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Artigos Educacionais

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UM NOVO EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO

Izabel Sadalla Grispino *

Iniciei o artigo anterior abordando mudanças sugeridas, pelo atual governo, para a reforma do ensino. Terminei o artigo falando da proposta do ministro Cristovam Buarque de tornar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) uma avaliação de final de cada ano desse ensino e não só no seu término, como é hoje. Quer estender para os Estados a linha adotada, por ele, em Brasília, o Programa de Avaliação Seriada (PAS).

A princípio, parece ser uma boa proposta quanto ao ingresso ao ensino superior. Tomando o vestibular como referência, este projeto é mais flexível, menos estressante e oferece mais oportunidades ao aluno, eliminando, com suas avaliações periódicas, o temor da avaliação única. Ademais, a apuração do conhecimento limitar-se-ia ao conteúdo, especificadamente, ministrado, ano a ano, no ensino médio. Não haveria necessidade de o aluno recorrer a estudos extras ou a cursinhos.

Todavia, quando se aprofunda na sua análise, depara-se com o conceito maior da educação desse nível de ensino, qual seja, a formação básica da cultura geral. A educação integral é bem mais importante que uma preparação técnica para o vestibular. É preciso formar o cidadão e não apenas o profissional e o Enem, sendo aplicado a cada final de ano, estaria prejudicando a formação em favor do treinamento. Ele viria a ser um escalonamento do vestibular em três séries, transformando o ensino médio numa transição para o ensino superior. Haveria um reforço nas matérias do vestibular e um afrouxamento das disciplinas complementares que integram a educação geral.

Esse processo de seleção obstruiria as etapas normais do desenvolvimento das faculdades intelectuais, das faculdades formativas de valores e atitudes. Sob o aspecto amplo da formação do aluno, este processo de avaliação periódica seria um aniquilador do ensino médio. Roubaria do aluno o tempo destinado à leitura suplementar, à pesquisa, ao desenvolvimento das potencialidades, pré-requisitos essenciais à formação integral e à atuação plena do futuro profissional.

Sabe-se, hoje, que atrás do bom desempenho de qualquer função está, grandemente, o bom domínio do conhecimento geral. Por exigência do mercado, é freqüente, em nossos dias, a extinção de uma função e o surgimento de outra e é justamente o conhecimento amplo e diversificado que vai ajudar o profissional passar de uma ocupação para outra.

Nessa linha de raciocínio, conclui-se que, com o sistema de avaliação seriada, o ensino médio reduzir-se-ia a um curso preparatório para o ensino superior, com uma sucessão de provas e adestramento para elas,  o que acarretaria, ao aluno, mais prejuízo que o tão decantado vestibular.

A preocupação com a deformação do ensino-aprendizagem vem de longe. Francisco Campos escrevia em 1931, a respeito do então ensino secundário: “O ensino secundário tem sido considerado como um simples instrumento de candidatos ao ensino superior, desprezando-se, assim, a sua função eminentemente educativa, que consiste, precisamente, no desenvolvimento das faculdades de apreciação, de juízo e de critério, essenciais a todos os ramos da atividade humana. (...) Assim, o ensino secundário (...) perdeu as suas características próprias e específicas (...) passando a ser de finalidade exclusivamente utilitária, despido de finalidade interna, fundamentalmente educativa. A última fase desse processo de degeneração do ensino secundário (...)  o transformou em mera chancelaria de exames”.

Se a avaliação progressiva vingar, o Enem perde a finalidade para a qual foi criado. O exame iniciou-se em 1998 pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) com o objetivo de avaliar as habilidades e competências adquiridas  pelo aluno no fim da educação básica. É uma indicação de como será o processo educacional nos próximos anos. Quer verificar se o aluno assimilou as informações repassadas na educação básica e se sabe utilizá-las no dia-a-dia. O Enem quer uma escola que vai dar formação ao aluno, não apenas informação. Vai desenvolver o raciocínio, o espírito crítico, o relacionar conceitos, transferir conhecimentos em situações concretas. Não quer medir conteúdo, mas a capacidade de resolver problemas dos fatos do cotidiano. Porém, há quem ache que o Enem peca por privilegiar processos de pensamento em vez do conhecimento e que ele deve se aproximar mais do vestibular. Mas, eu me pergunto: o aluno bem formado, com o seu raciocínio desenvolvido, não chega mais fácil ao conhecimento? São justamente os processos de pensamento que levam ao conhecimento, é só saber fazer uma adequação.

O Enem é um exame que se aproxima da realidade do aluno, mas ao que parece a prova deste ano, marcada para 31 de agosto, será a última a ser realizada nos moldes tradicionais. “Mudança seguramente vai ter”, garantiu a diretora-responsável pelo exame, Dirce Gomes, pertencente ao Ministério da Educação (MEC). Uma mudança é fazer do Enem uma avaliação obrigatória a todos os alunos e não facultativa como é hoje. O propósito do ministro é mudar o sistema de vestibular, adotando nos Estados o PAS, método de avaliação pelo qual os estudantes com os melhores desempenhos nos três anos do ensino médio têm vaga assegurada na Universidade de Brasília (UnB). Essa universidade faz avaliação ao fim de cada um dos três anos do ensino médio.

Essa inovação terá um gasto três vezes maior do aplicado no  Exame  Nacional  do Ensino Médio, do Enem atual. Valerá à pena?

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2003)

CRECHE E PROBLEMAS DE SAÚDE

Izabel Sadalla Grispino *

Hoje, o alerta para as creches, na educação infantil, é para as questões de saúde. A área pedagógica, desde a promulgação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), de 1996, passou a ser observada mais de perto.

A qualidade de atendimento pedagógica vem a cada ano trazendo melhores resultados, crescendo, contudo, a preocupação com os aspectos básicos de saúde. Aumenta a consciência da necessidade de um profissional qualificado para o cuidado que uma criança pequena precisa.

A educação nos três primeiros anos de vida vai além do dar de comer, colocar para dormir ou passear com a criança. Nota-se em muitas creches um preparo incorreto de alimentos, quantidade incorreta, por exemplo, de leite, falta de preparo para medicar, limpar a criança e falta de higiene ao não higienizar mamadeiras. A criança corre o risco de contaminação, dizem os nutricionistas.

Em muitas creches, os profissionais não sabem fazer a limpeza na área genital do bebê, o que pode provocar infecções urinárias. As creches precisam preparar-se para oferecer aos bebês cuidados de saúde. Notam-se com freqüência, em bebês, problemas de diarréias e infecções.

Os educadores precisam passar por uma formação na área do atendimento básico à saúde dos bebês. A incidência de doenças, revelada por uma pesquisa feita pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), mostra o dobro de casos de morte por varicela em crianças de creche do que na média geral. Passou-se, então, a incluir a vacina contra a doença na rede do Estado.

Há creches que buscam sanar o problema contratando profissionais de saúde, equilibrando os benefícios pedagógicos com os de saúde. Um berçário necessita de enfermagem. As necessidades de uma criança na parte de saúde ultrapassam o atendimento educacional. O caráter pedagógico da educação infantil foi reforçado pelas normas definidas pela LDB, quando as creches entenderem que não são mais só um parquinho. Até os 3 anos, a criança vive um período riquíssimo, que precisa de estimulação, como música, movimentos, cores, brincadeiras e atividades de socialização. Em creches da rede particular, de escolas renomadas, no berçário, os bebês dispõem de psicomotricista, musicista, pediatra, em período integral, e nutricionista para elaborar um cardápio para cada criança.

É preciso estar atento aos problemas de saúde, à capacitação nessa área, para um correto atendimento. É preciso que os ganhos pedagógicos não sejam prejudicados pelas perdas no trato de saúde.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2006)

ATITUDE DISCRIMINATÓRIA DO TESTE

Izabel Sadalla Grispino *

Recentemente, os jornais trouxeram à tona a questão dos vestibulinhos para crianças pequenas. Especialistas da educação questionam a eficiência dos vestibulinhos para uma faixa de idade em que não se tem nenhuma bagagem acadêmica.

Já há algum tempo, escolas particulares da capital, onde o número de candidatos excede ao das vagas disponíveis, usam a prática dos vestibulinhos. Ao querer, para as escolas, um padrão elevado de ensino, selecionam, através de testes, os melhores candidatos. Porém, ao que tudo indica, a partir de então, terão de aplicar outros critérios na seleção dos seus candidatos.

O uso do vestibulinho para crianças que buscam uma vaga na 1.ª série do ensino fundamental é condenado por princípios pedagógicos e legais. O exame de seleção pode levar a criança a se considerar vitoriosa ou derrotada. No caso de derrotada, sentir-se perdedora, poderá ficar marcada por toda sua vida escolar. O teste, quando mal sucedido, frustra, discrimina, rebaixa a auto-estima, afeta o desenvolvimento educacional. Uma criança, tendo que enfrentar um teste, fica em estado de tensão, ansiosa, o que é ruim para tão pouca idade. Isso poderá torná-la refratária a situações de avaliação.

Algumas escolas particulares, interrogadas a respeito, disseram não apreciar tal comportamento, mas julgavam difícil mudar a situação. Suavizaram o processo de seleção, dizendo que a criança passa por um teste  lúdico, em que não há pressão, nem tem formato de prova. Só os pais sabem da finalidade, para a criança não passa de uma brincadeira.

O Conselho Nacional de Educação (CNE), após consulta feita pelo Ministério Público de São Paulo ao MEC, sobre a aplicação de testes, adotada por escolas particulares da capital, na admissão de crianças, proibiu a realização dos chamados vestibulinhos para seleção de crianças de 1.ª série, no ensino fundamental, e na educação infantil. O ministério público levantou a questão de os vestibulinhos ferirem o Estatuto da Criança e do Adolescente e são, em muitos casos, uma tentativa de barrar a inclusão de alunos com deficiência mental, nas escolas de ensino regular.

A Câmara de Educação Básica, em 29 de setembro p. passado, recomendou, por unanimidade, a realização de sorteios ou obediência à ordem cronológica de matrícula, sempre que a procura for maior que a oferta. O presidente da Câmara, Francisco Aparecido Cordão, sugere, entre outros critérios, que sejam privilegiados estudantes que já tenham irmãos matriculados na escola. O parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) deverá ser homologado pelo ministro da Educação, Cristovam Buarque, para poder entrar em vigor.

Além da influência negativa no campo afetivo, psicológico do aluno, a escola, ao aplicar teste às crianças, não está propriamente avaliando. O teste não é senão um momento da avaliação. Avaliar é um processo bem mais amplo que medir, requer observação contínua dos aspectos conceituais, atitudinais e procedimentais. O teste é insuficiente para revelar potencialidades, fulcro do processo educativo. Santo Agostinho, já no século V, dizia que o professor é apenas o despertador das virtualidades do aluno, seu orientador na aprendizagem.

A escola deve conscientizar-se de que educação é muito mais que ensino, que aprendizagem não é igual a desempenho e que formação é algo bem mais complexo que mera capacitação técnica para o mercado ou mero treinamento para o vestibular. Esses conceitos nos levam à precariedade em que se vem entendendo o processo ensino-aprendizagem. A educação empobrece-se em nome de um ensino restrito, oportunista, enfocado numa direção única. A educação integral do aluno pede um envolvimento sério, afetivo, do corpo docente à instituição a que pertence.

O professor pode ser talentoso, capaz, mas se individualista, o seu ensino não produz ramificações, não emite raios de complementariedade, fortificando o estudo de outras disciplinas. Limitando-se ao seu conteúdo, ao não se entrosar com os demais colegas, esse professor não alcança o aluno na sua integralidade. Procedimentos interativos facilitam a participação ativa do aluno no processo global da aprendizagem. O engajamento escolar do professor repercute no engajamento escolar do aluno, que passa a se sentir parte integrante da escola. A freqüência às aulas é motivada por um sentimento de aceitação e amizade.

Escolas renomadas pedem ao corpo docente que passe mais tempo com os alunos, dentro e fora da sala de aula, que se torne seus amigos, que se envolva com colegas de visões divergentes de especialidade. Propõem  a passagem do “eu, eu mesmo”, para a participação, formando uma comunidade de profissionais estudiosos. Métodos e processos variados, adotados pela escola, culminam em resultados que jamais o teste revelaria. Transmitir conhecimento é ponto culminante para a escola, desde que não se descuide da formação integral e que se utilize de outros recursos de avaliação, que não só medida. Nos primeiros anos de escolaridade, na educação básica, a formação do educando é prioridade, podendo, dependendo da situação, dar um espaço maior ao treinamento, na série final do ensino médio.

A diferença no estudo está numa escola alegre, afetiva, de métodos atualizados, com um corpo docente engajado, no qual predominam disciplina, seriedade e sensibilidade.

Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em novembro/2003)

JABOTICABAL DE ONTEM, DE HOJE E DE SEMPRE

Izabel Sadalla Grispino *

Tenho o privilégio de saudar a “Cidade das Rosas”, a querida Jaboticabal em seu 172.° aniversário. Cumprimentá-la pela pujança dos ideais de seu povo ordeiro, pela força de alavanca que faz dela a cidade princesa da região.

O clamor das festividades reacendeu-me a memória emocional. Recordar é viver, reconhecer é dignificar, chorar saudade é reverenciar! Voltei, na 2.ª metade da década dos anos 40, para o tão decantado Colégio Estadual de Jaboticabal, hoje “Aurélio Arrobas Martins”, para rever, na mente fotografada, meus venerandos mestres, minha “galera”, a turma de classe, os queridos colegas, a Alairce de Oliveira Delgado, os folguedos do recreio, as aulas de ginástica, as aulas de música, com o amado maestro Biagio Cimino, que ensinava as notas musicais, o compasso, juntamente com o canto, insistindo nos hinos pátrios. Cantávamos corretamente o Hino Nacional, o Hino da Independência, o Hino à Bandeira!

O passado explica o presente. Tive a felicidade de participar de um período áureo da história de Jaboticabal. Fiz as primeiras letras na cidade de Guariba, onde nasci, vindo, em seguida, juntamente com meu inesquecível irmão José, aqui continuar os estudos. Jaboticabal era o sonho do futuro, o centro cultural para onde convergiam estudantes de toda a região, na busca da escalada educacional. O então Colégio Estadual era o polo irradiador, o eixo que sustentava seu cognome de “Atenas Paulista”. Compunham seu corpo docente mestres de alta competência, que ministravam um saber à altura dos centros mais elevados do País. Era uma plêiade de iluminados!

O estabelecimento de ensino era dirigido pelo respeitado prof. Celino Pimentel, um administrador que, hoje, nada ficaria devendo aos mais apurados princípios da moderna educação escolar. Calmo, ponderado, tinha a doçura e a compreensão do diálogo espontâneo, a firmeza e a austeridade de quem não podia esmorecer nos momentos de decisão. Lembro-me de sua filha Lígia, um primor de beleza, que a todos encantava!

Caminhando para a sala de aula, deparávamos com verdadeiros baluartes da educação. Mestres precursores dos mais avançados métodos didáticos, com postura de orientadores da aprendizagem. Passam-se gerações e não é fácil encontrar um Mário de Campos, um Antônio Ruete!

Mário de Campos, o professor de Português, era o mais amado entre os amados, um intransigente defensor do vernáculo. Um professor que lecionava com o saber na mente e com o amor no coração. Numa época da escola soberana, onde se punha distância entre o professor e o aluno, entre escola e comunidade, ele era o amigo, dava ensejo a que os alunos se aproximassem. Mário de Campos seria hoje um desafio aos mais elevados conceitos da pedagogia atual. Usava da metodologia ativa, declamava-nos versos, punha-se emocionado, diante de uma classe paralisada, embevecida. Ele era a palmeira frondosa, a brisa suave que nos fazia sonhar, acreditar!

O filho Ayres de Campos também já lecionava. Era o jovem promissor, o herdeiro cultural do pai, a força nova que resplandecia. Era o filho ilustrando a imagem do pai, a garantia do texto elevado, apurado.

Um outro ícone do magistério foi o professor de latim Antônio Ruete. Um mestre de uma abrangência de conhecimentos invejável! Era a imagem da simpatia, muito querido pelos alunos. Na passagem do conteúdo, via-se, às vezes, interpelado pela alta erudição. Aprendemos muito com ele, sempre relacionando nossa língua com a língua mãe.

O professor Antônio Ruete deixou imensa saudade. Recordo com carinho de sua filha Cármen, uma colega alegre, empreendedora.

O professor de inglês, José França, risonho, extrovertido, mesclava suas aulas com música e poesia, procedimento didático muito apreciado pelos alunos. Quantos versinhos em inglês tenho, ainda, guardado de suas aulas!

Antônio Arrobas Martins, um fluente advogado, era nosso professor de ciências. Um mestre admirado pelos alunos, porém sem muito vínculo afetivo. Enérgico, um tanto eqüidistante, se colocava na docência com objetividade, porte severo.

Quantos outros deveriam entrar nesse quadro, como o competente e dedicado secretário sr. Túlio Rampazo. Mas, voltarei a novas lembranças em outra oportunidade. Porém, um nome que se prende a todos e que em todos deixou um pouco de sua marcante personalidade, não poderia, de modo algum, deixar de ser citado: professor Juvenal Passos Nogueira. Professor Juvenal é uma emoção à parte. Era o esteio do alunado, seu orientador, seu porto seguro. Respeitado e muito querido, espelhava-nos honestidade, inteligência, estudo, alguém que passava exemplo na própria conduta, alguém que com sacrifício e determinação subia a rampa do sucesso. Era, na época, inspetor de alunos e professor da maioria deles, preparava alunos para enfrentar o rigoroso exame de admissão ao ginásio. Professor Juvenal não parou de estudar, alcançando vôos profissionais de monta. Chegou, por sua competência, a diretor efetivo da escola que cresceu muito com ele e que, ainda, o representa, a EE “Aurélio Arrobas Martins”, casa de ensino, que tenho a certeza, nunca o esquecerá. Professor Juvenal é referência, é sólido pilar, é certeza de que quem se esforça chega lá. Juvenal Passos Nogueira é gente que faz, é exemplo de vida!

Jaboticabal sempre me impulsiona a retornos. Tenho a honra de saudar a Universidade São Luiz, que cresce e se firma como um dos orgulhos da cidade, universidade da qual participei dos seus primeiros passos, início da década de 70, quando fui convidada pelo seu fundador, o emérito professor Afonso Carregari, a engrossar as fileiras de seu corpo docente, e, então, nessa conceituada instituição de ensino superior, passei a dar aulas de francês, no curso de Letras.

Uma cidade se projeta no presente, com olhos no futuro, guardando a experiência do passado.

Nas pessoas dos valorosos mestres, aqui lembrados, rendo minha homenagem a Jaboticabal, que ela, a exemplo do passado, continue a caminhar a passos largos em direção à modernidade, que mire as alturas, mantendo a estrutura de sustentação presa ao solo, Que Deus continue abençoando a “Cidade das Rosas, que as rosas permaneçam desabrochadas, florindo e perfumando a terra, sinalizando portas abertas ao progresso, maturidade administrativa e farta colheita. Que os ventos lhe sejam favoráveis e que, junto a seu céu estrelado, aos seus mananciais, entoem, para Jaboticabal, o divino salmo da natureza!

*Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em julho/2000)

A POBREZA E O ENSINO SUPERIOR

Izabel Sadalla Grispino *

A realidade brasileira é marcada por forte desigualdade social e um caminho a trilhar, nessa direção, é a educação. O acesso ao 3.º grau é uma das formas mais seguras de ascensão social no Brasil. A população carente começa a entender o processo, a necessidade de se cursar uma universidade para se afirmar socialmente.

 

UM OÁSIS NO MEIO DO DESERTO

Izabel Sadalla Grispino *

Num cenário de desolação do nível de ensino de grande parte das escolas oficiais, surgem, esporadicamente, escolas abraçando experiências educacionais promissoras, alentadoras. São escolas que não nos deixam esmorecer e nos fazem acreditar que a reabilitação do ensino pode ainda ser real.

É preciso haver curiosidade, vontade de conhecer, de aprender. Aparentemente, uma escola igual às demais torna-se realce nos processos de ensino-aprendizagem. É uma escola que tem muito a mostrar, a ilustrar, o passar experiências e ajudar os professores no trajeto da sua prática didático-pedagógica.

A pesquisadora educacional Jane Wreford, a serviço do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial, analisou várias escolas públicas da Grande São Paulo, em 2002. Meio a muitos desencantos, como a falta de preparo do professor da rede oficial para atrair a atenção dos alunos, ela se deparou com uma escola estadual, na periferia de São Paulo, que computou excelente. A Escola Parque Piratininga II, escola de comunidade pobre, em Itaquaquecetuba, extremo leste da metrópole, chamou-lhe a atenção pelo bom estado de conservação e pelo seu processo de aprendizagem.

Logo, ao entrar, observou um salão de entrada pintado, decorado com trabalhos dos alunos, mobiliado com cadeiras e mesa de junco, aspecto de sala de espera. A escola possui uma organização pedagógica capaz de servir de modelo. Nas paredes da sala dos professores, havia gráficos expostos, um para cada série, que mostravam as mais recentes avaliações de professores de cada matéria. Ao observá-los, notavam-se as áreas preocupantes por classe e por disciplina. Junto aos gráficos, no lado oposto, estavam os planos de trabalho de cada uma dessas áreas.

A diretora da escola conta com indicadores de rendimento próprios. O ensino é planejado e avaliado. Os novos professores são treinados para usar método de ensino interativo, aplicar projetos que atraem o interesse dos alunos e possibilitam trabalhos originais. Ficam à disposição dos professores substitutos os dados sobre cada classe, com planos de ensino em andamento e cópia da ficha de cada aluno.

Os alunos depositam sugestões numa caixa que serão, semanalmente, avaliadas pelos professores. Os períodos escolares são organizados por faixa etária, propiciando um convívio mais harmonioso e salas de aula montadas com materiais e livros apropriados. Nelas encontram-se expostos trabalhos dos alunos, desenhos, numa apresentação agradável. Incentivam-se os alunos a permanecerem na escola após o término das aulas. A biblioteca da escola, embora modesta, com cerca de 6 mil livros, é muito bem organizada. Todos os livros são identificados por títulos, na lombada, e expostos de modo atraente. A biblioteca fica aberta aos alunos e à comunidade por todo o horário de aula. Os atendentes são voluntários, entre eles alunos mais velhos, fora do período de aulas.

Os maiores problemas, relatados pela direção, são a grande rotatividade e as faltas dos professores. A maioria vem de outras regiões da cidade, sem incentivo para trabalhar na periferia. Ao lidar com tantos funcionários novos, a escola despende muito tempo treinando-os para o método adotado.

Esse treinamento dado a todos os professores, novos e antigos, é uma forte característica positiva, da escola, a ser ressaltada. Outras características são a ênfase ao trabalho de equipe, à auto-estima dos profissionais e  currículo e gráficos da avaliação dos alunos, expostos nas paredes da sala da diretoria.

Apesar de a escola estar inserida numa região assolada pela violência, não havia paredes pichadas. A escola, ao trabalhar a comunidade, passou a ser respeitada e protegida por ela. Os alunos limpam a sola do sapato, tiram o barro quando chove, para entrar na escola. São alunos envolvidos com a aprendizagem, não faltam às aulas e interessam-se pelo material didático; muitas salas têm TVs e vídeos, bastante usados pelos alunos. Os professores aprendem que nessa escola “as aulas precisam chamar a atenção dos alunos”. Vem daí, em grande parte, a presença maciça dos alunos em sala de aula. O nível de conhecimento dos alunos é tido como muito bom, assemelhando-se ao das escolas particulares. Cultiva-se um ambiente escolar cooperativo, evitando a competição, gerando calma, ausência de brigas. A orientação dada é para que todos os alunos se sintam igualmente importantes na escola.

O rendimento dos alunos é discutido em reuniões semanais e mensais, em conselhos formados por professores e estudantes. O aluno participa da avaliação e conscientiza-se da importância de estudar.

A escola aprimora-se na oferta da merenda escolar. É feita com alimentos frescos, de qualidade e preparada diariamente. Servem-se verduras, legumes e frutas todos os dias. Carne e ovos regularmente. A higiene da cozinha e do refeitório é notável. É oferecido aos alunos um complemento nutricional que os revigora e os deixa mais aptos às aulas. Os alunos elogiam a comida que comem.

Dentre os projetos da escola, há projetos-piloto destinados a promover a inclusão social, fortificar as relações comunidade/escola, criando entre elas cumplicidade e ajuda mútua. Os pais começam a entender a importância da participação direta na escola do filho, passando, inclusive, a ela a sensação de mais segurança. Quando os filhos têm problemas no estudo estes são discutidos por pais e professores, evitando que um culpe o outro, mas fazendo com que cada um dê  o melhor de si para a aprendizagem do aluno. Cria-se um pacto de responsabilidade mútua pelo comportamento e pela aprendizagem do aluno.

Essa é uma escola que deve ser preservada. É uma referência educacional que precisa ser cuidada, referência que reverterá em benefício dos estudantes, recursos de que a nação precisa para se desenvolver.

* Supervisora de ensino aposentada.     
(Publicado em março/2004)

FORMAÇÃO GLOBALIZADA

Izabel Sadalla Grispino *

Não há desenvolvimento econômico sem uma poderosa estrutura científico-tecnológica, representada, em nosso País, pelas universidades públicas. Necessário se faz fortificar essas universidades para não comprometer a pesquisa, o desenvolvimento baseado no conhecimento. Necessário se faz investir num sistema educacional que nos tire da condição de País de terceiro mundo. Investir numa política efetiva de inclusão pela melhoria do ensino básico, pelo reforço do preparo dos estudantes pobres à universidade e não por facilitadores mecanismos de acesso à universidade, comprometendo a qualidade do ensino superior. Um país sem universidades de excelência e centros de pesquisa de alto padrão não tem como alavancar o conhecimento e tornar-se nação de primeira grandeza.

O futuro será do país que souber reunir conhecimento e indústria. O conhecimento científico, em seu progresso, tem que caminhar juntamente com a aplicação prática, traduzir-se em tecnologia aplicada. A distância entre teoria e prática provoca desajustes consideráveis no produto resultante dessa combinação. Na indústria farmacêutica, por exemplo, mediante as descobertas científicas, parte-se para a produção de medicamentos; pesquisas transformam-se em vacinas.

A prática do conhecimento transitado decide o papel da indústria e seu impulso ao desenvolvimento econômico. A indústria impulsiona a universidade e é por ela impulsionada, criando importantes ações comerciais. O que se quer é que a ciência produzida pela universidade não fique só na ciência, que haja uma comercialização do conhecimento por ela adquirido, da pesquisa por ela desenvolvida. Esse é, sem dúvida, um caminho da recuperação da atividade econômica do país.

Aliado a esse aspecto da transformação do conhecimento em produtos comercializados, um outro ponto interessante a abordar é a criação de um projeto educacional que permita ao jovem estudante ser um cidadão do mundo globalizado. As grandes potências buscam fortalecer as dimensões internacionais de sua educação superior, atraindo investimentos e formas de intercâmbio.

Olhos voltados para o enriquecimento cultural, técnico das universidades, ajudam o mercado, hoje inserido na globalização. Projetos ambiciosos, em determinadas áreas, buscam capacitar o formando na visão internacional, tendo em vista a expansão da economia, o enfoque internacional do nosso comércio. Observadores da área econômica constatam que “todos os negócios estão num ambiente globalizado e mesmo que uma empresa não exporte nada, certamente compra produtos importados ou negocia aquisição de tecnologia”.

A preocupação na formação do estudante vai além do enfoque nacional. A expansão do comércio mundial exige uma crescente necessidade de relações com o exterior. Experiência internacional, no avançar dos anos de estudo, propicia maior visão de mundo, de mercado, conhecimento de tecnologias diferentes e de outras culturas. Essas características ajudarão e muito na colocação de empregos e no desenvolvimento de negócios. A vivência no exterior traz como maior benefício o aprendizado cultural e é isso que faz a diferença numa carreira. A vivência ajuda no crescimento pessoal e profissional.

Felizmente, as escolas despertam para a amplitude das relações internacionais e vem oferecendo, com mais freqüência, oportunidades de aprendizado fora do País. As olimpíadas vem aumentado, tanto na esfera nacional como internacional. Escolas públicas brasileiras participaram recentemente, dezembro de 2004, entre 39 países, da 1.ª Olimpíada Internacional Júnior de Ciência, estimulando a busca do conhecimento. Nas nossas escolas, em geral, o ensino de ciência é ainda muito teórico, com poucas aulas em laboratórios, poucas possibilidades para o aluno criar.

A disputa foi na Indonésia e 6 alunos brasileiros – 4 meninas e 2 meninos de até 15 anos – participaram de 3 dias de provas. Fizeram provas práticas, além de testes e de questões dissertativas sobre química, física e biologia. Atualmente, cerca de 500 mil adolescentes brasileiros participam de disputas em várias áreas do conhecimento. Os medalhistas, freqüentemente, recebem bolsas de iniciação científica ou são convidados a participar de cursos especiais em universidades, uma forma de aproveitamento de talentos e de incentivo ao estudo.

A classe social mais abastada coloca os filhos em escolas internacionais renomadas, onde os filhos falam, desde pequenos, mais de um idioma. São escolas bilíngües, a criança é alfabetizada em português e de acordo com a opção da família em uma outra língua. Apresentam um currículo internacional que assegura a continuidade dos estudos em qualquer país, sem, contudo, descuidar do currículo adaptado à realidade brasileira e às orientações do Ministério da Educação (MEC).

O que se procura é a valorização do contato com outras culturas, formação globalizada, portas abertas para o futuro. Os alunos das escolas internacionais, no convívio com pessoas de outras nacionalidades, no convívio, desde cedo, com outros idiomas, ajustam-se com mais facilidade, com mais abrangência, na realidade contemporânea.

*Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2005)

PARÂMETROS DE QUALIDADE

Izabel Sadalla Grispino *

O Estado de São Paulo, por sua Secretaria Estadual da Educação, realiza mudanças no seu sistema de ensino. Iniciou, em maio p.p., com um novo sistema de avaliação. Todas as escolas da rede estadual passaram a adotar um mesmo padrão de médias bimestrais, com notas em números inteiros que vão de zero a 10. Os valores decimais são arredondados para cima. A proposição foi mudar a avaliação da progressão continuada, do ensino fundamental, que passou a ser de cada 2 anos e não mais de 4.

Recentemente, um mês depois, em junho, a Secretaria montou um esquema de controle de qualidade de ensino: a partir de 2008, o ensino médio receberá um material didático, elaborado pelo Estado, para cada uma de suas séries. Após essa primeira etapa, a Secretaria fará o material para o ensino fundamental, de 5.ª à 8.ª série; uma versão para professores e outra para alunos. Para a 1.ª à 4.ª série, o Estado vai utilizar o material já produzido pela Prefeitura de São Paulo, com seu enfoque em leitura e escrita.

Essas preparações fazem parte do projeto intitulado “Percurso de Aprendizagem”. O objetivo do projeto é delinear o conteúdo mínimo que os alunos das escolas públicas devem aprender, conteúdo que será cobrado em exames, como no Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), avaliação externa à escola que visa aferir o rendimento escolar da rede pública de ensino.

Os materiais didáticos têm como suporte os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), elaborados pelo Ministério da Educação (MEC) no fim dos anos 90. Os Parâmetros foram criados para servir de referência, de orientação, à elaboração de currículos às escolas públicas e privadas do País.Fornecem recomendações gerais para as disciplinas, enfatizam a ministração do conteúdo, sem fim em si mesmo, trabalhado por meio do desenvolvimento das competências e das habilidades dos alunos.

Os materiais elaborados pelo Estado abordam áreas de estudos semelhantes às dos Parâmetros. Não são divididos em disciplinas e sim em três grandes áreas: Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias, que incluem matemática, física, química e biologia; Ciências Humanas e suas Tecnologias – história, geografia, sociologia e filosofia; e Linguagens, Códigos e suas Tecnologias – língua portuguesa e literatura, artes, educação física, língua estrangeira.

Esses materiais serão como guias e trarão síntese de conteúdos, indicações bibliográficas, recomendações de estudos e exercícios. Segundo a Secretaria, eles não substituirão o livro didático. Diferentemente dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), o material, elaborado pela Secretaria Estadual de Educação de São Paulo, vai além das recomendações gerais para as disciplinas, vai conferir, posteriormente, em avaliações, sua aplicabilidade.

O professor deverá fazer uma adequação do livro didático ao novo material, processo, hoje, nada fácil ao professor. Buscam-se caminhos revigoradores do processo ensino-aprendizagem, mas essas inovações cairão em terreno fértil, adubado para a nova colheita?

Continua-se o processo de reformar a casa pelo teto, deixando as paredes trincadas, o alicerce abalado!

* Supervisora de ensino aposentada.     
(Publicado em agosto/2007)

ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO BÁSICA

Izabel Sadalla Grispino *

Conforme escrevi, na semana passada, um dia após o lançamento do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), o Ministério da Educação (MEC) divulgou o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Este Índice será o instrumento principal para o MEC colocar em prática as ações do Plano, será o seu indicador para verificar o cumprimento das metas fixadas no Compromisso Todos pela Educação.

Estes tópicos da legislação, recentemente lançada, devem nortear a preocupação de Estados e municípios, devem ser, por eles, minuciosamente estudados, através de seus órgãos competentes e das escolas, por seus professores e diretores. Os benefícios advindos serão compensadores para aqueles que assumirem e cumprirem o pacto firmado.

O Ideb aponta indicadores por redes de ensino referentes às 1.ª e 2.ª fases do ensino fundamental e para redes de ensino médio, onde houver. Além do Ideb 2005, estão disponíveis consultas às projeções do indicador ao longo dos anos, com metas bienais, estipuladas para cada Estado e município.

Quando comparados os níveis de ensino, vê-se que, quanto mais o tempo passa, pior é a média dos alunos. Na fase 1, a média brasileira foi de 3,8; na fase 2, baixou para 3,5. No ensino médio, a nota geral foi 3,4.

O novo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) leva em consideração dois fatores que interferem na qualidade do ensino: o rendimento escolar, por meio das taxas de aprovação, reprovação e abandono e as médias de desempenho dos alunos nas avaliações nacionais – Saeb e Prova Brasil. A combinação entre fluxo e aprendizagem resulta em uma média para cada Estado, município e País, que varia de 0 a 10.

Os resultados do Ideb vão nortear, entre outros, o envio de equipes de consultores do MEC para cidades interessadas em firmar o pacto da educação, com o governo federal. Esse pacto é uma espécie de contrato, por meio do qual são estipuladas metas a serem cumpridas pelos municípios em determinado período de tempo.

Os últimos colocados no ranking serão os primeiros a receber a visita dos consultores. Espera-se que até o fim deste semestre os consultores iniciem as visitas, que serão de dois dias em cada município. A partir da análise de campo, a equipe, em conjunto com os gestores municipais, estabelecerá metas a serem cumpridas ao longo dos anos.

O trabalho a ser desenvolvido baseia-se, principalmente, na capacitação de professores e em diretores de escola, com poder de liderança, empenhados e com iniciativa. Se as recomendações do MEC não forem atendidas, se o nível da educação básica não melhorar por descumprimento ao pacto, o repasse de verba pode ser suspenso.

O Ideb, criado como um parâmetro para a educação, servindo como nova avaliação educacional, viabiliza uma articulação entre Estados e municípios, chamando-os à responsabilidade pela qualidade da educação. O Ideb foi elevado à categoria de pacto nacional para se erguer o nível educacional da educação básica brasileira.

Ao utilizar os resultados da Prova Brasil e dos censos educacionais no Ideb, será possível avaliar, ao mesmo tempo, aprendizagem e fluxo. O Ideb cria um eixo de intervenção nos Estados e municípios, aguardando melhoras gradativas na educação.

O Ideb é considerado uma ação dirigida que intervirá na qualidade da educação dos municípios.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2007)

O NÍVEL SOCIOECONÔMICO E A APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino *

Comprovadamente, o nível socioeconômico dos alunos repercute no seu desempenho escolar. A condição social e familiar são fatores que influenciam a aprendizagem.

O Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), de 2004, anexou à prova de leitura um questionário aos alunos da 3.ª série, sobre sua condição de vida, dedicação à escola e escolaridade dos pais.

O desempenho geral da série, sem levar em conta a condição dos estudantes, foi de 0,3% no nível ótimo de leitura, 5,8% no muito bom, 27,1% no bom, 37,7% no regular, 12,1% no insuficiente e 17,1% no abaixo do insuficiente. Os alunos da 3.ª série tiveram resultados semelhantes aos apresentados nas demais séries.

Um cruzamento de dados revelou que mais de 60% dos alunos que vivem em casas sem luz elétrica, por exemplo, ficaram em níveis de leitura insuficiente ou abaixo de insuficiente. As notas ruins se repetem entre os que moram em ruas sem calçamento ou casas que não têm água encanada.

A escolaridade dos pais também revelou conseqüência ao desempenho do aluno na prova. Mais de 54% das crianças cujas mães ou pais nunca estudaram estão nos piores níveis, significando que elas não são capazes de ler qualquer tipo de texto apresentado no exame, mesmo tendo, no mínimo, 9 anos de idade; a maioria tem mais.

Quando os pais cursaram o ensino superior ou mesmo o ensino médio, mais de 40% dos filhos estão nos níveis bom, muito bom e ótimo de leitura. Já compreendem trechos de reportagens, fábulas, propagandas em histórias em quadrinhos.

A tabulação mostrou, ainda, a influência negativa de defasagem entre idade e série. Mais de 67% das crianças que têm 13 anos ou mais e continuam na 3.ª série se encontram nos níveis insuficientes ou abaixo de insuficiente. Entre os que estão com 9 anos, 24,4% tiveram esse desempenho e 75,6% ficaram acima do nível regular, isto é, acertaram mais de 50% das questões.

Um grande princípio pedagógico é a escola aproximar-se da vida de seus alunos. Conhecer a realidade que os cerca e suprir, de alguma forma, as deficiências encontradas. Alunos marcados pela pobreza, pela ausência de bens culturais, devem encontrar na escola meios de suprir suas necessidades. Se moram em localidades onde não há eletricidade em casa, não têm, nessas condições, acesso à TV, ao vídeo, ao computador, sem falar das condições financeiras que não permitem tais comodidades.

A escola pública oferece a possibilidade de reposição desses recursos, que auxiliam a aprendizagem? O professor não pode se valer da idéia de que o aluno não vai aprender porque é pobre. Não pode se apoiar em suas condições de pobreza para justificar seu atraso. A escola tem que se preparar para desenvolver esses alunos, chegar até eles, reconhecer suas falhas, suas dificuldades e trabalhar as deficiências apresentadas.

No meu livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola), no tópico “A inclusão do aluno à escola”  (pág. 55) eu digo: “Um dos objetivos prioritários da escola refere-se à inclusão do aluno no ambiente escolar. Em muitas localidades, especialmente nas periferias, é necessário incentivar o aluno a ir à escola, fazê-lo trocar o cotidiano das ruas pelo da escola. Nessas regiões, a escola compete com a rua... A escola precisa adotar projetos que resgatem a cultura popular da região. A construção da identidade, com base na educação que leva em conta as raízes, ajuda as novas gerações a manter o vínculo com a terra, sua gente, suas tradições.

O nível socioeconômico é um forte ponto a se considerar, tem séria influência, séria repercussão no andamento do projeto pedagógico e a ele deve ser ajustado...

O objetivo maior da educação é o aluno, ajustar-se a ele, conquistá-lo, ajudá-lo no desenvolvimento de sua personalidade, significa ganhar esse aluno para a escola... Tudo em educação gira em torno do aluno, em torno de sua boa formação... A escola não pula etapas, não tem como “fazer de conta”; a realidade é seu espelho, seu suporte, sua consistência. Ela parte do nível encontrado, seja do mais elementar e busca atingir um nível mais elevado, numa progressão continuada. Vale-se da conceituação de que a sala de aula é uma comunidade de investigação, um espaço de relações humanas, um lugar de interação social, zona de desenvolvimento proximal (Vigotsky). O grupo é sempre heterogêneo. O professor deve ficar atento às diferenças individuais, às diversidades e valorizá-las...

A escola vale-se da alternativa de que a escolaridade é a variável capaz de eliminar as diferenças sociais. “Educação é um ato de amor, de conexão, um ato de responsabilidade, de compromisso, de consciência social”.

A escola, imbuída desses conceitos, saberá encontrar o caminho da realização do aluno carente. Saberá programar ações, currículos, capazes de alcançar esse aluno. Saberá prever-lhe em seus projetos pedagógicos um lugar de tratamento adequado, definindo instrumentos que cheguem até ele. A escola abraçará o desafio de vencer a crise de aprendizagem, descobrindo o potencial do aluno, indo a ele não pelas deficiências, mas pelo que ele pode oferecer.

Esse comportamento da escola é inevitável. Com pesar vemos a divulgação da avaliação do Saresp, em que o maior contingente  dos alunos das escolas estaduais de São Paulo tem nível regular de leitura. Isso significa que muitos deles, dependendo da série, não são capazes de interpretar um texto, se os conteúdos não forem explícitos, identificar a seqüência dos fatos em uma reportagem ou perceber a ironia na literatura, informa o resultado do Sistema de Avaliação do Estado de São Paulo (Saresp).

O Saresp assinalou que a maioria das crianças que não freqüentou pré-escola se saiu pior e isso reforça a importância da educação infantil.

Quando uma boa parte dos alunos não aprende a falha é da escola. É ela quem precisa mudar, rever seus métodos de trabalho e atuar de maneira mais eficiente.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em julho/2005)

MELHORAR O ENSINO PELA APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino *

Para  a  atual  sociedade,  a  escola precisa desenvolver no aluno a capacidade de pensar e de aprender. Aprender será uma característica constante, evoluindo ao longo de toda a vida.

Essa é uma condição básica de que a escola não pode se furtar na sociedade do conhecimento, no mundo globalizado. Nos últimos anos processou-se uma verdadeira revolução na ciência pedagógica, reforçando os conceitos referentes às habilidades e às competências dos alunos, no processo de aprendizagem. Passou-se à adoção de critérios objetivos para fixar metas ao ensino, aperfeiçoando os sistemas de avaliação que permitem comparar o desempenho dos alunos e das escolas com outras escolas, com outros municípios, Estados ou País, com o desenvolvimento que houve da Teoria de Resposta ao Item.

As novas dimensões pedagógicas, ao que tudo indica, não foram, ainda, devidamente absorvidas pelos profissionais da educação. Os indicadores do desempenho dos alunos não mostram evolução satisfatória, revelando que as políticas educacionais não estão vindo de encontro ao efeito desejado. Os programas de estímulos à melhoria do desempenho das escolas concentram-se nas condições de ensino, em relação aos meios, para se desenvolver uma boa aprendizagem. Referem-se ao funcionamento das escolas, à formação dos professores, em reciclagem de estudos e melhoria salarial ou equipamentos, como laboratórios e computadores.

Embora as condições de ensino sejam importantes, chega-se, hoje, à conclusão de que os resultados de avaliações da aprendizagem dos alunos são os caminhos mais seguros para se promover uma melhoria do desempenho estudantil. Os programas, que, até então, vêm focando apenas as condições de ensino, devem deslocar o foco para a aprendizagem, considerando os resultados de avaliações, seguidas dos resultados de pesquisas sérias, sobre educação.

Partindo para um exemplo prático, analisando o resultado de uma recente pesquisa, feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), do Rio de Janeiro, que mostra uma preocupante evasão escolar, chegamos à sala de aula, à passagem do conteúdo. Segundo a pesquisa, 18% dos jovens entre 15 e 17 anos não freqüentam a sala de aula. O principal motivo alegado pelos jovens, e que sobrepuja em muito os demais,  é o desinteresse pela escola – 45%;  seguido de trabalho – 22%;  e dificuldade de transporte – 10%.

Percebemos que o ponto capital está na falta de motivação aos estudos, ponto que recai sobre o processo de aprendizagem. Faz-se necessário pensar em um outro modelo de escola; esse não está despertando interesse dos alunos. A aprendizagem tem que estar próxima a um conteúdo pedagógico mais afinado à realidade dos jovens, mais identificado com suas vidas e mais eficiente em relação ao mercado de trabalho, de preferência visando à escola técnica.

Ao lado de se trabalhar a consciência da necessidade da educação, junto aos jovens e suas famílias, há a necessidade de uma revisão curricular e novos métodos de ensino, o que significa programar para a aprendizagem, na busca de melhorias de ensino.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em abril/2007)

ATIVIDADES EXTRACLASSES E EXTRA-ESCOLARES, INCLUÍDAS NO SISTEMA DE AVALIAÇÃO ESCOLAR

Izabel  Sadalla  Grispino *

O aluno é o vetor que traz para a escola o assunto, o tema. Analisa-se o conhecimento à luz de quem aprende e não de quem ensina. Quanto à ação, tira-se o foco do professor e passa-se para o aluno. Aprende quem faz e não quem ouve. A diferença está entre professor que faz e professor que manda fazer.

Levar o aluno a agir facilita o desenvolvimento do método construtivista. Ademais, a ação confere ao homem a superação de si mesmo. Ele é compelido a agir, é de sua natureza. Mesmo sabendo-se mortal, mesmo sabendo-se um peregrino que transita, temporariamente, por esse mundo, não sabe por qual elan extraordinário é impulsionado a agir, a se estruturar, a deixar, na passagem, a sua contribuição.

A preocupação com a educação integral do aluno tem ensejado atividades extraclasses, atividades que saiam do discurso da sala de aula e se materializam em ações. O professor deve pesquisar processos educacionais diferenciados, perceber que educação não se confina a espaços escolares tradicionais. Levar os alunos a observações locais, em diferentes pontos da cidade, ou de outras localidades, além de favorecer o desenvolvimento de habilidades de pensar, de associar causa e efeito, de tomar decisões, propicia vivenciar o companheirismo, a compreensão, o respeito. Vai tornar a teoria mais perto da realidade, quebrar a distância entre conhecimento e vida, facilitar a comunicação.

Atividades organizadas fora da sala de aula complementam o trabalho do professor. Não é recreação, as visitas têm objetivos determinados num momento do currículo. Os caminhos para a aprendizagem são amplos, os estímulos diversificados, tendo sempre que se ressaltar as potencialidades anunciadas pelo aluno.

A escola deve, também, considerar as atividades extra-escolares, como a formação de um coral, de um torneio de vôlei etc. e anexá-las às atividades curriculares. Não é só em sala de aula que se aprende. A escola dedica-se, sob as mais diversas formas, a um processo humano de crescimento, de conscientização dos valores perenes da alma, do significado maior da vida. Numa de suas últimas palestras, Darcy Ribeiro perguntava: “Será que se perdeu o sentido real do processo educativo, confundido com ensino?”

Todos os momentos do processo educativo devem passar pelo processo de avaliação, sejam os desenvolvidos em sala de aula ou fora dela. O professor precisa avaliar como educador e não como um comunicador de informações, interessar-se pelos alunos enquanto pessoas, valorizando suas atitudes e responsabilidade. A cada tópico, deve o professor ter conhecimento do grau de assimilação do conteúdo e dos comportamentos esperados, abrangendo, simultaneamente, informação e formação. Deve considerar a avaliação como parte integrante do processo de aprendizagem, como trabalho contínuo e sistematizado e não, simplesmente, um aspecto final da aprendizagem. Assim, por exemplo, quando um professor procura, em aula, verificar os alunos que estão com dificuldade de aprender e exatamente em que encontram dificuldade, está realizando avaliações. Quando um professor se preocupa, numa excursão, em descobrir se seus alunos estão se comunicando, comportando-se de forma independente e responsável, está pensando em avaliação.

A avaliação da aprendizagem é um problema que preocupa o professor em seu trabalho diário: a todo momento ele depara com a necessidade de avaliar. A avaliação consiste na constatação da situação do aluno e do próprio professor em relação ao plano proposto e deve abranger conhecimentos, habilidades e atitudes. Um aspecto fundamental da avaliação é a coleta de dados para o replanejamento do trabalho. Ela consiste num diagnóstico do desenvolvimento do aluno, possibilitando planejar um trabalho sobre dados reais, levando ao aperfeiçoamento das situações da aprendizagem e do currículo como um todo. Uma vez diagnosticada a situação, torna-se possível modificá-la de acordo com as necessidades detectadas. Ela é, pois, colocada numa perspectiva de diagnóstico e prognóstico. Essa proposição difere daquela em que a avaliação é um momento especial do ano letivo e cujos resultados são esperados para serem utilizados unicamente nas decisões de promoção ou retenção dos alunos ou reagrupamento de classes.

Por outro lado, a avaliação é, também, instrumento importante da integração do aluno no processo de aprendizagem, na medida em que este dela participa ativa e conscientemente, através de um sistema trabalhado de auto-avaliação.

A avaliação é um capítulo importante, essencial, no processo ensino-aprendizagem, se mal compreendida, portanto, mal aplicada, os resultados serão desastrosos. Comumente, a escola utiliza-a num processo de medida, aferindo apenas conhecimento

Avaliar é diagnosticar o desenvolvimento do aluno, ao invés de julgar. Enquanto medida restringe ao aspecto quantitativo; avaliação aplica-se tanto aos aspectos quantitativos como qualitativos do desenvolvimento. Deve focalizar especialmente aspectos do desenvolvimento como: relacionamento social, interesses, sentimentos em relação a si mesmo e em relação aos outros, processo de trabalho...

As atividades extraclasses, extra-escolares favorecem a educação integral, auxiliam o desenvolvimento dos aspectos comportamentais na formação de valores, ao mesmo tempo que trabalham os aspectos quantitativos, as habilidades e as competências.

* Supervisora de ensino aposentada       
(Publicado em julho de 2000)

CURRICULUM VITAE

CURRICULUM VITAE

DE

IZABEL SADALLA GRISPINO

PRINCIPAIS ASPECTOS DO CURRÍCULO

  • Licenciada em Letras Neolatinas pela Universidade de São Paulo, ano de 1954;
  • Curso de pós-graduação em Língua e Literatura Francesa, a nível de mestrado, quando defendeu a tese: “O Simbolismo Francês e a poesia de Paul Verlaine e Arthur Rimbaud”;
  • Pós-graduação em Língua e Literatura Espanhola, em Filologia Portuguesa e Literatura Brasileira;
  • Licenciada no Curso de Pedagogia, com especializações em Administração, Supervisão, Orientação Educacional e Coordenação Pedagógica;
  • Ocupou, por concurso, na educação básica, as cadeiras de Português e de Francês e no ensino superior de Língua e Literatura Francesa;
  • Na área de administração e supervisão, exerceu, por concurso, os cargos de diretor de escola e de supervisor de ensino;
  • Foi membro integrante da Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (CENP) da Secretaria da Educação, onde monitorou e coordenou cursos de atualização, de aperfeiçoamento e de especialização em língua portuguesa, de 125 horas, para professores e especialistas da educação do ensino fundamental e médio, então, 1.º e 2.º graus;
  • Preparou, treinou, pela CENP, monitores, dos cursos montados, para todo o Estado de São Paulo;
  • Foi membro da equipe designada pelo Departamento de Recursos Humanos, da Secretaria da Educação, no Projeto “Capacitação de Recursos Humanos para o Ensino de 1.º e 2.º graus”, para proceder à análise crítica do texto-base, elaborado por insignes professores da Unesp, Araraquara: Cacilda de Oliveira Camargo, Maria Helena de Moura Neves, Najla Lauand e Sebastião Expedito Ignácio, designados que foram pelo MEC. Análise crítica no sentido da adequação do texto ao nível pretendido. A equipe foi, também, responsável pelo treinamento dado aos professores da rede.
  • Foi colaboradora do livro de Instrução Programada “Língua Portuguesa” – 5.ª à 8.ª série – 1.º grau – Secretaria de Estado da Educação;
  • Orientadora, pela USP-São Paulo, de estágios supervisionados do Curso Normal e de Letras;
  • Ao longo da carreira, participou de uma gama considerável de cursos de atualização, de aperfeiçoamento e de especialização, na perspectiva da educação continuada;
  • Autora de crônicas, de centenas de artigos educacionais, comportamentais, sociais, religiosos, publicados em jornais e revistas. Atualmente, está se propondo a registrar uma fase histórica da educação brasileira, ou seja, os principais passos da implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), n.º 9394/96, em seus diversos e amplos aspectos e a realidade do ensino no momento dessa implantação.
  • Poetisa, que reflete em seus versos as grandes questões humanas, os estados de alma, a problematização do ser. Retrata a alma em suas características universais, em suas inquietações diante dos enigmas da existência. Há momentos de muito lirismo, da exaltação do amor, da dor da saudade, das ilusões e desilusões, das amarguras e dos encantos da vida e há momentos de muita reflexão, de observação imparcial da realidade social e política, quando passa, então, sua visão de mundo, sua interpretação dos fatos, numa análise objetiva e subjetiva, porém, sempre crítica. No fundo, freqüentemente, é a poesia didática, é a mestra preocupada em ajudar, em orientar, em alertar, buscando suavizar o sofrimento da humanidade e contribuir para um mundo melhor. Há poesias de versos livres, mas, a sua formação clássica fala mais alto, quando observa com rigor, na grande maioria dos versos, a métrica e a rima;
  • Compositora musical – letra e música – de dezenas de obras sacras e populares;
  • Dentre as valiosas experiências, exercidas no magistério, ao longo da carreira, destaca os cursos ministrados, em larga escala, para professores e especialistas da educação, regando e adubando o terreno para melhor fazer brotar a semente educacional.

(Publicado em novembro/2000)

AO JORNAL “A CIDADE”, O GRANDE SEMEADOR DE IDÉIAS

Izabel Sadalla Grispino *

Através do jornal “A Cidade”, deste valioso instrumento de comunicação que Ribeirão Preto aprendeu a admirar pelo alto profissionalismo, há, exatamente, um ano, venho publicando, semanalmente, artigos de fundo educacional. Este jornal amigo proporcionou-me a oportunidade de contatar-me com a sociedade ribeirão-pretana, levando conhecimento, em temas educacionais, culturais, sociais, religiosos e outros. Neste ano que se finda, propus-me a registrar os principais passos da reforma do ensino, na implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e a realidade educacional das escolas oficiais.

Encontrei neste jornal, com afável acolhida, um livro aberto, de folhas em branco, para serem preenchidas, tendo em vista ilustrar a comunidade, nos mais variados assuntos. Inúmeros conceitos nele passei, ressaltando a idéia de que o bom professor faz a diferença do ensino e de que ele é capaz de compensar a falta de estruturas. Passei a idéia de que a formação, a dedicação e o salário do professor são alguns dos fatores que mais interferem no ensino e de que, sem um ensino de qualidade, jamais resolveremos a questão das desigualdades sociais. Ressaltei a necessidade de cursos de reciclagem para o professor, que, de um modo geral, não está absorvendo as Diretrizes Curriculares e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), emanados pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). O professorado não está conseguindo ensinar os alunos dentro desses novos referenciais, que abargam, principalmente, a interdisciplinaridade e a contextualização, isto é, a aproximação do conteúdo ensinado com o cotidiano do aluno.

A escola não vem acompanhando as mudanças e tem demonstrado de que os fatores que favorecem o desempenho dos alunos estão mais relacionados ao dia-a-dia da escola do que com as diretrizes elaboradas pelo MEC. Daí a importância de se dar mais atenção ao professor, dar-lhe suporte profissional, porque ele é, sem dúvida a mola-mestra, não só do progresso, mas da eqüidade social.

Neste novo ano que se inicia, continuarei, com o apoio do jornal “A Cidade” e com a proteção de Deus, a analisar situações de ensino, lutando para que a luz educacional prevaleça e ilumine a consciência nacional de sua importância, lutando para que a vontade política se manifeste com mais verbas para a educação, cuidando melhor de nossos professores.

O jornal merece nossa reverência, porque ele é uma escola aberta, o mestre maior que bate à nossa porta para introduzir conhecimentos, para formar, de modo responsável, mente e corações. Em Ribeirão Preto, já é tradicional, nos festejos de fim de ano, saudar o jornal “A Cidade”, que beira um século de existência, nas pessoas da família Camargo, de seus digníssimos diretores e de todos os seus funcionários, que, com brilho e persistente idealismo, angariam, cada vez mais, a confiança da população. O jornal “A Cidade” cresce com Ribeirão e com ele se faz pioneiro na região. Muita saúde, muito vigor, aos seus dirigentes, para que possam continuar a receber as alegrias de seu jornalismo imparcial, competente de que é marca  consagrada.

Formulo votos de um feliz Ano Novo a toda população de Ribeirão Preto. Que Deus lhe dê um ano de paz, de amor, de prosperidade. Quero também agradecer aos meus leitores pela atenção, pelas manifestações de apreço, a mim formuladas, durante a publicação dos artigos. A todos, meus versos sobre o Terceiro Milênio.


TERCEIRO MILÊNIO, ANO 2001

Izabel Sadalla Grispino

Surge um novo milênio, uma outra aurora,
A ciência comprovando Jesus,
Ventos do infinito indicam que agora
É chegada a hora de viver a luz.

Demos um salto para o espiritual,
Conciliamos ciência e fé,
Confraternizamos real e virtual,
A razão se achegou à Santa Sé.

A face de Deus deixa o lado escuro,
Terceiro milênio é porta de frente,
Mostra o claro que vem pelo futuro,
Ressalta o homem na alma e na mente.

Que saibamos entender o momento,
Que em coro, rezemos à Mãe Maria,
Ligando oração e comportamento,
Livraremos o mundo da orgia.

O homem terá um novo semblante,
Virá aterrorizante avanço,
A ciência criando um semelhante,
A bioética entrando em balanço.

A todos vocês, queridos leitores,
Que esse dois mil e um lhes seja risonho,
Caminhos abertos, muitos amores,
Que se realize seu mais lindo sonho.

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2000)

ATITUDES E SABERES CONJUGADOS

Izabel Sadalla Grispino *

A escola, de hoje, atua dentro de conceitos abrangentes, em benefício da educação integral do aluno, conceitos que vão além da transmissão do conhecimento. Ao lado do conceito “sujeito de direito”, assunto por mim abordado em um artigo anterior, ela trabalha, por exemplo, o conceito de saúde alimentar. Preocupada com a saúde da criança, com problemas de obesidade, acarretando, já na infância, alta de colesterol, de triglicéride, provocando doenças cardíacas, renais, passa princípios de boa nutrição. Ensina alunos, pais, comunidade escolar, a importância de uma comida balanceada. As cantinas são orientadas a substituírem lanches, como hamburgueres, batata frita, frituras em geral, alimentos de alto teor calórico, refrigerantes, por sucos naturais, por pouco doce e por salgadinhos menos gordurosos.

Em casa, os pais devem estar atentos a certas atitudes, como: “Tome toda a sopa ou coma a salada, para ganhar a sobremesa”. Passa a idéia de que tomar sopa não é gostoso, mas a sobremesa é o máximo! A criança pode passar a não gostar de sopa a vida toda. Do mesmo modo, tornar a ida à lanchonete um programão, faz a comida de casa ficar meio sem graça.

É bom lembrar de que se deve educar pelo exemplo; os jovens prestam mais atenção nos atos dos adultos que em suas palavras. Crianças que desde cedo estão acostumadas a ver pela casa frutas e verduras, sucos naturais e pais que não são sedentários terão mais facilidade em desenvolver um estilo de vida adequado.

Hipócrates, médico grego, tido como o pai da medicina, já dizia: “Somos o que comemos”. Muito além da preocupação com a obesidade, precisamos estar atentos à nossa saúde. A medicina, hoje, confirma que a alimentação saudável previne uma série de doenças crônicas degenerativas, como o câncer ou o diabetes.

Em termos de saúde, outra preocupação da escola recai sobre a postura correta do aluno, o peso, nas costas, das mochilas, que tanto afeta a coluna vertebral. É um trabalho de educação que quer que o aluno se sinta amado, protegido.

Geralmente, as crianças não verificam quais as aulas do dia e acabam levando para a escola o material de todas as disciplinas, aumentando o peso nas costas. Essa é uma característica que deve ser trabalhada por pais e professores, porque o aluno pode carregar, na mochila, no máximo 10% de seu peso, conforme recomendam os ortopedistas pediátricos. Mais que isso, pode causar vícios de postura, dores musculares, lombalgia e até problemas no crescimento, revelam estudos ortopédicos.

Entre as crianças pequenas, as mochilas pesam pouco, o problema é maior entre alunos das últimas séries do ensino fundamental e médio, devido ao aumento do número de disciplinas e conseqüente aumento do número de livros. Nessa faixa de idade, os alunos, de um modo geral, recusam-se a levar mochila com rodinha, porque acham que é coisa de criança e acabam apresentando dores freqüentes na coluna.

A diversificação educacional faz da escola de hoje uma instituição vista como a grande auxiliadora no entendimento das reações humanas e psicológicas do aluno. Aborda problemas comportamentais de muita ajuda aos pais, como, por exemplo, educar para a verdade. Entra num terreno bastante vivenciado pelos pais, como o fato de mentir, e que faz parte do comportamento infantil.

As crianças mentem, seja para expressar um desejo ou esconder um malfeito. Elas fazem uso desse artifício por se sentirem inseguras em dizer a verdade. O que mais querem é ser amadas e aceitas, sempre. Quando isso acontece, a orientação é de dar atenção, de ter firmeza e diálogo, para trazer as crianças de volta ao caminho da verdade. Mostrar o que é correto com firmeza, explicar-lhes que para se viver em sociedade regras devem ser cumpridas. A preocupação com a mentira é tão importante como a forma de se relacionar e de entender a mensagem da criança que está nas atitudes. Fantasiar, brincar de faz-de-conta, fazem parte do desenvolvimento infantil, ajuda a criança a se expressar e a enfrentar seus medos e anseios.

 

Contudo, para a boa educação, o ideal é que a mentira seja cortada pela raiz, orientando com compreensão, discutindo, com atenção e respeito, sobre o certo e o errado. Fazer a criança sentir que sobre mentiras não se constrói uma relação de confiança.

A psicoterapeuta infantil Violeta Daou Queijo explica com propriedade: “A criança amadurece na fantasia e entra, aos poucos, em contato com o mundo real. Nesse processo, o companheiro imaginário a escuta e partilha suas aflições sem repreendê-la. Preservar a vida imaginária da criança é permitir que ela viva essa experiência inteiramente, sem repressões ou bloqueios, que enriquece a vida. Aos  poucos, por si mesma, ela vai diferenciar a

fantasia da realidade. Não há uma idade exata para isso acontecer. Cada criança é única e tem o seu próprio tempo”.

Os pais ajudam a criança a se desenvolver bem, ensinando-a a partilhar seus pertences. Estimular a convivência com outras crianças, seja trazendo amigos para casa ou deixando que ela durma, às vezes, na casa de amigos e motivá-la à prática de esportes coletivos, são comportamentos que arejam a mente infantil.

Escolas competitivas estimulam a individualidade. O aluno, vivenciando uma socialização saudável, tende a enfrentar melhor a verdade e mais tarde os fatos da vida. Por isso, as escolas devem dar mais atenção ao relacionamento e realizar trabalhos em grupo. Escolas e pais devem impor limites, mas, sem restringir demais a vida da criança. Austeridade em excesso acaba podando o seu desenvolvimento.

Educação é processo integrado. Atitudes e  saberes não devem ser separados. O indivíduo é um ser por inteiro, englobado em mente, corpo e alma. Não é um ser compartimentado. É com esse entendimento que a escola renovada se encaminha.

* Supervisora de ensino aposentada.     
(Publicado em julho/2005)


* Supervisora de ensino aposentada.

(Publicado em julho/2005)

A BIBLIOTECA ESCOLAR

Izabel Sadalla Grispino *

A biblioteca é um recurso didático indispensável no processo de aprendizagem. A adoção, pela escola, do método construtivista coloca a pesquisa na vanguarda da metodologia. Além disso, como despertar o aluno para a imperiosa leitura, como criar o hábito de ler, sem a existência de sua matéria-prima?

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