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REFLEXOS DA CULTURA SOBRE O MUNDO INFANTIL

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Izabel Sadalla Grispino *

No mundo atual, nota-se uma precocidade marcante entre a geração de meninas de 9 a 12 anos.

As meninas querem crescer logo e, segundo os médicos, vêm enfrentando o crescimento hormonal da puberdade mais cedo que as do passado. Citam como causas a melhoria da alimentação, das condições sanitárias e de saúde. Dentre essas, estão os estímulos sensoriais, influenciando o encurtamento da infância e o conseqüente alargamento da adolescência.

A sociedade atual provoca mudanças no modo de se conceber o universo infanto-juvenil. As gerações antigas diferenciavam a cultura dos adultos e a cultura infantil. Esse conceito vem se modificando, provocando uma transformação acentuada da infância no alcance precoce da juventude.

As meninas, estimuladas socialmente, querem crescer logo, viver a adolescência antes do tempo, um comportamento adulto. A televisão, a tecnologia, a internet, imprimem mudança de conceito, difundindo informações, regras de etiqueta, produtos de beleza, roupas, sapatos, que ajudam a firmar a nova identidade juvenil. Além disso, as crianças assistem a programas recomendados para adultos, têm ao seu redor acesso a todas as novidades, modismos, jogos de computador, informações apropriadas à sua vaidade.

Há um forte apelo consumista, uma exigência no modo de vestir, de pentear, que se firma como uma forma de integração social dos pré-adolescentes. O mercado lança uma série de produtos, linhas de cosméticos para meninas, roupas provocantes, celulares coloridos, que podem trocar de capa e combinar com a roupa...

A esse fator, há outros, como o desejo das mães, de que as filhas sejam bem torneadas, magras, elegantes como as modelos. É um conjunto de fatores que propicia uma pré-adolescência precoce.

As brincadeiras tradicionais da infância estão desaparecendo. As crianças vivem o mundo da tecnologia, do computador, dos CDs, dos “shoppings centers”. Preferem os jogos de computador às bonecas.

Meninas de 9, 10, 11 e 12 anos freqüentam salão de beleza, fazem unhas e cabelo, usam blusas que deixam ver o piercing colocado no umbigo, usam salto plataforma e estão, sempre, levemente maquiadas. São meninas que deixam de lado o sonho lúdico, para abraçar a vaidade e as curiosidades dos adultos. Esmeram-se na imagem bela e bem cuidada, vivem sob o domínio de estímulos de consumo e comportamento, podendo, até certo ponto, despertar mais cedo a curiosidade em relação ao sexo.

A infância de hoje imita esse modelo disponível, diferente do modelo de outrora. Segundo os psicólogos, a menina apenas imita, exterioriza um corpo desenvolvido, modulado, mas continua com uma mentalidade infantil. São modificações aparentes, são modelos que seguem, mas não estão mais maduras intelectualmente, nem mais preparadas para os apelos sexuais que procuram mostrar. Copiam um padrão de moda, considerado moderno. No fundo, essas meninas continuam sendo crianças.

Dizem os hebiatras – especialistas que cuidam de pré-adolescentes e adolescentes – que não adianta proibir ou reprimir. As meninas juntam-se aos seus grupos, comunicam-se, interagem-se.

Pais e professores precisam encarar essa realidade, entrar nesse mundo para melhor compreender, melhor orientar, refreando o abuso do comportamento adulto. As escolas vêm acompanhando de perto esse novo modelo que a sociedade imprime às meninas e procura ajustar a sua metodologia ao momento dessa criança.

Em entrevista, numa pesquisa sobre o assunto, o diretor de uma escola de informática relatou o seguinte: “Temos um curso infantil, para crianças de 6 a 11 anos. Os pais as trazem para fazer a matrícula e elas se recusam, porque não querem fazer nada de criança. Querem entrar direto no programa dos adultos e o interessante é que conseguem acompanhar muito bem as aulas”.

Esse fenômeno da precocidade infantil verifica-se no mundo todo. Observar, compreender e orientar são preceitos que se impõem. Ter, sobre esse processo da aceleração da puberdade, um olhar capaz de ajudar as meninas a caminhar mais lentamente, a perder a ansiedade do mundo adulto.

Pais e professores devem filtrar o que chega aos olhos da criança, desenvolver-lhe valores internos, preparando-a com calma para a vida adulta. Buscar criar no grupo estímulos próprios, condizentes à fase em que vive a criança, na linha da disciplina e da formação de novos paradigmas.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2006)