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ENSINO RELIGIOSO NAS ESCOLAS

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Izabel Sadalla Grispino *

A violência toma conta da cidade e do campo. A vida tornou-se um sobressalto permanente. Nos consultórios médicos, enfileiram-se pessoas que procuram ajuda para a síndrome do medo.

O Hospital das Clínicas de São Paulo montou uma equipe médica voltada para o tratamento da síndrome do pânico, quer de pessoas que passaram, elas mesmas, pelo trauma do seqüestro, do estupro ou de violentos assaltos, ou viveram o drama de uma pessoa da família violentada. Os atendimentos aos pacientes, acometidos dessa síndrome, crescem a cada dia e a equipe manifestou-se dizendo não estar mais dando conta do recado. Hoje, constata-se que os remédios antidepressivos pertencem ao quarto grupo mais vendido, atrás somente dos antiinflamatórios, analgésicos, contraceptivos.

Algo muito sério precisa ser pensado diante de tão pesada situação. Se a geração atual tem uma grande ala que já descambou para o mal, não tendo mais, infelizmente, como conter essa avalanche assassina, temos que nos preocupar, com rigor, nas gerações que vêm vindo. Prepará-las para uma convivência pacífica, conduzindo os seus passos, educando-as para a compreensão, afastando o tipo de competição acirrada, que gera egoísmo, individualismo perverso. Preparar a criança para viver o amor, lançando alicerces éticos e morais desde a mais tenra idade. A criança deve conviver com a idéia de Deus, dessa entidade que simboliza paz, ajuda ao próximo, solidariedade. Deve ser despertada para o sentido de religiosidade, ensinada a conviver com o diferente, com a desigualdade social. Ter o olhar voltado para os mais necessitados.

Muitas escolas, hoje, preocupam-se em adotar ensino religioso, mesmo não havendo unanimidade de opinião entre os professores. Acham importante passar, aos alunos, noções de religião, onde destacam a importância de conceitos como fraternidade, ajuda e respeito. Introduzir o aluno no universo da fé, sem entrar em conflito com o universo científico, antes harmonizá-los. A escola deve respeitar a crença de todos os alunos, fazendo-os perceber uma sociedade plural e com ela aprender a conviver. A escola não vai entrar na doutrina de nenhuma religião, vai buscar o que de comum há entre elas, a idéia de Deus, carregada de bondade, justiça, da prática do bem, da condenação do mal, da divisão do pão, da igualdade de oportunidades. Mostrar aos alunos o que significa ter uma religião, os comportamentos que a representam, como e porque a religião surgiu (contexto histórico-cultural), dar a eles uma estrutura moral. A religião forma o indivíduo para uma cultura humanística, para uma civilização voltada ao bem comum.

O que se tem questionado nas escolas é a possível divergência que possa vir ocorrer entre religião e ciência. Muitos professores são contra a idéia do ensino religioso, achando que a escola deve ter somente base científica, não se envolver com a questão da fé. Mas, o que se vê é que a evolução da ciência, em termos de convivência pacífica entre os povos, em termos de qualidade de alma, não trouxe contribuição positiva. Deve-se aproveitar a brecha que essa situação oferece à educação religiosa, fazê-la interferir, dar o seu recado de humanização, tentando reverter essa caótica posição.

Deixar como está é inviável. É preciso enfrentar o desafio, o crescente envolvimento da sociedade com a violência. Se a ciência, com sua estrondosa evolução, não está trazendo recuo nessa área, ao contrário, a violência se acentua a cada passo, temos, sim, que apelar para a crença, para a fé, para a cultura da alma. Aliás, já diziam os antigos gregos “a alma de toda cultura é a cultura da própria alma”. Temos que promover a sociabilização do conhecimento sobre a violência, privilegiando informações isentas de preconceito, carregadas de atributos morais, em estratégias de trabalho pedagógico. Temos que fazer o aluno sentir que a mudança de posição virá dele, só ele tem, em suas mãos, a força da transformação que possa vir ocorrer na sociedade, no caso em questão, da violência, das drogas.

A violência alastra-se e forte, também, nas escolas. O seu grau chegou a ponto de a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) entender que se devem desenvolver pesquisas de âmbito nacional sobre o uso de drogas nas escolas, no ensino fundamental e médio, e entre crianças e adolescentes em situação de rua, bem como sobre padrões de consumo de álcool e partir para um plano de ação.

Os professores contrários ao ensino religioso criam polêmica também na abordagem do criacionismo. As duas vertentes, criacionismo e evolucionismo, costumam ser entraves ao ensino religioso. Porém, os dois conceitos devem ser passados aos alunos e, em ambos, o que deve ser ressaltado é a figura do homem, a principal criação de Deus, ou da vida, como querem alguns. Indicar livros que completem as explicações e deixar as conclusões para eles. O criacionismo é uma teoria baseada na Bíblia, que fala ser a origem do universo e de todas as formas da vida resultado da intervenção divina. Em tudo houve um Criador, que é Deus. O homem descenderia de Adão e Eva. Essa teoria se opõe ao evolucionismo, que diz ser o homem descendente dos primatas. Os ancestrais do homem são macacos, dizia o cientista inglês Charles Darwin. Em 1859, Darwin publicou “A Origem das Espécies”, onde expõe os fundamentos do evolucionismo. Os criacionistas consideram os evolucionistas ateus.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), em seu artigo 33, diz que cabe aos Estados decidir como e por quem serão dadas as aulas. Diz que toda escola pública brasileira de ensino fundamental deve oferecer aulas de religião, mas a freqüência é facultativa para o aluno. Pela lei, o ensino religioso “é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurando o respeito à diversidade cultural e religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de proselitismo”.

A escola, educando a alma, formando o caráter, desenvolvendo na criança, em si, ações éticas, comportamento moral, terá nessa criança, no adulto de amanhã, talvez, a maior solução para o problema da violência. É uma perspectiva, um caminho que não pode ser desprezado, em nome de uma pretensa ciência.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2004)