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Artigos Educacionais

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ALCA DO ENSINO SUPERIOR

Izabel Sadalla Grispino *

Os avanços tecnológicos ocorrem de maneira vertiginosa. É praticamente impossível prever-se as próximas evoluções. Não se pode mais trabalhar isoladamente e a integração de forças, em busca do novo, do conhecimento atualizado é pensado e desejado indistintamente, não importa em que setor da atividade humana.

Cogita-se de que num futuro breve, 10 ou 15 anos, as universidades serão “uma só”, interligadas pela internet. Pode-se, por exemplo, estando no Brasil fazer um curso na Universidade do México ou de Portugal e, estando lá, fazer disciplinas aqui. Apoiado nessa visão, o ministro da Educação, Cristovam Buarque, propôs a embaixadores da América Latina, de Portugal e da Espanha, durante um encontro realizado em junho de 2003, criar a “Alca do Ensino Superior”. Ele defende um projeto comum de universidade na América Latina.

O ministro lança a idéia de que, em vez de integração só por meio do comércio, os parceiros do Mercosul e da Alca desenvolvam meios para integrar as universidades. “Fala-se na Alca do comércio, mas não se fala da Alca do ensino superior”, frisou o ministro, e marcou um novo encontro, para discutir o assunto. O seu grande desejo é que se construa, ao lado do Mercosul da economia, a “Universidade Sul”, analisando ser mais fácil a criação dessa universidade que a unificação comercial, porque as contradições são menores.

Uma universidade em conjunto não tiraria as especificidades locais, só ampliaria a visão de mundo, daria amplitude ao conhecimento, aumentando possibilidades de aperfeiçoamento e intercâmbio cultura e profissional.

Hoje, estamos aqui, mas presos ao mundo, antenados numa rede mundial de conhecimento e acontecimento, que nos mostra que é preciso avançar, alargar as perspectivas, para se situar no mundo globalizado.

2004 bate à nossa porta. Que haja um pacto para a evolução do conhecimento científico, mas que 2004 consiga, também, um pacto para a cultura humanística. Só esta, abraçando a espiritualidade, educando a mente e a alma para o amor, poderá conseguir o que a ciência até hoje não conseguiu, reverter os caminhos sombrios da violência, da guerra, os caminhos mortíferos das drogas, aniquilando nossos jovens, anulando a revolução tecnológica, zerando a esperança de vida. A decadência do sentido moral na sociedade, acarretando perdas de valores, evidencia-se mais e mais, numa conseqüência desastrosa para a vida humana. Os lares brasileiros hospedam, hoje, o desassossego, a inquietação, o medo. Já diziam os antigos filósofos gregos: “A alma de toda cultura é a cultura da própria alma”. Cultura que faz chegar a Deus e modificar o interior do homem.

Na luz da alma, a paz universal; na luz do amor, a semente e a preservação da vida. Um feliz Ano Novo a todos vocês, prezados leitores, com votos de saúde, paz e prosperidade. Minhas reflexões, na poesia abaixo:

ANO  DE  2004

Fim de ano, balanço de atividades,
Para uns, 2003 foi auspicioso, um ano de realizações,
Para outros, transcorreu na normalidade,
E para outros, ainda, foi marcado de dor, de desolação,
Na minha família, aconteceu uma perda muito sentida,
Apagou-se a luz da vida de uma pessoa querida.

2004 inicia-se sem o Jorge, um amado irmão,
Inicia-se triste, por essa sua ausência,
Sua vida produtiva, porém, não foi em vão,
Deixou um legado de ensinamentos, de experiências,
Que englobamos em nossa caminhada,
E nos ajudam a transpor os percalços da jornada.

Neste raiar de ano, nos exaltamos e choramos,
Exaltamos, pedindo a Deus uma era de paz à humanidade,
Que haja mais amor entre os homens, suplicamos,
Que façam profissão de fé na luta pela desigualdade,
A luz do sol é farta, nasce para todos,
Por que não dividi-la, afastando caminhos rotos?

Choramos pela ausência dos nossos saudosos entes,
Só as lágrimas lavam a alma da dor,
A herança recebida engrossa a corrente,
A vida segue em frente, avança sem retrovisor,
Que 2004 injete a vacina da caridade,
Caminho por onde transita a felicidade.

A flor carrega, em suas pétalas coloridas,
O gérmen da semente que lhe deu origem,
Assim, o homem leva, dentro de si, por toda a vida,
Um pouco de sua infância, sua fase virgem;
Somos os grãos humanos reprodutores da existência,
Somente dentro de nós, a ética da vida, sua consciência!

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2003)

PROIBIR É A SOLUÇÃO?

Izabel Sadalla Grispino *

Como a escola pode ajudar as crianças frente à TV? Como educar a leitura que elas fazem da TV?

O primeiro passo é, sem dúvida, conhecer os programas a que elas mais se apegam. Estudar-lhes as características e os aspectos que mais as impressionam.

Proibir, simplesmente, não é o caminho. A proibição só vai aguçar a curiosidade, a vontade de assistir-lhes. Ao proibir, é preciso explicar as razões. Manter com as crianças uma aprendizagem crítica, uma aprendizagem do pensamento divergente. Ensinar a criança a questionar, a duvidar, a encontrar outras saídas, diferentes das apresentadas no filme. Duvidar do que se vê é um bom exercício mental, dizem os psicólogos. A atitude reflexiva favorece a elaboração de exercícios mentais, que a criança pode exercitar ao assistir aos filmes, aos desenhos.

Passando esse comportamento para a prática, uma escola relatou sua experiência, que pode ser de valia a outras escolas. Os professores notaram que a brincadeira que mais se sobressaia, em crianças na faixa de 4 a 5 anos, era a “Pouver Rangers”. Foram conhecer este programa. Perceberam, entre outros fatores, que os heróis, no caso japoneses, conquistam tudo magicamente e apenas pelo prazer da luta e não em razão de um ideal. Não agem de modo inteligente ou com astúcia. São heróis que empobrecem a imaginação da criança, diferentes dos heróis de antigamente, que conquistavam pela busca de um ideal.

Os professores, após terem assistido e avaliado os programas, passaram, em dias alternados, a promover sessões de TV entre os alunos. Foram escolhidos o Sítio do Pica-pau Amarelo, o Castelo Rá-Tim-Bum e um filme dos Pouver Rangers. Embora as crianças apreciassem todos, mostravam preferência pelo Pouver Rangers. Porém, após tê-lo assistido, a meninada ficou muito excitada, mais agitada e mais agressiva na hora de brincar.

Uma das estratégias adotadas foi encaminhar a criança para uma esclarecida interpretação. Professor e aluno raciocinavam juntos, a criança era encaminhada à ponderação, ao abrandamento das lutas suicidas, a exaltar ações que conduzem ao amor, ao bem.

Uma outra preocupação dos pais e dos professores é com os jogos eletrônicos.  Até que ponto os videogames viciam e o que fazer? Especialistas da área de tecnologia dizem que a escolha dos jogos não pode ser aleatória. Eles devem ser relacionados segundo as características de cada criança, considerando, também, os aspectos socioculturais , educativos e psicológicos.

A criança, ao jogar, expressa seu juízo moral, através da livre escolha que faz do destino do personagem, da tomada de decisões e dos sentimentos manifestados. Isso dá a oportunidade, aos pais, aos educadores, discutirem, esclarecerem os aspectos necessários à condução de uma postura moral, compatível aos valores sociais. É preciso fazer a criança entender que o jogo é uma fantasia momentânea; fantasia, imaginação e não realidade.

Os videogames têm seu lado positivo e negativo. É uma questão de regra e limites, que vale para o videogame, a TV, o computador, a Internet. Crianças que jogam de forma compulsiva sofrem os malefícios decorrentes, como sua exclusão do convívio social, o descumprimento de suas obrigações, dos efeitos colaterais orgânicos, como irritação dos olhos, excitação, insônia, principalmente quando os jogos são muito violentos.

Com horário e disciplina, os jogos podem trazer benefícios. Confirmam os especialistas que videogames e jogos para computador são excelentes para o desenvolvimento cognitivo. Desenvolvem a percepção, a memória visual e auditiva, a rapidez, o raciocínio, a capacidade de solucionar problemas e, até mesmo, a socialização, quando jogados via Internet.

Em trabalhos psicopedagógicos, os softwares são bastante utilizados. Nas salas de aula, compete ao professor explicitar os conceitos envolvidos, a fim de que o jogo se converta em instrumento de aprendizagem. É importante que se discutam as questões morais, éticas e de relações humanas, implícitas nos jogos, praticados na sociedade, na escola, em casa.

Em tudo, não há modelo único de educação. Vai depender de cada criança. As regras e os limites devem ser passados dentro dos conceitos éticos, morais, culturais de cada sociedade, de cada família. O importante é conhecer a criança que se tem à frente para ser educada e agir de acordo com cada caso. Para impor limite aos videogames, ao computador, estuda-se a melhor forma, como programar atividades compartilhadas, passeios, esportes, diálogo... Disciplinar os horários, conscientizá-los da hora de estudar, de dormir e de brincar, é imprescindível. Videogame, por exemplo, só depois da lição de casa feita.

Com a finalidade de evitar a violência do jogo, a prática de atos sexuais e desvirtuamento de valores éticos e morais, o Ministério da Justiça definiu a norma de que todos os cartuchos e CDs, de games, tragam, em suas embalagens, um selo de classificação etária.

O Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento – CAD --, clínica formada por uma equipe multidisciplinar da capital, explicitou regras úteis para o aconselhamento e à aprendizagem de crianças e de jovens.

Dos 3 aos 7 anos: as regras são externas à criança, que espera que os adultos lhe dêem ordens. Aproveite a fase para fixar bem a rotina e estabelecer hábitos saudáveis;

Dos 7 aos 12 anos: a criança começa a internalizar as regras. Explique os porquês de suas exigências, sem abrir mão delas. Ela espera esse limite do adulto. É uma boa fase para trabalhar direitos e deveres, estabelecer horários das atividades escolares, de lazer e sono;

Dos 12 anos em diante: o jovem já deve ter adquirido autonomia e capacidade de pensar os valores por si mesmo. Diálogo é essencial. Ele deve participar da construção e/ou reformulação das regras para poder organizar sua própria vida. Vai exigir coerência dos pais e dos educadores e um compromisso recíproco de respeito às regras.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2002)

VENCENDO O PRECONCEITO

Izabel Sadalla Grispino *

Uma resolução de 2003, aprovada pela Assembléia Parlamentar do Conselho Europeu, que agrupa 44 países do continente, determina que a linguagem dos sinais utilizada pelas pessoas surdas seja reconhecida oficialmente como idioma. O reconhecimento, feito através da inclusão dessa linguagem na Carta das Línguas Regionais e Minoritárias, dá-lhe status de “idioma sem nacionalidade”.

São 44 línguas dos sinais na Europa, desenvolvidas nos diversos países europeus com base nas variáveis regionais, étnicas e sociais. As línguas dos sinais podem não ser as mesmas dos idiomas nacionais. No Reino Unido, Estados Unidos e Irlanda, onde se fala inglês, há três línguas de gestos diferentes. Os surdos finlandeses e suecos usam os mesmos sinais.

São mais de 1,6 milhão de surdos na União Européia e pelo menos o dobro em toda a Europa. O objetivo do reconhecimento oficial como idioma é atenuar a discriminação e os problemas enfrentados pelos surdos. Destina-se a evitar situações chocantes como a de um surdo que ficou uma semana preso sem motivo porque não se conseguia achar um intérprete.

As leis sobre a linguagem dos sinais variam entre os povos europeus. Não são todos os países que possuem leis específicas. Na Finlândia, a língua de gestos é reconhecida e protegida na Constituição como “idioma minoritário”, constituindo a “língua materna” de mais de 5 mil finlandeses. Na Finlândia, na Suécia, na Noruega e na Dinamarca, os sinais são ensinados nas escolas como 2.º idioma, junto ao inglês, francês e alemão.

O exemplo avança e no resto da Europa há a preocupação de introduzir a língua de gestos nas escolas. Na Irlanda, Reino Unido, França, Espanha, Grécia e Portugal, as autoridades de ensino adotaram programas para estimular professores a aprender a língua dos sinais e a promover a formação de intérpretes.

Esse comportamento deveria se estender a todos os continentes do planeta. As escolas deveriam abraçar, com entusiasmo, a aprendizagem da língua de gestos, repassá-la aos seus alunos, introduzindo solidariedade e humanização no ambiente escolar.

Uma outra grande vitória alcançando os portadores de deficiência é o espaço que começam a achar no mercado de trabalho. Sempre houve sério preconceito – e ainda há – no setor empregatício. Eram rejeitados, tidos como incapazes, trazendo incômodo ao local de trabalho. Hoje, por força de lei, a inclusão profissional do deficiente torna-se realidade. Antes, uma vida limitada, agora maiores possibilidades de realização. O estudo era difícil pela dificuldade de locomoção – ainda é;  no trabalho, não eram contratados porque não os consideravam capazes.

Uma Lei, contudo, de n.º 8.213/91, prevê a obrigação de contratar deficientes e abrange empresas com mais de 100 empregados. As cotas variam de 1 a 5% do quadro de funcionários, de acordo com o tamanho das mesmas. Essa obrigação já tem mais de 10 anos, mas sua regulamentação só veio em 1999. Uma ação articulada, em 2004, da Delegacia Regional do Trabalho (DRT/SP) e do Ministério Público do Trabalho (MPT) traz resultados consideráveis quanto ao aumento da contratação.

A partir de outubro de 2004, a Delegacia Regional do Trabalho (DRT) de São Paulo fiscalizou no Estado 1,3 mil empresas com mais de 100 funcionários. Constatou a necessidade da criação de 19 mil cargos para deficientes. Até o final do corrente ano, a DRT programa chamar todas as 7.544 empresas desse porte, com a previsão da

criação de 57 mil postos.

Ao que parece, a contratação se dá bem mais por obrigatoriedade que por consciência. Segundo o Ministério Público do Trabalho, as empresas só agem depois de compelidas pelo Ministério, com raríssimas exceções. Após firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o MPT, a empresa tem dois anos para cumprir a lei. Prazo flexível, porque a lei não obriga a empresa demitir empregados para incluir deficientes e nem que ela deva aumentar o quadro funcional. A determinação é dar prioridade aos deficientes, quando houver novas vagas. O prazo é negociável: se a empresa ficar dois anos com o mesmo número de empregados, não tem como cumprir a lei de cotas.

As empresas argumentam que a contratação de deficientes é difícil porque não há profissionais capacitados, mas, na verdade, só querem pessoas com a chamada deficiência leve. É preciso que as empresas se preparem para receber pessoas portadoras de deficiência, como acontece com o Itaú. O banco, desde o ano 2000, quando fez acordo com o Ministério Público do Trabalho, vem cumprindo as metas. Tem 900 deficientes trabalhando no banco (2% do total de funcionários) e espera atingir a cota em 2007. O Itaú é exemplo de empresa que expande o olhar, se ajusta para acolher o diferente, dar-lhe perspectiva de futuro.

Em setembro de 2004, o relatório “Monitoramento Internacional dos Direitos dos Deficientes”, elaborado pela Rede Internacional de Deficientes e pelo Centro para a Reabilitação Internacional, entre 24 países pesquisados, coloca o Brasil como o País das Américas que assegura a melhor proteção e tratamento aos deficientes físicos. Esse resultado, entretanto, foi influenciado pela legislação que, entre outros fatores, assegura cotas de contratação nas empresas, garantias constitucionais de apoio financeiro e proibição da discriminação no trabalho.

Mas, a realidade comprova que pouco se faz no cumprimento dessas vantagens para que o País seja realmente inclusivo no trato do deficiente. A reserva de mercado aos deficientes nem sempre é cumprida, as condições de acesso à educação e ao mercado  são dificultadas, havendo o obstáculo da locomoção que impede a chegada e a permanência do deficiente na escola e no emprego.

Contudo, estamos avançando, grandes passos já foram dados e permanecendo vigilantes, melhores condições de realização surgirão aos portadores de deficiência.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2005)

TECNOLOGIAS DE APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino *

Na última década, mais precisamente nos últimos cinco anos, a expressão tecnologia da informação já faz parte do vocabulário escolar. Para atingir um número maior de educandos ou para tornar a aula mais interessante, a escola vem se utilizando de outros mecanismos que não só a sala de aula.

O rádio e a TV são duas mídias de grande penetração, concorrendo, agora, com a Internet. Paulo Freire dizia que no seu tempo o rádio era o grande referencial, que, agora, passa a ser a Internet, trazendo a escola virtual, a aprendizagem on-line.

Compatibiliza-se o aparato tecnológico com o processo de ensino, constrói-se um novo espaço, um novo modelo de ensinar e de aprender. São novas estratégias de ensino que vão corresponder a novas formas de aprendizagem, a uma outra maneira de se relacionar. A tecnologia é uma aprendizagem colaborativa, não apenas um instrumento de informação. Ela transforma o ambiente virtual em mais um espaço educacional, trazendo posturas diferentes do professor e do aluno. Conjuga-se à sala de aula, quando então se debate a informação recebida por ela, transformando essa informação em conhecimento..

A Internet preenche espaços no ensino presencial, com salas de aula utilizando-se do computador, aprimorando os processos comunicativos, a interação e o relacionamento professor-aluno. A contextualização exige a absorção das novas tecnologias da aprendizagem que favorecem o pluralismo de idéias e de concepções. Associam-se o material impresso, a lousa, com as tecnologias mais avançadas, numa elaboração construtivista, tendo sempre presente o aperfeiçoamento do ser humano.

Os recursos dessas novas tecnologias devem ser trabalhados com a mesma metodologia empregada na aula presencial, o aluno passando de paciente a agente. Ele deve ser preparado para esse ensino – o que não fazíamos antes – ter controle de seu percurso na aprendizagem. Os modelos presenciais são os mesmos dos modelos virtuais: aluno participativo, responsável, desenvolvendo aprendizagem autônoma, atitude pró-ativa de busca do conhecimento; o professor ensinando o aluno a construir o conhecimento, a pesquisar, a investigar, a encontrar sentido na pesquisa. Fazer o aluno entender que pesquisar não é encontrar o texto e apenas copiá-lo, mas é processar, transformar a informação em conhecimento. Para tanto, o professor indica ou sugere caminhos, propondo questões, reflexões, promovendo experiências práticas, exercícios variados ou debatendo a pesquisa em sala de aula.

Cria-se, assim, na escola um novo ambiente, modificam-se as práticas convencionais, promove-se uma educação mais contextualizada, mais atrativa. Para que as tecnologias de aprendizagem se tornem interativas, meios são necessários, como o fax, o telefone, o computador, o e-mail. As videoconferências e a Internet tornam a aprendizagem e os cursos bem mais acessíveis.

Enfrentamos, hoje, uma explosão de informações e o professor, com seu novo papel, busca estabelecer significado às informações obtidas, a classificá-las, utilizando-se do espírito crítico. As novas tecnologias enriquecem a aprendizagem, favorecem as inteligências múltiplas, as aptidões, atendem as diversificações.

É preciso que se coloquem computadores na sala de aula, que capacite o professor porque o aluno não pode estar ausente dos meios de comunicação, da Internet, sem grandes prejuízos à sua formação. No Brasil, infelizmente, a informatização é lenta, chegando com atraso, em especial, nas escolas da rede oficial. Tomando como referências os Estados Unidos, enquanto 99% das escolas públicas norte-americanas já possuem computadores, aqui, apenas 17% das escolas estaduais são equipadas. Porém, a falta de computadores não é o maior problema. As escolas não têm profissionais especializados e treinados para lidar com os computadores e, por isso, muitas salas de informática ficam trancadas para os alunos.

As nossas escolas particulares acompanham bem mais a evolução na área da informática, preparando melhor o aluno para enfrentar a modernidade, a sociedade tecnológica. É um ponto a mais, e importante, a favor dessas escolas, que somando ao padrão de qualidade de seu ensino formal, colocam-nas na preferência da população em idade escolar. Algumas, as mais renomadas, apresentam um grau avançado no ensino da informática, constituindo-se em forte atrativo para a clientela de maior posse. Mesmo as de ensino não tão aprimorado se distanciam das precárias escolas públicas. Os pais com alguma possibilidade financeira, mínima que seja, quase sempre com sacrifício, com ônus para as despesas familiares, nem sequer cogitam em colocar os filhos nas deficitárias escolas oficiais.

Uma sondagem de opinião, revelada na mídia, mostrou que “os pais preferem se endividar a pôr os filhos na escola pública. A queda da qualidade do ensino público, a partir da década de 70 – imaginem hoje! – fez com que a educação privada deixasse de ser um luxo. Agora é uma necessidade da classe média”.

Desperta, Brasil!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2001)

FILHOS RECEBENDO ENSINO EM CASA

Izabel Sadalla Grispino *

Atinge as esferas judiciais e educacionais a discussão sobre a possibilidade de os pais ministrarem, aos filhos, o ensino em casa, sem que tenham que ir à escola e freqüentar a sala de aula. A mídia tem noticiado casos em que pais tentam, através de mandado de segurança, garantir, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), o direito de educar os filhos em casa e levá-los a uma escola determinada apenas para realizar as provas, a fim de submeter-se à avaliação escolar.

O pedido dos pais será decidido pelos ministros – em número de dez – da 1.ª Secção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), especializada em direito público. Os ministros julgarão a procedência, após o Ministério Público Federal encaminhar parecer sobre ele.

O caso chegou à justiça depois que a Câmara de Ensino Básico do Conselho Nacional de Educação (CNE) negou o pedido, alegando que a pretensão dos pais, em ser professor dos filhos, esbarra na Constituição Federal e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). O Conselho Nacional de Educação (CNE) determina que as crianças devem freqüentar regularmente uma escola.

O mandado de segurança apoiou-se na própria Constituição Federal, quando reza que cabe aos pais assistir, educar e criar seus filhos menores. Também, foi baseado em artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), segundo o qual os pais têm, prioritariamente, o direito de escolher o tipo de educação que querem dar aos filhos.

Os pais, em questão, estão convictos quanto ao ensino dos filhos em casa, tanto que “estão dispostos a correr o risco de fazer com que as crianças prestem demonstração de seus conhecimentos por meio de exame supletivo”. Argumentam de que as crianças estão adiantadas para a idade, bem acima do nível da média.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) estabelece que o ensino fundamental seja obrigatoriamente presencial. Contudo, essa mesma lei, no artigo 24, em seu inciso II, alíneas a, b e c, atenua a exigência, ao criar a “reclassificação e a classificação”, possibilitando ao aluno a matrícula em série determinada pela avaliação escolar.

O inciso II diz: “A classificação em qualquer série ou etapa, exceto a 1.ª do ensino fundamental, pode ser feita:

  1. por promoção, para alunos que cursaram, com aproveitamento, a série ou fase anterior na própria escola;
  2. por transferência, para candidatos procedentes de outra escola;

c)   independentemente de escolarização anterior, mediante avaliação feita pela escola,  que  defina o grau   de desenvolvimento e experiência do candidato e permita sua inscrição na série ou etapa adequada, conforme regulamentação do respectivo sistema de ensino”.

A reclassificação permite à escola avaliar e determinar a série de alunos oriundos de outras instituições – e por que não da instituição familiar? – e, mesmo, de outros países, sem levar em conta documentos escolares. A classificação permite a promoção avaliando conhecimentos, sem considerar a série cursada.

Baseando-se na alínea “c”, não importa onde e como o aluno adquiriu o conhecimento. Ele pode sempre ser avaliado pela escola, que determinará a série adequada a seu grau de conhecimento.

Mas, mesmo que se encontre respaldo na lei, afastar a criança do convívio escolar é, pedagógica e psicologicamente, um procedimento salutar? Já tecemos considerações a respeito, quando abordamos o tema  “Escola virtual”, no aspecto concernente à educação básica.

Reforcemos o pensamento: educar não é apenas informar; é, principalmente, formar; não é só passar conhecimento; é processo bem mais amplo, envolvendo o ser humano como um todo, na sua integralidade, em corpo, em mente, em alma. Para um desenvolvimento harmonioso da personalidade, a convivência com crianças da mesma faixa etária é imprescindível. Afastar a criança dessa convivência poderá significar distúrbios no seu comportamento. O indivíduo cresce com o outro, aprende com o outro, com o outro amplia a visão de mundo, equilibra suas emoções. O grupo-classe favorece o pensar com o outro, o pensar num contexto intersubjetivo. A escola ajuda a socialização, ensina conviver, desenvolver o relacionamento interpessoal.

O contato entre humanos é como um espelho, onde um se mira no outro, se revê, analisa as falhas e se corrige com o outro. Entre eles, ocorre um aprendizado mútuo, uma crítica, que reverte favorável ao próprio comportamento.

Por isso, em termos de personalidade, de crescimento pessoal, a criança que aprende sozinha em casa fica prejudicada, perde ao invés de ganhar, isto é, mesmo que ganhe nos aspectos conceituais, perde nos atitudinais, nos comportamentais. Ela necessita da companhia de outras crianças, precisa circular por outros espaços para se desenvolver bem e aprender a lidar com a diversidade, ajustando-se melhor à vida em sociedade.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março/2001)

A CONCESSÃO DE BOLSAS DE ESTUDO PARA O 3.º GRAU

Izabel Sadalla Grispino *

A sociedade do conhecimento, ao exigir uma educação de qualidade, está conduzindo os pais, com poder aquisitivo, a procurar a melhor escola para seus filhos., mesmo porque já se começa a questionar a qualidade de muitas escolas particulares. É uma busca criteriosa, ressaltando princípios, programas, metodologias, funcionamento, capazes de produzir uma aprendizagem atualizada, prática e eficaz.

AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM: ASPECTOS DO DESENVOLVIMENTO

Izabel Sadalla Grispino *

Na semana passada abordei, sobre o processo de Avaliação da Aprendizagem, o item “Conceituação”. Hoje, teremos, também em forma de versos, o segundo item anunciado, “Aspectos do Desenvolvimento”.

Na conceituação, pudemos perceber que a avaliação é um processo contínuo de pesquisas, que visa estudar e interpretar os conhecimentos, habilidades e atitudes dos alunos, tendo em vista mudanças esperadas no comportamento, propostas nos objetivos da escola, a fim de que haja condições de decidir sobre alternativas no planejamento do trabalho do professor, da escola como um todo. Propõe-se, então, indagar o que avaliar? O que deve ser avaliado no aluno?

Não são só os aspectos cognitivos, as habilidades lingüísticas ou matemáticas, que devem ser avaliados, mas, também, os diferentes valores, os diferentes comportamentos, os amplos aspectos do desenvolvimento do aluno. A avaliação abrange as inteligências múltiplas, afloradas nas potencialidades do aluno. O professor, ao dar oportunidade a que os alunos se expressem, perceberá, em suas manifestações, as diversas habilidades – corporal, espacial, naturalista, interpessoal – que não podem deixar de ser acolhidas, consideradas.

O objetivo da escola vai além da transmissão do conhecimento, por isso outras áreas do comportamento devem ser avaliadas para que haja compreensão dos fatores que impedem o progresso do aluno nos estudos.

ASPECTOS DO DESENVOLVIMENTO

“A escola tem fins mais complexos,            Desenvolve amplas capacidades,
Que a construção do conhecimento,            O criar, o inventar, variado engenho,   
Avalia, em conteúdos anexos,                        No mundo atual, versatilidades
Aspectos do desenvolvimento.                       Se igualam ao intelectual empenho.            
Observa o aluno em aspectos amplos,        O mercado quer generalista,
O ligado ao físico-motor:                                  Saber eclético, articulado,  
Deficiências, visão, vários ângulos,              A época do régio especialista
Que influem no agente receptor.                   Ficou distante, hoje é passado.

Outro aspecto, o social-afetivo,                     A avaliação não é sempre igual,
Reflete a classe, a reação pessoal,              É usada em variada situação,
Liga-se ao aspecto cognitivo,                         Quanto mais prova sem ar formal,
Em entrelaçamento total.                                Mais rica será sua atuação.

Avalia tipos de aprendizagem,                       Ensino-aprendizagem contínuo
Às faculdades dá preferência,                       Requer avaliação permanente,
Promove ensino qualitativo,                           Objetivo claro, nada ambíguo,
Atenuando, assim, a repetência.                  Mestre e aluno em constante corrente.

Adota variados instrumentos,                       Padrões de rendimento aceitável
Lápis, papel, não são suficientes                 Eliminam discriminação,
Para avaliar desenvolvimentos,                   Teste com validade, confiável,
Com seus comportamentos reagentes.    Suaviza o ensino e evita evasão.

Ressalta aspectos qualitativos,                   Se o ensino-aprendizagem vai bem,
Habilidade e competência,                            O educando marcará vitória,
Insiste em métodos reflexivos,                    O professor se avalia também,
Trabalha atitudes com freqüência.              Louvor é dado à sua trajetória.”

 

* Supervisora de ensino aposentada           
(Publicado em agosto de 2000)

CURSINHOS COMUNITÁRIOS

Izabel Sadalla Grispino *

Continuando o assunto do artigo anterior, constatamos que escolas há que orientam os alunos para a participação voluntária. Muitas já incluem, em seus projetos pedagógicos, atividades de trabalho voluntário. Os exemplos começam a se multiplicar.

Alunos de escolas particulares de alto padrão estão se predispondo, com orientação, a oferecer ajuda, em diversas disciplinas, a alunos de escolas da rede oficial, com dificuldade de aprendizagem, ajudando a tirar dúvidas e a elevar o nível de conhecimento desses alunos. Eles integram a programação da escola contemplada, uma ou duas vezes por semana, em determinado período, participam de atividades extraclasses ou, então, a escola monta um horário especial para esse atendimento.

O entusiasmo atinge o emissor e o receptor: os alunos, com deficiência de aprendizagem, evoluem e os que ensinam fixam o conhecimento, adquirindo uma visão mais ampla do assunto.

Outras escolas incentivam os alunos à assistência hospitalar, às crianças doentes, internadas em hospitais. É o caso de adolescentes, de 16, 17 anos, geralmente do 3.º ano do ensino médio, que se dedicam, como voluntárias, a brincar com crianças – na maior parte carentes – internadas em hospitais, exercitando o amor ao próximo.

Utilizam-se de livros infantis, tintas, lápis de cor, teatrinhos de fantoches e outros. Contam histórias, pintam, desenham, encenam peças infantis, organizam jogos, sempre com a supervisão de um técnico em recreação. Trabalham atividades educativas e recreativas.

As crianças doentes sentem-se animadas com o ganho dessas parceiras para brincar. O ganho das adolescentes é de outra natureza: tornam-se pessoas mais solidárias, com sentimentos mais elevados, com um olhar voltado ao infortúnio humano. A presença delas, no hospital, contribui para a humanização do atendimento, diminuindo o impacto da internação da criança.

Os resultados, segundo consta, são surpreendentes. As crianças aceitam melhor o tratamento, curam-se mais depressa. Muitas choram quando recebem alta, por não querer se afastar das novas amiguinhas mais velhas.

Um outro grupo dedica-se ao atendimento de idosos. Os adolescentes buscam sentido nesse trabalho, ganham experiência, avançam para a maturidade emocional e engrossam a ação solidária da sociedade.

Na abrangência do trabalho voluntário, outras luzes vêm surgindo na educação, quais sejam, os cursinhos comunitários. Alunos da classe pobre, oriundos de escolas públicas de má qualidade, poucas chances têm de ingressar numa boa universidade. Ainda recentemente, esse dado foi comprovado, quando as universidades públicas de São Paulo anunciaram isenção da taxa do vestibular para alunos carentes, alunos que cursaram o ensino básico em escolas públicas e que pertencem a famílias de baixa renda.

As universidades decidiram sobre a isenção, “apesar de terem tido uma experiência considerada insatisfatória em 2000, quando nem todas as isenções foram utilizadas”. A Universidade Estadual Paulista (Unesp) aumentou o número de candidatos isentos de 4 mil para 5.528, embora, no ano passado, apenas 329 dos beneficiados passaram no seu vestibular. A USP também divulgou que os isentos não tiveram bom desempenho.

As barreiras desses alunos para atingir um nível razoável de conhecimento são grandes. Trazem defasagem de longa data, que vai, no tempo, se acumulando, e ainda não só não podem pagar um bom cursinho preparatório para o ingresso a uma boa universidade, como não têm base suficiente para absorver o conteúdo por ele ministrado.

Atuações inusitadas, criativas, altruístas, surgem na área educacional e vêm criando oportunidades de um ensino complementar de bom nível aos alunos. São os chamados cursinhos comunitários, uma rede alternativa de ensino, mantida por voluntários, que investe, especialmente, na auto-estima dos alunos. O Educafro, por exemplo, é uma rede que agrupa 64 cursinhos comunitários dirigida pelo frei David dos Santos, um fervoroso defensor do aluno necessitado.

Os cursinhos comunitários tentam equilibrar os desníveis educacionais das diferentes classes sociais, diminuir o abismo entre a educação do pobre e a do rico que concorrem ao vestibular. São uma nova opção à população estudantil de baixa renda. Em geral, surgem da própria comunidade, que se organiza e monta um núcleo, ou de grêmios estudantis, onde todos os funcionários são pagos.

Abrir um cursinho comunitário exige muita vontade e trabalho, pois todos os seus integrante são voluntários. A mensalidade equivale a 10% do salário mínimo, valor simbólico comparado aos grandes cursinhos. Esses cursinhos têm se revelado de grande utilidade e têm trazido resultados animadores, em termos de melhora da qualidade de ensino. Muitos alunos, hoje estudando em universidades, passaram por cursinhos comunitários. Torcemos para que o exemplo se prolifere.

* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em agosto/2001)

ATITUDES E SABERES CONJUGADOS

Izabel Sadalla Grispino *

A escola, de hoje, atua dentro de conceitos abrangentes, em benefício da educação integral do aluno, conceitos que vão além da transmissão do conhecimento. Ao lado do conceito “sujeito de direito”, assunto por mim abordado em um artigo anterior, ela trabalha, por exemplo, o conceito de saúde alimentar. Preocupada com a saúde da criança, com problemas de obesidade, acarretando, já na infância, alta de colesterol, de triglicéride, provocando doenças cardíacas, renais, passa princípios de boa nutrição. Ensina alunos, pais, comunidade escolar, a importância de uma comida balanceada. As cantinas são orientadas a substituírem lanches, como hamburgueres, batata frita, frituras em geral, alimentos de alto teor calórico, refrigerantes, por sucos naturais, por pouco doce e por salgadinhos menos gordurosos.

Em casa, os pais devem estar atentos a certas atitudes, como: “Tome toda a sopa ou coma a salada, para ganhar a sobremesa”. Passa a idéia de que tomar sopa não é gostoso, mas a sobremesa é o máximo! A criança pode passar a não gostar de sopa a vida toda. Do mesmo modo, tornar a ida à lanchonete um programão, faz a comida de casa ficar meio sem graça.

É bom lembrar de que se deve educar pelo exemplo; os jovens prestam mais atenção nos atos dos adultos que em suas palavras. Crianças que desde cedo estão acostumadas a ver pela casa frutas e verduras, sucos naturais e pais que não são sedentários terão mais facilidade em desenvolver um estilo de vida adequado.

Hipócrates, médico grego, tido como o pai da medicina, já dizia: “Somos o que comemos”. Muito além da preocupação com a obesidade, precisamos estar atentos à nossa saúde. A medicina, hoje, confirma que a alimentação saudável previne uma série de doenças crônicas degenerativas, como o câncer ou o diabetes.

Em termos de saúde, outra preocupação da escola recai sobre a postura correta do aluno, o peso, nas costas, das mochilas, que tanto afeta a coluna vertebral. É um trabalho de educação que quer que o aluno se sinta amado, protegido.

Geralmente, as crianças não verificam quais as aulas do dia e acabam levando para a escola o material de todas as disciplinas, aumentando o peso nas costas. Essa é uma característica que deve ser trabalhada por pais e professores, porque o aluno pode carregar, na mochila, no máximo 10% de seu peso, conforme recomendam os ortopedistas pediátricos. Mais que isso, pode causar vícios de postura, dores musculares, lombalgia e até problemas no crescimento, revelam estudos ortopédicos.

Entre as crianças pequenas, as mochilas pesam pouco, o problema é maior entre alunos das últimas séries do ensino fundamental e médio, devido ao aumento do número de disciplinas e conseqüente aumento do número de livros. Nessa faixa de idade, os alunos, de um modo geral, recusam-se a levar mochila com rodinha, porque acham que é coisa de criança e acabam apresentando dores freqüentes na coluna.

A diversificação educacional faz da escola de hoje uma instituição vista como a grande auxiliadora no entendimento das reações humanas e psicológicas do aluno. Aborda problemas comportamentais de muita ajuda aos pais, como, por exemplo, educar para a verdade. Entra num terreno bastante vivenciado pelos pais, como o fato de mentir, e que faz parte do comportamento infantil.

As crianças mentem, seja para expressar um desejo ou esconder um malfeito. Elas fazem uso desse artifício por se sentirem inseguras em dizer a verdade. O que mais querem é ser amadas e aceitas, sempre. Quando isso acontece, a orientação é de dar atenção, de ter firmeza e diálogo, para trazer as crianças de volta ao caminho da verdade. Mostrar o que é correto com firmeza, explicar-lhes que para se viver em sociedade regras devem ser cumpridas. A preocupação com a mentira é tão importante como a forma de se relacionar e de entender a mensagem da criança que está nas atitudes. Fantasiar, brincar de faz-de-conta, fazem parte do desenvolvimento infantil, ajuda a criança a se expressar e a enfrentar seus medos e anseios.

 

Contudo, para a boa educação, o ideal é que a mentira seja cortada pela raiz, orientando com compreensão, discutindo, com atenção e respeito, sobre o certo e o errado. Fazer a criança sentir que sobre mentiras não se constrói uma relação de confiança.

A psicoterapeuta infantil Violeta Daou Queijo explica com propriedade: “A criança amadurece na fantasia e entra, aos poucos, em contato com o mundo real. Nesse processo, o companheiro imaginário a escuta e partilha suas aflições sem repreendê-la. Preservar a vida imaginária da criança é permitir que ela viva essa experiência inteiramente, sem repressões ou bloqueios, que enriquece a vida. Aos  poucos, por si mesma, ela vai diferenciar a

fantasia da realidade. Não há uma idade exata para isso acontecer. Cada criança é única e tem o seu próprio tempo”.

Os pais ajudam a criança a se desenvolver bem, ensinando-a a partilhar seus pertences. Estimular a convivência com outras crianças, seja trazendo amigos para casa ou deixando que ela durma, às vezes, na casa de amigos e motivá-la à prática de esportes coletivos, são comportamentos que arejam a mente infantil.

Escolas competitivas estimulam a individualidade. O aluno, vivenciando uma socialização saudável, tende a enfrentar melhor a verdade e mais tarde os fatos da vida. Por isso, as escolas devem dar mais atenção ao relacionamento e realizar trabalhos em grupo. Escolas e pais devem impor limites, mas, sem restringir demais a vida da criança. Austeridade em excesso acaba podando o seu desenvolvimento.

Educação é processo integrado. Atitudes e  saberes não devem ser separados. O indivíduo é um ser por inteiro, englobado em mente, corpo e alma. Não é um ser compartimentado. É com esse entendimento que a escola renovada se encaminha.

* Supervisora de ensino aposentada.     
(Publicado em julho/2005)


* Supervisora de ensino aposentada.

(Publicado em julho/2005)

A ESCOLA INCLUSIVA

Izabel Sadalla Grispino *

A política oficial, já há algum tempo, desde 1996, prevê a inclusão dos portadores de deficiência, na rede regular de ensino. Contudo, em agosto de 2001, o ministro Paulo Renato Souza, regulamentando a Lei de Diretrizes para a Educação Especial, assinou resolução, pela qual as escolas públicas do País deverão atender estudantes com necessidades especiais.

Infelizmente, essa é mais uma mudança, na estrutura de ensino, imposta a uma rede pública desaparelhada, despreparada para recebê-la. É um “Deus nos acuda”, uma perspectiva nada animadora, conforme já se constata em avaliações. A falta de informações ou o despreparo para lidar com a educação inclusiva faz com que os próprios professores, inconscientemente, discriminem os alunos. Isolam-nos, não os motivam, acabando por marginalizá-los, no processo de ensino. Professores que deixam os alunos com deficiência visual acentuada, ou cegos, sentados ou bem na frente da classe ou bem no fundo, na intenção de protegê-los, e acabam por excluí-los do convívio social da classe. Professores que, inadvertidamente, citam, conforme relato de pesquisas, o aluno deficiente como exemplo e que acaba por diminuí-lo perante os colegas, dizendo: “Se até ele consegue, vocês podem conseguir também”.

Para que essa educação venha obter sucesso, é preciso dar estrutura de aprendizagem. É preciso que seja uma inclusão responsável para não comprometer o avanço dos alunos portadores de deficiência. É importante treinar os professores, produzir material de apoio, principalmente para portadores de deficiências visuais e auditivas, assim como adaptações de títulos didáticos para o sistema braile. As escolas devem possuir as chamadas  salas de recursos, equipadas, para facilitar a aprendizagem. Possuir professor de braile, acontecendo, por vezes, ter a sala, mas não o professor.

O que se nota, na maioria das escolas da rede pública, é ausência de infra-estrutura. Ausência de instalações especializadas, de rampas, carteiras anatômicas e, principalmente, faltam professores capacitados para lidar com o aluno deficiente.

Uma outra barreira a se vencer, em relação aos alunos portadores de deficiência, é o preconceito. Preconceito da sociedade, da escola, dos pais e até mesmo dos professores. Quando o processo de ensino da educação inclusiva é bem conduzido, administrado por professores competentes, habilitados para a área, ele consegue resultados animadores. Consegue formar indivíduos ajustados, produtivos, capacitados para exercerem tarefas que vão desde as mais simples às mais complexas. A sua inserção, em salas regulares, ajuda-os a vencer, a se integrar melhor na sociedade.

O que mais se necessita, para o sucesso da educação inclusiva, é o apoio a ser dado ao professor, à sua capacitação. Permanecendo, apenas, em instituições especializadas, os alunos deficientes acabam perdendo o convívio social, sem saber como lidar com as pessoas em sociedade. Instituições que só atendem alunos deficientes, adotam, costumeiramente, métodos “mecanicistas”, que tendem a nivelar as crianças. Na inclusão, adota-se uma linha alternativa e mais democrática de ensino. Falta, sobretudo, à rede pública aprender a desenvolver projetos que abram oportunidades educacionais adequadas a essas crianças.

A Educação Inclusiva surgiu na Europa na década de 1950 e, hoje, já é uma realidade. Segundo dados estatísticos, a rede estadual paulista atendeu, no ano de 2001, 19.215 alunos com necessidades especiais em salas regulares, de um total de 6,1 milhões de estudantes. Das 5.580 escolas, apenas 695 praticam a inclusão. Mais de 15.000 alunos são assistidos por instituições especializadas, por causa do alto grau de deficiência.

Neste particular, ressalta-se a atuação das “Associações dos Pais e Amigos dos Excepcionais” (Apaes),com seu atendimento primoroso. Fui supervisora de ensino de algumas Apaes e todas elas primavam pela competência, pelo devotamento aos alunos.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, apenas, 2,2% dos brasileiros com deficiências físicas e mentais recebem atendimento educacional. Dentre os 17 milhões, só 374 mil são atendidos pela rede pública ou por instituições privadas, em parceria com o governo federal.

Algumas escolas particulares de ensino regular têm projetos bem sucedidos de inclusão de estudantes especiais. Promovem orientação pedagógica específica, resultando em trabalho diferenciado. São escolas que, em atenção às diferenças e às necessidades dos  alunos, mantêm em classe, no máximo, 15 alunos, permitindo ao professor atendimento individual, acompanhar de perto as dificuldades de cada um, colocando somente um ou dois alunos especiais por classe. Escolas há que adotam, como método estimulador da afetividade dos alunos, a presença de animais na escola: pôneis, cabritos, ovelhas, coelhos, tartarugas, patos e outros. Os animais favorecem a integração entre os alunos.

Há escolas que oferecem atividades de inclusão social. Dão cursos de Preparação e Qualificação Profissional, em que os alunos são encaminhados para o mercado de trabalho. Ensinam o ofício de padeiro, confeiteiro, de atendimento ao público, de auxiliar de escritório, de ajudante de cozinha, entre outros. Para a inserção da mão-de-obra dos portadores de deficiência, no mercado de trabalho, há muito preconceito e desinformação. O preconceito é, ainda, a maior barreira, na colocação de pessoas especiais, no trabalho.

Empresas que empregam portadores de deficiência dizem dar a eles tratamento igual e as responsabilidades são cobradas como de qualquer outro empregado, sem paternalismo e que a correspondência é muito boa. Eles são aproveitados em livrarias, supermercados, lanchonetes, videolocadoras, doceiras, escritórios, especialmente, de advocacia.

A escola de ensino regular, ao receber o aluno portador de deficiência, ao trabalhar o preconceito, ela está difundindo o sentido de igualdade de oportunidades a esse aluno; está desenvolvendo, entre os alunos, a formação humanística e, sob esse prisma, a integração virá bem mais forte e mais consistente.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2002)

ALUNO SUPERDOTADO

Izabel Sadalla Grispino *

A escola nem sempre está preparada para exercer bem suas amplas funções. Na semana passada, falei da dificuldade no atendimento à criança hiperativa.

Um outro aspecto, que vem despertando a consciência educacional, é o aluno superdotado. Para o professor perceber as características da superdotação não é tarefa das mais fáceis. Muitos não conseguem identificar esse tipo de estudante, que, por aprender com mais rapidez que o colega, se mostra desinteressado em sala de aula. Geralmente, são alunos ativos, que perguntam muito e professores confundem com déficit de atenção e hiperatividade.

Não são só os alunos deficientes que precisam de atenção especial. É preciso estender o olhar para aqueles cujo potencial está acima da média. Para tanto, os professores precisam passar por cursos que os capacitem a detectar alunos talentosos.

Diferentemente do que sempre se pensou, superdotados não são apenas alunos que tiram notas altas em todas as matérias, são alunos com altas habilidades em diferentes áreas do saber, como exatas, artes ou esportes. Um estudante pode ser ruim em matemática e ser superdotado em música, onde revela talento.

Para aprender a detectar talentos, os professores precisam estudar conceitos de inteligência, precocidade, talento e aprender a identificar as características desses alunos e a trabalhar com eles e suas famílias. “Um talento não identificado e não estimulado é um talento desperdiçado”, dizem os especialistas.

A identificação de uma criança superdotada é normalmente feita por entrevistas com a família, testes de Q.I., inteligência emocional e aptidões. A superdotação tem origem genética, mas sua característica só se desenvolve se for estimulada; se não for incentivada ela pode se perder.

Os superdotados passarão, nas escolas, por outro tipo de ensino, por aulas adicionais e suas famílias orientadas para entender o processo e colaborar com a aprendizagem. As aulas serão dadas em salas especiais, sempre em horário extra-escolar. Elas servirão para aprofundar os estudos e estimular as aptidões superiores.

É preciso, contudo não confundir superdotação com genialidade. O aluno pode ser brilhante numa única área e não ir tão bem em outras. Um gênio é sempre um superdotado, mas nem todo superdotado é um gênio. As características do superdotado são identificadas em escalas de observação de comportamento, capazes de um excelente desenvolvimento das altas habilidades desse aluno.

Foram criados pelo MEC, em 2006, Núcleos de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação (NAAH/S), que são centros de apoio a superdotados em escolas públicas.

* Supervisora de ensino aposentada.              
(Publicado em março/2007)

MALABARISMOS DIDÁTICOS

Izabel Sadalla Grispino *

O professor, como já dissemos em outras oportunidades, é a alma do processo de aprendizagem. Devotar-lhe atenção, valorizá-lo, são luzes para a educação.

Pesquisas constatam que as notas dos estudantes caem, em até 20%, quando seu professor nunca passou por uma faculdade. Se o professor não alcança, não atinge a percepção, não consegue encontrar o caminho de uma educação de qualidade, como desenvolver no aluno a capacidade de ler e de interpretar? A leitura e a interpretação de textos são requisitos básicos para se aferir o grau de aprendizagem do aluno e suas possibilidades de adquirir conhecimento em outras matérias.

Já é chavão dizer que nesses aspectos o ensino brasileiro é decadente. Dados do Ministério da Educação mostram que essa capacidade, entre nossos alunos, vai muito mal: 91% terminam o ensino fundamental abaixo do nível adequado, não conseguindo compreender textos elementares. Faltam apenas 9% para que a porcentagem seja total! O que estamos esperando?!

Acrescente-se a esse dado um outro bastante agravante. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios – Pnad 2003 – divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o nosso País conta, aproximadamente, com 16 milhões de analfabetos (indivíduos maiores de 15 anos). Em Nova York – ano de 2000 – na maior reunião de dirigentes mundiais de todos os tempos, 191 países da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovaram as 8 Metas do Milênio, divulgadas pela campanha “8 Jeitos de Mudar o Mundo”. Dentre essas metas, “Educação básica de qualidade para todos” foi classificada em 2.º lugar, ficando abaixo, apenas,  da meta “Acabar com a fome e a miséria”.

A ONU colocou a educação como um dos mais importantes desafios da área de responsabilidade social, para se atingir as metas desejadas. A educação irá se encarregar de promover os avanços pretendidos. Os 8 Jeitos de Mudar o Mundo foram assim dispostos: 1 – Acabar com a fome e a miséria; 2 – Educação básica de qualidade para todos; 3 – Igualdade entre sexos e valorização da mulher; 4 – Reduzir a mortalidade infantil; 5 – Melhorar a saúde das gestantes; 6 – Combater a aids, a malária e outras doenças; 7 – Qualidade de vida e respeito ao meio ambiente; e 8 – Todo mundo trabalhando pelo desenvolvimento.

Percebemos o quanto a educação de um povo está intimamente relacionada às metas pretendidas. É ela  o fio condutor da qualidade de vida, em todos os setores e uma educação de qualidade requer, nas escolas, professores qualificados. O mais triste, entre nós, é que não faltam só professores bem formados, faltam, em escala crescente, simplesmente professores para preencher os quadros existentes.

Recentemente, lemos nos jornais que o Ministério da Educação (MEC) busca profissionais dispostos a dar aulas em escolas públicas de ensino médio, para suprir um déficit considerável. Lançará uma convocação nacional para contratar professores nos Estados, especialmente, das disciplinas de matemática, física, química e biologia. Espera encontrar professores aposentados, ou que dão aulas em escolas particulares e mesmo profissionais de áreas afins, como economia ou agronomia, que se interessem em assumir as salas de aula.

Nos Estados do Nordeste, a situação é crítica. Falta de professores, atraso de salários e falta de equipamentos vêm impedindo o aumento das redes escolares. Contudo, a ausência de professores é um problema em todo o País, dizem os representantes do MEC. Uma projeção feita pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas em Educação (Inep) aponta que, em curto prazo, o déficit de professores pode chegar a 250 mil. O cálculo foi feito com base no número de turmas de licenciatura existente no País, a quantidade de formados nos últimos 12 anos e a expectativa de conclusão nesses cursos até 2010. Em algumas disciplinas, como física e química, a situação é pior, com a previsão de que seja formado apenas um terço dos professores necessários.

Chegamos num ponto em que, ao invés de lutar pelo aperfeiçoamento pedagógico dos professores, temos que lançar mão de profissionais sem o devido preparo para o magistério! O remendo continua persistindo! Pretende o Ministério da Educação (MEC) que “os Estados comecem a chamar pessoas que podem estar interessadas em trabalhar como professores, mesmo que não tenham a formação totalmente adequada. A preferência inicial será dada àqueles que têm os cursos de licenciatura, que não estão na rede pública, mas têm interesse”.

Em seguida, serão chamados matemáticos, físicos, biólogos e outros que têm o bacharelado na área, mas não a licenciatura. As outras alternativas são formandos em licenciatura e pessoas graduadas em áreas que incluem as disciplinas em que faltam professores.

Diante do quadro exposto, não há tanto que se espantar com o noticiário de jornais do resultado do último vestibular da Fuvest. Candidatos que apresentaram redações pré-fabricadas, ostentando referências a teóricos, a fatos históricos importantes, em bom português, mas, absolutamente, fora do tema proposto. São redações-modelo que os candidatos levam preparadas, mas sem nenhuma ligação com o tema pedido.

A impressão que fica é que os alunos foram treinados para camuflar, com estilo e erudição e não preparados para argumentar, desenvolver o raciocínio, o espírito crítico, a observação. Continuam no método tradicional da memorização. Alunos que não se atêm ao hábito da leitura, da redação, da interpretação.

Num País onde professores usam de malabarismos para fazer valer suas aulas, o que esperar dos seus alunos?!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2005)

INCLUSÃO ESCOLAR E SOCIAL

Izabel Sadalla Grispino *

Há pouco tempo escrevi sobre crianças com deficiência. Saindo de uma escola estadual, uma mãe abordou-me e em lágrimas pedia que eu escrevesse um novo artigo discorrendo sobre o preconceito que tanto prejudica o aluno deficiente. Relatou-me seu conflito, os problemas que a incompreensão de pais traziam para a sala de aula, onde estudam crianças portadoras da síndrome de Down.

Percebi como realmente a mudança de mentalidade é um processo vagaroso. Ultimamente, muito se tem escrito, muito se tem falado das vantagens, tanto para as crianças deficientes como não deficientes, da inclusão de deficientes em classes regulares. Continua o desafio de superar barreiras sociais na chamada inclusão social, de mesclar deficientes e não deficientes no mesmo grupo de atividades escolares.

Na rede pública, essa experiência começa a expandir-se com base na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). A proposta contida na pedagogia da inclusão é um passo adiante numa área, ainda, cercada de desinformação e discriminações. Ainda, há pais que chegam a tirar os filhos da escola ao tomar conhecimento que suas crianças fazem atividades com deficientes da mesma faixa etária: temem que a deficiência seja contagiosa e prejudique o rendimento escolar de seus filhos.

Contudo, os downs não têm problemas de comportamento, não representam uma ameaça. É preciso que se reforce a passagem de uma nova imagem, na tentativa de amenizar esse receio social. Os downs não são incapazes, como se pensava, podem desenvolver muito se acreditarmos neles e se investirmos na sua estimulação. Há mais de 30 anos, quando eram chamados pejorativamente de mongolóides e confinados, longe dos olhares públicos, não tinham chance de aprender, tinham vergonha de si mesmos. Essa triste figura deu lugar a uma notável reabilitação. Eles são estimulados desde pequeninos, andam, falam, vão à escola, aprendem, estão chegando à faculdade e surpreendem pais e professores, derrubando os próprios limites. Não trabalham apenas em oficinas fechadas. Desenvolvem-se bem em muitos setores da economia, podendo exercer sua cidadania, não só por direito, mas por capacidade.

A determinação de incluir deficientes físicos e mentais nas escolas regulares já era lei na França em 1975. Lá, como aqui, os primeiros anos de prática de inclusão foram cheios de incertezas e desculpas. Porém, os limites vêm sendo quebrados a cada ano. Não se pode, entretanto, para remover obstáculos, deixar de ajustar a formação dos professores. Na França, quase 100% dos portadores de síndrome de Down estão em escola maternal e cerca de 75% freqüentam o curso elementar, após o qual seguem para os profissionalizantes.

As crianças com deficiência passam por um período de integração em que fazem atividades entre si e depois são agrupadas às classes comuns. Conforme já se constatou, a segregação de estudantes com problemas físicos e mentais em classes especiais é improdutiva, vivem em ambiente limitado e criam dimensão errada do mundo. Elas ganham muito com o convívio social.

Conduzir uma classe assim heterogênea é tarefa delicada. O plano de ensino de uma classe comum tem que ser ajustado para não imobilizar a criança com deficiência. O professor tem de estar convicto de que vale a pena investir nessa criança  para não discriminá-la.

As deficiências vão desde o comprometimento físico ou intelectual até o desenvolvimento diferenciado. As escolas públicas têm demonstrado resultados positivos em casos de deficiências leves e moderadas. Se o comprometimento for profundo ou se a criança não tem condições de atender a orientação coletiva, a prática se torna inviável. A escola regular não tem condições de atender as crianças que não estão aptas a um mínimo de interação.

Há comprovadamente estímulo na convivência de grupos heterogêneos. Numa classe especial, o diferente tem no professor o único exemplo, faltam elementos para o conhecimento real dos códigos sociais. Não deve ficar num mundo à parte, em classes regulares ele aprende a conviver com outras pessoas, ajustando-se melhor à sociedade.

Os portadores de deficiência têm ritmo próprio, não oferecem as mesmas respostas das demais crianças ao processo de aprendizagem. Apresentam desenvolvimento mais lento, mas aprendem. Às vezes, ficam em classes de faixas etárias mais baixas para poder acompanhar o progresso. O professor precisa reconhecer as limitações e garantir qualidade de aprendizado até onde conseguirem. Ele tem um papel fundamental no  entrelaçamento do processo num grupo heterogêneo. Não pode amedrontar-se, ficar tocado emocionalmente ou demonstrar sentimento de pena. Tem mais é que se capacitar, interessar-se, buscando informação a respeito.

Tanto os pais, como os professores precisam de assessoramento contínuo de pessoal especializado. O ideal é que o número de alunos, em classe, não passe de 18. Os benefícios entre pessoas diferentes são mútuos. A presença de alunos deficientes gera, entre todos, respeito e colaboração. Os alunos desenvolvem valores de natureza ética imprescindível para o processo de educação. As crianças normais crescem sabendo que existem diferenças e aprendem a respeitar isso. A inclusão estimula, inclusive, processos de ensino e aprendizagem. Um deficiente auditivo, por exemplo, pode levar os colegas a aprender a linguagem de gestos, favorecendo trabalhos de mímica, de interpretação teatral.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2003)

A REALIDADE EDUCACIONAL NO BRASIL

Izabel Sadalla Grispino *

O grande entrave à educação no Brasil está, sem dúvida, no baixo nível socioeconômico da população, reproduzindo o círculo de pobreza, marginalização e exclusão social. Ressalta-se, também, a precária formação do professor, com sua adoção de métodos ineficazes de aprendizagem. Métodos deficientes e deficitários, incapazes de penetrar num mundo estudantil desmotivado, desconjunturado e extrair dele potencialidades afloradas. Comprovadamente, a má formação docente contribui para a decadência do ensino e essa má formação vem sendo registrada pelas mais variadas situações. Citaremos experiências dos anos 97/98.

A MÁ FORMAÇÃO DOCENTE DO ENSINO BÁSICO – Um concurso público, promovido pela Secretaria da Educação da Bahia, para preenchimento de 7.300 vagas de professores, reprovou mais de 90% dos candidatos. Dos 62.730 inscritos, apenas 3.291 conseguiram atingir a nota mínima – de 4,7 a 5,0, dependendo da disciplina. O presidente da Associação dos Professores Licenciados da Bahia (APLB), Ruy Oliveira, informou que “a grande maioria dos candidatos é da rede pública baiana, em cursos do magistério.

Sobre a formação de professores, em termos de licenciatura, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), do MEC, revela que, entre 1,5 milhão de professores do ensino fundamental, 124.642 são considerados leigos, ou seja, não têm o 1º grau ou o 2º grau completos. Um total de 63,7 mil professores, sem o 1º grau completo, lecionam para alunos do ensino fundamental. Há, ainda, 71 professores que, embora não tendo o 1º grau completo, lecionam para alunos do ensino médio. Outros 997 docentes do ensino médio não possuem o 2º grau completo.

A legislação determina que o professor tenha o ensino médio completo para dar aulas no ensino fundamental em seu 1º ciclo – 1ª à 4ª série. Para ministrar aulas no 2º ciclo do ensino fundamental – 5ª à 8ª série – e no ensino médio deve ter o curso superior e a licenciatura. A tendência é de se estender, para todos os níveis,  o curso superior.

A presidente do Inep, Maria Helena de Castro, comenta que “a falta de formação dos professores é um dos sérios problemas do ensino, principalmente nas áreas rurais e nas regiões Norte e Nordeste”. Essa deficiência maior só aumenta a distância entre a diferença de aprendizagem das diversas regiões do País. Constatou-se, por exemplo, pela avaliação, que um aluno de 4ª série em Brasília sabe tanto quanto um aluno  da  8ª  série  no Nordeste.

Várias pesquisas, realizadas paralelamente às do MEC, denunciaram essa falta de formação do professor. No Estado de São Paulo, considerado um dos mais avançados da União, a atuação docente fica, também, a desejar. No município de São Paulo, uma pesquisa realizada, pela “Fundação-Instituto de Administração” (FIA), da Universidade de São Paulo (USP), com professores de 1ª a 8ª séries, demonstrou um pluralismo nas escolas municipais, apesar de a Secretaria Municipal da Educação ter adotado o construtivismo como método de ensino. Os professores alegaram sentir-se despreparados para aplicar o ensino-aprendizagem construtivista.

Estudos realizados pelo Instituto de Química da USP, ao analisar laboratórios de 3.740 escolas estaduais, concluíram pela inutilidade de sua existência, constatando ser ilusório incentivar aulas de laboratório na grande maioria das escolas estaduais. Com raríssimas exceções, as salas não têm condições físicas para acolher os alunos e, o mais importante, faltam professores especializados para organizar os laboratórios.

A professora Reiko Isuyama, que coordenou a avaliação, afirmou que há casos de extrema periculosidade: “Foram encontrados ácidos concentrados, solventes cancerígenos e frascos de sódio metálico, substância que pode explodir em contato com a água e atingir, por exemplo, um funcionário durante a limpeza da sala”. O relatório revela que do jeito que está é melhor fechar os laboratórios, “é inútil fornecer reagentes e vidrarias se os professores não sabem utilizá-los”.

Para que os laboratórios possam funcionar com qualidade é preciso capacitar os professores do ensino médio. Quando se fala em falência do ensino, uma das causas apontadas é a falta de infra-estrutura das escolas. Percebe-se o corolário que se forma: como usar a infra-estrutura se as escolas estão desfalcadas de profissionais capacitados?

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro de 2007)

SUPREMACIA DA EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Já há algum tempo, escrevendo sobre educação e sociedade, eu comentava a costumeira expressão que diz ser a educação a primeira necessidade do homem, depois do pão. Disse eu na ocasião: educação e pão são necessidades concomitantes, educa-se à medida que se dá o pão. Sem educação, o pão perde qualidades, perde valores nutricionais.

Recentes pesquisas, divulgadas em fevereiro de 2003, feitas para o programa Fome Zero, do presidente Lula, aliás, muito bem recebido pela sociedade, mostraram que a desnutrição infantil é maior entre mães analfabetas. Segundo pronunciamento de José Graziano, ministro da Segurança Alimentar, o Fome Zero estabeleceu como objetivo, além de combater a desnutrição no País, alfabetizar as mães de famílias carentes. As pesquisas acentuaram a correlação entre desnutrição, fome e analfabetismo.

Combater o analfabetismo é uma das mais relevantes metas do programa Fome Zero. O Brasil tem, de acordo com o IBGE, 16,3 milhões de analfabetos, com idade igual ou superior a 15 anos. Erradicar o analfabetismo, para o desenvolvimento equilibrado das nações, vem sendo prioridade universal. Em janeiro de 2003, seu combate ganhou apoio da Organização das Nações  Unidas (ONU), que determinou, a partir deste ano, a década da alfabetização. O lançamento foi feito em fevereiro, em Nova York. A Unesco, braço da ONU para a educação, promove a idéia por meio de parcerias.

Se a educação é primordial ao pão, em contrapartida o pão é primordial para o desenvolvimento mental e físico. No meu artigo “Brasil e condições de pobreza”, eu relatava as seguintes situações:  O geógrafo Josué de Castro, natural de Pernambuco, há décadas, chamou a atenção para o surgimento de um novo biótipo humano, o homem gabiru. Um homem raquítico, pouco mais que um anão, com altura de, no máximo, um metro e meio. Esse homem gabiru, segundo seus estudos, é resultado de anos e anos de miséria e desnutrição.

Como alfabetizar, perguntava eu, o homem gabiru e seus descendentes? Uma vez perdidas as vitaminas na primeira infância, jamais serão repostas, afirma a ciência. O médico Deodécio Campos Júnior, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, reforça esta idéia: “Está cientificamente provado que, em crianças desnutridas, o número de células é menor. Elas já entram na vida inferiorizadas... Carências na infância afetam da função cognitiva à função motora”.

Esta comprovação, mais o resultado das pesquisas Fome Zero, nos certificam da necessidade de compatibilizar educação e pão. A educação sozinha não salva, mas sem educação não há salvação. A educação irradia-se por todos os campos do saber. É mola-mestra de todas as atividades humanas. Constata-se, por exemplo, que o grau de instrução das mães exerce papel fundamental na formação escolar do filho.

Todos nós, assim como a escola, temos um papel social a cumprir. Quando a ONU fala em parcerias, estende o olhar para a sociedade civil, pensando em uma educação ministrada com eqüidade social. Só a conscientização de todos rasgará o véu da exclusão, da marginalização das classes menos favorecidas.

Para que a grande massa alcance a educação, a escola precisa combater a seletividade, não barrar o direito à educação, em nome de uma falsa pedagogia. É preciso que ela crie condições, mecanismos pedagógicos para que todas as crianças saibam ler e escrever, tenham acesso ao patrimônio científico e cultural da humanidade e venham a participar do enriquecimento desse patrimônio. É preciso que crie projetos de ensino que correspondam às necessidades concretas do aluno carente, perfil do aluno da escola pública.

Temos que tornar o ensino acessível à grande maioria da população para torná-lo efetivamente democrático  e democratizar a sociedade brasileira.

José M. Pires Azanha, em “Democratização do ensino”, diz: “... Não se democratiza o ensino reservando-o para uns poucos sob pretextos pedagógicos. A democratização da educação é irrealizável intramuros, na cidadela pedagógica; ela é um processo exterior à escola, que torna a educação como uma variável social e não como simples variável pedagógica”.

Democratizar o ensino, não apenas no sentido de universalizá-lo, mas ministrá-lo com qualidade para todos, formando cidadãos do mundo globalizado. A qualidade provém de vários fatores: condições de trabalho docente, melhor remuneração, levando à melhor qualidade de vida, número de alunos por classe, infra-estrutura escolar, culminando na formação dos profissionais da educação. Também tem peso considerável, no âmbito interno da escola, entre outros fatores, o apoio ao que os professores fazem, sua valorização, ajuda para que trabalhem unidos e se envolvam com suas escolas. É importante criar uma comunidade de professores que discuta, de modo a criar um senso comum da missão a cumprir em suas escolas. Precisamos derrubar as paredes do individualismo das escolas, caso queiramos a ocorrência de mudanças.

O pensamento de grupo, a formação de colegiados e a colaboração entre professores são indispensáveis. A sala de aula é um microcosmo de problemas sociais e o entrosamento entre professores clareia e reforça atitudes na resolução dos problemas. O professor experimenta o desafio do profissionalismo interativo. O de atuar em conjunto, um aprendendo com o outro, melhorando sua qualificação como uma comunidade. Porém, não se deve desconsiderar o trabalho individual, a atitude pessoal quanto ao aperfeiçoamento. A reação pessoal é tão importante quanto a reação coletiva. Ensinar é uma profissão, ao mesmo tempo, intelectual, envolvendo conhecimento, e afetiva, envolvendo relações e atitudes.

Monteiro Lobato dizia: “Um país se faz com homens e livros”. É preciso, pois, mobilizar governo e sociedade, investir num sistema educacional que nos tire da condição de País da pobreza.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2003)

SAÚDE ALIMENTAR E POSTURAL DO ALUNO

Izabel Sadalla Grispino *

A escola, de hoje, atua dentro de conceitos abrangentes, em benefício da educação integral do aluno, conceitos que vão além da simples transmissão do conhecimento. Ao lado do conceito “sujeito de direito”, assunto por mim abordado em um artigo anterior, ela trabalha o conceito de saúde alimentar. Preocupada com a saúde da criança, com problemas de obesidade, acarretando, já na infância, alta de colesterol, de triglicéride, provocando doenças cardíacas, renais, passa princípios de boa nutrição. Ensina alunos, pais, comunidade escolar, a importância de uma comida balanceada.

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