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Artigos Educacionais

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CONTEÚDO SIGNIFICATIVO ATRAI O ALUNO

Izabel Sadalla Grispino *

Escola é uma instituição especial de inserção do ser humano, hoje vivendo uma sociedade complexa, de profundas modificações culturais, que espera pela educação encontrar o respaldo necessário à sua formação. Espera aprender como sujeito de um processo de conhecimento vivido em consonância com o ambiente que o cerca.

A escola precisa criar condições para o aluno se desenvolver com naturalidade e prazer. Precisa detectar as causas do insucesso do seu estudo. Avaliar conjuntamente a instituição, o processo de ensino e o comportamento docente e discente. Uma pesquisa feita pela Secretaria Estadual da Educação mostra que os alunos culpam bagunça por dificuldade no aprendizado. Dizem que não aprendem por culpa deles mesmos ou dos colegas. A pesquisa, que contou com 4,2 milhões de estudantes da rede estadual, mostrou que 61,4% deles culparam a indisciplina da sala de aula, a falta de interesse dos jovens, ou o desconhecimento de matérias de anos anteriores pela dificuldade de aprendizagem. O professor e a estrutura escolar são citados como problemas por apenas 20%.

Muitos alunos reclamaram do fato de a “direção não punir os bagunceiros”. Disseram ser uma boa solução “separar os que fazem bagunça dos interessados”. Uma outra observação recaiu sobre professores faltosos, que são substituídos por outros de disciplinas diferentes. Pela pesquisa, 35% dos alunos de 5.ª a 8.ª séries e 47% dos do ensino médio disseram ficar sem professores  em determinadas disciplinas. A substituição é feita por professores chamados eventuais que são orientados a trabalhar com temas transversais, como ética, cidadania, direitos humanos, meio ambiente e outros.

A pesquisa feita pela Secretaria Estadual da Educação, que traçou o perfil dos estudantes da rede estadual, foi respondida junto com o Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) no ano de 2003. Ela mostra que 76% dos alunos da rede são de famílias das classes C e D e que 71% dos alunos já trabalharam ao chegar no fim do ensino médio. O Saresp não apontou diferenças de desempenho entre alunos trabalhadores e não trabalhadores

O perfil dos alunos da rede estadual de ensino revelado pela pesquisa mostrou especificamente que:

– 29,4% acham que indisciplina na sala de aula dificulta a aprendizagem;

– 27,6% culpam a falta de interesse dos alunos pelas dificuldades;

– 4,4% acham que o problema vem dos alunos que desconhecem a matéria de anos anteriores;

– 4,3% dos pais cursaram faculdades; e

– 38,6% dos alunos têm até 9 livros em casa.

O panorama da pesquisa revela dados que devem ser analisados e combatidos pela escola. Sabe-se que a falta de interesse dos alunos é resultado de um trabalho pedagógico que não atrai. Entra aí a formação do professor, capaz de desenvolver aulas mais dinâmicas e menos conteudistas. No meu livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola) eu enfoco claramente esse problema nas págs. 27 e 28. “A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB)... põe ênfase na aprendizagem, no resultado do ensino e não propriamente no ensino. Queremos, hoje, uma escola que forme, que descubra potencialidades, que exercite talentos, na direção da criatividade, da criticidade. Uma escola que se afaste do conhecimento pronto e acabado, do enciclopedismo, que recrie a cultura junto com o aluno. A imposição cultural massifica, marginaliza.

Queremos formar a escola do cotidiano, da resolução dos problemas enfrentados pelos alunos, uma escola que sirva para o dia-a-dia. Não é bem o diário, mas a ligação do conhecimento com sua aplicação diária. A mudança pretendida é afastar-se de conteúdos desvinculados da realidade. Trabalha-se o momento, a época, mas, articula-se este presente com o passado e com o futuro. Articula-se o fato de hoje com a visão mais ampla que representa.

Busca-se um assunto que tenha ligação com a vida do aluno. Se o conteúdo for de seu interesse, ele passa a ter vínculo com a aprendizagem. Não se dissocia a sala de aula da vida prática do aluno. O currículo deve representar a cultura compartilhada, incluindo a informal, onde a leitura de jornais e revistas é parte integrante, onde as experiências vividas pelo aluno devem ser consideradas.

A escola é o lugar da cultura viva, do dia-a-dia do aluno. Deve contemplar o contexto sociocultural, trabalhar a metodologia socioconstrutivista, interativa, interdisciplinar, contextualizada. Um currículo com dois olhares: um interno e outro no mundo lá fora. A linha pedagógica do socioconstrutivismo quer formar cidadãos que saibam pensar, ouvir o outro e respeitar o diferente. A escola afasta-se da linha tradicional, conteudista, onde o processo do aprendizado acontece de fora para dentro, ou seja, pela transmissão do conhecimento, e encaminha-se para a pedagogia construtivista, considerada moderna, alfabetização sem cartilhas, que ensina a pensar, criar hipóteses e relacionar para chegar ao conhecimento. Utiliza-se do currículo, dos métodos de trabalho, das atividades, dos materiais, para ensinar o aluno a pensar, não para encher sua cabeça com informações. Exige não só mudanças metodológicas, mas, principalmente, reflexão contínua sobre o contexto cultural que cerca seus alunos.

Queremos uma escola que seja plural, inclusiva das diferentes classes sociais, das diferentes performances individuais, que discuta, que dialogue, que não seja evangelizadora. Uma escola que desenvolva a inteligência crítica, estimule a criatividade e o compromisso social”.

Para que a escola seja plural, para que acolha e mantenha em seu recinto a classe pobre, necessário se faz entender a pobreza, entender o que a pobreza acarreta de dificuldade, de falta de entusiasmo ao estudo e motivar esse aluno. A escola, debruçando-se sobre os desafios da difícil ascensão social, saberá colocar-se, democraticamente, na busca do equilíbrio e da eqüidade social.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março/2005)

OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO FAVORECENDO A INCLUSÃO

Izabel Sadalla Grispino *

A novela “América” abordou com propriedade e sensibilidade o tema do deficiente. Colocou como um dos protagonistas um deficiente visual, o “Jatobá”, um ser inteligente, que se supera a cada passo, servindo de exemplo e encorajamento na luta pela realização pessoal. Traz constantes inserções do programa do Dudu Braga, “É Preciso Saber Viver”, onde derruba preconceitos, entrevistando deficientes das diferentes áreas, pessoas dotadas de rico potencial e que encontraram ambiente de compreensão e ajuda no desenvolvimento de seus talentos.

A novela vem abrindo a mente, a aceitação, modificando a visão sobre os deficientes. Visitando escolas, conversando com professores, percebi um novo entusiasmo pelo ensino da educação especial.

Já escrevi vários artigos sobre a inclusão do deficiente no ensino regular. Contudo, esse novo olhar me leva a reforçar e a delinear os benefícios já adquiridos pelos portadores de deficiência, que devem nortear consciências e ser estendidos a mais pessoas.

O Brasil vem avançando quanto ao direito da escolaridade das crianças deficientes. A política oficial, já há algum tempo, desde 1996, prevê a inclusão dos portadores de deficiência, na rede regular de ensino. Em agosto de 2001, o então ministro da Educação Paulo Renato Souza, regulamentando a Lei de Diretrizes para a Educação Especial, assinou resolução pela qual as escolas públicas do País deveriam atender estudantes com necessidades especiais.

Essa foi, contudo, mais uma mudança, na estrutura do ensino, imposta a uma rede pública desaparelhada, despreparada para recebê-la. Não se pode esquecer que para se obter sucesso é preciso dar estrutura de aprendizagem, fazer uma inclusão responsável, para não comprometer o avanço dos alunos portadores de deficiência. É muito importante treinar os professores, capacita-los, produzir material de apoio, assim como adaptações de títulos didáticos para o sistema braile. As escolas devem possuir as chamadas salas de recurso equipadas, para facilitar a aprendizagem e possuir professor de braile.

No cumprimento das normas legais, é importante conhecer os seguintes procedimentos:

– A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, no seu art. 4.º, inciso III, definiu como dever do Estado a garantia de atendimento especializado gratuito aos educandos “com necessidades especiais, preferencialmente, na rede regular de ensino”. Sendo na rede regular de ensino, o educador deve receber a capacitação necessária para esse atendimento, lembrando que a política de inclusão exige um professor treinado, capacitado.

– A Lei 7.853, de 1989, obrigou o Estado a apoiar os portadores de deficiência em sua integração social. Leis e decretos definiram normas gerais e critérios básicos para o atendimento às pessoas deficientes. Criou-se, no Ministério da Justiça, o Conselho Nacional de Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência.

– Através do Decreto 3.956, de 2001, foi ratificada a Convenção Interamericana para a eliminação de todas as formas de discriminação contra as pessoas portadoras de deficiências.

– A Câmara do Ensino Básico do Conselho Nacional de Educação (Parecer 2/01) definiu as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Especial e o Parecer 17/01 estendeu essas diretrizes para toda a Educação Básica.

– A Lei de n.º 8.213/91 prevê a obrigação de contratar deficientes e abrange empresas com mais de 100 empregados. As cotas variam de 1 a 5% do quadro de funcionários, de acordo com o tamanho das mesmas. Essa obrigação já tem mais de 10 anos, mas sua regulamentação só veio em 1999. Uma ação articulada, em 2004, da Delegacia Regional do Trabalho (DRT/SP) e do Ministério Público do Trabalho (MPT), trouxe resultados consideráveis quanto ao aumento da contratação.

– Uma resolução de 2003, aprovada pela Assembléia Parlamentar do Conselho Europeu, que agrupa 44 países do continente, determinou que a linguagem dos sinais utilizada pelas pessoas surdas seja reconhecida oficialmente como idioma. O reconhecimento, feito através da inclusão dessa linguagem na Carta das Línguas Regionais e Minoritárias, dá-lhe status de “idioma sem nacionalidade”

O exemplo avança e no resto da Europa há a preocupação de introduzir a língua de gestos nas escolas. Na Irlanda, Reino Unido, França, Espanha, Grécia e Portugal, as autoridades de ensino adotaram programas para estimular professores a aprender a língua dos sinais e a promover a formação de intérpretes.

Esse comportamento deveria se estender a todos os continentes do planeta. As escolas deveriam abraçar, com entusiasmo, a aprendizagem da língua dos gestos, repassá-la aos seus alunos, introduzindo solidariedade e humanização no ambiente escolar.

Deve-se ter conhecimento dos procedimentos para poder aplicá-los. É preciso cumprir na prática o que essas leis determinam; caso contrário, fica no papel e não na realidade.

Que o entusiasmo do momento se fortifique, forme consciência conclusiva e que a escola inclusiva se torne portadora de esperança, de realizações, de concretizações de vida útil aos estudantes portadores de deficiência. Os Jogos Paraolímpicos reforçam o conceito de valorização ao aluno com necessidades especiais. Esses jogos têm demonstrado o quanto esses jovens são capazes, em termos de concentração, de raciocínio, de superação de si mesmo.

Dar apoio que necessita, observar o ritmo, as características de cada aluno, incentivá-lo à participação, são conceitos-chave para o desenvolvimento do potencial do aluno deficiente.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2005)

CURSOS DE MBA

Izabel Sadalla Grispino *

Os cursos de Master Business Administration (MBA) vêm ao encontro à necessidade do funcionário ou empresário se reciclar e saber empreender. O foco dos cursos está no aperfeiçoamento da gestão de empresas, mas, também, despertam o lado empreendedor de seus alunos, desenvolvem habilidades administrativas e de gestão.

Os projetos de conclusão de curso acabam sendo usados para a abertura de um negócio, para montar a própria empresa. Muitos alunos ou executivos transformam-se em seus próprios patrões. Este é um aspecto dos cursos MBA, ensinar a ser patrão.

As aulas preparam para o empreendedorismo, os alunos recebem orientação dos professores para desenvolver os projetos. O MBA prioriza não só o projeto de conclusão de curso, como, também, as atividades em grupo desenvolvidas durante o período de estudos.

As aulas ajudam a conceber o negócio, a definir local e a melhor maneira de atuar no setor. Ajudam a embasar o futuro empreendimento.

Os que já trabalham em empresas ou já têm o seu próprio negócio encontram nos cursos de MBA a oportunidade de compartilhar idéias com pessoas que estão no mercado e bem posicionadas. Nesse contato evoluem, descobrem processos, melhores condições de analisar planos estratégicos de negócio.

Segundo levantamento, 60% dos alunos dos cursos, que já fizeram o último módulo, interessam-se por empreendedorismo, têm vontade de abrir negócio próprio. Sentem que o mercado exige perfil empreendedor, profissionais mais ativos, por isso buscam os cursos de MBA.

Alguns indivíduos têm qualidade nata de empreendedor. São líderes, mas, é possível despertar habilidades em pessoas com essa propensão, dar subsídios aos menos desenvolvidos.

Para atender essa clientela, o MBA oferece cursos de formação específica para empreendedorismo. Desmistificam o empreendedorismo e dão ferramentas adequadas aos alunos.

Geralmente, os alunos, em fim de cursos, que conseguiram uma rede de contatos e acumularam certo capital, 10 ou 15% acabam montando o próprio negócio. Os cursos disseminam o conceito de empreendedorismo ao longo deles e em todas as disciplinas. Periodicamente, os alunos discutem o assunto, não só entre si e com seus professores, mas com grupos formados por outras instituições, desenvolvendo núcleos de estudos.

Alargando o conhecimento, a visão dos negócios, avançam com mais segurança, na linha de frente do próprio negócio. Adquiriram conhecimentos galgados na teoria e na prática, habilidades flexíveis e comportamentos alinhados à vantagem da estratégia de negócios e à visão multifuncional da empresa.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em fevereiro/2007)

NOVAS EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS

Izabel Sadalla Grispino *

Atualização constante, reciclagem de conhecimentos, experiências educacionais em sintonia com as mudanças mundiais, são pré-requisitos para uma segura atuação docente.

A educação básica tem se preocupado cada vez mais com a educação integral. Na educação infantil, fase da formação do caráter, o ambiente escolar é focado na educação. Garantem-se todos os direitos da criança, especialmente o de brincar. Brincando, ela vai aprendendo regras, noções de ordem, espaço. Torna-se mais independente, sabe escolher e é mais sociável.

Escolas há que vêm adotando novas propostas educacionais. Nelas só se ouve, praticamente, a voz dos alunos. Entendem que o professor não precisa levantar o tom de voz para falar a uma criança. Ela compreende o que se quer dizer quando se fala olhando diretamente nos olhos. Nessas escolas, apesar de bem pequenas, as crianças não andam em filas, não sentam em carteiras enfileiradas e não são obrigadas a desenvolver nenhuma atividade que não queiram. Primam pela individualidade e independência. Contudo, observa-se que as crianças respondem prontamente aos chamados, o que, geralmente, são convites para atividades agradáveis, programadas.

Os estímulos para a aprendizagem estão por toda a parte, desde as pinturas no chão, até as cestas de lixo. A criança vai adquirindo visão das coisas, de modo mais saudável, mais ordeira. Elas se encarregam de transmitir à família, aos pais, conceitos adquiridos na escola, como, por exemplo, costumam chamar atenção quando alguém joga papel na rua ou quando alguém fala palavrão. A criança é um grande veículo de educação na comunidade.

As escolas trabalham muito integradas com os pais. A pintura dos desenhos do chão é, por exemplo, mudada periodicamente e os pais oferecem-se para fazer retoques, assim como participam diretamente de outras atividades.

Ultimamente, vem-se notando que os pais estão ficando cada vez mais dependentes da escola. Eles delegam à escola parte da responsabilidade que são deles e o reflexo dessa transferência é o aumento da procura pelo ensino em período integral. O que parece é que eles dão excesso de liberdade aos filhos, necessitando, depois, de freios externos. Outros não sabem como lidar com certos problemas, como o das drogas e necessitam da ajuda da escola.

É preciso que os pais se conscientizem de que a escola tem um papel complementar na educação de seus filhos, embora faça parte de seu papel discutir sexo, drogas, cidadania, valores morais, respeito ao meio ambiente...

Uma pesquisa realizada pelo Sistema Anglo de Ensino, no fim de agosto do corrente ano, com pais de alunos matriculados em escolas de educação infantil, até em cursinhos do País todo, revela que os pais querem uma escola disciplinadora, que discuta todo tipo de assunto com seus filhos, em especial as drogas. O estudo foi realizado com 16 mil famílias de classes A e B que têm filhos em escolas particulares e mostra essa dependência dos pais às escolas, fato que os educadores e psicólogos já haviam constatado na prática.

Quando questionados, em três itens principais, sobre o que os levariam a mudar o filho da escola, a resposta, em ordem decrescente, foi: a) problemas com drogas (68,9%), b) o aumento das mensalidades (43,8%) e c) o pouco rigor na disciplina (32,4%). Sobre as características mais importantes que os levariam a escolher uma escola, os pais colocaram, em primeiro lugar, o bom ensino e os bons professores (74,1% das respostas), em segundo, um “método moderno” (50,4%) e, em seguida, a mensalidade adequada ao orçamento (35%). Segundo o Sieesp, a mensalidade média, na rede particular em São Paulo, gira em torno de R$ 500,00.

Os pais ao serem consultados sobre o que esperam da escola com relação às drogas, deram as seguintes respostas: 71,6%, orientação e campanhas de combate ao uso; 64,5%, fazer parcerias para programas de prevenção; 27,9%, repelir duramente e 3,4%, não deve tratar do assunto.

Uma outra séria questão diz respeito à orientação de prevenção, para crianças de 4 a 6 anos, à aids e a doenças sexualmente transmissíveis. Até pouco tempo, discutia-se a viabilidade de tal precocidade, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) já aplica este novo modelo no Canadá, na Holanda, na Dinamarca e em Cuba, como medida de proteção à saúde, desde a educação infantil.

No Brasil, há uma proposta nesse sentido, quando, pela primeira vez, ela está sendo discutida pelos Ministérios da Saúde e da Educação, com o objetivo de criar uma política nacional de promoção à saúde nas escolas, que iria da educação infantil ao ensino médio. Entende-se que prevenção envolve o desenvolvimento, desde a infância, de competências para a vida, o que a OMS chama de life skills, como assertividade, auto-estima, capacidade de negociação, relações de gênero. Entende-se que prevenção a DSTs, aids e uso abusivo de álcool e outras drogas não pode se limitar à adolescência e deve ir além da abordagem específica desses assuntos.

As crianças que interiorizam esses conceitos desde cedo têm, segundo os especialistas, mais chances de chegar à adolescência menos vulneráveis. Para a consultora do Ministério da Saúde, Marina M. Valadão, “só se deve falar diretamente em camisinha, droga e aids para crianças de 4 anos se elas perguntarem. E elas perguntam e muito; estão sendo bombardeadas com mensagens erotizadas na TV e nos outdoors”. Como os pais não falam com facilidade de drogas e sexualidade, sobra para a escola abordar esses assuntos.

Para transmitir essas orientações, o Ministério da Saúde fornecerá aos professores, que lecionam desde a educação infantil, a partir de janeiro, amplo material de apoio, onde “aparecem sugestões de atividades específicas para estimular nos alunos formas de pensar que, no futuro, poderão se traduzir em prevenção”. O Ministério da Saúde vem buscando integrar-se ao MEC, para ilustrar conjuntamente os professores.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2003)

O PERFIL DA ADOLESCÊNCIA BRASILEIRA

Izabel Sadalla Grispino *

O relatório divulgado em 11 de dezembro de 2002 pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostra mais de um terço de adolescentes brasileiros comprometido por seus níveis de escolaridade e renda. Num total de 21,2 milhões, cerca de 8 milhões de jovens entre 12 e 19 anos incompletos pertencem a famílias com renda per capita menor que meio salário mínimo e têm, pelo menos, 3 anos de defasagem em relação à escolaridade correspondente à sua faixa etária.

A redução, nos últimos anos, da mortalidade infantil perde sua expressividade perante as altas taxas de mortalidade entre adolescentes. As crianças que se salvam ao nascer correm o risco de morrer ao entrar na adolescência ou de se tornar um adulto excluído do mundo de trabalho ou um candidato a bolsas de assistência social do governo.

A baixa escolaridade e a falta de políticas públicas integradas para a juventude têm provocado um quadro social deplorável. A marginalização desses jovens, analisa o Fundo, provém de diferentes fatores. Em ordem decrescente de valores, surge primeiro o analfabetismo, que atinge 1,3 milhão de jovens, seguido do abandono escolar – 3,3 milhões não freqüentam a escola – e do trabalho infantil – 1,9 milhão entre 10 e 14 anos trabalham e, na faixa dos 15 aos 17 anos, 3,2 milhões. Segundo o relatório da Unicef, a maioria realiza trabalhos precários, mal remunerados e cumpre jornada excessiva, o que dificulta sua ida à escola.

Aliadas a esses fatores, há ainda a considerar a baixa qualidade de ensino recebida, as diferenças regionais e diferenças de raças. Esses jovens, sem uma direção a seguir, acabam descambando para a violência, para o uso das drogas. O alto índice de gravidez precoce, revelado no relatório, reproduz o ciclo de exclusão: baixa renda, escolaridade precária e inserção precoce no mercado de trabalho.

Para a Unicef, nosso País, que tem a marca de tantas desigualdades, enfrenta o grande desafio da criação de um plano nacional e articulado para o adolescente. “Não existem só desigualdades regionais. Também dentro dos municípios há diferenças nas regiões periféricas e entre zona rural e urbana. Por isso, defendemos a necessidade de uma política nacional e não de políticas setoriais ou localizadas”, diz o oficial da Unicef Sílvio Kaloustian.

O analfabetismo de adolescentes foi o principal índice usado para classificar os Estados e municípios, no relatório da Unicef. A razão está em que se um adolescente não sabe ler ou escrever não tem lugar no mundo do trabalho. Em Alagoas, o índice é de 18%, em Santa Cataria, de 1,3%. Essa disparidade reflete tanto a situação econômica quanto a educacional e de atitude. “O desafio, então, não é olhar para a cidade ou para o campo, centro ou periferia, Sul ou Norte, mas verificar se todas as crianças estão tendo oportunidades”.

Por causa da diversidade, o relatório fala em adolescências brasileiras. “Por um lado, encontramos no Brasil o fenômeno da adolescência prolongada, comum nas classes média e alta, em que a condição do adolescente tende a se prolongar em função das expectativas de uma formação cada vez mais especializada e exigente. Temos, igualmente, um significativo contingente de adolescentes que, pela pobreza de suas famílias, fica impedido de viver essa etapa preparatória, sendo obrigado a uma inserção precoce no mercado de trabalho, formal ou informalmente”, explica o documento.

O Censo 2000 do IBGE, publicado em 20/12/2002, mostra que, embora o País tenha alcançado a universalização do ensino fundamental, com 94,5% de crianças de 7 a 14 anos freqüentando a escola, não conseguiu acabar com a defasagem escolar. Os dados do Censo revelam que, de cada 10 alunos na faixa dos 13 anos, 6 não cursaram a série que deveriam; aos 14 anos, já eram 7.

No grupo de pessoas entre 10 e 14 anos, 1 milhão não sabe ler, nem escrever. A defasagem varia de acordo com o tamanho da cidade. É maior nos pequenos municípios. Um adolescente de 14 anos que mora em uma cidade com até 20 mil habitantes tem mais chance de não estar no ano correto do que o que mora em uma cidade grande. Nas pequenas, 78,8% das crianças  nessa faixa estão atrasadas, ante 63% nos grandes centros. A diferença entre rede pública e privada é grande. Nas escolas públicas, 74% dos alunos de 14 anos não freqüentavam a série que deveriam em 2000. Nas particulares, a porcentagem é de 43%.

O atraso na escola é um sério problema na educação, na vida pessoal e na sociedade. Desajusta-se a personalidade, trazendo desencontro nas realizações. Nessas condições, o normal é o aluno desanimar-se e desistir dos estudos, candidatando-se à marginalidade.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2003)

ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO DO PAÍS

Izabel Sadalla Grispino *

Vários setores da economia começam a preocupar-se com o baixo nível de ensino dos estudantes da escola pública. Sentem o impacto desse baixo nível na economia e partem para diferentes iniciativas. Empresários programam-se para melhorar o ensino, unem esforços para elevar o Índice de Desenvolvimento Humano do País.

Grandes empresas decidiram investir juntas no problema da má qualidade da educação pública. Em vez de projetos isolados de responsabilidade social, o grupo Empresários pelo Desenvolvimento Humano (EDH), em programas conjuntos, investe na educação. “Percebemos que soluções de varejo não funcionam mais; precisamos de ações de atacado”, diz o presidente da Philips, Marcos Magalhães.

O grupo Empresários pelo Desenvolvimento Humano é formado por cerca de 50 empresas multinacionais, como Credicard, Nokia, Nestlé, Oracle, e nacionais, como Itaú Seguros, Unibanco e Estrela. O grupo, ao arrebanhar forças para melhorar o Índice de Desenvolvimento Humano do País, percebeu que o objetivo só seria alcançado por meio da educação de qualidade e colocou, como alvo de atuação, o ensino fundamental, de 1.ª a 8.ª séries. Seus projetos atuais envolvem a alfabetização de crianças que cursam o ensino fundamental em séries mais avançadas e a aceleração do processo de aprendizagem para alunos em defasagem idade/série. Utilizam a metodologia e a tecnologia do Instituto Ayrton Senna.

O Instituto Ayrton Senna desenvolveu o primeiro projeto de Empresários pelo Desenvolvimento Humano (EDH), combatendo igualmente o problema do analfabetismo. Capacitou cinco mil professores da própria rede de ensino do Estado e formou salas especiais em 48 municípios para alfabetização.

Os empresários preocupam-se, também, em garantir que haja mudanças estruturais no sistema. Não têm a intenção de montar projetos permanentes. A intenção do EDH é, ao capacitar professores, mudar a maneira de ensinar e melhorar a qualidade da educação. Tem, ainda, a intenção de que os programas se transformem em políticas públicas.

O Índice de Desenvolvimento Humano é baseado no cálculo de três indicadores: educação (taxas de alfabetização e matrícula), renda (PIB per capita) e longevidade. O Brasil é o 73.º no ranking mundial.

Um outro movimento em prol da educação, digno de louvor, é a preocupação da USP em ensinar professores de periferia. É uma medida que virá melhorar o acesso de alunos da rede pública à instituição pública. A maior parte dos alunos, oriundos do ensino médio de escolas públicas, consegue vagas apenas nos cursos menos concorridos, como letras, geografia, história ou matemática. A USP, comprometendo-se com o ensino médio público, querendo melhorar sua interação, montou um projeto para qualificar os professores das escolas estaduais. Assim, em vez de facilitar a prova do vestibular, melhora o ensino dos alunos que estão sendo barrados pelo vestibular.

A USP prepara para os professores cursos de especialização nas diversas áreas, de línguas a ciências. O foco do programa é a utilização de mídias interativas, como vídeo e teleconferências, que permitem capacitar o maior número de profissionais. Os professores inscritos não precisarão se deslocar da periferia da capital ou de sua localidade até a cidade universitária. Estúdios montados na Faculdade de Educação da USP geram vídeos para os centros onde estarão os professores.

Não será, contudo, um curso de educação a distância, porque professores e alunos de pós-graduação da USP acompanharão o trabalho nas escolas. O currículo dos cursos incluirá atividades culturais para toda especialização. O entendimento geral é de que não adianta ser um bom professor no abstrato. Ele precisa entender as características de sua escola, de seus alunos, de sua região, para ser um bom professor. Para tanto, a capacitação será centrada na própria escola e, preferencialmente, serão atendidos os locais onde os professores são considerados menos preparados.

As dificuldades dos docentes podem ser notadas nas avaliações aplicadas aos alunos pela Secretaria do Estado, o Saresp. Os dados mostram que as maiores dificuldades dos alunos estão nas áreas de matemática, ciências e língua portuguesa.

A USP tem os olhos voltados para a área social, cumprindo um papel de transformadora da sociedade, de ajuda aos carentes. Seu projeto é de capacitação de professores, que, fortalecendo o conhecimento, numa ação afirmativa, poderá enfraquecer o sistema de cotas, para dar oportunidades de igualdade a todos.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2004)

TECNOLOGIAS DE APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino *

Na última década, mais precisamente nos últimos cinco anos, a expressão tecnologia da informação já faz parte do vocabulário escolar. Para atingir um número maior de educandos ou para tornar a aula mais interessante, a escola vem se utilizando de outros mecanismos que não só a sala de aula.

O rádio e a TV são duas mídias de grande penetração, concorrendo, agora, com a Internet. Paulo Freire dizia que no seu tempo o rádio era o grande referencial, que, agora, passa a ser a Internet, trazendo a escola virtual, a aprendizagem on-line.

Compatibiliza-se o aparato tecnológico com o processo de ensino, constrói-se um novo espaço, um novo modelo de ensinar e de aprender. São novas estratégias de ensino que vão corresponder a novas formas de aprendizagem, a uma outra maneira de se relacionar. A tecnologia é uma aprendizagem colaborativa, não apenas um instrumento de informação. Ela transforma o ambiente virtual em mais um espaço educacional, trazendo posturas diferentes do professor e do aluno. Conjuga-se à sala de aula, quando então se debate a informação recebida por ela, transformando essa informação em conhecimento..

A Internet preenche espaços no ensino presencial, com salas de aula utilizando-se do computador, aprimorando os processos comunicativos, a interação e o relacionamento professor-aluno. A contextualização exige a absorção das novas tecnologias da aprendizagem que favorecem o pluralismo de idéias e de concepções. Associam-se o material impresso, a lousa, com as tecnologias mais avançadas, numa elaboração construtivista, tendo sempre presente o aperfeiçoamento do ser humano.

Os recursos dessas novas tecnologias devem ser trabalhados com a mesma metodologia empregada na aula presencial, o aluno passando de paciente a agente. Ele deve ser preparado para esse ensino – o que não fazíamos antes – ter controle de seu percurso na aprendizagem. Os modelos presenciais são os mesmos dos modelos virtuais: aluno participativo, responsável, desenvolvendo aprendizagem autônoma, atitude pró-ativa de busca do conhecimento; o professor ensinando o aluno a construir o conhecimento, a pesquisar, a investigar, a encontrar sentido na pesquisa. Fazer o aluno entender que pesquisar não é encontrar o texto e apenas copiá-lo, mas é processar, transformar a informação em conhecimento. Para tanto, o professor indica ou sugere caminhos, propondo questões, reflexões, promovendo experiências práticas, exercícios variados ou debatendo a pesquisa em sala de aula.

Cria-se, assim, na escola um novo ambiente, modificam-se as práticas convencionais, promove-se uma educação mais contextualizada, mais atrativa. Para que as tecnologias de aprendizagem se tornem interativas, meios são necessários, como o fax, o telefone, o computador, o e-mail. As videoconferências e a Internet tornam a aprendizagem e os cursos bem mais acessíveis.

Enfrentamos, hoje, uma explosão de informações e o professor, com seu novo papel, busca estabelecer significado às informações obtidas, a classificá-las, utilizando-se do espírito crítico. As novas tecnologias enriquecem a aprendizagem, favorecem as inteligências múltiplas, as aptidões, atendem as diversificações.

É preciso que se coloquem computadores na sala de aula, que capacite o professor porque o aluno não pode estar ausente dos meios de comunicação, da Internet, sem grandes prejuízos à sua formação. No Brasil, infelizmente, a informatização é lenta, chegando com atraso, em especial, nas escolas da rede oficial. Tomando como referências os Estados Unidos, enquanto 99% das escolas públicas norte-americanas já possuem computadores, aqui, apenas 17% das escolas estaduais são equipadas. Porém, a falta de computadores não é o maior problema. As escolas não têm profissionais especializados e treinados para lidar com os computadores e, por isso, muitas salas de informática ficam trancadas para os alunos.

As nossas escolas particulares acompanham bem mais a evolução na área da informática, preparando melhor o aluno para enfrentar a modernidade, a sociedade tecnológica. É um ponto a mais, e importante, a favor dessas escolas, que somando ao padrão de qualidade de seu ensino formal, colocam-nas na preferência da população em idade escolar. Algumas, as mais renomadas, apresentam um grau avançado no ensino da informática, constituindo-se em forte atrativo para a clientela de maior posse. Mesmo as de ensino não tão aprimorado se distanciam das precárias escolas públicas. Os pais com alguma possibilidade financeira, mínima que seja, quase sempre com sacrifício, com ônus para as despesas familiares, nem sequer cogitam em colocar os filhos nas deficitárias escolas oficiais.

Uma sondagem de opinião, revelada na mídia, mostrou que “os pais preferem se endividar a pôr os filhos na escola pública. A queda da qualidade do ensino público, a partir da década de 70 – imaginem hoje! – fez com que a educação privada deixasse de ser um luxo. Agora é uma necessidade da classe média”.

Desperta, Brasil!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2001)

ANALFABETISMO INFANTIL

Izabel Sadalla Grispino *

São vários os aspectos a serem enfocados sobre o analfabetismo no País, em crianças na faixa de 10 anos. Ressaltaremos alguns. Segundo pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgadas em 29 de novembro de 2002, 11,4% da população infantil são analfabetos. As cidades de médio porte levam grande desvantagem no quesito educação. São 383 mil crianças, dos sexos masculino e feminino, de 10 anos, a maioria de municípios de médio porte.

Considera-se um dos melhores indicadores para medir o nível educacional a taxa de analfabetismo das crianças de 10 anos. O índice varia de 5,4% nas grandes cidades, percentual considerado aceitável pelas Nações Unidas, até 18,7% nas cidades que têm entre 20 mil e 50 mil habitantes. O IBGE demonstrou que os municípios pequenos têm taxas de alfabetização infantil melhores que os médios, porque as prefeituras conseguem controlar com mais facilidade seus moradores. As baixíssimas taxas de analfabetismo no Sul contribuem, segundo o IBGE, para diminuir a média nacional.

O analfabetismo infantil varia de taxas altas, como 33% em Alagoas, para baixíssimos, como 1,7% em Santa Catarina. Em nível de escolaridade, a média vai de 8,1 anos de estudos em Brasília, a apenas 1,8 ano nas cidades de até 5 mil habitantes no Piauí. Há diferença entre municípios de um mesmo Estado, como no Maranhão, onde na capital a média de escolaridade é de 7,5 anos de estudos e nas cidades com até 5 mil habitantes cai para apenas 2 anos de estudos.

Em termos de analfabetismo infantil, temos ainda muito que avançar, que quebrar barreiras. O analfabetismo condena milhares de pessoas a uma vida sem perspectivas, vivendo miseravelmente.

Além do analfabetismo, temos ainda que considerar a má qualidade do ensino. O exame do Ministério da Educação, o Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Básico (Saeb), não mostra melhora significativa no desempenho médio dos alunos desde 1991, e piorou nos dois últimos anos. O Saeb mostrou que os alunos de 8.ª série dominam, na média, os conteúdos esperados dos da 4.ª série, e os da 4.ª série mal sabem decodificar as palavras que lêem.

Um teste aplicado pela Fundação Carlos Chagas em escolas de 52 municípios de 25 Estados demonstrou que os conhecimentos dos professores são próximos dos esperados dos alunos da 4.ª série.

Uma pesquisa que nos coloca na realidade brutal do nosso processo educacional é a intitulada “A Escola vista por dentro”, feita pelo ex-secretário do Ministério da Educação, João Batista Araújo e Oliveira, e pelo ex-presidente do IBGE, Simon Schwartzman. Estes autores sintetizaram, pelas respostas dadas a um questionário, o que é considerado “normal” entre professores, escolas e sistemas de ensino. Para os que não tomaram conhecimento da pesquisa, vale a pena conferir: “É normal não cumprir o ano letivo; é normal perder de 30 a 40% dos alunos sem que eles adquiram os conhecimentos para prosseguir os estudos; é normal enturmar alunos em classes onde eles não conseguem acompanhar o conteúdo e os ritmos dos trabalhos; é normal passar dever de casa que necessita de ajuda dos pais, mesmo sabendo que eles não podem ajudar; é normal começar o ano letivo sem professores designados para as turmas; é normal destacar professores sem habilitação para lecionar e sem conhecimentos elementares de português ou matemática; é normal operar escolas sem coordenação pedagógica, sem bibliotecas; é normal culpar os alunos e pais pelo fracasso dos filhos”.

O Brasil vem perdendo conceito geral e o trágico desempenho das escolas públicas ameaça o futuro do País, afirmam os especialistas. Não é redundante relembrar o vexame sofrido em 2000, quando os estudantes brasileiros, entre alunos de 15 anos de 32 países, ficaram em último lugar em capacidade de ler e escrever, na avaliação feita pela Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris. O exame foi supervisionado por uma técnica brasileira, que observou que muito dos alunos brasileiros nem sequer conseguiam ler as perguntas.

Diante do quadro exposto, como promover justiça social dentro de tanta desigualdade educacional? Soluções para as deficiências das escolas não são simples e nem rápidas. Educação boa é cara, é preciso real investimento, acompanhado de real mobilização da vontade política. Melhorar o ensino público é ponto capital para promover a justiça social. A má qualidade de ensino atinge gerações de jovens, leva-os a uma vida de apagado horizonte.

* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em janeiro/2003)

O NÚMERO CRESCENTE DE ANALFABETOS FUNCIONAIS

Izabel Sadalla Grispino *

A síntese do IBGE, do início do ano, chama a atenção para o elevado número de analfabetos funcionais. Refere-se a pessoas com mais de 15 anos, que estudaram menos de quatro anos e têm dificuldades para entender um simples texto, um manual de orientação. São incapazes de usar o que aprenderam na escola, de usar a leitura, a escrita, a matemática, em situações do cotidiano.

Os poucos anos de escolaridade não os tornaram capazes de assimilar e desenvolver habilidades práticas, desenvolver a capacidade de compreender e interpretar textos. Chegam, no total do País, a 29%, sendo que na região nordeste atinge 46%, no Estado do Piauí passa de 53% e, na região rural da Bahia,  chega a 73%, emperrando o desenvolvimento econômico desses Estados.

Até os anos 60, considerava-se alfabetizada a pessoa que sabia ler e escrever, ao nível necessário do seu convívio social. A partir dessa data, surge um novo conceito de alfabetização, no qual o conhecimento está atrelado ao desenvolvimento de habilidades práticas, úteis ao cotidiano. Hoje, considera-se que há diversos tipos de alfabetização relacionados às habilidades desenvolvidas pelo indivíduo, habilidades que se refletem em sua capacidade de trabalho.

Um estudo realizado pela Unesco, no ano passado, em sete países latino-americanos, revela que os brasileiros têm, em média, um nível inferior aos chilenos e argentinos, no tocante ao analfabetismo funcional. Essa pesquisa foi realizada no Estado de São Paulo e, se fosse levado em conta o País todo, o resultado seria muito pior, observa a educadora Vera Maragão Ribeiro.

Nos exercícios de prosa, como na compreensão de um simples aviso, os brasileiros tiveram o pior rendimento entre os sete países: Argentina, Chile, Colômbia, México, Venezuela e Paraguai, incluindo o Brasil. O rendimento dos brasileiros em matemática foi semelhante ao de prosa e tem um índice que gira em torno de 0,05, ou seja, abaixo da média.

A pesquisa mostra que o problema é mais complexo do que as campanhas e os programas de alfabetização, concluiu Vera. “O desafio que se impõe continua sendo a falta de um ensino de qualidade”. As reformas do ensino, propostas pelo MEC, não estão chegando adequadamente às escolas e assim não processam as transformações desejadas. Idealizam-se grandes mudanças, mas esquecem-se de sua preparação no tocante à prática de ensino, esquecem-se da necessidade de trabalhar a mentalidade educacional do professorado, que muda bem mais devagar que os princípios inovadores. É preciso cuidar dos professores  se realmente se quer inovação.

A escola passa por uma crise no processo pedagógico; tem dificuldade em encontrar uma resposta técnica para os novos problemas trazidos pelos alunos, em decorrência da nova transformação social. Os problemas sociais se alastram, o ensino fundamental vem se universalizando, colocando na escola alunos dos diferentes extratos sociais. As salas de aula vão se avolumando, com superlotação e com falta de métodos apropriados para lidar com as classes numerosas.

O maior indicador dessa crise é a evasão escolar ou a aprovação generalizada, sem qualificação, mediante baixa exigência, perpetuando o analfabetismo funcional. Saber ler e escrever é o grande fator da integração e da comunicação entre os diversos níveis sociais. Diminuir a concentração de renda, tão marcante no País, manter a perspectiva de uma sociedade mais justa, passam, impreterivelmente, pela sala de aula.

A baixa qualificação do professor é um dos fatores que dificulta a melhoria do ensino, assim como o elevado número de alunos por classe. Um estudo realizado pela Unesco e a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), comparando os indicadores de 47 nações, mostra que a formação do docente brasileiro está entre as piores, melhor apenas que a da China e da Tunísia. Mostra que apenas 22% dos professores do ensino fundamental têm nível superior e, no ensino médio, a taxa sobe para 56%.

O estudo conclui que a deficiente qualificação do professor somada a problemas de organização das escolas, às classes superlotadas e à elevada carga horária dos docentes, respondem pelo decadente nível das escolas públicas. Conclui, também, que os professores mais qualificados são os mais velhos.

O desencanto à carreira do magistério começa a impregnar os jovens. Há um certo descrédito quanto às políticas educacionais que não vêm prevendo a demanda futura. Ao descuidar, no presente, das condições efetivas de um bom trabalho docente, só fazem prejudicar as perspectivas futuras. De acordo com o estudo, no ensino fundamental, cada professor tem, em média, 34 alunos e no ensino médio, 39, quase o dobro da média dos países pesquisados, que têm 21 alunos por professor. O número excessivo de alunos, avalia o estudo, prejudica o trabalho do professor e, conseqüentemente, a qualidade do ensino.

A crise da escola pública vem se alongando, criando, nos jovens, uma imagem negativa, que buscam descartar o magistério como profissão. Esse fato começa a preocupar os estudiosos da educação, que prevêem uma possível falta de pessoal para lecionar, no dia de amanhã.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2001)

DIA NACIONAL DA FAMÍLIA NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Foi instituído oficialmente, pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), o “Dia Nacional da Família na Escola”, a ser comemorado no País todo dia 24 de abril. Traz o lema: “Um dia para você dividir responsabilidades e somar esforços”. Será realizado oficialmente duas vezes ao ano, como estratégia de reforço à importante presença da família na escola. Elas irão discutir o rendimento escolar do filho e a própria administração escolar. Trata-se de um instrumento simbólico que tem a finalidade de aproximar a comunidade da escola, integrando-as.

As escolas foram orientadas de como organizar esse dia. As sugestões oficiais falam em atividades de visita por um período de três horas, com a proposição de se planejar um momento em que pais e professores meditem a escola de ontem, a escola de hoje, contando passagens de suas vidas de estudantes, como eram, como se sentiam enquanto alunos e que lembranças trazem da escola.

O Dia Nacional da Família na Escola não é uma ação isolada; faz parte de um conjunto de atos previstos no próprio Regimento Escolar, quando fala, especialmente, do Conselho de Escola, sua instância maior de decisões, em que a presença de pais é obrigatória, ou a Associação de Pais e Mestres.

Encontros da escola com a comunidade facilitam o conhecimento do bairro, das comunidades de base, pastorais ou sociais, das ONGs, das entidades cívicas. Esses encontros propiciam uma atualizada orientação pedagógica, que encaminha a aprendizagem para uma contextualização do currículo, a uma filosofia da educação que pede o  desenvolvimento integral do aluno, o conhecimento de sua realidade de vida, de seu cotidiano, de seu ambiente familiar e social, de seus desejos e aspirações.

A presença dos pais na escola, além de colaborar com os múltiplos aspectos escolares, inclusive o disciplinar, é uma valiosa ferramenta para o professor se achegar ao aluno, conhecê-lo bem, compreendê-lo, ajustar o processo pedagógico, fazer com que a aprendizagem se torne concreta.

A escola deve se preparar convenientemente para esse dia, passar à comunidade, aos pais, a necessidade de luta conjunta, de apoio mútuo, de união, para que possam vencer as barreiras e trazer benefício aos alunos. Compete à escola mostrar aos pais, muitas vezes sem nenhuma escolaridade ou com escolaridade mínima, a importância hoje do saber. A colocação no mercado de trabalho está diretamente relacionada aos anos de escolaridade, à competência profissional. Estamos na era do conhecimento, por isso, não basta ao aluno freqüentar a escola; é preciso se dedicar, estudar, aprender, e, nesse particular, os pais podem ajudar e muito.

Essa é uma oportunidade a mais para a escola explicar aos pais seus objetivos educacionais, os seus métodos de ensino, inteirá-los do processo ensino-aprendizagem adotado. Ocasião propícia para se redimir de procedimentos anteriores, quando só se chamavam os pais para fazer-lhes observações negativas a respeito do filho, do mau aproveitamento ou do mau comportamento.

Em muitos de meus artigos tenho frisado a importância da presença dos pais na escola, no fortalecimento dos objetivos escolares que essa presença traz. Quando pais e mestres se encontram, quando firmam, conjuntamente, compromisso com o sucesso, o resultado é auspicioso. Devem, pois, manter um relacionamento contínuo, ao longo do ano, em ações cotidianas, respeitando a realidade da família e da escola.

Vivemos um momento social difícil, conturbado, e isso reflete, direta ou indiretamente, na sala de aula, na vida escolar. O perfil da família está mudando, lares desfeitos, só com o pai ou, mais freqüentemente, só com a mãe, gerando conflitos, repercutindo no comportamento dos filhos. Conhecer a realidade familiar é fator relevante na superação das dificuldades apresentadas pelos alunos. A aproximação com os problemas do bairro, com os problemas da família, não isola a escola, não faz dela uma entidade abstrata, alienadora, mas, sim, real, capaz de construir, de interferir, de oferecer um ambiente de paz, de altruísmo, de combate à violência.

Recente pesquisa do IBGE comprovou que a violência é a principal causa de morte de jovens no Brasil e nós sabemos que esta violência vem se infiltrando cada vez mais nas escolas. Por essa e por tantas outras razões, a escola necessita estar afinada à realidade que a cerca, buscando a colaboração da família.

Através de avaliações oficiais, do  Sistema  de  Avaliação  da  Educação  Básica (Saeb), constatou-se que em localidades pobres, de baixa renda, em que os pais freqüentam a escola, em que pais e professores se conhecem, dialogam, o rendimento escolar é melhor, as notas dos alunos são superiores a  de  outras  escolas, em situações socioeconômicas semelhantes.

A escola só alcança sua verdadeira identidade, uma aprendizagem efetiva, quando se insere em seu meio social, quando abre espaço para uma crescente integração escola-comunidade, escola-família.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em abril/2001)

LUZES DESPONTAM PARA A EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Ultimamente, os resultados de pesquisas educacionais, quer nacionais, quer internacionais, não têm mostrado um quadro favorável ao ensino básico brasileiro. Ao contrário, relatam situações precárias e constrangedoras, um ensino de baixo nível.

As análises internas encontram-se e completam-se com as análises feitas por organismos externos. Recentemente, em abril de 2006, o IBGE divulgou dados relativos a 2004 do Plano Nacional por Amostragem de Domicílio (Pnad), mostrando a ineficiência de nosso sistema educacional, numa visão desoladora, deprimente para a nação. O debilitado sistema de ensino reincide sobre a população brasileira, apresentando uma larga margem de analfabetos e analfabetos funcionais.

A Prova Brasil, uma avaliação do ensino básico, revelou – julho de 2006 – que a grande maioria dos alunos não consegue aprender, mostrando um ensino de má qualidade. O Pisa, realizado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), colocou os estudantes brasileiros, em leitura e matemática, em último lugar.

Uma triste realidade se impõe. O mau ensino vai tomando conta da rede pública e pouco se faz, com competência, para reter seu avanço. O nível da nossa educação é dos piores, quando se mede em testes internacionais. O crescimento do País está atrelado à educação, por isso o nosso não consegue alçar vôo.

Segundo consta, há 40 anos, a nossa renda per capita era maior que a da Coréia do Sul e hoje a coreana é 2,5 vezes a nossa. A razão está no investimento maciço feito à educação. Na Coréia, a escolaridade média é de 13 anos, a nossa de 6. Saltou em disparada em relação ao indicador brasileiro.

Falar em educação como prioridade nacional é slogan antigo. Medidas desarticuladas, ineficientes, são o que mais imperam no nosso sistema de ensino. Presentemente, surge no País um movimento empresarial, “Todos pela Educação”, lançado em 6 de setembro de 2006. Um compromisso que reúne os maiores empresários do País e propõe metas a serem atingidas até 2022, no bicentenário da independência brasileira.

Um dos grandes objetivos do movimento é envolver a sociedade civil na luta por uma educação de qualidade levantar a discussão sobre a educação, sensibilizar o País para sua importância. Conscientizar a sociedade de que não há verdadeira independência sem educação, não há crescimento da economia sem educação, pois existe uma relação direta entre educação e renda. Um indivíduo com uma boa formação escolar consegue melhores empregos, passa a ter mais renda. O mercado de trabalho requer padrões mínimos de educação.

O movimento pretende criar uma mobilização social em favor da educação. Ensinar a sociedade cobrar educação e educação de qualidade, a se inserir no processo de educação. Mostrar à sociedade que o futuro se faz do hoje, do aqui e agora, e o nosso hoje está muito ruim.

O movimento não vai entrar no mérito das práticas educativas e define metas que serão por ele cobradas. Entre as metas, a obrigatoriedade de todas as crianças com 8 anos saber ler e escrever, de todos os alunos concluírem o ensino fundamental e médio e a garantia de uma boa gestão de recursos da educação, ressaltando a escola de qualidade.

O movimento é promissor porque vai acompanhar a evolução do processo e cobrar resultados. Torcer para que a educação se engrene e se levante começa a alcançar a consciência nacional, no entendimento de que educação e conhecimento são requisitos básicos para o desenvolvimento.

Dar à educação posição de política pública suprapartidária é o melhor caminho para o exercício pleno da democracia.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em setembro/2006)

EDUCAR PARA A ARTE

Izabel Sadalla Grispino *

Reclama-se da escola um projeto sério sobre arte, arte vista em sua multifacetada manifestação. Um projeto que dê ao aluno uma cultura abrangente, que reforce e difunda os valores artísticos de nossa terra. Que ensine a história de nossa música, nossa pintura, nossa poesia, nossa dramaturgia, nossa dança através dos tipos.

Tendo em vista as comemorações que, durante todo este ano de 2002, celebrarão os 80 anos da Semana da Arte Moderna, e o centenário de Carlos Drummond de Andrade, a arte vem a se tornar um tema oportuno,  oportuno levantar e debater sobre a educação artística. O que se nota, hoje, é uma educação artística ineficaz, incapacitada de despertar um interesse maior pela arte, nos alunos, vista, de preferência, como mera recreação.

A importância da Semana da Arte Moderna, ocorrida em São Paulo, no Teatro Municipal, de 11 a 18 de fevereiro de l922, com o objetivo de difundir o novo ideário estético. Constou de três espetáculos em que se exibiram a prosa, o verso, a música, a dança de vanguarda e uma exposição de artes plásticas que expressava as modernas tendências da pintura, escultura e arquitetura. Ela foi um marco fundamental do movimento modernista, esperava renovar a mentalidade nacional, criar a autonomia artística e literária do Brasil, descortinando, para nós, o século XX, colocar o País na atualidade do mundo. Que a escola faça os jovens conhecerem os seus grandes expoentes, como Oswald de Andrade, Mário de Andrade, a poesia de Cassiano Ricardo, Carlos Drummond  de Andrade,  Cecília  Meirelles, a escultura de Victor Brecheret, a expressão artística de Anita Malfatti, a pintura de Tarsila do Amaral, entre outros.

Que a escola faça os jovens conhecerem a nossa música, clássica e popular, passando por Vila Lobos, Ernesto Nazaré, Chiquinha Gonzaga, Zequinha de Abreu. Conhecerem a eclosão da bossa nova, com Vinícius de Morais, Tom Jobim, João Gilberto, a revolução tropicalista, com Caetano Veloso e Gilberto Gil, suas causas, seus efeitos. Que leve os jovens a conhecerem a importância dos Beatles para a juventude dos anos 60, seu legado, a ruptura causada nos valores e nos padrões estéticos da época.

A arte está ligada à história. Arte e história refletem-se, explicam-se. A boa formação do professor, nessa área, é essencial para que ele seja capaz de dominar conceitos e técnicas das diferentes manifestações artísticas, ampliando os horizontes culturais do aluno. A arte é uma forma de abrandar a alma, de aplacar a revolta, de conduzir o indivíduo para o culto do belo, do sublime, do humano, da solidariedade.

Da maneira como está sendo enfocada, a educação artística torna-se uma matéria inexpressiva, sem conexão com as demais disciplinas do currículo. O MEC e o Instituto Itaú Cultural uniram-se para divulgar a arte brasileira nas escolas, mostrando o passado, analisando o presente, revelando a caminhada que permitiu chegar onde chegou, dando aos jovens armas para distinguir o bom do ruim, valorizar o bom. A arte ajuda o professor a incentivar entre os alunos cooperação e não competição. Ajuda-os a desenvolver habilidades específicas, a descobrir o potencial do aluno para a arte. As características individuais sendo incentivadas formarão um ser humano mais realizado, com personalidade mais ajustada, mais confiante. Hoje, a escola prima pela individualidade, inclusive pela individualização do currículo.

O programa prevê a distribuição de cartilhas, orientando sobre o uso interdisciplinar da arte e instalação de museus em 1.500 escolas do ensino médio, que receberão exposições itinerantes. É o momento de a escola interessar-se pelo programa e buscar maiores informações.

O que se quer com a parceria MEC e Itaú Cultural são impulsionar a arte em todas as suas modalidades e de forma consistente. Só o conhecimento produz a verdadeira transformação, seja na arte, seja na ciência, seja na vida.

A psicologia cognitiva mostrou que os seres humanos possuem diferentes modos de representar os significados e de compreender a natureza. Estudos recentes sobre a inteligência e habilidades humanas tendem a concluir que possuímos várias formas de inteligência. Desde o começo do último século, os psicólogos acreditavam que havia uma única forma de inteligência que podia ser diretamente mensurada pelos tradicionais testes de QI (Quociente Intelectual). Atualmente, há inúmeras pesquisas sugerindo a existência de vários e diferentes tipos de inteligência. A teoria das inteligências múltiplas supõe a existência de 8 ou 9 formas de inteligência: lingüística,  lógico-matemática,  espacial musical, corporal cinestésica, interpessoal, intrapessoal, naturalística e, ainda, a inteligência existencial. Segundo a teoria, nós possuímos todas estas formas de inteligência, mas nenhum de nós, mesmos os gêmeos idênticos, possuem o mesmo conjunto de inteligências num mesmo momento.

A maioria das escolas focaliza quase que exclusivamente só duas formas de inteligência: a lingüística e a lógico-matemática. Os sistemas de educação formal têm, de um modo geral, ignorado as outras formas de representação mental e de compreensão da natureza, tais como as formas artísticas (musical), atlética (corporal-cinestésica), pessoal (conhecimento de outros e de si próprio) que estão presentes e que devem ser ativadas.

Assim como para formamos leitores precisamos viver o livro na sala de aula, do mesmo modo para formarmos artistas, temos que viver a arte na sala de aula.

Desse modo, a música, a arte em geral, que é uma expressão, uma  face da inteligência, não pode ser esquecida, relegada, porque ela é um caminho cultural, caminho de solidariedade e de descoberta de vocação.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2002)

EXAME NACIONAL DE CURSOS, O “PROVÃO”

Izabel  Sadalla Grispino *

Fui solicitada, por estudantes universitários, a escrever sobre o Exame Nacional de Cursos (ENC), o chamado “Provão”. Os estudantes queriam saber o porquê do Provão e qual sua real finalidade. Já discorri, anteriormente, sobre o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), quando, então, abordei, de passagem, o Exame Nacional de Cursos, o “Provão”: “O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é totalmente diferente do Exame Nacional de Cursos, o “Provão”. O “Provão” não dá conseqüências individuais, é feito para avaliar o curso superior. No Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), as conseqüências são individuais, possibilita o acesso ao ensino superior, embora não dê direito garantido como dá, por exemplo, o vestibular. Vai depender do critério adotado pela escola”.

O Exame Nacional de Cursos, o “Provão”, foi instituído pelo MEC, em 1996, com a finalidade de avaliar, através do desempenho do aluno, a qualidade de ensino das instituições de nível superior. Esse exame tem como função principal induzir a qualidade de ensino dos cursos de graduação. É uma prova aplicada todos os anos nos alunos que estão concluindo o curso de graduação. O exame mede as habilidades e as competências adquiridas pelo aluno durante o curso. O aluno é obrigado a fazer a prova, sob pena de não receber o diploma de conclusão de curso. As comissões que elaboram os exames definem os objetivos, o perfil ideal do graduando, as habilidades exigidas ao longo do curso e os conteúdos que o estudante precisa dominar ao fim da graduação.

O “Provão” visa preparar uma prova abrangente, que verifique mais a capacidade do aluno, desenvolvida no período de formação, o raciocínio, que os conteúdos memorizados, ou as fórmulas decoradas. O que se busca não são as especificidades, mas a formação geral, os conhecimentos e as habilidades fundamentais. Não se restringe ao conhecimento, quer avaliar também a capacidade de o aluno aplicar o que aprendeu.

O “Provão”  está preocupado com a formação acadêmica, com a qualidade dos cursos de graduação. O que se constata é que, freqüentemente, se colocam os profissionais mais inexperientes na graduação, diz o MEC. Os exames devem refletir o que a comunidade acadêmica pensa sobre a formação profissional na graduação.

Além da prova, o formando responderá um questionário-pesquisa sobre o perfil socioeconômico, através do qual é possível saber a avaliação que ele faz do próprio curso. O questionário é uma espécie de levantamento de opinião; traz a opinião do aluno, que se reverte numa informação importante, porque, “quando 60% dos alunos dizem que tal curso é fraco, quem vai planejar o curso terá de levar em consideração esse dado. A opinião dos alunos é um instrumento de análise”, reforça o ministro da Educação.

O Exame Nacional de Cursos, o “Provão”, tem por objetivo complementar as avaliações mais abrangentes das instituições e dos cursos de ensino superior – como análise do corpo docente e da infra-estrutura – visando a melhoria dos cursos de graduação. Ele é parte do processo de avaliação das instituições. Outros itens compõem a avaliação: grau de titulação – especialização, mestrado, doutorado – nível de dedicação dos professores, volume de publicações, adequação dos métodos pedagógicos, nível de proximidade com o mercado de trabalho, qualidade de laboratórios, bibliotecas e correlatos. São, portanto, três aspectos de universo pesquisado: qualificação do corpo docente, organização didático-pedagógica e instalações.

Considera-se que mais importante do que os resultados das provas, no entanto, serão os efeitos do “Provão” sobre as faculdades. Haverá, sem dúvida, um espaço maior em direção à qualidade da aprendizagem. O ensino superior só tem a ganhar com as avaliações. Elas promovem uma salutar concorrência entre as instituições e possibilitam, inclusive, identificar cursos conhecidos como “fábricas de diplomas”.

Os resultados acumulados em 5 anos de Exame Nacional de Cursos (ENC) serão fundamentais para o recredenciamento das instituições universitárias, pelo Conselho Nacional de Educação. Serão credenciadas a cada 5 anos como universidades, centros universitários, faculdades integradas, faculdades, instituições superiores ou escolas superiores. Se por 3 anos consecutivos esses cursos tiverem conceitos D ou E e se o MEC verificar que as providências não foram tomadas, elas podem ser descredenciadas. Em contrapartida, as faculdades que tiverem bons resultados consecutivos poderão obter a concessão para abertura de vagas e criação de novos cursos.

O MEC publicou portaria vinculando os resultados do “Provão” a uma maior autonomia das universidades e centros universitários em criar cursos ou expandir suas redes. Com o objetivo de premiar a qualidade das instituições, as universidades e centros universitários, com 2 anos de conceitos A e B, na maioria dos indicadores de avaliação, podem abrir cursos de graduação fora de suas sedes, sem autorização prévia. Já instituições com conceito A, por 2 anos, podem ampliar seus cursos em até 3 municípios, dentro do estado no qual estão instaladas.

As instituições poderão sofrer um início de processo de fechamento dos cursos se revelarem, em seqüência, mau desempenho do “Provão”. Já há casos de cursos superiores que iniciam o processo de fechamento de cursos que já receberam os piores conceitos (D ou E) nas duas últimas edições do “Provão”. Caso obtenham um terceiro resultado negativo, serão submetidos a processo de renovação do reconhecimento pelo MEC, sob o risco de serem fechados. Se vierem a repetir o mau desempenho, serão visitados por comissões de especialistas para verificar a qualidade de ensino. Com base no relatório dessas comissões, o Conselho Nacional de Educação (CNE) decidirá se renova o reconhecimento dos cursos. Ser reconhecido é condição indispensável para a validade dos diplomas. Também são submetidos à renovação, com risco de fechamento, os cursos com conceito insuficiente em pelo menos 2 ou 3 itens da “Avaliação das Condições de Oferta” – em que especialistas visitam as instituições para analisar os professores, as instalações e os currículos.

O Exame Nacional de Cursos, o “Provão”, teve o mérito de colocar na pauta da discussão a qualidade dos cursos de graduação. Sinaliza, sem dúvida, política de melhoria do sistema. É forte argumento de mobilização dos universitários e de reflexão dos dirigentes escolares para a necessidade de mudanças, de atualização dos cursos, da qualidade do ensino.

*Supervisora de ensino aposentada.            
(Publicado em junho/2000)

INFORMATIZAÇÃO NAS ESCOLAS PÚBLICAS E PRIVADAS

Izabel Sadalla Grispino *

O cenário cibernético da informática com a internet toma conta das escolas. Computadores já não são mais exceções, mas regras nas escolas de São Paulo.

Segundo consta, 100% das escolas da rede municipal têm laboratórios de informática; na rede pública estadual, o número é de 50,4%. Nas escolas particulares, a inclusão digital é bem mais aprimorada, só se ressalvando escolas que não adotam o uso de computadores, porque vêem na tecnologia uma ameaça ao desenvolvimento da criança e do adolescente.

A crença generalizada é de que a tecnologia acelera o processo de aprendizagem, diversifica as ferramentas do ensino e amplia a visão do educando. O professor, bem treinado, consegue explicar em uma aula o que levaria três ou quatro e o aproveitamento do aluno é bem maior. As escolas vêm aderindo à lousa digital, que pode ser ligada a microscópios, projetores e também à internet. A lousa digital, ao lado do quadro-negro e do giz, é instalada nas salas multimídias e usada quando o professor quer dar uma aula mais dinâmica. Essa aula é um estímulo para o aluno, que a assiste com mais entusiasmo. A escola mescla aula a distância e aula presencial. As lousas eletrônicas abrem novas perspectivas, novas possibilidades de interatividade entre professor e aluno. Uma criação automática de provas é programada, impedindo a cola. Ainda, o aluno, com um simples comando no computador, pode ter, em mãos, impressa a aula que o professor acabou de dar.

Contudo, um estudo comparativo sobre o uso da informática, entre as escolas particulares e a pública, mostra o quanto o aluno pobre se distancia da evolução tecnológica exigida pela época. Fica à deriva dessa aprendizagem, aprende, apenas, o básico.

As grandes escolas particulares adquirem equipamentos caros, supersofisticados, atraindo cada vez mais alunos, criando um desnível colossal com as escolas públicas, no uso da tecnologia. O estudo cita, por exemplo, o Colégio Bandeirantes de São Paulo, com DVD player, projetor e computador em quase todas as salas de aula. Tem lousas digitais, um laboratório com PC e outro com notebooks interligados por rede sem fio. O grande destaque é o Classroom Performance System, uma sistema para o aluno responder questões de múltipla escolha exibidas no telão por um controle remoto, que permite ao professor saber quem respondeu o que. É utilizado, também, em aulas de revisão e para treinar os alunos para o vestibular. Entre outras utilidades, o sistema, surpreendentemente, faz um relatório e o professor fica sabendo qual a dificuldade específica de cada aluno.

Um outro aspecto muito interessante são os programas para a organização e distribuição de provas. O professor informa para quantos alunos a prova será aplicada e quantas questões devem ser respondidas por cada um. O sistema sorteia as perguntas e as distribui aleatoriamente pela classe, não permitindo que nenhuma prova fique igual à outra. Facilitando o trabalho, o próprio programa corrige o teste, seguindo as orientações passadas pelo professor ao software.

Os alunos da escola estão acostumados aos PCs desde pequenos em suas casas e acompanham com a maior desenvoltura todo o processo aplicado. Por sua vez, os professores têm que ser mestres em informática, dominar os conhecimentos de informática e, assim, conseguem facilmente manejar essa tecnologia, utilizada como ferramenta pedagógica. A linguagem da tecnologia é, por eles, introduzida naturalmente, sem entraves na comunicação. Professores e alunos estão familiarizados com o uso dos equipamentos eletrônicos.

Como o Colégio Bandeirantes, outras escolas privadas, de alto padrão, mantêm um ensino avançado em informática e usufruem de toda sua inovação. Mesmo escolas particulares menos equipadas oferecem ainda melhores condições para o ensino e uso da tecnologia que as escolas públicas, sempre em defasagem nos amplos aspectos do conhecimento. Os seus laboratórios de informática, quando existem, são mais tradicionais. Chegam a ter máquinas novas, usadas para trabalhos escolares e pesquisas na internet. Também, são usadas para ensinar rudimentos de informática e comumente seus alunos nunca tiveram, antes, a oportunidade de manusear um computador.

Ademais, o seu uso limitado do computador revela, em parte, a limitação do professor da rede pública, que não conhece métodos alternativos para essa tecnologia. Os alunos, segundo pesquisa, apenas complementam o que aprendem em sala de aula e acompanham outras experiências como o uso de câmaras e filmadoras digitais. A utilização dos computadores é feita de modo a que professores e alunos tenham os mesmos direitos. Quando se quer usá-los para um projeto ou para um trabalho, tem que marcar hora.

As escolas públicas, em geral, vêem os projetos propostos como algo sem muita utilidade. Não envolvem seus alunos em propostas de criação de conteúdo ou troca de conhecimento com crianças de outras escolas. A metodologia é rudimentar, bem diferente da utilizada por boa parte das escolas privadas. Dificilmente, chegam a ter programas educativos de matemática, história, ciências ou geografia.

Entretanto, o uso da tecnologia deve seguir critérios rígidos, em qualquer situação, seja das escolas privadas ou das escolas públicas, advertem os educadores. O uso indiscriminado e prolongado do computador acentua regressos em muitos aspectos do saber. Constata-se uma formação crescente de analfabetos funcionais. O aluno, apegado ao computador, ao videogame, à internet, à TV, não adquire o hábito da leitura. Lê mal e por conseguinte escreve mal, não tem uma imaginação trabalhada. Geralmente, copia os textos pesquisados da internet, mas não os lê, não os interpreta. Não desenvolve a análise crítica, a capacidade de interpretação.

Aprender informática, saber se valer dos aparelhos tecnológicos, são regras para a sociedade hodierna. Porém, o computador não pode, de modo algum, competir com a leitura. Ele não pode ser visto como um substituto da leitura. É preciso que ambos caminhem par a par. Que o aluno seja estimulado para o hábito de ler e que o uso do computador seja adequado, dosado, usado com criatividade e raciocínio. Se é usado de maneira tradicional, de maneira automática, não acrescenta nada ao saber do aluno.

A inclusão digital deve ser conduzida com cautela, para não atrapalhar a formação cognitiva, a formação moral do aluno. A internet é a porta da rua, que faz o aluno ir a qualquer lugar do mundo, a situações convenientes ou inconvenientes, que elevam a alma ou a degeneram. Deve ser conduzida e orientada pelos professores da escola.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2005)

GERAÇÕES DE BRASILEIROS SEM-DOCUMENTOS

Izabel Sadalla Grispino *

Um ponto sério de reflexão é a geração, que o País tem formado, dos sem-documentos. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) manifestou-se, em janeiro de 2003, dizendo não ter idéia de quantos brasileiros estão nessa situação. O Instituto não tem dados sobre quantas são essas pessoas; oficialmente elas não existem. São pessoas que não têm nenhum documento, nem mesmo o registro de nascimento. Não têm carteira de identidade, CPF, carteira de trabalho, PIS, nem título de eleitor. São adultos e crianças sem documentos! É desumanidade sem tamanho!

O demógrafo da pesquisa estatística sobre os registros civis, Antônio Tadeu de Oliveira, diz que o IBGE não tem um dado sobre os brasileiros adultos sem documentos. “Essa é uma estatística inexistente e é justamente entre os adultos que o problema é mais difícil de ser combatido”. Sem documentos, uma pessoa não pode votar, fazer o alistamento militar, receber qualquer benefício, como aposentadoria ou pensão. Também não pode ser incluída nos programas sociais do governo federal.

O cadastro único para identificar os beneficiários de programas do governo federal exige pelo menos um documento para que a pessoa possa ser inscrita. A orientação dada para as prefeituras é de registrar em arquivos à parte, para quem não tem documentos e de como regularizar a documentação. Exige-se pelo menos um documento para evitar pessoas fictícias ou duplicidade. Até o fim de dezembro de 2002, havia 5,5 milhões de famílias cadastradas e 5.400 pessoas notificadas como sem nenhum documento.

Os dados mais aproximados são os dos cartórios, mostrados pelo IBGE em “Estatísticas do Registro Civil”, em dezembro de 2000, quando 21,3% das crianças nascidas no País não foram registradas no mesmo ano, o que equivale entre 700 mil e 1 milhão de crianças. Em 2000, a estimativa era de 3,4 milhões de nascimentos. Cerca de 3,2 milhões de crianças nasceram em hospitais, mas houve apenas 2,5 milhões de registros. Poderiam  ter sido registradas pelo menos mais 700 mil crianças nascidas em hospitais, fora as que nasceram em casa.

Os chamados sub-registros afetam não só os dados de nascimento, mas também os óbitos. O IBGE, em seu levantamento de 16 de dezembro de 2002, estima que, nas regiões Norte e Nordeste, 48,2% e 35,6% dos nascimentos não foram registrados em 2000. O sub-registro de mortes tem proporções semelhantes, 33,2% para o Norte e 42,7% para o Nordeste. Essa ausência de registros interfere negativamente em outras estatísticas que são calculadas, baseando-se nos registros. É o caso da taxa de mortalidade infantil, com cálculo que surge estimado pelo IBGE, pela falta de dados reais. Em alguns Estados do Nordeste, o sub-registro de óbitos chega a 60%!

São nas regiões mais pobres do País que se encontram as maiores taxas de sub-registro de crianças. No Sudeste, a taxa cai para 6,3%, no Sul é de 11,3% e no Centro-Oeste, 19,7%.

Os dados do Registro Civil divulgados mostram que, na década de 90, houve aumento dos registros tardios, aqueles feitos depois de 3 meses do nascimento do bebê. Registros com até 10 anos de atraso eram de 25,6% em 1991. Subiu para 30,3% em 2000. Mas, mesmo notificando com atraso, muitos brasileiros passaram a registrar seus filhos. Essa situação evidencia-se melhor, segundo o IBGE, em anos de eleição, quando os políticos têm interesse em ampliar o eleitorado, ou em anos em que há campanhas de registro civil gratuito, como ocorreu em 1999.

A lei 9.534, de dezembro de 1997, determina que sejam gratuitos os registros de nascimento e morte. Outra lei, a 6.015, determina que a criança seja registrada até 15 dias depois do nascimento, sendo que o prazo é ampliado para 3 meses, em lugares que estejam a mais de 30 km da sede do cartório.

Embora ainda altas, as taxas de sub-registro melhoraram nos últimos anos. Em 1991, 29,2% das crianças brasileiras não eram registradas. Até 12 anos de idade, a certidão pode ser tirada sem problemas, desde que os pais estejam com os documentos em ordem. Depois há dificuldades suplementares.

O sub-registro é uma questão que precisa ser tratada com muito interesse pelos organismos competentes. É uma parte triste de nossa história, onde a miséria e a ignorância se completam. O sub-registro envolve o problema da cidadania. Quem não tem certidão de nascimento não existe oficialmente e não pode exercer seus direitos. Sobrevive sem existir legalmente, dependendo de favores para qualquer atividade formal.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em janeiro/2004)

SAÚDE ALIMENTAR E POSTURAL DO ALUNO

Izabel Sadalla Grispino *

A escola, de hoje, atua dentro de conceitos abrangentes, em benefício da educação integral do aluno, conceitos que vão além da simples transmissão do conhecimento. Ao lado do conceito “sujeito de direito”, assunto por mim abordado em um artigo anterior, ela trabalha o conceito de saúde alimentar. Preocupada com a saúde da criança, com problemas de obesidade, acarretando, já na infância, alta de colesterol, de triglicéride, provocando doenças cardíacas, renais, passa princípios de boa nutrição. Ensina alunos, pais, comunidade escolar, a importância de uma comida balanceada.

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A DIFÍCIL ARTE DE EDUCAR

Izabel Sadalla Grispino *

No meu artigo “A outra face da educação” abordei a crescente onda que se forma de crianças e jovens malcriados, em desencontro à boa educação. O grande mal-estar gerado leva os próprios jovens a solicitar o ensino da ética, da moral, nas escolas de ensino médio, segundo uma pesquisa realizada pela U.F.P.A.

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A COMPETITIVIDADE DOS MERCADOS GLOBAIS

Izabel Sadalla Grispino *

A sociedade, líderes empresariais, começam a se preocupar seriamente com a educação no Brasil. Buscam se comprometer com ações concretas para melhorar o ensino, especialmente em língua materna e matemática. Procuram criar para o problema da educação um envolvimento nacional, num desafio extraordinário.

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