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Artigos Educacionais

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FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

A função da escola é complexa, ampla, diversificada. Tem necessidade de dedicação exclusiva por parte do professor, necessidade de acompanhar as mudanças que se processam aceleradamente no campo de trabalho, atualizando o seu currículo e sua metodologia.

Para dar sustentação às contínuas evoluções, a escola precisa ressaltar um ensino que crie conexão entre o que o aluno aprende nela e o que ele faz fora dela; conexão entre o ensino formal e o mundo do trabalho, entre o conhecimento e a vida prática do aluno. Vincula a educação escolar com o mundo do trabalho.

Os conteúdos curriculares devem estabelecer a relação entre teoria e prática, através de situações próximas da realidade do aluno, permitindo que os conhecimentos adquiridos melhorem sua atuação na vida cotidiana. A metodologia aplicada deve ensejar ao aluno fazer ligações entre o que aprende em sala de aula e o que exercita na prática diária.

A escola contextualiza o currículo, ministrando um conhecimento que faça sentido à vida do aluno. Estabelece uma relação entre o conhecimento e as ações do dia-a-dia. Em sala de aula, os alunos são caminhos a serem traçados e o professor, o agente condutor dessa ação, sempre na mira de papel auto-regulador dos mercados. Na sua função social, o professor desenvolve competências para a vida, levando o aluno a interagir com o meio em que vive.

A escola, abraçando a transformação, encara a educação como um ato social de mudança e avanço tecnológico. É fundamental a relação entre conclusão de escolaridade e inclusão no mercado de trabalho. O entorno sociocultural, quando percebido pelo aluno, o motiva para o estudo. Hoje, os jovens sabem que sem educação não se colocarão no mundo do trabalho. As empresas exigem o nível médio de escolaridade para qualquer função, por mais simples que seja. Essa atualidade da educação na sociedade é uma característica não só brasileira, mas mundial.

Contudo, a escolaridade deve vir acompanhada de qualidade. Nesse item, o Brasil engatinha; enquanto os países desenvolvidos já têm sistema educacional de qualidade acessível a todos e estável, nós beiramos à periferia da educação. Nosso ensino fundamental tornou-se universal (+ de 90%), há menos de uma década, nosso ensino médio ainda não chega à metade dos estudantes e apenas 9% dos jovens estão nas universidades. Esses dados foram fornecidos, no início do mês de setembro de 2005, pelo relatório do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Mostra, ainda, que o País aplica 4,2% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em educação. Gasta menos do que deveria.

Em junho de 2005, o governo lançou um conjunto de programas e projetos intitulado: “Ações para a qualidade da Educação”. Nosso passivo histórico precisa de um esforço muito grande para tentar recuperar a dívida brasileira na educação. Uma das medidas dessas ações é a elevação de 8 para 9 anos a duração do ensino fundamental, favorecendo a inclusão educacional de alunos das camadas populares.

Outras medidas louváveis são: a) a criação de bolsas de estudo para os programas de formação de professores do ensino básico da rede pública; b) a criação do Programa de Educação Tutorial (PET), que visa fomentar iniciação científica de estudantes de graduação, por meio de bolsas concedidas a alunos e professores-tutores; c) a criação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb); d) a criação do programa Escola de Fábrica, que prevê a abertura de cursos profissionalizantes dentro de empresas, favorecendo o ingresso de alunos pobres no mercado de trabalho.

Esses projetos se vierem respaldados por consistentes implementações, com precisão na ordenação de sua execução, poderão, sem dúvida, trazer benefícios salutares. Tem que haver uma boa estruturação e um acompanhamento eficaz de suas aplicações.

A verdade é que há, ainda, muito que se fazer para elevar o nível educacional de nossas escolas públicas, tendo em vista aumentar a renda da população. Um corolário se forma: a educação influi nas condições de vida da população e essas mesmas condições de vida interferem na educação. A Organização das Nações Unidas (ONU), pelo programa Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), vem demonstrando que as condições de vida dos cidadãos de cada país são importantes quando se fala em desenvolvimento. O Índice, publicado em 6 de setembro de 2005, avalia longevidade, renda e educação e o Brasil melhorou muito pouco no IDH. Mantém a 63.ª colocação no ranking das Nações Unidas. O índice brasileiro subiu de 0,790 para 0,792, permanecendo com grandes diferenças sociais. É o oitavo mais desigual do mundo e está na companhia de países extremamente pobres, como Lesoto, Namíbia e Suazilândia. Na América Latina, apenas a Guatemala tem um índice pior.

A conclusão é de que é preciso estimular o crescimento em favor dos pobres. Sem crescimento, um país como o Brasil, não consegue suprir as necessidades de sua população e esse crescimento precisa vir acompanhado de escolarização que ressalte a qualidade. Precisa assegurar um mínimo de qualidade num setor de suma importância para o desenvolvimento social e econômico do País. Precisa assistir com afinco o nosso sistema educacional, deixar de olhar os trincos da casa e se dar conta do alicerce que pode ruir.

A escola, em sua função social, tem um olhar constante voltado à sociedade, conectando seu saber com a prática cotidiana do aluno, preparando-o para o exercício profissional. A experiência de vivenciar as situações de aprendizagem ensina o convívio em grupo, indispensável para a vida e o trabalho.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2006)

CAMINHOS ALTERNATIVOS PARA A APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino*

A qualidade de ensino das escolas públicas continua sendo um grande desafio. As estatísticas multiplicam-se em seus resultados desabonadores. Mostram que 54% das crianças que estão na 5.ª série do ensino fundamental lêem mal e não conseguem interpretar o texto lido. O mais cruciante são as crianças que ficam fora da escola, expostas a todo tipo de violência: exploração sexual, trabalho infantil, direitos violados. Essas crianças, vivendo o abandono, a ausência de valores, transformam-se, com facilidade, em marginais, em delinqüentes. Estudos têm demonstrado que violência é menos fruto da pobreza que do desequilíbrio social. Ela resulta, preferencialmente, da desigualdade, do confronto entre riqueza e pobreza, da pobreza dentro da riqueza. Resulta de uma juventude desarticulada em seus valores, sem rumo.

A sociedade precisa encontrar respostas a essa juventude, fazê-la ter perspectivas de novos horizontes. Reforçar a bolsa-escola é um procedimento que se faz urgente. Preparar o professor para receber e reter essas crianças no recinto escolar é outro procedimento urgente. Preparar diretores para se ocupar da parte pedagógica, envolver-se mais com os projetos acadêmicos e menos com o prédio escolar ou com as questões burocráticas. Preparar a escola para incentivar a participação comunitária. Oferecer aos professores educação continuada, de preferência na própria escola, estimulando a formação permanente.

Fazer a criança, o jovem e o adulto estudar é ponto crucial para se enfrentar a grande desproporcionalidade socioeconômica reinante. Um outro recurso educacional, que vem crescendo a cada passo e que deve ser passado à comunidade, é a viabilidade do estudo a distância. Apostilas pelo correio, telecursos na televisão e pós-graduação por videoconferência são alternativas para quem não pode ir à escola e quer estudar. Estamos em plena era da alta tecnologia, quando se fazem pesquisas e mesmo operações bancárias via internet. Fala-se com grupos de pessoas em teleconferências, acompanham-se as imagens, em tempo real, de guerras longínquas pela TV.

Encaminhar o jovem e o adulto para cursos a distância é porta aberta em direção aos estudos. Orientá-lo, quando for o caso, a freqüentar um supletivo a distância. No Estado de São Paulo, o Instituto Universal Brasileiro, por exemplo, funcionando desde 1941, oferece cursos técnicos e supletivo de ensino fundamental e médio por um preço bastante acessível. O curso é de 24 parcelas de R$ 26,00 e a maioria dos alunos tem mais de 25 anos. O Instituto Monitor, com 63 anos de funcionamento, oferece mais de 30 cursos a alunos de todo o Brasil. Inclui ensino fundamental, médio e cursos técnicos de eletrônica, contabilidade, secretariado, transações imobiliárias e informática. A média de idade dos alunos é de 35 anos e 52% são homens. Há um plantão permanente de dúvidas, que pode ser acessado pela internet, fax ou carta. O Instituto Universal Brasileiro e o Instituto Monitor são reconhecidos pelo Conselho Estadual de Educação, órgão fiscalizador.

O Telecurso 2000, aulas televisivas, desenvolvido pela Fundação Roberto Marinho em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), apresenta uma metodologia dinâmica, em aulas baseadas na realidade, que se desenvolvem através de situações do cotidiano e interpretadas por atores que se revezam com as explicações dos professores. Os diplomas oferecidos aos alunos são reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC). Desde 1978 no ar, os telecursos são transmitidos por 10 emissoras do País, a rede Globo e mais 5 canais educativos. As aulas podem ser assistidas em telessalas, existentes em grande número por todo o País, que têm vídeo, orientador capacitado no uso da metodologia e material pedagógico de apoio, ou assistidas em casa. Quem assiste aos telecursos em casa pode adquirir o material didático em livrarias ou bancas de jornais. As provas finais devem ser agendadas pelas secretarias municipais de educação. Uma infinidade de brasileiros utiliza-se do Telecurso 2000.

Em rede de conhecimento, nas ondas cibernéticas da internet, surge a interatividade, o grande fator de estimulação e de abrangência. Essa rede vem se espalhando como instrumento de ensino para profissionais de empresas, nas chamadas universidades corporativas. A Petrobrás, com 27 anos de experiência, é uma das pioneiras em educação a distância. Ela faz uso dos mais variados veículos, tem uma grande variedade de cursos, tanto pela internet (ensino conhecido como e-learning), como com mídia impressa e TV. Mantém, atualmente, 45 salas de videoconferência, oferecendo, inclusive, cursos de mestrado, em parceria com universidades. Para atender a necessidade do aluno, este pode defender, por exemplo, uma tese estando numa plataforma em Manaus, assistido pelo professor em São Paulo, com uma banca de jurados em Brasília, todos seguindo a apresentação em tempo real.

O MEC mantém alguns programas, desenvolvidos pela Secretaria de Educação a Distância, como a TV Escola, que envia televisores, antenas e fitas de vídeo aos colégios; o Programa Nacional de Informática na Educação, com distribuição de computadores para a rede pública; e o programa de complementação para professores que não têm habilitação pedagógica, entre outros. Para a pós-graduação lato sensu a distância, 4 universidades aprovadas pelo MEC oferecem cursos de licenciatura para professores da rede pública, no ensino fundamental.

Os cursos a distância são caminhos que chegam a um lugar de sol. São pontos  de apoio para uma juventude que busca sua auto-afirmação. É preciso que se passe avante tais possibilidades, que escola e meios de comunicação divulguem os cursos a distância, fazendo o povo deles tomar conhecimento e deles tirar proveito.

Caminhos para a educação devem ser expostos e incentivados a trilhá-los. Neles estão a salvaguarda da igualdade, da liberdade e da fraternidade.


* Supervisora de ensino aposentada.          
(Publicado em maio/2004)

HABILIDADES DE APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino *

A educação é a principal chave de abertura para um esperançoso futuro. Entender a clientela escolar, em suas manifestações em sala de aula, é, talvez, a maior estratégia da escola. Ela trabalha com crianças digitais e eletrônicas, mas sem deixar de ser crianças. A diversidade, a diferença comportamental pedem o difícil atendimento individual, tratar cada criança como se fosse única.

A experiência tem demonstrado que é melhor ter alunos desregrados, dispersivos, mas conectados e inventivos, que alunos bem comportados e obedientes, mas isolados, pouco comunicativos.

O aluno, às vezes, mostra uma participação excessiva, excessiva vontade de confrontar, gerando atrito, certo desconforto; mas são esses alunos que, comumente, alçam vôo e não os regulados por ordens superiores, sem a ousadia de externar opiniões, participar de decisões, privando-se de se tornar sujeitos ativos no processo do conhecimento. O aluno, emancipando-se, caminha com mais autonomia pela vida afora.

Há toda uma rede de informações implícitas nos comportamentos expressos pelos alunos. Dessa maneira, o professor pode levá-los ao autoconhecimento, proporcionando-lhes a segurança necessária para vencer desafios, para conviver com as diferenças e adaptar-se mais facilmente às transformações da sociedade.

Um grande desafio, hoje, da escola é a formação de uma boa equipe de trabalho. Só com um pessoal bem treinado, altamente qualificado e comprometido com a educação, é possível formar alunos construtivos e idealistas. O corpo docente, na atualidade, investe na carreira como pesquisadores e como professores. Formula projetos pedagógicos com diretrizes modernas e ambiciosas, onde o aluno, jamais sujeito passivo, deixa de opinar e interferir.

Um outro aspecto de escola, que luta para garantir motivação aos alunos da geração web, é contar com professores especialistas em pedagogia e em informática, capazes de dominar os recursos de última geração.

Além de um eficiente sistema de orientação de estudo, a escola necessita ter um revolucionário material didático multimídia, um portal de educação, salas do futuro. Seus profissionais desenvolvem e trazem para a sala de aula, de forma integrada, os principais e mais avançados recursos tecnológicos educacionais, especialmente no ensino médio. As mais renomadas escolas oferecem um completo portal da Internet, que permite integração com o ambiente escolar a alunos e familiares.

Educar para a modernidade exige abrangência de conhecimentos, atualização constante e visão aprimorada do contexto social, nacional e internacional. Exige um profissional de caráter renovador, antenado ao mundo. Pagar  bem os professore é uma forma de estimulá-los a se aprimorar e a corresponder à exigente sociedade contemporânea.

* Supervisora de ensino aposentada.            
(Publicado em julho/2007)

PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS DE 5.ª À 8.ª SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL

Izabel  Sadalla  Grispino *

Nos Parâmetros Curriculares Nacionais de 5.ª à 8.ª série do Ensino Fundamental, o MEC propõe, igualmente, a inserção de temas transversais, que devem merecer atenção especial no ensino das disciplinas tradicionais, como geografia, história e matemática. Insiste na estimulação do aprendizado crítico das disciplinas tradicionais. A matemática, por exemplo, deve ser ensinada com ênfase nas resoluções de problemas em sua aplicação prática, em lugar de cálculos abstratos. No ensino da língua estrangeira, deve-se dar ênfase à leitura sobre a escrita e a fala; em geografia, evitar a simples memorização de nomes e definições.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais de 5.ª à 8.ª série do Ensino Fundamental avançam na proposta “Pluralidade Cultural” e coloca como uma das principais novidades o fim do “mito da democracia racial”. Entendem os especialistas do MEC que se deve pôr fim a esse mito, porque “a noção de que o Brasil é uma democracia racial e o brasileiro, uma raça formada pela fusão do negro, do índio e do branco, deve ser condenada”.

Nesse tema, pluralidade cultural, o MEC investe em conceitos já tradicionais nas escolas, como o que ele chama de “mito da democracia racial”, a noção de “raças” e de homogeneidade cultural Brasileira. Diz que a fusão de raças, defendida até nos livros didáticos, encobriu as diferenças culturais no Brasil e serviu para subordinar algumas culturas. Isso impregnou-se nas próprias escolas, levando professores a atitudes de discriminação existentes na sociedade, quando atribuem a culpa, pelo mau desempenho de alunos, à origem racial ou social.

“Divulgou-se uma concepção de cultura uniforme, depreciando as diversas contribuições que compuseram e compõem a identidade nacional... A escola tem um papel fundamental no trabalho de mostrar aos alunos os diversos costumes e crenças das várias culturas e sua participação na formação histórica do País”. Para cumprir o princípio da igualdade de que fala a Constituição, a escola precisa “ter sensibilidade para a questão da diversidade cultural e ações decididas em relação aos problemas gerados pela injustiça social”, analisa o texto.

Nesta altura, não podemos deixar de lembrar Paulo Freire, quando diz que a escola precisa afastar o isolamento, ter mais conectividade, mais amor, mais verdade. O isolamento já está na sociedade e o que acontece com a sociedade acaba acontecendo com a escola. É preciso levar a escola para a vida. Ele se dizia “um menino conectivo”. Unia os pobres e não-pobres, os oprimidos e os não-oprimidos, comprometidos com os oprimidos. Dizia que “a gente tem que estar ensopado de vida, tem que estar encharcado de afetividade”. “Não sou um ser no mundo, sou um ser com o mundo”, apregoava Paulo Freire.

Os “Parâmetros Curriculares Nacionais” sofreram críticas por estar bem acima da capacidade de assimilação da maior parte dos professores. Por isso, o MEC se propôs a orientar o trabalha da Secretarias da Educação, instituições de formação de professores e editoras de livros didáticos.

O MEC tem-se pautado por estabelecer diretrizes que atinjam metas de qualidade. Essas metas perpassam, também os “Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio”, onde a preocupação com a educação plena, com o cotidiano e a realidade do aluno continuam. Propõem variar as formas de ensinar e desenvolver no aluno habilidades e competências relacionadas às suas necessidades do dia-a-dia.

Através do sistema nacional de avaliação, o MEC coletou, juntamente com outros quesitos, informações  para saber se a educação está formando cidadãos capazes, inseridos no mundo atual, isto é, se a escola está ministrando um ensino de qualidade. O resultado foi bastante desolador. O baixo aproveitamento e a queda do nível de aprendizagem aumentam à medida que as séries avançam e isso vem se confirmando desde as avaliações feitas a partir de 1990. Em alguns casos, menos de um aluno conseguia dominar os conteúdos mínimos da série em que estava.

Sobre o aspecto qualidade, constatou-se, por exemplo, que alunos da 4.ª e da 8.ª séries do 1.º grau e da última série do 2.º grau obtiveram sucesso em perguntas diretas, em textos elementares. A situação complicou-se quando foi preciso deduzir, analisar criticamente, relacionar, completar ou estabelecer significado. Não houve “interpretação e raciocínio”, revelou a análise do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) feita por especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU), chamados pelo MEC para avaliar o fraco desempenho dos alunos, constatado no último Sistema de Avaliação do Ensino Básico (Saeb).

Esta entidade sugeriu mudanças. A título de exemplo, citaremos as mudanças no ensino de português: “O modelo de ensino de português deve ir além dos livros didáticos, o aluno deve ter contato com textos diferenciados, desde os literários aos mais comuns, contato com jornais, revistas e até mesmo com manuais de instrução. Nos testes, os alunos mostraram dificuldade em consultar um índice de revista científica e em responder questões em que a resposta se encontrava dispersa em parágrafos anteriores.

Essas observações, sobre o que seria o ensino de qualidade, devem servir ao professor para repensar sua prática pedagógica, pois, quem não sabe procurar a informação em situação variada terá sérios problemas profissionais no futuro. Considerar que o mercado de trabalho está passando por transformações muito rápidas e a pesquisa abrangente permite uma ampliação de conhecimento que ajudará o aluno a adaptar-se às diferentes e inusitadas ocupações.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2000)

FORMAÇÃO DE QUALIDADE

Izabel Sadalla Grispino *

Já há consenso da necessidade de uma formação de qualidade a ser dada ao professor. È bem clara a percepção de que é o professor o grande responsável pela aprendizagem do aluno. Está grandemente em suas mãos o resultado do rendimento escolar.

Aumentar o salário do professor é ponto significativo, mas só ele não resultará em melhoria da educação. Estudos mostram que o valor do salário isoladamente não tem nenhum impacto na aprendizagem dos alunos. Por si só, o salário do professor não melhora a qualidade da educação. A qualidade advém da qualidade dos docentes, do seu grau de conhecimento pedagógico e do domínio do conteúdo específico da área, em que atua.

Se tivéssemos parâmetros de formação de qualidade para as escolas de Pedagogia, não estaríamos assistindo a resultados desastrosos das avaliações sobre o nível de aprendizagem dos alunos. A qualidade da formação dos professores está, hoje, longe do desejável. Muitos docentes têm carência até dos conhecimentos básicos de suas próprias disciplinas.

As instituições de ensino superior, para os cursos de formação de professores, não podem, junto ao conhecimento pedagógico, deixar de reforçar o ensino do conteúdo das disciplinas específicas, que serão ministradas pelo professor. O aperfeiçoamento e atualização de conhecimentos devem ser continuados, tanto na área pedagógica, quanto na do conteúdo das disciplinas. Sem essa base de sustentação não há como exigir um ensino de qualidade.

Assim, nos avanços pedagógicos e nos avanços do conteúdo pode-se esperar um equilíbrio entre benefícios profissionais e rendimento escolar do aluno. Podemos presenciar um ensino conectado com o mercado de trabalho, com os movimentos sociais, criando projetos de desenvolvimento, em que a modernização de métodos atinja a evolução tecnológica.

O carro chefe de toda essa revolução está na competência profissional, assessorada pelas condições de trabalho. Em todos os ângulos, em que se avalia a qualidade de ensino, o eixo recai sobre o professor. Professores bem preparados e compromissados com a educação são os diferenciais.

Instituições acima da linha de qualidade aprimoram seus sistemas de avaliação. Nas melhores escolas há uma preferência por provas discursivas, em que o aluno precisa fazer uma análise do conteúdo e desenvolver um raciocínio, isso desde o ensino fundamental.

As escolas ruins, mal equipadas e com professores fracos, fazem muito pouco por seus alunos, acarretando-lhes a defasagem. Nos anos mais avançados da escolaridade, os alunos apegam-se à internet, como a maior fonte de informações para trabalhos escolares e num procedimento que não traduz passos pedagógicos consistentes, agravado pela ausência de acompanhamento docente, com resultados distorcidos.

A educação é um dos mais graves problemas do País. O professor precisa ser preparado para a sala de aula, preparado para utilizar práticas pedagógicas capazes de, por exemplo, transversalizar as disciplinas,  para contextualizar notícias recentes, ou aspectos importantes da vida do aluno, com o conteúdo das disciplinas e assim motivar melhor o aluno, incentivando-o ao estudo.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em junho/2007)

AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM: ASPECTOS DO DESENVOLVIMENTO

Izabel Sadalla Grispino *

Na semana passada abordei, sobre o processo de Avaliação da Aprendizagem, o item “Conceituação”. Hoje, teremos, também em forma de versos, o segundo item anunciado, “Aspectos do Desenvolvimento”.

Na conceituação, pudemos perceber que a avaliação é um processo contínuo de pesquisas, que visa estudar e interpretar os conhecimentos, habilidades e atitudes dos alunos, tendo em vista mudanças esperadas no comportamento, propostas nos objetivos da escola, a fim de que haja condições de decidir sobre alternativas no planejamento do trabalho do professor, da escola como um todo. Propõe-se, então, indagar o que avaliar? O que deve ser avaliado no aluno?

Não são só os aspectos cognitivos, as habilidades lingüísticas ou matemáticas, que devem ser avaliados, mas, também, os diferentes valores, os diferentes comportamentos, os amplos aspectos do desenvolvimento do aluno. A avaliação abrange as inteligências múltiplas, afloradas nas potencialidades do aluno. O professor, ao dar oportunidade a que os alunos se expressem, perceberá, em suas manifestações, as diversas habilidades – corporal, espacial, naturalista, interpessoal – que não podem deixar de ser acolhidas, consideradas.

O objetivo da escola vai além da transmissão do conhecimento, por isso outras áreas do comportamento devem ser avaliadas para que haja compreensão dos fatores que impedem o progresso do aluno nos estudos.

ASPECTOS DO DESENVOLVIMENTO

“A escola tem fins mais complexos,            Desenvolve amplas capacidades,
Que a construção do conhecimento,            O criar, o inventar, variado engenho,   
Avalia, em conteúdos anexos,                        No mundo atual, versatilidades
Aspectos do desenvolvimento.                       Se igualam ao intelectual empenho.            
Observa o aluno em aspectos amplos,        O mercado quer generalista,
O ligado ao físico-motor:                                  Saber eclético, articulado,  
Deficiências, visão, vários ângulos,              A época do régio especialista
Que influem no agente receptor.                   Ficou distante, hoje é passado.

Outro aspecto, o social-afetivo,                     A avaliação não é sempre igual,
Reflete a classe, a reação pessoal,              É usada em variada situação,
Liga-se ao aspecto cognitivo,                         Quanto mais prova sem ar formal,
Em entrelaçamento total.                                Mais rica será sua atuação.

Avalia tipos de aprendizagem,                       Ensino-aprendizagem contínuo
Às faculdades dá preferência,                       Requer avaliação permanente,
Promove ensino qualitativo,                           Objetivo claro, nada ambíguo,
Atenuando, assim, a repetência.                  Mestre e aluno em constante corrente.

Adota variados instrumentos,                       Padrões de rendimento aceitável
Lápis, papel, não são suficientes                 Eliminam discriminação,
Para avaliar desenvolvimentos,                   Teste com validade, confiável,
Com seus comportamentos reagentes.    Suaviza o ensino e evita evasão.

Ressalta aspectos qualitativos,                   Se o ensino-aprendizagem vai bem,
Habilidade e competência,                            O educando marcará vitória,
Insiste em métodos reflexivos,                    O professor se avalia também,
Trabalha atitudes com freqüência.              Louvor é dado à sua trajetória.”

 

* Supervisora de ensino aposentada           
(Publicado em agosto de 2000)

CAMINHOS DE REFLEXÃO À ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Não podemos nos furtar a um debate sobre problemas do ensino público, sobre a crise da aprendizagem, do desamparo institucional, deixado pelos últimos governos, repercutindo na falta de segurança das escolas, na perversa violência nela infiltrada. Está sendo difícil, à escola, enfrentar ameaças de morte nas próprias salas de aula, nos corredores, nas entradas ou nas saídas, principalmente em escolas que funcionam em regiões violentas.

Há experiências, trabalhos desenvolvidos em algumas localidades, que devem ser conhecidas, na busca de soluções. Em todas as escolas, sempre há um grupo, um número pequeno de alunos, que costuma influenciar os demais, perturbando a vida escolar. Antigamente, esses alunos eram expulsos, mas, hoje, o critério oficial é mantê-los, pois, a expulsão iria ferir os seus “direitos humanos”.

Consultado, a respeito dessa situação, o diretor executivo do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial, Norman Gael, passou a seguinte idéia: propôs, como medida saneadora, criar escolas especiais para alunos agressivos, que não cometeram crimes mais graves, mas que roubam a tranqüilidade da escola, dificultando a aprendizagem geral. Essas escolas especiais funcionariam em regime fechado, com segurança, em horário integral. Receberiam a atenção de que necessitam, atividades de recuperação da aprendizagem, atividades esportivas e outras, consumindo parte de suas energias, orientados por professores selecionados e treinados, com remuneração condizente à qualidade de seu trabalho.

Esses alunos poderiam retornar às escolas regulares, à medida que progredissem no conhecimento e se ajustassem no comportamento. Seriam, sem dúvida, investimentos adicionais, mas, afirma Norman, “compensados pela tranqüilidade e conseqüente produtividade das escolas regulares e pela recuperação de jovens infratores, que, sem um atendimento apropriado, se tornam adultos delinqüentes, incorrendo em custos ainda mais altos para a comunidade e para o Estado”.

Ao afastar os alunos mais rebeldes, a escola alcançaria mais facilmente a qualidade de ensino, que requer disciplina, ordem e competência profissional. Requer um professor capaz de estimular os alunos, especialmente das populações mais carentes, chegando até eles com afetividade, descobrindo suas aptidões, desenvolvendo suas potencialidades, utilizando-se de currículos mais próximos deles, com assuntos de seus interesses, de sua vivência cotidiana. Um professor que incentive o bom desempenho acadêmico, criando prêmios, sob critérios objetivos, que poderiam estender-se a outras escolas, municipais ou estaduais, numa saudável concorrência.

Em muitas localidades, especialmente nas mais violentas, a rotatividade de diretores e professores afasta a necessária estabilidade das ações programadas. A seqüência fica prejudicada e o ambiente conturbado. Nesse sentido, sugere-se, às Secretarias de Educação, pôr em prática uma outra forma de contratação do diretor da escola, como acontece no Estado de Minas Gerais e em outros do País. Em Minas Gerais, já há 8 anos, a comunidade elege o diretor por 2 anos, renováveis, de uma lista de 3 professores da escola com melhor resultado no concurso público. O diretor, não sendo mais um líder imposto, mas eleito pela comunidade escolar, exercerá melhor as suas responsabilidades, porque encontra apoio, respaldo nessa comunidade. A escola torna-se mais compacta, mais interessada e os resultados, certamente, serão bem mais concretos.

Um outro aspecto a meditar-se, nas dificuldades pelas quais passam as escolas, é sobre a sua difícil administração. Num sistema escolar gigantesco, como, por exemplo, do nosso Estado, os problemas vão se acumulando, as diretorias regionais incapacitadas de um controle geral mais apurado e a escola se desorganiza a cada passo. É principalmente sob esse prisma que hoje se vê a municipalização do ensino como um bem a considerar. Reduzindo a escala de gestão, a municipalização ajudaria, permitindo avanços no controle local dos problemas.

Um outro aspecto diz respeito à liderança cívica. Hoje, fala-se em responsabilidade social da empresa, mas pouco se faz. Consta-se  que o crescimento do ensino popular em todo o mundo sempre foi produto da interface do setor público com o privado. Seria de muita ajuda se empresas criassem, em regiões mais pobres, escolas privadas de ensino médio, observando com rigor a qualidade. Cobrariam dos alunos mensalidades módicas, na medida de suas possibilidades. Isso viria criar perspectivas de melhores condições de vida para os alunos e suas famílias. Há uma valiosa experiência desse tipo, em São José dos Campos. Estabelecendo padrões de qualidade para o ensino público, a Embraer criou uma escola de ensino médio, administrada pela empresa de ensino Pitágoras, cuja sede fica em Belo Horizonte.

É importante estimular debates sobre a situação lastimável da maioria das escolas públicas, na busca de soluções.


* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em agosto/2002)

O ANALFABETISMO RONDANDO A POLÍTICA

Izabel Sadalla Grispino *

Será que está havendo o despertar de uma nova aurora para o Brasil? Já sentimos um pipocar de consciência sobre as ramificações que exerce a educação em todos os setores da economia do País.

Passo a passo, medidas vêm surgindo na reabilitação da educação, na moralização de padrões de conhecimento para o exercício de cargos políticos. O Ministério Público Eleitoral (MPE) do Ceará, pressupondo a existência de candidatos analfabetos a prefeito, vice-prefeito e vereador, pediu à justiça a impugnação do registro de 826 candidatos, sendo mais da metade pela condição de analfabetos. Esses candidatos deveriam fazer um teste simples de conhecimento de leitura e escrita ou contestar o Ministério Público Eleitoral, apresentando um documento que comprovasse a escolaridade mínima exigida, qual seja o término do ensino fundamental. Na falta desse comprovante, haveria, ainda, a opção de redigir, de próprio punho, uma declaração provando que sabe escrever.

Tem ocorrido o absurdo da declaração do candidato não ser redigida por ele mesmo, quando a declaração não é feita na presença dos juízes eleitorais. Por isso, a importância do teste. O MPE apóia-se no artigo 14 da Constituição, que diz que analfabetos podem votar, mas não são elegíveis. O prazo para recorrer ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) vai até 4 de setembro e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 28 do mesmo mês.

Para as provas, não há um padrão a ser seguido. Elas são aplicadas em sessão pública e agendadas pelos juízes dos municípios. Pela jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o teste deve ser compatível com o ambiente cultural, social e econômico do município. Testes para comprovar se os candidatos sabem ler e escrever vêm sendo aplicados em diversos Estados, como Alagoas, Bahia, São Paulo, Paraná, Ceará, Mato Grosso do Sul, Piauí e Minas Gerais.

Em Aracati, no Ceará, a juíza eleitoral aplicou a prova em 18 dos 20 candidatos convocados. Eles tiveram que ler um trecho do livro infantil “O menino mágico”, de Rachel de Queirós. Dos 18 candidatos, 3 não conseguiram fazer a prova, alegando estar nervosos, e a juíza marcou-lhes outra data para um novo teste.

Em São Gabriel do Oeste (MS), 22 candidatos fizeram uma prova de uma hora, para escrever 20 palavras de um ditado, fazer as 4 operações matemáticas e interpretar um texto simples. Apenas metade foi aprovada, 11 reprovados, tendo alguns tirado nota zero. No ditado das palavras, houve erros chocantes como “demogracia (democracia) “senvergonhise” (sem-vergonhice). Na interpretação de texto, respostas sem nenhuma ligação com o texto e nas operações matemáticas, o absurdo de respostas como esta: 1.218+29 = 1.546.

A decisão de aplicar o teste dos juízes eleitorais tem amparo na resolução 21.606 do TSE, mas tem criado polêmica entre partidos, candidatos e especialistas em legislação. Argumentam ser o teste eletista, ridiculariza e humilha o candidato, ao invés de questionar o analfabetismo dos candidatos. Por que não apelar ao candidato que se prepare, que se alfabetize, antes de se candidatar? Como pode um prefeito, um vereador, exercer funções administrativas, legislativas, praticar uma infinidade de atos, sem saber o que assina? Como governar, legislar, representar a comunidade, sem um conhecimento mínimo de leitura e escrita, para exercer a função pública?

Há muito já se sabia da existência de políticos analfabetos. O diagnóstico era contundente, mas o problema parecia não apresentar solução, até que, finalmente, surgiu uma frente corajosa e passou a encarar a questão.

O povo se mira em seus governantes. Quem está no poder deve dar exemplo, estudar, aperfeiçoar-se, estimulando tal comportamento. “Educa-se bem mais pelo exemplo que pelas palavras”, já nos ensinava Rui Barbosa. O metalúrgico Vicentinho de Paula, prevendo a possibilidade de ascensão em cargos públicos, passou a abraçar os estudos, fazendo cursos supletivos, prestando vestibular e ingressando em uma universidade.

“Uma nação se faz de livros e de homens”, nos dizia Monteiro Lobato. Ao enunciar a frase, colocou livro antes de homem: primeiro estudar, estruturar-se no conhecimento, para depois enfrentar o cargo pretendido. Afinal, como atingir os objetivos, essenciais que sejam, sem desenvoltura lingüística? Sem a capacidade de interpretar atos, formular projetos, elaborar leis, tomar decisões importantes?

Esse teste para políticos analfabetos deve servir de alerta à Nação, afinal num País tão desigual, como o nosso, a baixa escolaridade da população só faz diminuir o nível de desenvolvimento social.O espelho deve refletir cultura e não ignorância. Só a educação é capaz de gerar novos e promissores avanços sociais.

Pelos poucos exemplos citados, das respostas ao teste, podemos constar a validade da existência dos mesmos, para candidatos que não comprovem a escolaridade mínima exigida. Acorda Brasil, comece a pôr os pingos nos “is”, a fazer os inconseqüentes se tocarem, se prepararem antes de aspirar funções de comando, de grande responsabilidade e de difícil mensuração das repercussões negativas. Esses políticos representarão a coletividade, responderão pelo patrimônio público, numa função altamente importante.

O espírito crítico, que nutre a sociedade, não pode ser anulado, tragado pela irresponsabilidade de alguns. Hoje, o sonho do brasileiro é exportar conhecimento, não apenas produtos in natura e de matéria-prima. Para tanto a educação é decisiva, a plenitude do desenvolvimento social e econômico só virá com ela. Os políticos devem dar exemplo!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2004)

DESESTÍMULO À CARREIRA DE PROFESSOR

Izabel Sadalla Grispino *

O número de candidatos ao ingresso ao ensino superior, na formação de professores do 1.º e 2.º graus, vem paulatinamente decrescendo. Já há falta de professores, desse nível, em diversas localidades do Brasil e, ao que tudo indica, a tendência é aumentar. A desvalorização da carreira do magistério, nos últimos anos, tem sido uma constante, suscitando, em relação a ele, um sentimento de descrédito.

Se não se injetar recursos, tentar reverter a imagem desfavorável que hoje se tem da escola e do professor, a situação, com o passar dos anos, pode tornar-se insustentável, analisam os especialistas em educação. O desânimo parece ter tomado conta do professor, diante de seu baixo salário, de classes superlotadas, em média de 40 alunos no ensino médio, e ainda o pior, sem expectativa de melhora na carreira.

O professor tem sua auto-estima em baixa, sente-se desprestigiado pela sociedade que o vê como um profissional despreparado, incapaz de acompanhar as inovações, os avanços tecnológicos da época e, conseqüentemente, incapaz de elevar o nível de ensino, de trazer a qualidade tão necessária aos dias atuais. Esse professor precisa de ajuda, de suporte, de educação continuada, de melhores condições de trabalho, de uma melhor qualidade de vida, para encarar as mudanças e dar respostas que o reabilite perante seus alunos e perante a sociedade como um todo. Se essa visão falhar, se a vontade política não se acentuar, os jovens buscarão, certamente, outras profissões mais compensadoras, mesmo sabendo que, como professor, ele não ficará desempregado.

Segundo o novo secretário do Ensino Médio do Ministério da Educação (MEC), Antonio Ibãnez, faltam 200 mil professores nesse ensino, com déficit maior nas áreas de ciência: física, química, biologia e matemática. Nos últimos anos, o número de alunos no ensino fundamental cresceu de 92 para 97% do total das crianças em idade escolar. São atualmente 35 milhões de estudantes com índice de conclusão também cada vez maior. O aumento considerável de alunos no ensino médio foi uma decorrência inevitável. Hoje, tem quase 9 milhões de adolescentes e, para atendê-los, o País possui apenas 468 mil professores divididos entre os três anos do ensino médio.

Um estudo da Unesco, divulgado em fins de 2002, apoiado em dados de 1999, obtidos em 38 países, revela que os professores brasileiros da educação básica cumprem até tripla jornada e seu salário médio em início de carreira está entre os mais baixos dos países em desenvolvimento. O salário médio inicial do professor brasileiro só está um pouco acima apenas do Peru e da paupérrima Indonésia. A defasagem ressalta-se quando se compara com a Argentina, com o Uruguai e, principalmente, com a Suíça, que lidera os  países desenvolvidos. Ainda, entre 43 países, o Brasil tem a sexta maior média de aluno/professor (28,9) no ensino fundamental e a maior no ensino médio (38,6). O máximo recomendado pela Unesco e Organização Internacional do Trabalho está entre 20 e 30 alunos/professor. O número excessivo de alunos leva o professor a um estresse, prejudicando o seu rendimento e o rendimento do aluno.

O desestímulo ao magistério abarga, de maneira degradante, diversos ângulos, trazendo imagens de penúria, de desconsideração ao ser humano. Valendo-se da prerrogativa de atender, com emergência a demanda de matrículas, Estado e Prefeitura construíram escolas de aço pré-moldado, modelo semelhante a contêineres. São as chamadas escolas de lata, condenadas como medida antipedagógica. No verão passam um calor sufocante que atrapalha alunos e professores. O rendimento de ambos cai bastante e é preciso tirar as crianças das salas de aula com mais freqüência para tomarem ar. Vão várias vezes para o recreio, suando e com mal-estar. Quando chove forte, o barulho é tanto que atrapalha as aulas. Mal se ouve o que o outro está falando e, segundo relato de professores, as crianças se assustam e começam a chorar.

Quadro desolador do magistério público! Se a educação é tratada nesse nível, como esperar incentivo à carreira do professor? Como esperar que os jovens se entusiasmem e se enveredem nessa direção? Se quisermos professores e bons professores tratemos de nos preocupar, sem subterfúgios, à causa da educação. Investirmos mais na qualidade das licenciaturas e cursos de formação de professores, elevarmos os salários progressivamente, para que consigamos dar um salto para o futuro.

Valendo-me deste valioso veículo de comunicação, lembro de que já estão à disposição das escolas públicas e particulares de ensino médio do País os resultados do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) de 2002. O boletim mostra a nota média do conjunto dos estudantes da escola e a média brasileira.

O documento é gratuito para as escolas públicas. As particulares devem pagar uma taxa de R$ 5,00 por aluno. As instituições podem solicitar os resultados pelo e-mail do Inep – enem@inep.gov.br. O Inep é o órgão do Ministério da Educação responsável pelo teste.

* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em julho/2003)

AVALIAÇÕES EXTERNAS À ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

As avaliações oficiais, que abrangem também escolas particulares, vêm revelando um arrebaixamento no aproveitamento dos alunos dessas escolas. Preocupadas, escolas de renome passam a optar por um sistema de avaliação da aprendizagem externo à escola.

As escolas da rede oficial navegam num mar de turbulência e a rede particular, que começa a dar sinais de decadência, alerta-se para se prevenir. Essa rede vem constatando um decréscimo do número de alunos e busca um aperfeiçoamento em seus métodos. Apóia-se em uma observação imparcial, externa à escola, num processo de mudança e aprimoramento.

Escolas particulares de ensino fundamental e médio vêm recorrendo a consultorias e institutos de educação para encomendar avaliações externas do desempenho do aluno. Desde 2004, dois grandes institutos avaliaram cerca de 200 escolas espalhadas pelo País, sendo metade do Estado de São Paulo. Embora cada instituto tenha suas características peculiares, as avaliações incluem verificações do conteúdo acadêmico, provas de conhecimento lingüístico, raciocínio lógico-matemático e ciências, para os alunos. Para os professores, estratégias pedagógicas, como os professores transmitem o conteúdo em sala de aula e avalia as condições de infra-estrutura da escola. Há um questionário  enviado aos pais, outro, aos funcionários e um outro aos alunos, com perguntas sobre tolerância, violência, educação sexual e uso de drogas.

Essas escolas criam uma espécie de Sistema de Avaliação da Educação Básica, nos moldes do Saeb, aplicado pelo Ministério da Educação em uma amostra de escolas do País, só que mais completo, mais complexo, mais global. Os institutos de educação propõem que o processo seja repetido a cada dois anos, tempo necessário para entender os resultados e implementar medidas para modificar as falhas encontradas.

Esse processo de avaliação externa surge como um parâmetro para as escolas particulares, identificando os pontos fortes e fracos de seu desempenho. Facilita a correção e o planejamento a ser seguido, com as mudanças necessárias.

Essas avaliações são um forte aliado para os professores se situarem e se guiarem com mais segurança, no processo de ensino-aprendizagem.É mais uma avaliação alternativa que a rede particular de ensino vem encontrando para melhorar sua performance e conseguir atrair alunos.

Tudo que se puder agregar para se alcançar o bom ensino, o bom aproveitamento discente, deve ser abraçado com entusiasmo. A rede particular está tentando um caminho de sucesso. Oxalá consigamos, também,  para a rede oficial de ensino!

* Supervisora de ensino aposentada.          
(Publicado em abril/2007)

LANÇAMENTO DO LIVRO “PRÁTICA PEDAGÓGICA”

Izabel Sadalla Grispino *

O livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola), de minha autoria, traz subsídios importantes para a formação do professor. Apresenta uma visão prática do ensino-aprendizagem.

Nas minhas freqüentes visitas às escolas, apoiada, também, por pesquisas e resultados de avaliação, notei que o ensino, com poucas exceções, continua preso à metodologia tradicional, na linha do “magister dixit”. O professor pode até ter uma razoável formação em sua disciplina específica, mas tem muito pouco treinamento prático em didática. O livro propõe-se, através de temas a serem desenvolvidos em sala de aula, a fazer o professor se ver em atuação.

“Prática Pedagógica” não é livro de tema único, visto em seus múltiplos aspectos, mas livro de temas variados, atuais, por vezes problemáticos, retirados do dia-a-dia da sala de aula. Passo a passo, ele vai formando opinião, provocando mudança de mentalidade, fornecendo à escola uma estruturação didático-pedagógica. Questões práticas são lançadas ao longo do livro, vistas sob uma ótica científica, apoiada em conceitos referendados pelos clássicos da literatura pedagógica.

O livro traz mensagens reflexivas, desperta o professor para uma renovada prática de ensino e isso desde a sua capa, quando a imagem, a disposição das cadeiras, sugerem a prática do diálogo, do debate, da construção do conhecimento; na contracapa, a posição da minha imagem passa a importância do compromisso, da divulgação do conhecimento, da importância de se conhecer para se conscientizar. Através da poesia, chama atenção da transformação social promovida pela escola, de seu papel social. As “orelhas” do livro lançam proposições que colocam desafios ao processo de ensino-aprendizagem. O leitor, pelos temas abordados nas “orelhas”, sentir-se-á impelido a continuar a leitura.

A formação do professor é basicamente, ainda, calcada na teoria; as próprias faculdades fundamentam seu ensino numa passagem de conhecimento unilateral. Esse processo vai se tornando uma gangorra, um jogo de pingue-pongue. Da sala de aula da educação básica vai para a sala de aula da faculdade e desta, novamente, para a sala de aula da educação básica, numa corrente contínua.

A escola hoje não se mantém mais como transmissora do saber. O método moderno exige um aluno pensante, criativo, construtor do conhecimento e não simples receptor. O desinteresse do aluno pela escola provém, em grande parte, de seu isolamento na sala de aula. É necessário dar ao currículo uma visão prática, que se distancia da visão culturalista, enciclopedista. Um ensino que visa recriar a cultura com o aluno. O processo tradicional, que leva ao aluno o conteúdo pronto e acabado, não prende sua atenção e coloca a escola em defasagem com seu tempo. A escola atualizada trabalha com projetos e não aulas em que o professor fala, dita, escreve na lousa e o aluno copia. Os projetos precisam chamar a atenção do aluno, atrair seu interesse, engajá-lo em suas escolhas.

No método tradicional, conteudista, o aprendizado ocorre de fora para dentro, pela transmissão do conhecimento. Na pedagogia construtivista, ao contrário, o aprendizado ocorre de dentro para fora. No construtivismo, o aluno galga passos para chegar, ele mesmo, ao conhecimento. Esse método, ensina a pensar, a criar hipóteses, relacionar, interpretar para chegar ao conhecimento. Ele é uma exigência da época, que pede um ser crítico, reflexivo.

Um outro tópico importante na aprendizagem moderna diz respeito à contextualização do conhecimento e a interdisciplinaridade das disciplinas do currículo. A escola afasta-se dos conteúdos desvinculados da realidade do aluno. Busca assuntos que tenham ligação com sua vida  e de importância sociocultural. A interdisciplinaridade – interligando as diversas áreas do saber – promoverá ao aluno uma formação geral mais ampla e a contextualização buscará a solução dos problemas sociais no seu trato com o cotidiano. A escola colocará os objetivos do ensino próximos ao dia-a-dia da sala de aula.

Estamos vivendo uma nova etapa da educação. A escola toma novos rumos, ressalta a educação para o pensar. É uma nova escola, onde não basta a criança ser educada, mas precisa ser bem educada. Os modelos educacionais mudaram nas últimas décadas. Deixou-se de lado a importância da memorização e passou-se a adotar projetos pedagógicos destinados a dar mais autonomia aos alunos na aprendizagem. As principais tendências do ensino, que vão se consolidando, consistem em levar o aluno a pensar com mais compreensão de seu cotidiano, mais capaz de tomar decisões e mais apto ao convívio social.

Estamos passando por um processo de revolução tecnológica e industrial, que introduz mudanças rápidas e importantes nos métodos e na organização da produção. Nesse contexto, a escola precisa promover o exercício simultâneo entre a área do saber e a do fazer. Atualização constante, reciclagem de conhecimentos, experiências em sintonia com as mudanças mundiais são, portanto, requisitos para uma segura atuação docente. Os métodos de ensino renovam-se, há uma variedade deles, porém, entre todos, há princípios comuns que os norteiam, como a passagem gradativa do conteúdo, a observância do ritmo próprio de cada aluno, de seu nível de conhecimento, a observância das fases do desenvolvimento mental da criança, no período da alfabetização, a avaliação individual e contínua da aprendizagem. Caracterizam-se mais por competências cognitivas de caráter geral que por informações.

Estes e muitos outros assuntos de suma relevância ao processo educacional estão contidos no livro. É um livro de 364 páginas, de fácil manuseio, de fácil leitura, cujos tópicos se encontram elencados e numerados no sumário. Está dividido em capítulos e cada capítulo contém um conjunto considerável de assuntos específicos, correlatos.

O livro aborda os principais passos da reforma do ensino estabelecidos pelo Ministério da Educação (MEC), de conformidade com a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), n.º 9.394/96. O capítulo “Aspectos da Escola Renovada” registra, com exemplos, os avanços metodológicos, apregoados por esta nova escola. O livro traz um estudo detalhado sobre o sistema de ciclos na progressão continuada. Aborda no capítulo “Avaliação da Aprendizagem” os amplos aspectos  da personalidade a serem avaliados, os aspectos cognitivos, afetivos,  psicomotor. Antes das Considerações Finais, há um extenso capítulo sobre educação infantil, sobre o comportamento infanto-juvenil, visto à luz da psicopedagogia.

Promover a qualidade do ensino, assessorar a formação do professor, fornecer subsídios à escola, estendendo o olhar à decadente escola pública, foram uma das minhas grandes preocupações. O grande objetivo do livro é ser útil à causa da educação.

O livro encontra-se à venda nas principais livrarias da cidade, por um preço bastante módico.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em junho/2004)

RESPOSTA A UMA ALUNA DO CURSO NORMAL

Izabel Sadalla Grispino *

Foi com satisfação que li a mensagem, enviada a mim, através do jornal Guariba Notícias, de Maria Aparecida Monteiro, em véspera de se formar professora.

Maria Aparecida é aluna do 3.º ano do Curso Normal do Instituto de Educação Professora Marisa Serrano, da cidade de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Seu curso termina agora, em 30 de junho.

Citarei trechos de seu e-mail, enviado à redação do jornal: “ ... Venho agradecer as matérias da professora Izabel Sadalla Grispino, que têm sido de grande ajuda para o meu desempenho na escola. Levo os textos para a sala de aula para ser discutido com o grupo, pois, sempre, têm o que nós precisamos. Uso, também, para os meus portfólios os textos de meditação, que sempre nos trazem momentos de reflexão... Nós do Instituto de Educação Professora Maria Serrano, OMEP/BR/MS, agradecemos a sua colaboração, através de seus trabalhos, publicados no jornal Guariba Notícias, o qual recebo regularmente. Maria Aparecida Monteiro, Campo Grande/MS”. (Publico, semanalmente nesse jornal, junto ao artigo educacional, uma poesia para meditação).

Maria Aparecida, seu e-mail cativou-me pelo processo adotado na aquisição do conhecimento. Sua curiosidade leva-a ao método construtivista, de pesquisa e análise, ao encontro de uma metodologia ativa, concreta, interativa.

Você faz, exatamente, o que tem que ser feito: não é apenas ler o texto, mas discuti-lo em grupo, chegar a conclusões, fixar os conceitos emitidos e traduzi-los em práticas educativas, na sala de aula, junto aos alunos.

A sua vontade de aprender, a sua responsabilidade perante a função, a conduzirão às instâncias superiores do saber. Tenho fé em sua futura atuação docente. Você já desponta com brilho no cenário da educação, tal distinguida abelha obreira, fabricando mel para a colméia, tal soldado engajado na luta pelo engrandecimento da Pátria.

Que bom que meus estudos, frutos de suadas lavras, estejam caindo em terra fértil, adubando-a para a rica colheita! Avançar pelo critério de mérito, pela luz do conhecimento, é caminho que consolida toda e qualquer carreira profissional.

Parabéns pela iniciativa,  espero  que  esse processo de aprender a aprender percorra toda sua existência. Se quisermos nos manter em alto nível nessa sociedade do conhecimento, não podemos jamais deixar de lado a educação continuada.

Amanhã, a Nação, por suas famílias, seus jovens, pela sociedade, agradecerá seu ilustrado devotamento à causa da educação, na luta por um ensino de qualidade, o único capaz de dar respostas ao mundo globalizado, em que vivemos.

Abraços e louvores a você.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2007)

ALTERAÇÃO DE CURRÍCULO

Izabel Sadalla Grispino *

Fui solicitada a me pronunciar sobre a mudança do currículo do ensino médio diurno, da rede estadual, com a ampliação da carga horária de 25 para 30 horas semanais.

Esse aumento da carga horária atende a uma antiga reivindicação dos professores. Na época do governador Mário Covas, em 1998, por sua determinação – gestão da secretária Rose Neubauer – houve uma diminuição do período de aulas. Passou de 6 para 5 o número de aulas diárias e a duração de cada uma aumentou de 50 para 60 minutos.

O novo currículo, aprovado para ser implantado já neste ano letivo de 2005, traz acréscimo de disciplinas, como filosofia e psicologia. Os alunos do ensino médio terão a matriz curricular ampliada de 25 para 30 horas semanais. A disciplina filosofia passa a ser obrigatória para os alunos do 1.º e 2.º anos do ensino médio diurno. Eles terão 2 aulas  de filosofia por semana. No 3.º ano desse ensino, as escolas poderão optar por 2 aulas semanais de sociologia ou de psicologia. As outras horas serão usadas para as disciplinas de ciências e humanas, uma aula a mais por semana de português, matemática, história e geografia. No 3.º ano, a escola pode optar por uma a mais de química, física ou biologia.

O currículo constava de 4 aulas semanais de português e literatura, 4 de matemática e, em média, 2 para cada uma das outras disciplinas: história, geografia, química, física, biologia e língua estrangeira. Havia ainda uma aula semanal para o 1.º e 2.º anos do ensino médio e 3 para o 3.º ano que deviam ser usadas para filosofia, sociologia ou psicologia.

O período noturno do ensino médio não sofrerá mudanças. A nova grade não será aplicada ao noturno porque, segundo a Secretaria da Educação, os alunos trabalham e não têm flexibilidade de horário. Eles têm apenas 4 aulas por dia, com carga total de 20 horas semanais. Porém, o fato de a mudança não se estender ao ensino médio noturno e ao ensino fundamental desagradou os professores, que argumentam que ambos perderam aulas em 1998. O ensino médio noturno abriga 49% dos alunos desse ensino e merece uma carga horária maior, opinam os professores, que lançam uma proposta de ampliação da matriz para o ensino fundamental e ensino  médio

noturno.

No início da implantação do novo currículo do ensino médio diurno, os professores das novas disciplinas, que deverão ter formação específica, foram chamados pela Secretaria da Educação com base no concurso público realizado em 2004. No decorrer do ano, diz o secretário, haverá a possibilidade de um novo concurso. Afirma o secretário da Educação, Gabriel Chalita, que todos os professores passarão por um processo de capacitação.

Colocada a posição antiga e atual da matriz curricular do ensino médio diurno, podemos argumentar que uma carga horária maior, uma grade curricular mais completa, enriquecida por diferentes disciplinas, só podem trazer benefícios aos alunos. Há um enriquecimento do conteúdo, uma diversidade de assuntos, que ampliam a visão do educando.

Para a sociedade que vivemos quanto mais conhecimento, quanto mais abrangência curricular melhor. Contudo, só haverá realmente um reforço de aprendizagem se as condições forem apropriadas a um melhor desenvolvimento das matérias. Infra-estrutura é importante, mas, o mais importante é o professor, em sua formação, em sua mudança de mentalidade, na renovação metodológica aplicada, no domínio do conteúdo a ser ministrado.

Se a mudança de currículo não se caracterizar por mudanças estruturais na sua aplicação prática, se não passar por uma nova dinâmica, teremos mais um remendo, mais uma colcha de retalhos. A inter e a multidisciplinaridade, quando bem aplicadas, reforçam o entendimento dos assuntos tratados, completam sobremaneira a extensão do conhecimento que abordam. A grande revolução educacional está focada na competente atuação docente, em sua renovada metodologia.

Fato semelhante ocorre com a inclusão digital proposta para as escolas, que já se organizam com propostas de inclusão. O computador é um bem essencial nos dias de hoje, está longe de ser um bem secundário. Ele é considerado tão importante para as novas gerações como a TV foi para as gerações anteriores. Acredita-se que todo entretenimento tende a convergir para o computador, além de ser um instrumento valioso para a educação, para a autonomia na aprendizagem.

Os jovens percebem a sua importância, sabem que precisam dominar o PC se não quiserem estar fora do mercado de trabalho. Mas, alunos das escolas públicas terão oportunidades de se afirmar na inclusão digital? Terão chances de dominar essa poderosa ferramenta educacional e profissional? Estar incluído significa ter familiaridade com os processos fundamentais do mundo virtual. Recebem, na escola, através de seus professores, conhecimento necessário para operar um computador e navegar, por exemplo, na web? Seus professores possuem essa habilidade a ponto de poder repassá-la? É aí que se encontra o maior entrave na inclusão digital do aluno carente, na própria capacitação virtual do professor. Falta-lhe uma montagem de estrutura de suporte à implementação de novas tecnologias de informação e comunicação.

Uma pesquisa feita pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas Educacionais (Inep), do Ministério da Educação, a pais de alunos, sobre a qualidade das escolas públicas, revelou uma avaliação positiva por parte deles. São pais em que a maioria não tem nem o ensino fundamental, com dificuldade em fazer uma ajustada avaliação. Contudo, externaram a opinião de que as escolas particulares, de um modo geral, são melhores. Consideraram que as escolas públicas estão muito fáceis e que não ensinam computação.

A consciência da boa formação profissional, seu aprimoramento, sua atualização, são assuntos que deveriam permear a preocupação de toda escola, especialmente das mais necessitadas.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2005)

UM ENFOQUE DA EDUCAÇÃO DE RIBEIRÃO PRETO NO PERCURSO DE SEUS 150 ANOS

Izabel Sadalla Grispino *

A escola pública em Ribeirão Preto teve em seus primórdios, como em todo o País, um início lento, desarticulado. Contudo, no início do século XX, surgiam escolas estaduais, como a E.E. Dr. Guimarães Júnior, em 1905, e, em 1907, a conceituada E.E. Otoniel Motta, seguida da E.E. Dr. Fábio Barreto. Essas escolas, desde o seu início, primavam por uma educação de qualidade. Otoniel Motta foi celeiro de professores de alta categoria.

Escolas particulares, renomadas até hoje, complementavam a educação dos jovens da época, como o Instituto Santa Úrsula, Nossa Senhora Auxiliadora, Metodista, Marista e outras.

Todas adotavam um ensino baseado na linha cartesiana, que ostentava bandeiras com lemas da elitizada escola da disciplina, austeridade, honra e excelência. Eram escolas que respondiam favoravelmente à sua clientela, seleta, oriunda de classes abastadas, dominantes, que aspiravam ao ingresso nas universidades, quer do País, quer da Europa.

Até a década de 70, Ribeirão irradiava conhecimento, era modelo de ensino público para toda a região, uma ilha de excelência. Depois, gradativamente, essa educação pública de qualidade foi cedendo lugar a uma educação ineficiente, Hoje, Ribeirão se faz representar, em termos de boa educação, por escolas particulares, tendo algumas, as mais consagradas, angariado o posto da vanguarda do saber, exercido no passado, pelas escolas públicas.

Atualmente, seguindo a tendência nacional, Ribeirão apresenta um ensino de dois níveis: um bom ou muito bom, destinado aos ricos, e um bastante sofrível, destinado aos pobres, jogando na sociedade uma leva de analfabetos funcionais. Precisa, como todo País, investir em uma educação com eqüidade social.

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em junho/2006)

LUZES NO PALCO DA EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Não têm sido pouco insistentes as vozes que, de tempos em tempos, apregoam a luta por uma educação de qualidade, nas escolas da nossa rede oficial. Se nos propusermos a uma análise detalhada, veremos que os pontos culminantes das reivindicações se colidem. São argumentações que brotam de observações reais,  desfantasiosas, da atuação das escolas e seus desfavoráveis resultados.

Recentemente, revistas e jornais têm publicado um retrato surpreendente da educação que se desenvolve na Coréia do Sul. Os altos índices do nível educacional, que o povo sul-coreano vem alcançando, encontram respaldo nas condições em que o país colocou a educação fundamental – educação de base – da população como um todo.

A Coréia do Sul promoveu uma revolução educacional que fez dela modelo de referência mundial. As enérgicas medidas tomadas desmistificam o populismo com que a educação é tratada em países pouco afeitos à educação popular. São medidas palpáveis, convincentes, objetivas, altamente qualificadas, sem invólucro de chamariscos para impressionar. E, se assim não for, não haverá resultado consistente, apenas melhoras paliativas, intermitentes, desconexas, como o que acontece no Brasil.

Educação não é um faz-de-conta, é algo muito sério e como tal deve ser tratado. Vontade política e um debruçar-se são trilhos exigidos. Tomando a Coréia do Sul como exemplo, poderemos facilmente delinear os trâmites do sucesso, entender por que em Seul a obsessão por leitura tem caráter nacional.

A Coréia do Sul concentrou seus recursos públicos no ensino fundamental. Compreendeu que ele é a alavanca do ensino superior. Era preciso fortificar esse grau de ensino para levar a fortificação aos graus mais avançados. As salas de aula são equipadas com os mais modernos recursos didáticos, os laboratórios de computação têm máquinas de última geração ligadas à internet e as bibliotecas, ricamente montadas, com acervos os mais variados, atraem famílias inteiras nos fins-de-semana.

Estímulos não faltam nem a professores, nem a alunos. Um sistema de mérito implantado premia os bons estudantes desde a escola até a vida adulta. Premia os melhores alunos com bolsas e aulas extras, para que desenvolvam seu talento.

Os professores são vistos como luzes no cenário educacional, chaves do processo de aprendizagem. São alvos de respeito pelo governo e pela sociedade. Têm excelentes condições de trabalho, dedicação exclusiva a uma só escola e direito a 4 horas diárias para preparar as aulas e atender os alunos. São proibidos a ter mais de um emprego. Exige-se do professor, desde o jardim-de-infância, diploma de ensino superior e a maioria conta com pós-graduação.

O preparo e a dedicação do professor encarregado das aulas são vistos com muita seriedade. Quanto ao salário, os professores sul-coreanos são os mais bem pagos do mundo. Um professor experiente ganha na Coréia do Sul, segundo dados divulgados, um salário mensal médio de 6 mil dólares, seis vezes mais do que ganha um professor brasileiro do mesmo nível!

Um outro aspecto importante a ser ressaltado é a participação maciça, sistemática, vigilante, da família na educação dos filhos. As famílias são orientadas para essa direção. Os pais observam de perto a vida escolar dos filhos, o que contribui e muito para o alto padrão acadêmico.

Uma forte conseqüência desse avanço  educacional é a sua economia triplicando de tamanho a cada década. Tudo que fazem tem como objetivo virar produto no mercado, promovendo vantajoso casamento entre o ambiente acadêmico e a indústria. Produzem pesquisa de ponta e patentes. Investem cada vez mais em capital humano, em formação de cérebros.

Repetidamente, dissemos que era necessário melhorar as condições de trabalho do professor da rede pública, equipar melhor as escolas, diminuir o número de alunos por classe, aumentar consideravelmente o seu salário, dar-lhe status social e um competente suporte técnico. Só assim haveria estímulo e corrida para o aperfeiçoamento profissional.

Entre nós, louvor seja dado às escolas particulares, umas mais, outras menos. São as que estão segurando as pontas, colocando traves nas barrancas dos rios, não deixando o barco navegar à deriva. Cito um exemplo de caráter pessoal. Recentemente, lancei o livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola). Foi um livro pensado para a educação em seus diferentes graus de ensino da educação básica, abordando também aspectos da educação superior. Foi, inclusive, um livro direcionado, em determinados pontos, à escola pública, preocupado em assistir o aluno pobre, em assessorar a escola na programação de ações, currículos, capazes de, efetivamente, alcançar esses alunos, retê-los no recinto escolar e dar-lhes uma educação de qualidade.

Paradoxalmente, a receptividade, a acolhida do livro, foi bem maior entre as escolas particulares (seja de grande, médio ou pequeno porte) que as da rede oficial. O que isso significa? Evidentemente, o desestímulo ao estudo, o desencorajamento ao enfrentamento da problemática da rede oficial, a sobrecarga de trabalho e da responsabilidade individual que essa rede imprime ao professor. O professor da rede particular, além de melhor salário, sente-se apoiado, trabalha num ambiente afim, que dá ensejo ao aperfeiçoamento profissional.

A qualidade de ensino das escolas particulares é o diferencial que faz com que os ricos cursem uma boa universidade e os pobres batam às portas da marginalização. Essa realidade, comprovada exaustivamente por pesquisas, não move a vontade política? Não a demove em busca de uma mudança radical, quebrando a perpetuação da desigualdade social?

*Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2005)

SAÚDE ALIMENTAR E POSTURAL DO ALUNO

Izabel Sadalla Grispino *

A escola, de hoje, atua dentro de conceitos abrangentes, em benefício da educação integral do aluno, conceitos que vão além da simples transmissão do conhecimento. Ao lado do conceito “sujeito de direito”, assunto por mim abordado em um artigo anterior, ela trabalha o conceito de saúde alimentar. Preocupada com a saúde da criança, com problemas de obesidade, acarretando, já na infância, alta de colesterol, de triglicéride, provocando doenças cardíacas, renais, passa princípios de boa nutrição. Ensina alunos, pais, comunidade escolar, a importância de uma comida balanceada.

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A DIFÍCIL ARTE DE EDUCAR

Izabel Sadalla Grispino *

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