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Artigos Educacionais

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APOSENTADO, SER À MARGEM DA SOCIEDADE

Izabel Sadalla Grispino *

A grande proposta do momento, tanto da esfera federal quanto da estadual, é a escola trabalhar com metas, acompanhando e controlando os resultados. Metas e resultados não são procedimentos usuais nas escolas públicas e o propósito é alcançar a qualidade de ensino.

Apoiando-se no esforço gerencial, pretende-se estimular o desempenho dos professores. As melhorias obtidas, no processo de metas do governo do Estado de São Paulo, reverter-se-ão em bônus aos professores. São bonificações por desempenho, continuando, desde a era Mário Covas, a política de bonificação e não de reajuste salarial.

O bônus, além de não se incorporar ao salário, não é extensivo ao aposentado. Não vivemos mais a Pátria de todos, da igualdade, da fraternidade. Vivemos a Pátria dos privilegiados. A Pátria que renega, que deixa no ostracismo os filhos do passado, os filhos que por ela lutaram, que a dignificaram, a sustentaram e possibilitaram a construção do dia de hoje.

Insensatos, governantes, imbuídos de poder, deixam, anos a fio, o aposentado ao relento, com seu salário, a cada ano mais defasado, perante o aumento do custo de vida. Tudo é conduzido sem alma, na mais pura objetividade. Não se alimenta, o ambiente escolar, do sentimento de patriotismo, de valorização dos combatentes do passado. Hoje, esse combatente, se perdeu as forças, joga-se fora, como um retirante sem glórias.

Esse é o exemplo que se passa aos jovens, à sociedade. Passa-se uma visão negativa do idoso, considerado um encosto, necessitando de amparo familiar e institucional. Abandonado pela cúpula governamental, o aposentado é tratado em m´9iseros sentimentos cívicos, deixado no ostracismo, apoiando-se na bengala da misericórdia.

A bonificação é injusta, parcial e provoca rivalidade, porque os professores da ativa, sufocados pelas  premências, volta às costas ao aposentado e procura agarrar o seu. Com esse procedimento, eles não atinam que estão cavando a própria cova, porque eles serão no futuro os debilitados aposentados de hoje. Educa-se bem mais pelo exemplo que pela palavra, já nos ensinava Rui Barbosa e eu me pergunto: como a escola vai educar as crianças, os jovens, para o respeito, para a valorização da força produtiva do passado e que ergueu o arcabouço do mundo atual? A imagem que se passa é de que só tem valor quem faz hoje, quem fez, joga-se fora.

Como conseguir que os jovens busquem na cultura dos anciãos sabedoria e aprendizagem? Eles são vistos como ultrapassados, marginalizados e, como tal, só podem postular o recolhimento e o abandono. O aposentado, pessoa de alma e de mente calosas, é pedra que atrapalha e que precisa ser retirada do cominho. Por isso, deixam-no à mingua, à própria sorte.

Belos discursos políticos, triste e dolorosa prática política! O aposentado é o réu de toda essa negra engrenagem, perniciosa política demagógica.

* Supervisora de ensino aposentada.      
(Publicado em setembro/2007)

ESTAREMOS ASSISTINDO A UM PRENÚNCIO DE DECADÊNCIA DO ENSINO PÚBLICO SUPERIOR?

Izabel Sadalla Grispino *

Já começam a pipocar, espaçadamente, observações preocupantes referentes à estrutura de sustentação do bom ensino público universitário. Nesse último qüinqüênio, a universidade pública vem perdendo, gradativamente, professores do mais alto gabarito para o setor privado. Salários estacionados, precários, desestímulo à carreira, condições de trabalho a desejar, motivam a passagem. Perdas, também, pelo fator aposentadoria, quando os professores, receando alterações desfavoráveis na legislação previdenciária, se apressaram no pedido da aposentadoria.

Já há algum tempo vem-se denunciando a instável situação das universidades públicas. Em fins de 1997, quando o MEC, por seu Programa de Modernização e Qualificação do Ensino Superior, aplicou recursos na compra de equipamentos de laboratórios e de hospitais universitários, em projetos  de  melhoria  da graduação, o prof. Odilon Marcuzzo de Castro, da Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais do Ensino Superior (Andifes), questionou este investimento em infra-estrutura. Disse que a capacidade de as universidades poderem usufruir dessas melhorias ficava inibida, porque não tinham condições de investir em pessoal qualificado. “Não há dúvida de que os incentivos em laboratórios, em infra-estrutura... sinalizam políticas de melhoria do sistema, mas para ter qualidade é preciso ter profissionais preparados e, hoje, os professores têm sido atraídos por salários do setor privado.

Ainda mais recentemente, em abril passado, quando da reivindicação dos funcionários, da área científica, por melhores salários, o presidente da Associação de Funcionários da Fiocruz (Asfoc), Álvaro Nascimento, disse que “o montante destinado à ciência e tecnologia, anunciado pelo presidente, é ridículo. A maioria dos países investe entre 2 a 3% do PIB em pesquisa científica. O investimento no Brasil fica abaixo de 0,5%. Há um esvaziamento de cérebros das instituições porque os cientistas trocam o salário de R$ 2.500,00 pelo de US$ 7 mil na iniciativa privada”.

São fatos de se lamentar, visto terem as nossas universidades públicas, tanto no ensino quanto na pesquisa, conseguido manter, ao longo dos anos, um padrão de alto nível. Todos os países desenvolvidos preservam seu padrão de excelência, pois dele advém as grandes cabeças pensantes, os grandes avanços, capazes de colocar o país em patamar superior, em situação de supremacia.

Estaremos nos arriscando a perder esse padrão tão desejável, tão imprescindível ao conceito de uma nação? Cairão as nossas universidades públicas em descaso crônico dos governos, como aconteceu com o ensino fundamental e médio? A situação atual da USP, em relação à falta de professores, é preocupante. Para contornar a situação, as universidades têm contratado educadores em regimes alternativos – não por concurso, como seria normal, mas apenas para dar aulas. São professores que não têm vínculo com a instituição, ganham por aula – 12 horas de aula ao mês, recebem R$ 260,00 – não desenvolvem pesquisa, como vem acontecendo com a Escola de Comunicação e Artes (ECA) e outras mais. Quem explica é Jair Borin, Chefe do Depto. de Jornalismo e Editoração da ECA/USP.

A falta de professores começa a causar sérios danos. Alunos de graduação de História e Geografia da Universidade de São Paulo (USP) correm o risco de não se formar no prazo previsto para os referidos cursos. Não há professores em número suficiente para cobrir todas as disciplinas do currículo, por isso, os departamentos deixam de oferecer matérias optativas. Sem estas matérias, o aluno não obtém créditos suficientes para concluir seus estudos no prazo determinado. Isso ocorre no fim do curso, que é quando as optativas se concentram. Em Geografia, das 46 disciplinas previstas no currículo, 21 estão sem professores; em História – pasmem! – o déficit de professores levou a direção do curso a suspender a oferta de optativas no semestre! Para operar com um mínimo de condições didático-pedagógicas, a faculdade precisaria contratar, de imediato, cerca de 30 profissionais.

“Temos a pior relação professor/aluno de toda a história da USP, perto de 33 estudantes para cada professor; enquanto a média da universidade é por volta de 13 para 1”, diz Francis Henrik Aubert, diretor da FFLCH/USP.

A falta de recursos é a principal dificuldade da USP para substituir os professores aposentados. Essa situação vem se estendendo sem que, politicamente, se encontre uma saída para ela.

A formação do futuro profissional está sendo comprometida. As universidades trabalham com classes superlotadas, apresentando uma estrutura prejudicial à qualidade do ensino. Por falta de professores, os alunos acabam escolhendo uma disciplina que não tem nada a ver com seu curso, só para conseguirem os créditos e terminar o curso mais rápido. Alunos de História, por exemplo, se inscrevem em disciplinas de Letras, porque em História não está sendo oferecida nenhuma optativa. Ainda, oferecem-se menos turmas de cada disciplina e assim nem todos conseguem se matricular, a concorrência aumentando leva à seleção, com criação de pré-requisitos. Há sobrecarga para o professor, que fica com excesso de alunos na sala de aula, acarretando prejuízo pedagógico. Cursos há, como de trabalho de campo, em Geografia, que em geral são 40 alunos por turma, por falta de professor, chega a quase 90. Também em outros cursos, como Letras, Ciências Sociais e História, as salas ficam repletas com 100 e 120 alunos. “Mal dá para discutir. Está tudo precário”, avalia o aluno Pedro Falco, segundanista de Letras.

Nota-se uma lastimável inadequação da universidade às suas necessidades. Ela vem sendo usurpada de sua competência, arcada com problemas produzidos por políticas educacionais desencontradas. Ao poder público compete equipar humana e materialmente a instituição, a criar condições de infra-estrutura para que ela não perca sua eficiência, seu comprometimento com as transformações e as conseqüentes necessidades sociais.

Se abandonada pelos cofres públicos, como esperar que se mantenha no padrão de excelência que sempre a caracterizou? Estará havendo porta aberta para a privatização do melhor ensino superior do Brasil, do ensino que nos honra e nos orgulha? Será esse o caminho desejado pela sociedade brasileira?

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2000)

A DIDÁTICA DA SENSIBILIZAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

A didática para a modernidade leva o aluno a vivenciar as situações de aprendizagem. A teoria é porta aberta para a prática. Diferentemente do passado, o ensino, por exemplo, de música, antes das notas musicais, é dirigida à sensibilidade do aluno. Nas aulas de iniciação musical, a criança aprende a sentir e a entender um pouco mais sobre música. Ao invés de decorar as notas musicais, como sempre se faz tradicionalmente, a criança dança ao lado dos colegas, ao som de valsas, sambas, ritmos populares, folclóricos. Aprende a identificar o som de cada instrumento e se diverte ao tocá-los. Mais tarde irá estudar as notas musicais.

As crianças aprendem, na iniciação musical, a escutar e a apreciar a música, preparando-se para no futuro ser admiradoras de música,  quando não músicos. Isso significa ir além do ensino das notas musicais.

As crianças ficam em contato com músicas diferentes, de outras culturas, diferentes ritmos e têm plena liberdade para escolher o que querem. Vão, aos poucos, adquirindo consciência musical e desenvolvendo a criatividade.

O estudo pela música deve se iniciar cedo, logo na Educação Infantil. Grandes gênios da música começaram ainda pequenos. O austríaco Wolfgang Amadeus Mozart começou a mostrar seu talento musical aos 5 anos de idade, quando criou suas primeiras composições, para o espanto de sua família. Seu primeiro instrumento foi o cravo. O alemão Ludwig van Beethoven começou a tocar piano muito cedo e aos 11 anos já tinha composto suas primeiras sinfonias. O alemão Johann Sebastian Bach começou a tocar órgão aos 10 anos. O austríaco Johann Strauss começou a tocar violino ainda pequeno. É conhecido como o pai da valsa.

O brasileiro Heitor Villa-Lobos foi um dos mais importantes músicos de sua época. Começou a tocar clarineta aos 12 anos e aos 15 já tocava violoncelo e violão.

No processo moderno de ensino, despertar o gosto pela música, descobrir vocação começam por um processo bem mais divertido: vivenciando, saboreando a própria música.

Diferentes procedimentos pedagógicos, dependendo do assunto, fazem a teoria virar aula prática. Exemplos de criatividade não faltam para dar à matéria tratada um significado tangível, quase palpável. Uma determinada escola, ao querer passar aos alunos noções sobre o meio ambiente, sobre sua preservação e sua degradação, idealizou um projeto Barco Escola. Estudantes do ensino fundamental são levados, pelos professores da área, a passear de barco por rios, de preferência, poluídos. Passam a conhecer de perto espécies de fauna e flora da região, observando piranhas e plantas aquáticas. Percebem a relação de causa e conseqüência, sentindo responsabilidade pela ecologia.

Esse passeio de barco não só desenvolve a comunicação, o comportamento social dos alunos, como complementa prazerosamente o aprendizado teórico da sala de aula. O aluno,vivenciando a problemática ambiental, sensibiliza-se e passa avante, como um alerta, despertando a conscientização da comunidade.

Em todas as áreas do conhecimento são pensadas atividades que levam os alunos a desenvolver conceitos, observando-os na prática. A iniciação, por exemplo, ao hábito da leitura surte bem mais efeito quando a criança participa ativamente da leitura em conjunto. Nas rodas de leitura, o professor lê, em círculo, conjuntamente com as crianças. Os livros são lidos com paradas para comentários, reflexões. Quando a criança julgar necessário, durante a leitura, ela externa sua opinião, pede esclarecimentos, tornando a leitura movimentada, dialogada.

É bem mais suave e interessante a  leitura integrada. O aluno não precisa se isolar ou ler por obrigação. Outra maneira de conquistar a criança para a leitura, de sensibilizá-la para os livros, é a já consagrada “hora do conto”. São leituras participativas, vivenciadas em suas histórias, na companhia de todos da classe.

Segundo divulgação da mídia, o professor terá, no próximo ano, no ensino fundamental uma grande ferramenta pedagógica, capaz de incentivar a pesquisa e a prática do ensino, qual seja, o computador portátil: o laptop. Todos os alunos da rede pública terão um laptop, um computador que será como um livro que eles possam trazer para a escola e levar para a casa, levá-lo em todos os lugares. Destinado ao aluno carente, toda a família poderá partilhá-lo, incorporando-o à sua realidade.

O laptop fará parte do cotidiano do aluno e não apenas de uma experiência feita na escola. Ele será conectado à rede, quando a criança pode buscar e trocar informações ou ver seu trabalho publicado na internet. A criança vai tomando contato com a sociedade da informação, preparando-se para o novo mundo de trabalho nessa sociedade.

A escola, hoje, prima por um aprendizado que se constrói e o computador é um grande caminho dessa construção. Um caminho para o aluno vivenciar conceitos, entrar em contato, de modo abrangente, com aspectos do conhecimento, colocando-se, gradualmente, na sociedade de informação, que se consolida firmemente.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em dezembro/2005)

A ESCOLA FRENTE AO “EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO” (ENEM)

Izabel Sadalla Grispino *

Para dar boas respostas ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a escola precisa aprender a desenvolver nos alunos habilidades e competências, no seu processo de ensino-aprendizagem. Aprender a colocar a formação acima da informação, fazer do aluno um cidadão participante consciente. Desenvolver-lhe a capacidade de raciocinar, de interpretar, de interferir na realidade, de resolver os problemas do dia-a-dia.

O aluno, ao construir o próprio conhecimento, ao partir da observação, da manipulação, da pesquisa, da análise, vai vivenciar o conceito ao invés de recebê-lo pronto. Vai internalizar, chegando com mais profundidade ao conhecimento.

A escola deve realizar um currículo com conteúdos contextualizados, próximos da realidade do aluno, e trabalhados de maneira indisciplinar, em conteúdos interligados. Deve ter presente que o objetivo do Enem é medir habilidades e não conteúdo, é processar uma avaliação interdisciplinar.

A título de informação, o Enem do ano passado foi interdisciplinar, apoiou-se em interpretações de textos, aferiu mais compreensão que conhecimento específico. O exame exigiu conhecimentos usados no cotidiano. Não exigiu do candidato muitas contas, mas que ele fosse capaz de aplicar o raciocínio. Não pediu fórmulas. Trouxe questões do dia-a-dia que estão nos jornais: analfabetismo, clonagem, vacinação, cadeia alimentar, ecologia e reciclagem de materiais foram as bases das questões de biologia. A redação teve como tema: “Cidadania e participação social” (o engajamento e a participação social do jovem.

Quanto à inscrição dos candidatos, orientá-los de que a mesma deve ser feita em qualquer agência dos Correios, munidos de um documento original de identidade, com foto. Ele preencherá uma ficha de inscrição no próprio local e pagará uma taxa estipulada, no momento, pelo MEC (com exceção dos alunos carentes). A inscrição pode ser feita em uma cidade e a prova em outra, bastando indicar, no formulário, o código do município desejado. Pode ser feita, também, via procuração.

De acordo com Maria Helena Guimarães de Castro, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep/MEC), o Enem avalia cinco competências e 21 habilidades gerais desenvolvidas pelo aluno ao longo da Educação Básica. Cada habilidade é medida por meio de três questões e a nota da prova objetiva, numa escala de 0 a 100, é atribuída a partir da avaliação de cada uma das cinco competências, que são as seguintes:

-- Domínio de linguagens: demonstrar domínio básico da norma culta da Língua Portuguesa e das diferentes linguagens.

-- Compreensão de fenômenos: construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para compreensão de fenômenos naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas.

-- Enfrentamento de situações-problema: selecionar, organizar, relacionar e interpretar dados e informações para enfrentar situações-problema com vista a tomadas de decisão.

-- Construção de argumentações: organizar informações e conhecimentos disponíveis em situações concretas para desenvolver argumentações consistentes.

-- Elaboração de propostas de intervenção na realidade: recorrer aos conhecimentos desenvolvidos na escola para elaboração de propostas criativas, considerando a diversidade sociocultural como inerente à condição humana no tempo e no espaço.

Com esta propositura, o Enem afasta a decoreba, derruba o hábito da cola de que tanto a escola se ressente. Reforça a interdisciplinaridade e a contextualização. Esses dois conceitos, no ensino médio, levarão à confecção de livros didáticos orientados mais para a história do contexto, remetendo ao uso de jornais e revistas no dia-a-dia do ensino. “Dificilmente, um livro poderá ser destinado a uma série específica, porque os conteúdos estarão muito relacionados. A liberdade de a escola dividir os 3 anos do curso, em séries ou módulos, impedirá a edição de livros para cada uma das séries, como ocorre hoje. A tendência é que as editoras ofereçam livros para o ensino médio, nos quais estarão os conceitos básicos, que serão tratados em sala de aula de forma diferentemente, de acordo com o nível escolar”, esclarece Ruy Berger, secretário da Educação Média e Tecnológica do MEC.

O “Exame Nacional do Ensino Médio” (Enem) é  uma   indicação  de como será o processo educacional nos próximos anos. Ele segue a atual tendência de ensinar os alunos como usar todas as informações aprendidas no dia-a-dia, na interpretação de informações e na situação de problemas.

Os modelos educacionais vêm sofrendo mudanças. As escolas mudam o foco do ensino, que dava ênfase à memória para contemplar a autonomia dos alunos na aprendizagem, dar-lhes uma maior compreensão de seu cotidiano, fazê-los capazes de tomar decisões e tornar-se mais aptos ao convívio social. Essas são, hoje, as principais tendências do ensino que deverão consolidar-se na próxima década.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2001)

FORÇA JOVEM NO MERCADO DE TRABALHO

Izabel Sadalla Grispino *

O mercado investe na contratação de jovens. Busca uma linguagem atualizada, um revigoramento nas vendas, sustentados pelo entusiasmo juvenil.

Os jovens passam a ocupar cargos importantes nas empresas, dividindo o poder com executivos mais velhos, mais experientes. São jovens profissionais com curso superior e a maioria tem MBA, sigla que, em inglês, significa mestre em administração de negócios. Aprendem um comportamento adequado em liderança, gestão e processo de tomada de decisão. Têm boa formação em desenvolvimento de planos de marketing, em projetos de lançamento de produtos, estudo de mercados nacionais e internacionais e em estratégias de vendas.

A escolha pelos jovens passa muito pelo espírito de liderança, pelo dinamismo que emprestam à empresa, que, hoje, quer um profissional mais ágil, capaz de acompanhar a intensa competitividade da época. Eles vêm conquistando postos de comando, principalmente, em países em desenvolvimento, fortalecendo a imagem da empresa onde trabalham.

As grandes empresas julgam ideal contar com a parte jovem e a parte de mais idade. A primeira, preparada para ser empreendedora e pro ativa; a segunda, para dar mais estabilidade, pela experiência acumulada. Aliam a energia, a vibração da juventude, com a experiência, a visão ampliada dos mais velhos, pessoas capazes de prever melhor os riscos do negócio. Formam, assim, um conjunto proveitoso na abertura de mercado. As pessoas de mais idade representam, também, maior qualidade do serviço em foco. O que vem ocorrendo são pessoas experientes fazendo parte do Conselho Deliberativo das empresas e pessoas mais jovens, ficando na execução das atividades em questão.

Hoje, tem-se uma atenção voltada ao trabalho dos jovens, especialmente, no setor das empresas juniores (EJ), um tipo de instituição que está crescendo nas universidades brasileiras. Os alunos dessas empresas realizam projetos, apresentam-nos em auditórios, que passam a ser julgados por convidados não universitários, como aconteceu no início de dezembro de 2004, no VIII Prêmio de Qualidade Fejesp (Federação das Empresas Juniores do Estado de São Paulo).

Esses projetos disputaram prêmios em quatro categorias. Alunos da Unicamp ganharam em três e os da Unesp de Franca, em um. Nos projetos comerciais, o primeiro lugar ficou com a Agrológica, EJ da Engenharia Agrícola da Unicamp, de Campinas. Nos projetos sociais, a Empresa Júnior Jurídica (Ejur), da Unesp de Franca, venceu com o trabalho Observatório Social, executado por estudantes de Direito. Na categoria eventos, venceu a Automática 2004, a VI Semana de Engenharia Mecatrônica, promovida pela EJ da Engenharia de Controle e Automação da Unicamp. No melhor projeto interno, venceu um trabalho da Unicamp, Grupo de Estudos e Pesquisas da Engenharia de Alimentos (GEPEA).

Na apresentação dos projetos, cada equipe tinha apenas 5 minutos para dar seu recado e a Fejesp foi rigorosa no controle desse tempo. Foi medida a competência de comercialização da equipe, incluindo aí sua capacidade de comunicação e clareza. Avaliou-se também o conteúdo dos trabalhos, desde o planejamento até a execução.

A diferença de desenvoltura e performance entre as pessoas que passam por uma EJ é bem maior das que ficam de fora, porque é um tempo que conta como experiência. A Fejesp completará 15 anos de existência em 2005. Entre as 10 federações estaduais de empresas juniores do País, ela é a mais antiga. Conta, também, desde 2003, com uma confederação, a Brasil Júnior. Para saber mais sobre o assunto, veja www.fejesp.org.br.

Empresas e escolas investem na correta profissionalização, formando capital humano especializado para o sistema produtivo. Querem reformular os padrões educacionais, modernizar a competitividade da economia.

Com a chegada do Natal, quero expressar, aos prezados leitores, meus sentimentos de amor, desejar a todos um dia de alegria, de paz, de confraternização. Que cada um, dentro de si, trabalhe esses sentimentos, tornando-os representativos da vida de todos os dias.

Com votos de muita cor, muita luz, publico minhas meditações, na poesia abaixo, sobre o Natal de 2004.

NATAL  DE  2004

Izabel Sadalla Grispino

Novamente é Natal,

O tempo passa depressa demais!

Mas, para viver outro Natal vale passar,

Natal é encantamento, sem jamais,

Magia, que faz a alma sonhar,

Alegria, que o espírito faz renovar.

Natal é sentimento de paz que aflora,

São entes queridos que se reúnem,

Entes que estão presentes, entes que já foram embora,

Que, na maior festa cristã, no nosso amor se unem,

Imagens do sol poente, imagens da aurora,

Entrelaçando prazer e saudade nessa santa hora!

Meio a tanta alegria,

Lugares a menos na mesa...

Cadeiras que ficam vazias...

Uma saudade pulsando ilesa,

Lágrimas quentes brotam da alma fria,

No Natal convivem a esperança e a nostalgia!

O Natal penetra fundo no sonho da imortalidade,

Reflete um céu colorido do distante infinito,

Natal é mais que espelho de caridade,

É barco que navega em mar sem conflito,

Que faz a alma esbarrar na divindade,

Faz o homem conjugar amor e lealdade.

Natal, fantasia ou realidade?

Presença real do menino Deus?

Passaporte de felicidade ou simples aspirina?

Renovação de vida, que Jesus prometeu?

– Natal só pode ter essência divina,

Faz, para a alma, o que não consegue a medicina.

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2004)

UM PANORAMA DO ENSINO RURAL

Izabel Sadalla Grispino *

O Brasil começa a despertar para o ensino rural. Estudos vêm mostrando claras diferenças educacionais entre o campo e a cidade, mostrando que a área rural ainda é um mundo muito diferente da cidade.

Embora a população rural vem decrescendo nos últimos 30 anos, reduzida em mais de um terço, a escolaridade no campo dobrou. O número de crianças matriculadas no ensino fundamental cresceu 21%, mostrando que a escolaridade dos jovens no campo avança, mas representa apenas a metade da população escolar urbana.

O Instituto Nacional de Estatísticas (Inep) revelou dados, em setembro de 2004, que mostraram que 28% dos jovens, acima de 15 anos no campo, ainda são analfabetos – dois terços a mais do que o índice registrado nas cidades. Na cidade, em média, a população tem 7 anos de estudo. No campo, 3,4 anos. A distorção idade-série chega, no campo, a 65% das crianças matriculadas. Na cidade, é de 50%.

Um estudo feito no mesmo ano pelo grupo permanente de educação do campo do Ministério da Educação (MEC) revela o quanto o ensino rural necessita de assistência por parte governamental. Uma grande parte das escolas rurais funciona em precárias condições, com um mínimo de qualidade e sem meios de atender a toda população, embora concentre mais da metade das escolas brasileiras, 97 mil de 169 mil existentes.

Mais da metade das escolas possui apenas uma sala de aula e 64% são multi-seriadas, nas quais se concentram alunos de várias séries numa mesma sala, com apenas uma professora. Para completar a deficiência do ensino, o estudo constata que boa parte dos professores, que ensina no campo, tem formação inadequada. Permanecem nas escolas até completarem sua formação, quando então pedem transferência para a cidade, onde ganham mais. Apenas 9% dos professores têm ensino superior completo.

A oferta de vagas para as crianças de 4 a 6 anos é apenas de 25% da sua necessidade. O atendimento na pré-escola e no ensino médio é bem pior, está muito abaixo do necessitado, apenas 4,5% dos estudantes encontram vagas.

O censo escolar de 2002 mostrou que 94% dos estudantes do ensino médio, que moram na área rural, estudam nas cidades e se valem de um transporte escolar. Muitos alunos acabam evadindo-se da escola ou migrando para a cidade. O censo do IBGE de 2000 encontrou 690 mil adolescentes entre 15 e 24 anos, vindos do campo, morando em cidades.

Em agosto de 2004, no 2.º Encontro sobre Educação no Campo, realizado em Brasília, a migração para a cidade foi um dos problemas apontados. O relatório do evento apontou a necessidade de adaptação do currículo para as necessidades do campo, respeitando os períodos mais sobrecarregados, como, por exemplo, o da safra, o do plantio, incluindo conhecimentos típicos das atividades rurais.

Além da adaptação do currículo às atividades rurais, seria interessante levar ao cotidiano das populações rurais, através da escola, ciência e tecnologia ao alcance dessa população. Exemplos desse tipo de tecnologia são os elencados no programa que cria a rede de tecnologias sociais, como: soro caseiro, que já salva a vida de milhares de crianças por todo o País. A construção de cisternas e de unidades de tratamento de água, articulada à higiene e à produção de hortaliças e legumes. As famosas barraquinhas de captação de água das chuvas, evitando erosão, enchentes e assoreamento. As águas captadas alimentam o lençol freático e tornam perenes rios e córregos temporários.

A escola, voltada às necessidades e aos interesses dos habitantes do campo, conquista essa população e atua com mais propriedade. O Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas em Educação (Inep) nos forneceu o seguinte quadro comparativo entre ensino rural e ensino urbano:

Anos de estudo – população com 15 anos ou mais:

Área urbana, 1971 = 4,1; 2001 = 7,0;

Área rural, 1971 = 1,2; 2001= 3,4.

Analfabetos – população com 15 anos ou mais (%):

Área urbana, 1971 = 22,1; 2001 = 9,5;

Área rural, 1971 = 55,6; 2001 = 28,7.

Matrículas no ensino fundamental (milhões):

1971 – área rural = 5,1; população rural = 41,1;

2001 – área rural = 6,2; população rural = 27,2.

Escolas com uma sala (%)

Área urbana, 1971 = 28,9; 2001 = 0,8; 2003 = 0,9;

Área rural, 1971 = 80,7; 2001 = 53,9; 2003 = 49,9.

O entendimento sobre a necessidade de escolaridade nos dias de hoje alastra-se para os quatro cantos do mundo. Felizmente, esse entendimento chegou à população rural, onde os pais começam a perceber que se os filhos não estudarem vão ter uma vida igual ou pior que a deles. Pouco a pouco, caminha-se para a redenção!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2005)

CORRELAÇÃO ENTRE SISTEMA E APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino *

O sistema de ensino interfere no resultado da aprendizagem? Determina o rendimento escolar?

O Estado de São Paulo, por sua Secretaria da Educação, realiza mudança na avaliação da progressão continuada do ensino fundamental. A progressão continuada, implementada no Estado em 1998, dispunha que as avaliações para efeito de promoção ou retenção deveriam ocorrer de 4 em 4 anos, na 4.ª e na 8.ª série. Agora, em 11 de maio, entrou em vigor um novo sistema de avaliação para os alunos da rede pública estadual. Todas as escolas vão adotar um mesmo padrão de médias bimestrais, com notas em números inteiros que vão de zero a 10. Os valores decimais devem ser arredondados para cima. 4,2, por exemplo, na média anual do aluno será arredondada para 5, sendo esse aluno aprovado. Esse arredondamento para cima, praticamente, nada significa em termos de aprendizagem, é, antes, visto como um estímulo ao aluno.

A medida visa mudar a avaliação da progressão continuada, que passa a ser de cada dois anos e não mais de quatro. Avalia nas 2.ª, 4.ª, 6.ª e 8.ª séries, para efeito de promoção ou retenção. Esse novo sistema vai unificar os tipos de avaliação das escolas da rede.

Acredito na viabilidade dessa mudança. Um espaço menor de tempo para uma avaliação conclusiva, aproxima o professor do resultado da aprendizagem de modo mais concreto, mais real. Ele não se perderá pela extensão do ciclo. Ciclos com duração maiores pedem mais do professor, em termos de organização, de controle, de acompanhamento, com elaboração de fichas minuciosas de registros das observações realizadas.

O sistema de ciclos, pedagogicamente, é visto como ideal para a aprendizagem. Sua metodologia observa as fases do desenvolvimento infantil, o processo de construção do conhecimento, o ritmo das crianças, conforme estipula Jean Piaget. Traz como base de sustentação o atendimento individual, requerendo um número menor de alunos por classe.

Este sistema vem acompanhado de uma estrutura – observação constante, avaliação contínua, recuperação paralela, aulas de reforço e recuperação no período de férias – que deve permitir a recuperação das defasagens. Contudo, é preciso que a escola se conscientize de que esses passos da aprendizagem, adotados pelo sistema de ciclos, fazem parte de não importa qual outro sistema. O importante não é, propriamente, o sistema, mas a forma como o professor ensina.

Sob esse aspecto, o meu livro “Prática Pedagógica” traz um estudo detalhado sobre a formação do sistema de ciclos, no ensino fundamental. Entre outras considerações, eu digo, na pág. 181: “Percebemos o quanto o ponto capital, para o sucesso do ensino, está visivelmente calcado na formação do professor, seguido de suas condições de trabalho. Podemos, ainda, perceber que não haverá mudanças se a cabeça do professor também não mudar, como argumentou Elba de Sá Barreto. Tem que haver mudança de mentalidade. Demerval Saviani acrescenta: “Enquanto as escolas operarem em condições precárias e com professores mal preparados, não há como esperar um resultado alentador”.

No tópico do livro “Formação deficiente dificulta a reforma do ensino” (pág. 43) ressalto: “O ensino ministrado nas escolas é muito mais o ensino organizado pelos professores, por sua forma de pensar, agir, por seu nível intelectual, do que aquele sistematizado pelos órgãos centrais”.

Supervisora de ensino aposentada.          
(Publicado em junho/2007)

ESCOLA VIRTUAL

Izabel Sadalla Grispino *

Quando se fala em escola do futuro, logo se pensa em escola via Internet. O mercado do ensino pela Internet, ao que tudo indica, é um negócio lucrativo e vem crescendo, permanentemente, em países do primeiro mundo.

Nos Estados Unidos, atualmente, o que existe são universidades virtuais, que dão cursos inteiros de graduação. Surge, agora, o projeto de uma nova escola se programando para atender estudantes durante os doze primeiros anos do ensino tradicional, dando aulas só pela Internet. Será, Segundo consta, um atendimento gradativo, iniciando-se com ingressantes do jardim da infância, indo até o segundo ano do ensino fundamental, até chegar aos doze anos de aprendizagem, sem que o aluno freqüente uma sala de aula, estudando apenas em casa.

No Brasil, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) impõe limite ao ensino pela Internet. Estabelece que o ensino fundamental seja obrigatoriamente presencial. A escola virtual, com seu ensino a distância, é prevista em lei apenas como complementação da aprendizagem ou em situações de emergência.

Recentemente, o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, anunciou um curso a distância para a formação de professores dos primeiros anos do ensino fundamental e um curso específico para professores alfabetizadores.

Há, entre nós, experiências de ensino a distância nos níveis da educação básica, em situações-limite, como no caso do sertão nordestino. Usamos o rádio e a TV e a Internet para vencer barreiras geográficas. Com o processo de universalização do ensino fundamental, em grau adiantado, já se considera a educação a distância não tão importante como elemento de inclusão; ganha, agora, status de inovação.

Há uma certa desinformação sobre formas alternativas de educação, nas quais se incluem a educação a distância. Há, também, um certo preconceito, no mercado de trabalho, sobre o profissional preparado em ensino a distância. O mercado não quer só garantia do certificado, quer garantia da avaliação, tanto do aluno, quanto do curso. Quer uma boa avaliação que resulte em profissionais competentes. A avaliação deve, pois, ser um ponto forte, aperfeiçoar sua forma, não só para o aluno, como para o próprio curso.

Cursos a distância de pós-graduação, mestrado e doutorado, favorecidos pela faixa etária e pela formação anterior, têm-se revelado eficientes, proporcionando uma educação segura. Um curso de graduação a distância tem as mesmas exigências de um curso presencial: o aluno tem que comprovar o término do ensino médio, o curso tem que ser autorizado pelo Conselho Nacional da Educação e homologado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). É preciso que o aluno esteja atento, saber se está fazendo um curso autorizado.

O curso virtual para os graus de ensino mais avançados é visto como fator favorável, mas para crianças e adolescentes é encarado com reservas. Afinal, educar não significa apenas ministrar conhecimentos; significa abraçar um processo bem mais amplo, integral, onde entram atitudes e comportamentos. Surge, ainda, o fator motivação, a dificuldade de esse ensino manter o interesse das crianças e também ele não contribui para criar nos estudantes uma disciplina de aprendizado.

No  processo  educacional,  faz-se  necessário  garantir  uma  interação  professor-aluno, garantir a troca, o diálogo, transmitir valores e princípios. A escola tradicional incentiva e desenvolve a socialização – alunos convivendo com seus pares – favorece as relações interpessoais.

Mesmo que a escola on-line estabeleça mecanismos didáticos que permitam oferecer uma educação integral à criança, mesmo que crie ferramentas que garantam a interatividade, ainda fica faltando o elemento humano, como convivência, como reforço aos procedimentos, que é indispensável ao crescimento pessoal.

A escola na Internet, para alcançar objetivos, precisa oferecer um monitoramento constante, não ser confundida com auto-aprendizagem. Admitem os educadores de que a escola virtual para crianças e adolescentes não tem como substituir, em qualidade de formação, o ensino presencial, nos moldes da escola tradicional. Por mais que apresente excelentes currículos, é uma educação confinada ao campo da transmissão da informação, tendo dificuldade na abrangência integral da personalidade, na perspectiva de uma educação holística.

É preciso estar atento aos modismos. Hoje, por exemplo, a procura por escolas que ofereçam ensino em período integral vem crescendo e muito. São escolas que oferecem currículo escolar pela manhã e aulas de inglês, natação, balé e até esgrima à tarde. Essas escolas são procuradas por pais abonados, que trabalham fora e preferem não deixar os filhos em casa com empregados.

A prerrogativa pode ser válida, mas a escola em período integral traz vantagem à personalidade do educando? Pedagogos há que opinam desfavoravelmente à escola em período integral; consideram-na prejudicial à formação do aluno. “A criança precisa circular por vários espaços e conhecer novos amiguinhos para saber lidar com a diversidade”. É fundamental que ela fique, também, em casa, onde tem seus brinquedos e a rotina da família. Não é o período integral que vai garantir uma maior aprendizagem, porque a criança também aprende muito em contato com amigos fora do espaço escolar.

Na devida proporção, essas constatações valem para as escolas virtuais.


* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2001)

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Izabel Sadalla Grispino *

A Educação de Jovens e Adultos (Eja), antigo supletivo, quer garantir que os recém-alfabetizados não voltem a ser analfabetos. São pessoas que, geralmente, fracassaram no sistema escolar, já com histórias de vida, com conhecimentos próprios e que têm pressa para aprender.

O professor não pode partir do pressuposto de que o aluno da Eja não sabe nada. Precisa ensinar a partir dos conhecimentos por ele já adquiridos. Trabalha-se a auto-estima, conquista-se o aluno, valorizando o seu saber. A Eja favorece adultos e jovens, visto estar comprovado que alunos de pais analfabetos ou de pouca escolaridade avançam pouco nos estudos.

Faltam políticas públicas voltadas a essa área. Ela deve ser tratada com a mesma atenção, o mesmo interesse dados a toda educação básica, para não se condenar a geração atual ou passada a não se escolarizar. Segundo constatações, pouco se investe nessa modalidade de ensino.

A Eja de qualidade pede professores capacitados especificamente para ensinar adultos. O professor bem preparado é chave para combater o maior problema da Eja: a evasão. O professor precisa ter sempre presente as características dos alunos desse nível de ensino. Se o professor não tem a técnica, a cumplicidade, o aluno deserta.

A Eja compreende os ensinos fundamental (1.ª a 8.ª séries) e médio, mas cursados em menos tempo. Estudos mostram que não adianta um programa pra baixar os índices de analfabetismo – hoje em 13% -- se os alunos não continuarem seus estudos.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, pede que todos os professores do País estejam formados em nível superior até 2007. Mas, o Brasil professores que sequer terminaram o ensino fundamental: são 282 entre os que trabalham em Eja. Outros 1947 não chegaram a completar o ensino médio. Faltam professores preparados para ativar no setor. O Brasil só tem 14 instituições de ensino superior com cursos que ensinam a atuar em Eja. (A Eja é também oferecida por escolas privadas ou pelo terceiro setor).

A Eja completa e piora o quadro ruim da educação no Brasil. Das avaliações em que a Eja participou revela, em todas, o pior desempenho. No Enem teve uma participação deprimente, teve notas tão ruins quanto os piores estudantes do ensino médio regular.

Segundo a divulgação do MEC em fevereiro de 2006, nota-se que as piores escolas públicas de capitais, como Florianópolis e Vitória, têm notas melhores que a média de Eja. Nota-se que não há grande diferença entre o aluno de Eja pública e de Eja particular, como ocorre no ensino médio comum.

O que se percebe é que a Eja privada muitas vezes acaba sendo um processo facilitado não desejado do ensino, com cursos de poucos meses ou de apenas um ano. No ensino público, há mais controle e exigência mínima de dois anos para cursar da 5.ª à 8.ª série e mais um ano e meio para as três séries do ensino médio.

Os alunos da Eja, além de refletir o perfil do aluno mais pobre, mais excluído, convivem com os problemas do curso noturno, onde há mais falta de professores e menos tempo de aula – a Eja só funciona no período noturno.

O que se recomenda para adultos é uma educação centralizada em competência da vida, incentivo à pesquisa, à leitura e ao uso do raciocínio. Exigir menos conteúdo e desenvolver mais as habilidades e competências dos alunos.

A Eja antes era marginalizada, hoje, preparam-se professores para um trabalho específico para seu público, levando em conta suas experiências.

A melhor escola de Eja do País é de Natal. Na lista das 10 mais conceituadas, há 5 no Rio, uma de Minas, 1 de Santa Catarina, 1 da Bahia e 1 de São Paulo. A escola paulista, a única pública entre as melhores, fica em Campinas, mas sua classe de Eja deixou de funcionar este ano – 2006 – por falta de demanda.

Um grande trabalho de assistência, atualização de divulgação, precisa ser feito no Brasil, sobre a Educação de Jovens e Adultos.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em janeiro/2007)

A EDUCAÇÃO DO RICO VERSUS A EDUCAÇÃO DO POBRE

Izabel  Sadalla  Grispino *

A realidade educacional no Brasil é tema inquietante, a ser refletido por toda a sociedade brasileira. Realidade de duas faces: a boa educação para os ricos e a má educação para os pobres. Há décadas, Demerval Saviani, em seus livros, já denunciava a equivocada escola assistencialista, merendeira. São freqüentes e periódicas as citações de especialistas da educação sobre o decadente ensino das classes menos favorecidas.

O objetivo de toda escola deve ser o de tornar o aluno competente. A escola deve lutar, buscar os meios para realizar este objetivo, para dar aos alunos as ferramentas mentais de ação, a fim de que possam enfrentar o mercado de trabalho, hoje tão exigente. Nunca o livro didático foi tão necessário ao professor. A escolha de um bom livro poderá amenizar a situação do ensino público. Um livro que traga ao professor  instruções detalhadas, que propicie experiências abertas, exercícios práticos, onde se possa praticar o construtivismo. A criança precisa freqüentar a boa escola, desde os primeiros anos de alfabetização, porque a aprendizagem é um processo em que uma etapa influi e explica a outra. A construção do conhecimento exige tempo, é preparação sistemática, gradual, encadeada, ligando os diferentes graus de ensino. Não é um simples “depósito bancário”, usando a expressão do educador Paulo Freire. Não adianta avançar etapas, se a aprendizagem não se concretizou. Hoje, temos bem clara a noção de que o importante não é a quantidade do que se ensina ao aluno, mas a qualidade do que ele aprende.

O desinteresse oficial por uma escola pública de qualidade se constitui em mecanismo de reprodução das desigualdades. Concursos de ingresso ao magistério público há, em que Secretarias de Estado observam com rigor a porcentagem de acertos e erros, aprovando os realmente capazes – como o recente concurso, realizado no Rio Grande do Sul, onde 70% dos candidatos foram reprovados, ou o concurso de ingresso na Bahia, em 97/98, que reprovou cerca de 90% dos candidatos. Secretarias há em que, desconsiderando a má formação, rebaixam o nível de conhecimento, aceitam uma porcentagem de acertos inferior ou bem inferior ao que seria a média das questões, facilitando o acesso  para abarcar o maior número de candidatos, mas não garantem, depois, a qualificação necessária ao padrão requerido pela época. Nessa acomodação política, o aluno pobre é o maior prejudicado, pois que tem aula com professores mal preparados, cuja efetividade não foi fruto de competência. O ensino fica, assim, nivelado por baixo.

Em recente publicação do texto: “Duas experiências de ensino estruturado”, Cláudio de Moura Castro, assessor da Divisão de Programas Sociais do Banco Interamericano do Desenvolvimento, faz uma análise sociológica, cultural do Brasil, das últimas décadas e compara-o aos Estados Unidos. Ambos, diz ele, encontram dificuldades em “criar escolas capazes de oferecer um ensino de boa qualidade aos mais pobres e mais vulneráveis... têm escolas péssimas servindo a essa população”. Ambos têm grande desigualdade na distribuição de renda. Sendo que nos Estados Unidos “a maioria esmagadora é imensamente rica, embora tenha muitos bolsões de pobreza, sobretudo, nos centros urbanos”. No Brasil, ao contrário, temos “uma minoria muito rica e uma grande camada de pobreza, incompatível com nossa renda per capita”. O contraste entre Brasil e Estados Unidos está na grande diferença entre população rica e pobre. Se aqui poucos têm boa escola, lá a grande maioria a tem.

Cada povo tem  a educação que o espelha e a nossa pouco nos engrandece.

O magistério é  vocação sublime,  abre caminhos de esperança, de sonhos, de realizações. O professor é pedra angular, a fundamental na construção do ser humano. Batalhar a educação é batalhar a vida no seu grau supremo da promoção humana e social. Ela é essência, ultrapassa a dimensão circundante do Homem, alcança a dimensão cósmica, quando então, entra em comunhão com a obra do Criador e se torna a grande responsável pelo desenvolvimento sustentável do planeta, pela continuidade de nossa mãe-Terra, em sua missão de gerar novas vidas. “O que acontece à terra, acontece aos filhos da terra” – Seattle, chefe das tribos indígenas Duwarnish – Canadá.

Vimos, em seqüência, espalhando sementinhas, que a seu tempo – esperamos – se revertam no nascimento de árvores frondosas. Outras sementes, juntando-se a estas, romper-se-ão em outras árvores, que, no seu conjunto, formarão o cerne, a frente robustecida de combate, com núcleos de influência, semeando permanentemente. Se cada um fizer a sua parte, o grande encontro virá e coroado da salvadora redenção. Completo essas considerações com meus versos “O sono da combalida educação”.

O SONO DA COMBALIDA EDUCAÇÃO

A educação dorme no leito do atraso,
Sono do descaso, da assistência falida,
Da oscilante ideologia do acaso,
Brotando uma atuação didática abolida.

Quantos caminhos perdidos em sua dormência!
Enquanto dorme, o mau ensino perdura,
A criança se embrenha na estrada da falência,
Os pais choram a perda da visão futura!

Educação é luz, terra em maternidade,
Gera o alimento para o corpo e para a alma,
Sacia o sonho, a desigualdade acalma.

Desperte “Consciência”, alce a vontade política,
Faça da sociedade uma análise crítica,
Distribua o saber em social eqüidade.!

 

A APRENDIZAGEM EM BASES CIENTÍFICAS

Izabel Sadalla Grispino *

A Educação Infantil é uma preocupação mundial. Educar a criança é o ponto de partida para a transformação social, para se construir um mundo de valores, os quais se diluem diante de nossos olhos. Se a criança é o adulto de amanhã, como será esse adulto sem uma base de sustentação montada na infância? Base sem consistência, edifício desmoronado!

Por essa razão, cerca-se o estudo do desenvolvimento infantil de todas as áreas: pedagógica, psicológica e científica. A escola não pode parar no conhecimento, tem que avançar, caminhar par a par com as descobertas que vêm surgindo e, com elas, reformular-se.

Até ontem, acreditava-se que os alunos lentos na aprendizagem, com certa dificuldade de adquirir o conhecimento, eram somente produtos de uma situação de pobreza, de problemas familiares, de falta de prontidão. Hoje, com as descobertas da ciência, certifica-se que a causa pode ser genética e como tal pode e deve ser tratada. Esta foi a declaração dada à TV britânica, em março de 2003, por James Watson, um dos dois cientistas que descobriram a estrutura do DNA, há 50 anos, conquista que lhe valeu o Prêmio Nobel de Medicina em 1962. Nessa declaração, o cientista afirma que “a burrice é uma doença genética que deveria ser tratada”. “As pessoas burras, continua ele, ou com coeficiente intelectual baixo, que não têm um transtorno mental diagnosticado, sofrem de uma desordem transmitida de forma hereditária pelos genes, como ocorre com doenças como a fibrose cística ou a hemofilia”. “Se alguém é realmente burro, chamaria isso doença”, reforça esse renomado professor, grande  impulsionador  do Projeto Genoma Humano, a iniciativa internacional para decifrar o chamado mapa da vida.

James Watson conclama ao uso da engenharia genética para melhorar a raça humana. Pede aos cientistas que desenvolvam tratamentos genéticos, que façam exames pré-natais para prevenir o nascimento de crianças burras. “É injusto que as pessoas não tenham as mesmas oportunidades (de ser inteligentes). Uma vez que se dispõe de métodos para melhorar nossas crianças, ninguém pode evitar sua aplicação. Seria “burro” não usá-los”, defendeu Watson.

Um outro aspecto, agora vindo da psicologia infantil, a ser observado pelos educadores e de fundamental importância para o desenvolvimento da personalidade, é a solidão na infância. A dificuldade de socialização, quando a criança não faz amizades e se acostuma ao isolamento, significa que algo está errado; é o momento de se buscar ajuda.

A dificuldade de se relacionar com outras crianças é mais evidente na escola, onde se aprende a arte da convivência. Esse comportamento, revela-nos a psicologia, pode ser sintoma de que ela está passando por algum problema, como, por exemplo, a separação dos pais, a falta de atenção, de carinho, a baixa auto-estima.

No ambiente microssocial que é a escola, é muito importante o professor não se limitar à sala de aula. Observar o aluno no recreio, nas horas de lazer, se ele se afasta, se não se achega aos coleguinhas e comunicar-se com os pais. Manter com os pais cumplicidade, facilitando o diagnóstico do problema e a busca de solução. As crianças que se isolam na hora do recreio, que têm dificuldades de fazer amiguinhos, mostram sério sintoma.

O professor deve incentivar o relacionamento dessa criança com seus coleguinhas e os pais devem brincar mais com esse filho, convidar outras crianças para brincar  com ele  em casa.  Os pais devem buscar espaços onde haja mais crianças e estimular atividades coletivas. Não resolve, por exemplo, levar a criança ao shopping, onde há muita criança, mas sem interação entre elas. Os psicólogos chamam a atenção para a terapia infantil, chamada ludoterapia, considerada importante no caso de crianças com dificuldade de relacionamento.

Os psicólogos dão uma relação de motivos do isolamento infantil:

  • Muito convívio com adultos ou dedicação a atividades solitárias, como videogame, TV, computador. O que fazer? Os pais devem incentivar o convívio com outras crianças e as escolas programar atividades em conjunto.
  • Quando a criança tem gostos e características diferentes da maioria, quando tem maior sensibilidade, ou preferência pela leitura, deve-se ajudar essa criança a encontrar amigos que compartilhem dos mesmos prazeres.
  • Uma séria causa de isolamento e de outros comportamentos anti-sociais é quando a criança está enfrentando problemas familiares, discórdia entre seus membros. Ocasião em que toda a família deve procurar terapia, parar para reflexão, porque o que se constata é que a violência sai das ruas e invade os lares das mais variadas formas.

A sociedade passa por transformações num ritmo intenso, mudando valores morais, sociais, religiosos e a família se ressente da mudança, gerando conflitos. Um mundo novo se descortina e as pessoas não estão sabendo bem como agir. Antes, contava-se com fórmulas mais exatas, com respostas que se programavam, com modelos que se seguiam. Agora, passa-se por alternâncias de desconstrução/reconstrução, sem um guia seguro. Tem-se que enfrentar novos desafios, fazer escolhas num terreno em que não se está preparado. Os parâmetros fixos que orientavam as pessoas não existem mais.

O aprender a conviver com o novo repercute na  família,  de  modo a provocar instabilidade, insegurança. A criança absorve o ambiente conturbado e passa a ter problemas emocionais, viés de comportamento. Os problemas familiares são abrangentes e as causas da desestabilização da criança estão embutidas nas atitudes dos adultos.

O professor alcança a aprendizagem de todos os seus alunos quando se torna um profissional interessado, participativo de suas vidas, não se contentando com a posição de mero espectador. Ele não pode, inclusive, prescindir da educação continuada. Novas descobertas, novas pesquisas, novas avaliações surgem e é preciso acompanhá-las, para introduzi-las em seus métodos de trabalho, colocando-os dentro da modernidade, ajudando o aluno.

* Supervisora de ensino aposentada.

(Publicado em setembro/2003)

UM PANORAMA DO ENSINO OFICIAL

Izabel Sadalla Grispino *

A educadora Jane Wreford, da Comissão de Auditoria da Inglaterra, a pedido do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial, passou um mês visitando escolas públicas na grande São Paulo, em 2002. Observou aspectos físicos, a organização do sistema escolar e os trabalhos docente e administrativo.

O Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) do Ministério da Educação não comprova progressos no aprendizado desde 1991. De cada 100 estudantes que iniciam o ensino fundamental, somente 59 o concluem. Todas as crianças podem freqüentar o ensino fundamental até os 16 anos e, hoje, a maioria o faz. Contudo, o desafio continua pela obtenção de um ensino de qualidade.

Jane apresentou um relato de suas observações, divulgado pela mídia, que merece, nos seus pontos-chave,  ser conhecido pelos profissionais da educação. Notou, por exemplo, constantes faltas dos professores, refletindo no interesse dos alunos pelos estudos: “Como os alunos poderão estar convencidos de que sua educação é importante se são tratados com tanta indiferença?” Notou falta de foco individual no aluno, resultado, em grande parte, da pesada carga horária dos professores, do número elevado de alunos por classe e do baixo salário que os levava a trabalhar em três períodos diários, em escolas diferentes.

“Há necessidade urgente de aumentar o compromisso dos professores com seus alunos e escolas. Vínculo difícil dentro da gigantesca máquina estadual. Um grande passo poderia ser a autonomia das escolas para concentrar o seu corpo docente.

Jane conclama a um esforço para melhorar a formação do professor para que se alcance um ensino de melhor nível e possa evitar a evasão e a repetência dos alunos. “Está documentado que os alunos que repetem o ano têm maior probabilidade de parar seus estudos”. Notou que o sistema de ciclos, na progressão continuada, era mencionado por diretores e professores de forma pejorativa, como promoção automática. Notou uma avaliação da aprendizagem falha, desconexa. Uma avaliação feita, em grande parte, informalmente em sala de aula e testes no fim do período. “Ela carece de análise comparativa de dados. A maioria dos professores não costuma prestar contas do rendimento de seus alunos”.

Jane dá uma visão de como é o ensino na Inglaterra. “Lá os alunos também são promovidos automaticamente, mas os professores se preparam para dar aula a um grupo heterogêneo. Professores de alunos abaixo de 11 anos podem agrupá-los dentro da sala por nível de habilidade, pelo menos numa parte do dia. Alunos com maiores dificuldades recebem atenção especial fora da sala de aula. A partir da 5.ª série, as escolas são maiores e os alunos encaminhados a grupos paralelos para as matérias básicas, às vezes com três níveis de capacidade, segundo o tamanho da escola. Porém, todos os professores devem ensinar para atingir vários níveis de habilidade”. Conclui Jane que na política da Secretaria da Educação falta essa abordagem para reduzir a repetição.

Quanto à aprendizagem, pareceu a Jane que os professores têm formação razoavelmente adequada na matéria específica, mas, pouco ou nenhum treinamento prático em didática. Os professores simplesmente não sabem ensinar de maneira eficiente. As aulas são como palestras. É raro haver planejamento de aulas, com a introdução de um tópico e discussão em classe, seguidas em atividades em pequenos grupos ou pesquisa individual e depois, por um debate final, para fixar as pesquisas prontas. A maioria dos professores não checa o progresso dos alunos, tampouco passa atividades de escrita. Dentre as aulas de ensino médio que observamos, menos da metade dos alunos estava de fato acompanhando a aula. O ensino da leitura na 1.ª série é crítico, como prova o analfabetismo funcional documentado entre alunos que completam a 4.ª série... A compreensão de texto pelo aluno fica muito atrás da sua habilidade para decodificar sons”.

Outra séria anotação é de que os próprios professores não dão o devido valor aos livros e outros materiais impressos, como mapas, gráficos, globo, ou meios de comunicação. Além da insuficiência de materiais didáticos, notou pouco interesse dos professores em utilizá-los. As bibliotecas estavam quase sempre trancadas, raramente as escolas possuíam laboratórios com pias ou recursos específicos para aulas de ciências. No ensino fundamental, não havia, nas salas de aula, livros de leitura para diferentes graus de habilidade, isto é, com vocabulário adequado à habilidade de leitura do aluno, nem mesmo simples livros de história.

Quando professores, de qualquer série, escreviam as perguntas na lousa, os alunos copiavam e achavam que a tarefa estava completa. O aproveitamento do aluno acaba sendo insatisfatório e no fim do ano letivo é promovido mesmo que não tenha alcançado um rendimento mínimo.

Junto aos aspectos negativos, a pesquisadora do Instituto Braudel diz ter encontrado, também, professores devotados, com vontade de crescer, diretores preocupados com a segurança da escola, enfrentando grandes desafios no compromisso de melhorar o ensino. Ela perguntou, em cada uma das escolas visitadas, quais seriam os três desejos dos profissionais, com relação ao ensino  público. Baseada nas respostas, Jane Wreford elaborou cinco recomendações: 1.ª) Desenvolver melhores métodos de ensino para professores, com demonstração em vídeo e pessoalmente, nas escolas; 2.ª) Melhorar os métodos para estimular o hábito da leitura; 3.ª) Tratar fatores que conduzem à falta de orgulho profissional e aos níveis alarmantes de ausências de professores: oportunidades para avanço na carreira, monitoramento e avaliação das práticas de ensino, revisão do sistema de nomeação dos profissionais para evitar a rotatividade excessiva; 4.ª) Desenvolver novas maneiras de abordar a segurança escolar; e 5.ª) Treinar supervisores escolares para ajudar a escolas a fazerem  autodiagnóstico  e  promoverem  o auto-aperfeiçoamento e separar a supervisão da administração escolar.

Não faltam subsídios esclarecedores sobre o decadente ensino no Brasil; estudos que mostram a nossa triste realidade educacional. O que faltam são conscientização e mão na massa, por quem de direito!.

* Supervisora de ensino aposentada.          
(Publicado em março/2004)

O ENCONTRO DA FÉ E DA RAZÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Com este artigo, finalizo a série que venho publicando sobre fé e razão. A velha rivalidade não se restringe à análise da origem das coisas e do universo; atinge, também, o comportamento humano. Registro, sucintamente, algumas passagens.

Sobre a evolução do comportamento humano, a sociobiologia, surgida por volta de 1976, estudando o substrato biológico do comportamento social, passou a idéia de que é possível analisar o comportamento dos animais pelos genes. Haveria uma seleção natural, onde as chances de reprodução seriam amplificadas de geração em geração; uma filtragem progressiva de mutações aleatórias que explicariam a evolução dos traços físicos do animais; mas explicaria o seu comportamento?

Discordando dessa teoria, um grupo de cientistas relutou em aceitar que um processo mecânico, e não um Deus, tivesse podido criar uma criatura tão perfeita, como o homem ou como o animal.

Quanto ao comportamento humano, apoiavam-se no padrão das ciências sociais, das ciências humanas, que diziam ser ele moldado em fatores culturais, arbitrários e suscetíveis de variar ao infinito, porque escapam às limitações biológicas que afetam os animais. Questionavam o eugenismo, sem contudo, anular os fundamentos genéticos do comportamento dos animais.

Mais recentemente, contudo, há cerca de uma década, numerosos antropólogos, psicólogos, sociólogos, voltam a analisar aspectos do comportamento humano à luz da teoria evolucionista de Darwin. Na Grã-Bretanha, a segunda revolução darwiniana atinge o grande público, transforma-se num fenômeno editorial, com a publicação da série intitulada “Deus, os genes e o destino”.

O escritor inglês William D. Hamilton abordou genética e antropologia, em correlação. Preocupou-se com o problema do altruísmo (na época, um problema para os darwinistas): quando alguns pássaros percebem um predador, emitem um grito de alerta a seus congêneres, correndo o risco, eles mesmos, de serem apanhados. Entre as formigas e as abelhas, as castas de operárias estéreis passam a vida inteira alimentando a raínha-fecunda.

Para Hamilton, somos geneticamente levados a ajudar nossos irmãos e irmãs que possuem, em média, a metade de nossos genes – teoria da relação parental. No interior de um mesmo organismo, a cooperação entre as células, portadoras dos mesmos genes, é total.

Nessa altura, assistimos novamente à dualidade razão e fé. Os genes explicam tudo? Ou o homem está submetido a dois tipos independentes de evolução: a cultural e a biológica, conforme querem, hoje, as ciências humanas? A seleção natural é aleatória? A perfeição do corpo humano é fruto do acaso ou é planejado e da ordem maravilhosa da vida, resultante de uma Consciência que presidiu sua elaboração? As mais altas faculdades do espírito humano são simplesmente derivadas da matéria?

O papa João Paulo II, a respeito, assim se expressou: “Existem leituras materialistas e reducionistas, como leituras espiritualistas da teoria da evolução de Darwin. O julgamento final, nesse ponto, é da competência própria da filosofia, além da teologia”.

Meditando sobre nós mesmos, sentimos que as fortes aspirações humanas de paz, de felicidade, ou o seu inverso, as apreensões, as angústias, os sofrimentos levam o homem a se evadir, a sair desse plano terrestre, sair da matéria,  a buscar a sublimação, uma transposição capaz de lançá-lo a uma dimensão superior, ao infinito, onde, seguramente, habita Deus.

Independentemente das teorias existentes, são as luzes da alma que conduzem o ser às realizações positivas e essa luz, seguramente, não é fruto da matéria. Essa luz sai dos nossos sentimentos, do nosso espírito, da parte inatingível de nosso ser, do nosso psiquismo, da nossa conduta e não carece de método experimental, de comprovação científica para assegurar sua existência.

O ser sem fé é um ser amargo, ressequido, árvore que não floresce, que se quebranta, aos poucos, antes de morrer. É a própria razão que nos conduz à fé, que nos ensina que precisamos dela para uma vida melhor. A fé, por sua vez, enriquece e enobrece a razão. Há uma inter-relação, uma reciprocidade autêntica entre elas.

Essas reflexões inspiraram-me a poesia “No além, a presença de Deus”. Respondam comigo, prezados leitores, as questões que nela formulo. Para mim, a resposta está na última estrofe e para você?

NO ALÉM, A PRESENÇA DE DEUS

Se nada, além da vida, existe,
O que é esse amor que se sente?
Esse anseio de continuidade,
O sonho da posteridade?

Se nada, além da vida, existe,
Por que essa raiz tão consistente?
Essa consciência profunda
Do dever, que o ser inunda?

Se nada existe além da vida,
Se tudo acaba na partida,
Qual sentido da ação ingente,
Que arrasta a alma da gente?

Se pro ateu só razão consiste,
Só pelo cérebro a alma existe,
Como explicar o dom de amar,
O impulso pra construir, gerar?

Quem pôs ao homem tais sentimentos?
Quem nos deu os altos alentos?
Acaso, são frutos do nada?
São restritos a essa jornada?

No além desta vida, eu lhe digo,
Há Deus que caminha consigo,
Que lhe cobre de amor bendito,
E dá-lhe a graça do infinito.


* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2001)

JOGOS PARAOLÍMPICOS

Izabel Sadalla Grispino *

O mundo desperta com mais vigor para a educação do deficiente, dos portadores de necessidades especiais (PND). Descobre-se que suas potencialidades, quando bem trabalhadas, levam-no a realizações inesperadas.

Terminaram recentemente os Jogos Paraolímpicos, organizados logo depois dos Olímpicos, na mesma cidade e instalações, em Atenas, Grécia. No período de 17 a 28 de setembro competiram 3.857 atletas paraolímpicos, representando 145 países. São atletas portadores de deficiência mental e física. A competição tem uma tradição de 44 anos. O Brasil paraolímpico é bem superior ao olímpico. Possui uma das melhores equipes, tem 9 recordes mundiais. Em Sydney conquistou 22 medalhas, seis delas  de ouro. Para esses últimos Jogos Paraolímpicos, o Brasil enviou a maior delegação de sua história: 98 atletas de 13 modalidades. Teve a melhor participação do País, com 34 medalhas, sendo 14 de ouro, 12 de prata e 8 de bronze. O destaque foi o nadador brasileiro Clodoaldo Silva, que conquistou 6 medalhas de ouro e 1 de prata. Fechou sua participação no ponto mais alto do pódio.

Alguns esportes praticados são bem conhecidos, como o basquete de cadeira de rodas e a natação. Outros são novidades, como o futebol de 5, que aparece na Paraolimpíada pela primeira vez. Em dois tempos de 25 minutos cada um, jogadores cegos ou de pouca visão – que  usam tampões nos olhos para não ter vantagem – orientam-se pelo som. Há ainda o vôlei, goalball, hipismo, tênis, futebol de 5 para cegos – mencionado acima --, futebol de 7 para paralisados cerebrais, halterofilismo, judô, tênis de mesa, ciclismo e atletismo.

É emocionante notar como os deficientes fazem de tudo, hoje em dia. A Paraolimpíada dá a oportunidade de o deficiente mostrar o quanto é capaz, em termos de concentração, de raciocínio, de superação de si mesmo.

Os jogos Paraolímpicos reforçam o conceito de valorização da educação do aluno deficiente. No estudo de um novo idioma, por exemplo, ultrapassam a barreira da língua materna. Muitos deficientes visuais e auditivos freqüentam aulas regulares, com sucesso, em inglês, espanhol, italiano e outros idiomas. Usam material em braile, fazem leitura dos lábios, contam com programas avançados de computador. Mostram-se animados, com vontade de aprender. Os que têm deficiência auditiva se valem, também, do aparelho para audição.

O importante na aprendizagem do deficiente é observar o ritmo e as características de cada um, dar-lhe o apoio que necessita e usar material didático adequado. Introduzi-lo na sala de aula comum, com os outros alunos e incentivá-lo a participar. Segundo os fonoaudiólogos, apenas deficientes auditivos oralizados, isto é, que conseguem ler lábios e reproduzir os sons, podem participar das aulas normais de idiomas. Os que têm perda profunda de audição precisam de um professor que saiba a língua dos sinais.

Segundo o relatório “Monitoramento Internacional dos Direitos dos Deficientes”, elaborado pela Rede Internacional de Deficientes e pelo Centro para a Reabilitação Internacional, divulgado no início de setembro p. passado, o Brasil, entre 24 países pesquisados, é o País das Américas que assegura a melhor proteção e tratamento aos deficientes físicos. O que influenciou esse resultado foi a legislação que, entre outros fatores, assegura cotas de contratação nas empresas, garantias constitucionais de apoio financeiro e proibição da discriminação no trabalho.

Mas, em termos de realidade, pouco se faz no cumprimento dessas vantagens, para que o País seja realmente inclusivo no trato do deficiente. A reserva de mercado aos deficientes, com cotas obrigatórias, estabelecidas pela legislação, em empresas com mais de 100 funcionários, nem sempre é cumprida. Há ainda o obstáculo da locomoção que impede a chegada e a permanência do deficiente no emprego. Do mesmo modo, a reserva de 5% das vagas para os concursos públicos tem seu privilégio esbarrado pelas condições de acesso à educação. O deficiente não consegue trabalho ou estudar porque não tem acesso ao local do emprego e à escola. A lei da reserva de vagas para os concursos públicos, regulamentada em 1988, em que pese a boa intenção, deveria adequar a escola, o sistema de saúde, o transporte público, para atender a demanda dos interessados, garantir a sua participação efetiva na sociedade.

Um outro contra-senso, outro desencontro entre legislação e realidade, é a garantia do direito de voto, que deveria ser acompanhada do direito de acesso ao local de votação. No segundo semestre deste ano – 2004 – o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, incongruentemente, que os deficientes que não possam chegar aos locais de votação estão dispensados. Somente 20% dos postos de votação do País estão equipados para receber portadores de deficiências. Diante desse parecer, haverá interesse em equipar os demais?

Segundo o Censo do IBGE, realizado em 2000, o Brasil possui uma população de mais de 24,5 milhões de brasileiros portadores de algum tipo de deficiência. Dentre os deficientes visuais, 159.824 responderam que são incapazes de enxergar. Dos brasileiros com deficiência auditiva, 176.067 disseram que são incapazes de ouvir. Em cada 100 brasileiros, no mínimo 14 apresentaram alguma limitação física ou sensorial. O número é elevado e merece toda nossa atenção, toda atenção governamental.

Percebemos que ainda há muito que fazer pelos deficientes, ultrapassar os limites da legislação, legislação que colocou o Brasil como o melhor País das Américas no tratamento do deficiente. Quantos anos ainda levaremos para dar condições apropriadas para que o deficiente possa exercer, com dignidade, sua cidadania?

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro de 2004)

EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO SOCIAL

Izabel Sadalla Grispino *

Lutar para elevar o nível de ensino das escolas brasileiras, em especial das escolas públicas, é lutar pelo de-senvolvimento do País, lutar pela desigualdade social.  A diferença educacional do pobre e do rico só faz aumentar a concentração de renda. Não há ascensão social sem educação de qualidade, inexistindo a possibilidade de empregos bem remunerados.

Quanto à economia, nosso decadente ensino nega os recursos humanos necessitados pelas empresas em mão-de-obra qualificada. A produtividade fica inibida diante do fraco treinamento dos professores para encarar tecnologias mais avançadas no campo da produtividade. O baixo nível de escolaridade interfere, também, na competitividade internacional, quando países como o Brasil disputam a mesma parcela do mercado globalizado.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é um indicador que passou a ser usado pela Organização das Nações Unidas (ONU) a partir dos anos 90. Pelo IDH, divulgado em julho corrente, o Brasil teve uma queda acentuada no ranking que mede o desenvolvimento humano no mundo. Na comparação com 175 países e 2 territórios, entre os anos 2001 e 2002, o Brasil caiu da 65.ª posição para a 72.ª, ficando abaixo da colocação que se encontrava no começo dos anos 90.

A queda brasileira no ranking deu-se pela piora nos dados de educação, principalmente pelo percentual de analfabetos entre pessoas com mais de 15 anos. A posição brasileira no ranking mundial mostra um retrocesso lamentável na educação.

O IDH mostra que a riqueza do País continua concentrada nas mãos de uma minoria da população. Mostra, no Índice, quantas vezes a renda dos 10% mais ricos no País é maior do que a dos 10% mais pobres, e o Brasil atinge 85 vezes. Vemos, então, como somos um País desigual e quanto devemos batalhar por uma educação de qualidade para as classes menos favorecidas.

O grande caminho para enfrentar a marginalidade educacional, social e econômica é assistir melhor à escola. Investir mais no ensino, melhorar e muito o salário dos professores, para que, estimulados, assumam maior compromisso com a educação. Para que se dediquem à reciclagem de conhecimentos, educando-se convenientemente, contribuindo qualitativamente com a escola que a época vem pedindo. Ao capacitar-se melhor, o professor, com mais possibilidades, entenderá que o maior objetivo da escola é fazer o aluno aprender; dar-lhe uma boa formação e não apenas fazê-lo passar de ano, muitas vezes, sem o mínimo necessário de conhecimento.

Bons professores resultam em bons alunos. Os próprios professores da rede pública, quando se trata de colocar os filhos na escola, colocam-nos em escolas privadas. Uma pesquisa realizada pela Unesco, feita com educadores brasileiros, “O Perfil dos Professores Brasileiros”, divulgada em maio de 2004, mostrou que os professores brasileiros, ganhando mal, preferem se sacrificar e pagar escolas particulares para seus filhos que deixá-los em escolas públicas. Mostrou que 54% dos 5 mil entrevistados escolheram pagar pela educação dos filhos. Querem garantir, segundo a pesquisa, uma “mobilidade social” para eles, um futuro melhor daquele  que tiveram. Ponderou Jorge Werthein, representante da Unesco no Brasil, de que “esses professores são a prova de que o investimento na educação tem altíssimo retorno”. Esses professores buscam qualidade de ensino, garantia de evolução social, que não encontram nas escolas públicas.

Um fato auspicioso que vem surgindo é o projeto de política integrada para os jovens. É um projeto que, segundo o ministro da Secretaria Geral da República, Luiz Dulci, vai integrar as políticas para a juventude, desenvolvido por várias áreas do governo, pelo Congresso e pela sociedade civil. Entre as ações que se programam está a reativação do Projeto Rondon. Luiz Dulci diz ser “um projeto totalmente novo, diferente do que era realizado no período autoritário”.

Contudo, o objetivo do novo Projeto Rondon “continuará sendo o de permitir uma integração maior dos estudantes com a realidade das regiões menos favorecidas do Brasil”. É, na verdade, um intercâmbio, onde os jovens levam seus conhecimentos e suas aptidões a outras regiões do País e, de retorno, assimilam novas culturas, ganham novas experiências.

A volta do Projeto Rondon foi proposta pela União Nacional dos Estudantes (UNE), como uma ação voltada para a área da juventude. O primeiro projeto foi criado em 1967, durante o regime militar, e durou até 1989. O propósito era levar estudantes universitários e professores para as regiões carentes do País, visando a realização de trabalhos sociais. Durou 22 anos e dele participaram mais de 350 mil alunos e 13 mil professores. O projeto atual pensa em ampliar a participação; além de universitários, incluir alunos do ensino médio.

O projeto de integração para a juventude quer priorizar ações na área do lazer, tentando combater a criminalidade. Atualmente, 18 áreas do governo têm ações voltadas para a juventude e o número de programas nessa ala chega a 48.

Integrar ações entre os jovens propicia avançar em direção à cidadania, à comunicação social. O projeto Rondon foi no passado uma iniciativa bem sucedida, em que a juventude se sentia útil na prática de ações sociais, desenvolvia a sociabilidade, o senso humanitário do viver, a responsabilidade perante a sociedade, vivenciando as desigualdades regionais. Vale a pena repetir a experiência.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em julho/2004)

A BIBLIOTECA ESCOLAR

Izabel Sadalla Grispino *

A biblioteca é um recurso didático indispensável no processo de aprendizagem. A adoção, pela escola, do método construtivista coloca a pesquisa na vanguarda da metodologia. Além disso, como despertar o aluno para a imperiosa leitura, como criar o hábito de ler, sem a existência de sua matéria-prima?

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