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Artigos Educacionais

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A APRENDIZAGEM EM BASES CIENTÍFICAS

Izabel Sadalla Grispino *

A Educação Infantil é uma preocupação mundial. Educar a criança é o ponto de partida para a transformação social, para se construir um mundo de valores, os quais se diluem diante de nossos olhos. Se a criança é o adulto de amanhã, como será esse adulto sem uma base de sustentação montada na infância? Base sem consistência, edifício desmoronado!

Por essa razão, cerca-se o estudo do desenvolvimento infantil de todas as áreas: pedagógica, psicológica e científica. A escola não pode parar no conhecimento, tem que avançar, caminhar par a par com as descobertas que vêm surgindo e, com elas, reformular-se.

Até ontem, acreditava-se que os alunos lentos na aprendizagem, com certa dificuldade de adquirir o conhecimento, eram somente produtos de uma situação de pobreza, de problemas familiares, de falta de prontidão. Hoje, com as descobertas da ciência, certifica-se que a causa pode ser genética e como tal pode e deve ser tratada. Esta foi a declaração dada à TV britânica, em março de 2003, por James Watson, um dos dois cientistas que descobriram a estrutura do DNA, há 50 anos, conquista que lhe valeu o Prêmio Nobel de Medicina em 1962. Nessa declaração, o cientista afirma que “a burrice é uma doença genética que deveria ser tratada”. “As pessoas burras, continua ele, ou com coeficiente intelectual baixo, que não têm um transtorno mental diagnosticado, sofrem de uma desordem transmitida de forma hereditária pelos genes, como ocorre com doenças como a fibrose cística ou a hemofilia”. “Se alguém é realmente burro, chamaria isso doença”, reforça esse renomado professor, grande  impulsionador  do Projeto Genoma Humano, a iniciativa internacional para decifrar o chamado mapa da vida.

James Watson conclama ao uso da engenharia genética para melhorar a raça humana. Pede aos cientistas que desenvolvam tratamentos genéticos, que façam exames pré-natais para prevenir o nascimento de crianças burras. “É injusto que as pessoas não tenham as mesmas oportunidades (de ser inteligentes). Uma vez que se dispõe de métodos para melhorar nossas crianças, ninguém pode evitar sua aplicação. Seria “burro” não usá-los”, defendeu Watson.

Um outro aspecto, agora vindo da psicologia infantil, a ser observado pelos educadores e de fundamental importância para o desenvolvimento da personalidade, é a solidão na infância. A dificuldade de socialização, quando a criança não faz amizades e se acostuma ao isolamento, significa que algo está errado; é o momento de se buscar ajuda.

A dificuldade de se relacionar com outras crianças é mais evidente na escola, onde se aprende a arte da convivência. Esse comportamento, revela-nos a psicologia, pode ser sintoma de que ela está passando por algum problema, como, por exemplo, a separação dos pais, a falta de atenção, de carinho, a baixa auto-estima.

No ambiente microssocial que é a escola, é muito importante o professor não se limitar à sala de aula. Observar o aluno no recreio, nas horas de lazer, se ele se afasta, se não se achega aos coleguinhas e comunicar-se com os pais. Manter com os pais cumplicidade, facilitando o diagnóstico do problema e a busca de solução. As crianças que se isolam na hora do recreio, que têm dificuldades de fazer amiguinhos, mostram sério sintoma.

O professor deve incentivar o relacionamento dessa criança com seus coleguinhas e os pais devem brincar mais com esse filho, convidar outras crianças para brincar  com ele  em casa.  Os pais devem buscar espaços onde haja mais crianças e estimular atividades coletivas. Não resolve, por exemplo, levar a criança ao shopping, onde há muita criança, mas sem interação entre elas. Os psicólogos chamam a atenção para a terapia infantil, chamada ludoterapia, considerada importante no caso de crianças com dificuldade de relacionamento.

Os psicólogos dão uma relação de motivos do isolamento infantil:

  • Muito convívio com adultos ou dedicação a atividades solitárias, como videogame, TV, computador. O que fazer? Os pais devem incentivar o convívio com outras crianças e as escolas programar atividades em conjunto.
  • Quando a criança tem gostos e características diferentes da maioria, quando tem maior sensibilidade, ou preferência pela leitura, deve-se ajudar essa criança a encontrar amigos que compartilhem dos mesmos prazeres.
  • Uma séria causa de isolamento e de outros comportamentos anti-sociais é quando a criança está enfrentando problemas familiares, discórdia entre seus membros. Ocasião em que toda a família deve procurar terapia, parar para reflexão, porque o que se constata é que a violência sai das ruas e invade os lares das mais variadas formas.

A sociedade passa por transformações num ritmo intenso, mudando valores morais, sociais, religiosos e a família se ressente da mudança, gerando conflitos. Um mundo novo se descortina e as pessoas não estão sabendo bem como agir. Antes, contava-se com fórmulas mais exatas, com respostas que se programavam, com modelos que se seguiam. Agora, passa-se por alternâncias de desconstrução/reconstrução, sem um guia seguro. Tem-se que enfrentar novos desafios, fazer escolhas num terreno em que não se está preparado. Os parâmetros fixos que orientavam as pessoas não existem mais.

O aprender a conviver com o novo repercute na  família,  de  modo a provocar instabilidade, insegurança. A criança absorve o ambiente conturbado e passa a ter problemas emocionais, viés de comportamento. Os problemas familiares são abrangentes e as causas da desestabilização da criança estão embutidas nas atitudes dos adultos.

O professor alcança a aprendizagem de todos os seus alunos quando se torna um profissional interessado, participativo de suas vidas, não se contentando com a posição de mero espectador. Ele não pode, inclusive, prescindir da educação continuada. Novas descobertas, novas pesquisas, novas avaliações surgem e é preciso acompanhá-las, para introduzi-las em seus métodos de trabalho, colocando-os dentro da modernidade, ajudando o aluno.

* Supervisora de ensino aposentada.

(Publicado em setembro/2003)

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Izabel Sadalla Grispino *

A Educação de Jovens e Adultos (Eja), antigo supletivo, quer garantir que os recém-alfabetizados não voltem a ser analfabetos. São pessoas que, geralmente, fracassaram no sistema escolar, já com histórias de vida, com conhecimentos próprios e que têm pressa para aprender.

O professor não pode partir do pressuposto de que o aluno da Eja não sabe nada. Precisa ensinar a partir dos conhecimentos por ele já adquiridos. Trabalha-se a auto-estima, conquista-se o aluno, valorizando o seu saber. A Eja favorece adultos e jovens, visto estar comprovado que alunos de pais analfabetos ou de pouca escolaridade avançam pouco nos estudos.

Faltam políticas públicas voltadas a essa área. Ela deve ser tratada com a mesma atenção, o mesmo interesse dados a toda educação básica, para não se condenar a geração atual ou passada a não se escolarizar. Segundo constatações, pouco se investe nessa modalidade de ensino.

A Eja de qualidade pede professores capacitados especificamente para ensinar adultos. O professor bem preparado é chave para combater o maior problema da Eja: a evasão. O professor precisa ter sempre presente as características dos alunos desse nível de ensino. Se o professor não tem a técnica, a cumplicidade, o aluno deserta.

A Eja compreende os ensinos fundamental (1.ª a 8.ª séries) e médio, mas cursados em menos tempo. Estudos mostram que não adianta um programa pra baixar os índices de analfabetismo – hoje em 13% -- se os alunos não continuarem seus estudos.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, pede que todos os professores do País estejam formados em nível superior até 2007. Mas, o Brasil professores que sequer terminaram o ensino fundamental: são 282 entre os que trabalham em Eja. Outros 1947 não chegaram a completar o ensino médio. Faltam professores preparados para ativar no setor. O Brasil só tem 14 instituições de ensino superior com cursos que ensinam a atuar em Eja. (A Eja é também oferecida por escolas privadas ou pelo terceiro setor).

A Eja completa e piora o quadro ruim da educação no Brasil. Das avaliações em que a Eja participou revela, em todas, o pior desempenho. No Enem teve uma participação deprimente, teve notas tão ruins quanto os piores estudantes do ensino médio regular.

Segundo a divulgação do MEC em fevereiro de 2006, nota-se que as piores escolas públicas de capitais, como Florianópolis e Vitória, têm notas melhores que a média de Eja. Nota-se que não há grande diferença entre o aluno de Eja pública e de Eja particular, como ocorre no ensino médio comum.

O que se percebe é que a Eja privada muitas vezes acaba sendo um processo facilitado não desejado do ensino, com cursos de poucos meses ou de apenas um ano. No ensino público, há mais controle e exigência mínima de dois anos para cursar da 5.ª à 8.ª série e mais um ano e meio para as três séries do ensino médio.

Os alunos da Eja, além de refletir o perfil do aluno mais pobre, mais excluído, convivem com os problemas do curso noturno, onde há mais falta de professores e menos tempo de aula – a Eja só funciona no período noturno.

O que se recomenda para adultos é uma educação centralizada em competência da vida, incentivo à pesquisa, à leitura e ao uso do raciocínio. Exigir menos conteúdo e desenvolver mais as habilidades e competências dos alunos.

A Eja antes era marginalizada, hoje, preparam-se professores para um trabalho específico para seu público, levando em conta suas experiências.

A melhor escola de Eja do País é de Natal. Na lista das 10 mais conceituadas, há 5 no Rio, uma de Minas, 1 de Santa Catarina, 1 da Bahia e 1 de São Paulo. A escola paulista, a única pública entre as melhores, fica em Campinas, mas sua classe de Eja deixou de funcionar este ano – 2006 – por falta de demanda.

Um grande trabalho de assistência, atualização de divulgação, precisa ser feito no Brasil, sobre a Educação de Jovens e Adultos.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em janeiro/2007)

DESCOMPASSO ENTRE A PROPOSTA DE CICLOS E O ENTENDIMENTO PREDOMINANTE

Izabel Sadalla Grispino *

Parece haver unanimidade sobre as vantagens do sistema de ciclos para a aprendizagem, visto como metodologia, que atrela ao ensino o desenvolvimento infantil. A sua proposta está embasada em Jean Piaget, na qual o desenvolvimento infantil ocorre por fases. Adapta-se o processo de construção do conhecimento a essas fases da criança. Os ciclos, coincidindo às fases do desenvolvimento, aumentam as possibilidades de aprendizado, pois o ritmo das crianças é respeitado. Traz a possibilidade de o aluno aprender de acordo com seu ritmo, no espaço de 2, 3 ou 4 anos. Também, nesse processo, levam-se em conta os conhecimentos que as crianças trazem de casa, da convivência social.

O aluno recebe um atendimento diferenciado; acompanham-se as deficiências individuais. É um processo que visa garantir a permanência e o aprendizado dos alunos com a propositura de poder haver reprovação ao fim de cada ciclo. Ele vem acompanhado de uma estrutura – recuperação paralela, aulas de reforço, recuperação no período de férias – que deve permitir a recuperação das defasagens. A coerção, a reprovação são substituídas por outros mecanismos, que se transformam em novos estímulos.

É uma proposta inovadora, mas que requer condições especiais para a sua aplicabilidade, principalmente mudança de mentalidade. Traz como uma de suas bases de sustentação o atendimento individual ao aluno.

Na prática, o que se constata é que os ciclos não foram assimilados pela grande maioria dos professores. O que poderia significar um salto para o futuro está criando confusão, desorganizando a escola. Também, não está havendo boas condições de trabalho, especialmente quando se fala em superlotação das classes. Como fica o atendimento individual, requerido pelo ciclo, nesse caso? Há um outro agravante, que deve ser revisto. A nova legislação garante a aprovação do aluno, caso freqüente 75% das aulas durante o ano. O cálculo é feito a partir da presença nas aulas de todas as disciplinas e não em cada uma individualmente. Desse modo, o aluno pode perder todas as aulas de uma disciplina e, mesmo assim, avançar para a série seguinte.

A mudança do sistema seriado para o de ciclos foi rápida, arrojada. Foi uma transição brusca, os professores não foram preparados para ela. A mudança não foi discutida pelos professores, que, em conseqüência, não incorporaram suas necessidades. Não foi feito um levantamento mais criterioso das condições de ensino, constatando-se falta de instalações, como bibliotecas, laboratório, salas disponíveis para aulas de reforço, quando, muitas vezes, o aluno é obrigado a fazer o reforço em outro prédio, outra localidade e nem sempre com o mesmo professor, o que descaracteriza a continuidade do processo.

Por um conjunto de fatores, o ciclo está sendo mal aplicado, mal entendido. O próprio professor admite seu despreparo para trabalhar conforme os novos parâmetros, surgindo, assim, um descompasso entre a proposta de ciclos, em sua progressão continuada, e a mentalidade predominante na rede escolar.

De acordo com o Ministério da Educação e Cultura (MEC), a avaliação, realizada em sua 1.ª fase no ano de 1997, revelou vantagens em relação às demais séries do ensino fundamental, nos agrupamentos das 1.ªs e 2.ªs séries do ciclo básico. Acontece que em 1984, na fusão da 1.ª e 2.ª séries houve todo um aparato preparatório para os professores da rede estadual de ensino. Os professores foram treinados para entender e aplicar o processo ensino-aprendizagem do ciclo, o que não ocorreu em 1997, quando da ampliação desses ciclos. Aliás, o passo foi bem mais ousado. Poder-se-ia caminhar nessa direção, mas, mais calmamente, ampliando o 1.º ciclo, de 1.ª e 2.ª séries, para um segundo, que seria de 3.ª e 4.ª séries. Formar-se-iam dois ciclos de 1.ª à 4.ª série, com um prazo para apurar, em avaliações, o resultado obtido.

Não teria sido conveniente primeiro reciclar o professor, melhorar sua atuação, mudar-lhe a cabeça, para depois lançar, na prática, as propostas renovadoras? Não estaríamos, hoje, conseguindo melhores resultados, caminhando com mais segurança para o futuro?

Sabemos que a reprovação nem sempre significa garantia de melhor aprendizagem, especialmente se o aluno a encarar como um castigo. O aluno, com mais idade, sente-se deslocado no seu grupo, podendo regredir ainda mais. Nesse sentido,  a  progressão  continuada  é  melhor do que submeter o aluno a sucessivos fracassos.

Não queremos voltar à “cultura da repetência”, época em que era considerado o melhor professor aquele que mais reprovava, mas também não podemos criar a “cultura da aprovação”, quando a aprovação em massa poderá ser, em contrapartida, um desestímulo ao bom aluno, que não percebe critério, justiça, além de proporcionar, ao mau aluno, um desrespeito a si mesmo e à aprendizagem não ocorrida. Independentemente do sistema adotado, é preciso educar para a auto-estima. Compreender as raízes sociais do fracasso, como a desestruturação da família, a miséria... e ajustar-se a elas, lutando pelo êxito da criança, afastando-a do fracasso.

O governo argumentou, em 1998, que a política de acabar com a repetência, introduzida na rede pública, reduziu as perdas do sistema de R$ 700 milhões para R$ 350 milhões. Eu me pergunto: se esses milhões fossem empregados na formação do professor, na infra-estrutura da escola, não se conseguiria, a médio prazo, um resultado mais contundente, mais duradouro, em termos de repetência e de qualidade de ensino?

Ilustrando esta minha observação, citarei a conduta tomada pela Secretaria Estadual da Educação de São Paulo, quando da implementação, no início da década de 70, dos Guias Curriculares referentes às matérias do núcleo comum, elaborados de acordo com as normas traçadas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) n.º 5.692, promulgada no ano de 1971. A primeira preocupação da Secretaria foi a de capacitar os professores, fazê-los conhecer o conteúdo, a metodologia, a filosofia, da nova proposta; levá-los a discuti-la, a situar a teoria, em estudo, na sua prática diária, para somente depois, com os professores já treinados, lançar os “guias” na rede oficial, em caráter facultativo. Mesmo sendo facultativo, a acolhida foi geral. Avaliações posteriores revelaram um resultado positivo surpreendente.

A proposta do ciclo básico é boa, pedagogicamente correta, mas, para que a progressão continuada venha a representar um avanço, é preciso investir maciçamente na formação do professor e em suas condições de trabalho. Do jeito que está sendo aplicada, mais parece uma tentativa de mascarar o problema da repetência no país.

Deve haver articulação entre as diversas instâncias dos poderes federal, estadual e municipal. O professor precisa ser ajudado, mas, na seqüência, também se ajudar, somar esforços para que o aluno aprenda. É ele, o professor, o responsável para que o bom ensino aconteça. É, pois, necessário dar condições a que ele garanta a aprendizagem, para não correr o risco de se despejar no mercado de trabalho, nas portas das universidades, levas de despreparados, de analfabetos funcionais.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2000)

APOSENTADO, SER À MARGEM DA SOCIEDADE

Izabel Sadalla Grispino *

A grande proposta do momento, tanto da esfera federal quanto da estadual, é a escola trabalhar com metas, acompanhando e controlando os resultados. Metas e resultados não são procedimentos usuais nas escolas públicas e o propósito é alcançar a qualidade de ensino.

Apoiando-se no esforço gerencial, pretende-se estimular o desempenho dos professores. As melhorias obtidas, no processo de metas do governo do Estado de São Paulo, reverter-se-ão em bônus aos professores. São bonificações por desempenho, continuando, desde a era Mário Covas, a política de bonificação e não de reajuste salarial.

O bônus, além de não se incorporar ao salário, não é extensivo ao aposentado. Não vivemos mais a Pátria de todos, da igualdade, da fraternidade. Vivemos a Pátria dos privilegiados. A Pátria que renega, que deixa no ostracismo os filhos do passado, os filhos que por ela lutaram, que a dignificaram, a sustentaram e possibilitaram a construção do dia de hoje.

Insensatos, governantes, imbuídos de poder, deixam, anos a fio, o aposentado ao relento, com seu salário, a cada ano mais defasado, perante o aumento do custo de vida. Tudo é conduzido sem alma, na mais pura objetividade. Não se alimenta, o ambiente escolar, do sentimento de patriotismo, de valorização dos combatentes do passado. Hoje, esse combatente, se perdeu as forças, joga-se fora, como um retirante sem glórias.

Esse é o exemplo que se passa aos jovens, à sociedade. Passa-se uma visão negativa do idoso, considerado um encosto, necessitando de amparo familiar e institucional. Abandonado pela cúpula governamental, o aposentado é tratado em m´9iseros sentimentos cívicos, deixado no ostracismo, apoiando-se na bengala da misericórdia.

A bonificação é injusta, parcial e provoca rivalidade, porque os professores da ativa, sufocados pelas  premências, volta às costas ao aposentado e procura agarrar o seu. Com esse procedimento, eles não atinam que estão cavando a própria cova, porque eles serão no futuro os debilitados aposentados de hoje. Educa-se bem mais pelo exemplo que pela palavra, já nos ensinava Rui Barbosa e eu me pergunto: como a escola vai educar as crianças, os jovens, para o respeito, para a valorização da força produtiva do passado e que ergueu o arcabouço do mundo atual? A imagem que se passa é de que só tem valor quem faz hoje, quem fez, joga-se fora.

Como conseguir que os jovens busquem na cultura dos anciãos sabedoria e aprendizagem? Eles são vistos como ultrapassados, marginalizados e, como tal, só podem postular o recolhimento e o abandono. O aposentado, pessoa de alma e de mente calosas, é pedra que atrapalha e que precisa ser retirada do cominho. Por isso, deixam-no à mingua, à própria sorte.

Belos discursos políticos, triste e dolorosa prática política! O aposentado é o réu de toda essa negra engrenagem, perniciosa política demagógica.

* Supervisora de ensino aposentada.      
(Publicado em setembro/2007)

A ESCOLA E SEU NOVO SEMBLANTE

Izabel Sadalla Grispino *

Em dezembro de 1998, fui paraninfa do grupo de formandos de um curso normal. Proferi, na ocasião, uma “Oração ao Magistério”, poema de minha autoria, onde, ao lado da conceituação que formulo de magistério, do sentimentalismo, do lirismo que essa função me evoca, coloco os principais passos da metodologia da escola de hoje, aspectos que me levaram a publicá-la. Essa oração servirá, sem dúvida, de reflexão aos professores e de ajuda ao seu trabalho diário, em sala de aula.

O curso normal, nos moldes atuais, caminha para a extinção; passa por reformulações. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) prevê a criação de Institutos Superiores de Educação, um modelo alternativo de formação de professores da educação básica. Essa criação não significa o fim de outros mecanismos de formação. A Pedagogia, que tem uma habilitação em magistério, continua existindo. O que se quer é uma nova opção.

De acordo com a LDB, os Institutos manterão cursos formadores de profissionais para a educação básica, inclusive o Curso Normal Superior, destinado a formar professores para atuar na educação infantil e nas  primeiras séries do ensino fundamental (1.ª à 4.ª série) e dar uma formação inicial para os profissionais que quiserem ingressar nos cursos de nível superior para docentes. Destina-se, também, para habilitar professores para atuar em educação indígena e educação especial.

O curso pode ser concluído em três anos, desde que seja ministrado em período integral, com disciplinas organizadas em núcleos relacionados entre si. As atividades práticas (os atuais estágios) deverão ser realizadas durante o curso, ao invés de se concentrarem no final da formação, como ocorre atualmente.

É uma nova esperança que surge na melhoria da formação docente.

ORAÇÃO AO FORMANDO DO MAGISTÉRIO


Há, entre nós, no plano sideral,                                  Ensinar construir e usar conceitos

Encontro de ideal educacional,                                  Permitem transferências de efeitos,
Uma vocação de beleza eterna                                 Sempre ligar informações formais
Uniu-nos em uma missão fraterna.                          Aos problemas diuturnos sociais.

Magistério é profissão de fé,                                      Relevância social abordada
Menino-Deus em mãos de São José,                       Faz matéria escolar consagrada,
Na fase do plantio da aprendizagem,                       Integra realidade local
Adote seu aluno com coragem.                                À cultura, em evolução, mundial.

Educação, mais que conhecimento,                        Na avaliação, conceda anuências
É exercício de alma, de sentimento,                       Às habilidades e às competências,
Este nobre ideal vem do coração,                           A ênfase não está na memória,
E a todos, igualmente, verte a mão.                        Mas, no valor da mente operatória.

Uma escola formadora renasce,                            Use da metodologia ativa,
Em seus temas transversais refloresce,             Fazendo uma aprendizagem cativa,
Propõe pluralidade cultural,                                     Conteúdo significativo
Sem mito de democracia racial.                             Promove ensinamento construtivo.

A vida do aluno é inspiração,                                   Acautele-se, humanize-se,
Seu cotidiano, assunto em ação,                            Das relações humanas aproprie-se,
Suas crenças, seus valores respeitados,            É mais difícil o relacionar
Tornam seus anseios valorizados.                        Que o conhecimento administrar.

O conteúdo contextualizado                                    Seja humilde no ato de educar,
À realidade fica vinculado;                                       Compreensível na hora de ensinar,
Enseja a interdisciplinaridade,                                Veja o rico e o pobre como um igual,
Sem a perda da singularidade.                               Ao necessitado dê seu aval.

Novo entendimento metodológico                         Que seu ensino passe pelo amor,
Revolveu todo trato pedagógico,                            Que encoraje o aluno com fervor,
Nossa escola, de função transmissora,              Que o leve a aprender a aprender,
Tornou-se instituição construtora.                        E com sutil harmonia conviver.

Flexibilizar, não padronizar;                                     Na nobre profissão se policie,
No atual ensino, individualizar,                                A fronte do aluno acaricie,
Entre permanecer reprodutora                              Deixe vaidades que possam chocar,
Fixou-se em escola emancipadora.                      Com a sublime missão de ensinar.

O mestre é bela estrela luminosa,
Que, por terra e por mar, traça bondosa
A luz do saber, levando confiança
Em um futuro de paz, de esperança!

 

* Supervisora de ensino aposentada        
(Publicado em agosto/2000)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

“PRÁTICA PEDAGÓGICA”: UMA PEDAGOGIA COM POEMA

Izabel Sadalla Grispino *

O livro “Prática Pedagógica” tem merecido o olhar da crítica especializada com saldo bastante positivo. Dentre as manifestações por escrito, cito trechos de um artigo, um tanto extenso para ser transcrito na íntegra, do emérito educador ribeirão-pretano Divo Marino, que também já morou em São Carlos e foi no passado professor titular de arte da Escola Estadual “Álvaro Guião”.

Sob o título sugestivo de “Uma pedagogia com poesia”, Divo faz considerações sobre o livro, registra passagens, com comentários auspiciosos, animadores. Inicia o artigo dizendo: Professora que, semanalmente, publica artigo especializado de educação, no matutino “A Cidade”, histórico órgão de imprensa de Ribeirão Preto, Izabel Sadalla Grispino lançou seu novo livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola). Escrever sobre um livro, continua ele, que propõe estruturar pedagogicamente a escola, pede um resumo do processo histórico da educação brasileira, centralizada em políticas públicas do período republicano do Estado de São Paulo.

Inicialmente, a influência da cultura francesa e do Positivismo dos primeiros líderes republicanos...  A realidade do antigo curso ginasial até 1942 era retratada no diploma que coroava o seu término: “Bacharel em Ciências e Letras”. Durante o clima de renovação que emoldurou a Revolução de 1930, a educação modernizou-se, seguindo as diretrizes de histórico “Manifesto dos Educadores”... Criou-se, então, em 1934, a Universidade de São Paulo (USP), “Faculdade de Filosofia Ciências e Letras”, a primeira do País com a função geradora de mestres para o ensino secundário e normal.

Este lembrete histórico demonstra que Izabel Sadalla Grispino, cuja biografia atravessa os anos da decadência da educação pública, acertou em escrever um livro que busca dar estrutura à escola, com um receituário científico e bem de acordo com a sua visão idealista de Educação, tida como fenômeno social. A autora divide seu livro em capítulos, aqui ilustrados com citações endereçadas ao debate. No Prefácio, pág. 17: “Até décadas atrás, a nossa escola pública tinha como clientela a população das camadas altas e médias mais escolarizadas. Assim, boa parte do estímulo ao ensino vinha mais da própria família e dos círculos de convivência social que do ambiente escolar. A realidade modificou-se. A escola pública, de agora, é freqüentada pela classe pobre e muito pouco faz para retê-la, com aproveitamento, no recinto escolar”. No item “A Escola que educa para o pensar”, sobre o enciclopedismo do currículo, a autora diz, na pág. 27: “Queremos formar a escola do cotidiano, da resolução dos problemas enfrentados pelos alunos, uma escola que sirva para o dia-a-dia. Não é bem o diário, mas a ligação do conhecimento com sua aplicação diária. A mudança pretendida é afastar-se de conteúdos desvinculados da realidade... No capítulo: “Principais Passos da Reforma do Ensino”, no item “A Reforma do Ensino”, pág. 75: “Para que a reforma do ensino venha a ocorrer, para se alcançar a sonhada educação de qualidade é essencial investir na qualificação docente, assistir o professor nas mudanças que venham a ocorrer”. (Perfeito, acrescenta Divo). No capítulo “Educação Infantil”, no item de igual nome, sobre a descoberta da ciência de que o cérebro é muito mais elástico do que se imaginava e tem sua capacidade definida nos primeiros anos de vida, encontramos, na pág. 227, “Descobriu-se que o melhor período para desenvolver o potencial da criança é de zero a 3 anos; o melhor período de aprendizagem ocorre dos 2  aos 10 anos. Ao entrar na pré-escola, metade do processo de desenvolvimento do cérebro da criança já está concluído”.

Estas e tantas outras citações provocam profundas reflexões. O livro em si conduz a mudanças de mentalidade, mudança no atuar.

Divo termina seu artigo, com as seguintes considerações: Consciente em conhecer, já em 1950, a preciosidade que é a educação do pré-escolar, quando pesquisei milhares e milhares de desenhos espontâneos escrevi um livro editado nacionalmente sobre a arte infantil e criei as primeiras escolinhas de arte criadora infantil do Estado de São Paulo, na Escola Norma do I. E. Otoniel Mota. Depois de muitos anos, quando secretário municipal da Educação, em 1983-84, criei as primeiras “EMEIS” (Escolas Municipais de Educação Infantil), fato que demonstra quanto é lenta a evolução da Pedagogia  e  da  Prática  de  Ensino em “nuestra América”.

O livro “Prática Pedagógica” provoca indagações e debates sobre temas educacionais e é muito útil como guia teórico-prático para o professorado. Está adornado pelas poesias da autora sobre diferentes temas educacionais, valorizando, pela Arte, a mensagem contida na obra.

Medidas pontuais, experimentais, demagógicas, de exposição em vitrines ou em estatísticas da ONU, como biombos, escondem milhões de analfabetos sem escolaridade e milhões de analfabetos “funcionais” em um País que reserva as suas mais preciosas verbas para o pagamento da dívida. Quando teremos uma escola para todos?  Por isso mesmo, sempre é louvável um livro sobre educação que defende o real interesse do sofrido povo brasileiro, como é o caso de “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola), de Izabel Sadalla Grispino”.

Voltando à minha pessoa, tenho recebido cumprimentos de louvor pelo livro de vários educadores de São Carlos e de Araraquara. Um me foi particularmente expressivo, o de Lederci Gigante de Oliveira, uma ex-colega de supervisão de ensino, mestra em Pedagogia, professora universitária. Lederci é referência. Ao me parabenizar pelo livro, disse-me: “Izabel, gostei muito do livro, vou aproveitá-lo para minhas aulas na faculdade”.

Agradeço aos manifestantes. Recebo as congratulações como força e estímulo para o prosseguimento.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2004)

CRIANÇAS COM SOBRECARGA DE ATIVIDADES

Izabel Sadalla Grispino *

Recentemente, deparei-me, num jornal de língua espanhola, com um tema que julguei assaz interessante, oportuno, real e que, sob a minha ótica, comento com os meus prezados leitores.

Os jovens vivem num mundo que muda num ritmo acelerado, caracterizado por pressões sociais que os fazem crescer muito depressa. São pressionados a adaptar-se a padrões familiares instáveis, a assumir compromissos, a ingressar mais cedo nas universidades, a participar e a competir nos esportes, em destrezas especializadas. Enfrentam informações e programas  para adultos antes que tenham vencido os problemas próprios da idade.

Estas pressões impõem-lhes maiores responsabilidades, causam-lhes estresse, ao mesmo tempo que redefinem a essência mesma da infância, esclarece o psicólogo Joan Isemberg.

A criança e o adolescente, de hoje, participam de atividades extracurriculares cada vez mais numerosas e exigentes. São atividades tidas como armas para o futuro, as quais, se não dosadas, podem tornar-se estressantes. Elas dividem o seu tempo entre a escola, os esportes e um sem-fim de tarefas.

A escola de meio período pode não cobrir todas as necessidades de aprendizagem da criança, mas complementá-las com uma carga pesada de atividades pode resultar em fator negativo. Muitos pais consideram que as tentações, como a TV, o computador, devem ser enfrentadas com uma agenda completa. Consideram que é preferível ocupá-la a deixá-la permanecer frente à TV, sem controle.

Depois da escola, as crianças estudam idiomas, computação, música, praticam esportes, dança, balé, não se descuidando das artes, das coisas do espírito – uma expressão artística sempre é enriquecedora.

É uma tendência deste tempo histórico social, com suas aspirações culturais, suas necessidades de conhecimento, de preparação para a vida futura. Porém, é preciso ponderar, estabelecer um equilíbrio, entre o que a criança quer e necessita e o que pode fazer sem se esgotar. Corre-se o risco de se desvalorizar o tempo livre, favorável ao amadurecimento emocional, afetivo e ao desenvolvimento da criatividade. O ócio também é bom e é preciso respeitar as etapas do desenvolvimento infantil, alertam os especialistas.

Quando o jovem está muito preso a horários, passa a viver sob tensão, diante da qual não consegue responder de maneira positiva. Começa a faltar às aulas, a se desmotivar e a produzir baixo rendimento. O excesso de exigência, com vista a uma competência refinada, cada vez mais se instala em todos os aspectos da vida.

As atividades são pensadas, pelos pais, como uma preparação necessária para um futuro mercado de trabalho exigente e competitivo. Elas sempre existiram, mas, agora, são outros os níveis de exigências, outras expectativas. Antes eram complementares ou passatempos, hoje, surge o fator competitividade, encarado não só no plano individual, mas comparado a um outro. Quando isso ocorre, pode se tornar perigoso porque coloca a criança, muito cedo, em frente de batalha.

Por outro lado, as atividades extracurriculares são importantes instâncias de socialização, principalmente para crianças e jovens muito tímidos. Surgem, contudo, dilemas entre os pais de qual o melhor procedimento: crianças agendadas ou crianças livres? Para psicólogos da área infantil, como Aurora Isasmendi, o importante é atender as demandas pessoais, não se podendo, assim, falar em regra geral. Aos pais competem observar o andamento, o rendimento, se a criança não demonstra cansaço e se não começa a fracassar nos estudos.

Nestes tempos, em que o comum são os pais trabalharem o dia todo, as atividades extracurriculares podem ser a solução para que os filhos não dispersem seu tempo, adquiram competência, não se deixando consumir pela TV. Elas são, de um modo geral, consideradas boas e necessárias, mas devem ser acompanhadas com cuidado, para não produzirem efeito negativo, reações de estresse, traduzidas por enxaquecas, dores de estômago, problemas de conduta e insônia.

É preciso apegar-se aos centros de interesses e ao desenvolvimento evolutivo de cada criança e oferecer atividades adequadas à sua idade. Pergunta-se: até que ponto estamos respeitando os ritmos evolutivos e as motivações de nossa criança e até que ponto estamos desraizando-a demasiado cedo da família? Não estamos limitando sua felicidade lúdica? Qual a educação apropriada para o desenvolvimento do nosso filho? Tentar ajustá-la às suas necessidades físicas, sociais, emocionais e cognitivas, como, também, às características sociais e ao trabalho da família.

“Desejaria que cada pai pensasse com a cabeça e agisse com o coração, que conseguisse captar o que agrada ao filho e o que o contraria”. (Isasmendi).

* Supervisora de ensino aposentada.          
(Publicado em março/2001)

UNIVERSALIZAÇÃO DO ENSINO MÉDIO

Izabel Sadalla Grispino *

O secretário da Educação Média e Tecnologia do Ministério da Educação anunciou a intenção do MEC de tornar a matrícula obrigatória, a partir de 2004, para o 1.º ano do ensino médio. Em 2005, tornaria obrigatória a matrícula no 2.º ano e, em 2006, no 3.º ano desse nível de ensino.

Desse modo, gradativamente, o ensino médio seria universalizado como foi o ensino fundamental. Todos os alunos que terminarem a 8.ª série do ensino fundamental terão vagas garantidas no ensino médio. Os alunos receberiam, no 1.º ano, livro didático e merenda escolar, englobaria, inclusive, bolsa-escola.

Após consolidada esta etapa, é intenção do governo expandir para 4 anos o tempo de duração do ensino médio, mudança que ocorreria apenas em 2007. A legislação não pede matrícula obrigatória no ensino médio como faz no ensino fundamental. O MEC estima que 65 milhões de jovens e adultos não tiveram acesso ao ensino médio, embora a sua expansão de matrículas seja alta e crescente. Segundo o Censo Escolar 2002, nos últimos 6 anos, o número de matrículas aumentou 53%. Só no ano 2002 foram feitas mais de 400 mil novas matrículas. O Censo Escolar revelou uma grande diversidade em termos de faixas etárias: apenas 3,8 milhões dos matriculados – entre  os 8,4 milhões de alunos no final de 2001 – estão na relação idade/série, entre 15 e 17 anos; mais de 2 milhões de alunos têm mais de 20 anos e 1,2 milhão tem mais de 25 anos, sem contar uma considerável parcela de alunos que tem mais de 29 anos de idade. Contudo, o último censo do IBGE mostrou que menos de um terço dos jovens brasileiros entre 15 e 24 anos está ou esteve matriculado no ensino médio.

O MEC ao tornar a matrícula obrigatória nesse nível de ensino teria que atender grande demanda, com investimentos consideráveis e considerável contratação de professores. Há, ainda, a particularidade da trajetória escolar, enquanto que, no ensino fundamental, 59% dos alunos concluem o ciclo, no ensino médio temos 74% dos que completam o ciclo. Esses dados nos mostram o cuidado que se deve ter na implantação da universalização do ensino médio. Seriam necessários recursos vultosos para o cumprimento do projeto. Além da falta de estrutura, ainda recentemente o MEC anunciou um déficit de 250 mil professores nesse ensino e nas últimas séries do ensino fundamental  e essa falta de professores licenciados acarretaria, sem dúvida, prejuízo à qualidade do ensino.

Uma boa iniciativa foi o anúncio, por parte do então secretário da Educação Média e Tecnologia, Antonio Ibañez, hoje, substituído por Luiz Araújo, da criação de 60 a 80 mil bolsas de estudo para alunos do curso noturno, que têm dificuldades em permanecer na escola e correm o risco de se evadir. Os critérios de seleção das bolsas recaem sobre renda e desempenho na escola e o valor gira em torno de R$ 250,00.

Pela matrícula obrigatória, os Estados ficariam obrigados a criar estrutura condizente e arrebanhar professores licenciados para poder oferecer vaga a todos que terminarem o ensino fundamental e, de antemão, afirmam não ter como arcar com as despesas. São Paulo, o Estado mais rico da União, segundo Sônia Maria Silva, da  Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas da Secretaria da Educação, as verbas para o ensino médio destinam-se apenas para projetos de capacitação de professores, para melhora de laboratórios e bibliotecas. “Para tornar a matrícula obrigatória no ensino médio é preciso um repasse bem maior de recursos”.

Sem dúvida, é um projeto louvável, respaldado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, que fala ser a educação básica direito de todos. Deve, entretanto, ser lançado em bases reais, em estrutura e condições plausíveis se não quiser continuar  resvalando na decadência desse ensino. Continuaríamos com a expansão quantitativa em detrimento da expansão qualitativa. É a qualidade do ensino o nosso grande desafio de hoje.

Paralelamente à obrigatoriedade da freqüência ao ensino médio, visando atender pessoas de mais idade, com 30, 40 anos ou mais, com dificuldade de freqüentar um curso regulamentar, Antonio Ibañez propôs um ensino médio aliado ao profissionalizante e defendeu a criação de um Fundo Nacional de Educação Profissional. O Ministério da Educação vai propor aumento de recursos do Fundo de Amparo para o Trabalhador (FAT) a fim de investir no ensino profissionalizante.

Criar uma nova escola é o que o País está precisando. A realidade educacional brasileira mostra-se decepcionante. Uma pesquisa sobre alfabetização que a Unesco e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgaram, em julho do corrente ano, onde, numa escala sobre níveis de compreensão de leitura, englobando 41 países, o Brasil está, praticamente, no fim da fila em alfabetização, em 37.º, pouco à frente apenas da Macedônia, Albânia, Indonésia e Peru, países de economia bem mais fraca que a nossa.

Cerca de 50% dos alunos brasileiros, macedônios e albaneses, na faixa etária de 15 anos, estão abaixo ou no nível 1 de alfabetização, uma marca estabelecida pela Unesco que classifica os estudantes que conseguem apenas lidar com tarefas muito básicas de leitura. O Brasil em relação aos países da América do Sul, mais pobres, está em pior situação. Segundo consta, o Brasil tem uma economia 175 vezes maior que a da Macedônia e 160 maior que da Albânia, mas, em educação, vergonhosamente, assemelha-se a elas. Comprovação incontestável de que no Brasil a educação, nas últimas décadas, não se constituiu em prioridade nacional, de que não se investiu, como se devia, na educação do povo.

Educação é polo gerador de riqueza e de renda no País. Conhecimento interfere no setor econômico, no aumento da renda, no aumento de empregos, melhorando a qualidade de vida da população e refletindo no respeito internacional. “Investir, hoje, eficazmente, na educação custaria muito menos do que o que será preciso gastar daqui a 20 ou 30 anos para corrigir os desastres decorrentes da falta de educação”, considerou Cristovam Buarque.

O ministro apela por uma coalizão suprapartidária, no sentido de colocar a educação como prioridade nacional e afirma que, caso isso ocorra, “o Brasil poderá se tornar um líder mundial em educação”.

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em agosto/2003)

MAIS UM ANO PARA O ENSINO MÉDIO

Izabel Sadalla Grispino *

Sem educação não há avanço social, não há igualdade de oportunidades; sem educação as diferenças de classe se acentuam. Para que a educação pública seja portadora de um certo equilíbrio social é preciso que os governos invistam corajosamente nela. Política educacional honesta não se faz com discurso e sim com verbas. A melhoria das condições de ensino, da formação profissional, do salário dos integrantes do magistério só se tornam perceptíveis quando se incrementa o financiamento da educação. Nessas condições, a escola consegue repensar seu papel social, seus métodos de trabalho e os conteúdos ensinados. Torna-se capaz de entender a necessidade de abandonar seu compromisso com os programas burocráticos e abraçar, de forma determinante, seu compromisso com o aprendizado dos alunos e, o importante, de todos os alunos.

Somente sob esse prisma, podemos, a médio e longo prazo, pensar em mais igualdade social, enfraquecendo o preconceito de classe, o preconceito, em relação às minorias, em relação à pobreza.

Um outro aspecto é o alijamento em que se deixa a criança pobre da educação infantil. A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), com propriedade, inovou ao fazer da educação infantil parte do sistema educacional, considerando a educação infantil como um período importante na vida da criança, combatendo a idéia do assistencialismo que a marcou por longo tempo, desde a sua origem. Quer para a educação infantil uma educação de verdade, uma educação no sentido exato da palavra, favorecendo o aprendizado numa das fases mais decisivas do desenvolvimento intelectual das crianças.

Hoje, a educação infantil está assistida pela pedagogia, pela psicologia que mostram que os primeiros anos de atendimento são pré-requisitos para conquistas futuras, para a afirmação do conhecimento. A criança, na educação infantil, aprende de acordo com sua idade, suas aptidões e necessidades, dentro do que a época torna socialmente valorizado. A educação pública, para se tornar boa, tem desafios sérios a enfrentar. As avaliações da educação do País têm nos mostrado, reiteradas vezes, o quanto ela é deficitária e, até certo ponto, ineficaz. Manter o aluno na escola, sem que ele aprenda, introduzi-lo numa universidade sem estar bem preparado para cursá-la, é, no fundo, anular a esse aluno as condições justas para bem se colocar na sociedade. Não são os anos que ele passa na escola que vão atestar a sua capacidade, mas a qualidade desenvolvida nesses anos, a qualidade de seu ensino, o quanto de aproveitamento ele obteve em seus estudos.

A escola pública tal como se encontra é portadora de exclusão social. Os alunos de baixa renda, vítimas da falência do ensino público, do descaso com a educação, do desprestígio do magistério, não têm muito que escolher, que optar na sociedade. Estão sempre à margem dos melhores empregos, das melhores colocações.

Lendo o jornal de fins de fevereiro, deparo-me com uma proposta do MEC de ampliação do ensino médio de 3 para 4 anos. A justificativa é dar ao aluno uma alternativa para prepará-lo melhor. Pela proposta, mais um ano de estudo melhoraria sua formação e dar-lhe-ia mais condições de chegar ao mercado de trabalho ou à universidade. “Esses 3 anos não preparam para nada”, disse Antônio Ibañez Ruiz, secretário de Educação Média e Tecnologia.

Pelo projeto, as matérias do 4.º ano seriam escolhidas em função da opção do aluno. Cursar ou não o 4.º ano, também uma opção do aluno. As escolas ficariam obrigadas a oferecer a complementação a todos os que quiserem cursá-la. “Para os que quiserem entrar logo na universidade, haveria um aprofundamento das disciplinas específicas. Para os alunos interessados em ingressar em cursos de Educação Profissionalizante, o 4.º ano teria uma grade curricular mais específica. Para quem vai para o mercado de trabalho, logo de cara, sem ter uma especialização, o 4.º ano o prepararia melhor para ser um comerciante ou uma secretária”.

Pela lógica do projeto, nas escolas públicas, a oferta do 4.º ano deve ser obrigatória; as escolas particulares podem ficar isentas porque “o bom nível de ensino oferecido por elas faz com que o aluno não sinta a necessidade de uma série a mais”, completa Ibañez.

Na teoria, até parece uma boa idéia, mas na prática, nas condições em que se encontra o ensino público, um ano a mais na escola resolveria o problema ou apenas o arrastaria para mais um ano? Se “3 anos, segundo pronunciamento de Ibañez, não preparam para nada”, um ano, apenas, prepararia?

O que, realmente, está em jogo não é a quantidade de anos estipulada para o ensino médio, mesmo porque 3 anos foram considerados suficientes pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), para desenvolver no aluno competências e habilidades que lhe permitam ingressar no mercado de trabalho ou na universidade.

Um olhar aprofundado da questão nos leva ao enfoque da luta pela melhoria do ensino público em nosso País. Levar para o 4.º ano do curso o mesmo padrão de ensino dos anos anteriores significa, simplesmente, repetir a façanha da falência do ensino-aprendizagem.

O foco do problema é a melhoria da qualidade do ensino, não só do médio, mas da educação básica como um todo. O dinheiro que se vai investir nesse ano a mais seria preferível investi-lo no aprimoramento das ações do magistério, buscando, de todas as maneiras, reverter esse triste quadro da ineficiência do ensino oficial.

Se na escola particular, 3 anos de ensino médio são suficientes para dar ao aluno uma boa formação, por que não se investir nessa direção, qualificando o ensino público, equiparando-o ao privado?

Sempre a mesma saída, pelo lado mais cômodo, como foi a criação das cotas! É evidente que o despreparo do aluno é resultante da qualidade e não da quantidade!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março/2003)

A EDUCAÇÃO BRASILEIRA NO CONTEXTO SOCIOECONÔMICO-CULTURAL

Izabel Sadalla Grispino *

O momento presente vem demonstrando, através dos mais diferentes meios de comunicação, dos vários setores da economia brasileira, significativas manifestações em prol da educação. Parece estar havendo a grande conscientização do peso da educação na nova realidade que vem remodelando o mundo.

Por décadas, o País descuidou-se da educação de seu povo. Os alertas de educadores, de intelectuais, passavam como que despercebidos pelos governantes. Os ilustrados discursos políticos  ficavam, grandemente, no papel, não se transmutavam em ações efetivas. A educação, relegada a um plano inferior, foi deteriorando-se, caindo na grave e significativa defasagem dos dias atuais. A escola, que deveria representar portas abertas à ascensão social, tornara-se obsoleta pelo desajuste entre sua fraca atuação e a alta competitividade do mercado de trabalho, que exige qualificação profissional. Na verdade, encontramos, em termos de ensino fundamental e médio, boas escolas privadas para os ricos e, infelizmente, más escolas públicas para os pobres, com exceções.

A professora Luciana Velo, ganhadora do concurso “O professor escreve sua história”, desabafou, dizendo: “O professor é discriminado e tratado com descaso pelo governo e pela sociedade e não tem chance de evoluir”.

Até ontem, a repercussão e as conseqüências dessa defasagem tinham seu reflexo voltado, quase que exclusivamente, para o interior do País. Hoje, com a globalização, com o País plugado ao mundo, lidando com novos referenciais, o baixo nível de escolaridade de sua população afeta a sua imagem externa e a sua credibilidade. A qualidade de mão-de-obra se tornou essencial para assegurar condições mínimas de competitividade à economia da nação. Os centros internacionais, com sua economia forte de mercado, regem, em massificação, destinos dos demais países, sendo mais prejudicados os que menos aparelhados estão.

Em tempos em que o conhecimento não tem fronteiras, não há como conviver com padrões de escolaridade baixos; são incompatíveis com essa realidade. No impacto da competitividade, o mercado já exige fluência em dois ou mais idiomas, conhecimentos aprimorados da informática e uma cultura geral ampla. O consultor francês Olivier Bertrand reforça esta análise, dizendo: “A competitividade das nações depende cada vez mais da qualidade de seus recursos humanos e não da quantidade de seus recursos naturais”.

No Brasil, as deficiências do sistema educacional perpassam os três níveis de ensino, atingindo o quarto grau, que é o da pós-graduação.

A educação passa, no presente, por amplas reformas. Mexem-se nos currículos do ensino fundamental e médio, em seus amplos aspectos informativos e formativos. O MEC formulou as “Diretrizes Curriculares Nacionais” (DCN), que fixam o currículo mínimo obrigatório e a carga horária a ser seguida por todas as escolas do território nacional. Elaborou os “Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) para a educação básica, que são de grande ajuda ao professor, em sala de aula. São uma referência do que seria uma boa escola. Os “Parâmetros Curriculares Nacionais” não têm caráter obrigatório e abordam sugestões de currículos com conteúdos renovados que levam o aluno a “aprender a aprender”, onde informação e formação caminham em movimento circular.

Questionam-se, também, o currículo do 3º grau – a desatualização da Universidade diante do mercado globalizado dos nossos dias – e a formação do professor. Na relevante questão da repetência e da evasão escolares, desloca-se do aluno o foco do problema e passa-se a corrigir as falhas do sistema. Através de uma avaliação processual contínua do sistema: “Avaliação da Educação Básica” (Saeb), procura-se situar o nível de aprendizagem dos alunos e ajustar o sistema nos aspectos necessários. Ao avaliar o 2º grau, deu-se início ao projeto de Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), exame nacional de final do ensino médio, criado em 1998, pelo MEC, com a finalidade de avaliar as habilidades e as competências adquiridas pelos estudantes no fim da educação básica e também com o propósito de oferecer às universidades um outro critério de seleção do aluno. Ele é, ao lado do vestibular, uma outra modalidade, de ingresso à universidade, uma vez que pela última Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei n.º 9.394/96), sancionada em 20/12/1996, o vestibular – a tradicional prova de ingresso ao ensino superior, que no Brasil remonta a 1911 – deixou de ser obrigatório. Hoje, as universidades têm liberdade de escolher seu próprio sistema de avaliação, de decidir qual a melhor opção para sua estrutura educacional.

Instituiu-se o Exame Nacional de Cursos (ENC), o provão, em que, através do desempenho dos alunos, se avalia a qualidade do ensino superior, o 3º grau. Esse exame servirá de base para a concessão do recadastramento dos cursos superiores, a cada cinco anos. O Exame Nacional de Cursos (ENC) conseguiu colocar na pauta da discussão o problema da qualidade dos cursos de graduação.

O aperfeiçoamento educacional e cultural nunca foi tão necessário. Não basta a criança ser educada, precisa ser bem educada. Estamos vivendo um processo de revolução tecnológica e industrial que introduz mudanças rápidas e importantes nos métodos e na organização da produção. A escola precisa criar no aluno a mentalidade tecnológica e científica, a fim de ajustá-lo aos novos tipos de competitividade.

A estagnação, a domesticação da escola, levam ao insucesso, ao desemprego. O professor Anísio Teixeira, em sua famosa palestra na Associação Brasileira de Educação (1952), já dizia: “O que importa na cultura de um povo é o atrito, a oposição, pois esses são os elementos que promovem o revigoramento e a vida de suas instituições e maneiras de ser”.

Buscar, através do atrito, a mudança. Mudar para se instrumentar, para não se ter dificuldades em competir no mercado globalizado do presente e do próximo século XXI.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2000)

PROGRESSÃO CONTINUADA E PROMOÇÃO AUTOMÁTICA

Izabel Sadalla Grispino *

O sistema de “regime de progressão continuada” consiste na ampliação do ciclo básico que, desde 1984, era formado só de 1.ª e 2.ª séries. Passou em 1998, no Estado de São Paulo, para dois grandes ciclos no ensino fundamental: o de 1.ª à 4.ª série e o de 5.ª à 8.ª série.

O termo progressão continuada, num sentido amplo, aplica-se a toda educação, pois o ensino-aprendizagem precisa estar inserido numa progressão continuada de estudo. Sob o prisma da legislação, refere-se à formação de ciclos, num processo de conscientização de que o aluno não pode estacionar, tem que progredir continuadamente dentro de sua fase de desenvolvimento, de seu nível de conhecimento, de seu ritmo de aprendizagem, num processo de promoção automática, ou seja, a reprovação é substituída pela progressão continuada, em que os alunos são avaliados passo a passo, reportando-se a recuperações paralelas, reforço de estudos e, se necessário, à recuperação final, no período de férias.

A Secretaria Estadual da Educação, interpretando o artigo 24, em seu inciso II, alíneas a, b e c, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que criou a “reclassificação e a classificação”, resolveu dar chance de aprovação, tanto para alunos que obtiveram notas baixas o ano todo, quanto para os que não atingiram 75% de presença.

O inciso II diz: “A classificação em qualquer série ou etapa, exceto a primeira do ensino fundamental, pode ser feita:

  1. por promoção, para alunos que cursaram, com aproveitamento, a série ou fase anterior, na própria escola;
    1. por transferência, para candidatos procedentes de outra escola;
    2. Independentemente de escolarização anterior, mediante avaliação feita pela escola, que defina o grau de desenvolvimento e experiência do candidato e permita sua inscrição na série ou etapa adequada, conforme regulamentação do respectivo sistema de ensino”.

A reclassificação permite à escola avaliar e determinar a série de alunos oriundos de outras instituições e, mesmo, de outros países, sem levar em conta documentos escolares. A classificação permite a promoção avaliando conhecimentos, sem considerar a série cursada.

É uma visão avançada em educação, essencialmente democrática, mas é preciso cuidadoso critério, senso de propriedade para não resvalar no comum. Uma coisa é avaliar, ocasionalmente, um candidato que, por circunstâncias especiais de estudo, de trabalho ou de doença, se afastou da escola e com base no conhecimento apresentado, determinar-lhe a série; outra coisa é adotar critérios facilitadores de promoção a alunos que podem freqüentar regularmente uma classe e por displicência ou irresponsabilidade não cumprem o que cumprem os demais colegas. Achamos, sim, que o professor deva ser orientado no sentido de dar ao aluno as chances de recuperação, de acordo com o programado. Dar-lhe oportunidades diversas à sua aprendizagem, mas fazê-lo com limite e comedimento, reforçando, no caso, o aspecto formativo da conduta responsável.

Estamos na era do conhecimento, dele não podemos nos furtar. Como fica a formação do aluno nessa velocidade de aprovação? Que conseqüências histórico-culturais teremos dessa filosofia de aprovação? Será possível criar um trabalhador rápido, eficiente, adaptado à vida competitiva do mercado, através dessa filosofia?

PROMOÇÃO AUTOMÁTICA E QUALIDADE DE ENSINO – Hubert Alqueres, referendando a Secretaria da Educação de São Paulo, considera que “a performance do sistema pode ser aferida pelas taxas de reprovação e de evasão”, concluindo que as taxas estão caindo. Considera que as mudanças do sistema de aprovação, que as classes de recuperação, a reorganização do ensino – pela qual as escolas foram desmembradas, ficando as 1.ªs até as 4.ªs séries num estabelecimento, e as 5.ªs até as 8.ªs séries em outro – e a melhoria da infra-estrutura, criaram condições para que o aluno permanecesse na escola, não se evadisse.

Acreditamos na força dessas medidas, porém, não de maneira absoluta. Ademais, a diminuição da repetência não pode estar vinculada, simplesmente, ao processo de promoção automática, mesmo estando calcado em cuidadoso esquema de observação pedagógica contínua, ao longo do ano. Esta deve ser um primeiro estágio, uma medida paliativa, para que o aluno se recupere e adquira os conhecimentos mínimos necessários ao seu progresso.

Mas após um determinado tempo, a médio prazo, a escola precisa alcançar o objetivo de elevar o padrão de conhecimento, com vistas a um ensino de qualidade, a um ensino que garanta a aprendizagem num nível mais elevado.

Os alunos, realmente, precisam assimilar conhecimentos, ser trabalhados em suas capacidades mentais, precisam avançar, aprender e, ao chegar no final de um ciclo, devem estar embasados do conteúdo correspondente a este ciclo, não importando qual o processo utilizado, se recuperação, se promoção automática ou se, necessário, a repetência. É preciso que os próprios alunos estejam conscientes de que a qualidade de ensino é uma necessidade e que sem ela pouca ou nenhuma opção terão de se realizar.

Se a época exige qualificação, aumentar anos de escolaridade do povo brasileiro, na base de uma aprovação facilitada, é continuar desqualificando-o para a competição profissional. Costumam-se citar países de primeiro mundo, como dos Estados Unidos, da Europa, como Inglaterra, Alemanha e França, ou do Japão, onde não há reprovação nos primeiros oito anos de escolaridade, com sua formação de ciclos. Não se pode, entretanto, comparar a infra-estrutura educacional desses países, com sua cultura tradicional densa, com a do Brasil.

A TEORIA E A PRÁTICA EDUCATIVA – As normas adotadas oficialmente, os passos propostos pela reforma do ensino, devem passar pelo crivo do bom senso, da consciência que a prática educativa confere ao professor. É ele, o professor, o elemento abalizador da problemática educacional. Somente o professor é capaz de assinalar os eventuais descompassos entre o discurso e a realidade, entre as ações implementadas e suas reais condições de trabalho.

Se não aprimorarmos a formação do professor, se não melhorarmos suas condições de trabalho – classes superlotadas de 40 a 50 alunos – se não melhorarmos a qualidade de vida do professor, não nos iludamos, não sejamos mais realistas que o rei, vamos continuar trabalhando a favor das estatísticas e contra o próprio aluno, contra a própria sociedade tecnológica.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2000)

UNIVERSITÁRIOS ANALFABETOS FUNCIONAIS

Izabel Sadalla Grispino *

Trabalhar bem a linguagem é requisito primordial para um bom desempenho em língua portuguesa e em todas as disciplinas do currículo. As avaliações do Sistema Nacional da Educação Básica (Saeb), o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e tantas outras têm, sistematicamente, demonstrado o baixo rendimento escolar em português e em matemática.

Português é disciplina tronco, bifurca em todas as áreas do ensino. É indispensável para todas as demais disciplinas e o aluno do ensino médio, da escola pública, não raro, termina o curso com sérias dificuldades em concordância, em pontuação, coesão, falta de ligação entre as partes, tempos verbais. Dificuldade em colocar as idéias no papel, em usar um vocabulário apropriado ao texto, em entender o que lê. Esse aluno mostra incapacidade de concatenar idéias e de se expressar.

O nível de um grande número de alunos que chega à universidade particular é muito baixo, constatam as pesquisas. Diferentemente da universidade pública, a particular convive com vagas ociosas. A oferta é quase sempre maior que a procura e, assim, alunos bem mal preparados, que lêem e escrevem sofrivelmente, conseguem entrar.

Diante de tão baixo nível de ensino, algumas faculdades particulares oferecem aos alunos oficinas para melhorar a capacidade de ler e escrever. A má formação atinge, especialmente, os alunos da escola pública e é tão precária que constitui uma barreira à continuidade dos estudos. Os alunos não conseguem entender e interpretar os textos que precisam estudar, textos, aliás, que lêem muito mal.

As faculdades mantêm aulas obrigatórias de comunicação e expressão para melhorar as habilidades de leitura, interpretação e redação. Em algumas instituições, as aulas de reforço não se limitam ao português, embora as oficinas de texto sejam as mais procuradas. Todos colocam o eixo temático em português, com ênfase na leitura e entendimento de texto.

Essa mão estendida das faculdades é de ajuda mútua: para os alunos, que teriam grande dificuldade em continuar os estudos, e para as próprias instituições, que ficariam sem condições de elaborar com proveito o conhecimento e arriscadas a perder alunos, aumentando ainda mais suas vagas ociosas.

As faculdades oferecem um espaço gratuito, fora do horário de aulas, criado, unicamente, para possibilitar universitários a melhorar a capacidade de leitura e escrita e a não desanimar de estudar.

Não adianta universalizar o ensino se não se ensinar a criança a aprender. Essa iniciativa das universidades, de criar oficinas para as matérias do ensino básico, é louvável, mas uma ação paliativa, insuficiente à aquisição de um bom conhecimento, revelando uma política nacional falha no setor educacional. Política que não consegue articular diretrizes curriculares, resultados de avaliações, investimento e valorização de professores. Esses alunos são resultado de uma escola que não valoriza a leitura e constitui um problema que vem de longe. Educadores constatam que nos últimos 40 anos o desinteresse pela leitura tem crescido. Os jovens apegam-se à TV, ao computador e deixam a leitura de lado.

As dificuldades com a língua portuguesa, a falta de domínio revelada nos testes aplicados, nas diferentes avaliações oficiais,  são fruto da ausência de leitura. Quem lê desenvolve o raciocínio, amplia o vocabulário, o conhecimento, a visão de mundo, apropria-se de um modelo adequado para a escrita. A professora Neide L. de Rezende, da Universidade de São Paulo (USP), constatou que até os anos 60 a língua que se falava na escola era muito próxima da linguagem escrita. “Aprendia-se a gramática de uma língua que você conhecia e os jovens liam muito mais. Hoje, o aluno estuda a gramática de uma língua que ele praticamente desconhece”. Isso é reflexo da perda de qualidade do ensino, de suas condições adversas. O que ocorre é que muitos alunos terminam o ensino médio na condição de analfabetos funcionais e mesmo assim ingressam em uma universidade!

O atraso na educação é incompatível com a possibilidade de desenvolvimento econômico do País. Com esse atraso, o País terá dificuldades em sua força de trabalho, que será aumentada nos próximos anos. Faz-se necessário despertar a consciência nacional para o patrimônio político, econômico, social, que representa a língua portuguesa. Ela simboliza a identidade cultural do País. Fixa sua importância interna e externa.

No âmbito internacional, surge a idéia de o Brasil, com o apoio financeiro das Nações Unidas (ONU) e de empresas nacionais, ensinar português ao Timor Leste, a fim de resgatar a identidade dessa ilha asiática, conquistada pelos portugueses em 1701, ficando sob seu domínio até 1975. O Timor foi, na década de 70, invadido pela Indonésia, que o ocupou. Hoje, depois da independência, a maioria da população fala o dialeto tetum, apesar de o português ser, também, a língua oficial falada por apenas 20% da população. A ocupação da Indonésia durou até 1999 e fez surgir na ilha o indonésio e o dialeto chamado tetum

“A preservação da identidade do Timor passa pelo português e só Brasil e Portugal podem fazer isso”, disse o então representante do Itamaraty, Jadiel Ferreira de Oliveira. A intenção é levar estudantes da Universidade de São Paulo (USP) para ensinar português  no Timor Leste, estudantes dos últimos anos de cursos de Letras, Licenciatura ou Pedagogia.

Cito esse episódio para conscientizar os brasileiros da importância de se cuidar com esmero de sua língua, de preservá-la, dignificá-la. Sentir o quanto ela é representativa da identidade de uma nação, o quanto a define, a identifica, a caracteriza no âmbito nacional e internacional e o quanto ela é fator de promoção pessoal e profissional.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2004)

CICLO BÁSICO NOS CURSOS SUPERIORES

Izabel Sadalla Grispino *

Como parte da reforma universitária, o Ministério da Educação (MEC) propõe a criação do ciclo básico de 2 anos para os cursos superiores. Um ciclo comum, freqüentado pelos alunos, com um grupo de disciplinas mais genérico, antes da oferta dos conteúdos específicos de cada curso. O aluno terá uma melhor formação geral, um tempo maior para definir com mais segurança a carreira a seguir. Irá exercitar melhor suas aptidões, informar-se com mais tempo sobre o mundo do trabalho e fazer a escolha de sua profissão com mais maturidade.

A idéia do ciclo básico vem sendo bem recebida pelos educadores que entendem ser a medida portadora de uma formação mais ampla aos estudantes, permite uma maior flexibilidade na troca de cursos e evita a especialização excessiva, que limita a formação.

A nova LDB da Educação substitui, no currículo, padronização por flexibilização. A reforma do ensino adota currículos que se norteiam pela interdisciplinaridade -- interligando as diversas áreas do saber – e pela contextualização. A interdisciplinaridade promoverá ao aluno uma formação mais ampla, um conhecimento globalizado do assunto. Na universidade, corrige distorções do ensino superior e da especialização prematura dos cursos de graduação, realizados em departamentos, e cursos desintegrados dos demais. A interdisciplinaridade, aliada às diretrizes curriculares básicas comuns a todos os cursos, levará a especialização para os últimos anos, favorecendo ao aluno uma escolha posterior, com mais convicção.

O ciclo básico retoma noções de universidade, afirmam os educadores. O foco deixa de estar no curso e passa à universidade. Os primeiros anos de graduação agruparão estudantes de cursos com demandas diferentes em atividades inter e multidisciplinares. Os cursos serão interligados e as disciplinas básicas oferecidas conjuntamente.

Essa iniciativa do ciclo básico já existe em algumas universidades brasileiras, como a Universidade de São Paulo (USP), que, já há algum tempo, mudou o currículo da Escola Politécnica e do curso de Letras. Para que o ciclo básico seja bem aplicado é preciso que conte com professores bem formados, treinados, com visão global das disciplinas. O que se espera é que não venham a se tornar uma forma de economia, especialmente para as instituições privadas de ensino. Que ele represente o alargamento das fronteiras do conhecimento, hoje tão necessário.

O ciclo básico exige, para tal, um currículo bem entrosado e professores qualificados. Esse processo reforça a idéia de reforma na estrutura administrativa do ensino superior, da divisão das universidades em departamentos. O que se pretende é acabar com as antigas cátedras, agrupar os professores em órgãos colegiados por afinidade de conteúdo de suas disciplinas. Essa medida começou a ser implantada há pouco mais de três décadas pelo regime militar, mas por razões oportunistas e burocráticas não foi levada adiante.

O ciclo básico envolvendo disciplinas comuns torna-se refratário à segmentação do ensino em cursos, departamentos e faculdades que não se comunicam entre si. A sua aplicação talvez comece por áreas afins. Com sua adoção, o estudante poderia fazer o vestibular para um conjunto de áreas, sem escolher antecipadamente uma. Essa escolha ocorreria a partir do 3.º ano.

A idéia do ciclo básico no ensino superior injeta princípios inovadores na universidade. Na licenciatura, poderá melhor preparar o professor para encarar as mudanças implementadas pela nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), melhor entender o ciclo básico na progressão continuada do ensino fundamental. O que precisamos é de avanço na educação. É lamentável abrir o jornal e deparar com o resultado de uma avaliação do ensino médio, revelando que “a escola brasileira ensina menos que o mínimo”.

O Sistema de Avaliação do Ensino Médio (Saeb) divulgou, em 16 de junho corrente, um resultado demonstrando que, depois de três anos em queda progressiva, o ensino não avançou praticamente nada. Revelou, segundo o MEC, uma pequena tendência de melhora, que se pode dizer ser meramente estatística. Na realidade, não se percebe nenhuma mudança na qualidade de ensino, ensino que não consegue ir além do mínimo. Metade dos alunos não sabe nem português, nem matemática. Mostrou uma situação muito grave na 3.ª série do ensino médio, onde de cada 10 alunos 7 apresentam um nível de conhecimento considerado “muito crítico”. Na 4.ª série do ensino fundamental, 5 entre 10 alunos não dominam as quatro operações aritméticas e não conseguem ler e compreender textos simples e curtos. São crianças consideradas alfabetizadas, mas que não passam de analfabetas funcionais.

Revelou, também, que nem os alunos de colégios particulares chegam, na maior parte dos Estados, a atingir a média considerada adequada para as séries avaliadas. Constatou-se que o ensino público está ruim e que o ensino privado, salvo exceções, está longe do ideal. Os alunos terminam o curso sabendo bem  menos  do que deveriam. Embora as condições de ensino, na escola particular, sejam melhores, com recursos disponíveis superiores, o ensino fica a desejar. Esses alunos demonstraram um desempenho medíocre.

O presidente do Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas em Educação (Inep) – Eliezer Pacheco – considerou que “a causa principal do nível insatisfatório dessas escolas está na formação dos professores, que não é adequada, o que acaba influenciando, também, no ensino privado”.

O Saeb mostrou a importância da formação dos professores. Quando o profissional tem apenas o ensino médio, a pontuação média dos alunos fica em 157 pontos. Se a formação é superior, a média dos alunos chega a 172 pontos. Mas, no geral, o que se constata é uma formação insuficiente, necessitada de reforço em conteúdo acadêmico e em metodologia.

Espera-se que, com a criação do ciclo básico de 2 anos, o ensino superior traga renovações, conteúdo abrangente e ensine o professor a trabalhar com métodos atualizados, interdisciplinares, revertendo a tendência tradicional que ainda persiste.

* Supervisora de ensino aposentada.      
(Publicado em junho/2004)

AO JORNAL “A CIDADE”, O GRANDE SEMEADOR DE IDÉIAS

Izabel Sadalla Grispino *

Através do jornal “A Cidade”, deste valioso instrumento de comunicação que Ribeirão Preto aprendeu a admirar pelo alto profissionalismo, há, exatamente, um ano, venho publicando, semanalmente, artigos de fundo educacional. Este jornal amigo proporcionou-me a oportunidade de contatar-me com a sociedade ribeirão-pretana, levando conhecimento, em temas educacionais, culturais, sociais, religiosos e outros. Neste ano que se finda, propus-me a registrar os principais passos da reforma do ensino, na implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e a realidade educacional das escolas oficiais.

Encontrei neste jornal, com afável acolhida, um livro aberto, de folhas em branco, para serem preenchidas, tendo em vista ilustrar a comunidade, nos mais variados assuntos. Inúmeros conceitos nele passei, ressaltando a idéia de que o bom professor faz a diferença do ensino e de que ele é capaz de compensar a falta de estruturas. Passei a idéia de que a formação, a dedicação e o salário do professor são alguns dos fatores que mais interferem no ensino e de que, sem um ensino de qualidade, jamais resolveremos a questão das desigualdades sociais. Ressaltei a necessidade de cursos de reciclagem para o professor, que, de um modo geral, não está absorvendo as Diretrizes Curriculares e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), emanados pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). O professorado não está conseguindo ensinar os alunos dentro desses novos referenciais, que abargam, principalmente, a interdisciplinaridade e a contextualização, isto é, a aproximação do conteúdo ensinado com o cotidiano do aluno.

A escola não vem acompanhando as mudanças e tem demonstrado de que os fatores que favorecem o desempenho dos alunos estão mais relacionados ao dia-a-dia da escola do que com as diretrizes elaboradas pelo MEC. Daí a importância de se dar mais atenção ao professor, dar-lhe suporte profissional, porque ele é, sem dúvida a mola-mestra, não só do progresso, mas da eqüidade social.

Neste novo ano que se inicia, continuarei, com o apoio do jornal “A Cidade” e com a proteção de Deus, a analisar situações de ensino, lutando para que a luz educacional prevaleça e ilumine a consciência nacional de sua importância, lutando para que a vontade política se manifeste com mais verbas para a educação, cuidando melhor de nossos professores.

O jornal merece nossa reverência, porque ele é uma escola aberta, o mestre maior que bate à nossa porta para introduzir conhecimentos, para formar, de modo responsável, mente e corações. Em Ribeirão Preto, já é tradicional, nos festejos de fim de ano, saudar o jornal “A Cidade”, que beira um século de existência, nas pessoas da família Camargo, de seus digníssimos diretores e de todos os seus funcionários, que, com brilho e persistente idealismo, angariam, cada vez mais, a confiança da população. O jornal “A Cidade” cresce com Ribeirão e com ele se faz pioneiro na região. Muita saúde, muito vigor, aos seus dirigentes, para que possam continuar a receber as alegrias de seu jornalismo imparcial, competente de que é marca  consagrada.

Formulo votos de um feliz Ano Novo a toda população de Ribeirão Preto. Que Deus lhe dê um ano de paz, de amor, de prosperidade. Quero também agradecer aos meus leitores pela atenção, pelas manifestações de apreço, a mim formuladas, durante a publicação dos artigos. A todos, meus versos sobre o Terceiro Milênio.


TERCEIRO MILÊNIO, ANO 2001

Izabel Sadalla Grispino

Surge um novo milênio, uma outra aurora,
A ciência comprovando Jesus,
Ventos do infinito indicam que agora
É chegada a hora de viver a luz.

Demos um salto para o espiritual,
Conciliamos ciência e fé,
Confraternizamos real e virtual,
A razão se achegou à Santa Sé.

A face de Deus deixa o lado escuro,
Terceiro milênio é porta de frente,
Mostra o claro que vem pelo futuro,
Ressalta o homem na alma e na mente.

Que saibamos entender o momento,
Que em coro, rezemos à Mãe Maria,
Ligando oração e comportamento,
Livraremos o mundo da orgia.

O homem terá um novo semblante,
Virá aterrorizante avanço,
A ciência criando um semelhante,
A bioética entrando em balanço.

A todos vocês, queridos leitores,
Que esse dois mil e um lhes seja risonho,
Caminhos abertos, muitos amores,
Que se realize seu mais lindo sonho.

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2000)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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