Payday loans uk
  1. Skip to Menu
  2. Skip to Content
  3. Skip to Footer>

Artigos Educacionais

  • Previous
  • Next
  • Stop
  • Play

INCLUSÃO ESCOLAR E SOCIAL

Izabel Sadalla Grispino *

Há pouco tempo escrevi sobre crianças com deficiência. Saindo de uma escola estadual, uma mãe abordou-me e em lágrimas pedia que eu escrevesse um novo artigo discorrendo sobre o preconceito que tanto prejudica o aluno deficiente. Relatou-me seu conflito, os problemas que a incompreensão de pais traziam para a sala de aula, onde estudam crianças portadoras da síndrome de Down.

Percebi como realmente a mudança de mentalidade é um processo vagaroso. Ultimamente, muito se tem escrito, muito se tem falado das vantagens, tanto para as crianças deficientes como não deficientes, da inclusão de deficientes em classes regulares. Continua o desafio de superar barreiras sociais na chamada inclusão social, de mesclar deficientes e não deficientes no mesmo grupo de atividades escolares.

Na rede pública, essa experiência começa a expandir-se com base na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). A proposta contida na pedagogia da inclusão é um passo adiante numa área, ainda, cercada de desinformação e discriminações. Ainda, há pais que chegam a tirar os filhos da escola ao tomar conhecimento que suas crianças fazem atividades com deficientes da mesma faixa etária: temem que a deficiência seja contagiosa e prejudique o rendimento escolar de seus filhos.

Contudo, os downs não têm problemas de comportamento, não representam uma ameaça. É preciso que se reforce a passagem de uma nova imagem, na tentativa de amenizar esse receio social. Os downs não são incapazes, como se pensava, podem desenvolver muito se acreditarmos neles e se investirmos na sua estimulação. Há mais de 30 anos, quando eram chamados pejorativamente de mongolóides e confinados, longe dos olhares públicos, não tinham chance de aprender, tinham vergonha de si mesmos. Essa triste figura deu lugar a uma notável reabilitação. Eles são estimulados desde pequeninos, andam, falam, vão à escola, aprendem, estão chegando à faculdade e surpreendem pais e professores, derrubando os próprios limites. Não trabalham apenas em oficinas fechadas. Desenvolvem-se bem em muitos setores da economia, podendo exercer sua cidadania, não só por direito, mas por capacidade.

A determinação de incluir deficientes físicos e mentais nas escolas regulares já era lei na França em 1975. Lá, como aqui, os primeiros anos de prática de inclusão foram cheios de incertezas e desculpas. Porém, os limites vêm sendo quebrados a cada ano. Não se pode, entretanto, para remover obstáculos, deixar de ajustar a formação dos professores. Na França, quase 100% dos portadores de síndrome de Down estão em escola maternal e cerca de 75% freqüentam o curso elementar, após o qual seguem para os profissionalizantes.

As crianças com deficiência passam por um período de integração em que fazem atividades entre si e depois são agrupadas às classes comuns. Conforme já se constatou, a segregação de estudantes com problemas físicos e mentais em classes especiais é improdutiva, vivem em ambiente limitado e criam dimensão errada do mundo. Elas ganham muito com o convívio social.

Conduzir uma classe assim heterogênea é tarefa delicada. O plano de ensino de uma classe comum tem que ser ajustado para não imobilizar a criança com deficiência. O professor tem de estar convicto de que vale a pena investir nessa criança  para não discriminá-la.

As deficiências vão desde o comprometimento físico ou intelectual até o desenvolvimento diferenciado. As escolas públicas têm demonstrado resultados positivos em casos de deficiências leves e moderadas. Se o comprometimento for profundo ou se a criança não tem condições de atender a orientação coletiva, a prática se torna inviável. A escola regular não tem condições de atender as crianças que não estão aptas a um mínimo de interação.

Há comprovadamente estímulo na convivência de grupos heterogêneos. Numa classe especial, o diferente tem no professor o único exemplo, faltam elementos para o conhecimento real dos códigos sociais. Não deve ficar num mundo à parte, em classes regulares ele aprende a conviver com outras pessoas, ajustando-se melhor à sociedade.

Os portadores de deficiência têm ritmo próprio, não oferecem as mesmas respostas das demais crianças ao processo de aprendizagem. Apresentam desenvolvimento mais lento, mas aprendem. Às vezes, ficam em classes de faixas etárias mais baixas para poder acompanhar o progresso. O professor precisa reconhecer as limitações e garantir qualidade de aprendizado até onde conseguirem. Ele tem um papel fundamental no  entrelaçamento do processo num grupo heterogêneo. Não pode amedrontar-se, ficar tocado emocionalmente ou demonstrar sentimento de pena. Tem mais é que se capacitar, interessar-se, buscando informação a respeito.

Tanto os pais, como os professores precisam de assessoramento contínuo de pessoal especializado. O ideal é que o número de alunos, em classe, não passe de 18. Os benefícios entre pessoas diferentes são mútuos. A presença de alunos deficientes gera, entre todos, respeito e colaboração. Os alunos desenvolvem valores de natureza ética imprescindível para o processo de educação. As crianças normais crescem sabendo que existem diferenças e aprendem a respeitar isso. A inclusão estimula, inclusive, processos de ensino e aprendizagem. Um deficiente auditivo, por exemplo, pode levar os colegas a aprender a linguagem de gestos, favorecendo trabalhos de mímica, de interpretação teatral.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2003)

ESCOLA VIRTUAL

Izabel Sadalla Grispino *

Quando se fala em escola do futuro, logo se pensa em escola via Internet. O mercado do ensino pela Internet, ao que tudo indica, é um negócio lucrativo e vem crescendo, permanentemente, em países do primeiro mundo.

Nos Estados Unidos, atualmente, o que existe são universidades virtuais, que dão cursos inteiros de graduação. Surge, agora, o projeto de uma nova escola se programando para atender estudantes durante os doze primeiros anos do ensino tradicional, dando aulas só pela Internet. Será, Segundo consta, um atendimento gradativo, iniciando-se com ingressantes do jardim da infância, indo até o segundo ano do ensino fundamental, até chegar aos doze anos de aprendizagem, sem que o aluno freqüente uma sala de aula, estudando apenas em casa.

No Brasil, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) impõe limite ao ensino pela Internet. Estabelece que o ensino fundamental seja obrigatoriamente presencial. A escola virtual, com seu ensino a distância, é prevista em lei apenas como complementação da aprendizagem ou em situações de emergência.

Recentemente, o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, anunciou um curso a distância para a formação de professores dos primeiros anos do ensino fundamental e um curso específico para professores alfabetizadores.

Há, entre nós, experiências de ensino a distância nos níveis da educação básica, em situações-limite, como no caso do sertão nordestino. Usamos o rádio e a TV e a Internet para vencer barreiras geográficas. Com o processo de universalização do ensino fundamental, em grau adiantado, já se considera a educação a distância não tão importante como elemento de inclusão; ganha, agora, status de inovação.

Há uma certa desinformação sobre formas alternativas de educação, nas quais se incluem a educação a distância. Há, também, um certo preconceito, no mercado de trabalho, sobre o profissional preparado em ensino a distância. O mercado não quer só garantia do certificado, quer garantia da avaliação, tanto do aluno, quanto do curso. Quer uma boa avaliação que resulte em profissionais competentes. A avaliação deve, pois, ser um ponto forte, aperfeiçoar sua forma, não só para o aluno, como para o próprio curso.

Cursos a distância de pós-graduação, mestrado e doutorado, favorecidos pela faixa etária e pela formação anterior, têm-se revelado eficientes, proporcionando uma educação segura. Um curso de graduação a distância tem as mesmas exigências de um curso presencial: o aluno tem que comprovar o término do ensino médio, o curso tem que ser autorizado pelo Conselho Nacional da Educação e homologado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). É preciso que o aluno esteja atento, saber se está fazendo um curso autorizado.

O curso virtual para os graus de ensino mais avançados é visto como fator favorável, mas para crianças e adolescentes é encarado com reservas. Afinal, educar não significa apenas ministrar conhecimentos; significa abraçar um processo bem mais amplo, integral, onde entram atitudes e comportamentos. Surge, ainda, o fator motivação, a dificuldade de esse ensino manter o interesse das crianças e também ele não contribui para criar nos estudantes uma disciplina de aprendizado.

No  processo  educacional,  faz-se  necessário  garantir  uma  interação  professor-aluno, garantir a troca, o diálogo, transmitir valores e princípios. A escola tradicional incentiva e desenvolve a socialização – alunos convivendo com seus pares – favorece as relações interpessoais.

Mesmo que a escola on-line estabeleça mecanismos didáticos que permitam oferecer uma educação integral à criança, mesmo que crie ferramentas que garantam a interatividade, ainda fica faltando o elemento humano, como convivência, como reforço aos procedimentos, que é indispensável ao crescimento pessoal.

A escola na Internet, para alcançar objetivos, precisa oferecer um monitoramento constante, não ser confundida com auto-aprendizagem. Admitem os educadores de que a escola virtual para crianças e adolescentes não tem como substituir, em qualidade de formação, o ensino presencial, nos moldes da escola tradicional. Por mais que apresente excelentes currículos, é uma educação confinada ao campo da transmissão da informação, tendo dificuldade na abrangência integral da personalidade, na perspectiva de uma educação holística.

É preciso estar atento aos modismos. Hoje, por exemplo, a procura por escolas que ofereçam ensino em período integral vem crescendo e muito. São escolas que oferecem currículo escolar pela manhã e aulas de inglês, natação, balé e até esgrima à tarde. Essas escolas são procuradas por pais abonados, que trabalham fora e preferem não deixar os filhos em casa com empregados.

A prerrogativa pode ser válida, mas a escola em período integral traz vantagem à personalidade do educando? Pedagogos há que opinam desfavoravelmente à escola em período integral; consideram-na prejudicial à formação do aluno. “A criança precisa circular por vários espaços e conhecer novos amiguinhos para saber lidar com a diversidade”. É fundamental que ela fique, também, em casa, onde tem seus brinquedos e a rotina da família. Não é o período integral que vai garantir uma maior aprendizagem, porque a criança também aprende muito em contato com amigos fora do espaço escolar.

Na devida proporção, essas constatações valem para as escolas virtuais.


* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2001)

A ESCOLA INCLUSIVA

Izabel Sadalla Grispino *

A política oficial, já há algum tempo, desde 1996, prevê a inclusão dos portadores de deficiência, na rede regular de ensino. Contudo, em agosto de 2001, o ministro Paulo Renato Souza, regulamentando a Lei de Diretrizes para a Educação Especial, assinou resolução, pela qual as escolas públicas do País deverão atender estudantes com necessidades especiais.

Infelizmente, essa é mais uma mudança, na estrutura de ensino, imposta a uma rede pública desaparelhada, despreparada para recebê-la. É um “Deus nos acuda”, uma perspectiva nada animadora, conforme já se constata em avaliações. A falta de informações ou o despreparo para lidar com a educação inclusiva faz com que os próprios professores, inconscientemente, discriminem os alunos. Isolam-nos, não os motivam, acabando por marginalizá-los, no processo de ensino. Professores que deixam os alunos com deficiência visual acentuada, ou cegos, sentados ou bem na frente da classe ou bem no fundo, na intenção de protegê-los, e acabam por excluí-los do convívio social da classe. Professores que, inadvertidamente, citam, conforme relato de pesquisas, o aluno deficiente como exemplo e que acaba por diminuí-lo perante os colegas, dizendo: “Se até ele consegue, vocês podem conseguir também”.

Para que essa educação venha obter sucesso, é preciso dar estrutura de aprendizagem. É preciso que seja uma inclusão responsável para não comprometer o avanço dos alunos portadores de deficiência. É importante treinar os professores, produzir material de apoio, principalmente para portadores de deficiências visuais e auditivas, assim como adaptações de títulos didáticos para o sistema braile. As escolas devem possuir as chamadas  salas de recursos, equipadas, para facilitar a aprendizagem. Possuir professor de braile, acontecendo, por vezes, ter a sala, mas não o professor.

O que se nota, na maioria das escolas da rede pública, é ausência de infra-estrutura. Ausência de instalações especializadas, de rampas, carteiras anatômicas e, principalmente, faltam professores capacitados para lidar com o aluno deficiente.

Uma outra barreira a se vencer, em relação aos alunos portadores de deficiência, é o preconceito. Preconceito da sociedade, da escola, dos pais e até mesmo dos professores. Quando o processo de ensino da educação inclusiva é bem conduzido, administrado por professores competentes, habilitados para a área, ele consegue resultados animadores. Consegue formar indivíduos ajustados, produtivos, capacitados para exercerem tarefas que vão desde as mais simples às mais complexas. A sua inserção, em salas regulares, ajuda-os a vencer, a se integrar melhor na sociedade.

O que mais se necessita, para o sucesso da educação inclusiva, é o apoio a ser dado ao professor, à sua capacitação. Permanecendo, apenas, em instituições especializadas, os alunos deficientes acabam perdendo o convívio social, sem saber como lidar com as pessoas em sociedade. Instituições que só atendem alunos deficientes, adotam, costumeiramente, métodos “mecanicistas”, que tendem a nivelar as crianças. Na inclusão, adota-se uma linha alternativa e mais democrática de ensino. Falta, sobretudo, à rede pública aprender a desenvolver projetos que abram oportunidades educacionais adequadas a essas crianças.

A Educação Inclusiva surgiu na Europa na década de 1950 e, hoje, já é uma realidade. Segundo dados estatísticos, a rede estadual paulista atendeu, no ano de 2001, 19.215 alunos com necessidades especiais em salas regulares, de um total de 6,1 milhões de estudantes. Das 5.580 escolas, apenas 695 praticam a inclusão. Mais de 15.000 alunos são assistidos por instituições especializadas, por causa do alto grau de deficiência.

Neste particular, ressalta-se a atuação das “Associações dos Pais e Amigos dos Excepcionais” (Apaes),com seu atendimento primoroso. Fui supervisora de ensino de algumas Apaes e todas elas primavam pela competência, pelo devotamento aos alunos.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, apenas, 2,2% dos brasileiros com deficiências físicas e mentais recebem atendimento educacional. Dentre os 17 milhões, só 374 mil são atendidos pela rede pública ou por instituições privadas, em parceria com o governo federal.

Algumas escolas particulares de ensino regular têm projetos bem sucedidos de inclusão de estudantes especiais. Promovem orientação pedagógica específica, resultando em trabalho diferenciado. São escolas que, em atenção às diferenças e às necessidades dos  alunos, mantêm em classe, no máximo, 15 alunos, permitindo ao professor atendimento individual, acompanhar de perto as dificuldades de cada um, colocando somente um ou dois alunos especiais por classe. Escolas há que adotam, como método estimulador da afetividade dos alunos, a presença de animais na escola: pôneis, cabritos, ovelhas, coelhos, tartarugas, patos e outros. Os animais favorecem a integração entre os alunos.

Há escolas que oferecem atividades de inclusão social. Dão cursos de Preparação e Qualificação Profissional, em que os alunos são encaminhados para o mercado de trabalho. Ensinam o ofício de padeiro, confeiteiro, de atendimento ao público, de auxiliar de escritório, de ajudante de cozinha, entre outros. Para a inserção da mão-de-obra dos portadores de deficiência, no mercado de trabalho, há muito preconceito e desinformação. O preconceito é, ainda, a maior barreira, na colocação de pessoas especiais, no trabalho.

Empresas que empregam portadores de deficiência dizem dar a eles tratamento igual e as responsabilidades são cobradas como de qualquer outro empregado, sem paternalismo e que a correspondência é muito boa. Eles são aproveitados em livrarias, supermercados, lanchonetes, videolocadoras, doceiras, escritórios, especialmente, de advocacia.

A escola de ensino regular, ao receber o aluno portador de deficiência, ao trabalhar o preconceito, ela está difundindo o sentido de igualdade de oportunidades a esse aluno; está desenvolvendo, entre os alunos, a formação humanística e, sob esse prisma, a integração virá bem mais forte e mais consistente.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2002)

ALUNO SUPERDOTADO

Izabel Sadalla Grispino *

A escola nem sempre está preparada para exercer bem suas amplas funções. Na semana passada, falei da dificuldade no atendimento à criança hiperativa.

Um outro aspecto, que vem despertando a consciência educacional, é o aluno superdotado. Para o professor perceber as características da superdotação não é tarefa das mais fáceis. Muitos não conseguem identificar esse tipo de estudante, que, por aprender com mais rapidez que o colega, se mostra desinteressado em sala de aula. Geralmente, são alunos ativos, que perguntam muito e professores confundem com déficit de atenção e hiperatividade.

Não são só os alunos deficientes que precisam de atenção especial. É preciso estender o olhar para aqueles cujo potencial está acima da média. Para tanto, os professores precisam passar por cursos que os capacitem a detectar alunos talentosos.

Diferentemente do que sempre se pensou, superdotados não são apenas alunos que tiram notas altas em todas as matérias, são alunos com altas habilidades em diferentes áreas do saber, como exatas, artes ou esportes. Um estudante pode ser ruim em matemática e ser superdotado em música, onde revela talento.

Para aprender a detectar talentos, os professores precisam estudar conceitos de inteligência, precocidade, talento e aprender a identificar as características desses alunos e a trabalhar com eles e suas famílias. “Um talento não identificado e não estimulado é um talento desperdiçado”, dizem os especialistas.

A identificação de uma criança superdotada é normalmente feita por entrevistas com a família, testes de Q.I., inteligência emocional e aptidões. A superdotação tem origem genética, mas sua característica só se desenvolve se for estimulada; se não for incentivada ela pode se perder.

Os superdotados passarão, nas escolas, por outro tipo de ensino, por aulas adicionais e suas famílias orientadas para entender o processo e colaborar com a aprendizagem. As aulas serão dadas em salas especiais, sempre em horário extra-escolar. Elas servirão para aprofundar os estudos e estimular as aptidões superiores.

É preciso, contudo não confundir superdotação com genialidade. O aluno pode ser brilhante numa única área e não ir tão bem em outras. Um gênio é sempre um superdotado, mas nem todo superdotado é um gênio. As características do superdotado são identificadas em escalas de observação de comportamento, capazes de um excelente desenvolvimento das altas habilidades desse aluno.

Foram criados pelo MEC, em 2006, Núcleos de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação (NAAH/S), que são centros de apoio a superdotados em escolas públicas.

* Supervisora de ensino aposentada.              
(Publicado em março/2007)

LIBERTAR A CRIANÇA PELA ARTE

Izabel Sadalla Grispino *

O professor Divo Marino, escritor eclético, versátil, de variada cultura, presenteou-me, recentemente, com dois livros de sua autoria. Um, da área educacional, cujo título fala por si, “Libertar a criança pela arte”, outro, de cunho bem diferente: “Orquídeas para Lincoln Gordon” (depoimento sobre o golpe de 64).

Neste livro, Divo, com comovida surpresa para mim, premiou-me com essa dedicatória: “Para a colega de Magistério e do jornal “A Cidade”, professora Izabel Sadalla Grispino, ofereço o “Orquídeas para Lincoln Gordon”, como homenagem pelo seu trabalho de educadora”. Uma homenagem vinda de Divo Marino é ponto acrescido na realização profissional!

Na obra “Libertar a criança pela arte”, Divo mostra-se um grande estudioso, um pesquisador penetrante, um especialista em arte. O livro traz um embasamento teórico e prático de alto alcance para educadores e para todos os que se interessam por arte. Preconiza a arte livre, espontânea, capaz de revelar a criança, a arte como meio de expressão, como meio para a criança exteriorizar suas idéias, seus sentimentos, suas percepções.

O livro foi lançado em 1960 e os conceitos sobre arte, sobre sua metodologia de trabalho, sobre a noção de criança, que transmite, são absolutamente atuais. Lendo o livro pude sentir o quanto a preocupação da escola, no encaminhamento do ensino da arte, encontra respostas no livro. Nessa época havia  já todo um movimento de educadores – não podendo esquecer Anísio Teixeira, um dos que se manifestaram com louvor ao livro – tentando implantar as idéias da escola nova, com seus princípios psicopedagógicos, que culminaram na escola de hoje. Contudo, a passagem da metodologia renovada, aos educadores, deu-se de maneira lenta e parcial. Mas, Divo absorveu-a em sua integralidade e com competência passou orientações às escolas.

Ao publicar o livro “Libertar a criança pela arte”, ele foi considerado, pela crítica especializada, um pioneiro no gênero, no País, um vanguardista, um criador de mentalidade nova na educação da arte da criança.

O livro trata da arte, em seus variados aspectos e conceitos, em riqueza de informação. Deixa claro a importância do desenho espontâneo, da importância de se cultivá-lo como forma de expressão da personalidade e como colaborador da socialização. Vivemos, presentemente, uma crise de expressão, as crianças, os jovens se expressando mal, tendo dificuldade de liberar os seus sentimentos e a arte, iniciada já na infância, o desenho infantil, são mecanismos eficazes para a criação de perspectivas, de formas novas e diferentes de expressão, de comunicação. O autor estuda a arte desde as suas origens, sua história, sua evolução através dos tempos, sempre no enfoque da arte infantil. Analisa-a sobe a ótica da psicologia, da metodologia libertadora, reveladora de aptidões, de potencialidades. No livro, quando Divo trata da escolha da cor, da busca da harmonia, ele assim se expressa: “As preferências para determinadas cores, tendo origem no subconsciente, nas associações psicológicas, nos temperamentos, não têm relação com o problema estético das cores”. Essas preferências revelam o indivíduo.

Deparamo-nos no livro com o conceito de criança concebido através dos tempos. A criança era tida como um adulto em miniatura: “É recente, na chamada civilização, a valorização da criança, como ser diferente do adulto”. “A criança tem necessidades suas, próprias e uma mentalidade relacionada a tais necessidades “ (Rousseau). Explana as fases específicas do desenvolvimento mental da criança.

A arte infantil demorou a ser entendida pelo adulto, que via nela uma atividade menor, uma atividade nula. O importante, na conceituação da época, era estudar apenas as matérias básicas do currículo, como geografia, história, matemática e letras. Nas escolas, os professores obrigavam as crianças a copiarem os desenhos, roubando-

lhes a criatividade, o estímulo à iniciativa, à livre expressão. Ainda hoje encontramos professores que se regem por este comportamento! “A arte, ensina-nos o livro, na idade da pedra, era exercício espontâneo de uma faculdade inata. A arte, na criança, também é prática livre, intuitiva, de uma disposição existente de maneira inata”. A arte

 

infantil é relacionada à arte dos primitivos. “As crianças não apresentam disposições para o desenho como cópia do natural. Não a reproduzem, criam a obra artística, baseadas na realidade mental, não no realismo visível, concreto, extraído da própria natureza”.

O livro mostra as influências que ocorrem sobre a arte e traça pontos de ligação entre sexualidade e desenho infantil.

A valorização estética e psicológica do desenho infantil veio bem mais tarde, no século XIX, com o professor Cizek, de Viena, relata-nos o autor. A partir de então, o educador passou a entender a relação existente entre  a linguagem e o desenho, a entender que a criança prefere o desenho da imaginação ao desenho natural. A escola passou a reconhecer a prática da arte infantil como um processo de libertação da estética, e da auto-expressão da criança.

Passeando pelo livro, encontramos citações interessantes, quando, por exemplo, no capítulo sobre a “Origem das artes”, ele cita Darwin, que condiciona seu aparecimento ao instinto sexual, “relacionando a fecundação dos vegetais ao belo colorido das flores”, embora, essa concepção seja refutada pelos biologistas, que dizem: “O que atrai o inseto não é a beleza da flor; é o açúcar da mesma. Entre os animais, a força física é mais importante que os ornamentos”.

O livro é repleto de curiosidades, um denso tratado sobre arte, espaço onde o professor, o especialista em arte, encontrarão rico subsídio à sua ilustração.

O trecho final do livro, escolhido por Divo, reproduz o espírito da obra: cita Cizek, quando pede ao professor que deixe as crianças aprenderem por si mesmas. “Eu suplico aos professores que livrem as escolas do clássico “mestre-escola” e que estas sejam jardins, onde cresçam as flores como o jardim de Deus. O professor deve cobrir com asas seus discípulos, como um espírito invisível, e terá de estar sempre disposto a dar ânimos, mas nunca a forçar ou exercer pressão”.

Cizek afirmava, fala-nos Divo, que os melhores trabalhos infantis foram, na maioria inconteste das vezes, encontrados nas “classes” dos professores não especializados em estética, mas que tinham na alma o amor intenso às crianças”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2002)

REALIDADE CONFLITANTE

Izabel Sadalla Grispino *

Constata-se em nosso País o estabelecimento de conexões do crime aqui praticado com o crime organizado internacional, deixando a sociedade nas mãos de bandidos de alta periculosidade.

Os descuidos políticos na área da segurança estão sendo dolorosos para o País. Poderes advindos do crime vão se firmando no mundo todo, com forte representatividade no Brasil. São as sombras do mal rondando a terra. Prendem-se à alça da ganância, do terror, da destruição, transformam-se num mercado sumamente lucrativo.

Vive-se no preceito de que vale mais quem tem mais, criando nessa inversão de valores estímulos a contravenção. O gérmen do crime está muito nesses valores invertidos, subvertidos, antiéticos e, sob esse prisma, o seqüestro atua numa sociedade onde os poderes se encontram.

Há, segundo consta, vários esquemas no País visando criar uma grade de proteção contra o crime. Porém, ao que tudo indica, as causas mais profundas, mais reveladoras da violência são de caráter social, como a miséria, o desemprego, a concentração de renda, cada vez maior e sem condições de fomentar o crescimento dessa renda em favor da população mais pobre.

O capitalismo selvagem, o mundo do grosso dinheiro, vêm trazendo comportamentos agregados, com um capital girando em torno de si mesmo e produzindo um consumismo exagerado. Paralelo a esse regime, surge o estabelecimento de poderosas organizações, possuidoras de um portentoso aparelho criminal, enfrentando com grande desigualdade e grande vantagem o desestruturado e arcaico aparelho policial do País.

A descrença é geral, a proteção, praticamente, inexistente ao cidadão. A epidemia de violência demonstra, claramente, que os bandidos estão soltos, dão pouca importância aos encarregados de manter as leis. O que tudo indica é que o crime organizado tem muito dinheiro para alimentar essa negra situação.

Diante de tanto desalento, a imagem da educação surge como o grande lenitivo, o grande socorro. A passagem, dos jovens, dos valores morais, éticos, a formação humanística, a visão de felicidade que advém de uma vida simples, solidária, o apego à religiosidade, são conceitos que, em seqüência, trarão a esperança da reversão.

Elevar o nível de ensino das escolas públicas, aparelhando-as condignamente, ministrando um ensino de qualidade, resgatam compromissos com a sociedade, no sentido da exclusão dos despossuídos Criar frentes de trabalho, dar condições de vida digna aos necessitados, são saídas que, sem dúvida, trarão o equilíbrio social tão necessário. Creio serem esses os melhores caminhos a trilhar, começando já, sem perda de tempo, para que, a médio e a longo prazo, possamos sair dessa assustadora realidade social.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2006)

ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO DO PAÍS

Izabel Sadalla Grispino *

Vários setores da economia começam a preocupar-se com o baixo nível de ensino dos estudantes da escola pública. Sentem o impacto desse baixo nível na economia e partem para diferentes iniciativas. Empresários programam-se para melhorar o ensino, unem esforços para elevar o Índice de Desenvolvimento Humano do País.

Grandes empresas decidiram investir juntas no problema da má qualidade da educação pública. Em vez de projetos isolados de responsabilidade social, o grupo Empresários pelo Desenvolvimento Humano (EDH), em programas conjuntos, investe na educação. “Percebemos que soluções de varejo não funcionam mais; precisamos de ações de atacado”, diz o presidente da Philips, Marcos Magalhães.

O grupo Empresários pelo Desenvolvimento Humano é formado por cerca de 50 empresas multinacionais, como Credicard, Nokia, Nestlé, Oracle, e nacionais, como Itaú Seguros, Unibanco e Estrela. O grupo, ao arrebanhar forças para melhorar o Índice de Desenvolvimento Humano do País, percebeu que o objetivo só seria alcançado por meio da educação de qualidade e colocou, como alvo de atuação, o ensino fundamental, de 1.ª a 8.ª séries. Seus projetos atuais envolvem a alfabetização de crianças que cursam o ensino fundamental em séries mais avançadas e a aceleração do processo de aprendizagem para alunos em defasagem idade/série. Utilizam a metodologia e a tecnologia do Instituto Ayrton Senna.

O Instituto Ayrton Senna desenvolveu o primeiro projeto de Empresários pelo Desenvolvimento Humano (EDH), combatendo igualmente o problema do analfabetismo. Capacitou cinco mil professores da própria rede de ensino do Estado e formou salas especiais em 48 municípios para alfabetização.

Os empresários preocupam-se, também, em garantir que haja mudanças estruturais no sistema. Não têm a intenção de montar projetos permanentes. A intenção do EDH é, ao capacitar professores, mudar a maneira de ensinar e melhorar a qualidade da educação. Tem, ainda, a intenção de que os programas se transformem em políticas públicas.

O Índice de Desenvolvimento Humano é baseado no cálculo de três indicadores: educação (taxas de alfabetização e matrícula), renda (PIB per capita) e longevidade. O Brasil é o 73.º no ranking mundial.

Um outro movimento em prol da educação, digno de louvor, é a preocupação da USP em ensinar professores de periferia. É uma medida que virá melhorar o acesso de alunos da rede pública à instituição pública. A maior parte dos alunos, oriundos do ensino médio de escolas públicas, consegue vagas apenas nos cursos menos concorridos, como letras, geografia, história ou matemática. A USP, comprometendo-se com o ensino médio público, querendo melhorar sua interação, montou um projeto para qualificar os professores das escolas estaduais. Assim, em vez de facilitar a prova do vestibular, melhora o ensino dos alunos que estão sendo barrados pelo vestibular.

A USP prepara para os professores cursos de especialização nas diversas áreas, de línguas a ciências. O foco do programa é a utilização de mídias interativas, como vídeo e teleconferências, que permitem capacitar o maior número de profissionais. Os professores inscritos não precisarão se deslocar da periferia da capital ou de sua localidade até a cidade universitária. Estúdios montados na Faculdade de Educação da USP geram vídeos para os centros onde estarão os professores.

Não será, contudo, um curso de educação a distância, porque professores e alunos de pós-graduação da USP acompanharão o trabalho nas escolas. O currículo dos cursos incluirá atividades culturais para toda especialização. O entendimento geral é de que não adianta ser um bom professor no abstrato. Ele precisa entender as características de sua escola, de seus alunos, de sua região, para ser um bom professor. Para tanto, a capacitação será centrada na própria escola e, preferencialmente, serão atendidos os locais onde os professores são considerados menos preparados.

As dificuldades dos docentes podem ser notadas nas avaliações aplicadas aos alunos pela Secretaria do Estado, o Saresp. Os dados mostram que as maiores dificuldades dos alunos estão nas áreas de matemática, ciências e língua portuguesa.

A USP tem os olhos voltados para a área social, cumprindo um papel de transformadora da sociedade, de ajuda aos carentes. Seu projeto é de capacitação de professores, que, fortalecendo o conhecimento, numa ação afirmativa, poderá enfraquecer o sistema de cotas, para dar oportunidades de igualdade a todos.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2004)

A MÚSICA COMO RECURSO DIDÁTICO NAS ESCOLAS

Izabel Sadalla Grispino *

Um acontecimento pessoal aproximou-me do coral Madrigal Revivis da USP/Ribeirão Preto. Sou autora, letra e música, do “Hino do Centenário da Igreja São Mateus”, Igreja-matriz de Guariba. O coral esteve presente à missa solene, realizada em comemoração ao centenário da Igreja. Entre outras peças, que abrilhantaram a apresentação, o coral cantou, com extraordinária beleza, o Hino, em quatro vozes, num arranjo do talentoso José Gustavo Julião de Camargo, integrante do coral.

Conheci, na ocasião os componentes do coral, a figura exponencial de seu diretor artístico e regente titular, o maestro Sérgio Alberto de Oliveira, uma pessoa que traz a música na alma. O coral como um todo falou-me; cativou-me pelo profissionalismo, pela arte, pela técnica, pela afetividade. Constatei a presença de jovens formandos, lutando pela afirmação no mercado de trabalho, mas colocando em peso de igualdade o ideal, o deleite pela música. O coral é um misto de pessoas jovens e de mais idade, prevalecendo o aspecto jovem. Jovens que são exemplo, que são alento, que batalham para difundir o belo, difundir o bem, povoar o mundo de sentimentos de paz, de solidariedade que a música inspira, que propiciam, com suas lindas vozes, o cultivo da espiritualidade, espalhando cultura humanística.

O Coral Madrigal Revivis, do campus, em 20 de novembro de 1999, venceu o Mapa Cultural Paulista, o mais importante concurso do Estado. Foi o primeiro coral da região a receber o prêmio, ofertado anualmente pela Secretaria Estadual da Cultura, em que participam centenas de cidades. Ele é, sem dúvida, um patrimônio cultural que orgulha a cidade de Ribeirão Preto.

A música vem, com força, sendo redescoberta em seus variados ângulos, exaltada como portadora de equilíbrio. Nos hospitais é cada vez mais recomendada, como terapia aos doentes. A música acalma, suaviza a dor, incentiva a capacidade de sonhar, abre as portas da esperança. Ela se encarrega de levantar o astral do doente, encorajando-o à recuperação.

Nas escolas, um fundo musical nas salas de aula, em determinadas situações – com  peças clássicas, suaves, peças inesquecíveis de Mozart, Schubert, Chopin, Beethoven, Mendelssohn, Handel, Villa-Lobos entre outros – educa para a música, sugere, desperta o sonho, a criatividade, a imaginação, trabalha a alma, ajuda na concentração, na elaboração de textos e de poemas. A poesia é um outro valioso recurso didático de que a escola deve se apropriar. Enseja ao aluno externar seus sentimentos, expor sua visão de mundo.

Já há experiências pedagógicas concretas da utilização da música, em formação de corais, para a recuperação de alunos rebeldes, dispersos, problemáticos. Os alunos se envolvem na atividade, se entusiasmam pelo protagonismo nas apresentações, quer na escola, quer na comunidade e passam a ser mais responsáveis. O prazer da música contamina e traz o prazer de estudar; muda o ambiente e a aprendizagem melhora gradativamente.

A música na escola não se constitui mais em uma disciplina específica como era antigamente, mas há várias maneiras de introduzi-la no currículo, de abrir-lhe um espaço, em trabalhos individuais ou coletivos, isolados ou interdisciplinares. A escola deve, inclusive,  voltar, através dela, a desenvolver o sentimento cívico, o amor à pátria, fazendo os alunos cantarem os hinos pátrios.

A música, segundo recentes descobertas, não é privilégio do gênero humano. A revista Science publicou resultado de pesquisas assinalando de que no reino animal o gosto pela música existe há dezenas de milhões de anos. Há um instinto musical que antecedeu, em muito, a raça humana e pode estar bastante difundido na natureza, diz a revista.

A biomusicologia estuda o papel da música em todas as coisas vivas. Mostra não ser privilégio dos seres humanos a habilidade de compor música; um certo número de animais produz música e não apenas sons e trinados esparsos ou cacofonia. Uma análise de melodias entoadas por pássaros e baleias corcundas – também chamadas jubartes – mostrou que esses animais convergem para as mesmas opções acústicas e estéticas e seguem as mesmas leis de composição melódica proferidas pelos humanos. Dizem os pesquisadores que as jubartes machos usam ritmos como os encontrados na música humana e frases musicais de duração similar. As baleias têm um alcance vocal de no mínimo sete oitavas, mas tendem a cantar cadenciadamente, com intervalos musicais, ao invés de passar rapidamente de uma oitava para outra, ou seja, cantam dentro de uma clave. Outro fato impressionante é que as músicas das jubartes têm refrões e rimas.

Os pássaros também compõem músicas com as mesmas notas, variações rítmicas, padrões harmônicos e relações de tons encontrados em composições humanas. O tordo-eremita canta na chamada escala pentatônica, na qual as oitavas são divididas em cinco notas. A corruíra-do-brejo da Califórnia, canta até 120 temas, em uma única “sessão”, com cada tema repetido por seu vizinho imediato, numa espécie de diálogo sonoro.

Alguns pássaros usam até instrumentos, escrevem os pesquisadores. A cacatua da Austrália escolhe um tronco de árvore com determinada ressonância e em seguida arranca um de seus galhinhos para usar como baqueta.

Se há um instinto musical, se a música é inerente ao ser humano, à natureza, ela deve se constituir em força propulsora de sublimes realizações.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2001)

AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM: ASPECTOS DO DESENVOLVIMENTO

Izabel Sadalla Grispino *

Na semana passada abordei, sobre o processo de Avaliação da Aprendizagem, o item “Conceituação”. Hoje, teremos, também em forma de versos, o segundo item anunciado, “Aspectos do Desenvolvimento”.

Na conceituação, pudemos perceber que a avaliação é um processo contínuo de pesquisas, que visa estudar e interpretar os conhecimentos, habilidades e atitudes dos alunos, tendo em vista mudanças esperadas no comportamento, propostas nos objetivos da escola, a fim de que haja condições de decidir sobre alternativas no planejamento do trabalho do professor, da escola como um todo. Propõe-se, então, indagar o que avaliar? O que deve ser avaliado no aluno?

Não são só os aspectos cognitivos, as habilidades lingüísticas ou matemáticas, que devem ser avaliados, mas, também, os diferentes valores, os diferentes comportamentos, os amplos aspectos do desenvolvimento do aluno. A avaliação abrange as inteligências múltiplas, afloradas nas potencialidades do aluno. O professor, ao dar oportunidade a que os alunos se expressem, perceberá, em suas manifestações, as diversas habilidades – corporal, espacial, naturalista, interpessoal – que não podem deixar de ser acolhidas, consideradas.

O objetivo da escola vai além da transmissão do conhecimento, por isso outras áreas do comportamento devem ser avaliadas para que haja compreensão dos fatores que impedem o progresso do aluno nos estudos.

ASPECTOS DO DESENVOLVIMENTO

“A escola tem fins mais complexos,            Desenvolve amplas capacidades,
Que a construção do conhecimento,            O criar, o inventar, variado engenho,   
Avalia, em conteúdos anexos,                        No mundo atual, versatilidades
Aspectos do desenvolvimento.                       Se igualam ao intelectual empenho.            
Observa o aluno em aspectos amplos,        O mercado quer generalista,
O ligado ao físico-motor:                                  Saber eclético, articulado,  
Deficiências, visão, vários ângulos,              A época do régio especialista
Que influem no agente receptor.                   Ficou distante, hoje é passado.

Outro aspecto, o social-afetivo,                     A avaliação não é sempre igual,
Reflete a classe, a reação pessoal,              É usada em variada situação,
Liga-se ao aspecto cognitivo,                         Quanto mais prova sem ar formal,
Em entrelaçamento total.                                Mais rica será sua atuação.

Avalia tipos de aprendizagem,                       Ensino-aprendizagem contínuo
Às faculdades dá preferência,                       Requer avaliação permanente,
Promove ensino qualitativo,                           Objetivo claro, nada ambíguo,
Atenuando, assim, a repetência.                  Mestre e aluno em constante corrente.

Adota variados instrumentos,                       Padrões de rendimento aceitável
Lápis, papel, não são suficientes                 Eliminam discriminação,
Para avaliar desenvolvimentos,                   Teste com validade, confiável,
Com seus comportamentos reagentes.    Suaviza o ensino e evita evasão.

Ressalta aspectos qualitativos,                   Se o ensino-aprendizagem vai bem,
Habilidade e competência,                            O educando marcará vitória,
Insiste em métodos reflexivos,                    O professor se avalia também,
Trabalha atitudes com freqüência.              Louvor é dado à sua trajetória.”

 

* Supervisora de ensino aposentada           
(Publicado em agosto de 2000)

EDUCAÇÃO INFANTIL, PRIORIDADE EDUCACIONAL

Izabel Sadalla Grispino *

O Brasil é uma terra de contrastes; cresce desordenadamente. Frisante desigualdade entre o Sul, o Norte e o Nordeste, entre a opulência de poucos e a cruel, a extrema pobreza de muitos!

No Nordeste, a desnutrição infantil, largamente denunciada, alcança considerável parcela dessa população e vem gerando o nanismo. Crianças mal nutridas, sofrivelmente alimentadas, acabam degenerando-se, sucumbindo-se ou tornando-se nanicas. Perdas de vitaminas, na alimentação das primeiras idades, não se repõem jamais, dizem os especialistas do assunto. De nada adianta alimentá-las bem, depois dessa fase; o que se perdeu não se recupera mais. A criança atingida pelo nanismo está prejudicada de modo irreversível.

Transferindo-se essas perdas para a área educacional, do mesmo modo, a estimulação precoce perdida da primeira infância, desassistida da pedagogia, acarreta deficiências de aprendizagem, dificilmente superadas. O nosso País privilegia o ensino fundamental, e descuida-se da educação infantil, fase mais importante do desenvolvimento da criança, comprometendo o futuro de toda uma geração.  As vagas preenchidas nas creches e nas pré-escolas não são consideradas, pelo governo, para efeito de cálculo e repasse do Fundef (Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental).

A ciência, em sua descoberta, mostrou que o cérebro é muito mais elástico do que se imaginava e tem sua capacidade definida nos primeiros anos de vida, fase em que a quantidade de sinapses (conexões neurais) depende de estímulos, do trato pedagógico recebido.

O cientista Carl Seagan, já falecido, pôs em xeque o modelo educacional adotado no Brasil pela negligência com que se atua, em relação às nossas crianças. Lançou, à reflexão, o desafio da necessidade da abrangência da educação infantil. Disse ele: “A principal revolução das primeiras décadas do novo século não estará no uso da informática, mas, sim, na educação das nossas crianças de muito pequena idade”.

No meu artigo sobre o exame vestibular eu dizia: O vestibular se constitui na última etapa de uma seleção que começou bem antes, na aprendizagem das primeiras letras. Seu afunilamento é preenchido por alunos que receberam a melhor educação, que freqüentaram a melhor escola. Ele é um termostato de todo o conhecimento adquirido anteriormente. Nesse contexto, escola particular tornou-se, praticamente, “pré-requisito” para se entrar em uma universidade pública e, esta a melhor do País -- a que oferece melhores empregos no mercado de trabalho – fica reservada aos ricos.

Essa discrepância vem de longa caminhada, quando poucos têm o privilégio de freqüentar o ensino infantil. É aí, nessa fase inicial de estimulação às primeiras aprendizagens, que se inicia a grande defasagem cultural das classes menos favorecidas. É aí, nessa faixa etária, que as crianças de famílias de baixa renda ficam, costumeiramente, de fora.  A ausência desse ensino, pelas crianças pobres, completa o ciclo da desigualdade escolar dessas crianças, futuros adultos, futuros concorrentes à marginalização profissional.

Felizmente, a educação desperta para a importância da pré-escola. Iniciar a aprendizagem formal de uma criança pelo ensino fundamental, pulando a pré-escola, é o mesmo que construir uma casa sem a consistência de um bom alicerce.

É preciso, pois, lutar pela educação infantil e pelo educador infantil, defendendo políticas públicas que priorizem esta etapa da educação. A nossa rede pública atende, hoje, apenas 9% da população  de zero a três anos nas creches e 48% das crianças de idade entre 4 a 6 anos, nas escolas de educação infantil.

A desatenção ao desenvolvimento integral das crianças na primeira infância responde pelas significativas taxas de evasão e repetência na escolaridade básica. As creches não se caracterizam mais como reservatório de crianças. Hoje, elas têm um conteúdo educacional, critérios curriculares, transformam o contato das crianças com os educadores em relações de aprendizado. Desenvolvem na criança os aspectos físicos, cognitivos, afetivos, éticos, as relações interpessoais e sociais.

A educação começa no berço e os primeiros anos têm peso fundamental para o resto da vida escolar. A educação que a pessoa teve no “período de molde” (de 1 a 7 anos) vai influenciar todo o seu comportamento futuro. O tratamento pedagógico de uma criança não é igual ao de um adolescente, que, por sua vez, é diferente do de um adulto.

A criança precisa ser atendida nos próprios interesses, sem imposição, para que libere o seu potencial, desenvolva a auto-educação, a autonomia na aprendizagem. Com a educação infantil, iniciam-se as fases específicas do desenvolvimento mental, que começam com a mais tenra idade e vão até a adolescência. Aos 14 anos, a criança está madura para raciocinar hipoteticamente – fase operatória formal ou hipotética – quando se completa, segundo Jean Piaget, o processo intelectual da criança.

Ao deixar de freqüentar a pré-escola, a criança perde, em estimulação e correspondente aprendizagem, as fases: sensório-motor (ou motora), pré-operatória e a iniciante operatória concreta,  produzindo  considerável  lacuna no desenvolvimento de sua inteligência e de sua formação integral.

A criança é um ser que interage com a realidade, formando, nessa interação, suas estruturas mentais e, se conduzida pedagogicamente, terá um desenvolvimento bem mais significativo. O potencial da criança está relacionado à estimulação ambiental e o encontro desses dois fatores realiza-se na pré-escola,  conferindo a esta um papel primordial.

* Supervisora de ensino aposentada.          
(Publicado em julho/2001)

O DIFÍCIL EQUILÍBRIO DA BALANÇA

Izabel Sadalla Grispino *

Pobre Brasil, País em desenvolvimento. Sem o respaldo da boa educação, deste setor estratégico do desenvolvimento, continuará como País de terceiro mundo, ainda por muito tempo!

O nosso sistema educacional evolui sofrivelmente, não oferece, em todos os graus de ensino, uma educação com um mínimo de qualidade. Não está conseguindo formar mão-de-obra qualificada para o mercado interno e externo, enfraquecendo-se à competição globalizada.

A falta de prioridade à área educacional, que vem de longa data, foi se acentuando no tempo, chegando, hoje, a possuir um déficit de aproximadamente 250 mil professores no ensino médio e ensino fundamental de 5.ª à 8.ª série. Situação caótica, denominada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) de apagão educacional.

Esses dados foram fornecidos, recentemente, pelo relatório Escassez de Professores no Ensino Médio: Soluções Estruturais e Emergenciais, elaborado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE). Faltam professores graduados em Licenciaturas de Física, Química, Biologia, Matemática e outras, professores que precisariam ser contratados em caráter emergencial. A situação se agrava nas disciplinas Física e Química. Apenas 9% de professores de Física, que atuam nas escolas públicas brasileiras, têm formação específica na área.

Como conseguir esses professores? Pela linha da competência, da boa formação não é fácil, pois a carreira do magistério não é, hoje, nada atraente.

Com o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), é provável que haja a universalização do acesso ao ensino médio, que será esbarrado pela falta de oferta de professores. O número diminuto de professores não atenderá a crescente demanda ao curso e esse déficit é realidade em todos os Estados do País.

Professores de outras áreas, já há algum tempo, vêm assumindo as turmas afetadas pela ausência de professores especialistas na matéria, especialmente áreas de Física, Química e Biologia. Eles são, contudo, apenas “tapa-buracos”, não têm formação para suprir o conteúdo das disciplinas afetadas. O comum é o aluno terminar o curso analfabeto na área científica.

O que se ressalta na atualidade, e mesmo em décadas atrás, é a preocupação dos governantes mostrar estatísticas como troféu. Na pressa de aparecer em números, descuidam-se dos métodos educacionais e insistem em programas contingenciais. É quando o tiro sai pela culatra.

Já se diz que é preciso reinventar o professor. Este continua ministrando aulas nos mesmos moldes da linha tradicional, usando programas de ensino idênticos, não importa em que região do País. Programas distanciados das localidades, das realidades da vida do aluno.

Continua mantendo um sistema, em que o professor fala, transmite o conteúdo, e o aluno responde da mesma maneira, seja no Amazonas, no Pará, ou no sul do País. Em nome de uma formação básica comum, caminha-se para um currículo único, divorciado de contexto da escola, ao invés da adoção de currículos abrangentes e precisos.

Em situações problemáticas como o apagão de professores, criam-se medidas emergenciais, que são apenas paliativos, não sustentando, de forma alguma, a posição desejável para a boa escola.

Negligenciaram o professor. Ouve-se, comumente, dizer que lecionar para crianças e adolescentes se proletarizou.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em agosto/2007)

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em agosto/2007)

NOVAS EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS

Izabel Sadalla Grispino *

Atualização constante, reciclagem de conhecimentos, experiências educacionais em sintonia com as mudanças mundiais, são pré-requisitos para uma segura atuação docente.

A educação básica tem se preocupado cada vez mais com a educação integral. Na educação infantil, fase da formação do caráter, o ambiente escolar é focado na educação. Garantem-se todos os direitos da criança, especialmente o de brincar. Brincando, ela vai aprendendo regras, noções de ordem, espaço. Torna-se mais independente, sabe escolher e é mais sociável.

Escolas há que vêm adotando novas propostas educacionais. Nelas só se ouve, praticamente, a voz dos alunos. Entendem que o professor não precisa levantar o tom de voz para falar a uma criança. Ela compreende o que se quer dizer quando se fala olhando diretamente nos olhos. Nessas escolas, apesar de bem pequenas, as crianças não andam em filas, não sentam em carteiras enfileiradas e não são obrigadas a desenvolver nenhuma atividade que não queiram. Primam pela individualidade e independência. Contudo, observa-se que as crianças respondem prontamente aos chamados, o que, geralmente, são convites para atividades agradáveis, programadas.

Os estímulos para a aprendizagem estão por toda a parte, desde as pinturas no chão, até as cestas de lixo. A criança vai adquirindo visão das coisas, de modo mais saudável, mais ordeira. Elas se encarregam de transmitir à família, aos pais, conceitos adquiridos na escola, como, por exemplo, costumam chamar atenção quando alguém joga papel na rua ou quando alguém fala palavrão. A criança é um grande veículo de educação na comunidade.

As escolas trabalham muito integradas com os pais. A pintura dos desenhos do chão é, por exemplo, mudada periodicamente e os pais oferecem-se para fazer retoques, assim como participam diretamente de outras atividades.

Ultimamente, vem-se notando que os pais estão ficando cada vez mais dependentes da escola. Eles delegam à escola parte da responsabilidade que são deles e o reflexo dessa transferência é o aumento da procura pelo ensino em período integral. O que parece é que eles dão excesso de liberdade aos filhos, necessitando, depois, de freios externos. Outros não sabem como lidar com certos problemas, como o das drogas e necessitam da ajuda da escola.

É preciso que os pais se conscientizem de que a escola tem um papel complementar na educação de seus filhos, embora faça parte de seu papel discutir sexo, drogas, cidadania, valores morais, respeito ao meio ambiente...

Uma pesquisa realizada pelo Sistema Anglo de Ensino, no fim de agosto do corrente ano, com pais de alunos matriculados em escolas de educação infantil, até em cursinhos do País todo, revela que os pais querem uma escola disciplinadora, que discuta todo tipo de assunto com seus filhos, em especial as drogas. O estudo foi realizado com 16 mil famílias de classes A e B que têm filhos em escolas particulares e mostra essa dependência dos pais às escolas, fato que os educadores e psicólogos já haviam constatado na prática.

Quando questionados, em três itens principais, sobre o que os levariam a mudar o filho da escola, a resposta, em ordem decrescente, foi: a) problemas com drogas (68,9%), b) o aumento das mensalidades (43,8%) e c) o pouco rigor na disciplina (32,4%). Sobre as características mais importantes que os levariam a escolher uma escola, os pais colocaram, em primeiro lugar, o bom ensino e os bons professores (74,1% das respostas), em segundo, um “método moderno” (50,4%) e, em seguida, a mensalidade adequada ao orçamento (35%). Segundo o Sieesp, a mensalidade média, na rede particular em São Paulo, gira em torno de R$ 500,00.

Os pais ao serem consultados sobre o que esperam da escola com relação às drogas, deram as seguintes respostas: 71,6%, orientação e campanhas de combate ao uso; 64,5%, fazer parcerias para programas de prevenção; 27,9%, repelir duramente e 3,4%, não deve tratar do assunto.

Uma outra séria questão diz respeito à orientação de prevenção, para crianças de 4 a 6 anos, à aids e a doenças sexualmente transmissíveis. Até pouco tempo, discutia-se a viabilidade de tal precocidade, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) já aplica este novo modelo no Canadá, na Holanda, na Dinamarca e em Cuba, como medida de proteção à saúde, desde a educação infantil.

No Brasil, há uma proposta nesse sentido, quando, pela primeira vez, ela está sendo discutida pelos Ministérios da Saúde e da Educação, com o objetivo de criar uma política nacional de promoção à saúde nas escolas, que iria da educação infantil ao ensino médio. Entende-se que prevenção envolve o desenvolvimento, desde a infância, de competências para a vida, o que a OMS chama de life skills, como assertividade, auto-estima, capacidade de negociação, relações de gênero. Entende-se que prevenção a DSTs, aids e uso abusivo de álcool e outras drogas não pode se limitar à adolescência e deve ir além da abordagem específica desses assuntos.

As crianças que interiorizam esses conceitos desde cedo têm, segundo os especialistas, mais chances de chegar à adolescência menos vulneráveis. Para a consultora do Ministério da Saúde, Marina M. Valadão, “só se deve falar diretamente em camisinha, droga e aids para crianças de 4 anos se elas perguntarem. E elas perguntam e muito; estão sendo bombardeadas com mensagens erotizadas na TV e nos outdoors”. Como os pais não falam com facilidade de drogas e sexualidade, sobra para a escola abordar esses assuntos.

Para transmitir essas orientações, o Ministério da Saúde fornecerá aos professores, que lecionam desde a educação infantil, a partir de janeiro, amplo material de apoio, onde “aparecem sugestões de atividades específicas para estimular nos alunos formas de pensar que, no futuro, poderão se traduzir em prevenção”. O Ministério da Saúde vem buscando integrar-se ao MEC, para ilustrar conjuntamente os professores.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2003)

CLASSES HOSPITALARES

Izabel Sadalla Grispino *

A educação é um direito de todos. A obrigatoriedade faz parte da nossa legislação. A Constituição do Brasil, de 1988, diz que o ensino fundamental é obrigatório no País e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, determina que o poder público criará alternativas para o acesso ao ensino.

O direito à educação cria classes hospitalares, atendendo aos doentes. É uma modalidade de ensino especial, que começa a crescer no País. As crianças doentes têm direito à educação como qualquer outro aluno, inclusive as que ainda não estão matriculadas em escolas.

Uma resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) mencionou pela primeira vez as classes hospitalares em 2001. Pela resolução, os sistemas de ensino deveriam integrar-se aos de saúde para organizar o atendimento educacional especializado a crianças que não podem freqüentar a escola por problemas de saúde.

Em dezembro de 2002, o governo federal lançou um documento denominado Classe Hospitalar e Atendimento Pedagógico Domiciliar. Esse documento dá as diretrizes sobre como devem ser o funcionamento e a organização das escolas em hospitais. O único impedimento para que a criança não estude nos hospitais é a opinião médica, desaconselhando para o momento.

Nos últimos anos tem crescido o interesse de educadores e médicos pelo assunto. O envolvimento da criança pelo estudo acaba, também, sendo útil à sua recuperação. A criança se cura mais rapidamente.

Como numa escola, existem compromissos que devem ser cumpridos pelos educadores e pelas crianças. No lugar do exercício para casa, há o exercício para a cama. Também o momento de brincar, que seria a hora do recreio. Há a preocupação de adaptar o conteúdo ao contexto da criança internada e o acompanhamento é praticamente individual.

Os professores precisam preparar-se para a educação especial voltada para crianças com problemas de saúde, freqüentar cursos de capacitação. Dificuldades existem e vão desde a condição psicológica e física do aluno até a necessidade de um trabalho interdisciplinar, já que não há professores de todas as áreas.

Os educadores são ligados às secretarias municipal e estadual de Educação, mas planejam internamente as atividades. Os trabalhos levam em conta o desenvolvimento de cada criança e informações obtidas nas escolas em que estão matriculadas. Lições, provas e outros relatórios de desempenho são enviados ao hospital e voltam à escola de origem depois de prontos. As tarefas e as provas são assim elaboradas em conjunto com as escolas de origem. Notas ou avaliações são sempre consideradas pelas instituições, o que impede que a criança perca o ano.

A medicina moderna segue essa interdisciplinaridade, unindo profissionais de saúde e educação. Referenda que o contato escolar aproxima a criança internada de seu cotidiano. Dá a ela a sensação de cura, esperança de sair do hospital, o que ajuda na sua recuperação.

Brincar e estudar humanizam o tratamento, despertam entusiasmo e vontade de curar.

* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em dezembro/2006)

NOVO ENTENDIMENTO DAS TECNOLOGIAS DA EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

A época competitiva, globalizada, imprevisível que vivemos, leva a escola a procurar novas metodologias de aprendizagem, através da tecnologia. Hoje, o computador é usado de várias maneiras, seja em casa, seja na escola. Afastar a criança do micro é torná-la uma analfabeta virtual, em descompasso com o mundo moderno, como o nosso.

Atualmente, avança-se no conceito do uso das novas tecnologias da educação. Elas são vistas como meios de construção do conhecimento, não mais apenas como instrumentos de ensinar ou de transmitir informações. Já vai o tempo em que o professor colocava o conteúdo no computador para que as crianças encontrassem, lá, tudo pronto. Experiências inovadoras na área da educação criam ambientes de aprendizagem, onde as crianças participam ativamente, escolhem o que querem fazer e conduzem os próprios projetos.

O professor pode apresentar um tema abrangente, como, por exemplo, a comunidade em que a escola está inserida, sugerir reflexões aos alunos e deixá-los que encaminhem e resolvam os problemas. À medida em que as crianças inventam soluções para os problemas levantados, elas vão formando opinião, desenvolvendo a criatividade, a capacidade de pensar, de raciocinar, de atuar.

A proposta da utilização das novas tecnologias, como fotografia digital, vídeo digital e robótica, é levar a criança a inventar equipamentos e construir pensamentos, idéias, úteis às suas vidas. A utilidade da invenção deve estar sempre presente. Assim, através da robótica, cria carrinhos de brinquedos que auxiliam a repassar o lixo das caçambas, através de um software, elabora um jornal eletrônico, onde se aprimora na produção de textos e no trabalho jornalístico e outros. Aprende programação de computador, física, mecânica, matemática... e, conhecendo as técnicas, vai escolher quais usar.

Ter todo o aparato tecnológico numa escola é importante, porém, o mais importante é torná-lo disponível ao aluno, dar-lhe liberdade de escolher o que quer fazer. O aluno ganha mais independência na aprendizagem. Se receber ordem, se o professor diz o que ele tem de fazer, perde-se o sentido do encaminhamento dessa aprendizagem. O aluno deve aprender a tomar iniciativas e assumir as responsabilidades de suas escolhas. A criança, simplesmente, não se interessa, quando percebe que está sendo mandada. Ao escolher ela mesma, se engaja e cumpre a tarefa com prazer, com satisfação. A criança escolhe, mas os objetivos para o professor devem estar bem definidos.

Temas comunitários são interessantes porque levam a criança a uma maior integração com sua comunidade. Ela vai em busca de soluções para as questões surgidas. A partir da comunidade, amplia-se a sua integração com toda a cidade, com crianças de outras cidades, de outros Estados, outros países. Nesse elo, cria-se uma rede de cooperação local, nacional e internacional, conectando experiências de aprendizagem para os dias presentes e futuros.

Esses são passos que mudarão o rumo da educação nos próximos anos. Não se quer mais um currículo fixo, com visão temporal, ou uma aprendizagem imposta pelo professor. Dá-se ao aluno liberdade de construir, de aprender fazendo, como queria John Dewey, abrindo caminho para a iniciativa, para inventividade, o inusitado, o imprevisível, que vêm caracterizando nossa época.

Ao lado desse aspecto, deixa-se o aluno penetrar o conhecimento pela linha do prazer, da intuição, da aptidão.

Nessa metodologia renovadora, a escola deve criar projetos de vários modelos, preparando-se para o aprendizado do futuro, na proposição de formar um aluno  autônomo, ajustado   à  sua   personalidade,  à  sua  potenciali-

dade. Um aluno capaz de construir, de inovar, de criar, de relacionar, de pesquisar, de interpretar, de interferir na realidade, abrindo, para si mesmo, oportunidades de aprendizado. Em todo esse processo, o computador é um instrumento que precisa estar presente.

O aluno sentindo-se capaz de construir o seu aprendizado, capaz de descobrir formas de ultrapassar as dificuldades, utilizando-se da tecnologia, ganha confiança e caminha com mais segurança. O resultado é a elevação da auto-estima e esta encarregar-se-á de levá-lo ao sucesso.

Habilitar o aluno em informática é condição primordial para o seu ajustamento, colocação e progresso no mundo atual. Hoje, ela é indispensável a todos os ramos da atividade humana. Sua aplicabilidade atinge as raias do inimaginável. Torna-se ferramenta indispensável. Vai desde o diagnóstico de doenças até reparos de veículos. A telemedicina permite fazer uma cirurgia a distância. As oficinas mecânicas já fazem diagnósticos eletrônicos, de veículos conectados ao micro e já fazem consertos pelo computador, caso o problema seja de origem eletrônica. Hoje, mesmos os carros populares têm muitos dispositivos eletrônicos e fica impossível consertá-los com as ferramentas tradicionais.

Esses são apenas alguns exemplos que mostram ser a informática um caminho que a escola não pode deixar de trilhar e nele se aperfeiçoar.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2002)

ALCA DO ENSINO SUPERIOR

Izabel Sadalla Grispino *

Os avanços tecnológicos ocorrem de maneira vertiginosa. É praticamente impossível prever-se as próximas evoluções. Não se pode mais trabalhar isoladamente e a integração de forças, em busca do novo, do conhecimento atualizado é pensado e desejado indistintamente, não importa em que setor da atividade humana.

Cogita-se de que num futuro breve, 10 ou 15 anos, as universidades serão “uma só”, interligadas pela internet. Pode-se, por exemplo, estando no Brasil fazer um curso na Universidade do México ou de Portugal e, estando lá, fazer disciplinas aqui. Apoiado nessa visão, o ministro da Educação, Cristovam Buarque, propôs a embaixadores da América Latina, de Portugal e da Espanha, durante um encontro realizado em junho de 2003, criar a “Alca do Ensino Superior”. Ele defende um projeto comum de universidade na América Latina.

O ministro lança a idéia de que, em vez de integração só por meio do comércio, os parceiros do Mercosul e da Alca desenvolvam meios para integrar as universidades. “Fala-se na Alca do comércio, mas não se fala da Alca do ensino superior”, frisou o ministro, e marcou um novo encontro, para discutir o assunto. O seu grande desejo é que se construa, ao lado do Mercosul da economia, a “Universidade Sul”, analisando ser mais fácil a criação dessa universidade que a unificação comercial, porque as contradições são menores.

Uma universidade em conjunto não tiraria as especificidades locais, só ampliaria a visão de mundo, daria amplitude ao conhecimento, aumentando possibilidades de aperfeiçoamento e intercâmbio cultura e profissional.

Hoje, estamos aqui, mas presos ao mundo, antenados numa rede mundial de conhecimento e acontecimento, que nos mostra que é preciso avançar, alargar as perspectivas, para se situar no mundo globalizado.

2004 bate à nossa porta. Que haja um pacto para a evolução do conhecimento científico, mas que 2004 consiga, também, um pacto para a cultura humanística. Só esta, abraçando a espiritualidade, educando a mente e a alma para o amor, poderá conseguir o que a ciência até hoje não conseguiu, reverter os caminhos sombrios da violência, da guerra, os caminhos mortíferos das drogas, aniquilando nossos jovens, anulando a revolução tecnológica, zerando a esperança de vida. A decadência do sentido moral na sociedade, acarretando perdas de valores, evidencia-se mais e mais, numa conseqüência desastrosa para a vida humana. Os lares brasileiros hospedam, hoje, o desassossego, a inquietação, o medo. Já diziam os antigos filósofos gregos: “A alma de toda cultura é a cultura da própria alma”. Cultura que faz chegar a Deus e modificar o interior do homem.

Na luz da alma, a paz universal; na luz do amor, a semente e a preservação da vida. Um feliz Ano Novo a todos vocês, prezados leitores, com votos de saúde, paz e prosperidade. Minhas reflexões, na poesia abaixo:

ANO  DE  2004

Fim de ano, balanço de atividades,
Para uns, 2003 foi auspicioso, um ano de realizações,
Para outros, transcorreu na normalidade,
E para outros, ainda, foi marcado de dor, de desolação,
Na minha família, aconteceu uma perda muito sentida,
Apagou-se a luz da vida de uma pessoa querida.

2004 inicia-se sem o Jorge, um amado irmão,
Inicia-se triste, por essa sua ausência,
Sua vida produtiva, porém, não foi em vão,
Deixou um legado de ensinamentos, de experiências,
Que englobamos em nossa caminhada,
E nos ajudam a transpor os percalços da jornada.

Neste raiar de ano, nos exaltamos e choramos,
Exaltamos, pedindo a Deus uma era de paz à humanidade,
Que haja mais amor entre os homens, suplicamos,
Que façam profissão de fé na luta pela desigualdade,
A luz do sol é farta, nasce para todos,
Por que não dividi-la, afastando caminhos rotos?

Choramos pela ausência dos nossos saudosos entes,
Só as lágrimas lavam a alma da dor,
A herança recebida engrossa a corrente,
A vida segue em frente, avança sem retrovisor,
Que 2004 injete a vacina da caridade,
Caminho por onde transita a felicidade.

A flor carrega, em suas pétalas coloridas,
O gérmen da semente que lhe deu origem,
Assim, o homem leva, dentro de si, por toda a vida,
Um pouco de sua infância, sua fase virgem;
Somos os grãos humanos reprodutores da existência,
Somente dentro de nós, a ética da vida, sua consciência!

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2003)

A BIBLIOTECA ESCOLAR

Izabel Sadalla Grispino *

A biblioteca é um recurso didático indispensável no processo de aprendizagem. A adoção, pela escola, do método construtivista coloca a pesquisa na vanguarda da metodologia. Além disso, como despertar o aluno para a imperiosa leitura, como criar o hábito de ler, sem a existência de sua matéria-prima?

Leia Mais


Reconhecimento

Premiado pelo Buscaki

buscaki

I.S.G

izabel1

Colaboração

Slideshow Image 1

Novos Jogos

eduespc

Vídeos

videos

Visitante Número