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O ENSINO BILÍNGÜE

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Izabel Sadalla Grispino *

Um grupo de renomados colégios particulares ensina o português, como língua materna, e alfabetiza, também, no idioma estrangeiro, o inglês. O aprendizado desta língua começa no jardim da infância.

Uma escola pública de Piraí(RJ), graças ao financiamento de uma ONG americana, vem adotando essa novidade no Brasil. Crianças de 5 a 8 anos, alunos do jardim da infância, iniciam seus estudos na língua inglesa.

Piraí, uma cidade de pouco mais de 22 mil habitantes, foi escolhida por causa de seu inovador e premiado programa de inclusão digital. A infra-estrutura, montada para essas escolas, mostra que elas estão abertas a iniciativas ousadas.

A Prefeitura oferece internet banda larga a preços populares e há quiosques com acesso à rede em diversos  pontos públicos, como nas bibliotecas. A esse fato, acresce-se que 18 das 20 escolas do município têm laboratório de informática e a maioria dos professores da rede pública foi capacitada para o ensino com o uso de computadores.

A informática é um instrumento importante para as aulas. O programa prevê o uso da internet para promover uma sistemática troca de experiências entre crianças e professores daqui e dos Estados Unidos, onde seis instituições públicas adotam o projeto para filhos de imigrantes, que têm o inglês como segunda língua. O inglês está se revelando tão importante quanto o uso da informática e essas crianças, crescendo vivenciando a língua, terão melhores condições de atuar, no futuro, no mercado de trabalho, competindo com candidatos oriundos da elite.

O método, que de início permite usar palavras em português nas duas aulas destinadas ao inglês, a idéia é falar apenas inglês. A aula é baseada mais na interação, diferentemente do que se observa nas escolas, onde o ensino privilegia, inicialmente, o vocabulário e, mais tarde, a leitura, voltado para a preparação do vestibular. A interação dos alunos com a dinâmica da sala de aula possibilita uma maior desinibição da língua.

O estudo de línguas na infância traz resultados consideráveis. O aparelho fonador em desenvolvimento auxilia no conhecimento de outra língua. O palato ainda está em formação, por isso é mais fácil de pronunciar determinadas palavras. A pronúncia de quem aprende mais cedo costuma ser melhor, confirmam os especialistas do assunto.

O ensino de inglês na educação infantil é um diferencial de grande proveito na vida escolar e profissional do aluno. O inglês, como acréscimo à inclusão digital na cidade de Piraí, complementa o ensino em direção a um ensino bilíngüe, a uma educação de qualidade.

O ensino bilíngüe é uma realidade mundial, no Brasil ele engatinha. A alfabetização em mais de um idioma é uma forma positiva de desenvolver o cérebro das crianças, aumenta as conexões cerebrais, melhora o raciocínio e desenvolve a criatividade.

Bilíngüe, definem os pedagogos, são as pessoas que aprendem todas as habilidades em duas línguas. Lêem, escrevem e falam, por exemplo, em português e inglês. Expandem o conhecimento aprendendo também matemática, ciências e outras matérias. Essas pessoas têm um nível superior na língua materna daquele que quem fala apenas uma língua. Além disso, desenvolvem melhor as habilidades intelectuais e podem se tornar mais criativas, porque ao conhecer dois idiomas, elas ampliam seus conhecimentos.

Pesquisas sobre o assunto mostram que os padrões de atividade do cérebro, ao aprender outra língua, mudam com a idade. Na pessoa adulta, as conexões usadas na língua materna ajudam na hora de aprender outra, desde que ela não seja muito diferente. Nas crianças não há essa diferença porque o cérebro está “novo”. Ao usar as primeiras palavras ao mesmo tempo, qualquer língua terá a mesma dificuldade.

Por isso, conclui a pesquisa, é importante ter contato com a língua o mais cedo e pelo maior tempo possível. Estudos mostram que quem aprendeu inglês na infância distingue melhor os sons do que quem aprendeu mais tarde. O pressuposto é de que, quanto mais cedo aprendemos outra língua, a atividade cerebral dela se aproxima da região da língua materna.

Dentro desses conceitos, a escrita também não se torna um problema. A explicação é de que para ler é preciso saber as conexões que correspondem às palavras e perceber a gramática entre elas. Quando se apropria da idéia de como ler, faz-se isso em qualquer língua. A alfabetização é uma só, não importa qual seja a língua, conclui a pesquisa.

Entender a importância do ensino bilíngüe leva à sua expansão. Esse ensino desenvolve o cérebro, apresenta regiões cerebrais ativadas durante a percepção de sons em língua estrangeira. Pessoas com aprendizagem precoce têm mais densidade de conexões nervosas na região temporo-parietal esquerda.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2006)