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Artigos Educacionais

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UM ENFOQUE DA EDUCAÇÃO DE RIBEIRÃO PRETO NO PERCURSO DE SEUS 150 ANOS

Izabel Sadalla Grispino *

A escola pública em Ribeirão Preto teve em seus primórdios, como em todo o País, um início lento, desarticulado. Contudo, no início do século XX, surgiam escolas estaduais, como a E.E. Dr. Guimarães Júnior, em 1905, e, em 1907, a conceituada E.E. Otoniel Motta, seguida da E.E. Dr. Fábio Barreto. Essas escolas, desde o seu início, primavam por uma educação de qualidade. Otoniel Motta foi celeiro de professores de alta categoria.

Escolas particulares, renomadas até hoje, complementavam a educação dos jovens da época, como o Instituto Santa Úrsula, Nossa Senhora Auxiliadora, Metodista, Marista e outras.

Todas adotavam um ensino baseado na linha cartesiana, que ostentava bandeiras com lemas da elitizada escola da disciplina, austeridade, honra e excelência. Eram escolas que respondiam favoravelmente à sua clientela, seleta, oriunda de classes abastadas, dominantes, que aspiravam ao ingresso nas universidades, quer do País, quer da Europa.

Até a década de 70, Ribeirão irradiava conhecimento, era modelo de ensino público para toda a região, uma ilha de excelência. Depois, gradativamente, essa educação pública de qualidade foi cedendo lugar a uma educação ineficiente, Hoje, Ribeirão se faz representar, em termos de boa educação, por escolas particulares, tendo algumas, as mais consagradas, angariado o posto da vanguarda do saber, exercido no passado, pelas escolas públicas.

Atualmente, seguindo a tendência nacional, Ribeirão apresenta um ensino de dois níveis: um bom ou muito bom, destinado aos ricos, e um bastante sofrível, destinado aos pobres, jogando na sociedade uma leva de analfabetos funcionais. Precisa, como todo País, investir em uma educação com eqüidade social.

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em junho/2006)

SISTEMA ÚNICO DA EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Inúmeras propostas de sugestões de mudança infiltram-se na área da educação. O ministro Cristovam Buarque tem se revelado um profissional irrequieto, inconformado com o decadente ensino oficial brasileiro.

Por vezes, assusta-nos pela quantidade de inovações lançadas, como reformulações no Exame Nacional de Cursos, o Provão, no Exame Vestibular, no Exame Nacional do Ensino Médio, com realização anual, na Universalização do Ensino Médio, seguido do acréscimo de um quarto ano, opcional para o aluno, ou alfabetizar todo mundo.

Tantas e complexas propostas, muitas de difícil concretização, chamam, contudo, a atenção e colocam na pauta de discussões a causa da educação oficial, que no Brasil beira à raia da falência. As freqüentes considerações de mudança podem despertar consciências, movimentar opiniões, transformar-se em assunto prioritário, criar um fortalecimento político em torno da falência da escola pública. Cria-se, também, a expectativa de se formar uma escola preparada para lidar com o problema crucial da dificuldade de aprender.

Como uma de suas últimas propostas, o ministro da Educação, Cristovam Buarque, fala da criação de um sistema único da educação, inspirado nos Sistemas Únicos da Saúde (SUS) e da Segurança Pública (Susp). Essa nova forma de organização teria a participação da União, Estados e municípios, também de sindicatos e organizações não-governamentais (ONGs).

As sugestões do ministro foram bem acolhidas por Estados e municípios, que apoiam em compor com o governo federal o sugerido sistema integrado de educação. Aliás, a Constituição Federal, no seu artigo 211, define como a União, Estados, Distrito Federal e municípios organizarão em regime de colaboração seus sistemas de ensino.

O ministro Cristovam Buarque propõe, ainda, um grande projeto, que chamou de sistema solidário de educação, visando melhorar a qualidade da formação do profissional da educação. Fazem parte desse projeto quatro propostas: instituir um piso salarial para o professor e implantar a avaliação permanente do seu trabalho; garantia de vaga a todas as crianças a partir de 4 anos; ensino médio obrigatório; quatro anos de ensino médio, sendo um deles profissionalizante.

É patente a louvável intenção do ministro de criar uma mobilização, envolvendo governo, sociedade, sobre o sério problema que o Brasil enfrenta na área do ensino público.

Terá ele condições de viabilizar a contento tantas iniciativas? Estruturas deficitárias, falta de verba, falta de professores, vão requerer muita criatividade e objetividade, para uma real operacionalização dessas propostas.

 

15 DE OUTUBRO, DIA DO PROFESSOR

Antecipando-me ao 15 de Outubro, Dia do Professor, não posso deixar de render minha homenagem ao professor. Irmano-me à causa do ensino, à luta por melhores condições de trabalho e, particularmente, por melhores salários. Que a Nação passe a compreender que sem professor não há ensino e sem ensino não há pátria altaneira. Que haja uma consciência nacional sobre a função insubstituível do professor para a sociedade e para a vida como um todo.

A você, professor, com carinho e respeito, meus versos abaixo:

AO  PROFESSOR

Querido professor,
Não desanime, vá avante,
Da humanidade é luz do esplendor,
É sol que brilha em terra exuberante,
Estrada iluminada,
Luzeiro de escuras madrugadas!

Sem você, a sociedade esmorece,
A criança perde seu futuro,
Você é, de todos, a mais bela prece,
O sonho que surge prematuro,
A fé que a esperança carece,
O brilho que nunca desaparece.

Embora pouco reconhecido,
E, pouco prestígio alcança,
Com Jesus é parecido;
Seu devotamento, transpassado de lança,
Tem como maior recompensa
A luta, para que seu aluno vença.

Assemelha-se ao pesado arado,
Que remove a terra, prepara o plantio,
Joga-se o grão adubado,
Que vencerá o inverno e o estio,
Com a chuva, a colheita é abundante,
A terra sorri em seu veludo verdejante!

Você, professor, vai além,
Prepara, aduba, planta, conquista,
Trata da semente como ninguém,
Da mente e da alma é um especialista;
Você é o amanhã de suave brisa,
O construtor, que a sociedade mobiliza ou paralisa!


* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2003)

VIDA: CONCEITUAÇÕES E CURRÍCULO ESCOLAR

Izabel Sadalla Grispino *

Para os psicólogos “A vida é para ser vivida”, isto é, desfrutada. Esta foi a primeira conclusão a que chegou um estudo, publicado em 2003 pela revista britânica Journal of Humanistic Psychology, sobre o sentido da vida. Partilha dessa visão o ex-presidente dos Estados Unidos Thomas Jefferson. A segunda conclusão é dos que acreditam que o sentido da vida é “amar, ajudar e prestar serviços aos demais”. Estão nesse grupo o físico Albert Einstein e o líder indiano Mahatma Gandhi. Uma outra visão, agora pessimista, é de que a vida simplesmente não tem sentido. Pensavam dessa forma Sigmund Freud, criador da psicanálise, e os escritores Franz Kafka e Jean Paul Sartre. Finalmente, um número menor de entrevistados dizia que a vida é simplesmente “uma piada”. Entram aqui o cantor Bob Dylan e o escritor Oscar Wilde.

Um outro aspecto da vida que divide a humanidade diz respeito às religiões, ao humanismo e ao racionalismo. O cristianismo, por exemplo, professa que Deus é essencialmente amor e quer ser acolhido por adesão livre. Ele, como as outras religiões,  liberta o homem do mal, purifica e eleva a alma, trazendo uma realização plena. As religiões pregam o amor, o diálogo, a paz, a misericórdia, atributos que levam à libertação. Se assim não for, não é religião, não está pregando o sentido de religiosidade.

Há os que dizem que o humanismo cristão seria o responsável pela desertificação do universo, aquilo que Max Weber chama “o desencantamento do mundo”. São convictos de que o cristianismo despovoou a natureza dos deuses e das entidades mitológicas, concentrando toda a sacralidade na figura do homem. Assim, para eles, o mundo transformou-se em coisa inanimada, uma representação sem interioridade, “casca vazia autopsiada pela ciência e abertamente manipulada pela tecnologia. O sol visível do mundo foi ofuscado pelo sol invisível do espírito” (Vicente Ferreira da Silva).

Estamos vivendo uma época de febre racionalista. Os defensores de uma cultura agnóstica acreditam que a humanidade seria mais civilizada e feliz se se libertasse das “amarras” espirituais. Acreditam que a religião, sutilmente, empurra o homem a um sentimento místico, desfavorável à sua libertação total.

Para as coisas da alma não há muito que explicar. Lembro, aqui, Santa Bernadete, a dos milagres de Lourdes, na França, que, apertada por inquisidores, disse: “Não adianta explicar para os que crêem, não é necessário; para os que não crêem, não adianta”.

Transportando essa conclusão para o magistério, percebemos como nele o conceito é real. Se o magistério não acreditar, não vai realizar. São Tomé dizia, em relação à calúnia, é preciso ver para crer. Em relação ao magistério, o processo é o inverso: é preciso crer para ver. Na montagem do currículo, a escola tem necessidade de definir sua concepção filosófica, religiosa. Discutir, ao lado do aspecto intelectual do ensino, a questão moral, ética do comportamento humano. A desordem mundial, o agravamento dos problemas sociais, mostram-nos o quanto a educação moral dos jovens vem falhando. São lançadas na torrente da população levas de jovens sem princípios, sem fé, sem religião, sem sustentação de alma e com conseqüências desastrosas.

A função primeira da escola é o conhecimento, mas, também, formar o cidadão. Ela deve se definir em termos do ser humano que quer formar, da visão de mundo que quer projetar. Deve discutir sua concepção de educação e através dessa concepção criar seus critérios de avaliação e formular toda sua linha pedagógica.

A discussão do humanismo e do racionalismo é importante, porque as duas correntes marcam a humanidade. O ardor racionalista encontra-se subentendido nos textos comemorativos do cinqüentenário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Neles, nota-se a apologia da razão, do sonho da libertação pela razão, contrapondo-se à corrente espiritualista que preconiza o sonho  da  libertação  pela  religião.   Goya,  em uma célebre pintura, cunhou a frase: “Deus e o sonho da liberdade” e o grande escritor Dostoiewski, através de um personagem, diz: “Se Deus não existe, então, tudo é permitido”.

Estes são exemplos que devem perpassar as diretrizes do currículo, a fim de se conseguir uma atitude uniforme de seus membros. Deve-se ir além, às suas linhas norteadoras acrescentar, como queria o nosso  Paulo Freire: “a necessidade de se formar homens e mulheres capazes de sonhar, idealistas, práticos, capazes de transformar seus sonhos em realidade. Precisamos conscientizar os jovens da importância do investimento em si próprio, em sua cidadania. Conscientizá-los a fazer frente à realidade, colocá-los por dentro dos problemas que os envolvem na atualidade e subsidiá-los para atuar preventivamente”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2004)

BIOTECNOLOGIA, CIÊNCIA PARA A VIDA

Izabel Sadalla Grispino *

O grande surto do progresso, do desenvolvimento econômico do País, de hoje, está centrado na atualização tecnológica dos professores e da sociedade como um todo. Um assunto que vem chamando a atenção é o da biotecnologia moderna, com constantes desafios à sua compreensão.

Freqüentemente, ouvimos falar em clonagem, células-tronco, biossegurança, transgênicos, nanotecnologia e outros. Sabemos que são procedimentos científicos, capazes de aperfeiçoar e trazer grandes avanços para a humanidade, mas, geralmente, estamos por fora de sua real compreensão. Ainda recentemente, escrevi sobre o ensino de ciência, a preocupação mundial com a decadência desse ensino e sua relevante importância à educação para a vida.

Nunca se fez tão necessária a adoção da educação continuada. A ciência e a tecnologia avançam rapidamente, tornando obsoleta boa parte do conhecimento anteriormente adquirido. É imprescindível conhecer as novas tecnologias, os novos conceitos, adquirir uma opinião sólida e fundamentada cientificamente e só assim seremos capazes de aderir convictamente aos novos avanços da economia, enquadrando-nos à competitividade global.

O analfabetismo científico emperra o desenvolvimento da ciência e o conseqüente desenvolvimento do País. O mundo moderno considera a biotecnologia um instrumento necessário para o crescimento econômico, para o atendimento de problemas de saúde, meio ambiente e agricultura.

Uma população de educação científica empobrecida prejudica as pesquisas por resistência e incompreensão sobre as vantagens da aplicação das tecnologias. Criam-se tabus, preconceitos como acontece com os produtos transgênicos, por exemplo. Projetos são cortados por desinformação.

Isso tem levado muitos países a investirem na socialização do conhecimento científico, na atualização de professores e da sociedade. Elaboram instrumentos que permitam a popularização das tecnologias, como uma revista, por exemplo de cunho científico, escrita numa linguagem acessível, mostrando que os avanços das ciências modernas não são absolutamente prejudiciais ao meio ambiente e que a biotecnologia traz grandes benefícios ao homem.

Ao se divulgar as vantagens da biotecnologia,  colocando  ao alcance  da sociedade a compreensão dos avanços científicos, torna-se possível formar um país competitivo, com chances de crescimento

No Brasil, há dois anos, foram realizadas as Olimpíadas de Biologia, buscando promover a atualização dos professores sobre as ciências da vida, porém, o alcance foi restrito. Muitos países formulam sua Lei de Biotecnologia pensando sobretudo na educação da população, esclarecendo-a sobre as vantagens da aplicação da biotecnologia.

Percebem o quanto a ignorância científica é trave para os avanços da economia. Criam situações práticas que permitem a popularização da biotecnologia. Os Ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia se esmeram nessa direção.

Como exemplo, citaremos a Embrapa, que deixou de produzir um mamão resistente a vírus, a cana-de-açúcar resistente à herbicida e que requer menos defensivos, poluindo menos o ambiente.

A Índia avançou em sua fabricação de tecidos feitos com algodão transgênico, enquanto a nossa safra foi totalmente queimada.

Quando se avança no conhecimento, avança-se na vida como um todo. É só olhar para a China, com suas atuais vantagens econômicas e sociais, adquiridas na introdução dos novos produtos biotecnológicos.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em outubro de 2006)

CONTEÚDO SIGNIFICATIVO ATRAI O ALUNO

Izabel Sadalla Grispino *

Escola é uma instituição especial de inserção do ser humano, hoje vivendo uma sociedade complexa, de profundas modificações culturais, que espera pela educação encontrar o respaldo necessário à sua formação. Espera aprender como sujeito de um processo de conhecimento vivido em consonância com o ambiente que o cerca.

A escola precisa criar condições para o aluno se desenvolver com naturalidade e prazer. Precisa detectar as causas do insucesso do seu estudo. Avaliar conjuntamente a instituição, o processo de ensino e o comportamento docente e discente. Uma pesquisa feita pela Secretaria Estadual da Educação mostra que os alunos culpam bagunça por dificuldade no aprendizado. Dizem que não aprendem por culpa deles mesmos ou dos colegas. A pesquisa, que contou com 4,2 milhões de estudantes da rede estadual, mostrou que 61,4% deles culparam a indisciplina da sala de aula, a falta de interesse dos jovens, ou o desconhecimento de matérias de anos anteriores pela dificuldade de aprendizagem. O professor e a estrutura escolar são citados como problemas por apenas 20%.

Muitos alunos reclamaram do fato de a “direção não punir os bagunceiros”. Disseram ser uma boa solução “separar os que fazem bagunça dos interessados”. Uma outra observação recaiu sobre professores faltosos, que são substituídos por outros de disciplinas diferentes. Pela pesquisa, 35% dos alunos de 5.ª a 8.ª séries e 47% dos do ensino médio disseram ficar sem professores  em determinadas disciplinas. A substituição é feita por professores chamados eventuais que são orientados a trabalhar com temas transversais, como ética, cidadania, direitos humanos, meio ambiente e outros.

A pesquisa feita pela Secretaria Estadual da Educação, que traçou o perfil dos estudantes da rede estadual, foi respondida junto com o Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) no ano de 2003. Ela mostra que 76% dos alunos da rede são de famílias das classes C e D e que 71% dos alunos já trabalharam ao chegar no fim do ensino médio. O Saresp não apontou diferenças de desempenho entre alunos trabalhadores e não trabalhadores

O perfil dos alunos da rede estadual de ensino revelado pela pesquisa mostrou especificamente que:

– 29,4% acham que indisciplina na sala de aula dificulta a aprendizagem;

– 27,6% culpam a falta de interesse dos alunos pelas dificuldades;

– 4,4% acham que o problema vem dos alunos que desconhecem a matéria de anos anteriores;

– 4,3% dos pais cursaram faculdades; e

– 38,6% dos alunos têm até 9 livros em casa.

O panorama da pesquisa revela dados que devem ser analisados e combatidos pela escola. Sabe-se que a falta de interesse dos alunos é resultado de um trabalho pedagógico que não atrai. Entra aí a formação do professor, capaz de desenvolver aulas mais dinâmicas e menos conteudistas. No meu livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola) eu enfoco claramente esse problema nas págs. 27 e 28. “A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB)... põe ênfase na aprendizagem, no resultado do ensino e não propriamente no ensino. Queremos, hoje, uma escola que forme, que descubra potencialidades, que exercite talentos, na direção da criatividade, da criticidade. Uma escola que se afaste do conhecimento pronto e acabado, do enciclopedismo, que recrie a cultura junto com o aluno. A imposição cultural massifica, marginaliza.

Queremos formar a escola do cotidiano, da resolução dos problemas enfrentados pelos alunos, uma escola que sirva para o dia-a-dia. Não é bem o diário, mas a ligação do conhecimento com sua aplicação diária. A mudança pretendida é afastar-se de conteúdos desvinculados da realidade. Trabalha-se o momento, a época, mas, articula-se este presente com o passado e com o futuro. Articula-se o fato de hoje com a visão mais ampla que representa.

Busca-se um assunto que tenha ligação com a vida do aluno. Se o conteúdo for de seu interesse, ele passa a ter vínculo com a aprendizagem. Não se dissocia a sala de aula da vida prática do aluno. O currículo deve representar a cultura compartilhada, incluindo a informal, onde a leitura de jornais e revistas é parte integrante, onde as experiências vividas pelo aluno devem ser consideradas.

A escola é o lugar da cultura viva, do dia-a-dia do aluno. Deve contemplar o contexto sociocultural, trabalhar a metodologia socioconstrutivista, interativa, interdisciplinar, contextualizada. Um currículo com dois olhares: um interno e outro no mundo lá fora. A linha pedagógica do socioconstrutivismo quer formar cidadãos que saibam pensar, ouvir o outro e respeitar o diferente. A escola afasta-se da linha tradicional, conteudista, onde o processo do aprendizado acontece de fora para dentro, ou seja, pela transmissão do conhecimento, e encaminha-se para a pedagogia construtivista, considerada moderna, alfabetização sem cartilhas, que ensina a pensar, criar hipóteses e relacionar para chegar ao conhecimento. Utiliza-se do currículo, dos métodos de trabalho, das atividades, dos materiais, para ensinar o aluno a pensar, não para encher sua cabeça com informações. Exige não só mudanças metodológicas, mas, principalmente, reflexão contínua sobre o contexto cultural que cerca seus alunos.

Queremos uma escola que seja plural, inclusiva das diferentes classes sociais, das diferentes performances individuais, que discuta, que dialogue, que não seja evangelizadora. Uma escola que desenvolva a inteligência crítica, estimule a criatividade e o compromisso social”.

Para que a escola seja plural, para que acolha e mantenha em seu recinto a classe pobre, necessário se faz entender a pobreza, entender o que a pobreza acarreta de dificuldade, de falta de entusiasmo ao estudo e motivar esse aluno. A escola, debruçando-se sobre os desafios da difícil ascensão social, saberá colocar-se, democraticamente, na busca do equilíbrio e da eqüidade social.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março/2005)

O ANALFABETISMO RONDANDO A POLÍTICA

Izabel Sadalla Grispino *

Será que está havendo o despertar de uma nova aurora para o Brasil? Já sentimos um pipocar de consciência sobre as ramificações que exerce a educação em todos os setores da economia do País.

Passo a passo, medidas vêm surgindo na reabilitação da educação, na moralização de padrões de conhecimento para o exercício de cargos políticos. O Ministério Público Eleitoral (MPE) do Ceará, pressupondo a existência de candidatos analfabetos a prefeito, vice-prefeito e vereador, pediu à justiça a impugnação do registro de 826 candidatos, sendo mais da metade pela condição de analfabetos. Esses candidatos deveriam fazer um teste simples de conhecimento de leitura e escrita ou contestar o Ministério Público Eleitoral, apresentando um documento que comprovasse a escolaridade mínima exigida, qual seja o término do ensino fundamental. Na falta desse comprovante, haveria, ainda, a opção de redigir, de próprio punho, uma declaração provando que sabe escrever.

Tem ocorrido o absurdo da declaração do candidato não ser redigida por ele mesmo, quando a declaração não é feita na presença dos juízes eleitorais. Por isso, a importância do teste. O MPE apóia-se no artigo 14 da Constituição, que diz que analfabetos podem votar, mas não são elegíveis. O prazo para recorrer ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) vai até 4 de setembro e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 28 do mesmo mês.

Para as provas, não há um padrão a ser seguido. Elas são aplicadas em sessão pública e agendadas pelos juízes dos municípios. Pela jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o teste deve ser compatível com o ambiente cultural, social e econômico do município. Testes para comprovar se os candidatos sabem ler e escrever vêm sendo aplicados em diversos Estados, como Alagoas, Bahia, São Paulo, Paraná, Ceará, Mato Grosso do Sul, Piauí e Minas Gerais.

Em Aracati, no Ceará, a juíza eleitoral aplicou a prova em 18 dos 20 candidatos convocados. Eles tiveram que ler um trecho do livro infantil “O menino mágico”, de Rachel de Queirós. Dos 18 candidatos, 3 não conseguiram fazer a prova, alegando estar nervosos, e a juíza marcou-lhes outra data para um novo teste.

Em São Gabriel do Oeste (MS), 22 candidatos fizeram uma prova de uma hora, para escrever 20 palavras de um ditado, fazer as 4 operações matemáticas e interpretar um texto simples. Apenas metade foi aprovada, 11 reprovados, tendo alguns tirado nota zero. No ditado das palavras, houve erros chocantes como “demogracia (democracia) “senvergonhise” (sem-vergonhice). Na interpretação de texto, respostas sem nenhuma ligação com o texto e nas operações matemáticas, o absurdo de respostas como esta: 1.218+29 = 1.546.

A decisão de aplicar o teste dos juízes eleitorais tem amparo na resolução 21.606 do TSE, mas tem criado polêmica entre partidos, candidatos e especialistas em legislação. Argumentam ser o teste eletista, ridiculariza e humilha o candidato, ao invés de questionar o analfabetismo dos candidatos. Por que não apelar ao candidato que se prepare, que se alfabetize, antes de se candidatar? Como pode um prefeito, um vereador, exercer funções administrativas, legislativas, praticar uma infinidade de atos, sem saber o que assina? Como governar, legislar, representar a comunidade, sem um conhecimento mínimo de leitura e escrita, para exercer a função pública?

Há muito já se sabia da existência de políticos analfabetos. O diagnóstico era contundente, mas o problema parecia não apresentar solução, até que, finalmente, surgiu uma frente corajosa e passou a encarar a questão.

O povo se mira em seus governantes. Quem está no poder deve dar exemplo, estudar, aperfeiçoar-se, estimulando tal comportamento. “Educa-se bem mais pelo exemplo que pelas palavras”, já nos ensinava Rui Barbosa. O metalúrgico Vicentinho de Paula, prevendo a possibilidade de ascensão em cargos públicos, passou a abraçar os estudos, fazendo cursos supletivos, prestando vestibular e ingressando em uma universidade.

“Uma nação se faz de livros e de homens”, nos dizia Monteiro Lobato. Ao enunciar a frase, colocou livro antes de homem: primeiro estudar, estruturar-se no conhecimento, para depois enfrentar o cargo pretendido. Afinal, como atingir os objetivos, essenciais que sejam, sem desenvoltura lingüística? Sem a capacidade de interpretar atos, formular projetos, elaborar leis, tomar decisões importantes?

Esse teste para políticos analfabetos deve servir de alerta à Nação, afinal num País tão desigual, como o nosso, a baixa escolaridade da população só faz diminuir o nível de desenvolvimento social.O espelho deve refletir cultura e não ignorância. Só a educação é capaz de gerar novos e promissores avanços sociais.

Pelos poucos exemplos citados, das respostas ao teste, podemos constar a validade da existência dos mesmos, para candidatos que não comprovem a escolaridade mínima exigida. Acorda Brasil, comece a pôr os pingos nos “is”, a fazer os inconseqüentes se tocarem, se prepararem antes de aspirar funções de comando, de grande responsabilidade e de difícil mensuração das repercussões negativas. Esses políticos representarão a coletividade, responderão pelo patrimônio público, numa função altamente importante.

O espírito crítico, que nutre a sociedade, não pode ser anulado, tragado pela irresponsabilidade de alguns. Hoje, o sonho do brasileiro é exportar conhecimento, não apenas produtos in natura e de matéria-prima. Para tanto a educação é decisiva, a plenitude do desenvolvimento social e econômico só virá com ela. Os políticos devem dar exemplo!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2004)

PAIS FRENTE À PEDAGOGIA AVANÇADA

Izabel Sadalla Grispino *

Nesse universo em mudança, os pais sentem-se inseguros quanto à educação dos filhos, ministrada nas escolas. Querem mudança, mas temem o rompimento dos padrões morais que sustentaram a sua geração. Querem inovação, mas atemorizam-se diante do novo. Por isso, a escola tem que tornar escola também dos pais, inteirando-os da pedagogia renovada. No passado, religião e tradição eram fortes ingredientes para a escolha da escola dos filhos.

Para responder a essa ambígua sociedade de transição, a pedagogia indica o caminho da compreensão, da tolerância. Impor não é solução. Autoritarismo não funciona nem para os pais, nem para os professores. Ele é fonte de problemas. O professor “exigente”, também, não tem mais vez. Seu papel de transmissor do conhecimento, a sua imagem de “sabe tudo”, acabaram. O conhecimento não é mais doado e sim construído. A velocidade das inovações tecnológicas e a Internet acabaram com o conceito de “aluno enciclopédia”.

Outra forma de autoritarismo é a aquiescência da repetência, por parte dos pais, aos alunos que vão mal na escola. Os pais, ansiosos por resultados, apegam-se à mensuração da produção escolar, em contradição ao método adotado pela escola, orientado pelo socioconstrutivismo, que trabalha as várias facetas da aprendizagem, as inteligências múltiplas.

A repetência não é mais que o reforço do ensino pela via da punição. A aprendizagem leva em conta o biorritmo do aluno, o interesse das diversas faixas etárias e a natureza do aprendiz. Quando há interesse, a aprendizagem é duradoura. Leva em conta o potencial, as virtualidades, direcionando o ensino para essas características.

Qualidade de escola forte, puxada, para os pais, revelada em pesquisas, está, em primeiro lugar, trabalhos escolares; em 2.º, horas de estudo e, em 3.º lugar, as lições de casa. Nos métodos renovados, o aluno passa a ter mais atividades extraclasses e menos tarefas em cadernos. As escolas, para ciência dos pais, anotam, nos cadernos dos alunos, os trabalhos realizados fora da sala de aula, substituindo a lição de casa.

A própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) inspirou-se no socioconstrutivismo ao permitir currículos mais flexíveis e regionalizados. O socioconstrutivismo vai buscar seus fundamentos nas teorias do desenvolvimento humano e do processo de alfabetização, requerendo, para sua aplicação, currículos mais flexíveis. É um método já consagrado mundialmente; o problema é que para funcionar exige dos professores sólidos conhecimentos e essa não tem sido a realidade constatada. É ainda precária a percepção da reforma de ensino pelos professores. Muitos afirmam desconhecer as profundas mudanças requeridas pela pedagogia aberta. Por sua vez, os pais, pressionados pela excessiva competição no universo profissional, pensam em uma instituição que dê muito conteúdo desde a pré-escola, trazendo reflexos visíveis para o mundo infantil. A concepção “preparar-se para a vida” faz com que os pais pressionem as escolas para realizar a transformação de seus filhos, ainda pequenos, em futuros profissionais competentes. Essa preocupação seria compreensível se se tratasse de alunos do ensino médio, mas eles deixam claro que a “hora de brincar” – alusão à educação infantil – já passou e que as “crianças de 7 anos devem cair na realidade”. Querem, agora, uma escola voltada ao conteúdo, propondo uma esquema rígido de ensino, desde a infância.

A criança estará, contudo, melhor preparada para a vida se educada de forma aberta, sendo olhada no sentido de suas necessidades, de seu desenvolvimento e de seus interesses. Criatividade é passaporte para o futuro. Hoje, o mercado pede dos profissionais iniciativa, inventividade, cooperativismo, bom relacionamento em trabalhos de grupo.


São principalmente para esses aspectos, para o desenvolvimento da autonomia na aprendizagem, que prepara o socioconstrutivismo, que coloca seus temas em relação ao mundo do estudante.

As escolas despertaram-se para o socioconstrutivismo influenciadas, também, pela LDB, que determina estar o trabalho docente centrado em três vertentes: conceitual (o que é ensinado ao aluno), atitudinal (o desenvolvimento de valores) e procedimental (o clássico, aprender a aprender). Para atender às exigências da Lei, a escola opta por três direções: o construtivismo, o sociointeracionismo e o socioconstrutivismo. Não são orientações que fornecem receita para todos os problemas educacionais, mas caminhos que ajudam a refletir sobre como se constrói o conhecimento. O professor não mais oferece o conhecimento, redefine o seu papel como o mediador entre o saber e o aluno, base do socioconstrutivismo.

Com a mudança, a sala de aula passou a ser o laboratório em que “se ensina a fazer”. Os pais vão perceber, com o tempo, que não é a quantidade, mas a qualidade do conhecimento que promoverá o futuro do filho.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2002)

QUEM SALVARÁ NOSSAS ESCOLAS PÚBLICAS?

Izabel Sadalla Grispino *

A cada período letivo aumenta o abismo existente entre a escola particular e a escola pública. As boas universidades, em seus bancos escolares, tornam evidentes a discrepância e a sociedade, com sua peneira, vai premiando os melhores formados.

A distância, entre o bom e o mau ensino, abrange todos os aspectos educacionais: dos conteúdos, das atitudes, dos comportamentos. O bom ensino dá uma visão ampliada e sedimentada dos assuntos e torna as faculdades  mentais  bem mais desenvolvidas.

Como se isso não bastasse, a escola particular ganha em disparada no ensino da informática, onde na pública o fosso é profundo. Enquanto a rede particular se aprimora, avança em tecnologia, a pública inicia os inseguros primeiros passos. As escolas oficiais começam a receber os primeiros computadores para a criação de suas salas de informática. As particulares montam projetos, envolvendo novas tecnologias na educação e já contam com laboratórios especializados, aulas em 3D e CD-ROMs para os alunos complementarem os estudos em casa. Incluem, em suas apostilas de matérias, um CD-ROM, que lhes permite fazer os trabalhos, com as animações, vídeos e exercícios do CD.

Os próprios alunos da rede particular, que já utilizam computadores e softwares em suas casas, exigem o uso da tecnologia na escola. As escolas buscam adaptar-se à realidade digital, vivida pelos alunos, utilizando recursos de informática e engenharia.

As grandes escolas vêm criando o Laboratório Veicular de Estudos de Aceleração e Dinâmica, uma espécie de sala de aula móvel, que vai permitir que alunos e professores vivenciem experiências do estudo da física concreta, prática e sensorial. A física deixa de ser só teoria, algo abstrato para o aluno. Durante a experiência, o professor vai relatando o que os alunos estão vivenciando.

Além do laboratório, já utilizam a Aula do Futuro, um misto de cinema, sala de aula e simulador da realidade virtual. Como se estivesse assistindo a um filme, o aluno navega, por exemplo, pelas células na aula de biologia, tendo a impressão de estar dentro dela.

Que atalhos tomar para redimir nossas escolas públicas? Experiências auspiciosas, em países avançados, vêm surgindo do mundo empresarial privado.

A concepção de organização e de administração escolar vem mudando, evoluindo para o modelo empresarial. Vêm-se firmando critérios e conceitos diferentes na área educacional. Formam-se companhias que vendem instrução de boa qualidade a preços competitivos, com ações bem cotadas na bolsa. Administram com critério empresarial privado, revertendo situações tidas como bastante precárias.

Essas empresas oferecem benefícios aos acionistas, vendendo um serviço, a educação, e entrando num mercado em que vai competir com as melhores escolas ou as melhores universidades do País. A maior arma utilizada é a qualidade de ensino. Compatibilizam os objetivos gerais da educação com as peculiaridades individuais dos alunos, mantendo forte correlação entre o que se aprende na escola e o que a sociedade quer e exige. O ensino é ministrado por um corpo docente de nível e com modernos métodos pedagógicos.

Os procedimentos administrativos são iguais a qualquer empresa sujeita à concorrência. O professor que não corresponder, que não conseguir obter o rendimento esperado, é despedido. O mesmo acontece com o reitor ou com os decanos e, também, com os alunos repetentes, indisciplinados ou agitadores.

A escola-empresa ou a universidade-empresa primam pela boa formação do aluno, pela entrega ao mercado de trabalho de um profissional preparado, competente. Vem tendo resultados animadores,  demonstrando  que, na superação do desastre educacional, os métodos de gerenciamento de mercado, separando o Estado da gestão direta das escolas, são vistos como salvadores.

A mídia tem divulgado experiências educacionais que colocam esperança no apagado horizonte da nossa educação pública. Exemplo é dado pela companhia Edison Schools, de Nova York, que organiza e administra escolas públicas ou particulares, desde o jardim da infância até o 2.º grau. A fim de manter e melhorar ainda mais os níveis de ensino, a companhia aprimora o processo pedagógico, treina continuadamente os professores, atualiza o currículo, impõe ordem, disciplina e aumenta a duração das aulas.

As escolas são mantidas com o mesmo orçamento então destinado, pelo governo, às escolas oficiais, quando eram administradas pelo setor público. O valor das verbas, o custo, não se alteraram. A diferença vem na eficiência da utilização dos recursos. A escola-empresa compete com as boas escolas particulares e ainda ganha dinheiro para dividir com os acionistas.

Os resultados conhecidos revelam que “os alunos das escolas Edison estão entre os mais preparados do país. Onde antes eram escolas consideradas como depósitos de alunos repetentes e professores desmoralizados, hoje se erguem instituições limpas, eficientes, obcecadas pela busca de excelência”. As escolas da companhia Edison firmam-se, já são uma realidade, não mais um projeto experimental, que em 1995 começou como uma escola-piloto. Hoje, controla 113 escolas públicas com 57 mil alunos.

Para um maior entendimento do assunto, leia-se o livro: “La Nueva Universidad”, de Luis Bustamante Belaunde, onde ele diz: “Se uma universidade quiser estar à altura e responder aos desafios de hoje, deve parecer-se mais com as organizações empresariais de amanhã do que com os velhos padrões de ontem”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2001)

EDUCAÇÃO: CONFUSÃO ENTRE ORDEM DIRETA E INVERSA

Izabel Sadalla Grispino *

Tenho em meus artigos, reiteradas vezes, chamado a atenção para o baixo nível de ensino de nossas escolas oficiais. Tenho tentado mostrar a necessidade de se desenvolver nas escolas um ensino de qualidade, único fator capaz de nivelar, de dar oportunidade de igualdade a todos os cidadãos, independentemente de cor, raça ou classe econômica. O ensino de baixa qualidade das escolas oficiais vem se traduzindo, cada vez mais, em mecanismo de reprodução das desigualdades sociais existentes. A importância de uma educação de qualidade na vida pessoal e social já foi exaustivamente delineada, em várias ocasiões.

A preocupação abrange o particular e o geral, o indivíduo e a nação. Enquanto o mundo se ilustra, países, como o Brasil, se deslustrando, acabam por cair em descrédito internacional, no estado de pobreza. Como fica o país despreparado frente à globalização? Como fica a concorrência com os países fortes, com seu povo culto, evoluído? Que patamar, no “ranking” mundial, alcançará nosso Brasil, nessa avalanche de conhecimento que toma conta do planeta?

Todos os países do primeiro mundo cultuam seus centros de excelência, que abrangem as melhores universidades. No Brasil, ao que parece, a tendência é a de desperdiçar esse potencial, eixo gerador de grandezas. Existe um projeto de lei, de autoria do senador Antero Paes de Barros, que determina a reserva de 50% das vagas nas universidades estaduais para alunos das redes públicas. Este projeto já fora aprovado na Comissão de Educação do Senado,  em caráter terminal – sem votação em plenário – por acordo entre os partidos. Na semana passada, para espanto dos educadores, a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro aprovou projeto semelhante, quase que por unanimidade; dos 68 deputados presentes, apenas um deixou de votar a favor.

Como admitir reserva de vagas por decreto, não importa a que tipo de aluno, sem um critério de qualidade, sem uma prévia avaliação do conhecimento? Que conseqüências socioculturais e econômicas advirão desse procedimento infundado? Um aluno sem boa formação terá condições de acompanhar um curso de alto nível? Ou se espera o contrário, que a universidade de desqualifique, arrebaixe seu padrão, aviltando seus critérios? Se essa última hipótese não vier acontecer, a conseqüência será o desânimo do aluno, sua desistência, seu fracasso profissional. Para atender ao perfil do novo ingressante, a universidade terá de criar programas de adequação curricular e, sem dúvida, com impacto na estrutura dos cursos.

O projeto parte do pressuposto de que só alunos das escolas particulares conseguem entrar nas universidades públicas, gratuitas, o que é absolutamente verdade. Mas, por que isso acontece? O que gera a injustiça? Dedução óbvia: a péssima formação recebida nos graus de ensino anteriormente freqüentados por esse aluno. Uma etapa vencida, num determinado padrão, gera outra, no mesmo padrão. Há coerência no trajeto percorrido.

Saltar de repente, sem base de sustentação, é se desfacelar na caída. Pulo de gato só em alpinistas sociais, em educação não funciona. O ingresso à universidade se constitui na legitimação de um processo de seleção anterior. Vamos pensar sério, agir sério, deixar a demagogia, o populismo inconseqüente. Vamos qualificar o aluno pobre, dando mais atenção, mais verba para a educação básica; vamos investir, equiparar, humana e materialmente, nossas escolas oficiais às escolas particulares, melhorando o seu ensino. Assim, não precisaremos inverter a ordem natural das coisas e dos fatos, camuflar valores, colocando a carroça diante dos bois e criando confusão entre ordem direta e inversa.

O ensino superior deve ser seletivo, deve receber os melhores preparados, na perspectiva do maior padrão possível de ensino. É preciso que os educadores se alertem, que reajam contra essa incongruência, que vai acabar no mesmo poço fundo da desigualdade social, com a agravante de arrastar junto as nossas melhores universidades.

Já se denunciou a inconstitucionalidade do projeto, quando a Constituição Federal, em seu inciso I, artigo 26, reza preceito contraditório a esse procedimento: “O ensino será ministrado no Brasil com base no princípio da igualdade de condições para o acesso e permanência na escola”. O correto é, pois, dar igualdade de condições a ricos e a pobres e deixar que as vagas sejam daqueles que as conquistarem pela competência, pelo conhecimento adquirido. Sem uma educação de qualidade qualquer esforço por igualdade social é inútil.

Não se forma uma grande nação por decreto; forma-se pelos passos que essa nação desenvolve, pelas oportunidades que cria, pelos olhares, competentes e honestos, que dirige ao desequilíbrio da balança social, buscando justiça na eqüidade. A reserva de vagas, a alunos supostamente despreparados, só faz transferir o problema para a universidade, reflete negativamente sobre o nível superior oficial, nivelando-o por baixo.

Amanhã é Natal.  A todos meus prezados leitores votos de um dia feliz, extensivos ao ano inteiro. Que os sentimentos de paz, de amor, de fé, de que é portador, permaneçam junto a nós para sempre. Este ano, o Natal inspirou-me os versos, que publico a seguir.

NESTE NATAL

Quero, neste Natal, mãos que se tocam,

Vidas que, na alma, bondade estocam,

Quero a poesia alimentando a ilusão,

Sabendo que Jesus é coração.

Do papai-noel quero ajuda à pobreza,

Crianças sem fome, sem ar de tristeza,

Que partilham da mesa farta,

Junto ao presente, a esperançosa carta.

Neste Natal não quero iguaria,

Não quero a ceia ornamental,

Nem pedras enfrentando a artilharia.

Quero a graça de ver o mundo em paz,

Criança palestina em terra natal,

O amor expulsando satanás.

 

* Supervisora de ensino aposentada.          
(Publicado em dezembro/2000)

EDUCAÇÃO E SUAS IMPLICAÇÕES SOCIAIS

Izabel Sadalla Grispino *

Costumeiramente, ouvimos a frase: “Educação é a primeira necessidade do homem depois do pão”. Eu me permitiria dizer: educação antecede, acompanha e sucede ao pão. São, na melhor das hipóteses, necessidades concomitantes: educa-se à medida que se dá o pão. O alimento sem a educação tem vida curta, logo degenera.

Educação abarga, de forma primordial, todos os aspectos da vida humana. Implementa-se uma biblioteca, enriquece-se a ciência da nação. “Constrói-se uma escola, fecha-se uma cadeia”, já nos dizia, no século XIX, o famoso escritor francês Vitor Hugo.  Isso há  mais de um século,  imaginem a força dessa expressão nos dias atuais. Só a educação pode salvar o mundo da avalanche da criminalidade, da violência juvenil, que nos assolam e nos amedrontam.

Educa-se a criança para não chorar o adulto. O resgate da juventude passa pela educação, a recuperação da sociedade passa pela educação. A educação ensina o homem a ter força na mente, não nos braços, não na violência.

Não se mede o preço da semente educacional. Dinheiro despendido em educação não é gasto, é investimento. Investir na educação é a saída honrosa para mudar a cara do País. Sem uma educação de qualidade, o brasileiro será apenas receptor de tecnologia, jamais produtor.

Não se transforma a realidade social pela caridade. É preciso dar condições para o indivíduo crescer. Corresponde ao provérbio: “Não dê o peixe, ensine a pescar”. O desenvolvimento do país é a soma do desenvolvimento individual. País de povo pobre, inculto, despreparado, jamais será uma grande potência. Quando um povo sabe para onde vai, o mundo se afasta para deixá-lo passar.

Hoje, sabemos, a estratégia não é mais o petróleo, a energia ou o asfalto. A estratégia, hoje, é investir em gente: educação, saúde, segurança. O capital do presente é o conhecimento. Não se pode pensar em desenvolvimento econômico, em democracia social, sem cuidar da educação, da cultura. O grande estadista norte-americano Abraham Lincoln dizia: “Ninguém salva o povo; o povo se salva a si mesmo, através da escola”.

Uma guerra não se ganha com discurso, se ganha com armas. Na guerra pela desigualdade social, pela violência, a educação é a maior arma.

É mister que a sociedade tome conhecimento do papel da educação. Campanhas de esclarecimento, palestras, deveriam chegar não só à escola, aos pais e aos professores, mas a toda sociedade, para que houvesse participação consciente e colaboração no desenrolar de metas estabelecidas.

A cobrança da sociedade por mais e melhores resultados, no Brasil, ainda é pouco significativa. Na Inglaterra, por exemplo, a pressão da sociedade por uma escolaridade de melhor qualidade é fortemente marcada. Essa sociedade, muito exposta à competição internacional, levou os ingleses a exigir do governo “armas para uma competição justa e educação é a primeira delas”. Na Inglaterra, o salário dos professores teve os melhores reajustes de toda a Europa, sob governo conservador! Comportamento semelhante constata-se no Canadá.

Tem-se, hoje, que a pressão social funciona como instrumento saudável, quando baseada em critérios de qualidade, de seriedade. Em nossa sociedade, já começam despontar luzes indicadoras de intenções políticas. A educação está sendo fortemente questionada e colocada num grau absoluto de prioridade. Economistas, ao registrarem  a  falência  do  nosso  ensino, concluem: “País que não luta por uma boa escola é país que trabalha contra si mesmo”. Mário Henrique Simonsen afirmava: “O orçamento da educação pública não é despesa a fundo perdido. É investimento com retorno garantido”.

Pedro Ferreira, economista da Fundação Getúlio Vargas, autor do livro: “No Brasil não se gasta pouco, gasta-se mal”, mostra a importância da educação no crescimento da economia. Diz que o baixo grau de escolaridade da população brasileira compromete o desenvolvimento econômico do País, torna difícil a incorporação de novas tecnologias e de novos métodos de organização de trabalho. Afirma que a situação atual do ensino no Brasil afeta diretamente as perspectivas de crescimento da economia. Se o Brasil tivesse um sistema de ensino semelhante aos melhores da América Latina, estaria, hoje, 40% mais rico.

Pedro Ferreira relata uma pesquisa internacional em que alunos brasileiros disputam com Moçambique – entre 20 países – o pior desempenho em Matemática e Ciências. Mostra que o Brasil possui a pior distribuição de renda do mundo e a causa principal é a desigualdade educacional. “O problema do Brasil não é de quantidade, mas de qualidade do sistema educacional, bem como de distribuição de recursos”. Cita dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que mostram as distorções do Sistema de Ensino no Brasil. As universidades, com apenas 3% do total de alunos do País, recebem 39% dos recursos do governo destinados à educação. Enquanto isso, o ensino básico, com 88% dos alunos, recebe 52%. Gasta-se, portanto, 22 vezes mais em um aluno universitário do que em um aluno do 2º grau.

Embora haja desproporcionalidade, isso não significa que as universidades estejam recebendo bem, significa que todos os graus de ensino estão sendo muito mal atendidos, caracterizados como de ruim situação. A verba destinada à educação é, sob todos os aspectos, irrisória, difícil de se aceitar!

O descuido pela educação parece ter tido a aquiescência de grande parte da área produtiva. O economista José Márcio Camargo diz que: “Iludida pela mão-de-obra farta e barata, a economia brasileira contentou-se em produzir empregos ruins, com salários péssimos”.

A saúde da educação depende, indubitavelmente, da boa formação de seu quadro docente, mas não depende menos da qualidade de vida que esses mesmos docentes venham a ter, assim como da melhoria de suas condições de trabalho. Se quisermos avanço, precisamos fazer um bom diagnóstico da realidade social, sem preconceitos, sem máscara do que está acontecendo. “Tem que lavar os olhos”, como dizia Darcy Ribeiro, o autor da nova “Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional” (LDB).

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em maio/2000)

MUDANÇAS À VISTA NA ÁREA DA EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Grandes passos da reforma de ensino, introduzidas no governo Fernando Henrique Cardoso, com respaldo do ex-ministro da Educação Paulo Renato e do MEC, passos por mim comentados em artigos neste jornal, são, agora, no governo atual de Luiz Inácio Lula da Silva, postos em questionamento. Tomemos conhecimento dos principais.

Fala-se em mudanças ou em modificações, mas, até a presente data, não tem nada definido. É bom, contudo, tomar conhecimento das propostas de alterações, para se ir firmando conceito a respeito. Uma das mudanças mencionadas refere-se ao Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (Fundef) – financiamento da educação fundamental de oito anos – para um Fundeb ampliado, que incluiria desde a pré-escola até o ensino médio, isto é, não apenas o ensino fundamental, mas toda a educação básica.

Transformar o Fundef em Fundeb é, sem dúvida, intenção louvável desde que se consiga verba suficiente para tal abrangência, porque sem recursos adicionais significa diluir os investimentos em educação básica e o atendimento ser bem mais precário. O Fundef, em vigor desde 1996, é formado por 15% do total arrecadado com o Fundo de Participação dos Estados, dos municípios e impostos. O total arrecadado em cada Estado é distribuído de acordo com os alunos matriculados na rede pública de ensino. Que critérios seriam colocados para o Fundeb?

Sobre um outro passo da reforma de ensino, o Exame Nacional de Cursos, o Provão, o ministro Cristovam Buarque descartou, por enquanto, a hipótese de mudança significativa. “Poderá ocorrer um aperfeiçoamento e novas formas de avaliação, mas não será extinto, e as mudanças só ocorrerão no ano de 2004”.

As avaliações se tornaram marca da política educacional brasileira nos últimos anos e, ao que tudo indica, terão continuidade. O sistema de avaliação do ensino superior foi criado na gestão de Paulo Renato e o aspecto mais conhecido é o Exame Nacional de Cursos. O Provão hoje é obrigatório e a idéia que vem surgindo é não torná-lo obrigatório para todos os alunos. Porém, conforme posicionamento de vários educadores, fazer o Exame Nacional de Cursos por amostragem fugiria do propósito para o qual ele foi criado, ou seja, ter um critério claro de autorização dos cursos do ensino superior e esse critério baseia-se no resultado de todos os alunos.

O ministro fala, também, em ampliar as avaliações, não avaliar a universidade apenas pelos alunos, mas essa amplitude já existe. Fazem parte do processo: a Avaliação das Condições de Ensino, a Avaliação Institucional e o questionário preenchido pelos formandos sobre professores, estrutura e didática da universidade em que o aluno estuda. “O processo, hoje, engloba diferentes dimensões: produção acadêmica, proposta didático-pedagógica, estrutura da instituição. O Provão é apenas uma parte disso”, contra-argumenta Maria Helena Guimarães de Castro, uma das responsáveis pela criação do sistema atual de avaliação. Ademais, é a Avaliação das Condições de Ensino que faz um raio X das instituições, com inspeção no local. Especialistas visitam as instituições e verificam a qualidade dos professores, dos currículos e das instalações.

Uma mudança do Provão que parece estar sendo bem recebida é deixar de classificar cursos pelos conceitos de A a E, como faz desde 1996, ano de sua criação. Considera-se que os conceitos impedem comparação entre áreas. A intenção do Ministério da Educação é divulgar as notas diretamente, numa escala de 0 a 100. O conceito A, B, C, D ou E de cada curso era estipulado a partir de um cálculo com a média geral da área avaliada. O sistema atual permite que os conceitos signifiquem desempenhos diferentes, dependendo da área. Atualmente, a partir da média geral do curso é feito um desvio-padrão que determina o ponto de corte para a atribuição dos conceitos de A a E. Com a mudança, as médias de cada curso passariam a ser divulgadas diretamente. Se bem que, conforme afirma Maria Helena, o objetivo do Provão foi sempre o de fazer comparações. “Ele indica quais são os melhores e quais são os piores”.

Na aplicação da prova deste ano, 8 de junho, a única novidade, segundo o presidente do Instituto Nacional de Pesquisas e Estudos Educacionais do MEC (Inep), Otaviano Helene, será a inclusão de mais perguntas no questionário socioeconômico que o formando preenche. Além das 58 questões sobre a estrutura da instituição, planos de ensino, exigência do curso e condições pessoais do aluno, será abordada a área social. Haverá 11 itens sobre, entre outros temas, o trabalho comunitário dos estudantes e a relação do curso com problemas sociais brasileiros.

Outra avaliação que pode aparecer de cara nova no governo Lula é o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Segundo pronunciamento do ministro Buarque, o Enem deverá ser feito através dos 3 anos do ensino médio e não apenas no final do curso. Deverá seguir a linha por ele implantada há 7 anos, em Brasília, o Programa de Avaliação Seriada (PAS), que é o instrumento de ingresso, hoje, na Universidade Nacional de Brasília (UNB), para metade dos alunos. O vestibular é feito no fim de cada ano do ensino médio.

O propósito do ministro é mudar o sistema de avaliação do Enem, adotando nos Estados o PAS. Por esse método de avaliação, os estudantes com os melhores desempenhos nos 3 anos do ensino médio têm vaga assegurada na Universidade de Brasília. A UNB faz as avaliações ao fim de cada um dos 3 anos do ensino médio e, segundo consta, este processo tem surtido bom efeito em Brasília. Contudo, há sérias restrições a respeito. Delas falaremos no próximo artigo.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2003)

VENCENDO O PRECONCEITO

Izabel Sadalla Grispino *

Uma resolução de 2003, aprovada pela Assembléia Parlamentar do Conselho Europeu, que agrupa 44 países do continente, determina que a linguagem dos sinais utilizada pelas pessoas surdas seja reconhecida oficialmente como idioma. O reconhecimento, feito através da inclusão dessa linguagem na Carta das Línguas Regionais e Minoritárias, dá-lhe status de “idioma sem nacionalidade”.

São 44 línguas dos sinais na Europa, desenvolvidas nos diversos países europeus com base nas variáveis regionais, étnicas e sociais. As línguas dos sinais podem não ser as mesmas dos idiomas nacionais. No Reino Unido, Estados Unidos e Irlanda, onde se fala inglês, há três línguas de gestos diferentes. Os surdos finlandeses e suecos usam os mesmos sinais.

São mais de 1,6 milhão de surdos na União Européia e pelo menos o dobro em toda a Europa. O objetivo do reconhecimento oficial como idioma é atenuar a discriminação e os problemas enfrentados pelos surdos. Destina-se a evitar situações chocantes como a de um surdo que ficou uma semana preso sem motivo porque não se conseguia achar um intérprete.

As leis sobre a linguagem dos sinais variam entre os povos europeus. Não são todos os países que possuem leis específicas. Na Finlândia, a língua de gestos é reconhecida e protegida na Constituição como “idioma minoritário”, constituindo a “língua materna” de mais de 5 mil finlandeses. Na Finlândia, na Suécia, na Noruega e na Dinamarca, os sinais são ensinados nas escolas como 2.º idioma, junto ao inglês, francês e alemão.

O exemplo avança e no resto da Europa há a preocupação de introduzir a língua de gestos nas escolas. Na Irlanda, Reino Unido, França, Espanha, Grécia e Portugal, as autoridades de ensino adotaram programas para estimular professores a aprender a língua dos sinais e a promover a formação de intérpretes.

Esse comportamento deveria se estender a todos os continentes do planeta. As escolas deveriam abraçar, com entusiasmo, a aprendizagem da língua de gestos, repassá-la aos seus alunos, introduzindo solidariedade e humanização no ambiente escolar.

Uma outra grande vitória alcançando os portadores de deficiência é o espaço que começam a achar no mercado de trabalho. Sempre houve sério preconceito – e ainda há – no setor empregatício. Eram rejeitados, tidos como incapazes, trazendo incômodo ao local de trabalho. Hoje, por força de lei, a inclusão profissional do deficiente torna-se realidade. Antes, uma vida limitada, agora maiores possibilidades de realização. O estudo era difícil pela dificuldade de locomoção – ainda é;  no trabalho, não eram contratados porque não os consideravam capazes.

Uma Lei, contudo, de n.º 8.213/91, prevê a obrigação de contratar deficientes e abrange empresas com mais de 100 empregados. As cotas variam de 1 a 5% do quadro de funcionários, de acordo com o tamanho das mesmas. Essa obrigação já tem mais de 10 anos, mas sua regulamentação só veio em 1999. Uma ação articulada, em 2004, da Delegacia Regional do Trabalho (DRT/SP) e do Ministério Público do Trabalho (MPT) traz resultados consideráveis quanto ao aumento da contratação.

A partir de outubro de 2004, a Delegacia Regional do Trabalho (DRT) de São Paulo fiscalizou no Estado 1,3 mil empresas com mais de 100 funcionários. Constatou a necessidade da criação de 19 mil cargos para deficientes. Até o final do corrente ano, a DRT programa chamar todas as 7.544 empresas desse porte, com a previsão da

criação de 57 mil postos.

Ao que parece, a contratação se dá bem mais por obrigatoriedade que por consciência. Segundo o Ministério Público do Trabalho, as empresas só agem depois de compelidas pelo Ministério, com raríssimas exceções. Após firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o MPT, a empresa tem dois anos para cumprir a lei. Prazo flexível, porque a lei não obriga a empresa demitir empregados para incluir deficientes e nem que ela deva aumentar o quadro funcional. A determinação é dar prioridade aos deficientes, quando houver novas vagas. O prazo é negociável: se a empresa ficar dois anos com o mesmo número de empregados, não tem como cumprir a lei de cotas.

As empresas argumentam que a contratação de deficientes é difícil porque não há profissionais capacitados, mas, na verdade, só querem pessoas com a chamada deficiência leve. É preciso que as empresas se preparem para receber pessoas portadoras de deficiência, como acontece com o Itaú. O banco, desde o ano 2000, quando fez acordo com o Ministério Público do Trabalho, vem cumprindo as metas. Tem 900 deficientes trabalhando no banco (2% do total de funcionários) e espera atingir a cota em 2007. O Itaú é exemplo de empresa que expande o olhar, se ajusta para acolher o diferente, dar-lhe perspectiva de futuro.

Em setembro de 2004, o relatório “Monitoramento Internacional dos Direitos dos Deficientes”, elaborado pela Rede Internacional de Deficientes e pelo Centro para a Reabilitação Internacional, entre 24 países pesquisados, coloca o Brasil como o País das Américas que assegura a melhor proteção e tratamento aos deficientes físicos. Esse resultado, entretanto, foi influenciado pela legislação que, entre outros fatores, assegura cotas de contratação nas empresas, garantias constitucionais de apoio financeiro e proibição da discriminação no trabalho.

Mas, a realidade comprova que pouco se faz no cumprimento dessas vantagens para que o País seja realmente inclusivo no trato do deficiente. A reserva de mercado aos deficientes nem sempre é cumprida, as condições de acesso à educação e ao mercado  são dificultadas, havendo o obstáculo da locomoção que impede a chegada e a permanência do deficiente na escola e no emprego.

Contudo, estamos avançando, grandes passos já foram dados e permanecendo vigilantes, melhores condições de realização surgirão aos portadores de deficiência.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2005)

CURRÍCULO EMPOBRECIDO POR FALTA DE PROFESSOR

Izabel Sadalla Grispino *

Um novo projeto do Ministério da Educação (MEC) quer tornar obrigatórias as disciplinas de filosofia e sociologia no ensino médio de todo País. O maior obstáculo para viabilizar a iniciativa é a falta de professores.

Essa falta de professores, que, tudo indica, vem se agravando, não é recente. Já em 2001, o então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, vetou um projeto de lei que pedia a volta dessas duas disciplinas, alegando falta de professores para cumprir a futura demanda.

Essa questão de falta de professores estende-se a outras disciplinas,  principalmente física, química e biologia, no ensino médio.

Embora a escola não represente mais o mesmo peso histórico do passado, ela é imprescindível aos nossos jovens estudantes. No início da escolarização é ela quem cria as condições para que se inicie a separação entre a criança e sua família, desenvolvendo sua autonomia. Na escola, a criança desenvolve a socialização e aprende a viver no sentido comunitário. Aprende na relação professor-aluno, aluno-aluno, limites, o respeito de um com o outro, a fazer amizades, em um ambiente diferente do lar.

Na escola, o estudante busca o conhecimento, ajusta-se ao mundo, expande seu universo. É na inserção do ambiente escolar que ele se forma, e se volta para o mercado de trabalho.

Como pensar escola sem professor? O professor é a alma, o fio condutor, o sustentáculo de todo processo da educação. O mundo moderno, com seus novos desafios, tem na educação sua prioridade, na qualidade de ensino seu alvo. A transformação por que passa o mundo, as mudanças radicais que se processam, só podem ser enfrentadas pelo conhecimento.

Investir no professor é investir no desenvolvimento do País. Manter a vanguarda do conhecimento requer professores motivados, valorizados, atuando com prestígio e consciência do papel que exercem na conjuntura de toda uma nação.

Consciência desse papel deve impregnar a área governamental. A contínua desvalorização do professor no Brasil desestimula a carreira do magistério. Segundo pesquisas, os cursos de formação de professores estão esvaziando-se. Uma pesquisa da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), de 2003, que entrevistou 4.656 professores de 10 Estados, revelou que cerca de 2,5 milhões de educadores estão perto da aposentadoria e na faixa de 40 anos ou mais estão 55,1% dos docentes.

Por ser bastante atual e reproduzir o agravo da situação, transcrevo parte de um artigo que escrevi no início de 2004, para, quem sabe, reforçar o entendimento de quanto vale investir na valorização do professor.

“Segundo levantamento feito em 2003, faltam cerca de 250 mil professores, com formação superior, no ensino fundamental de 5.ª a 8.ª séries e no ensino médio. O País precisa de 55 mil professores de química e igual proporção em física e nos últimos anos só se formaram 7.266 professores em física e 13.559 em química. Déficit considerável ocorre, também, nas disciplinas de matemática, biologia e geografia. Ciência é uma disciplina que vem, praticamente, zerando o conhecimento dos alunos da educação básica, constatam as avaliações. A falta de professores continua tanto nas ciências humanas com em línguas, onde se verifica fraca formação de professores de português, história ou inglês. A pesquisa mostra que os melhores diplomados, oriundos das melhores universidades, não lecionam na rede pública, com resultado pesaroso para os alunos que não se sentem estimulados a aprender.

Como conseqüência da desvalorização do professor, o que vemos é o País sendo campeão de últimos lugares, mantendo as piores colocações em testes internacionais. Num dos últimos artigos relatei a conclusão da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) sobre a educação do mundo, divulgada em novembro p. passado, que coloca o Brasil na triste posição de 72.º lugar, entre 127 países, com a observação de que falta conteúdo de qualidade ao ensino brasileiro.

Mais recentemente, divulgou-se a classificação do Brasil no ranking do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa). O estudo aplicado em 2003 mostra que o País ficou em último lugar na avaliação do conhecimento de matemática de estudantes de 15 anos, numa lista com 41 países. O Brasil ficou atrás de nações como Tunísia e Indonésia.

Parece um hábito os alunos brasileiros ficarem em péssima classificação nos encontros internacionais. Grave quadro, revelador da falta de empenho de governos das últimas décadas, ausência de políticas sociais, políticas educacionais sérias, incidindo na deterioração da qualidade de ensino das escolas públicas brasileiras.

Não se pode colher o que não foi semeado”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março/2006)

CURSOS PROFISSIONALIZANTES

Izabel Sadalla Grispino *

Hoje, dizemos que emprego e escolaridade andam juntos, especialmente se o ensino for profissionalizante. Escolaridade com qualidade, quanto maior, maior a facilidade de colocação. Se com ela a dificuldade de emprego existe, imaginem sem ela!

Os avanços nos setores da economia são contínuos. O tempo não pára e precisa de profissionais cada vez mais habilitados. Sob esse prisma, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) oferecem, com vantagens, cursos rápidos, atualizando o conhecimento, proporcionando a colocação no mercado de trabalho, e contam pontos se o certificado do pretendente for emitido por essas instituições.

Esses Sistemas fazem sondagens periódicas das carências ocupacionais de trabalhadores flexíveis. O Senai vem investindo em cursos modulares para uma profissionalização segmentada e contínua, onde o trabalhador entra em sua área de interesse e especializa-se aos poucos.

Nas telecomunicações, o Senai, por exemplo, forma especialistas em manutenção de equipamentos. No setor automobilístico, notou a exigência por profissionais que atuassem da mecânica à parte elétrica, passando por questões administrativas, como orçamentos e trato com os clientes e criou cursos a respeito.

Um outro dado marcante no mercado de trabalho é a possibilidade de mulheres encontrarem serviço em segmentos antes fechados a elas. Pela constatação do Senai, a área gráfica é um setor que está abrindo as portas para as mulheres, por seu poder de concentração e perspicácia visual. Assim, os cursos do Senai, onde se aprende tudo sobre impressão, os cursos de manutenção de computadores e o hotel-escola, que forma garçons e cozinheiros, englobam os dois sexos.

O setor de Alimentos incentiva, também, a entrada da mulher, sobretudo as formadas em confeitaria e salgado. Excluindo panificação e sorveteria, em que o aprendizado é com equipamentos industriais, os demais cursos de Alimentos do Senai dão chances a quem quer trabalhar por conta própria, abrindo o próprio negócio. São cursos práticos, que incluem no currículo a aprendizagem de detalhes como avaliação da matéria-prima, rendimento, diminuição de desperdício e custo-benefício.

Os cursos profissionalizantes, mesmo curtos, têm um custo, mas, segundo consta, de retorno rápido, logo nos primeiros meses de trabalho. Alunos dos cursos de cabeleireiro, depilador, cozinheiro e garçom têm, praticamente, suas vagas garantidas, mesmo antes de se formarem, confirma o assessor técnico de educação do Senac, Francisco Cordão. Os pretendentes aos cursos profissionalizantes têm uma gama a escolher, de acordo com suas preferências, seus gostos e obter assim mais facilmente o sucesso.

O curso Noções de Mecânica está sento bastante procurado. Ajuda a conquistar vaga como operadora de telemarketing, em montadoras de carros, seguradoras e prestadoras de socorro mecânico. Esse mesmo curso, aliado a outros dois módulos – Motor Automotivo e Sistema de Alimentação – feito em 3 semanas, em período integral ou em 2 meses no período noturno,  forma  para  atuar em oficinas mecânicas. O aluno poderá estender a formação, reunindo Noções de Mecânica, Supervisão e Freio para trabalhar no balcão de distribuidoras de autopeças e ganhar à base de comissão de vendas.

Ultimamente, tem, inclusive, aumentado a preferência dos empregadores da área automobilística por mulheres. Um outro curso que vem empregando mulheres é o de Controlador Lógico Programável, de 40 horas, e capacita a atuar na linha de montagem de circuitos eletrônicos, num trabalho superminucioso.

Outros cursos são oferecidos, como o básico de Informática do Senai, com 72 horas e Windows,  Word e Excel no currículo. Com este certificado, o profssional está apto ao curso de Web Designer de 50 horas, com emprego inicial em torno de mil reais.

O interessante do Senai e do Senac é a sua ligação com o empresariado, permitindo-lhes manter quadros permanentes com ofertas de emprego. Há cursos, em áreas que vão de mecânica de automóveis à indústria de turismo, oferecidos gratuitamente.

Existem parcerias entre essas duas instituições, Senai e Senac, com a Secretaria do Estado da Educação em cursos profissionalizantes. Pelo Programa Profissão, o governo adquiri vagas do Senac, Senai, Centro Paula Souza e Escola Técnica Federal. Por esse Programa, o jovem continua estudando, consegue um bom emprego, podendo, depois, cursar uma faculdade. Os alunos inscrevem-se nas escolas onde estudam e o critério de seleção tem sido a assiduidade às aulas durante o ensino médio.

Neste ano de 2002, um outro projeto da Secretaria da Educação passou a oferecer 9 mil vagas de estágios nas próprias escolas da rede. São escolhidos três alunos que cursam o ensino médio em cada escola para trabalharem como monitores nos laboratórios de informática e recebem meio salário mínimo.

Senai e Senac são instituições de ensino profissionalizantes que fazem a diferença.

* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em outubro/2002)

SAUDAÇÕES AO ANO LETIVO

Izabel Sadalla Grispino *

Convidada a proferir a aula inaugural de uma escola normal, teci considerações que, hoje, trago a você professor, num gesto de atenção, desejando, num grande abraço, abranger todo o magistério desta cidade.

Março é o mês em que a escola, já organizada, dá a sua largada ritmada, rumo ao cumprimento do dever que o ano letivo lhe impõe. Fevereiro é o mês dos preâmbulos, dos planejamentos, dos acertos, dos ajustes. Então, neste momento, quero dar aos professores, ao diretor da escola e a todos os seus funcionários as boas-vindas, desejar-lhes um trabalho auspicioso, produtivo, que tenham, ao longo do ano, força renovada, alento e apoio nas sinceras e procedentes reivindicações.

Em cada grau da pirâmide educacional, o professor correspondente tem uma importância capital, formando no conjunto a gleba florida. O professor das primeiras letras, o nosso querido professor primário, é marco nessa escalada da aprendizagem. Sua importância é grande e com os avanços da psicologia genética a educação infantil firma-se e se mantém como a grande fase formadora do alicerce educacional do indivíduo.

A educação infantil está sendo cada vez mais valorizada; sua ausência repercutirá desfavoravelmente em todo o percurso escolar posterior. Cabe ao professor primário a séria responsabilidade de, ao introduzir a criança no mundo da leitura e da escrita, torná-la um estudante animado, encorajado, confiante. A postura do professor, diante da criança, é bem mais representativa que o seu próprio saber. São a atenção, o cuidado, o carinho que levam essas crianças ao bom termo final. É o amor o maior ingrediente da educação, ou como dizia Pestalozzi, seu maior instrumento.

O início da atividade intelectual tanto pode fazer do aluno um continuador incentivado ou um ser desanimado, inculcado, com vícios de aprendizagem. Esse professor será ou a escada rolante, que o conduzirá ao topo, ou o chicote, a cortar-lhe durante todo o trajeto, e a escolinha primária ou uma colméia em que se fabricam as primeiras  gotas de mel, ou um vespeiro agitando a caminhada.

Escola é um organismo vivo, acompanha a evolução dos tempos e se modifica com ela. Não é uma entidade estática; cabe a nós, professores, atualizá-la, torná-la competente para responder à altura ao mundo tecnológico dos nossos dias.

A educação moderna vem exigindo competência e dedicação crescentes por parte do professor. Manda que se atenda à realidade do aluno, da comunidade em que se insere e que, ao lado da instrução, ministre a educação. Na instrução, o aluno abrange o saber; na educação, torna-se um ser consciente de suas responsabilidades morais, sociais, religiosas, torna-se um estudante que se desenvolve nas capacidades cognitivas de caráter geral.

A orientação pedagógica pede, hoje, bem mais ao professor. Ele não pode se descuidar da educação integral, porque só ela vai ajudar o aluno a vencer as barreiras do avanço científico-cultural. O aluno bem formado nos aspectos conceituais, atitudinais e comportamentais chega por si só à informação.

Dizemos que a atuação do professor é complexa, singular, contextualizada. Complexa, porque envolve vários fatores: exigências sociais, experiências de vida dos alunos, apropriação do conhecimento, desenvolvimento de habilidades e de atitudes; singular, porque não há duas classes, dois professores ou dois alunos iguais; e contextualizada, porque tem que abordar um currículo adequado ao contexto sócio-cultural.

Vimos que escola não é só “razão instrumental”, ela está comprometida com o pensar, com as relações humanas, o pensar com os outros dentro de um contexto intersubjetivo que proporciona a autonomia dos educandos.

O que é feito com amor, com entusiasmo, produz o melhor resultado. A decadência do ensino público afeta a todos nós, a todos diz respeito. Nenhum educador fica indiferente a esse quadro empobrecido do ensino público e o que mais queremos é vê-lo prosperar, abraçar patamares que dignifiquem o magistério de nossa terra. O que mais queremos é que ele seja coroado, porque nenhuma coroa pesa mais, nenhuma significa mais que a coroa do saber. Somos conscientes de que educação não é variável isolada. Com o aumento da marginalidade, do desemprego, da exclusão social, não se pode esperar milagres da educação. Contudo, com criatividade, com espírito de solidariedade, a escola pode muito colaborar.

O professor é uma necessidade social e ele deve tomar consciência desse seu papel. Ele é, no dizer poético, “o guieiro dos filhos da Pátria”. Quanto mais elevado o grau de instrução, de educação, mais forte será a cadeia da nacionalidade. A escola, juntamente com a família, é o núcleo da sociedade. Nelas aprimoram-se as virtudes, amolda-se o caráter, que é a expressão da alma. A escola continua o lar e ambas, unidas, lutam pela formação de homens honrados, idealistas, úteis à família, à sociedade, à Pátria e a Deus.

Professor caminhe firme em direção ao saber, mas não despreze as boas normas de conduta. Cultive a alma, atue com sabedoria e eqüidade social,  influenciando toda a comunidade escolar e, em especial, seu aluno. Ninguém é grande ou pequeno pela vida pomposa que ostenta ou pela vida simples que leva. A categoria em que temos de classificar a importância dos homens deduz-se do valor dos atos que eles praticam, das idéias que difundem e dos sentimentos que comunicam aos seus semelhantes.

Que Deus e a Pátria os protejam!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março de 2001)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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