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Artigos Educacionais

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ANALFABETISMO INFANTIL

Izabel Sadalla Grispino *

São vários os aspectos a serem enfocados sobre o analfabetismo no País, em crianças na faixa de 10 anos. Ressaltaremos alguns. Segundo pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgadas em 29 de novembro de 2002, 11,4% da população infantil são analfabetos. As cidades de médio porte levam grande desvantagem no quesito educação. São 383 mil crianças, dos sexos masculino e feminino, de 10 anos, a maioria de municípios de médio porte.

Considera-se um dos melhores indicadores para medir o nível educacional a taxa de analfabetismo das crianças de 10 anos. O índice varia de 5,4% nas grandes cidades, percentual considerado aceitável pelas Nações Unidas, até 18,7% nas cidades que têm entre 20 mil e 50 mil habitantes. O IBGE demonstrou que os municípios pequenos têm taxas de alfabetização infantil melhores que os médios, porque as prefeituras conseguem controlar com mais facilidade seus moradores. As baixíssimas taxas de analfabetismo no Sul contribuem, segundo o IBGE, para diminuir a média nacional.

O analfabetismo infantil varia de taxas altas, como 33% em Alagoas, para baixíssimos, como 1,7% em Santa Catarina. Em nível de escolaridade, a média vai de 8,1 anos de estudos em Brasília, a apenas 1,8 ano nas cidades de até 5 mil habitantes no Piauí. Há diferença entre municípios de um mesmo Estado, como no Maranhão, onde na capital a média de escolaridade é de 7,5 anos de estudos e nas cidades com até 5 mil habitantes cai para apenas 2 anos de estudos.

Em termos de analfabetismo infantil, temos ainda muito que avançar, que quebrar barreiras. O analfabetismo condena milhares de pessoas a uma vida sem perspectivas, vivendo miseravelmente.

Além do analfabetismo, temos ainda que considerar a má qualidade do ensino. O exame do Ministério da Educação, o Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Básico (Saeb), não mostra melhora significativa no desempenho médio dos alunos desde 1991, e piorou nos dois últimos anos. O Saeb mostrou que os alunos de 8.ª série dominam, na média, os conteúdos esperados dos da 4.ª série, e os da 4.ª série mal sabem decodificar as palavras que lêem.

Um teste aplicado pela Fundação Carlos Chagas em escolas de 52 municípios de 25 Estados demonstrou que os conhecimentos dos professores são próximos dos esperados dos alunos da 4.ª série.

Uma pesquisa que nos coloca na realidade brutal do nosso processo educacional é a intitulada “A Escola vista por dentro”, feita pelo ex-secretário do Ministério da Educação, João Batista Araújo e Oliveira, e pelo ex-presidente do IBGE, Simon Schwartzman. Estes autores sintetizaram, pelas respostas dadas a um questionário, o que é considerado “normal” entre professores, escolas e sistemas de ensino. Para os que não tomaram conhecimento da pesquisa, vale a pena conferir: “É normal não cumprir o ano letivo; é normal perder de 30 a 40% dos alunos sem que eles adquiram os conhecimentos para prosseguir os estudos; é normal enturmar alunos em classes onde eles não conseguem acompanhar o conteúdo e os ritmos dos trabalhos; é normal passar dever de casa que necessita de ajuda dos pais, mesmo sabendo que eles não podem ajudar; é normal começar o ano letivo sem professores designados para as turmas; é normal destacar professores sem habilitação para lecionar e sem conhecimentos elementares de português ou matemática; é normal operar escolas sem coordenação pedagógica, sem bibliotecas; é normal culpar os alunos e pais pelo fracasso dos filhos”.

O Brasil vem perdendo conceito geral e o trágico desempenho das escolas públicas ameaça o futuro do País, afirmam os especialistas. Não é redundante relembrar o vexame sofrido em 2000, quando os estudantes brasileiros, entre alunos de 15 anos de 32 países, ficaram em último lugar em capacidade de ler e escrever, na avaliação feita pela Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris. O exame foi supervisionado por uma técnica brasileira, que observou que muito dos alunos brasileiros nem sequer conseguiam ler as perguntas.

Diante do quadro exposto, como promover justiça social dentro de tanta desigualdade educacional? Soluções para as deficiências das escolas não são simples e nem rápidas. Educação boa é cara, é preciso real investimento, acompanhado de real mobilização da vontade política. Melhorar o ensino público é ponto capital para promover a justiça social. A má qualidade de ensino atinge gerações de jovens, leva-os a uma vida de apagado horizonte.

* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em janeiro/2003)

POR QUE PROFESSORAS E NÃO “TIAS”?

Izabel Sadalla Grispino *

A escola caminha pelos olhares intrínsecos da pedagogia, pelos avanços científicos. A “tia” da escola infantil, forma de se dirigir à professora, teve seus dias contados, abolida pela linha socioconstrutivista.

Os pedagogos afirmam que o resgate do termo professora não é uma simples questão semântica. As escolas, que adotaram métodos das modernas práticas pedagógicas, ponderaram que a professora representa um novo modelo na vida da criança – ela não é, realmente, uma extensão familiar – e como tal deve ser preservada.

Paulo Freire, em seu livro “Professora sim, tia não”, escreve: “Ser professora implica assumir uma profissão, enquanto ser tia é viver uma relação de parentesco. Chamar a professora de tia é no fundo uma ideologia que trabalha contra o rigor da profissionalização da educadora, como se para ser boa professora fosse necessário ser pura afetividade”.

O professor é uma imagem importante para o aluno; ele não substitui afetos familiares. O componente afetivo deve existir, mas nunca como ideologia. A criança precisa de alguém que a oriente com firmeza, que lhe transmita os valores de vida, e o professor é o mentor desse processo de criação.

O costume de chamar a professora de “tia” vem da década de 60. As mulheres, ao buscar afirmação profissional, recorriam às escolas para cuidar de seus filhos e, de certa forma, segundo relato de mães, entregar os filhos à tia e não à professora lhes aliviava a culpa. Contudo, esse tratamento dissimula a relação de autoridade. A criança precisa diferenciar universos e perceber que cada espaço tem seus próprios valores, concluíram os pedagogos. Assim, as então chamadas escolas alternativas, hoje socioconstrutivistas, começaram a rever o tratamento nos anos 70.

A relação de aprendizado é uma nova aquisição na vida da criança. A professora é portadora de um conhecimento, abre as portas de um novo mundo, não estando, portanto, em situação de igualdade com as crianças. O psiquiatra infantil Haim Grunspun completa a análise: “Como “tia” a profissional acaba não considerando o seu próprio processo, do qual é proprietária. Existe uma ideologia de desprofissionalização do educador. A afirmação profissional emerge da conquista dos direitos do exercício pleno da função. O aluno aprende a respeitar a partir do próprio respeito. Pergunta: “Como as crianças podem entender 10 mil “tias” em greve?”

As crianças acabam percebendo por si que professora é a pessoa que educa, ensina brincadeiras, criar, inventar; tia é a irmão da mãe ou do pai. Hoje, se a dúvida persiste, ela está entre aqueles que escolhem a escola de acordo com suas convicções. Voltando a Paulo Freire, ele disse (1993): “Uma das características básicas do construtivismo é não estar demasiado certo da certeza. Se você absolutiza não tem oportunidade de crescer. Tenho 72 anos e estou aberto. Tenho este gesto da incerteza do certo”.

Porém, no caso da denominação professora ou “tia”, fica evidente que a primeira é um procedimento bem mais saudável e real.

No processo de ensino-aprendizagem, o importante é a escolha, por parte dos pais, de uma instituição idônea, capaz de oferecer aos seus alunos o que de melhor a época exige. Como escolher uma boa escola infantil?

A escolha deve partir primeiramente de sua situação legal, isto é, deve ser regularizada, com autorização do município para funcionar. A escola tem de estar dentro da lei. Ela deve aproveitar o potencial enorme que a criança tem em aprender, estimulá-la corretamente e oferecer-lhe espaços para que possa brincar. Há muitas especificidades na educação de crianças de 0 a 6 anos e professores não capacitados e ausência de um projeto pedagógico podem impedir esse processo. As crianças precisam brincar e se movimentar, os espaços não podem ser pequenos e pouco arejados. O imóvel precisa ser adequado para receber crianças: mesas com cantos arredondados não deve ter  escadas e tomadas de luz aparentes.

Só depois da Constituição de 1998 a educação passou a ser direito das crianças com menos de 7 anos. Até então, a criança brasileira não tinha direito a educação. A Constituição de 1998 reconheceu a Educação Infantil como direito da criança e dever do Estado. Assim, deixou de ser vinculada à assistência social. A exigência do registro no município por parte do estabelecimento de ensino infantil veio apenas em 1996, com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). Esta lei definiu o município como responsável pelo ensino infantil e exigiu formação mínima de nível médio para os professores. Porém, até 2007 este professor deve possuir licenciatura de nível superior. O Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado em 2001, dá prazo até 2006 para que os estabelecimentos de ensino infantil cumpram padrões de infra-estrutura para funcionamento.

Todos esses aspectos legais, estruturais, para o bom funcionamento de uma escola, são importantes, mas a tudo sobreleva, a atuação do professor. Um bom método de trabalho, consciência profissional, competência e afetividade são ingredientes indispensáveis à educação. O professor que trabalhar mais como um facilitador da aprendizagem será insubstituível e inesquecível como é, para qualquer um de nós, a figura da primeira professora.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março/2003)

FRATERNIDADE E EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Relendo o texto “Fraternidade e Educação”, lançado pela Igreja católica, na Campanha da Fraternidade, há três anos, voltei à riqueza da informação, sua atualidade e interação. Comento-o, parcialmente, aos prezados leitores, que podem tomar conhecimento do texto-base, através das livrarias Paulinas, Vozes ou Loyola.

Há 38 anos, a Igreja católica, no seu ideal de fraternidade, criou, a cada quaresma, a Campanha da Fraternidade. Desde então, todo ano, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) oferece, no período da quaresma, uma questão problemática da atualidade à reflexão e à ação dos católicos.

No período da quaresma de 1998, a Igreja selecionou, para a Campanha da Fraternidade,  o tema “Fraternidade e Educação”. O desgastado diagnóstico da falência do ensino público, as revelações estatísticas da miséria e seu aliado, o analfabetismo, inspiraram o lema da campanha, cujo enunciado traduz, por si só, o conteúdo nele contido: “Educação a serviço da vida e da esperança”.

O então presidente da CNBB, cardeal-arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, Dom Lucas Moreira Neves, disse: “Nossos legisladores e governantes, no âmbito nacional, estadual e municipal, são os primeiros a reconhecer que o item educação constitui uma inveterada e, até agora, incurável ferida no flanco desta nação”.

Essa campanha move-nos pela visão abrangente, realista que traz da educação, pelos aspectos complementares que situa para a educação escolar. Seguindo a linha humanitária do educador, que honra sobremaneira nossa terra, Paulo Freire, a Igreja clama por uma educação alicerçada no amor, na consciência social, na justiça, na verdade. Clama por uma educação que espalhe a sementeira pródiga das virtudes essenciais do Homem, as únicas capazes de levá-lo à plenitude de suas realizações. Promove um verdadeiro processo de construção coletiva na área humana e social. Chama a atenção para os oprimidos, para os marginalizados e para o grande número de analfabetos.

Alerta-nos para o fato de estarmos juntos, buscarmos juntos respostas amenizadoras da desigualdade social. A situação presente e as perspectivas para o futuro devem merecer a preocupação de todos. Preocupação que deve viger pelo tempo que perdurar a dolorosa “via crucis” que percorre o analfabeto brasileiro.

A Campanha da Fraternidade coloca-nos num questionar filosófico, no qual as respostas nunca são fechadas, acabadas, mas respostas que abrem alternativas de soluções. Respostas a questões, por exemplo, de como auxiliar crianças e jovens a encontrar significado na educação, na família, no mundo, de como podemos contribuir para a formação de uma cidadania ética e responsável no contexto em que se vive?

A doutrina social da Igreja sempre se baseou na filosofia da solidariedade, a serviço do agir. Não quer se limitar a “uma atitude de simples observadora ou fiscal da realidade nacional”. Quer uma filosofia em função do agir: “O agir requer o engajamento pessoal e organização de forças coletivas”. Essa filosofia prioriza o ser humano, toma o termo educar no seu sentido etimológico: o verbo e-ducere, que quer dizer tirar do indivíduo a pessoa humana que está dentro de si, em latência. O educador deve trabalhar a criança não apenas de fora para dentro, quando, pelo conhecimento, ele vai polir uma pedra bruta, mas, especialmente, de dentro para fora, quando, pelo desenvolvimento do senso religioso, ele vai sedimentar a cultura da alma.

A filosofia da educação, abraçada pela Igreja, quer a educação formal, sistemática, ministrada na escola em seus diversos graus, caminhando lado a lado com a educação informal, recebida, de maneira assistemática, na família, na Igreja, no convívio social. A Igreja, em sua metodologia avançada, vê na educação informal o grande veículo do desenvolvimento das faculdades formadoras do caráter, da virtude. Essas características, por sua vez, irão formar a consciência, moral e religiosa, do indivíduo.

A Igreja não subestima a educação institucionalmente organizada; valoriza-a, sabe ser ela importante para a humanidade, para se chegar a um estágio superior do conhecimento, ultrapassando as barreiras do nefasto analfabetismo. Essa educação é, sem dúvida, a grande coadjuvante da eliminação da pobreza e o grande suporte à realização profissional. Nesse sentido, a Igreja católica luta por uma educação democrática, universal, gratuita, de boa qualidade, conforme reza a Constituição. Luta por uma democracia que venha de encontro à cidadania; uma democracia capaz de cumprir as finalidades para as quais foi instituída, porque, por vezes, sentimos como se existisse democracia para ser servida e não o contrário.

O homem se completa na junção da instrução e da formação. A instrução é de responsabilidade da escola; a formação é, especificamente, responsabilidade da família: “A educação vem do berço”. Porém, em ambas, há uma inter-relação de comunicação e de responsabilidade: a escola, na sua função social, reforça e complementa a formação do educando e a família fornece-lhe, na prática diária, os conhecimentos necessários e úteis à sua ação rotineira.

Um dos pilares de sua conceituação é de que a educação não se restringe à escola; é papel, também da família. Assistir a família, dar-lhe condições de sobrevivência digna, esperançosa de dias melhores é o grande apostolado. Os bispos, conscientes da problemática social, perguntam-se: “Como é possível neste contexto crescente de miséria, insegurança, instabilidade, ausência de pai ou de mãe, garantir aos filhos e às filhas as bases de uma personalidade equilibrada e segura, de uma educação adequada e os horizontes de uma vida digna, participativa e de esperança?”

DA NECESSIDADE DE UNIÃO DE FORÇAS – A doutrina da Igreja incentiva o diálogo permanente com a sociedade, promove o encontro dos diversos setores de atuação que têm, até, acepções diferentes, mas, enriquecedoras de uma mesma realidade. “Igrejas, comunidades, movimentos sociais, ONGs, associações, sindicatos, partidos políticos, exercem uma ação educativa na medida que (...) as pessoas têm voz, aprendem a participar, a relacionar-se com os outros, a valorizar o trabalho em comum, a procurar a cidadania...”

O documento da Campanha da Fraternidade apresenta um trabalho primoroso de levantamento estatístico: nível de escolaridade de crianças e jovens, analfabetismo, com uma descrição singular sobre o novo perfil dos analfabetos funcionais, investimentos na educação, salário dos professores e outros.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2000)

ENTENDENDO MELHOR A NOVA FEBEM

Izabel Sadalla Grispino *

Finalmente, a Febem envereda-se pelas sendas da educação. Ensaia um novo rumo em direção à compreensão dos desajustes sociais da personalidade, tendo em vista sua correção. A intenção é adotar uma linha pedagógica com nova abordagem socioeducativa.

A Febem parece ter se transformado em “escola de bandidagem”. Os internos são mantidos no confinamento, na ociosidade, em geral, não estudam, não trabalham, não têm atendimento psicológico e social. Por serem jovens infratores, voltados à prática da violência, necessitam de acompanhamento aprimorado, específico.

A Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem), antes vinculada à Secretaria da Juventude, Esporte e Lazer, foi transferida pelo governo do Estado, em janeiro de 2003, para a Secretaria de Estado da Educação.

Essa instituição, criada com o propósito de recuperar menores em conflito com a lei, tem decepcionado quanto aos seus resultados. Falhou no apoio psicológico a ser dado ao infrator e à família, na aplicação de penas alternativas, na separação dos infratores por idade, tipo físico e crime cometido, na assistência social e médica, entre outros quesitos. A Febem não conseguiu atingir os níveis de atendimento programados.

A passagem da Febem para a Secretaria da Educação mostra a ênfase que se quer dar à educação no encaminhamento das ações, a importância de se reeducar os menores infratores, abandonando o conceito prisional. O secretario da Educação, professor Gabriel Chalita, salientou a importância dos projetos de formação moral, psicológica, lazer, esporte, trabalho, de acompanhamento aos pais, envolvendo religiosos, médicos, assistentes sociais e monitores. Quer valer-se do diálogo, da humanização.

O uso da força, dos maus tratos, da hostilidade, nunca foram saídas para se combater a violência. Violência gera violência, acirra os ânimos, fortalece a agressividade. A violência deve ser tratada com sabedoria, compreensão, objetividade e afeto. Ser tratada como um problema de educação mais que de segurança. Criar projetos de ressocialização, de liberdade assistida, reeducar a sociedade para que o preconceito não venha prejudicar essa liberdade, é uma linha que se impõe. São medidas mais de meio aberto que de internação e que esbarram no fator preconceito.

Por lei, a liberdade assistida prevê acompanhamento do jovem na escola, no trabalho e na família, visando impedir a reincidência, garantir sua proteção, sua reinserção, sua reabilitação. Sob o prisma da liberdade assistida, a municipalização é importante. O seu sucesso depende da interligação com serviços de saúde, de educação, da proximidade com a família e da reintegração à comunidade.

A passagem da Febem para a Secretaria da Educação estipula mudanças estruturais, mudança de modelo, passando de prisional, que reforça a centralização e a repressão, para um modelo de abertura, de transparência de diálogo com a sociedade. Um modelo que não a deixe isolada. As poucas entidades que tinham acesso à Febem e de maneira bem limitada eram a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e de Direitos Humanos e Organizações Não-Governamentais.

A idéia da mudança, segundo Chalita, é fortalecer a fiscalização da sociedade civil, desenvolver um trabalho amplo com a família, ocupar os jovens com campeonatos, arte e outras atividades, capacitar continuadamente monitores e fazer parcerias com prefeituras, entidades e empresas. A idéia é atrair empresas para que desenvolvam projetos nas unidades, forneçam funcionários em caráter voluntário e contratem os adolescentes que participarem das oficinas, assim que eles saírem da Febem. Com as prefeituras e com o judiciário, fazer parcerias em programas de liberdade assistida, objetivando reduzir o número de jovens internados.

São projetos avançados no setor educacional, largamente empregados em países do primeiro mundo, afastando as dificuldades que os municípios têm de aceitar unidades da Febem. A liberdade assistida e a prestação de serviços comunitários são medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para os que cometeram delitos leves, como, por exemplo, os roubos, crime responsável pela internação de 72% dos jovens da Febem.

Chalita informou-nos de que a rede Pão de Açúcar, Banespa, Itaú, Faculdades Anhembi, Morumbi e os Colégios Pentágono e Bandeirantes já manifestaram interesse em “apadrinhar unidades”, contribuindo com voluntários e oportunidades de empregos para os jovens. Em Ribeirão Preto, as escolas COC darão contribuição em assistência interna e em liberdade assistida.

Um outro fator negativo da Febem é a superlotação das unidades e a pretensão da Secretaria da Educação é não manter ou criar nenhuma unidade de grande porte, desativar as grandes unidades como a de Franco da Rocha.

Educação é um processo gradual que demanda tempo e paciência. No caso da Febem é preciso contar com profissionais preparados para lidar com jovens-problema. Trabalhá-los amigavelmente, de modo multi e interdisciplinar, dentro de uma política educacional integrada aos diferentes setores da sociedade civil.


* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em fevereiro/2003)

AS NOVAS CONCLUSÕES DO ENADE

Izabel Sadalla Grispino *

O último Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) foi aplicado a 277.476 alunos, escolhidos por amostragem, que ingressaram na universidade e os que se formaram em 2005. Avaliou 5.511 cursos superiores em que 27% receberam os conceitos máximos, 20% foram reprovados e 53% ficaram na média.

O ponto destoante foi  mostrar que alunos de cursos, com conceito máximo no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), não acertaram nem metade das questões da prova! Mostrou que cursos de universidades públicas e conceituadas, como a Unesp, que tiveram médias em torno de 45, numa escala de 0 a 100, receberam conceito 5 no final, o mais alto.

O Enade, criado para substituir o Provão, que surgiu na gestão do ministro Paulo Renato Souza, não estabelece meta para o estudante, só compara instituições. Apenas ordena os melhores e os piores cursos a partir do desempenho do grupo, sem determinar previamente a que nível o estudante deveria chegar para receber o maior conceito. Nesse ponto, o Enade repete a falha do Provão.

O Ministério da Educação introduziu no Enade, na avaliação realizada em 2005, o Indicador de Diferença entre o Desempenho Objetivo e o Esperado (IDD), um dado que revela aspectos interessantes, que passavam desapercebidos pelo Provão.

O IDD mede o quanto uma universidade contribui para a formação do aluno, ampliando o seu nível de conhecimento e sua competência profissional. É um conceito de “valor agregado”, que permite maior clareza do ensino superior. O Enade reabilitou o ensino superior privado, tido normalmente como ruim.

Cada instituição pública ou privada tem uma clientela específica para atuar e deve se preparar para oferecer um espaço acadêmico próprio a ela. Na instituição privada, os alunos, na grande maioria, vêm da rede pública do ensino médio, com uma educação de baixa qualidade, com déficit, praticamente, em todas as competências. Necessitam de cursos mais curtos para ingressar logo no mercado de trabalho.

Os baixos resultados, em termos de conhecimento, obtidos pelo Enade, refletem a falta de qualidade de toda a educação básica brasileira. Mostraram que, no conjunto, os alunos das instituições públicas continuam tendo um desempenho melhor do que os das instituições privadas. Porém, o novo indicador do Enade apurou que 41,8% das universidades federais tiveram um Indicador de Diferença entre o Desempenho Objetivo e o Esperado negativo, significando que quase metade das universidades mantidas pela União não conseguiu agregar o valor que se esperava a seus alunos. Entre as universidades privadas, 58,5% das instituições apresentaram um IDD positivo, reabilitando, nesse aspecto, a imagem das instituições privadas. Quebra o enraizado conceito de que toda universidade pública é boa e a privada sempre ruim.

Um dado que surpreendeu foi o fato de os cursos das universidades de São Paulo perderem para os de instituições do Ceará, Bahia, Sergipe, Paraíba e Rondônia no conceito que mostra o valor agregado aos alunos nos cursos freqüentados. A comparação foi feita a partir da porcentagem de conceitos 5 (máximo) de cada Estado no Índice de Diferença do Desempenho (IDD). A maior quantidade de conceitos 5 foi do Estado de Sergipe, com 9,l5%.

De acordo com a clientela recebida, a instituição privada, em boa parte delas, vem conseguindo formar adequadamente seus alunos. A avaliação do ensino superior se aperfeiçoa e o Enade, pelo Índice de Diferença do Desempenho (IDD) é capaz de avaliar o quanto a universidade agregou de valor a seus alunos durante o curso.

Por esse índice, reabilitou boa parte do ensino privado, mostrando que, devido à diversidade, à heterogeneidade, existentes na sociedade, não pode haver modelo único de ensino, antes um multissistema de ensino.

* Supervisora de ensino aposentada.     
(Publicado em setembro 2006)

EDUCAR PARA A AUTONOMIA

Izabel Sadalla Grispino *

Dando continuidade ao assunto tratado na semana passada, sobre as atividades extracurriculares dos jovens, gostaria, ainda, de acrescentar de que os pais devem saber diferenciar suas expectativas e as de seu filho. Na maioria dos casos, os filhos são induzidos a realizar os projetos que os pais não conseguiram concretizar e farão o máximo de seu investimento para que suas frustrações não se repitam na vida dos filhos.

Os pais devem, também, considerar que cada filho é um filho e que com cada um deve estabelecer diferentes tipos de relação. O fundamental aos pais é ouvir os filhos, dizem os psicólogos, entender, por exemplo, que para os filhos menores é mais fácil estabelecer uma rotina de tarefas; já para os filhos adolescentes, a partir dos 12 ou 13 anos, pode tornar-se mais difícil, porque eles querem fazer valer suas opiniões, seus desejos. Quando não são ouvidos, encontram meios para chamar-lhes a atenção, ou pelo abandono dos estudos, ou, então, por qualquer motivo, faltam às aulas de atividades escolhidas pelos pais. Buscar um equilíbrio nas multitarefas é essencial.

Educar é transmitir costumes, valores e normas vigentes na sociedade em que vivemos e essa educação deve ser feita com compreensão, com moderação. Manter uma educação não totalmente liberal, nem muito controladora. Na educação liberal, a criança não se sente apoiada, não tem uma referência segura e pode passar por experiências que venham lhe causar frustrações e sofrimento. Na educação controladora, a criança não tem independência para fazer nada, não consegue desenvolver iniciativa e criatividade, tem poucas chances de experiências, desconhecendo sua capacidade.

Em ambos os extremos, a criança sofre e pode desenvolver distúrbios de conduta, como birras, timidez excessiva, agressividade contra si e contra os outros. Atitudes diferentes dos pais, diante de uma mesma situação, também confundem a criança e quando existem problemas mais graves de relacionamento entre os cônjuges, muitas vezes os filhos são manipulados e aprendem a manipular, criando atitudes patológicas.

Um ambiente saudável propicia um bom desenvolvimento aos filhos, oferece apoio, suporte emocional, permite independência, escolha de opção, dando à criança consciência de suas possibilidades, tornando-a capaz de desenvolver segurança, estabelecer relação de troca e acreditar em si. Alguns fatores exercem grande influência na relação pais e filhos, como as expectativas dos pais em relação à criança, a demonstração positiva ou negativa sobre o ritmo pessoal, o tipo de personalidade e o comportamento observado.

Desde que a criança nasce até os anos pré-escolares, as metas essenciais são o ganho da confiança, da autonomia e da iniciativa. Para adquirir confiança, a proteção e a sensibilidade dos pais são fundamentais. Quanto à iniciativa, a criança descobre que há coisas possíveis e outras, também possíveis, mas proibidas e cabe aos pais demarcá-las e dar as devidas explicações. O diálogo fortifica a confiança, estimula a iniciativa e desemboca no comportamento autônomo.

A criança é levada a fazer muitas coisas de uma vez e, para que cresçam com noção de disciplina, para que adquiram confiança, os pais devem vigiar, orientar, porque ela não tem capacidade ou energia suficiente para obter êxito em todas as situações. Compete aos pais acompanhar o desabrochar da personalidade da criança, orientar, sem tolher as potencialidades afloradas.

Embora o ser humano, ao nascer, seja extremamente dependente de seus pais, ele já nasce com algumas capacidades, como a de inibir estímulos desagradáveis, tolerar frustrações. Ele vai atuando no ambiente e reivindicando a satisfação de suas necessidades, de acordo com o temperamento e com o ritmo próprios. Essas duas características, temperamento e ritmo, são determinantes para o bom desenvolvimento da personalidade, por isso, devem merecer atenção por parte dos pais.

As primeiras trocas afetivas entre mãe e filho, os cuidados básicos recebidos, as ações e reações da criança com seu meio-ambiente vão moldando o seu comportamento. E essas vivências, positivas ou negativas, serão, posteriormente, transferidas ao meio social mais amplo, favorecendo ou dificultando a sua adaptação.

A responsabilidade dos pais no ajuste ou no desajuste psicológico dos filhos é grande, e “não é preciso que os pais sejam perfeitos, eles apenas devem ser atentos, sensíveis e humanos” (Buscaglia).

*Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2001)

DIA NACIONAL DA FAMÍLIA NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Foi instituído oficialmente, pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), o “Dia Nacional da Família na Escola”, a ser comemorado no País todo dia 24 de abril. Traz o lema: “Um dia para você dividir responsabilidades e somar esforços”. Será realizado oficialmente duas vezes ao ano, como estratégia de reforço à importante presença da família na escola. Elas irão discutir o rendimento escolar do filho e a própria administração escolar. Trata-se de um instrumento simbólico que tem a finalidade de aproximar a comunidade da escola, integrando-as.

As escolas foram orientadas de como organizar esse dia. As sugestões oficiais falam em atividades de visita por um período de três horas, com a proposição de se planejar um momento em que pais e professores meditem a escola de ontem, a escola de hoje, contando passagens de suas vidas de estudantes, como eram, como se sentiam enquanto alunos e que lembranças trazem da escola.

O Dia Nacional da Família na Escola não é uma ação isolada; faz parte de um conjunto de atos previstos no próprio Regimento Escolar, quando fala, especialmente, do Conselho de Escola, sua instância maior de decisões, em que a presença de pais é obrigatória, ou a Associação de Pais e Mestres.

Encontros da escola com a comunidade facilitam o conhecimento do bairro, das comunidades de base, pastorais ou sociais, das ONGs, das entidades cívicas. Esses encontros propiciam uma atualizada orientação pedagógica, que encaminha a aprendizagem para uma contextualização do currículo, a uma filosofia da educação que pede o  desenvolvimento integral do aluno, o conhecimento de sua realidade de vida, de seu cotidiano, de seu ambiente familiar e social, de seus desejos e aspirações.

A presença dos pais na escola, além de colaborar com os múltiplos aspectos escolares, inclusive o disciplinar, é uma valiosa ferramenta para o professor se achegar ao aluno, conhecê-lo bem, compreendê-lo, ajustar o processo pedagógico, fazer com que a aprendizagem se torne concreta.

A escola deve se preparar convenientemente para esse dia, passar à comunidade, aos pais, a necessidade de luta conjunta, de apoio mútuo, de união, para que possam vencer as barreiras e trazer benefício aos alunos. Compete à escola mostrar aos pais, muitas vezes sem nenhuma escolaridade ou com escolaridade mínima, a importância hoje do saber. A colocação no mercado de trabalho está diretamente relacionada aos anos de escolaridade, à competência profissional. Estamos na era do conhecimento, por isso, não basta ao aluno freqüentar a escola; é preciso se dedicar, estudar, aprender, e, nesse particular, os pais podem ajudar e muito.

Essa é uma oportunidade a mais para a escola explicar aos pais seus objetivos educacionais, os seus métodos de ensino, inteirá-los do processo ensino-aprendizagem adotado. Ocasião propícia para se redimir de procedimentos anteriores, quando só se chamavam os pais para fazer-lhes observações negativas a respeito do filho, do mau aproveitamento ou do mau comportamento.

Em muitos de meus artigos tenho frisado a importância da presença dos pais na escola, no fortalecimento dos objetivos escolares que essa presença traz. Quando pais e mestres se encontram, quando firmam, conjuntamente, compromisso com o sucesso, o resultado é auspicioso. Devem, pois, manter um relacionamento contínuo, ao longo do ano, em ações cotidianas, respeitando a realidade da família e da escola.

Vivemos um momento social difícil, conturbado, e isso reflete, direta ou indiretamente, na sala de aula, na vida escolar. O perfil da família está mudando, lares desfeitos, só com o pai ou, mais freqüentemente, só com a mãe, gerando conflitos, repercutindo no comportamento dos filhos. Conhecer a realidade familiar é fator relevante na superação das dificuldades apresentadas pelos alunos. A aproximação com os problemas do bairro, com os problemas da família, não isola a escola, não faz dela uma entidade abstrata, alienadora, mas, sim, real, capaz de construir, de interferir, de oferecer um ambiente de paz, de altruísmo, de combate à violência.

Recente pesquisa do IBGE comprovou que a violência é a principal causa de morte de jovens no Brasil e nós sabemos que esta violência vem se infiltrando cada vez mais nas escolas. Por essa e por tantas outras razões, a escola necessita estar afinada à realidade que a cerca, buscando a colaboração da família.

Através de avaliações oficiais, do  Sistema  de  Avaliação  da  Educação  Básica (Saeb), constatou-se que em localidades pobres, de baixa renda, em que os pais freqüentam a escola, em que pais e professores se conhecem, dialogam, o rendimento escolar é melhor, as notas dos alunos são superiores a  de  outras  escolas, em situações socioeconômicas semelhantes.

A escola só alcança sua verdadeira identidade, uma aprendizagem efetiva, quando se insere em seu meio social, quando abre espaço para uma crescente integração escola-comunidade, escola-família.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em abril/2001)

A QUANTAS ANDA O VESTIBULAR?

Izabel Sadalla Grispino *

O vestibular tem sido questionado ao longo de sua existência. Já passou por várias modificações e, na presente data, a Fuvest – o maior vestibular do País – acaba com as questões divididas por disciplina. Quer medir os conhecimentos gerais do aluno.

O vestibular vem se aproximando do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem),  uma prova nacional, gratuita, anual, interdisciplinar, realizada pelo Ministério da Educação, aos alunos do 3.º ano, em que cobra habilidades e competências e não conteúdo.

Além do fator psicológico que envolve o aluno, deixando-o ansioso, tendo que resolver seu futuro por uma única prova, o vestibular é focado no conhecimento acumulado, sem chances de avaliar as capacidades e o potencial do aluno. Ainda, pelo vestibular, o estudante tem que definir sua carreira, numa escolha, muitas vezes, feita sem convicção, pela inexperiência, pela falta de maturidade em virtude da pouca idade. O estudante abraça um caminho que posteriormente venha desistir.

Algumas universidades já oferecem alternativa ao vestibular. A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, foi a pioneira em aplicar um vestibular seriado, com avaliações feitas ao longo dos três anos do ensino médio. A própria Fuvest admite a possibilidade de criar vestibular seriado, onde o aluno escolheria entre as três avaliações feitas durante o ensino médio e o vestibular tradicional.

Recentemente, a Universidade Federal da Bahia (UFBA) ponderou ser este ano de 2006 o último a realizar vestibular nos moldes habituais. Quer uma outra forma de seleção de seus alunos. O pensamento corrente é usar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Mudanças na estrutura do curso de graduação estão sendo estudadas pela universidade, apresentadas em um novo projeto. Haverá a criação de um ciclo básico de três anos, igual para todos os alunos, independentemente de carreira pretendida. O aluno terá liberdade para escolher as disciplinas de todas as áreas, permitindo uma abertura maior entre elas.

Dessa maneira, o aluno não ficará limitado às suas áreas, desconhecendo as demais. Os cursos ficarão mais longos. Após o ciclo básico, o aluno escolherá o seu curso, que será de mais três anos. Contudo, será admitido ao curso pretendido o aluno que tiver acumulado uma boa nota ao longo do ciclo básico. Os alunos, que não obtiveram notas suficientes para começar os cursos específicos, terão um diploma de bacharelado pelos três anos cursados.

Esse modelo de universidade já havia sido proposto pelo grande educador Anísio Teixeira, para a Universidade de Brasília (UnB), que por razões políticas não fora aceito. Nos EUA e em países da Europa, o sistema é parecido. A Universidade Federal do ABC, em Santo André, recentemente inaugurada, aplica sistema semelhante.

Esse modelo de universidade ganhou os meios educacionais. Foi bem recebido, bastante discutido. O ponto central recai sobre o projeto pedagógico dos três anos do ciclo básico. Deve ser bem equilibrado, conectado com as diversas áreas, apresentar um currículo articulado, interligado, sendo, ao mesmo tempo, específico e generalista.

A escolha das disciplinas, sua dosagem, abrangência e especificidade, é tida como chave para o sucesso desse período de ciclo básico, encaminhando o aluno, com base e visão  suficiente, para uma acertada escolha da profissão.

Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em outubro/2006)

PAIS OPINAM SOBRE ESCOLAS PARTICULARES

Izabel Sadalla Grispino*

Conscientizar é o ponto de partida para o amadurecimento do bom comportamento. Conscientizar através do diálogo, através de situações montadas.

Uma pesquisa realizada pelo Ibope, a pedido da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), com pais de alunos de classes A e B, em oito regiões metropolitanas, com filhos entre 7 e 17 anos, chegou a conclusões curiosas. Foram entrevistados, em dezembro de 2005, cerca de 1.000 pais. 90% disseram estar satisfeitos com as escolas particulares escolhidas. Ressaltaram a qualidade de ensino (41%), a localização das escolas (23%), a proposta pedagógica (18%), como razões pelas quais optaram pela rede particular.

Os casais, ao serem questionados sobre quais seriam os valores para uma boa escola, ressaltaram a liberdade, a justiça e o diálogo. Poucos valorizaram o fator disciplina, desprezando a disciplina rígida e apenas 12% citaram religião. As respostas ficaram assim distribuídas: diálogo, liberdade, 34%; justiça, cidadania, 34%; compromisso social, 32%; avaliação permanente, 29%; criatividade, 23%; disciplina rígida, 19 %; religião, 12%; trabalho, 9%; e participação política, 4%.

A rejeição por disciplina rígida é compreensível, mas nunca pela disciplina em si. A disciplina rígida pode tolher a liberdade de expressão, chegar às vias das práticas autoritárias, prejudicial à aprendizagem e à personalidade. Contudo, a forma disciplinar de se colocar em tudo na vida é indispensável para a busca do equilíbrio. É a disciplina que leva à autodisciplina, à autonomia intelectual, fatores considerados, hoje, tão importantes ou mais, para o desenvolvimento cognitivo, que o próprio ambiente cultural do aluno. A disciplina é um parâmetro forte para se exercer a liberdade, valor tão priorizado pelos pais, não a deixando cair no liberalismo, onde tudo é permitido. Os pais deveriam ter feito uma distinção entre disciplina e disciplina rígida.

O que a escola precisa ficar atenta é com a utilização do saber como fonte de poder: o professor detém o poder porque é aquele que sabe, o aluno, aquele que não sabe. O saber, embora tenha o seu peso, não pode ser determinante do poder. O poder não pode estar monopolizado, restrito a uma pessoa ou a um grupo de pessoas, mas estender-se a todos, um poder compartilhado, do aluno para o professor, do aluno para a escola, onde todos devem ter voz e vez. Um poder que ressurge do grupo, nunca imposto de cima para baixo. Isso, desde a colocação de procedimentos disciplinares, dos limites, os quais deverão ser elaborados, analisados com os alunos, antes de serem adotados.

Outro valor valorizado pelos pais, com acerto, foi o diálogo, valor essencial a qualquer tipo de educação. O diálogo também deve ser desenvolvido num ambiente onde haja cumprimento de normas, de regras definidas, para convergir em respeito mútuo.

A opção hoje não é pela disciplina do silêncio, mas pela disciplina do diálogo, que conscientiza e, por isso mesmo, favorece o compromisso, a cumplicidade, a vontade de acertar. Desemboca na educação libertadora, que faz do aluno o agente e o centro da aprendizagem, formando um aluno crítico, participando da transformação da sociedade.

O que causou estranheza foi a baixa porcentagem de pais que valorizaram o ensino religioso. É indispensável ensinar a ética, a moral e outros valores de sobeja importância à vida. Valorizaram a justiça, a cidadania, o compromisso social, mas relegaram a um plano menor os valores da fé, que tanto sustentaram e sustentam as civilizações humanas. A religião desenvolve no aluno os sentidos de solidariedade, de fraternidade, de justiça, que tanto faltam aos dias de hoje. São esses sentimentos que conduzem a um plano superior da existência humana, que falam de valores eternos, como o amor, a bondade, a compreensão, e que levam à paz. A religiosidade traz um aprimoramento pessoal, acarretando o aprimoramento social.

Não deveriam os pais refletir melhor sobre esse posicionamento?

Liberdade e diálogo ressaltados por eles são realmente muito importantes, mas sempre dentro de um equacionamento, de princípios a serem desenvolvidos e praticados. A organização da escola, as normas educacionais, os métodos de trabalho, devem sempre resultar da parceria de regras, no estabelecimento de uma co-realização. O trabalho individual, hoje, cede espaço ao trabalho conjugado, cada vez mais explorado, traduzido em responsabilidades mútuas. Não é mais o sucesso de um, é o sucesso de todo o grupo. Aprende-se o sentido de compromisso, o sentido de interligação, de intercâmbio, entendendo que a vitória é resultado do conjunto.

É, pois, num ambiente de mútua interação que se trabalham valores como liberdade, diálogo, justiça, tão preconizados pelos pais. Semear sem preparo, sem responsabilidade e critério é semear inutilmente, é jogar semente em solo árido, sem preparar a terra.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2006)

O ENCONTRO DA FÉ E DA RAZÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Com este artigo, finalizo a série que venho publicando sobre fé e razão. A velha rivalidade não se restringe à análise da origem das coisas e do universo; atinge, também, o comportamento humano. Registro, sucintamente, algumas passagens.

Sobre a evolução do comportamento humano, a sociobiologia, surgida por volta de 1976, estudando o substrato biológico do comportamento social, passou a idéia de que é possível analisar o comportamento dos animais pelos genes. Haveria uma seleção natural, onde as chances de reprodução seriam amplificadas de geração em geração; uma filtragem progressiva de mutações aleatórias que explicariam a evolução dos traços físicos do animais; mas explicaria o seu comportamento?

Discordando dessa teoria, um grupo de cientistas relutou em aceitar que um processo mecânico, e não um Deus, tivesse podido criar uma criatura tão perfeita, como o homem ou como o animal.

Quanto ao comportamento humano, apoiavam-se no padrão das ciências sociais, das ciências humanas, que diziam ser ele moldado em fatores culturais, arbitrários e suscetíveis de variar ao infinito, porque escapam às limitações biológicas que afetam os animais. Questionavam o eugenismo, sem contudo, anular os fundamentos genéticos do comportamento dos animais.

Mais recentemente, contudo, há cerca de uma década, numerosos antropólogos, psicólogos, sociólogos, voltam a analisar aspectos do comportamento humano à luz da teoria evolucionista de Darwin. Na Grã-Bretanha, a segunda revolução darwiniana atinge o grande público, transforma-se num fenômeno editorial, com a publicação da série intitulada “Deus, os genes e o destino”.

O escritor inglês William D. Hamilton abordou genética e antropologia, em correlação. Preocupou-se com o problema do altruísmo (na época, um problema para os darwinistas): quando alguns pássaros percebem um predador, emitem um grito de alerta a seus congêneres, correndo o risco, eles mesmos, de serem apanhados. Entre as formigas e as abelhas, as castas de operárias estéreis passam a vida inteira alimentando a raínha-fecunda.

Para Hamilton, somos geneticamente levados a ajudar nossos irmãos e irmãs que possuem, em média, a metade de nossos genes – teoria da relação parental. No interior de um mesmo organismo, a cooperação entre as células, portadoras dos mesmos genes, é total.

Nessa altura, assistimos novamente à dualidade razão e fé. Os genes explicam tudo? Ou o homem está submetido a dois tipos independentes de evolução: a cultural e a biológica, conforme querem, hoje, as ciências humanas? A seleção natural é aleatória? A perfeição do corpo humano é fruto do acaso ou é planejado e da ordem maravilhosa da vida, resultante de uma Consciência que presidiu sua elaboração? As mais altas faculdades do espírito humano são simplesmente derivadas da matéria?

O papa João Paulo II, a respeito, assim se expressou: “Existem leituras materialistas e reducionistas, como leituras espiritualistas da teoria da evolução de Darwin. O julgamento final, nesse ponto, é da competência própria da filosofia, além da teologia”.

Meditando sobre nós mesmos, sentimos que as fortes aspirações humanas de paz, de felicidade, ou o seu inverso, as apreensões, as angústias, os sofrimentos levam o homem a se evadir, a sair desse plano terrestre, sair da matéria,  a buscar a sublimação, uma transposição capaz de lançá-lo a uma dimensão superior, ao infinito, onde, seguramente, habita Deus.

Independentemente das teorias existentes, são as luzes da alma que conduzem o ser às realizações positivas e essa luz, seguramente, não é fruto da matéria. Essa luz sai dos nossos sentimentos, do nosso espírito, da parte inatingível de nosso ser, do nosso psiquismo, da nossa conduta e não carece de método experimental, de comprovação científica para assegurar sua existência.

O ser sem fé é um ser amargo, ressequido, árvore que não floresce, que se quebranta, aos poucos, antes de morrer. É a própria razão que nos conduz à fé, que nos ensina que precisamos dela para uma vida melhor. A fé, por sua vez, enriquece e enobrece a razão. Há uma inter-relação, uma reciprocidade autêntica entre elas.

Essas reflexões inspiraram-me a poesia “No além, a presença de Deus”. Respondam comigo, prezados leitores, as questões que nela formulo. Para mim, a resposta está na última estrofe e para você?

NO ALÉM, A PRESENÇA DE DEUS

Se nada, além da vida, existe,
O que é esse amor que se sente?
Esse anseio de continuidade,
O sonho da posteridade?

Se nada, além da vida, existe,
Por que essa raiz tão consistente?
Essa consciência profunda
Do dever, que o ser inunda?

Se nada existe além da vida,
Se tudo acaba na partida,
Qual sentido da ação ingente,
Que arrasta a alma da gente?

Se pro ateu só razão consiste,
Só pelo cérebro a alma existe,
Como explicar o dom de amar,
O impulso pra construir, gerar?

Quem pôs ao homem tais sentimentos?
Quem nos deu os altos alentos?
Acaso, são frutos do nada?
São restritos a essa jornada?

No além desta vida, eu lhe digo,
Há Deus que caminha consigo,
Que lhe cobre de amor bendito,
E dá-lhe a graça do infinito.


* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2001)

FORMAS DIFERENCIADAS DE ORGANIZAÇÃO ESCOLAR

Izabel Sadalla Grispino *

O nosso sistema escolar enseja uma variedade de formas de ensino. Além das escolas públicas, que seguem normas oficiais, há escolas particulares com diferentes formatos, diferentes modalidades, em projetos de permanente construção e reconstrução.

Surgiram na década de 90 as chamadas cooperativas educacionais, uma atividade empresarial dirigida por um conselho de pais-cooperados, eleitos em períodos regulares. A gestão administrativa, incluindo contratação de pessoal, e a gestão  educacional são feitas por profissionais de cada uma das áreas, escolhidos por competência, por mérito, afastando o protecionismo. Essas escolas vêm mostrando alto desempenho, muito boa organização e se multiplicando no Estado de São Paulo. Atestam que escola não é só um espaço físico, mas, sobretudo, resultado de um projeto educacional.

O IBGE, num levantamento feito em 2004, mostrou queda na renda das famílias, com influência negativa na procura por educação diferenciada. As escolas particulares, como outras atividades do setor de serviços, estão enfrentando dificuldades. A crise enfrentada pelas escolas mostra caminhos diferentes em sua solução. Algumas passaram a se preocupar menos com a qualidade do ensino, evitando maiores gastos e se concentrando no fluxo de caixa. Outras não se descuidaram da atividade-fim, tentando resguardar a credibilidade adquirida ao longo dos anos, na tarefa de educar. A inadimplência foi contornada, buscou-se proteger e conservar o seu patrimônio pedagógico, seus professores competentes, comprometidos com a boa educação.

Há grupos de escolas partindo para soluções mais imediatas para resolver o problema de evasão de alunos e a inadimplência. Estão se reunindo em uma “holding” que oferece mensalidades reduzidas, porque os professores são terceirizados. Desse modo, livram-se dos encargos da legislação trabalhista, como a remuneração do descanso semanal e as férias. O professor ganha pelo número de alunos que tem em sala de aula. O proprietário da escola apenas aluga espaço e instalações para uma cooperativa de docentes. A escola vende serviço educacional aos interessados.

A holding, chamada Colégio Brasil Novo, que em 2004 contava com adesão de 49 escolas, definiu o critério de remuneração: 25% da receita fica para os professores locatários e o restante para o locador. A holding propõe que os professores se empenhem e sejam fatores determinantes na atração e manutenção de alunos para evitar sua evasão.

Manter os filhos numa escola mantida por uma holding é uma opção dos pais, que preferem educar os filhos de forma diferenciada, preferindo o ensino privado ao público. A questão que se coloca, em relação a professores itinerantes, locatários de salas de aula, remunerados conforme o número de alunos que possuem, é a validade dessa organização escolar, da atuação docente, em termos educacionais e pedagógicos.

Escola é uma organização formal, necessita de um dirigente que responda por ela, que é responsável perante os alunos, os pais, a comunidade. Não é só um lugar que recebe alunos, mas representa uma filosofia educacional, uma linha pedagógica abrangente a toda instituição, capaz de responder pela execução de seu currículo, mantendo programas de educação compartilhada com toda comunidade escolar. É necessária uma coordenação das atividades docentes, planos pedagógicos interligados, correlacionados, integrados e jamais se colocar em projetos individualizados, representativos de cada professor. O ensino, há muito, deixou de ser  compartimentado.  As fronteiras do conhecimento se diluem cada vez mais na comunicação entre as disciplinas do currículo.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), no seu parágrafo único do artigo 25, define responsabilidade das autoridades educacionais. “Com essa Lei surgiu uma nova concepção de currículo e com ele uma nova concepção de escola. Nova em seu formato, em seu funcionamento, em sua organização, requerendo uma profunda revisão das metodologias de ensino... Revoluciona-se o conceito de currículo, que tem, agora, sua maior característica na flexibilização. A Nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) prevê  a flexibilização na organização de cursos e carreiras e por isso torna possível a mudança que vale tanto para as escolas públicas como para as privadas. A idéia central é substituir a estrutura curricular, baseada em disciplinas e carga horária fixa, por outros modos de organização. Na educação básica por: séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios e formas diversas de organização, como módulos, reclassificações de alunos, aceleração da aprendizagem”. (do meu livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola), págs. 39 e40).

Após a promulgação da nova LDB, inovações vêm surgindo a cada passo. Contudo, necessário se faz avaliar bem as condições das inovações, o contexto do trabalho desenvolvido, a metodologia aplicada e os resultados obtidos, em termos acadêmicos e educacionais. As mudanças precisam ser bem pensadas, bem regidas, bem estruturadas pedagogicamente.

Uma das principais características da moderna administração escolar é a de avaliar continuamente os resultados, mantendo ou redefinindo seus planos de ação. Estamos vivendo a época do diálogo, tempos de parcerias, especialmente da escola com os pais de alunos, onde as decisões são, em parte, compartilhadas com responsabilidade. Nas mudanças, os pais devem ser esclarecidos e ouvidos em suas reivindicações.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2005)

CRÉDITO EDUCATIVO PARA O UNIVERSITÁRIO

Izabel Sadalla Grispino *

Como o estudante deve orientar-se na busca do crédito educativo? Surgiu recentemente, cerca de um ano e meio, o financiamento privado do ensino superior. São créditos educativos oferecidos por empresas particulares, por intermédio da própria universidade. A pesquisa feita pela CM Consultoria, realizada em junho p.passado, com 86 universidades privadas revelou que os financiamentos privados estão previstos em 18% das instituições.

Os alunos cursam a faculdade e começam a pagar a dívida um ano após terem se formado, dividindo a prestação em muitos anos. A adesão a esse crédito educativo explica o aumento do número de vagas em faculdades particulares na última década, atraindo alunos com baixo poder aquisitivo. Ele tem combatido a inadimplência que, segundo o Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino (Semesp), gira em torno de 25%.

Uma outra modalidade é o Financiamento Estudantil (Fies) do governo federal, que cobre até 70% das mensalidades de alunos carentes.

Cada financiamento tem suas regras, mas todos cobram juros mais altos do que os do Fies e mais baixos do que os bancários. O financiamento do governo cobra 9% ao ano, os privados trabalham com taxas que vão de 1,5 a 3,5% ao mês, e os bancos chegam a cobrar 2% ao mês, dependendo do tipo de crédito e da instituição. Todos exigem um fiador, além de bom rendimento escolar.

Se o aluno estiver com a documentação em dia, o financiamento é rápido, em duas semanas o contrato é assinado. Pelo Financiamento Estudantil (Fies) é preciso esperar abrir a concorrência para as vagas, provar a falta de recursos e aguardar o resultado da seleção.

Conhecer as opções de financiamento ajuda a esclarecer a situação. O aluno deve analisar a proposta, os valores, antes da contratação. Há a Ideal Invest, que cobre até 35% da mensalidade, com juros de 1,5% ao mês. Exige fiador e bom desempenho escolar.  A  dívida  pode  ser paga em até 8 anos. Para maiores informações sobre a Ideal Invest acessar: www.idealinvest.com.br

A Finvest, do grupo Unibanco, também oferece uma linha de crédito educativo para 10.000 clientes. O empréstimo pode ser usado para todos os níveis de ensino, do fundamental à pós-graduação. A dívida pode ser paga em até 3 anos, os juros vão de 2% a 3,9%. Acessar: www.finvest.com.br

O Siemesp criou o Centro Brasileiro de Desenvolvimento do Ensino Superior (Cebrade), cuja principal função é administrar bolsas de estudo restituíveis. Administra bolsas de 1% a 100% em diversas universidades cadastradas. Depois de um ano de formado, o beneficiado devolve esse dinheiro para a instituição, pelo preço da mensalidade na época em que ele for pagar.

O Financiamento Estudantil (Fies) é um programa do governo federal. Financia até 70% da mensalidade, com juros fixos de 9% ao ano ou 0,75% ao mês. Exige bom desempenho escolar. A dívida pode ser paga em até uma vez e meia o tempo do financiamento. Para conseguir o financiamento do Fies, o estudante deve se inscrever e passar por seleção. O Fies exigia fiador, mas uma liminar da justiça suspendeu a obrigatoriedade. Segundo o coordenador do Fies, Leonel Cunha, o pagamento das fases de amortização é fundamental para que o Fies abra novas vagas a cada semestre. “O Fies depende do retorno dos financiamentos para poder financiar novos estudantes. Se cada estudante beneficiado tomar consciência de que o pagamento é que permite a entrada de outro jovem num curso superior e que, se cumprir pontualmente as fases de amortização, será mais fácil manter o Fies em bom funcionamento, com um risco menor de inadimplência”.

Para os estudantes que não podem pagar de forma alguma, o governo está propondo a criação do Programa Universidade para Todos (ProUni), que tem como objetivo a concessão de bolsas de estudo aos mais pobres sem a necessidade de reembolso. Mais informação sobre o ProUni está na pagina do MEC (www.mec.gov.br http://www.mec.gov.br/)

Antes de pegar um financiamento, aconselha-se o estudante a pedir uma simulação das parcelas que vai pagar e do total da dívida. Assim ficará sabendo se poderá arcar com o compromisso.

É grande o número de estudantes precisando de algum tipo de auxílio para cursar o ensino superior. Dar a este estudante a chance de freqüentar uma faculdade, de se auto-afirmar, eleva consideravelmente sua auto-estima. A má distribuição de renda, gerando contrastes sociais, é o que mais afeta a auto-estima de nossa população. Um estudo do Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), do Ministério da Educação, com base no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), analisou o desempenho de estudantes ricos e pobres, mostrando significativas vantagens ao estudante rico. O aluno rico que usa computador, internet, TV por assinatura alcançou média de 63 pontos numa escala de 0 a 100, enquanto o jovem pobre chegou apenas a 41 pontos. Bens culturais, uma boa situação socioeconômica, fortalecem e propiciam o desenvolvimento das potencialidades do educando.

A pior das constatações é de que a distância entre os alunos de famílias de alta renda e os de baixa renda tende a crescer. Os alunos pobres, necessitados de melhores condições de ensino, são os que menos recebem em termos de qualidade de escola.

Alertemo-nos, dando-nos as mãos – governo, empresas, associações e sociedade agindo juntos – para garantir um futuro mais promissor à classe menos favorecida.

* Supervisora de ensino aposentada.      
(Publicado em outubro/2004)

SENSIBILIZANDO PARA A DESIGUALDADE SOCIAL

Izabel Sadalla Grispino*

As crianças, os jovens, bem nascidos, desencastelam-se. São orientados a conhecer e a conviver com o outro lado da moeda. A conhecer a pobreza, a vida de carência, de dificuldades de outras pessoas, de crianças e jovens de sua idade.

Passam a valorizar o que têm, a estender o olhar ao seu redor. Na aproximação, na constatação direta, não do que ouviu falar ou do que viu na TV, no cinema, sentem-se tocado pelo diferente, pelo sentido de solidariedade.

Colégios, freqüentados por alunos de classe média-alta, programam, com a aquiescência dos pais, visitas a favelas, diminuindo a distância entre mundos diferentes. Esses alunos passam a conviver com crianças e jovens como eles, que moram em regiões carentes, esquecidos pelo poder público e que enfrentam uma vida de dificuldades, de horizonte estreito, descambando para a violência.

Os alunos passam o dia nas favelas, participam de atividades programadas, em creches e pré-escolas, como horta, marcenaria, coleta seletiva, berçário, cozinha, biblioteca etc. Esses estudantes reformulam-se, descobrem o quanto são semelhantes, o quanto as crianças pobres só precisam de oportunidades para evoluir. Ganham em vivência, expandem a visão de mundo, tornam-se mais humanos. Percebem o quanto de preconceito existe em relação à pobreza e mudam o olhar em relação a ela.

Experiências como estas deveriam fazer parte do currículo das escolas. Aproximam crianças de classes sociais diferentes, quebram preconceitos, e elas se humanizam. Isolando, marginalizando, olhando com desconfiança, as diferenças cristalizam-se, compartimentam-se, simplesmente, em ricos e pobres.

Mais que qualquer outra ajuda, a cooperação, a aproximação, o entrelaçamento solidário é o melhor caminho a trilhar na quebra da insensibilidade em relação às diferenças sociais. Trabalhando para o crescimento da criança carente, dando-lhe perspectivas de vida, ela se afastará das sendas do crime.

Um outro fator de aproximação e enfraquecimento da violência é a oferta, pela escola, de atividades esportivas e culturais, em fins-de-semana, para os seus alunos, suas famílias, sua vizinhança. Além do fator convivência, do estímulo, a Organização das Nações Unidas (Unesco) revela que lazer e cultura são fatores comprovados de combate à violência.

A falta de opções de lazer e cultura é causa de tensão para os jovens da periferia, que respondem, favoravelmente, quando encontram, na escola, o espaço que falta no bairro, para usar o tempo livre, em atividades dirigidas, conglomerando o pessoal de sua comunidade. Essa política de aproximação, de prevenção à violência, melhora, inclusive, a relação professor-aluno. Há, comprovadamente, casos de queda de indisciplina, de brigas entre os estudantes e um aumento considerável da aprendizagem. Um dado importante da pesquisa da Unesco é o aumento significativo da participação dos pais na vida escolar dos filhos.

A aproximação escola e família, em uma ação educativa conjunta, tem-se revelado fator determinante para a melhoria em todos os outros indicadores educacionais. A escola, por sua vez, precisa levar em conta as características de sua comunidade e não deve prescindir da segurança preventiva, onde a polícia exerce menos força repressiva e age mais pela presença institucional.

Os estabelecimentos de ensino, que se integraram ao programa da Unesco, denominado “Escola da Paz”, começaram a se abrir, nos fins-de-semana, à comunidade, e constataram que, além da melhora do índice de aprendizagem, a escola começou a respirar um ar de mais tranqüilidade, de mais participação comunitária. O número de gangues caiu, os casos de vandalismo foram reduzidos, houve queda generalizada de casos de furto e roubo.

Cada vez mais chega-se à conclusão de que, se se quer paz, tem-se que enfrentar a pobreza, provocar uma convivência amistosa entre as diferentes classes sociais, um envolvimento coletivo na busca de oportunidades aos necessitados. A educação, com seu ingrediente de amor, de aproximação aos excluídos, é, sem sombra de dúvida, o melhor caminho a trilhar no combate à discriminação, à desigualdade social, à violência.

A escola redescobre o valor da arte, da cultura, do esporte, do lazer, no combate à violência, na formação da cidadania, do humanismo. Volta-se à confraternização entre as classes sociais, valoriza a cooperação, em detrimento da competição. Batalhando nessa direção, assistindo a pobreza, abrindo horizontes aos menos favorecidos, estaremos nos enveredando pelos caminhos da compreensão, adversos à violência.

* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em outubro/2002)


* Supervisora de ensino aposentada.

(Publicado em outubro/2002)

A IGREJA FRENTE AO RACIONALISMO CIENTÍFICO

Izabel Sadalla Grispino *

Assistimos hoje a uma reconciliação da Igreja com a ciência. A Igreja mudou de semblante, mudou de postura diante das descobertas da ciência. Em outros tempos, admitir o encontro da fé com a razão era considerado fraqueza, capitulação. O papa João Paulo II lançou, no ano de 2000, a encíclica “Fides et Ratio” (Fé e Razão), onde faz verdadeira apologia da razão. Reabilita os princípios filosóficos e científicos do racionalismo. “Não existe, não pode e não deve haver contradição entre a verdade que Deus nos revela em Jesus Cristo e as verdades pela filosofia. Deus não tem nada a temer com a descoberta progressista dos segredos da natureza. Não existe oposição entre Revelação e Razão, entre Fé e Pensamento, mas uma complementariedade indispensável”.

A Igreja caminha agora com Galileu Galilei, um cientista de sólida convicção religiosa, que dizia “Deus se revela a cada instante na majestade das leis naturais, que só podemos enxergar através da “luneta” da ciência e a ciência, assim, não pode deixar de progredir...”.

Na verdade, Deus não perde terreno com os avanços da ciência e o papa propõe como que um acordo entre fé e razão, num comportamento bem diferente do passado, quando cientistas, considerados hereges, eram excomungados, como as teses de Galileu ou Giordano Bruno, este queimado vivo, em Roma, no ano de 1600. Períodos negros, sombrios da Inquisição, são superados, ficando no passado. A história foi bastante tempestuosa nas relações da Igreja com a pesquisa científica, quando aquela se mostrou hostil às descobertas de novas verdades pela razão. Isso porque muitas descobertas científicas questionavam seriamente as afirmações literais da Bíblia, consideradas, durante séculos, como verdades intocáveis. Por essa razão, os racionalistas ficaram surpresos, quando, em 31 de outubro de 1992, o Vaticano, com a maior seriedade, reabilitou Galileu, nas questões do heliocentrismo. O mesmo em relação às descobertas de Darwin, sua teoria evolucionista, em contraposição à teoria criacionista, da Igreja, em que todas as espécies teriam sido criadas de uma só vez por Deus. Na teoria da evolução, os seres vivos seriam feitos de matéria comum, derivados, em toda a sua diversidade, de uma primeira e única forma de vida, enquanto a gênese e a configuração da arca de Noé nos ensinam que Deus criou, como querem os criacionistas, toda a diversidade das espécies animais ao mesmo tempo.

A crença da Igreja repousa sobre uma revelação que não depende de demonstração científica, do método experimental, porque Deus está além da ciência; impõe uma fé, uma confiança que deve escapar ao exame crítico e à dimensão racional. A ciência, por sua vez, evoluiu; emancipou-se dos limites rígidos do racionalismo cientificista, das formas distorcidas da razão “positivista”, mantidas, ainda, no século de Júlio Verne. O emergir da bioética constrói uma nova cultura e, neste particular, os cientistas estão menos  seguros de si, menos otimistas e menos confiantes que seus antecessores, nos inevitáveis benefícios do progresso. Eles se questionam sobre a moral, sobre o sentido e a sabedoria que convêm às suas descobertas.

Hoje, o Vaticano está menos preocupado com as descobertas da ciência do que com suas repercussões práticas, especialmente no campo das ciências da vida. Faz apelos à ciência e à medicina para que não se esqueçam da dimensão ética, que não se transformem em manipuladores da vida. Pois, se a Igreja não dúvida de Deus, desconfia do Homem que pensa sem Deus. Para a Igreja é indiferente que o Homem tenha surgido do “evolucionismo” ou do “criacionismo”, conforme ela acredita, porque é no momento em que Deus outorga uma alma ao ser humano que ele ganha essa dimensão. Na verdade, não há oposição entre ciência e fé.

A partir de 1860, as teorias de Darwin seriam energicamente condenadas pela Igreja, até que o próprio Darwin foi excomungado. Esse comportamento da Igreja, em relação à ciência, despertou, nos adeptos do racionalismo, uma certa prevenção contra os ensinamentos religiosos, em relação às descobertas do universo. A Igreja católica, reconhecendo seus erros, resolveu celebrar um grande jubileu, no ano de 2000, e numa atitude que muito vem ensinar os cristãos, num exame profundo de consciência, pede perdão pelas falhas ocorridas no passado, pelo abuso de autoridade, decorrentes de erros humanos, falhas humanas, não da Igreja em suas verdades fundamentais anunciadas por Cristo. A Igreja é representada por homens e todos nós, enquanto humanos, somos passíveis de falhas.

O jubileu tem a ver com o perdão, e o grande jubileu, do ano passado, comemorou os 2000 anos do nascimento de Jesus Cristo e sua obra redentora. Comemorou o perdão, o louvor a Deus e a peregrinação.

O perdão foi amplamente comentado pelo papa João Paulo II, que estimulou os cristãos a examinar a história do último milênio do cristianismo e pedir perdão. Mas, ao mesmo tempo, estimulou os cristãos a louvar a Deus, pelos imensos frutos que a fé cristã trouxe à história da humanidade.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2001)

EMPRESAS INVESTEM NA FORMAÇÃO PROFISSIONAL

Izabel Sadalla Grispino*

As empresas, ressentindo-se da ausência de determinadas profissões requeridas por elas, organizam cursos de formação na própria instituição. Tentam suprir lacunas deixadas pelo sistema escolar.

Com a reativação de produção de máquinas e equipamentos pesados, antigas profissões, como de maquinistas de trem, de soldadores, de caldeireiros, de ferramenteiros e outros, vêm faltando ao mercado de trabalho. A escassez desses trabalhadores dificulta a reposição dos velhos profissionais, que se aposentaram pela estagnação do setor.

A indústria pesada deixou por algum tempo de investir em infra-estrutura. A função de metalúrgico, por exemplo, diminuiu e aumentou o setor de serviços, onde as chances de emprego eram maiores. A indústria passou a produzir equipamentos mais modernos e essas antigas profissões tiveram, com o avanço da tecnologia, uma função mais moderna, distante daquela em que o maquinista jogava carvão na locomotiva.

O Brasil Ferrovias vem dando cursos de auxiliar de maquinista, com 184 horas de aulas teóricas e 220 horas de aulas práticas, ministradas pelos técnicos da própria companhia. A razão dos cursos é preencher as vagas em aberto. Neste último ano, o Brasil Ferrovias ampliou sua frota em 56 locomotivas e 2,3 mil vagões, na linha férrea entre Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. No ano de 2004 foram dados 12 cursos de auxiliar de maquinista e de janeiro a setembro a companhia contratou 376 pessoas, a maioria para a função de auxiliar de maquinista. Destes, os melhores serão treinados para a função de maquinista, em dois anos, com salário superior.

O mesmo procedimento ocorre com a Jaraguá, em Sorocaba/SP, que produz máquinas e equipamentos para indústrias siderúrgicas, petrolíferas, e de infra-estrutura. Para as aulas teóricas, a empresa contratou o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e as aulas práticas ficam por conta dos funcionários da empresa.

O Senai vem prestando serviço para várias empresas da região de Sorocaba. A oferta de ferramenteiros – trabalhadores especializados na confecção de moldes mais refinados – está em falta. Também, em falta, profissionais da área mecânica e elétrica e o Senai, a partir de 2005, vai iniciar cursos para essas profissões. Segundo pesquisas, a procura por trabalhadores do setor metalomecânico cresceu cerca de 30% na região.

Em Ourinhos/SP, um grupo formado pela associação das indústrias locais organizou, com a colaboração da prefeitura e do Senai, um curso para a formação de soldador. Entre soldadores e caldeireiros existem perto de 200 vagas na região, com salários variando de R$ 1 mil a R$ 1,5 mil. O crescimento das exportações é o responsável pelo aumento da demanda desses profissionais. Uma grande parte da indústria fabrica equipamentos de extração de óleo vegetal.

Na Suco faltam caldeireiros e soldadores. O caldeireiro é o profissional que transforma chapas de aço em peças e seu salário está em torno de R$ 1,5 mil.

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) revela que no prazo de um ano, encerrado em agosto, foram criadas 23,4 mil vagas na indústria de máquinas. Os segmentos mais procurados são mecânica pesada, máquinas-ferramentas, gráfica e agrícola.

Para se ter idéia do avanço das profissões citadas, relata o diretor regional do Senai, de São Paulo, Luiz Carlos de Souza Vieira, que no primeiro semestre de 2004, nos cursos do Senai, havia 6 candidatos por vaga. Antes dessa data, o Senai não tinha nenhum candidato. Hoje, para dar conta da demanda, o Senai ampliou o número de escolas móveis, que funcionam dentro de carretas. Há 13 escolas móveis em atividade, revelando como essas profissões estão em alta no mercado de trabalho.

Na situação de desemprego em que o País se encontra, tomar conhecimento de novas alternativas favorece a possibilidade de encontro. Tem-se que caminhar com os olhos voltados para a época, para as crescentes renovações do mercado de trabalho.

O ano de 2005 bate à nossa porta. Que em cada coração, em cada lar, a presença de Deus se faça viva, com a prática de seus ensinamentos. Que a paz reine entre os povos e que a caridade seja a semente que, em 2005, frutificará. Saúde, prosperidade, a todos os meus prezados leitores. Com amor, minha poesia a seguir:

 

ANO  DE  2005

O ano novo se avizinha,

Ano vai, ano vem,

A vida, tal lebre rapidinha,

Vai levando o homem pro além.

O tempo é uma roda-gigante,

Oscila sem parar, pra baixo e pra cima,

É um traiçoeiro amante,

Pela fugacidade prima.

Ano-novo só é mais um dia novo,

É apenas um símbolo do tempo,

É a soma da existência do povo,

Marca a passagem de nossos momentos.

Fé na vida, fé no amor,

Que os dias desse novo ano

Espalhem canteiros de flor,

Paz no campo e no centro urbano.

O importante é se dar as mãos,

Formar a roda da solidariedade,

O mundo está sedento de oração,

De corações carregados de humanidade!

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2004)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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