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Artigos Educacionais

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INFORMATIZAÇÃO NAS ESCOLAS PÚBLICAS E PRIVADAS

Izabel Sadalla Grispino *

O cenário cibernético da informática com a internet toma conta das escolas. Computadores já não são mais exceções, mas regras nas escolas de São Paulo.

Segundo consta, 100% das escolas da rede municipal têm laboratórios de informática; na rede pública estadual, o número é de 50,4%. Nas escolas particulares, a inclusão digital é bem mais aprimorada, só se ressalvando escolas que não adotam o uso de computadores, porque vêem na tecnologia uma ameaça ao desenvolvimento da criança e do adolescente.

A crença generalizada é de que a tecnologia acelera o processo de aprendizagem, diversifica as ferramentas do ensino e amplia a visão do educando. O professor, bem treinado, consegue explicar em uma aula o que levaria três ou quatro e o aproveitamento do aluno é bem maior. As escolas vêm aderindo à lousa digital, que pode ser ligada a microscópios, projetores e também à internet. A lousa digital, ao lado do quadro-negro e do giz, é instalada nas salas multimídias e usada quando o professor quer dar uma aula mais dinâmica. Essa aula é um estímulo para o aluno, que a assiste com mais entusiasmo. A escola mescla aula a distância e aula presencial. As lousas eletrônicas abrem novas perspectivas, novas possibilidades de interatividade entre professor e aluno. Uma criação automática de provas é programada, impedindo a cola. Ainda, o aluno, com um simples comando no computador, pode ter, em mãos, impressa a aula que o professor acabou de dar.

Contudo, um estudo comparativo sobre o uso da informática, entre as escolas particulares e a pública, mostra o quanto o aluno pobre se distancia da evolução tecnológica exigida pela época. Fica à deriva dessa aprendizagem, aprende, apenas, o básico.

As grandes escolas particulares adquirem equipamentos caros, supersofisticados, atraindo cada vez mais alunos, criando um desnível colossal com as escolas públicas, no uso da tecnologia. O estudo cita, por exemplo, o Colégio Bandeirantes de São Paulo, com DVD player, projetor e computador em quase todas as salas de aula. Tem lousas digitais, um laboratório com PC e outro com notebooks interligados por rede sem fio. O grande destaque é o Classroom Performance System, uma sistema para o aluno responder questões de múltipla escolha exibidas no telão por um controle remoto, que permite ao professor saber quem respondeu o que. É utilizado, também, em aulas de revisão e para treinar os alunos para o vestibular. Entre outras utilidades, o sistema, surpreendentemente, faz um relatório e o professor fica sabendo qual a dificuldade específica de cada aluno.

Um outro aspecto muito interessante são os programas para a organização e distribuição de provas. O professor informa para quantos alunos a prova será aplicada e quantas questões devem ser respondidas por cada um. O sistema sorteia as perguntas e as distribui aleatoriamente pela classe, não permitindo que nenhuma prova fique igual à outra. Facilitando o trabalho, o próprio programa corrige o teste, seguindo as orientações passadas pelo professor ao software.

Os alunos da escola estão acostumados aos PCs desde pequenos em suas casas e acompanham com a maior desenvoltura todo o processo aplicado. Por sua vez, os professores têm que ser mestres em informática, dominar os conhecimentos de informática e, assim, conseguem facilmente manejar essa tecnologia, utilizada como ferramenta pedagógica. A linguagem da tecnologia é, por eles, introduzida naturalmente, sem entraves na comunicação. Professores e alunos estão familiarizados com o uso dos equipamentos eletrônicos.

Como o Colégio Bandeirantes, outras escolas privadas, de alto padrão, mantêm um ensino avançado em informática e usufruem de toda sua inovação. Mesmo escolas particulares menos equipadas oferecem ainda melhores condições para o ensino e uso da tecnologia que as escolas públicas, sempre em defasagem nos amplos aspectos do conhecimento. Os seus laboratórios de informática, quando existem, são mais tradicionais. Chegam a ter máquinas novas, usadas para trabalhos escolares e pesquisas na internet. Também, são usadas para ensinar rudimentos de informática e comumente seus alunos nunca tiveram, antes, a oportunidade de manusear um computador.

Ademais, o seu uso limitado do computador revela, em parte, a limitação do professor da rede pública, que não conhece métodos alternativos para essa tecnologia. Os alunos, segundo pesquisa, apenas complementam o que aprendem em sala de aula e acompanham outras experiências como o uso de câmaras e filmadoras digitais. A utilização dos computadores é feita de modo a que professores e alunos tenham os mesmos direitos. Quando se quer usá-los para um projeto ou para um trabalho, tem que marcar hora.

As escolas públicas, em geral, vêem os projetos propostos como algo sem muita utilidade. Não envolvem seus alunos em propostas de criação de conteúdo ou troca de conhecimento com crianças de outras escolas. A metodologia é rudimentar, bem diferente da utilizada por boa parte das escolas privadas. Dificilmente, chegam a ter programas educativos de matemática, história, ciências ou geografia.

Entretanto, o uso da tecnologia deve seguir critérios rígidos, em qualquer situação, seja das escolas privadas ou das escolas públicas, advertem os educadores. O uso indiscriminado e prolongado do computador acentua regressos em muitos aspectos do saber. Constata-se uma formação crescente de analfabetos funcionais. O aluno, apegado ao computador, ao videogame, à internet, à TV, não adquire o hábito da leitura. Lê mal e por conseguinte escreve mal, não tem uma imaginação trabalhada. Geralmente, copia os textos pesquisados da internet, mas não os lê, não os interpreta. Não desenvolve a análise crítica, a capacidade de interpretação.

Aprender informática, saber se valer dos aparelhos tecnológicos, são regras para a sociedade hodierna. Porém, o computador não pode, de modo algum, competir com a leitura. Ele não pode ser visto como um substituto da leitura. É preciso que ambos caminhem par a par. Que o aluno seja estimulado para o hábito de ler e que o uso do computador seja adequado, dosado, usado com criatividade e raciocínio. Se é usado de maneira tradicional, de maneira automática, não acrescenta nada ao saber do aluno.

A inclusão digital deve ser conduzida com cautela, para não atrapalhar a formação cognitiva, a formação moral do aluno. A internet é a porta da rua, que faz o aluno ir a qualquer lugar do mundo, a situações convenientes ou inconvenientes, que elevam a alma ou a degeneram. Deve ser conduzida e orientada pelos professores da escola.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2005)

JÁ FOI

Letra e música

Izabel Sadalla Grispino


Já foi,  já foi,  já foi,                                      Já foi, já foi, já foi,

A  história  contará,                                     A história contará,

Já foi,  já foi,  já foi,                                      Já foi, já foi, já foi,

Nada  mais posso  arriscar.                      Nada mais posso arriscar.

Secar  as  lágrimas,                                    Secar as lágrimas,

Deixar  tempo  rolar,                                   Deixar tempo rolar,

Não  mais  se lamentar,                             Não mais se lamentar,

Olhar o sol  raiar.                                         Olhar o sol raiar.

Manter  viva a ilusão,                                 Manter viva a ilusão,

Que a  sorte sorrirá,                                  Que a sorte sorrirá,

Deus, em  seu grande saber,                  Deus, em seu grande saber,

Dirá o que fazer.                                         Dirá o que fazer.

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2000)


CAMINHOS CONSTRUTIVISTAS NA APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino *

As escolas partem para semear transformações na educação. Os alunos trabalham em projetos que eles criam  e desenvolvem, nos quais empregam conhecimentos adquiridos não só na escola como no seu dia-a-dia.

O computador, por exemplo, não se torna apenas uma fonte de dados, mas um instrumento de comunicação entre eles. Os alunos caminham com autonomia na aprendizagem. Discutem determinadas questões e eles próprios decidem o que fazer. Montam um projeto, pesquisam, fazem o acompanhamento e analisam os resultados, sempre sob a orientação dos professores.

Os professores são treinados para utilizar atividades de ensino construtivistas, que levam o aluno a construir o conhecimento. O filósofo e psicólogo suíço Jean Piaget descobriu que as crianças não pensam como os adultos, têm sua própria ordem e sua própria lógica. A pedagogia tradicional as tornava “recipientes” a serem preenchidos com conhecimento. Elas são, contudo, ativos construtores do conhecimento, tal como fazem os cientistas que criam e testam suas próprias teorias.

O aluno não é um ser passivo e o conhecimento é o resultado da interação entre ele e o mundo. O conhecimento não é cópia, mas resultado de uma construção/elaboração do mundo ou, como dizia Jean Piaget, “assimilação da realidade”.

Construir o conhecimento é aprender, numa estrutura em construção, algo que se quer conhecer. Para haver aprendizagem, não basta a transmissão da informação, por mais competente que ela seja. É o sujeito que, fazendo relações, associando o novo ao já conhecido, vai construindo o conhecimento, segundo a sua estrutura em formação. Novos sentidos serão construídos em cada sujeito, de acordo com os esquemas de compreensão que já adquiriu. Ao longo da vida, o sujeito terá oportunidades diversas de ressignificar o conteúdo de acordo com sua experiência.

No construtivismo dizemos que ser educador é possuir a sabedoria de fazer brotar a sabedoria do outro, fazendo-o tomar posse do verdadeiro saber, saber compreendido, assimilado de dentro para fora. Por isso, educar é ter o poder de ensinar a aprender, é trocar experiências vividas, fazendo surgir novas luzes. O método de ensino adotado pela escola e aplicado pelo professor tem efeito considerável sobre a aprendizagem. Um método distorcido, distanciado da realidade da sala de aula, sem o aprimoramento de seus passos, pode levar o aluno ao fracasso.

A escola deve ajustar-se ao perfil do aluno, às suas características de personalidade, ao seu ritmo de aprendizagem, ajudá-lo em suas buscas. Não deve lhe apresentar um conhecimento pronto, acabado, mas construir com ele o conhecimento, recriar conjuntamente a cultura. Hoje, a escola se distancia da visão culturalista, enciclopedista. Ela aborda a cultura do dia-a-dia, questões de relevância social, de interesse dos alunos, trazendo um conteúdo significativo, um conteúdo contextualizado.

A alfabetização é ponto-chave no processo de aprendizagem. Ela, também, deve partir do estudo da cultura da comunidade do aluno, em que nível lingüístico e cultural ele se encontra, quando chega no 1.º ano do ensino fundamental, e em que nível se quer fazê-lo chegar. A escola, reconhecendo e respeitando o universo de onde veio o aluno, adaptando-se a ele, fará uma adequação do universo cultural que ele trouxe com o universo oferecido por ela, evitando que ele se sinta um estranho no ninho. Dessa maneira, a escola provocará uma ruptura bem menor desses universos. O aluno, aceito em sua maneira de ser, vai percebendo que é possível articular a sua linguagem com a da escola.

Reivindica-se à escola que, a partir de uma cultura popular, ela crie uma consciência de sua necessidade de formar um elo, uma relação de articulação serena, entre o seu universo e o da criança. No momento em que essa articulação se concretizar, a aprendizagem estará garantida. A criança não se sentirá frustrada, olhada como alguém que fala um discurso estranho. Perceberá que não há discurso distinto entre o dela e o da escola. Vai evoluir com naturalidade, não vai decorar ou repetir aquilo que lhe mandam. A passagem entre o seu mundo e o das letras processou-se de modo tranqüilo, com respeito e valorização (trecho extraído da aba da contracapa do meu livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola).

Esse é um grande passo para integrar o aluno no recinto da escola e motivá-lo a ela.

Um outro grande passo é respeitar o seu momento diante da aprendizagem, visto que o desenvolvimento infantil ocorre por fases. Esta foi uma das razões que se pensou em organizar as escolas da rede em ciclos, que coincidem com as fases do desenvolvimento, aumentando as possibilidades de aprendizagem, pois o ritmo das crianças é respeitado. Além disso, nesse processo são levados em conta os conhecimentos que as crianças trazem de casa e da convivência social.



* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em março/2006)

MATÉRIAS HUMANÍSTICAS PARA O ENSINO MÉDIO

Izabel Sadalla Grispino *

O currículo do ensino médio passa por reformulação. Em novembro de 2002, a Secretaria da Educação estipulou um acréscimo na grade curricular do 2.º e do 3.º ano, das escolas da rede pública estadual, incluindo as disciplinas: filosofia, sociologia e psicologia. As escolas incluirão pelo menos uma dessas três disciplinas. A decisão sobre as matérias a acrescentar cabe à própria escola.

O aumento do número de disciplinas, de 9 para 12, não é, contudo, acompanhado do aumento da carga horária, que continuará sendo de 5 horas no período diurno e 4 horas no noturno. As escolas passarão a ter menos aulas das disciplinas tradicionais, como língua portuguesa, matemática, história, geografia ou inglês.

A inclusão das novas disciplinas contempla uma reivindicação da classe do magistério, que defende o enriquecimento do currículo, em matérias que ajudam a formar consciência de cidadania e a desenvolver  criticidade. Louva a inclusão, mas lamenta a diminuição da carga de outras disciplinas. Esperava que ela fosse acompanhada de uma hora a mais na carga diária. Considera as matérias filosofia, sociologia e psicologia importantes para a formação integral dos alunos, mas não concorda com a proposta de diminuir a carga das outras disciplinas. Entende que essa redução vai afetar o montante da aprendizagem. Sugere a volta da grade curricular de 1997, quando os alunos tinham 6 aulas de 50 minutos no diurno e 5 no noturno.

O secretário de Estado da Educação, Gabriel Chalita, contra-argumenta, dizendo que a redução no número de aulas das outras disciplinas, de 5 para 4, é muito pequena e em nada interferirá na qualidade do ensino.

A Secretaria ainda define uma cota mínima de horas-aula para 2003 das matérias tradicionais, um valor que seja suficiente para não prejudicar os alunos, diz ela. Para o Ministério da Educação, a mudança não vai atrapalhar as outras matérias, podendo, inclusive, ajudar na compreensão geral. “Os alunos poderão melhorar o seu desempenho em outras matérias porque passarão a ter uma compreensão melhor dos assuntos”, diz a diretora do Ensino Médio, Maria Beatriz Gomes da Silva.

As escolas, pela legislação, têm autonomia para definir como incluir novas disciplinas. A lei exige, apenas, que sejam dadas no mínimo 800 horas anuais e 200 dias letivos.

A concepção atual de currículo é formulá-lo, não por disciplinas estanques, mas englobadas, atadas em áreas de conhecimento, favorecendo o método interdisciplinar. Para abraçar a reforma, precisam-se derrubar as paredes do individualismo das escolas. Formar uma comunidade de professores que discuta o entrelaçamento de suas disciplinas, evitando a compartimentalização. Hoje, a idéia é do profissionalismo interativo, o de atuar em conjunto, melhorando o ensino, não por partes, mas no todo, como uma comunidade. O conteúdo de uma disciplina completa o da outra, liga-se um no outro, numa amplitude de conhecimentos. Os professores precisam aprender a trabalhar mais unidos, tanto no aspecto conceitual, como no atitudinal e no comportamental. Portanto, o número de aulas não é o grande fator preponderante, mas, sim, como essas aulas são dadas, como se entrosam, se complementam, enriquecendo-se mutuamente. A qualidade não provém apenas da quantidade de aulas, mas da capacitação do professor, do compromisso com o ensino, dos investimentos empregados.

Na tentativa de melhorar a atuação do professor, criam-se movimentos paralelos que venham contribuir com a escola. Foi lançada em 26 de novembro de 2002, no encontro “A Escola dos Nossos Sonhos”, a idéia da criação de um espaço permanente de debates e sugestões para a melhoria da escola pública. Espaço que teria o caráter de fórum permanente da educação, com a participação de sindicalistas, empresários, pais de alunos, jornalistas, organizações não-governamentais entre outros setores da sociedade.

A partir de fevereiro, a cada 2 meses, um grupo de convidados se reúne na capital e apresenta suas idéias. Simultaneamente, a Secretaria deseja estimular encontros semelhantes, de pais, associações de amigos de bairros e líderes comunitários, nas 89 diretorias de ensino do Estado. A proposta é de que os encontros reunam, de preferência, pessoas de fora da escola, para tratar de assuntos referentes a ela.

Segundo o pensamento da Secretaria, os educadores já são ouvidos em outras instâncias. Quer, a cada 2 meses, 20 pessoas, que não sejam da rede pública, atuando como um conselho, cujo peso de suas opiniões será de alto alcance.

Será um peso ao lado do grande peso que é o Conselho Estadual de Educação. Um Conselho que forme canais de discussões sociais, levante questões, proponha soluções em aspectos relevantes, esquecidos ou desconsiderados pela Secretaria da Educação.

Arregimentam-se forças  a fim de tornar a escola uma alavanca da nacionalidade. Espera-se que se leve a sério tal iniciativa, que lhe dê consistência e a estimule à continuidade.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2003)

A PREOCUPANTE EVASÃO DE ALUNOS DA USP

Izabel Sadalla Grispino *

A USP, preocupada com as altas taxas de evasão de seus alunos, preparou uma pesquisa, em 2004, através da Faculdade de Educação, para saber das causas da evasão, tentar reduzir as taxas e também apressar os processos de preenchimento das vagas.

Depois de passar no vestibular mais concorrido do País, de ingressar na nossa mais conceituada universidade pública, mais de 20% dos alunos que entraram na USP, nos últimos anos, abandonaram o curso, optando pela evasão. As causas detectadas foram, em ordem decrescente: não ter certeza quanto à escolha do curso; o curso não era o que pensava; não conseguir conciliar aulas e trabalho; havia incompatibilidade de horário; o curso não correspondeu às expectativas; frustraram-se durante o curso; e, ainda, dificuldade de adaptação, de relacionamento com colegas.

A pesquisa trouxe dados interessantes, como as relações de companheirismo entre alunos e professores podem ser determinantes para manter os alunos até o fim. No curso de medicina, por exemplo, os alunos formam grupos de estudo e de trabalho nos laboratórios, existe um convívio mais forte, criando menos concorrência. Quando um aluno desiste há uma comoção coletiva, em geral. Conforme constatação, a evasão nas áreas Biológicas é menor que nas de Humanas e Exatas e mais de 40% do total das evasões da USP acontecem no 1.º semestre.

O Centro de Estudos e Pesquisas em Políticas Públicas de Educação concluiu que a diferença da estrutura do ensino médio para a universidade contribui e muito para a evasão dos estudantes. Para reverter essa desistência precoce dever-se-ia “levar professores experientes para o 1.º ano, estimular os alunos a participarem logo de pesquisas, a se engajarem nas atividades acadêmicas”.

A USP constata que os gastos da universidade pública para formar 100 alunos em 4 anos são os mesmos se apenas 50 chegarem ao final. É dinheiro jogado fora, diz Sônia Terezinha Penin, pró-reitora de graduação da USP. Em 2004, 703 vagas de alunos que se evadiram foram oferecidas a interessados em transferências para os terceiros e quartos semestres. Cerca de 3.500 se inscreveram, mas apenas 208 conseguiram nota suficiente para entrar.

A pesquisa avaliou turmas que entraram entre 1995 e 1998. Foram entrevistados 644 evadidos, 350 concluintes e 330 alunos com longa permanência nos cursos. O abandono antes do tempo ideal de duração do curso – 4 ou 5 anos – foi progressivamente diminuindo nos anos. Em 1995, 32,0; em 1996, 29,0; em 1997, 27,0; e em 1998, 22,0. Do total de evadidos, saíram no 1.º semestre: 1995, 56,1; 1996, 43,7; 1997, 43,7; e 1998, 44,3.

Depois da evasão, 28,4 não continuaram a estudar; 23,6 ingressaram em outro curso; 17,2 iniciaram uma pós-graduação; e 15,1 continuaram curso superior iniciado antes do ingresso na USP.

Constata-se  que essa evasão precoce dos alunos da graduação da USP é profundamente lamentável e a universidade tem mecanismos para ajudar esses alunos e atenuar as evasões. O fato de o aluno passar no vestibular já é um forte referencial de credenciamento da capacidade do aluno, por isso medidas para diminuir a evasão são bem mais importantes que o processo de acelerar o procedimento das vagas ociosas, como vem ocorrendo.

Um fato que contrasta com a perda desses alunos da USP é a busca de faculdades fora do País, onde o candidato foge do vestibular. Vem crescendo a busca por essas faculdades e algumas começam a se firmar pelo bom conceito que vêm conquistando. Uma delas é a Faculdade de Medicina da Fundación Hector Barceló. Tem sua sede em Santo Tomé, cidade na fronteira da Argentina com São Borja, no Brasil. A faculdade existe há 5 anos, iniciou seu funcionamento quando foi inaugurada a Ponte da Integração, entre São Borja e Santo Tomé. Localização estratégica, com a possibilidade de atender também a alunos brasileiros.

A faculdade de Santo Tomé oferece os cursos de Medicina, com duração de 6 anos, e o de Nutrição, com 4 anos. Possui, atualmente, cerca de 900 alunos, sendo um terço de brasileiros, vindos de diferentes Estados: Paraná, São Paulo, Pará, Ceará, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Santa Catarina e do Estado fronteiriço, Rio Grande do Sul.

O aluno, ao inscrever-se na faculdade, matricula-se no curso introdutório, de dois meses e meio. Nesse período, passa por vários testes, em avaliações que vão verificar suas condições para seguir ou não a carreira médica. Além das aulas de espanhol para os brasileiros e epistemologia e metodologia do estudo, eles são avaliados em disciplinas eliminatórias, como Biologia, Química, Bioquímica, Antropologia Médica, Anatomia e Psicologia e Atenção Primária de Saúde.

Na disciplina Atenção Primária de Saúde, os alunos entram em contato com a realidade de saúde no hospital-escola e em postos de periferia. Eles acompanham os professores e o atendimento dos médicos. Muitos desistem na etapa do curso introdutório, por não conseguir atingir o grau de aprovação.

O que se constata é que a faculdade mantém um bom nível de ensino, oferece cursos de qualidade. Contudo, é preciso que o estudante brasileiro saiba que não há garantias de revalidação do diploma no Brasil, diplomas de ensino superior de países do Mercosul. Segundo o Ministério da Educação, as universidades têm autonomia para aceitar ou não os pedidos de quem estudou fora do País. Os formandos devem procurar uma universidade pública que tenha curso igual ou semelhante ao realizado e levar seus documentos autenticados pelo Consulado Brasileiro no país onde cursou o ensino superior. As universidades podem pedir pagamento de taxas ou provas para revalidar o diploma.

Supervisora de ensino aposentada.   
(Publicado em fevereiro de 2005)

Supervisora de ensino aposentada.

(Publicado em fevereiro de 2005)

A ESCOLA EM SEU NOVO DIRECIONAMENTO

Izabel Sadalla Grispino *

Penetrando no mundo de valores diferenciados, na tentativa de alcançar as diversidades culturais, a escola expande seus horizontes, ultrapassa fronteiras e, num comportamento menos elitista, chega às camadas mais necessitadas da população.

A tendência atual é educar para a coletividade. A diversidade cultural hoje é mais acentuada que ontem e as crianças, desde cedo, entram em contato com ela. Como se situar nessa diversidade? Como se ajustar a ela sem confrontos desgastantes?

A educação direcionada ao coletivo leva ao enfraquecimento da competitividade. Educa para o entendimento da realidade circundante, do entorno, para conhecer a história do outro, suas tradições, seus costumes, seus anseios e limitações. Esse conhecimento aproxima uns dos outros, relaxa as rivalidades, convida às mãos estendidas.

Vivemos um outro momento, em que se faz necessário uma educação de valores abrangentes, uma compreensão de padrões de comportamento, de normas subjacentes aos diferentes grupos de convivência social. Uma educação que alcance a formação de uma consciência moral.

Crianças de origens diferentes, agindo de forma coordenada, colaboram para o equilíbrio, para uma convivência mais pacífica, desarmando intenções. A escola passa a educar para a responsabilidade social, ensinando a criança a participar da construção de uma sociedade cidadã, onde se trabalha o respeito aos direitos do outro e a consciência dos próprios deveres.

A escola passa a educar par a construção de uma sociedade comunitária, onde um sente a necessidade do outro, onde se aprende a não mais ignorar o outro, num aproveitamento de mente, de alma e de braços, no reerguimento da paz e da própria economia da Nação.

Já é tempo de se olhar, como aprendizes, às comunidades pobres. Saber ver o seu potencial, o imenso capital de conhecimento que essa comunidade herdou de pais, de avós, ver os valores socialmente criativos que expressam.

Nesse aspecto, a escola passa a ser uma instituição da coletividade, seguindo o relatório da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI (Unesco), que estabeleceu quatro pilares, como eixos estruturais da Educação na sociedade contemporânea: Aprender a Aprender – buscar o saber, alcançar os seus objetivos;  Aprender a Fazer – relacionando o ensino à prática; Aprender a Viver e Conviver – desenvolver o conhecimento do outro, formar uma nova mentalidade, que vai gerar mais união e diminuição da competitividade, vai gerar o desejo de criar, de elaborar projetos conjuntos, de viver juntos; e Aprender a Ser – desenvolver a capacidade de autonomia e julgamento, fortalecendo a responsabilidade pessoal pelo destino coletivo.

Hoje, a escola reforça a visão de que a educação deve se dirigir ao convívio coletivo, ao desenvolvimento humano, no encontro das diferentes culturas, aproximando os povos e os segmentos da sociedade.

Transformar o meio em que se vive passa, necessariamente, pela sala de aula. Já passou a época da alienação aos menos favorecidos. Terá que haver um esforço para conciliar a destinação com a esperança. Um esforço para anular o sintoma da desigualdade e acreditar na capacidade de recuperação.

 

* Supervisora de ensino aposentada.            
(Publicado em dezembro/2006)

O PERFIL DA ADOLESCÊNCIA BRASILEIRA

Izabel Sadalla Grispino *

O relatório divulgado em 11 de dezembro de 2002 pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostra mais de um terço de adolescentes brasileiros comprometido por seus níveis de escolaridade e renda. Num total de 21,2 milhões, cerca de 8 milhões de jovens entre 12 e 19 anos incompletos pertencem a famílias com renda per capita menor que meio salário mínimo e têm, pelo menos, 3 anos de defasagem em relação à escolaridade correspondente à sua faixa etária.

A redução, nos últimos anos, da mortalidade infantil perde sua expressividade perante as altas taxas de mortalidade entre adolescentes. As crianças que se salvam ao nascer correm o risco de morrer ao entrar na adolescência ou de se tornar um adulto excluído do mundo de trabalho ou um candidato a bolsas de assistência social do governo.

A baixa escolaridade e a falta de políticas públicas integradas para a juventude têm provocado um quadro social deplorável. A marginalização desses jovens, analisa o Fundo, provém de diferentes fatores. Em ordem decrescente de valores, surge primeiro o analfabetismo, que atinge 1,3 milhão de jovens, seguido do abandono escolar – 3,3 milhões não freqüentam a escola – e do trabalho infantil – 1,9 milhão entre 10 e 14 anos trabalham e, na faixa dos 15 aos 17 anos, 3,2 milhões. Segundo o relatório da Unicef, a maioria realiza trabalhos precários, mal remunerados e cumpre jornada excessiva, o que dificulta sua ida à escola.

Aliadas a esses fatores, há ainda a considerar a baixa qualidade de ensino recebida, as diferenças regionais e diferenças de raças. Esses jovens, sem uma direção a seguir, acabam descambando para a violência, para o uso das drogas. O alto índice de gravidez precoce, revelado no relatório, reproduz o ciclo de exclusão: baixa renda, escolaridade precária e inserção precoce no mercado de trabalho.

Para a Unicef, nosso País, que tem a marca de tantas desigualdades, enfrenta o grande desafio da criação de um plano nacional e articulado para o adolescente. “Não existem só desigualdades regionais. Também dentro dos municípios há diferenças nas regiões periféricas e entre zona rural e urbana. Por isso, defendemos a necessidade de uma política nacional e não de políticas setoriais ou localizadas”, diz o oficial da Unicef Sílvio Kaloustian.

O analfabetismo de adolescentes foi o principal índice usado para classificar os Estados e municípios, no relatório da Unicef. A razão está em que se um adolescente não sabe ler ou escrever não tem lugar no mundo do trabalho. Em Alagoas, o índice é de 18%, em Santa Cataria, de 1,3%. Essa disparidade reflete tanto a situação econômica quanto a educacional e de atitude. “O desafio, então, não é olhar para a cidade ou para o campo, centro ou periferia, Sul ou Norte, mas verificar se todas as crianças estão tendo oportunidades”.

Por causa da diversidade, o relatório fala em adolescências brasileiras. “Por um lado, encontramos no Brasil o fenômeno da adolescência prolongada, comum nas classes média e alta, em que a condição do adolescente tende a se prolongar em função das expectativas de uma formação cada vez mais especializada e exigente. Temos, igualmente, um significativo contingente de adolescentes que, pela pobreza de suas famílias, fica impedido de viver essa etapa preparatória, sendo obrigado a uma inserção precoce no mercado de trabalho, formal ou informalmente”, explica o documento.

O Censo 2000 do IBGE, publicado em 20/12/2002, mostra que, embora o País tenha alcançado a universalização do ensino fundamental, com 94,5% de crianças de 7 a 14 anos freqüentando a escola, não conseguiu acabar com a defasagem escolar. Os dados do Censo revelam que, de cada 10 alunos na faixa dos 13 anos, 6 não cursaram a série que deveriam; aos 14 anos, já eram 7.

No grupo de pessoas entre 10 e 14 anos, 1 milhão não sabe ler, nem escrever. A defasagem varia de acordo com o tamanho da cidade. É maior nos pequenos municípios. Um adolescente de 14 anos que mora em uma cidade com até 20 mil habitantes tem mais chance de não estar no ano correto do que o que mora em uma cidade grande. Nas pequenas, 78,8% das crianças  nessa faixa estão atrasadas, ante 63% nos grandes centros. A diferença entre rede pública e privada é grande. Nas escolas públicas, 74% dos alunos de 14 anos não freqüentavam a série que deveriam em 2000. Nas particulares, a porcentagem é de 43%.

O atraso na escola é um sério problema na educação, na vida pessoal e na sociedade. Desajusta-se a personalidade, trazendo desencontro nas realizações. Nessas condições, o normal é o aluno desanimar-se e desistir dos estudos, candidatando-se à marginalidade.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2003)

JURACY LOPES DE CAMARGO, UM EXEMPLO A SER SEGUIDO

Izabel Sadalla Grispino *

Seqüenciando as homenagens prestadas ao nobre jornalista Juracy Lopes de Camargo, recém-falecido, externo, também, os meus sentimentos.

Conheci o sr. Juracy há aproximadamente três anos. Já no primeiro encontro, ele deixou transparecer a pessoa humana, altruísta que habitava sua alma. Solicitei-lhe uma entrevista, porque queria participar de seu jornal, competente e imparcial. Aposentada, retornava da cidade de São Carlos, onde exercia minhas funções profissionais. Conhecia, contudo, o alto conceito que o jornal “A Cidade” desfrutava no seio da sociedade ribeirão-pretana.

Fui, gentilmente, recebida por ele e por sua, não menos atenciosa, sobrinha Vera. A simpatia de ambos tocou-me. A acolhida amistosa rendeu-me estímulo à participação pretendente. Deixei com ele e com a Vera os primeiros artigos para que, após analisados, decidissem de sua publicação. Desde, então, imbuída desse meu ideal de contatar-me com a sociedade desta terra e, especialmente, com as escolas e seus representantes, não parei de enviar artigos, que saem, regularmente, todos os domingos e, facilitando o leitor, sempre no mesmo caderno e no mesmo lugar.

O sr. Juracy e a Vera permitiram-me dar seqüência ao trabalho de orientar, de dar minha contribuição à escola e à formação do professor, diretriz a que me propus a vida toda.

O sr. Juracy se vai, mas a sólida estrutura montada, iniciada por seus ilustres pais, sustentará a continuidade do jornal “A Cidade”, não se podendo deixar de ressaltar a luta incessante de sua valorosa irmão Jandira. Ele é digno representante de uma tradicional família voltada ao jornalismo, abraçando um jornal que prima pela qualidade, pela informação independente.

A família Lopes de Camargo enverga o estandarte do pioneirismo da comunicação, na cidade de Ribeirão Preto. O jornal “A Cidade” aproxima-se de seu centenário de existência. Centenário de registros memoráveis. Acompanhou a caminhada heróica desta cidade, de seus primórdios ao gigantismo de hoje. Foi testemunha ocular de sua história, presenciou os seus fatos, seguiu os seus passos, infiltrados em todos os seus níveis, em toda a sua dimensão, quer na política, na vida social, na educação, na arte, na saúde, na segurança, no comércio, na indústria, na formação de seu povo, no surgimento das cohabs, de sua população mais carente. O jornal, com seriedade, tudo viu, tudo registrou. Ele é um museu histórico vivo, documentado, da cidade.

O sr. Juracy, com sua devoção à causa da comunicação, com seu incentivo às letras, era como a centelha de luz que atrai, pelo brilho estelar, outras centelhas, formando com ele uma iluminada constelação. Que o exemplo de força profissional, de ordem, de respeito às normas estabelecidas institucionalmente, perdure na memória dessa geração e das próximas que virão.O jovem tem nele um exemplo a seguir, na constituição de um País forte, a sociedade um gesto de agradecimento pelo esforço desenvolvido em prol das ações sociais.

Felizes os que, como ele, partem, tendo deixado um legado de honestidade e de relevantes serviços prestados. Felizes os que, como ele, partem, tendo podido exercer, condignamente, a missão a que veio predestinado. O homem tem sua hora de plantar e sua hora de repousar. Juracy retorna à Casa do Pai, ao reino do Infinito. Que sua alma descanse em paz.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em julho/2002)

VALORIZANDO O DEFICIENTE

Izabel Sadalla Grispino *

A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de São Paulo (Apae-SP) lançou, em começo de abril, um selo que estimula o emprego de deficientes. A Apae trabalha em parceria com empresas que apoiam a inserção de deficientes no mercado de trabalho. Essa parceria resultou em 240 postos de trabalho, em poucos meses. A mensagem passada pela Apae é de que, em vez de valorizarmos a deficiência, valorizemos a potencialidade do deficiente, que, embora não sendo igual ao mais evoluído, tem um alcance que é dele. Há muitas tarefas que ele pode cumprir e bem. Os deficientes passam por um período de aprendizado antes de ser ou não contratados como funcionários das empresas que fizer a parceria com a Apae.

Embora trabalha-se muito o preconceito, ele ainda é bastante forte na sociedade. Um estudo encomendado pelas Olimpíadas Especiais mostra resistência à integração de deficientes mentais. A pesquisa, envolvendo 8 mil pessoas no Brasil, China, Egito, Alemanha, Japão, Nigéria, República da Irlanda,  Irlanda  do Norte, Rússia e Estados Unidos, constata que a maioria das pessoas entrevistadas tem visão preconceituosa do deficiente. O preconceito impede que os portadores de deficiência mental tenham melhores oportunidades na sociedade.

As pessoas opinam achando que os deficientes devem estar em escolas segregadas, não em escolas regulares, e que eles não têm condições de lidar com as situações do dia-a-dia. Stephen Corbindeão, da Universidade Olimpíadas Especiais, que patrocinou o trabalho, diz que a visão pejorativa do passado persiste, mesmo nos Estados Unidos, que se mostram como um país avançado nessa área. Termos pejorativos, como idiota e retardado, são freqüentes na pesquisa, que revelou uma enorme oposição à integração do deficiente. Apenas 14% dos entrevistados acham que os deficientes podem praticar esportes com atletas “normais”. Só 25% acreditam que possam viver por conta própria ou em casa com supervisão e 21% aceitam a idéia de que eles freqüentem escolas regulares.

Essas opiniões negativas repercutem desfavoravelmente à integração e à realização do deficiente na sociedade. A visão da maioria dos entrevistados é de que os deficientes têm condições de cuidar de sua higiene pessoal e vestir-se sozinhos, mas acham que eles não conseguem lidar com situações de emergência, nem entender o noticiário. Acreditam, também, que a presença de deficientes mentais em escolas e locais de trabalho aumenta o risco de acidentes.

A pesquisa conclui que esses dados “têm conseqüências graves e negativas para os 170 milhões de deficientes mentais do planeta. A atitude em relação aos deficientes é mais dura nos países menos desenvolvidos, onde os recursos para educação e apoio são reduzidos”.

2003 é o 1.º ano que as Olimpíadas Especiais se realizaram fora dos Estados Unidos. Mais de 7 mil atletas com deficiência de mais de 160 países passaram 4 dias em junho, em eventos culturais, em cidades e aldeias da Irlanda.

Estímulos à reintegração de deficientes surgem em amplos setores. A Biblioteca Braille, por exemplo, permite acesso à internet aos deficientes visuais. Uma exposição, em julho p. passado, denominada Olhos da Alma – Artes Plásticas para Deficientes Visuais, no Centro Cultural São Paulo, composta por 12 quadros em alto-relevo e instalações sensoriais que estimulam os sentidos e a imaginação das pessoas portadoras de deficiência visual, surpreendeu pelo número de visitantes que normalmente não freqüenta o centro cultural. O diretor do Centro, Augusto Calil, diz que “é realmente comovente acompanhar a emoção da descoberta quando eles tocam as obras”.

A exposição foi sugestão da IBM do Brasil que fez parceria com o Centro Cultural de São Paulo. A IBM organizou a mostra e doou à Biblioteca Braille um servidor, 17 computadores NetVista, uma impressora, que agiliza a produção de livros em Braille, e um software especial, Home Page Reader, que permite aos deficientes visuais navegarem pela internet. A impressora é um aparelho importado dos Estados Unidos, que permite tanto a impressão em apenas um lado da folha como também na frente e no verso. Isso vem de encontro às necessidades de certos deficientes que não conseguem uma boa leitura em livros com caracteres impressos em todas as páginas.

Os computadores que permitem acesso à internet tornaram-se motivo de encontro de deficientes. Antes, eles passavam pelo Centro Cultural apenas para levar material para casa; agora, torna-se extensão de sua casa, observa Augusto Calil. Criou-se uma boa integração entre eles, os freqüentadores e os funcionários da biblioteca.

Os deficientes são orientados a navegar na rede mundial por meio de diferentes vozes, que narram o que estão visualizando na tela naquele momento e indicam os próximos caminhos a serem seguidos. A freqüência à biblioteca facilita a inclusão digital e social dos deficientes visuais, abrindo-lhes ampla visão do mundo.

A internet abre caminhos que despertam o deficiente para um melhor se conhecer, acorda-o para horizontes mais floridos, numa individualidade que lhe dá o direito de pensar e escolher dentro de valores intrínsecos de sua potencialidade. Em projetos de colaboração, os deficientes podem se conectar com outros de diferentes regiões e isso causa impacto na aprendizagem e na estimulação. Cria-se desse modo um novo modelo de política educacional e social.

Que cada um jogue a sementinha do esclarecimento, que passe avante o que aprendeu a respeito, facilitando a compreensão, afastando o preconceito e dando aos deficientes a oportunidade de um lugar ao sol a que fazem jus.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2003)

ENSINO MÉDIO EM FINS-DE-SEMANA

Izabel Sadalla Grispino *

O ensino médio passa por um processo alternativo. Agora, o aluno desse ensino poderá cursá-lo em fins-de-semana, em São Paulo. Jovens e adultos – de 18 a 29 anos – poderão, pelo projeto Escola da Juventude, lançado em fevereiro do corrente ano, cursar o ensino médio em até um ano e meio. Segundo informes da Secretaria da Educação, o curso terá uma dinâmica diferente dos cursos tradicionais de educação de jovens e adultos. Pretende-se usar novas tecnologias para acelerar o processo de aprendizagem, laboratórios de informática, salas de vídeos e um portal na internet.

Para participar, o aluno deve ter concluído o ensino fundamental e efetuar matrícula diretamente nas escolas participantes do projeto. Inicialmente, a Escola da Juventude atenderá 300 escolas estaduais da capital e alguns municípios da grande São Paulo e do interior do Estado, num total de 30 mil vagas, sendo 100 por unidade.

O curso de ensino médio da Escola da Juventude está dividido em três tipos de atividades: curriculares presenciais, organizados em 4 módulos, sendo um optativo no sábado pela manhã e um obrigatório à tarde. No domingo, a situação inverte-se. Haverá no mínimo uma hora e meia por final de semana de atividades de inclusão digital, e atividades individuais durante a semana, sugeridas em classe e constantes dos materiais impressos.

Na sala de aula, o aluno contará com um orientador de estudos e na sala ambiente de informática, com um monitor para auxiliá-lo a tirar suas dúvidas. O curso desenvolver-se-á em módulos e o aluno terá flexibilidade para freqüentá-lo segundo sua disponibilidade de tempo. A avaliação será contínua, havendo provas freqüentes e, ao final do semestre, exame para a conclusão do módulo. A certificação será dada após a aprovação em todos os módulos, depois de 18 meses de atividades.

A programação parece bem pensada, bem organizada, agora é torcer para que esse curso abreviado de ensino médio, dado em fins-de-semana, não venha frustrar quanto à qualidade, fazendo o ensino decair ainda mais. As escolas devem passar avante a informação, deixando os alunos a par dessa recente inovação.

Um ensino médio com carga horária assim reduzida é prato de balança que oscila entre duas perspectivas. Permite ao aluno avançar em anos de escolaridade, ultrapassando os graus de ensino, engrossando as estatísticas, mas pode pôr em cheque a meta qualitativa. O ensino médio de um ano e meio favorece, é verdade, o aluno continuar na escola, afastando-o da rua, da ociosidade. Ajuda-o a não interromper o processo de estudo e a se afastar da violência.

Segundo a Unicef, o aumento da violência é proporcional à queda da escolaridade do adolescente, considerando que a sua cidadania depende da conciliação da educação formal com cursos profissionalizantes. Aponta que apenas 33% de jovens brasileiros, com idade entre 15 e 17 anos, freqüentam o ensino médio. Dentre as crianças que trabalham, a taxa de analfabetismo é de 20,1%, contra 7,6% entre as que não trabalham. Conclui que o problema da violência requer ação efetiva de toda sociedade e que sua solução passa necessariamente pela melhoria da escolaridade e profissionalização dos jovens, dentre outras medidas coerentes com aplicações socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Estatísticas comprovam que no Brasil o número de adolescentes que morrem violentamente supera o número de mortes nos países em guerra, como no Iraque, onde se calcula que 150 mil civis morreram na invasão movida pelos Estados Unidos e Grã-Bretanha. Entre nós, mais de 24 mil jovens de 15 a 19 anos tiveram morte violenta em 2004, marcando um sangrento recorde mundial. Revelam as pesquisas que os adolescentes são, em geral, mais vítimas que autores da violência que os destrói.

Cerca de 68% das mortes de adolescentes no Brasil, com idade entre 15 e 19 anos, são provocadas por causas externas, como homicídios, acidentes de trânsito e suicídios. Perto de 10% de todos os crimes e delitos praticados no País são cometidos por adolescentes, o que causa séria preocupação.

A juventude está morrendo e está matando, e há fortes convicções de que esse quadro se modificaria se mais jovens estivessem na escola. Sob esse prisma, o ensino médio em fins-de-semana, conjugando estudo e trabalho, poderá ajudar, se conduzido por professores habilitados e interessados no processo, porque o mercado de trabalho considera prioritariamente a qualidade e não a quantidade de anos passados pelo aluno na escola.

Exigências do mercado levam as empresas de pequeno e médio porte a contratar pessoal qualificado na mira da adoção do selo de boas práticas trabalhistas, acompanhando as grandes empresas. Atuar com qualidade favorece o diferencial competitivo da empresa como foco na responsabilidade social. As pequenas empresas são as que têm até 99 empregados, no caso da indústria, e até 49, no caso de comércio e serviços. As de médio porte têm até 499 trabalhadores na indústria e 99 no comércio e serviços. O selo SA 8000 se tornou um termômetro da importância que as práticas internas empresariais têm em uma economia competitiva. Sua importância é tal que será como avalista para o futuro. Vai excluir empresas do mercado. O selo SA 8000 cria um ambiente ético que vai além da empresa e chega à sociedade, vai além das exigências trabalhistas, dando condições dignas de trabalho a seus empregados.

A SA 8000 é um conjunto de padrões que asseguram melhorias nas condições de trabalho nas empresas, com base nos preceitos da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Para obter a certificação, que tem a validade de 3 anos, a empresa deve estar em dia com a legislação trabalhista, banir os trabalhos escravo e infantil e assegurar o direito à associação sindical e salários justos.

Para fazer parte de uma empresa bem organizada, de porte e sucesso, para receber os benefícios da SA 8000, o pretendente deve ter freqüentado uma escola de qualidade, adquirido uma boa formação acadêmica e profissional. Caso contrário, não passará nos testes de avaliação.

Um ensino médio de bom nível é porta aberta para uma boa colocação no mercado de trabalho.  Os relatos acima são questões para se pensar.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em maio/2005)

VIOLÊNCIA E FALTA DE QUALIDADE NAS ESCOLAS PÚBLICAS

Izabel Sadalla Grispino *

A escola brasileira apresenta deficiências acumuladas, precisa se dar conta dos desafios que deve enfrentar para uma aprendizagem de qualidade. Desafios que coloquem como prioridade um ensino que ofereça oportunidades a todas as classes sociais, buscando igualar os desníveis tão assinalados.

Violência e falta de qualidade são os dois maiores problemas enfrentados pela escola pública, preocupando sobremaneira os pais. A escola hoje oferece vagas a todos que a procuram e normalmente perto de casa. É, sem dúvida, um avanço, mas peca por seus métodos de ensino, incapazes de atingir a qualidade. A violência, ao lado da falta de um bom ensino, foi apontada como a maior preocupação dos pais, numa pesquisa feita pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas em Educação (Inep), em janeiro do corrente ano.

A pesquisa foi realizada em cinco capitais – Belém, Recife, Brasília, Rio de Janeiro e Curitiba – e serviu de base para uma outra mais abrangente, iniciada em janeiro. A pesquisa, com 10 grupos de discussão, mostrou que pais temem pelos filhos nos casos de violência e se mostram decepcionados quanto à qualidade de ensino. Cem pais, participantes dos grupos de discussão, foram unânimes nas respostas. As afirmativas serviram para o Instituto organizar novo questionário com o mesmo objetivo e enviar a 10 mil pais em todo o País, incluindo cidades do interior.

Talvez essa segunda pesquisa nem seria necessária, é evidente a necessidade de se melhorar o ensino e as condições de segurança das escolas de todo território nacional. As escolas, principalmente nas grandes cidades, apresentam-se como um local inseguro e com falta de disciplina. Os pais ressaltam, ainda na pesquisa, que os filhos não estão aprendendo.

Vários pontos tiveram resultados positivos: o fato de a escola ser pública e gratuita, de haver vagas para todos, da matrícula ser simples e o acesso fácil. A merenda escolar e a distribuição de livros didáticos também foram elogiadas.

A pesquisa mostrou, em contrapartida, que a grande maioria dos pais não entende os novos métodos de ensino, a formação de ciclos e questiona a aprovação, que ela chama de automática. Questiona o processo de avaliação continuada, uma avaliação sem provas, feita por meio de trabalhos e da participação em sala de aula. Um outro aspecto da pesquisa foi mostrar que os pais freqüentam pouco a escola, talvez, esta seja uma das razões do desconhecimento dos métodos adotados.

Essa deficiência escolar reflete profundamente na vida social e no mercado de trabalho. As empresas começam a perceber a importância de fortalecer o ensino de seus funcionários. Percebem que não adianta dar um treinamento técnico avançado, quando há problemas na base da educação. Com a exportação, as empresas notaram que a qualificação da mão-de-obra era um diferencial competitivo importante para ganhar mercado em países como EUA e Canadá. Passaram a investir na educação de seus funcionários, sabendo que estariam investindo nelas próprias.

Dados do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife) mostram que 81% das empresas investem no ensino fundamental. Investem na educação dos 7 aos 14 anos influenciados pela Constituição de 1988, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e pelas políticas educacionais dos últimos governos, que priorizam a educação nessa faixa de idade. As empresas tomam para si o desafio de erradicar o analfabetismo, ampliar o acesso ao sistema educacional e tornar possível o acesso às novas tecnologias, como a informática. Empenham-se a oferecer ensino fundamental para a população adulta – de jovens e adultos – eliminando barreiras à inclusão social. O mercado de hoje exige esse conhecimento mínimo.

DIA 27 DE ABRIL, DIA DE PÁSCOA

A Páscoa é uma festa cristã, que comemora a ressurreição de Cristo. É o princípio de uma nova vida, a redenção da humanidade. Desejo que nesse dia o mundo se encontre num grande abraço de paz, de renovação, apoiado nos ensinamentos de Cristo.

A Campanha da Fraternidade, deste ano, aborda o tema “Solidariedade e Paz”, com seu lema: “Felizes os que promovem a paz”. Em homenagem a essa Campanha, os meus versos abaixo:

ESCALADA DA FELICIDADE

Para a felicidade só há uma estrada,
Aquela que a dor alheia abraça,
Que engrossa as fileiras da justiça,
Enfraquece os ânimos da cobiça,
A humildade do espírito, sua mansidão,
Se encarregam dos benefícios que virão.

A felicidade é um se doar,
Orar ao se levantar e ao se deitar,
Impregnar-se do sentido da oração,
Aprendendo com ela a dividir o pão,
Ela está no extremo de uma estrada penosa,
Tendo que atravessar uma humanidade perniciosa!

A felicidade fica além dos pântanos encharcados,
Além da trilha de povos irados,
Só após conhecer a desgraça,
É que se chega ao estado de graça,
Persistindo em sua busca, a claridade avança,
Descobre-se que ela é a paz, a esperança!

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2007)

SAUDOSA LEMBRANÇA DE EX-COLEGAS DE JABOTICABAL

Izabel  Sadalla  Grispino*

Ao escrever o artigo “Retrospectiva Histórica: a escola pública na década de 60” era constantemente assaltada por lembranças de colegas, com os quais vivi uma fase ricamente produtiva, uma etapa relevante da educação em Guariba. Formávamos uma equipe valorosa de trabalho e idealismo; tínhamos o privilégio do estudo pedagógico, orientado diretamente pelo “Centro de Recursos Humanos e Pesquisas Educacionais Prof. Laerte Ramos de Carvalho” (CERHUP), um departamento da S.E., hoje com o nome de “Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas” (CENP).

Além dos dedicados professores de Guariba, contávamos com outros das cidades vizinhas, especialmente de Jaboticabal, onde, com saudade e apreço, recordo: Osny Silveira, Osnei Cardoso, Cecília Fráguas P. Farias, Ivan R. Gagliardi, Mirlei Polachini, Zélia M. Thomaz de Aquino. Reverencio-me a citar o nome do insigne mestre Carlos Nobre Rosa, muito respeitado pelo alto saber, pelo domínio do conteúdo em sua área de atuação: ciências.

Há, também, que se destacar o nome de Maria Carlota Niero Rocha, digníssima prefeita desta cidade, então, professora de geografia, a quem cumprimento pela bonita escalada política que vem realizando, formulando-lhe votos de sucessos contínuos, com amplitude de horizontes, galgando postos, cada vez mais elevados, no cenário político nacional.

Uma outra lembrança recai sobre o Prof. Rolando José Gonçalves Dias, que havia deixado, recentemente, a direção do colégio. Hoje, como é do conhecimento de todos, o Prof. Rolando dirige, com galhardia, a tradicional Escola Estadual “Aurélio Arrobas Martins” e marca sua presença com exemplo de devotamento profissional, lutando por uma educação capaz de dar respostas à sociedade tecnológica. Parabéns!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2000)

ESCOLAS DE LÍNGUAS

Izabel Sadalla Grispino *

Nota-se um aquecimento de escolas de línguas no mundo todo, influenciado pelo desenvolvimento de negócios. Pessoas que buscam aprender bem idiomas, distanciando-se do período em que a economia era fechada. Pessoas que descobrem novos negócios, que cuidam das relações internacionais de grandes empresas, aperfeiçoam-se no estudo de idiomas.

À medida que a globalização quebra barreiras, o ensino de línguas se expande, afinal a língua está relacionada com o comércio. Li, a respeito, o pronunciamento do presidente mundial da Berlitz Centro de Idiomas, Mark W. Harris, rede presente em 63 países, com 450 unidades, e que ensina 42 idiomas, do inglês ao tagalo, das Filipinas. Harris diz que o ensino de idioma incomum cresce para negócios. Professores americanos têm ido a Hong Kong ensinar mandarim aos chineses! Esclarece que está cada vez mais comum os americanos, em missões especiais de trabalho, recorrerem, às pressas, ao aprendizado do Português, o idioma oficial do País, não mais visto somente como a nação do futebol e do carnaval.

Polônia, Eslovênia, República Tcheca, antes ex-satélites soviéticos e restritas ao idioma russo, abrem-se para novas culturas. O crescimento da Berlitz está bastante concentrado na Ásia. De 1965 para cá, foram abertas, só no Japão, 56 unidades. Estão previstas 22 novas unidades lá, mais duas na Coréia. Na Tailândia, a Berlitz inaugura, este ano, o 6.º centro, na China, o 5.º, e em Xangai o 1.º.

Na Inglaterra, o processo avança. O departamento de Inglês da Universidade de Warwick, localizado na área central da Inglaterra, conta com cursos diferenciados para grupos específicos. O departamento, ao invés de turmas fechadas e programas prontos, adapta os cursos às necessidades dos estudantes, necessidades ligadas ao aperfeiçoamento do inglês, por causa do trabalho. O Centro de Língua Inglesa promove, entre outros, cursos para grupos de executivos chineses, analistas de sistemas mexicanos, professores da Malásia e profissionais japoneses da área de saúde.

Vivemos num mundo cercado por interesses econômicos, alastrando-se a cada passo. A globalização, se por um lado oprime, sob certos ângulos, os países em desenvolvimento, por outro, oferece perspectivas amplas de trabalho e comércio. A área financeira é o grande tema deste novo século e o domínio do mundo é sua finalidade. Embora Lincoln dissesse que democracia é o governo do povo pelo povo e para o povo, ela caracteriza uma participação que acontece por meio de eleições, somente até a escolha de um governante. O poder determinante está mais acima, como fala o escritor português José Saramago, que são os poderes econômicos. São estes que  impulsionam e que determinam novas posturas, novos caminhos.

Representantes de escolas de idiomas reafirmam, no estudo das línguas, a tendência a áreas que dão vantagens internacionais, como hotelaria, seguido de ramos como telecomunicações e informática. Esses setores são os que mais oferecem oportunidades de carreira internacional.

É, principalmente, por meio da aprendizagem de idiomas que se galgam espaços para avançar nas carreiras internacionais. Para quem gosta de viajar, conhecer o mundo, conhecer o modo de viver de outras pessoas, a cultura do diferente, o primeiro passo é estudar bem idiomas. O desenvolvimento de negócios, a visão globalizada do mundo exigem fluência no uso das línguas. Um executivo do setor de hotelaria, relatando sua caminhada profissional, contou que morou em onze países, por conta do trabalho. Entre eles, Taiti, Polinésia, Kuwait, Egito, Estados Unidos e Nepal. “Conheci uns 50 países em viagem, a maior parte a trabalho”. Ele domina bem os idiomas inglês, francês e espanhol. Hotelaria é um ramo em expansão. O turismo é outra profissão em moda, uma área aberta do mundo, onde o domínio de idiomas é indispensável.

No Brasil, o estudo de idiomas cresce e atinge uma população jovem considerável. O interesse, a procura pelo estudo de línguas fazem as escolas de línguas incrementarem-se, tornando um mercado rendoso, também, por aqui. Nas faculdades, os cursos de letras não parecem manter essa concorrência, quando se focaliza o ingresso ao magistério. Os jovens buscam os cursos com vistas a uma maior exposição internacional, e menos a uma carreira docente.

Esse, como outros temas que possam alargar os horizontes profissionais do educando, deve fazer parte do compromisso informativo das escolas.  Os professores devem estar antenados à época, podendo demonstrar mais amplamente as várias ocupações que vêm surgindo, abrindo o leque das oportunidades atuais do mercado de trabalho.

Sob uma outra faceta, a escola deve inteirar-se de inovações, como a desestruturação de muitos cursos, para atender uma demanda de profissionais, ainda inexistente, principalmente na área de elaboração de negócios. A Fundação Getúlio Vargas (FGV), por exemplo, prepara, já para o ano que vem, seu vestibular para seu primeiro curso de graduação em Direito, que funcionará em 2005. Esse novo curso de graduação modifica o modelo tradicional de ensino hoje existente no Direito, uma sinergia entre Administração, Economia e Direito, sendo que Administração e Economia são cursos de graduação já existentes na FGV.

A falta de profissionais com uma formação mais ampla levou a Fundação a idealizar um currículo, no curso de Direito, onde se incluem as áreas de finanças, contabilidade, microeconomia, macroeconomia, meio ambiente e informática. A proposta é oferecer, já na graduação, toda a qualificação profissional existente, dando ao aluno as credenciais que geralmente ele busca, após a graduação, no exterior em cursos de mestrado.

Acompanhar essas inovações dá à escola um caráter institucional gabaritado, de considerável valia aos seus educandos.

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em julho/2003)

ENSINO FUNDAMENTAL DE 9 ANOS -- (2)

Izabel Sadalla Grispino *

O ensino fundamental de 9 anos de duração é assunto que ronda a preocupação dos pais. Como vai ser? Meu filho vai ter que estudar mais 1 ano para completar esse ensino?

Na verdade, sim, só que será um acréscimo inicial. Ao invés de o aluno ingressar aos 7 anos de idade, vai fazê-lo aos 6. O ensino fundamental será, então, não mais dos 7 aos 14 anos, mas dos 6 aos 14, continuando o aluno a sair do ensino básico – infantil, fundamental e médio – com os mesmos 17 anos.

É um enriquecimento inicial que virá fortalecer as etapas posteriores da alfabetização. Ao invés da 1.ª à 8.ª série, a criança cursará do 1.º ao 9.º ano mudando, apenas, a nomenclatura. Começará o novo 1.º ano aos 6 anos. Todos “pulam” uma série, mas só na nomenclatura. Os conteúdos do 2.º ao 9.º ano devem continuar os mesmos que eram dados de 1.ª à 8.ª série. Quem estará, por exemplo, na 3.ª série cursará o 4.º ano com o mesmo conteúdo do 3.º ano.

A mudança será na estrutura da escola, preparando-se para atender crianças mais novas, na faixa etária dos 6 anos. O importante não é apenas a obrigatoriedade em oferecer vagas, mas como essas crianças serão atendidas. Um novo projeto pedagógico deverá cobrir a mudança. Não é só transferir o conteúdo que era dado aos 7 anos para os 6 anos.

O novo 1.º ano terá de incorporar características do ensino infantil, passando a funcionar com o mesmo conteúdo que já era dado na pré-escola. A alfabetização não será adiantada, começa na idade adotada pelo ensino infantil.

A instituição terá que adaptar salas de aula e parte da escola para receber crianças menores. Atividades lúdicas, de arte e recreação, precisam continuar para essas crianças, assim como experiências já iniciadas de ler e escrever, como ouvir histórias, nos cantinhos de leitura, escrever cartinhas, bilhetes. Inclui-se, aí, brinquedoteca e também a preocupação com a motricidade da criança. Os banheiros são um outro ponto a se considerar, a se ajustar.

Esses preparativos levam a rede pública a mudar só em 2008. A rede particular, a maioria – 90% -- já funcionando com educação infantil, tem condições apropriadas para fazer funcionar o ensino fundamental de 9 anos em 2007. Algumas redes já haviam mudado, por critério próprio, antes da lei.

A ampliação do ensino fundamental de 8 para 9 anos, prevista pela lei 11.274 e sancionada em fevereiro de 2006, pelo presidente Lula, torna obrigatório o início desse ensino aos 6 anos de idade e dá um prazo até 2010 para que todas as escolas de ensino fundamental se adaptem ao novo formato de ensino.

O ensino fundamental, sendo o único considerado obrigatório pela Constituição, vai obrigar, agora, crianças de 6 aos 14 anos, incluindo crianças pobres de 6 anos que estão fora da escola e que nela passarão um ano a mais. Este aspecto foi o principal objetivo da lei, favorecendo, especialmente a rede pública, os alunos carentes, porque os mais abonados já têm a seu dispor a educação infantil de 6 anos.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2007)

A VIDA PASSA PELO CAMINHO DA ESPIRITUALIDADE

Izabel Sadalla Grispino *

Passeando um pouco pela literatura, pela cultura, em seus diversos domínios, e em diferentes épocas, constatamos em grandes pensadores, cientistas e teólogos um encontro espetacular de ideais de espiritualidade, de convicções, abordadas numa coerência que chega às linhas da sistematização.

A existência não nos é um pano de fundo ou apenas uma inspiração; é parte viva de nós mesmos, nela caminhamos com seu fluxo incessante e contínuo. Ela nos remete a freqüentes reflexões, põe em constante evidência a superioridade das riquezas do espírito sobre as glórias mundiais. Ela nos força a um conhecer a si mesmo e a conhecer, por extensão, o homem em geral.

Relendo Michel de Montaigne, filósofo francês do século XVI (1533-1592), o filósofo que dialogava com a humanidade, em seus temas universais, revivi mensagens absolutamente atuais. A sua capacidade de percepção, de análise e compreensão da alma humana e da natureza, como um todo, vence as barreiras do tempo e se projeta no dia de hoje como, certamente, se projetará no dia de amanhã. Montaigne relacionava o homem à natureza; dizia ser o homem parte da natureza, devendo, portanto, entender que mesmo os animais e as plantas merecem respeito e consideração. Hoje, debate-se a idéia da proximidade estreita do homem com a natureza. A teoria evolucionista de Darwin e as pesquisas genéticas identificaram a pequena diferença que existe entre nós e os outros seres vivos. Imaginemos o impacto provocado por essas reflexões na sua época!

Ressalta-se, também, em Montaigne, nos “Ensaios”, a abordagem superatual, que ele faz sobre razão e fé. Põe a razão em xeque. Analisa-a, não como o teólogo que a critica pela presunção de querer prescindir da idéia de Deus, mas como um observador realista, que não vê na razão caminho para a felicidade.

Sua indagação é no sentido de tentar entender porque a racionalidade não fez do homem um ser mais sensato e equilibrado. Não se trata de confrontar fé e razão, mas de criticar os nossos valores, a razão, como meios de alcançar a verdade e o bem. “Os homens se acreditam superiores e racionais, mas quase sempre se mostram escravos das superstições e repletos de vícios. Poucos homens são verdadeiramente guiados pela razão, pela justiça”. A fé deve estar sempre aliada à razão, em equilíbrio.

Dizia que a única maneira de não se estar ao “sabor dos ventos”, “ao acaso dos encontros”, é sendo senhor de si mesmo. O indivíduo deve libertar-se da mesquinhez do cotidiano e do fanatismo, deixar seduzir-se pelos bens espirituais. Montaigne preconizava a paz, a harmonia e a tolerância, mas não se mostrou muito inclinado a acreditar na concretização de um mundo pacífico.

Passemos a entender a espiritualidade no grande cientista Albert Einstein, séculos XIX e XX (1879-1955), que assim se expressou: “Sei que os homens jamais poderão saber tudo, que a coisa mais bela que podemos experimentar é o mistério. Deus é sutil, mas não é malicioso, por isso tenho certeza de que a solução será encontrada sempre. Foi uma espécie de fé que me ajudou, durante toda a minha vida, a não desesperar em face das grandes dificuldades da investigação”. Acerca de suas próprias conclusões, Einstein se perguntava: “Terá sido deste modo que Deus criou o universo?”

O grande líder que foi da comunidade católica, o grande guia espiritual, o  papa João Paulo II, na encíclica “Fides et Ratio”, lança o desafio de iluminar a razão e as ciências da modernidade com a luz da fé. Num primor de considerações, diz: “A engenharia genética necessita de fé para não instrumentalizar o Dom divino da vida. A política precisa do Evangelho para tornar-se serviço desinteressado do bem comum. A economia moderna precisa converter-se em justiça e solidariedade. A instituição familiar carece de visão cristã do matrimônio para não se desfigurar. Não há dimensão importante da modernidade que não possa prescindir de uma profunda reflexão e diálogo entre razão e fé”. Acrescenta: “A razão e a fé não podem ser separadas, sem fazer com que o homem perca a possibilidade de conhecer de modo adequado a si mesmo, o mundo e Deus”.

Em sua carta apostólica, intitulada “No Início do Novo Milênio”, João Paulo II diz: “A Igreja não pode perder de vista o rosto de Jesus”. Onde encontrar esse rosto? Ele responde: “Nos Evangelhos, que oferecem uma visão de fé sustentada por um testemunho histórico concreto”. No limiar do novo milênio, a Igreja tem “confiante otimismo em que não será uma fórmula a nos salvar, mas uma pessoa, Cristo”. Não há, pois, que inventar um “programa novo, porque Cristo é seu programa definitivo para o terceiro milênio e para sempre. Compete às Igrejas locais, ou seja, às dioceses, realizá-lo... Vamos em frente, com esperança”.

* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em novembro/2005)



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(Publicado em novembro/2005)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

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As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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