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AJUDA À VISTA AOS UNIVERSITÁRIOS

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Izabel Sadalla Grispino *

Ajudar o aluno pobre a enriquecer a sua formação acadêmica é, sem dúvida, o melhor caminho para o  ingresso à universidade. A instituição de cotas poderá representar uma ajuda vazia, um castelo de areia, que viria contra o próprio beneficiado.

Alunos que ingressam na universidade com deficiência de conhecimento poderão vir a ter sentimentos de desânimo, de desistência, sem falar da repetência. Para que isso não ocorra, a instituição terá que baixar o seu padrão de ensino, conseguir um nível inferior, que permita ao aluno dar seqüência aos seus estudos. A instituição não vai poder atender a padrões de qualidade e desempenho, o que traria queda na qualidade do ensino superior, como já existe na educação básica. Essa é uma estrada que não culmina com a melhoria do ensino, porque transitada por alunos sem o devido preparo.

É necessário que se forme conceito a respeito e que se tomem providências para se alcançar um porto seguro. Investir, primeiramente, e com seriedade, na qualificação da educação básica, fazendo as escolas públicas aproximarem-se das escolas particulares. Aumentar a oferta de cursinhos pré-vestibulares e bolsas de estudo à população carente. O cursinho pré-vestibular, lutando para suprir as deficiências de aprendizagem, fornecendo aos alunos um conhecimento mais compatível com a carreira universitária, e a bolsa permitindo-lhes a possibilidade de estudo.

Conforta-nos saber que os cursinhos pré-vestibulares multiplicam-se não só na capital, como no interior do Estado. Tomei conhecimento da existência do Curso Unificado do Campus de Araraquara (Cuca), através de seu coordenador e orientador, Prof. Miguel Jafelicci Júnior. Esse curso surgiu em 1994, por iniciativa dos alunos do Instituto de Química. Em 2002, foi implantado o Cuca/Prefeitura, resultado de uma parceria da Prefeitura de Araraquara com o Campus de Araraquara da UNESP, num projeto pioneiro na região, neste tipo de convênio.

O Cuca/Prefeitura atende atualmente 300 alunos em 5 salas localizadas em três bairros de Araraquara, Selmi-Dei, Vale do Sol e Jardim Martinez. Estes alunos são isentos de quaisquer pagamentos – matrícula, mensalidade e material didático. É atendido por 40 professores e 2 coordenadores, todos alunos de graduação da UNESP, que recebem bolsas de Extensão Universitária.

Essa é uma iniciativa que merece aplauso e que deve ser seguida por outras localidades. Parabéns aos organizadores e aos alunos que, através desse cursinho, elevam seu padrão de ensino e podem sonhar com horizontes mais claros, com um futuro mais consistente.

Um outro aspecto, que seria interessante divulgar, são as oportunidades de trabalho que surgem na própria universidade aos alunos que precisam trabalhar ou aos que querem já dar os primeiros passos na carreira durante a graduação. Estes alunos devem procurar por vagas oferecidas dentro do campus, publicadas em editais, divulgados nos murais de aviso e no site da instituição. As principais fontes de informação vêm, contudo, de alunos veteranos, de funcionários e de professores da universidade.

A falta de comunicação acaba por dificultar as chances existentes. Para os interessados, a Coordenadoria Executiva de Cooperação Universitária e de Atividades Especiais (Cecae) deixa o endereço eletrônico – www.cecae.usp.br. O Cecae oferece, entre outras atividades, estágios aos programas sociais da USP. Conta com mais de 100 alunos, que participam de trabalhos, como programas de reciclagem, de inclusão social de crianças carentes, de desenvolvimento tecnológico para pequenas empresas e de evolução ambiental.

Há, também, estágios no setor responsável por reformas das unidades da instituição. São formados por grupos de 7 alunos, que analisam as necessidades das faculdades, traçam planos de reforma e consultam preços dos materiais para o projeto. Cada aluno recebe cerca de dois salários mínimos por 20 horas semanais e trabalha nas horas em que há tempo entre uma aula e outra, no caso do curso ser integral.

Ao lado da divulgação das vagas de trabalho ou de estágio na universidade, os próprios alunos podem anunciar serviços, como tradução e revisão de textos e cursos de idiomas ou de instrumentos musicais. Há ainda a possibilidade de o aluno desenvolver o seu próprio projeto, como, por exemplo, o de revitalização de uma área da cidade e pedir ajuda à instituição para conseguir parcerias ou financiamento. Na USP, o estudante deve procurar o Cecae; em outras universidades, procurar auxílio no serviço de atendimento ao estudante.

Também existem as oportunidades de trabalho temporário, como as oferecidas no período dos vestibulares, no processo seletivo. Geralmente, esse trabalho tem duração de 4 meses e as funções são as de atender o público, cadastrar vestibulandos, cuidar da distribuição dos materiais, como os manuais do candidato e fiscalizar os procedimentos de inscrição. Ganha-se cerca de R$ 500,00 por mês, trabalhando 6 horas diárias. Durante as provas, ganha-se mais R$ 200,00 por dois dias de trabalho, como fiscal.

Espera-se que os universitários tomem conhecimento dessas possibilidades e que busquem concretizá-las.

* Supervisora de ensino aposentada.          
(Publicado em maio/2004)