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LUZES NO PALCO DA EDUCAÇÃO

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Izabel Sadalla Grispino *

Não têm sido pouco insistentes as vozes que, de tempos em tempos, apregoam a luta por uma educação de qualidade, nas escolas da nossa rede oficial. Se nos propusermos a uma análise detalhada, veremos que os pontos culminantes das reivindicações se colidem. São argumentações que brotam de observações reais,  desfantasiosas, da atuação das escolas e seus desfavoráveis resultados.

Recentemente, revistas e jornais têm publicado um retrato surpreendente da educação que se desenvolve na Coréia do Sul. Os altos índices do nível educacional, que o povo sul-coreano vem alcançando, encontram respaldo nas condições em que o país colocou a educação fundamental – educação de base – da população como um todo.

A Coréia do Sul promoveu uma revolução educacional que fez dela modelo de referência mundial. As enérgicas medidas tomadas desmistificam o populismo com que a educação é tratada em países pouco afeitos à educação popular. São medidas palpáveis, convincentes, objetivas, altamente qualificadas, sem invólucro de chamariscos para impressionar. E, se assim não for, não haverá resultado consistente, apenas melhoras paliativas, intermitentes, desconexas, como o que acontece no Brasil.

Educação não é um faz-de-conta, é algo muito sério e como tal deve ser tratado. Vontade política e um debruçar-se são trilhos exigidos. Tomando a Coréia do Sul como exemplo, poderemos facilmente delinear os trâmites do sucesso, entender por que em Seul a obsessão por leitura tem caráter nacional.

A Coréia do Sul concentrou seus recursos públicos no ensino fundamental. Compreendeu que ele é a alavanca do ensino superior. Era preciso fortificar esse grau de ensino para levar a fortificação aos graus mais avançados. As salas de aula são equipadas com os mais modernos recursos didáticos, os laboratórios de computação têm máquinas de última geração ligadas à internet e as bibliotecas, ricamente montadas, com acervos os mais variados, atraem famílias inteiras nos fins-de-semana.

Estímulos não faltam nem a professores, nem a alunos. Um sistema de mérito implantado premia os bons estudantes desde a escola até a vida adulta. Premia os melhores alunos com bolsas e aulas extras, para que desenvolvam seu talento.

Os professores são vistos como luzes no cenário educacional, chaves do processo de aprendizagem. São alvos de respeito pelo governo e pela sociedade. Têm excelentes condições de trabalho, dedicação exclusiva a uma só escola e direito a 4 horas diárias para preparar as aulas e atender os alunos. São proibidos a ter mais de um emprego. Exige-se do professor, desde o jardim-de-infância, diploma de ensino superior e a maioria conta com pós-graduação.

O preparo e a dedicação do professor encarregado das aulas são vistos com muita seriedade. Quanto ao salário, os professores sul-coreanos são os mais bem pagos do mundo. Um professor experiente ganha na Coréia do Sul, segundo dados divulgados, um salário mensal médio de 6 mil dólares, seis vezes mais do que ganha um professor brasileiro do mesmo nível!

Um outro aspecto importante a ser ressaltado é a participação maciça, sistemática, vigilante, da família na educação dos filhos. As famílias são orientadas para essa direção. Os pais observam de perto a vida escolar dos filhos, o que contribui e muito para o alto padrão acadêmico.

Uma forte conseqüência desse avanço  educacional é a sua economia triplicando de tamanho a cada década. Tudo que fazem tem como objetivo virar produto no mercado, promovendo vantajoso casamento entre o ambiente acadêmico e a indústria. Produzem pesquisa de ponta e patentes. Investem cada vez mais em capital humano, em formação de cérebros.

Repetidamente, dissemos que era necessário melhorar as condições de trabalho do professor da rede pública, equipar melhor as escolas, diminuir o número de alunos por classe, aumentar consideravelmente o seu salário, dar-lhe status social e um competente suporte técnico. Só assim haveria estímulo e corrida para o aperfeiçoamento profissional.

Entre nós, louvor seja dado às escolas particulares, umas mais, outras menos. São as que estão segurando as pontas, colocando traves nas barrancas dos rios, não deixando o barco navegar à deriva. Cito um exemplo de caráter pessoal. Recentemente, lancei o livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola). Foi um livro pensado para a educação em seus diferentes graus de ensino da educação básica, abordando também aspectos da educação superior. Foi, inclusive, um livro direcionado, em determinados pontos, à escola pública, preocupado em assistir o aluno pobre, em assessorar a escola na programação de ações, currículos, capazes de, efetivamente, alcançar esses alunos, retê-los no recinto escolar e dar-lhes uma educação de qualidade.

Paradoxalmente, a receptividade, a acolhida do livro, foi bem maior entre as escolas particulares (seja de grande, médio ou pequeno porte) que as da rede oficial. O que isso significa? Evidentemente, o desestímulo ao estudo, o desencorajamento ao enfrentamento da problemática da rede oficial, a sobrecarga de trabalho e da responsabilidade individual que essa rede imprime ao professor. O professor da rede particular, além de melhor salário, sente-se apoiado, trabalha num ambiente afim, que dá ensejo ao aperfeiçoamento profissional.

A qualidade de ensino das escolas particulares é o diferencial que faz com que os ricos cursem uma boa universidade e os pobres batam às portas da marginalização. Essa realidade, comprovada exaustivamente por pesquisas, não move a vontade política? Não a demove em busca de uma mudança radical, quebrando a perpetuação da desigualdade social?

*Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2005)