das novas tecnologias, como fotografia digital, vídeo digital e robótica, é levar a criança a inventar equipamentos e construir pensamentos, idéias, úteis às suas vidas. A utilidade da invenção deve estar sempre presente. Assim, através da robótica, cria carrinhos de brinquedos que auxiliam a repassar o lixo das caçambas, através de um software, elabora um jornal eletrônico, onde se aprimora na produção de textos e no trabalho jornalístico e outros. Aprende programação de computador, física, mecânica, matemática... e, conhecendo as técnicas, vai escolher quais usar.

Ter todo o aparato tecnológico numa escola é importante, porém, o mais importante é torná-lo disponível ao aluno, dar-lhe liberdade de escolher o que quer fazer. O aluno ganha mais independência na aprendizagem. Se receber ordem, se o professor diz o que ele tem de fazer, perde-se o sentido do encaminhamento dessa aprendizagem. O aluno deve aprender a tomar iniciativas e assumir as responsabilidades de suas escolhas. A criança, simplesmente, não se interessa, quando percebe que está sendo mandada. Ao escolher ela mesma, se engaja e cumpre a tarefa com prazer, com satisfação. A criança escolhe, mas os objetivos para o professor devem estar bem definidos.

Temas comunitários são interessantes porque levam a criança a uma maior integração com sua comunidade. Ela vai em busca de soluções para as questões surgidas. A partir da comunidade, amplia-se a sua integração com toda a cidade, com crianças de outras cidades, de outros Estados, outros países. Nesse elo, cria-se uma rede de cooperação local, nacional e internacional, conectando experiências de aprendizagem para os dias presentes e futuros.

Esses são passos que mudarão o rumo da educação nos próximos anos. Não se quer mais um currículo fixo, com visão temporal, ou uma aprendizagem imposta pelo professor. Dá-se ao aluno liberdade de construir, de aprender fazendo, como queria John Dewey, abrindo caminho para a iniciativa, para inventividade, o inusitado, o imprevisível, que vêm caracterizando nossa época.

Ao lado desse aspecto, deixa-se o aluno penetrar o conhecimento pela linha do prazer, da intuição, da aptidão.

Nessa metodologia renovadora, a escola deve criar projetos de vários modelos, preparando-se para o aprendizado do futuro, na proposição de formar um aluno  autônomo, ajustado   à  sua   personalidade,  à  sua  potenciali-

dade. Um aluno capaz de construir, de inovar, de criar, de relacionar, de pesquisar, de interpretar, de interferir na realidade, abrindo, para si mesmo, oportunidades de aprendizado. Em todo esse processo, o computador é um instrumento que precisa estar presente.

O aluno sentindo-se capaz de construir o seu aprendizado, capaz de descobrir formas de ultrapassar as dificuldades, utilizando-se da tecnologia, ganha confiança e caminha com mais segurança. O resultado é a elevação da auto-estima e esta encarregar-se-á de levá-lo ao sucesso.

Habilitar o aluno em informática é condição primordial para o seu ajustamento, colocação e progresso no mundo atual. Hoje, ela é indispensável a todos os ramos da atividade humana. Sua aplicabilidade atinge as raias do inimaginável. Torna-se ferramenta indispensável. Vai desde o diagnóstico de doenças até reparos de veículos. A telemedicina permite fazer uma cirurgia a distância. As oficinas mecânicas já fazem diagnósticos eletrônicos, de veículos conectados ao micro e já fazem consertos pelo computador, caso o problema seja de origem eletrônica. Hoje, mesmos os carros populares têm muitos dispositivos eletrônicos e fica impossível consertá-los com as ferramentas tradicionais.

Esses são apenas alguns exemplos que mostram ser a informática um caminho que a escola não pode deixar de trilhar e nele se aperfeiçoar.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2002)

CRÉDITO EDUCATIVO PARA O UNIVERSITÁRIO

Izabel Sadalla Grispino *

Como o estudante deve orientar-se na busca do crédito educativo? Surgiu recentemente, cerca de um ano e meio, o financiamento privado do ensino superior. São créditos educativos oferecidos por empresas particulares, por intermédio da própria universidade. A pesquisa feita pela CM Consultoria, realizada em junho p.passado, com 86 universidades privadas revelou que os financiamentos privados estão previstos em 18% das instituições.

Os alunos cursam a faculdade e começam a pagar a dívida um ano após terem se formado, dividindo a prestação em muitos anos. A adesão a esse crédito educativo explica o aumento do número de vagas em faculdades particulares na última década, atraindo alunos com baixo poder aquisitivo. Ele tem combatido a inadimplência que, segundo o Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino (Semesp), gira em torno de 25%.

Uma outra modalidade é o Financiamento Estudantil (Fies) do governo federal, que cobre até 70% das mensalidades de alunos carentes.

Cada financiamento tem suas regras, mas todos cobram juros mais altos do que os do Fies e mais baixos do que os bancários. O financiamento do governo cobra 9% ao ano, os privados trabalham com taxas que vão de 1,5 a 3,5% ao mês, e os bancos chegam a cobrar 2% ao mês, dependendo do tipo de crédito e da instituição. Todos exigem um fiador, além de bom rendimento escolar.

Se o aluno estiver com a documentação em dia, o financiamento é rápido, em duas semanas o contrato é assinado. Pelo Financiamento Estudantil (Fies) é preciso esperar abrir a concorrência para as vagas, provar a falta de recursos e aguardar o resultado da seleção.

Conhecer as opções de financiamento ajuda a esclarecer a situação. O aluno deve analisar a proposta, os valores, antes da contratação. Há a Ideal Invest, que cobre até 35% da mensalidade, com juros de 1,5% ao mês. Exige fiador e bom desempenho escolar.  A  dívida  pode  ser paga em até 8 anos. Para maiores informações sobre a Ideal Invest acessar: www.idealinvest.com.br

A Finvest, do grupo Unibanco, também oferece uma linha de crédito educativo para 10.000 clientes. O empréstimo pode ser usado para todos os níveis de ensino, do fundamental à pós-graduação. A dívida pode ser paga em até 3 anos, os juros vão de 2% a 3,9%. Acessar: www.finvest.com.br

O Siemesp criou o Centro Brasileiro de Desenvolvimento do Ensino Superior (Cebrade), cuja principal função é administrar bolsas de estudo restituíveis. Administra bolsas de 1% a 100% em diversas universidades cadastradas. Depois de um ano de formado, o beneficiado devolve esse dinheiro para a instituição, pelo preço da mensalidade na época em que ele for pagar.

O Financiamento Estudantil (Fies) é um programa do governo federal. Financia até 70% da mensalidade, com juros fixos de 9% ao ano ou 0,75% ao mês. Exige bom desempenho escolar. A dívida pode ser paga em até uma vez e meia o tempo do financiamento. Para conseguir o financiamento do Fies, o estudante deve se inscrever e passar por seleção. O Fies exigia fiador, mas uma liminar da justiça suspendeu a obrigatoriedade. Segundo o coordenador do Fies, Leonel Cunha, o pagamento das fases de amortização é fundamental para que o Fies abra novas vagas a cada semestre. “O Fies depende do retorno dos financiamentos para poder financiar novos estudantes. Se cada estudante beneficiado tomar consciência de que o pagamento é que permite a entrada de outro jovem num curso superior e que, se cumprir pontualmente as fases de amortização, será mais fácil manter o Fies em bom funcionamento, com um risco menor de inadimplência”.

Para os estudantes que não podem pagar de forma alguma, o governo está propondo a criação do Programa Universidade para Todos (ProUni), que tem como objetivo a concessão de bolsas de estudo aos mais pobres sem a necessidade de reembolso. Mais informação sobre o ProUni está na pagina do MEC (www.mec.gov.br http://www.mec.gov.br/)

Antes de pegar um financiamento, aconselha-se o estudante a pedir uma simulação das parcelas que vai pagar e do total da dívida. Assim ficará sabendo se poderá arcar com o compromisso.

É grande o número de estudantes precisando de algum tipo de auxílio para cursar o ensino superior. Dar a este estudante a chance de freqüentar uma faculdade, de se auto-afirmar, eleva consideravelmente sua auto-estima. A má distribuição de renda, gerando contrastes sociais, é o que mais afeta a auto-estima de nossa população. Um estudo do Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), do Ministério da Educação, com base no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), analisou o desempenho de estudantes ricos e pobres, mostrando significativas vantagens ao estudante rico. O aluno rico que usa computador, internet, TV por assinatura alcançou média de 63 pontos numa escala de 0 a 100, enquanto o jovem pobre chegou apenas a 41 pontos. Bens culturais, uma boa situação socioeconômica, fortalecem e propiciam o desenvolvimento das potencialidades do educando.

A pior das constatações é de que a distância entre os alunos de famílias de alta renda e os de baixa renda tende a crescer. Os alunos pobres, necessitados de melhores condições de ensino, são os que menos recebem em termos de qualidade de escola.

Alertemo-nos, dando-nos as mãos – governo, empresas, associações e sociedade agindo juntos – para garantir um futuro mais promissor à classe menos favorecida.

* Supervisora de ensino aposentada.      
(Publicado em outubro/2004)

IDADE IDEAL PARA SE COLOCAR NA CRECHE

Izabel Sadalla Grispino *

A escola é uma instituição que insere o ser humano numa sociedade cada vez mais complexa, com profundas transformações econômicas, sociais e culturais. Ainda que a escola esteja sofrendo um histórico e contínuo processo de desvalorização, ela é, ainda, o que de melhor podemos oferecer à criança, ao adulto.

O importante é escolher uma escola, no início da aprendizagem, que se afine com a subjetividade, com a identidade da criança em questão. O desenvolvimento das ciências humanas, no século XVIII, trouxe a descoberta da infância como uma fase de características próprias e de enorme importância para o seu desenvolvimento. Educar a criança desde pequena passou a ser preocupação das famílias, do Estado. Influenciadas pela valorização da escolaridade, muitas famílias passaram a querer que seus filhos se alfabetizassem o mais cedo possível. A alfabetização precoce tornou-se desejo generalizado, embora a literatura afirmasse que a forma própria de aprender da criança é a brincadeira, o jogo.

As atividades de caráter lúdico devem povoar a educação infantil. A leitura e a escrita devem entrar na vida da criança como lazer antes de qualquer processo formal de alfabetização; é o lazer que deve proporcionar o ambiente da educação infantil.

As crianças pequenas têm direito à educação infantil, mas deve ser observado o período inicial de colocarem-nas em  creches. Crianças que entram nas creches muito cedo começam a apresentar uma doença atrás da outra, dizem os pediatras. A licença maternidade de apenas 4 meses leva os bebês a freqüentarem as creches com 4, 5 ou 6 meses de idade.

Quanto mais cedo a criança entra na creche, maior a probabilidade de contrair e desenvolver doenças e nos bebês mais novinhos costumam ser mais sérias. O organismo mais novo tem poucas defesas, menos anticorpos e na convivência com outras crianças e com adultos ele fica em contato com vírus e bactérias em grande quantidade. Adquirem doenças, especialmente, respiratórias: sinusites, otites, resfriados, gripes e doenças virais.

A entrada precoce do bebê na creche apresenta aspectos orgânicos, como os já citados e aspectos emocionais, psicológicos que acabam influenciando os orgânicos. Os psicopedagogos esclarecem que dos 6 meses aos 2 anos de idade, aproximadamente, a criança passa pela chamada fase da ansiedade de separação. É um período de individualização, em que ela começa a se reconhecer como pessoa e a identificar os outros. Nesse período, a criança deve ser afastada gradativamente e por pouco tempo da mãe para não criar uma ansiedade de separação prolongada e difícil.

Ainda, entre pais, permanece o mito da socialização precoce, de que a criança que entra na creche cedo passaria a ser menos mimada e mais social. Isso  absolutamente não acontece, porque a criança de berço quase não interage e precisa brincar sozinha. Começa haver alguma interação depois de 1 ano e meio. Depois dos 2 anos, a creche passa a ser um bom lugar, um lugar interessante pelos estímulos que propicia à socialização. Afirmam os pediatras que antes disso a criança não precisa de creche e sim de alguém, de preferência a mãe, que lhe dê atenção e carinho. Por volta dos 2 anos de idade, a criança está pronta para iniciar seu ciclo escolar.

O horário que a criança permanece na escola deve ser aumentado progressivamente, na medida em que ela vai se acostumando com a nova rotina. A educação infantil é importante porque a criança pequena precisa de estimulação adequada e a escola propicia isso. Ela é essencial, pelo menos a partir dos 4 anos.

A educação infantil, que vai de 0 aos 6 anos e inclui desde a creche até a pré-escola, foi definida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996 como a primeira etapa da educação básica no Brasil. A neurociência já mostrou que a maioria das conexões cerebrais é formada no período entre o nascimento e os 3 anos, pela interação do bebê com os estímulos do ambiente. Estudos provam que crianças que cursam educação infantil são alfabetizadas com mais facilidade.

Segundo o Ministério da Educação há no Brasil cerca de 7 milhões de crianças matriculadas na educação infantil. Enquanto os mais pobres sofrem com a falta de vagas em creches públicas, muitas escolas particulares têm pediatras, enfermeiras, nutricionistas, além de professores à disposição dos alunos. Atualmente, está-se entendendo a importância da educação para crianças de 0 a 6 anos, a importância da educação infantil para o seu desenvolvimento.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março/2006)

CICLO BÁSICO NOS CURSOS SUPERIORES

Izabel Sadalla Grispino *

Como parte da reforma universitária, o Ministério da Educação (MEC) propõe a criação do ciclo básico de 2 anos para os cursos superiores. Um ciclo comum, freqüentado pelos alunos, com um grupo de disciplinas mais genérico, antes da oferta dos conteúdos específicos de cada curso. O aluno terá uma melhor formação geral, um tempo maior para definir com mais segurança a carreira a seguir. Irá exercitar melhor suas aptidões, informar-se com mais tempo sobre o mundo do trabalho e fazer a escolha de sua profissão com mais maturidade.

A idéia do ciclo básico vem sendo bem recebida pelos educadores que entendem ser a medida portadora de uma formação mais ampla aos estudantes, permite uma maior flexibilidade na troca de cursos e evita a especialização excessiva, que limita a formação.

A nova LDB da Educação substitui, no currículo, padronização por flexibilização. A reforma do ensino adota currículos que se norteiam pela interdisciplinaridade -- interligando as diversas áreas do saber – e pela contextualização. A interdisciplinaridade promoverá ao aluno uma formação mais ampla, um conhecimento globalizado do assunto. Na universidade, corrige distorções do ensino superior e da especialização prematura dos cursos de graduação, realizados em departamentos, e cursos desintegrados dos demais. A interdisciplinaridade, aliada às diretrizes curriculares básicas comuns a todos os cursos, levará a especialização para os últimos anos, favorecendo ao aluno uma escolha posterior, com mais convicção.

O ciclo básico retoma noções de universidade, afirmam os educadores. O foco deixa de estar no curso e passa à universidade. Os primeiros anos de graduação agruparão estudantes de cursos com demandas diferentes em atividades inter e multidisciplinares. Os cursos serão interligados e as disciplinas básicas oferecidas conjuntamente.

Essa iniciativa do ciclo básico já existe em algumas universidades brasileiras, como a Universidade de São Paulo (USP), que, já há algum tempo, mudou o currículo da Escola Politécnica e do curso de Letras. Para que o ciclo básico seja bem aplicado é preciso que conte com professores bem formados, treinados, com visão global das disciplinas. O que se espera é que não venham a se tornar uma forma de economia, especialmente para as instituições privadas de ensino. Que ele represente o alargamento das fronteiras do conhecimento, hoje tão necessário.

O ciclo básico exige, para tal, um currículo bem entrosado e professores qualificados. Esse processo reforça a idéia de reforma na estrutura administrativa do ensino superior, da divisão das universidades em departamentos. O que se pretende é acabar com as antigas cátedras, agrupar os professores em órgãos colegiados por afinidade de conteúdo de suas disciplinas. Essa medida começou a ser implantada há pouco mais de três décadas pelo regime militar, mas por razões oportunistas e burocráticas não foi levada adiante.

O ciclo básico envolvendo disciplinas comuns torna-se refratário à segmentação do ensino em cursos, departamentos e faculdades que não se comunicam entre si. A sua aplicação talvez comece por áreas afins. Com sua adoção, o estudante poderia fazer o vestibular para um conjunto de áreas, sem escolher antecipadamente uma. Essa escolha ocorreria a partir do 3.º ano.

A idéia do ciclo básico no ensino superior injeta princípios inovadores na universidade. Na licenciatura, poderá melhor preparar o professor para encarar as mudanças implementadas pela nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), melhor entender o ciclo básico na progressão continuada do ensino fundamental. O que precisamos é de avanço na educação. É lamentável abrir o jornal e deparar com o resultado de uma avaliação do ensino médio, revelando que “a escola brasileira ensina menos que o mínimo”.

O Sistema de Avaliação do Ensino Médio (Saeb) divulgou, em 16 de junho corrente, um resultado demonstrando que, depois de três anos em queda progressiva, o ensino não avançou praticamente nada. Revelou, segundo o MEC, uma pequena tendência de melhora, que se pode dizer ser meramente estatística. Na realidade, não se percebe nenhuma mudança na qualidade de ensino, ensino que não consegue ir além do mínimo. Metade dos alunos não sabe nem português, nem matemática. Mostrou uma situação muito grave na 3.ª série do ensino médio, onde de cada 10 alunos 7 apresentam um nível de conhecimento considerado “muito crítico”. Na 4.ª série do ensino fundamental, 5 entre 10 alunos não dominam as quatro operações aritméticas e não conseguem ler e compreender textos simples e curtos. São crianças consideradas alfabetizadas, mas que não passam de analfabetas funcionais.

Revelou, também, que nem os alunos de colégios particulares chegam, na maior parte dos Estados, a atingir a média considerada adequada para as séries avaliadas. Constatou-se que o ensino público está ruim e que o ensino privado, salvo exceções, está longe do ideal. Os alunos terminam o curso sabendo bem  menos  do que deveriam. Embora as condições de ensino, na escola particular, sejam melhores, com recursos disponíveis superiores, o ensino fica a desejar. Esses alunos demonstraram um desempenho medíocre.

O presidente do Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas em Educação (Inep) – Eliezer Pacheco – considerou que “a causa principal do nível insatisfatório dessas escolas está na formação dos professores, que não é adequada, o que acaba influenciando, também, no ensino privado”.

O Saeb mostrou a importância da formação dos professores. Quando o profissional tem apenas o ensino médio, a pontuação média dos alunos fica em 157 pontos. Se a formação é superior, a média dos alunos chega a 172 pontos. Mas, no geral, o que se constata é uma formação insuficiente, necessitada de reforço em conteúdo acadêmico e em metodologia.

Espera-se que, com a criação do ciclo básico de 2 anos, o ensino superior traga renovações, conteúdo abrangente e ensine o professor a trabalhar com métodos atualizados, interdisciplinares, revertendo a tendência tradicional que ainda persiste.

* Supervisora de ensino aposentada.      
(Publicado em junho/2004)

CULTURA E FÉ

Izabel Sadalla Grispino *

Após a encíclica “Fides et Ratio”, do papa João Paulo II, o tema da razão e da fé tem suscitado as mais diversas discussões, nem sempre com a imparcialidade desejada. Por isso, o arcebispo Dom Cláudio Hummes achou por bem criar, na Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), um núcleo de estudos que denominou “Cultura e Fé”.

Já na reunião inaugural, eminentes professores da área, como Paulo Nogueira Neto e Ana Lydia Sawaya, mostraram que os primeiros habitantes da Judéia, que há milhares de anos receberam a mensagem revelada do gênese, apesar do nível de seu analfabetismo científico, sabiam que o universo fora criado pelo “Big Bang” (“Fiat lux”). Conheciam, também, todos os fenômenos que deram conformação ao nosso planeta, ao longo dos 5 bilhões de anos, anteriores ao aparecimento do homem (águas, terras, plantas, peixes, animais) na incrível ordem que a ciência veio a revelar posteriormente e tal como estão descritos na Bíblia (nos 6 dias da Criação). Só após centenas e centenas de anos, veio a ciência confirmar o que os primitivos povos, sem noção de ciência, já sabiam por revelações. Foi ainda, mostrado, nesse núcleo de estudos, a previsão de São Pedro sobre o fim dos tempos. São Pedro, que não era especialista em astronáutica ou nas ciências siderais, em sua segunda carta, declarara que nos fins dos tempos a Terra será abrasada e consumida pelo Sol (elementa vero calore solventur), antecipando a tese de Carl Sagan, em seu livro “Cosmos”, que dá essa previsão como a mais provável, no momento em que o Sol explodir, daqui a uns 5 bilhões de anos, atingindo os planetas mais próximos (Mercúrio, Vênus e Terra), até se transformar numa estrela anã de densidade incomensurável. Tudo confirma não haver choque entre fé e ciência, antes, a ciência, por vir sempre atrás da fé, acaba por confirmar as verdades por ela reveladas.

Toynbee, em “Mãe Terra”, lamentava não poder dizer aos aficionados da razão, aos que querem crer que a razão pode tudo explicar, que Deus não existe. Quanto mais o homem evolui, mais percebe que suas verdades absolutas, em matéria de ciência, são relativas e, em grande parte, desmentidas posteriormente com novas descobertas, porque uma verdade científica só é valida até o momento em que se demonstra o contrário, por novos fatos supervenientes. A própria teoria da evolução de Darwin está hoje em pleno reexame científico, com as novas teorias fundamentadas na conformação do DNA, principalmente a partir do mapeamento genético.

Ainda para confirmar as verdades da fé, refletiremos um pouco sobre a vida de Jesus. Há, por exemplo, evidencias na vida de Jesus que não se podem contestar: Jesus era pobre, uma pessoa sem posses. Não era político, não tinha cargo público, não era um chefe de Estado, como Maomé. Comunicava-se em essênio, um idioma pouco conhecido; não deixou livros, nem sequer uma doutrina sistematizada, um texto básico, para o qual os apóstolos pudessem se servir a fim de propagar as suas mensagens. Três apóstolos, Lucas, Marcos e Mateus, se propuseram a registrar tudo o que testemunharam e através de seus relatos reconstitui-se a vida de Jesus. Ainda, os Evangelhos foram escritos de 40 a 80 anos após sua morte.

Porém, quem mais contribuiu para disseminar as idéias de Cristo, o cristianismo, foi um judeu de cidadania romana, que nem sequer conheceu Cristo pessoalmente. Chamava-se Saulo, era da cidade de Tarso. Numa viagem a Damasco, no ano 35, teve uma visão, na qual Jesus o chamava para reunir-se aos seus. Isolou-se por três anos, mudou o seu nome para Paulo, foi a Jerusalém e conheceu dois apóstolos, Pedro e Tiago. Fez quatro longas viagens evangelizadoras pelo mundo antigo e foi o principal pregador da fé cristã, a principal figura do cristianismo. Ele tomou os ensinamentos de Jesus compreensíveis por todos os povos.

A história conta que na cidade de Atenas teve uma grande desilusão. Pregando para um povo culto, adepto da racionalidade e da lógica, Paulo procurou adaptar o seu discurso pregando a existência de Deus e de Cristo, com métodos racionais. Os gregos não aceitaram e o vaiaram. Esse não era o caminho. Após muito refletir, sentiu a revelação da verdadeira mensagem cristã: Deus não precisava de uma doutrina lógica, seus desígnios não penetravam os humanos pelo corpo, mas, sim, pela alma. Explicações eram desnecessárias. Ele fazia revelações. Assim, para a crença cristã não há necessidade de comprovação científica, ela se apoia em uma revelação, em uma fé, que vai além da dimensão racional.

As limitações da ciência mostram a harmonia que deve existir entre ciência e religião. Essas constatações de fé e razão nos confortam, fortalecem a convicção. Imaginem o quanto é importante levar essas conclusões aos jovens, aos que estão com a alma em formação! No dia em que os jovens conhecerem realmente essas premissas básicas, certamente, se voltarão bem mais a Deus e, isso acontecendo, a possibilidade de uma reversão do comportamento social é bem mais promissora. A escola, os pais, a comunidade precisam investir nesse caminho.

Minha fé levou-me a fazer estes versos:

 

DEUS, ESSÊNCIA DA VIDA

A vida só tem sentido voltada a Deus,

Toda obra só se completa no Ser Sagrado,

Quanta agrura se inscreve até o último adeus!

Quanta esperança naufraga em barco furado!

No decurso da vida só há uma saída:

Alimentar os dias com a força do amor,

Acreditar no Encontro após a partida,

Deus é, desse turbilhão, a luz do esplendor.

O homem se empolga e se encaminha pela ciência,

Mas, mesmo a ciência sem fé é vazia,

Ilustra, mas não traz vital sabedoria.

Só as coisas do espírito têm consistência,

Podem não ser inteiramente racionais,

Mas, pra realização do homem, são essenciais.


* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em maio/2001)

 

 

A VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência é a escalada do mal que vem atingindo crianças e escolas. Nossos dias são marcados por ela. Raciocinamos sobre suas causas e seus remédios, questionamos os fatores que desencadeiam situações de conflito. É unânime em se colocar, em primeiro plano, o uso das drogas, seguido da exclusão social, desemprego, fome, ausência dos pais e, em relação à escola, uma certa inabilidade dos professores para lidar com o problema.

A marginalização acaba levando as pessoas a procurarem as drogas e, através delas, a escorregar-se para a violência. As crianças crescem em meio ao mundo das drogas. Os pais ausentes, sem nada em casa para comer, à busca de alimento, elas acabam caindo nas armadilhas do traficante. Às vezes, fazem mesmo com a conivência da família. O que a criança ganha numa semana, o pai não consegue ganhar num mês, e assim se vai num crescendo, num círculo vicioso.

Mas, a violência, que era marca da periferia, já chegou à classe média. Nas escolas, estima-se que 15% dos estudantes usam ou já usaram algum entorpecente. A droga, nesse caso, começa na infância e dentro da própria escola. Primeiro a criança ganha, depois passa a comprar. As campanhas antidrogas não estão surtindo o efeito desejado, o consumo das drogas, por estudantes, continua a crescer.

A violência, entretanto, não é fruto da escola, não se origina nela. A escola trabalha com o efeito, as causas lhe são externas. A violência nasce nos becos das favelas, nas ruelas escuras da periferia, na urbanização desenfreada, desordenada. Ela nasce da miséria, do desajuste familiar, da ausência de educação. A violência é fruto de um conjunto de fatores socioculturais, por isso, a escola sozinha não tem como resolver o problema. É necessário uma ação de todas as instituições, ações multidisciplinares e interdisciplinares envolvendo escola, família, igreja, judiciário, polícia...

A escola, como instituição formadora, tem a função de conscientizar para os malefícios da droga. Sua contribuição é de caráter ético, moral, educacional. Ela não pode ser mais um espaço fechado, feudal. Precisa estar constantemente se revendo, entendendo que pertence à comunidade. Não tem mais razão de ser a escola vertical, presa a uma hierarquia arcaica, de tomada de decisões de cima para baixo. Faz-se necessário a criação da escola horizontalizada, das decisões conjuntas, dos trabalhos integrados e entrosados às universidades, para que possa melhorar sua atuação, ter mais competência.

Já foi a época da escola soberana, auto-suficiente, voltada estritamente para o seu circuito interno, preocupada, tão-somente, com a transmissão do conhecimento. Ultrapassar os muros, abrir diálogo, firmar parcerias com a comunidade, interferir na realidade social, é hoje parte importante de sua atuação.

A escola precisa investir na educação politizada, fazer o aluno refletir sobre deveres e direitos, fazer dele um cidadão ético, dar-lhe armas participativas. – Vivemos numa democracia representativa porque não sabemos participar. Precisa educar para a vida, para o amor, para o lazer, para a compreensão. O aluno agindo, analisando, interferindo, mais que absorvendo conteúdo. Conteúdo é conseqüência e pode ser adquirido por outros meios.

Um dos caminhos da escola, para combater a violência, apontado por especialistas,  é  ela se tornar prazerosa, significativa, promover, dentro dela, através do esporte, da cultura, da arte, a integração, erguer na solidariedade o grande pilar. Manifestações culturais em sala de aula – teatro, dança, música, poesia – mostram a outra face da vida, o seu lado espiritual, seu encantamento, e acaba por afastar a obsessão do consumismo. O aluno vai percebendo que o mais importante é o ser, o ter vem depois.

A escola deve munir-se de biblioteca, de um centro esportivo-cultural de lazer. Apegamo-nos à TV, à internet, ao celular, e o contato humano onde fica? A escola pública, no combate à violência, deve utilizar-se, com afinco, das prerrogativas educacionais, das armas afetivas, morais e psicológicas. Ela tem, apenas, elementares mecanismos de proteção, falta de inspetores nos corredores, de segurança nas portas, de câmaras internas, que são mecanismos importantes, mas, não tão fundamentais.

As grandes armas estão na administração de conteúdos significativos, que abranjam a realidade social, a realidade do aluno, em currículo contextualizado, na criação de momentos de lazer, de descontração; pautar-se pelo diálogo, pelo contato humano, pela inserção da família, dos pais em seus projetos pedagógicos. A escola do presente troca idéias, experiências, busca na ajuda, no amor, a reversão de uma situação, que atinge as raias do limite.

A paz da árdua viagem da vida adulta depende da mão que guia a criança e o jovem no dia de hoje.

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em novembro/2001)

CONCLUSÕES SOBRE O RESULTADO DO ÚLTIMO ENEM

Izabel Sadalla Grispino *

Precisamos incentivar, reconhecer as boas escolas, não desanimar o ensino público.  Mas,  como  fechar os olhos diante de uma imensa rede de escolas públicas despreparadas, dotadas de fraca infra-estrutura, sem laboratórios de ciências, de informática, sem bibliotecas atualizadas, com jornais e revistas, com segurança ao deus-dará e com professores, na grande maioria, mal formados?

É preciso investir, de verdade, na classe popular, não apenas lançar discursos inflamados, em épocas de eleições. Na prática, usa-se a estratégia do tapa-buraco, dos arranjos e remendos provisórios.

Pesquisas têm mostrado que os professores da rede pública chegam a ser tão carentes quanto os seus alunos. Ganham mal, trabalham muito, não têm estímulo, nem dinheiro para investir na sua atualização, no seu aperfeiçoamento profissional. Os alunos, por sua vez, estão longe de conviver com um ambiente familiar que propicie a cultura, nem têm com quem falar sobre as coisas que acontecem ao seu redor e no mundo.

Essa falta de contacto do estudante com o conhecimento acaba por dificultar o pleno desenvolvimento de suas potencialidades, dificultar o desenvolvimento das competências e das habilidades. O mais comum é ele freqüentar a escola sem motivação por parte de sua família. É um quadro desolador que reforça a inferioridade educacional do estudante pobre e que acentua as desigualdades sociais.

Não nos causou surpresa o resultado do último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), noticiando que alunos das grandes escolas particulares do País são os detentores das melhores notas. No ensino público, a média mais alta chega a 41%, no limite de que o Enem considera ruim (40%). No privado, quase atinge a excelência, com 68%, com algumas escolas conseguindo nota acima de 70%.

Os jornais estampavam a receita das escolas campeãs: bons professores e boa infra-estrutura. São professores bem informados, bem preparados, atualizados, utilizando-se de uma metodologia avançada, que leva o aluno a produzir. Os alunos dessas escolas vão às aulas motivados pelas famílias, que pensam em deixar para os filhos a educação como herança.

O Enem revelou não apenas a disparidade entre escola particular e escola pública, mas, desigualdade entre escolas públicas do País e desigualdade entre as escolas particulares. Em São Paulo, o resultado de 10 escolas públicas assemelha-se ao das escolas particulares. São escolas tidas como grupos de excelência, ligadas a universidades, centros tecnológicos ou a militares, escolas existentes também em outros Estados do País e que apresentam muito bons resultados. No ensino público, os alunos que obtiveram melhor desempenho são oriundos de escolas técnicas.

Outras conclusões do Enem são possíveis assinalar:

a) Na rede particular, a avaliação revela que vários colégios particulares, com mensalidades caras, oferecem ensino precário, tendo seus alunos obtido resultados semelhantes aos de escolas públicas, fator que revoltou muito os pais, que não viram resultado de seus sacrifícios!

b) As escolas públicas com pior desempenho são as situadas nas zonas rurais e as que oferecem ensino do antigo supletivo: alunos da Educação de Jovens e Adultos (Eja). Alunos do Eja não revelam perfil de quem quer cursar o ensino superior.

Os resultados do Enem também mostram as desigualdades entre as regiões do País. As 6 piores capitais, segundo as médias de seus alunos, estão na região Norte, das 7 melhores capitais, 6 estão nas regiões Sul e Sudeste, mostrando as disparidades regionais.

O Enem é um exame realizado pelo MEC para concluintes do ensino médio. Ele não é obrigatório e sua nota é aproveitada em vestibulares e no programa de bolsas do governo federal, o ProUni.

O Enem é elaborado segundo as novas diretrizes curriculares do ensino médio, não é dividido em disciplinas e afere habilidades e competências dos alunos. Não mede conteúdo; pede interpretação de textos, relações e leitura de gráficos.

Os resultados do Enem apresentaram uma radiografia desfavorável ao conhecimento dos alunos que terminaram o ensino médio. Fala-se em investir no ensino médio, mas de que valerá investir num ensino médio com alunos egressos de um ensino fundamental fragilizado da rede pública? Uma boa educação depende de um percurso bem feito ao longo de todo processo. Precisa de um bom alicerce e o nosso não é bom.

A má qualidade do ensino público fecha a principal via de ascensão social para estudantes de lares pobres! A nossa desigualdade educacional cria um sistema de ensino de, pelo menos, dois níveis, um beneficiando pessoas bem nascidas, projetando-as socialmente, e outro, das pessoas carentes, deixando-as no anonimato, na marginalização social.

* Supervisora de ensino aposentada.             
(Publicado em março/2006)

O LIVRO DIDÁTICO E O ORÇAMENTO FAMILIAR

Izabel Sadalla Grispino *

Início do ano letivo. Volta às aulas; a família mobilizando-se, replanejando-se, ajustando horários e orçamento. A compra do material escolar, em especial dos livros didáticos, onera-a. Solicitada a falar a respeito, em termos de colaboração, sugiro procedimentos já mantidos com sucesso por algumas escolas.

Quando se trata de escola particular, muitas são as queixas dos pais, em relação ao livro didático. Nas escolas da rede oficial a situação é mais branda, os alunos, no ensino fundamental, recebem gratuitamente os livros. Estes devem ser mantidos por um prazo mínimo de três anos, sendo absolutamente condenada a sua troca freqüente.

O aluno, por sua vez, é orientado a cuidar bem do livro, encapá-lo, de preferência com capa grossa, mantê-lo limpo, não rabiscá-lo, fazer os exercícios, não no livro, mas no caderno. Deve preservá-lo porque, ao passar para a série ou agrupamento subseqüente, esse livro permanecerá na escola e irá servir a outro colega da série correspondente. O aluno é conscientizado de que o livro não é, propriamente, dado e, sim, emprestado.

O mesmo procedimento verifica-se nos intercâmbios culturais, como o high school, nos Estados Unidos. O aluno, ao ir para uma escola estadual, vai encontrar um armário com todo material didático pronto, incluindo os livros, deixado pelo colega antecessor. Cabe-lhe, agora, a responsabilidade de zelar pelo material, deixando-o da mesma forma, em ordem, para o sucessor.

Quanto às escolas particulares, no que concerne ao livro didático, são constantes as reclamações dos pais, pelos gastos excessivos a respeito. Reclamam que, na grande maioria, os livros adotados, pelas escolas, sofrem trocas freqüentes. Os filhos que estudam na mesma escola, com diferença escolar de dois ou três anos, dificilmente aproveitam o livro do irmão.

Como ajudar, nesse sentido? O que propor para tornar o livro mais acessível? Inicialmente, que a escola tenha o cuidado de escolher um bom livro didático. Livro de apresentação estimulante, de conceitos corretos, pertinentes, de experiências abertas que permitam espaços à introdução de assuntos do momento, das questões do cotidiano do aluno, da sociedade, num trabalho de contextualização e de interdisciplinaridade. Livros com exercícios práticos, onde se possa exercitar o método construtivista, com conteúdos relacionados, com conceitos básicos que serão trabalhados, em sala de aula, de forma diferente, de acordo com o nível encontrado.

Um livro bem formulado deixa abertura para as eventualidades, não sendo necessário trocá-lo freqüentemente, com a argumentação da sua atualização. Princípios e normas não se alteram rapidamente. A gramática normativa da Língua Portuguesa não sofre alterações a dezenas e dezenas de anos. Os conceitos essenciais da Matemática, da Ciência, ou da História, vêm sendo aplicados de longa data. Acresce-se, ainda, que o livro didático é apenas uma ferramenta a mais nas mãos do professor. Ele é um material instrucional de valiosa ajuda para o seu plano de trabalho, um bom suporte operacional; importante sim, mas não absoluto. Deve conter o primordial, o arcabouço didático-pedagógico a ser recheado conforme as circunstâncias apresentadas.

Tendo em vista as reclamações, a escola deveria colocar como um de seus objetivos facilitar a aquisição do livro didático. Escola particular nem sempre significa ser freqüentada por alunos de famílias abastadas. Ao contrário, uma boa parte de sua clientela provém de famílias que arcam com dificuldade com as despesas escolares. São pais que mantêm a perspectiva de um bom futuro para o filho, sabendo que isso raramente encontrará nas precárias escolas oficiais.

A grande força de atração da escola está, indubitavelmente, na qualidade de ensino que ela oferece. Contudo, ao lado do qualificado padrão, há o atrativo da organização, voltado ao atendimento humano de sua clientela. Hoje, com o espírito crítico mais evoluído, os próprios pais se encarregam de divulgar, de propagar os aspectos positivos da instituição.

Esse prisma do livro didático é uma oportunidade a mais para a escola educar para a responsabilidade, para a organização, para o senso de ordem. Poder-se-ia pensar num processo paralelo às escolas oficiais, o aluno sendo orientado para a preservação do livro, nas linhas acima mencionadas, com a diferença de que não seria para doá-lo, mas para vendê-lo. Vendê-lo-ia por um preço bem mais convidativo, em livrarias da cidade, onde já, há algum tempo, se comercializam livros usados e das quais muitos pais se servem. Poder-se-ia, também, pensar num banco do livro, na própria escola, facilitando o processo.

Se houver entusiasmo, por parte do professor, se a comunicação fluir bem, esse entusiasmo passará ao aluno que, motivado, se sentirá um coadjuvante da economia familiar. Educar-se-á para a disciplina, para a responsabilidade coletiva na racionalização dos gastos, o aluno aprendendo a dosar, a dividir, a somar esforços na busca de soluções.

Crianças e jovens que têm as coisas fáceis serão adultos displicentes, autoritários, de uma exigência que tudo pede e nada ou quase nada dá em troca. A escola trabalharia conceitos, como o preconceito da coisa usada, desmobilizando o status do poder advindo do dinheiro, desfazendo preceitos falsos de propriedade. Não é mais quem tem mais, é mais quem sabe ser mais – correlação do ser e do ter.

Esse aspecto pode se reverter na propositura de fazer o aluno vivenciar a cidadania, alargando, no amanhã, a visão do contribuir, do comportamento solidário em âmbito da sociedade. Tal procedimento agradaria aos pais e teria um bom alcance educacional na formação do educando.

Também, nas séries mais avançadas, no ensino médio, um curso bem planejado, bem estruturado, montado e ministrado por um corpo docente competente, poderia ser oferecido, aos alunos, apostilado, barateando o produto.

É importante que a escola reflita a respeito, que compatibilize a situação, valorize a posição da família e que caminhos sejam encontrados de modo a favorecer a gregos e troianos.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2001)

AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM: MOMENTOS DA AVALIAÇÃO

Izabel  Sadalla  Grispino*

No artigo anterior, constatamos que aspectos amplos do desenvolvimento do aluno devem ser avaliados. O professor busca informações para obter a compreensão do comportamento demonstrado pelo aluno. Essas informações, para efeito de organização, foram classificadas em três aspectos: físico e motor, social e afetivo e intelectual.

Para se avaliar hábitos de trabalho, responsabilidade, participação, relacionamento com colegas etc., deve-se levar em conta que as provas onde o aluno utiliza lápis e papel não são suficientes para dar informações sobre os aspectos do desenvolvimento considerados. Para saber se estes comportamentos ocorrem ou não, é necessário observar e estudar o comportamento dos alunos quando eles reagem em matemática, português, artes etc.

O professor deve avaliar como um educador, não como um comunicador de informação, deve interessar-se pelos alunos enquanto pessoas, valorizar suas atitudes e responsabilidade. Ao levantar os objetivos dos Planos de Ensino, deve assinalar os essenciais e dar conhecimento aos alunos. Deve colocar os padrões de rendimento aceitável, tomando por base os objetivos essenciais, em todas as atividades que serão avaliadas.

Depois de se ter decidido o que avaliar, uma outra questão surge: quando deve ser feita a avaliação?

MOMENTOS  DA  AVALIAÇÃO

“Tenho a cada momento uma ação,                 Tem sutil função controladora,                                                        Antes de uma seqüência de ensino,                  Recupera o ensino regular,
A diagnóstica faz sua função,                             Tem finalidade formadora,
Evita trabalho sem destino.                                  Escolaridade salutar.

Diagnostique o nível do aprendiz,                       Recuperar a avaliação
Planeje de acordo à realidade,                            Nas ações formativo-diagnósticas,
O aluno aprende e avança feliz,                          É da escola séria atribuição,
Visto no potencial, na irmandade.                      Pra alçar vôo, atingir veias humanísticas.

Antes do programa, dê pré-teste,                      No final da seqüência de ensino,
Para auscultar possibilidade,                             Pra promover e classificar,
No final, aplique o pós-teste,                               A somativa indica o caminho,
No confronto, a confiabilidade.                           Que o intelecto deve conquistar.

Durante o processo-aprendizagem,                  Aqui os desempenhos cognitivos,
Corrigindo o desvio quando ocorre,                   Pelos objetivos essenciais,
A formativa traz sua mensagem,                       Em avaliações cumulativas,
E o estudo paralelo socorre.                               Ditam os resultados finais.

Avaliação de acompanhamento                         Não cobre apenas uma só vez,
Não visa promover, nem reter,                           Pratique revisões espaçadas,
Aspectos do desenvolvimento                           Conduza o educando à solidez,
São objetivos a recorrer.                                     Testando atuações reiteradas.

É pro mestre valioso recurso,                            Usando bom senso e equilíbrio,
De identificação de fatores,                                Desprezando padrão absoluto,
Que ajudam ou esbarram o percurso,             Qualquer método, em bom desígnio,
E a adequação dos fios condutores.                Desempenha um papel enxuto.”

 

*Supervisora de ensino aposentada          
(Publicado em agosto/2000)

ASSOCIAÇÃO DO ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO

Izabel Sadalla Grispino *

Mensagens que ressoam. Comunicações que atingem os diferentes ângulos da alma humana e provocam reencontros afetivos. A vontade de contribuir, de abraçar, molham a terra e as sementinhas espalhadas começam a vicejar.

Após ter publicado, dias atrás, o artigo “O atendimento à criança autista”, recebi da cidade de Araraquara um telefonema do emérito educador Francisco da Silva Borba, ex-reitor da UNESP e atual professor de pós-graduação de lingüística da UNESP-Araraquara.

O ilustre professor externou um pronunciamento qualitativo sobre meus artigos, referendando plenamente os conceitos emitidos sobre o atendimento ao autista. Retratou sua vasta experiência profissional e pessoal sobre o assunto, sendo ele um dos fundadores da Associação de Atendimento Educacional Especializado (A.A.E.E.), em Araraquara, onde uma filha sua, autista, hoje com 30 anos de idade, recebe atendimento.A filha avançou muito no seu desenvolvimento, mas foi prejudicada, principalmente na fala, pelo atraso no atendimento inicial da síndrome.

Se hoje o atendimento ao autista é dificultado, pelo desconhecimento da síndrome e pela pouca disposição das instituições em oferecê-lo, imagine como não era há 30 anos atrás! No meu artigo eu dizia: “O importante é reconhecer o autista precocemente... A medicina mostra que o diagnóstico tardio é danoso. Quanto mais cedo se detectar o autismo melhor, de preferência no primeiro ano de vida, pelo menos, antes dos 3 anos, quando o tratamento produz resultados compensadores. A criança que começa a se tratar depois dos 5 anos tem um prognóstico diferente, aqueles que ainda não falam nessa idade, dificilmente desenvolverão a linguagem...”

Por essa e outras razões, foi deveras auspicioso tomar conhecimento de uma instituição de ensino de padrão, em Araraquara, facilitando e acolhendo, com rara competência, as crianças com necessidades especiais. Seu patrono, Francisco da Silva Borba, é uma grata referência sobre a qualidade da insigne Associação. “A A.A.E.E. é uma sociedade civil de caráter educativo e assistencial, fundada em 1992 por um grupo de pais de crianças e jovens excepcionais. Por não ter fins lucrativos, foi reconhecida como de utilidade pública, pelo decreto municipal n.º 6.713, de 21/10/1994. Seu objetivo básico é desenvolver programas de ajuda, adaptação, reabilitação, integração social, educacional e profissionalização de jovens excepcionais. Tais programas estarão a cargo de pessoal especializado, sendo tão completos e abrangentes quanto permitirem os recursos da Associação”.

Esses dados foram fornecidos pela entidade, que oferece programas de atendimento integrado: Psicopedagogia e Pedagogia; Fonoaudiologia; Fisioterapia e Educação Física Especial; Terapia Educacional.

Os que têm interesse sobre o assunto, os que necessitam de ajuda no atendimento aos filhos, a Associação atende igualmente crianças de toda classe social, seja abonada, seja carente, cada família paga de acordo com suas possibilidades. Visite-a e confira, você mesmo, a força educativa que os seus avantajados métodos produzem nas crianças portadoras de deficiência, crianças atendidas humanamente, por devotados e competentes profissionais.

Como em todo processo educacional, na educação especial o estímulo precoce faz a diferença. Sobre a síndrome de Down, por exemplo, o que se sabe é que não existem graus de Down. Há, contudo, portadores da síndrome que mal conseguem falar e outros que chegam à universidade, angariando um diploma do ensino superior. As diferenças nos seus desenvolvimentos foram motivadas pelos estímulos que receberam desde a infância. Cada um tem seu potencial próprio e a forma como esse potencial é trabalhado, desde o nascimento, é que vai dar significado ao seu desenvolvimento. O que essas crianças precisam é serem aceitas, principalmente pelos pais, pelos professores e depois pela sociedade. Se bem estimuladas, atendidas com carinho e entusiasmo, alcançam um progresso animador.

Recebi um cartão de boas-festas da Associação de Atendimento Educacional Especializado, que realmente me tocou: Natal 2005, Ano-Novo 2006. Fotografia de crianças deficientes, abaixo os dizeres: “Não queremos apenas existir, queremos viver!”.

Exalto de coração essa benfazeja Associação de Educação Especial. Que consiga ir avante, apensar das dificuldades e que hoje e sempre continue sendo reconhecida como valiosa entidade de utilidade pública.

* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em janeiro/2006)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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